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terça-feira, 16 de agosto de 2016

Retificação da Carta de Nascimento, por Dane Rudhyar


Não podemos encerrar este capítulo sem mencionar, do modo mais breve possível, um assunto de importância suprema, que na verdade é o fator mais agravante em qualquer trabalho prático de astrologia. Este fator é a incerteza quase universal quanto ao momento exato em que a pessoa respirou pela primeira vez. Se o leitor nos acompanhou com compreensão através de nossa apresentação dos fundamentos da astrologia, ser-lhe-á evidente que todos os fatores de uma carta de nascimento que se refiram à rotação axial da Terra são absolutamente dependentes do momento estritamente exato de nascimento (primeira respiração). Pois uma diferença de quatro minutos de hora de nascimento muda os graus de todas as cúspides, de todas as Rodas astrológicas, e portanto altera todos os cálculos baseados em direções primárias.

É claro que isto significa que onde exista tal incerteza quanto ao momento de nascimento, deve existir na mesma proporção uma incerteza quanto aos fatores individuais na personalidade e no destino do nativo. Isto é de importância capital para qualquer tipo de interpretação que ressalte o fator simbólico dos graus e em geral para qualquer tipo de interpretação psicológica e criativa. Como um erro de quatro minutos no horário de nascimento é quase inevitável, considerando o modo acidental de registro do horário de nascimento por enfermeiras atendentes, e considerando a memória variável da mãe e parentes, o problema na verdade é dos mais sérios. De fato ele tende a tornar a grande maioria das interpretações astrológicas não-confiáveis de várias maneiras, especialmente quando a natureza interna e os fatores criativos espirituais nos processos de individuação são analisados.

Para evitar esta deficiência, o astrólogo pode recorrer a um procedimento chamado retificação. É uma tentativa de descobrir, através de um dos vários métodos em uso, o momento exato do nascimento. As várias bases desses métodos de retificação podem ser descritas, em geral, como segue:

1) Descobrir o signo ascendente pelas feições do nativo. Isto baseia-se no fato de que o Ascendente se refere à estrutura do ser individual — ou melhor, às suas feições. Estrutura, no sentido de estrutura óssea, é uma questão que depende mais de Saturno e da Lua. Mas "feições" referem-se não apenas à estrutura corpórea geral, mas, até mais que isso, à expressão geral do corpo, e especialmente do rosto. O signo solar dá mais a radiação vital da personalidade como um todo; Saturno e Lua, a moldura do corpo e o ritmo da vida de sentimentos, que em grande parte é condicionado por essa moldura física. O Ascendente refere-se à expressão do indivíduo através do corpo, ao fator único de ser, à maneira pela qual o indivíduo vive sua vida num contexto material. É por isso que as características do Ascendente em geral ficam mais evidentes após os 35 anos, pois então o indivíduo como tal tornou-se mais plenamente "in-corporado" e sua marca ou assinatura mais claramente visível.

Como são doze os tipos básicos de Ascendente, o astrólogo é capaz, olhando para o nativo, de determinar seu "signo ascendente" — teoricamente! Em termos práticos, uma caracterização como essa é sempre mais ou menos incerta, tão incerta quanto é difícil separar o fator ascendente de outros fatores que influenciam a aparência corpórea. Além disso, este método determina apenas a natureza do signo ascendente, que, como média, significa um período de duas horas durante o qual a pessoa pode ter nascido. No entanto este é um procedimento muito válido, a ser utilizado sempre que a pessoa não conheça nem mesmo a hora de seu nascimento.

2) Retificação através de eventos passados. O princípio deste procedimento é que, tal como é possível predizer eventos futuros a partir de um momento exato de nascimento conhecido, também é possível deduzir o momento exato de nascimento a partir de eventos passados precisamente conhecidos. Propriamente, isto é "retificar" uma hora de nascimento duvidosa a partir do conhecimento da história de vida do nativo. Obviamente, este procedimento é muito perigoso, exceto quando a incerteza quanto ao momento de nascimento estiver confinada a limites de tempo estreitos — digamos, quinze minutos ou meia hora. No entanto é muito mais fácil encontrar o aspecto astrológico correto, que é a expressão de um certo evento da vida, do que predizer um evento preciso como resultado de um aspecto que ainda está por se formar. Isto porque destino passado é vida cristalizada — vida menos a incerteza da liberdade humana.

