segunda-feira, 27 de junho de 2016

Mercúrio nos Elementos. Por Helena Avelar e Luís Ribeiro

O signo onde se encontra Mercúrio num mapa natal dá-nos indicações sobre a forma como o indivíduo comunica, pensa e aprende.

Mercúrio em Fogo: Pensamento vivo, enérgico e caloroso. A comunicação e a aprendizagem passam sempre por um processo de identificação. Este pode ser rápido e impaciente (Carneiro), autorreferenciado (Leão) ou ideológico e opinioso (Sagitário).

Mercúrio em Terra: Pensamento pragmático, experimental, concreto. A aprendizagem passa pela experiência do concreto, pelas coisas "físicas". Comunica de forma lenta e segura (Touro), meticulosa e analítica (Virgem) ou estruturada e estratégica (Capricórnio).

Mercúrio em Ar: Curiosidade, facilidade em conceptualizar. A comunicação podem ser muito dispersa, relativista e contrastante (Gêmeos), diplomática, hesitante e harmoniosa (Balança) ou excêntrica, racional e focalizada (Aquário).

Mercúrio em Água: Pensamento e comunicação ligados ao sentir e às memórias. Fala de forma intimista e nostálgica (Caranguejo), intensa e penetrante (Escorpião) ou vaga, poética e difusa (Peixes).

A Lua nos Elementos. Por Helena Avelar e Luís Ribeiro

Lua em Fogo: as inseguranças têm como