Colocando isto em outros termos: numa vida não acontece nenhum evento ao qual não se possa relacionar simbolicamente um aspecto astrológico, dando àquele evento um significado adequado. Mas isto não implica que um aspecto definido sempre produzirá uma ocorrência definida. Um aspecto é necessário para que um evento ocorra, mas não é prova suficiente para predizer corretamente a ocorrência de um acontecimento definido. Um ponto importante que jamais deve ser esquecido!

A dificuldade é isolar aquela determinada ocorrência passada que verdadeiramente corresponda a (ou é indicada por) um certo aspecto que tenha amadurecido naquela determinada época. Um aspecto por progressão secundária e um aspecto por direção primária podem parecer referir-se, digamos, a uma viagem importante, mas eles determinam datas que diferem por um ou dois anos. O problema da retificação é: a partir de qual aspecto determinar o momento de nascimento? Pode parecer que dois ou mais aspectos por progressão secundária também possam ser tomados indiferentemente, como significadores de um evento definido. Se forem feitos cálculos regressivos a partir desses diversos aspectos, poderão ser encontradas diversas horas possíveis de nascimento.

Portanto retificação envolve uma série muito complexa de conferências e reconferências, de calcular para frente e para trás, o que significa — mesmo quando a vida do nativo apresenta pontos de mutação definidos (o melhor caso para o propósito de retificação) — gastar muito tempo e usar de muita engenhosidade. É absolutamente necessária uma sensibilidade psicológica real da vida humana e das reações humanas para que o astrólogo possa determinar qual aspecto é o símbolo mais provável de algum evento passado, e também a capacidade de obter do nativo informações que ele possa ter esquecido ou cuja importância não perceba. Esta capacidade não é tão frequente quanto possa parecer, e todo psicanalista conhece este fato muito bem. Na verdade, muito poucas pessoas percebem quais eventos de seu passado realmente foram significativos, e normalmente as pessoas não compreendem o verdadeiro significado desses eventos. O maior valor da astrologia provavelmente está em ajudar o homem a descobrir o significado daquilo que já aconteceu. Só quando cada fator de sua história aparece com um significado claro em termos de destino como um todo — só então o homem está realmente preparado para enfrentar seu futuro com inteligência e compreensão, em outras palavras, em função de seu verdadeiro estado de self individual.

Depois de considerar os fatores astrológicos mais importantes, mencionados como os mais reveladores para o propósito de retificação, acreditamos que aqueles que Marc Jones menciona em seu curso Directional Astrology provavelmente sejam os melhores; ao menos são, de longe, os mais simples. São:

1) A passagem da Lua progredida sobre os ângulos da carta de nascimento — permite determinar estes ângulos corretamente. A passagem sobre o ascendente é em quase todos os casos uma indicação de alguma mudança básica no destino ou na autocompreensão. Geralmente marca uma mudança de residência ou de ambiente significativa; no entanto, em muitos casos, uma mudança de "ambiente interno", uma nova abordagem da autocompreensão, são as únicas coisas reconhecíveis na vida — especialmente no caso de introvertidos típicos.

2) Os aspectos de Marte ou Saturno com o meridiano zênite, isto é, com o Meio-do-Céu ou o nadir, que muitas vezes se referem à morte de um dos pais. Tais aspectos podem ser calculados de acordo com o tipo mais simples de direções primárias, mas a nosso ver referem-se ao que chamamos de análise de tempo da carta de nascimento. A morte de um dos pais — especialmente a primeira morte — marca uma liberação psicológica definida do fator individual em quase todas as vidas. É uma ocorrência básica como esta que deveria ser notada na própria forma seminal do destino, nos projetos de estrutura de vida individual. Uma morte como essa normalmente é acompanhada de uma descarga de forças psíquicas ou anímicas de quem morreu para o nativo, e o significado disso normalmente é de suprema importância. No entanto há casos em que uma indiferença clara do nativo com relação aos pais leva a uma "morte psicológica" dos pais, e é a este evento que o aspecto acima se refere, mais que à própria morte física.

Os aspectos de morte a serem considerados são conjunção, quadratura e semiquadratura de Marte ou de Saturno com o Meio-do-Céu ou nadir. Se Marte está a dez graus do Meio-do-Céu, a morte de um dos pais pode ocorrer aos dez anos. Mas também pode ocorrer aos 35 (por semiquadratura). Repetimos: tais aspectos não indicam a necessidade de uma morte, mas se ocorreu uma morte aos dez anos, e Marte está a onze graus do Meio-do-Céu, então a conclusão lógica é que a posição do Meio-do-Céu não é correta e deveria ser deslocada de um grau, para fazer com que o arco entre Marte e o Meio-do-Céu seja igual a dez graus. É isto que se quer dizer com "retificar" uma carta.

3) Retificar pela época pré-natal ou pelo aniversário da mãe são dois métodos de importância desigual e muito diferentes em técnica. Eles são colocados em uma categoria, porque ambos são tentativas de definir o surgimento do fator individual num novo ciclo vital (primeira respiração) em função de sua linhagem materna. A ideia é que certos períodos que afetam a formação da substancia corpórea do ser através da mãe levam, de modo mensurável, ao início do período de existência individual.

Muito já se disse a favor e contra o levantamento de um mapa para o momento da concepção. Podemos apenas salientar que a concepção é um momento na vida da mãe e não na vida de uma pessoa individual que de nenhum modo pode ser chamada de indivíduo, até que tenha atuado como uma entidade independente e relativamente autossustentada, ou seja, até que tenha respirado. Num certo sentido, a concepção não é mais importante para a vida do futuro indivíduo que o momento em que seus pais se conheceram. Pertence ao ciclo anterior a seu próprio ciclo individual. E o último de uma série de eventos, que se estende ao início do sistema solar, que condiciona aquilo de onde emerge o indivíduo. E o resumo da hereditariedade. Mas hereditariedade é simplesmente um dos aspectos básicos do fator coletivo da existência; o outro aspecto é o meio ambiente. Ele não determina o fator individual. Condiciona apenas aquilo através de que este fator individual precisará expressar-se.

No cálculo da carta da "época pré-natal" (que, aliás, não parece referir-se ao momento exato e real da concepção fisiológica), estabelece-se uma relação entre o Ascendente no nascimento e a Lua no momento aproximado de concepção. Isto para dizer, simbolicamente, que existe um momento na vida da mãe, por volta do período da concepção, em que ela prevê, em sua imaginação criativa, o que será o self individual de sua futura criança.

Poderíamos concluir dizendo, como já dissemos antes, que a razão pela qual é tão difícil precisar exatamente as cúspides das casas e todos os elementos referentes à rotação axial da Terra é que eles simbolizam o verdadeiro fator individual no homem. E este fator individual realmente é sagrado. Portanto, é bom que ele fique longe da análise dos indiscretos e dos curiosos. O grau exato do Ascendente é a chave para a qualidade singular do ser e do destino do homem. Num mundo em que o indivíduo é desdenhado e tantas vezes crucificado pela estupidez coletiva, talvez devêssemos nos alegrar com o fato de o Ascendente e todas as cúspides, que são os portais para o self criativo mais interno do homem e para a sua liberdade criativa, normalmente ficarem envoltos em mistério.


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Extraído do livro Astrologia da Personalidade, de Dane Rudhyar.


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O problema da Retificação do Mapa de Nascimento (por Yuzuru Izawa)

Retificação é o processo astrológico de determinar o momento exato em que uma pessoa nasceu. Todo mundo sabe em que dia nasceu, e a maioria das pessoas sabe a que horas. Se a informação não é exata, pelo menos se sabe algo como “foi quase meio dia” ou “o sol tinha acabado de nascer”.

Mas, como em tudo na vida, há uma margem de erro no horário, e isso causa modificações no mapa, e por isso que muitos astrólogos pregam a retificação como ferramenta essencial.

Basicamente, como no exemplo da “cama de procusto” acima, o objetivo do astrólogo é puxar e cortar até que os eventos encaixem com a informação do mapa astral.

Qual é a margem de erro num mapa astral.

Depende. Se tudo que você sabe é que sua mãe disse que foi lá pelas 8, depende de quanta anestesia sua mãe tomou. Em geral as pessoas se baseiam na certidão de nascimento. O quanto elas são confiáveis ?

Novamente depende. Horários “quebrados”, como 5:34 em geral são precisos… se a enfermeira se deu ao trabalho de escrever os dois números, é porque era metódica. Agora horários “Redondos” como 14:20, 17:00, 23:30, são a maioria, e pouco confiáveis. No primeiro caso, o horário tem erro de minutos. No segundo, pode ter um erro de um segundo ou de meia hora.

Na maioria das cartas, vamos ter um erro entre cinco minutos a 20 minutos. Em geral o horário de nascimento é arredondado para cima pelos médicos, mas nem sempre isso funciona.

Que impacto isso tem na carta astral ?

Os planetas se movem muuuuuuuuito devagar. O mais rápido de todos é a Lua, que demora dois dias e meio para atravessar um simples signo. Ou seja, apenas em casos raros uma diferença de vinte minutos vai resultar num planeta mudando de signo.

Então para que fazer ? O ponto mais importante de um mapa astral é o Ascendente. É ele que faz as configurações do céu se “materializarem” na terra. Pense assim… o céu no momento em que você nasceu era igual para todos que nasceram naquele dia, e muito parecido ao de todas as pessoas que nasceram na mesma semana. O que faz com que as pessoas tenham vidas tão diferentes é a concretização dos céus no sistema de casas astrais, que partem do grau do Ascendente.

A grosso modo, quatro minutos de diferença no seu nascimento criam uma diferença de um grau no Ascendente.

Devo retificar o meu mapa com um astrólogo ?

Em geral não, é perda de tempo. Vinte minutos de diferença vão se traduzir em algo como 5 graus. É possível, mas não é grave, que um ou outro planeta mude de uma casa para outra, ou que a cúspide de uma casa passe para outro signo, mas o mesmo pode ocorrer com uma mudança no sistema de domificação. Se o astrólogo X usa o sistema Placidus, e Y usa qualquer outro, isso pode acontecer mesmo com o horário exato.

Segundo porque a grande maioria dos astrólogos é moderna, e só usa a técnica dos trânsitos. Mesmo os que usam técnicas como Retorno Solar, na grande maioria das vezes não vai ter problemas (em um ou outro ano pode haver confusão). E, além das mudanças serem pequenas, a verdade é que a maioria dos astrólogos modernos usa muito pouco as casas astrais, e muitos sequer as usam.

Há uma “autoridade” brasileira, que vive dizendo que usar mapa não retificado é falta de profissionalismo. Mas a mesma autoridade raramente usa as casas em suas delineações, nas quais em geral usa apenas o significado essencial de um planeta (exemplo: vênus=amor) combinado com os planetas transaturninos (urano, netuno e plutão). E nenhum desses fatores necessita retificação.

E o que é pior, é um firme defensor de que astrologia não deve e não pode prever nada. Ora, então para que ele vai usar o mapa retificado ?

É o típico jogo de dois pesos e duas medidas. A astrologia não serve para prever o futuro, mas aparentemente serve para “prever” o passado, pois são esses dados que são usados para retificar.

Métodos de Retificação

Somente Valens dá uns 15 métodos de retificar, um mais louco que o outro. Mas os mais famosos são:

Animodar
Trutina de Hermes
Monomoiria
Retificação por Acidentes
Todos funcionam, mas precisam de “jeito”. O amador que vai abanado tentando aplicar, sempre chega à conclusão de que não funciona. A última das quatro é a mais usada (ainda que mal usada). É basicamente comparar as coisas que aconteceram na sua vida com as progressões, direções, etc, do seu mapa astral ao longo de sua vida.

As direções dos ângulos (ascendente e MC) são especialmente importantes para retificar, já que elas são as mais sensíveis. Na verdade, o único motivo de se retificar é poder fazer previsões confiáveis das direções dos ângulos !

Problemas da Retificação

Dr H em seu livro sobre métodos tradicionais para retificar, fala bastante disso. Basicamente a retificação é um método de busca, que precisa ser “refinado” a medida em que chega perto do seu alvo.

Imagine um computador procurando o ponto mais alto do planeta Terra. Se o computador for muito apressadinho, ao invés de chegar ao Himalaia, ele vai concluir que o ponto mais alto da Terra é a Torre Eiffel. Ou seja, ele vai pegar o primeiro ponto alto e ficar com ele mesmo.

A mesma coisa acontece na retificação. Como as pessoas estão “prevendo” coisas que já aconteceram, tudo vale. Se a pessoa não tiver desenvolvida sua técnica de prever de verdade “pra frente”, prever o futuro, simplesmente vai fazer uma retificação mal feita. Abaixo eu descrevo rapidamente alguns problemas típicos.

O fator é muito comum

Vamos supor que eu suspeito que seu ASC é em Leão. Daí eu percebo que, no dia que você casou, vênus estava em 22 de Aquário. Ora, como aquário é o signo oposto a Leão, é óbvio que o ASC deve ser 22 de Leão. Portanto, você casou exatamente no dia em que venus transitava sua casa 7, dos relacionamentos ! Que lindo !

Mas espere um pouco ! Vênus passa por todo seu mapa uma vez por ano ! E você não se casa todos os anos ! Além disso, basta pegar o mapa de uma pessoa com horário conhecido, e você concluirá rapidamente que vênus não tem nenhuma obrigação de atravessar a casa 7 durante casamentos.

Pode parecer que eu estou inventando, mas já vi muita gente fazendo isso. Coisas do estilo “minha casa queimou quando marte passou pelo meu ascendente” são comuns e mostram o amadorismo da classe. Marte passa pelo seu ascendente a cada dois anos, meu filho, melhor construir sua casa na frente do quartel dos bombeiros !

Vamos pegar o evento mais estridente

Astrólogos adoram drama, então em geral querem reservar o evento mais dramático para suas direções. Infelizmente isso geralmente não é correto.

Deixa eu me explicar melhor. Um astrólogo americano retificou a carta de Washington. Para isso ele usou o ângulo chamado de IC, que como o ascendente, muda de um grau a cada 4 minutos, mais ou menos. O ângulo do IC tem relação com a casa, pai e família.

Vamos supor que no mapa de Washington o IC estivesse em algo entre 5 e 10 de câncer, indefinido. Saturno, o grande maléfico, estava na casa 4, vamos supor em 20 de câncer. Daí ele dirigiu o IC até Saturno, e comparou com o evento dramático, a morte do pai de Washington (vamos supor aos 15 anos). Então, ele tirou a diferença, converteu para medida de tempo, e chegou a uma conclusão, que o IC verdadeiro era de 7 câncer (estou inventando os números).

Ora, eu também tenho Saturno em câncer, e eu sei a posição do meu IC. Mas vamos supor que eu não soubesse, que tivesse apenas uma idéia vaga, o IC podendo estar entre o final de gêmeos e o começo de câncer. Se eu dirigir esse ângulo até Saturno, e comparar com a morte do meu pai, eu simplesmente acabaria com a posição do ângulo totalmente errada.

Por que ? Oras, porque não foi a direção do IC a Saturno que “matou” meu pai. Do mesmo jeito, não temos nenhum motivo para supor que isso tenha acontecido para Washington. O processo foi “refinado” muito cedo. As direções só devem ser usadas quando o ângulo já está definido com no máximo uma margem de um grau e meio de erro, nada mais que isso.

Além disso também há o problema da falta de delineação. Por que a direção a saturno para matar o pai ? Você viu as profecções ? E a firdaria ? E a parte árabe do pai ?Você viu se vênus não seria um significador melhor para isso ? Se não viu nada disso, só está brincando de dirigir, e tanto na astrologia como com os carros, isso só gera acidentes.

Retificação por impulso, achismo e “na minha experiência”.

Aqui, já abrimos o vale-tudo.

Já vi de um tudo um pouco. Retificar o ascendente em áries porque “ele tem cara de áries”. Ou então porque “ele se movimenta como um taurino”. Ou “viu como ele se declarou para ela ? Só pode ser ascendente em libra”. Até por cor favorita e foto (de paisagem) colocada no perfil, tudo era sinal suficiente para retificar.

Moral da História ? Retificar é difícil e exige trabalho. Mas hoje em dia é quase considerado uma heresia sugerir que alguma coisa deva ser conquistada com trabalho duro. Pergunte a qualquer professor, como os alunos de hoje em dia reagem quando você diz para eles que eles têm que estudar algo. Não, é o direito divino que as coisas sejam fáceis, se você não pode ensinar algo como filosofia aristotélica em quinze minutos, usando exemplos de Dragonball, você que está fazendo algo errado.

Por exemplo, no caso do Obama, o primeiro horário “liberado” foi lá pelas 1 e meia da tarde. Resultado um monte de gente “retificou” esse horário para coisas como 1:36. O problema é que esse horário era totalmente falso, resultado das alucinações astrológicas do povo que fica muito tempo na net. O horário verdadeiro era na parte da manhã, mais de 6 horas antes do monte de retificações.

Resultado: tem um monte de gente que ainda diz que a retificação deles é a verdadeira, e a conspiração foi motivada para esconder que Obama nasceu no Kenya.

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http://yuzuru.wordpress.com/2009/01/28/o-problema-da-retificacao/

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A Retificação do Horário de Nascimento (Catherine Aubier)

A hora de nascimento, quer seja fornecida pelos pais ou pelo registro civil, freqüentemente é falsa ou, pelo menos, "arredondada" Por isso, resultam erros de interpretação e sobretudo diferenças mais ou menos importantes nas previsões. Dessa hora depende a posição das doze casas, logo, dos quatro ângulos do Tema: Ascendente, Meio do Céu, Descendente, Fundo do Céu.

É quase impossível encontrar a hora verdadeira de nascimento quando não é conhecida ou quando há oscilação entre várias horas. Em compensação, é possível retificar uma hora de nascimento, quando ligeiramente incerta (uma hora é, em nossa opinião, uma grande diferença). Existem vários métodos de retificação da hora. Todos se apóiam na análise dos acontecimentos do passado e numa colaboração direta do consulente. São aplicáveis somente a adultos, cujo passado está "memorizado"O mais complexo consiste em utilizar as direções primárias. Para isto indicamos a obra de H. Gouchon Les directions primaires simpli fiées, editado pela Éditions Traditionelles. Essas direções pedem, com efeito, o uso de tábuas e cálculos impossíveis de se descrever ou publicar aqui. Existem outros meios, com uma abordagem extremamente complexa para um iniciante: mesmo os astrólogos experientes os utilizam com precauções! O primeiro se apóia na análise dos trânsitos planetários sobre os ângulos do Tema. Um exemplo: um trânsito de Júpiter sobre o MC indica em geral um sucesso, uma melhoria na vida pública, social ou profissional. Admitamos que o MC se encontra, segundo a hora de nascimento indicada, a 5° de Capricórnio. Júpiter esteve neste local do zodíaco durante todo o verão de 1984, no hemisfério norte. O astrólogo formula sua pergunta: "Você teve um sucesso ou uma melhoria em sua vida social e profissional no verão de 1984?" Se o consulente responder "Sim", há grandes chances de que a hora de nascimento, logo, a posição do MC, esteja certa. Se responder "Não, foi em 25 de janeiro", há provavelmente um erro.

O astrólogo procura qual seria a posição de Júpiter em janeiro: estava a 1 ° de Capricórnio. Verifica então nas tábuas de casas o tempo transcorrido entre o momento em que o MC estava a 1 ° de Capricórnio e aquele em que estava a 5°: a diferença é de 16: Conclui daí que seu cliente nasceu 16 minutos mais cedo que a hora inicialmente índicada. Naturalmente, essa retificação é insuficiente: é necessário efetuar outras, com a ajuda de trânsitos sobre os quatro ângulos do Tema. Ao MC corresponderão os acontecimentos socioprofissionais, ao Ascendente a saúde, a vitalidade, ao Descendente a vida associada aos outros, ao FC os acontecimentos na casa e no lar (mudanças de domicílio, por exemplo). É possível, também, utilizar as direções simbólicas efetuadas a partir da ponta de cada casa.

Exemplo: a ponta da casa VII está a 1 ° de Câncer. O cliente declara: "Eu me casei com 22 anos". O astrólogo acrescenta 22° à ponta da Casa VII e chega então ao 23° de Câncer. Se um planeta se encontra em conjunção ou em aspecto harmonioso exato com esse ponto, a hora de nascimento está exata. Senão, está errada. O astrólogo conta então o número de graus de erro (por exemplo, se um planeta se encontra a 25° de Câncer, de Peixes ou de Escorpião, a orbe do erro é de 2°) e retifica a hora, recolocando a ponta da casa VII dois graus mais longe.

Preconizamos mais o primeiro desses dois métodos, que é baseado no movimento real dos planetas. Mas os dois são excessivamente delicados para se manipular!

Um outro-método é preconizado pelos praticantes do estudo dos pontos médios, que notaram que a posição exata do eixo Meio do Céu-Fundo do Céu - dependendo inteiramente da exatidão da hora - estava freqüentemente sobre o grau preciso de um ponto médio.

Afinal, há astrólogos que verificam simplesmente se o simbolismo dos graus onde se encontram os quatro ângulos corresponde bem à personalidade e à vida da pessoa; se não for o caso, adaptam os ângulos aos graus que oferecem a analogia mais convincente e retificam a hora de acordo com isso.
Atenção: nenhum desses métodos oferece resultados inteiramente comprobatórios, pois a maioria das vezes exigem verificações excessivamente complexas, que colocam o astrólogo face a contradições intrincadas. Trata-se de uma verdadeira "especialização" da astrologia, que a era dos computadores - possibilitando, entre outras coisas, uma utilização mais simples das direções primárias - tornará mais acessível.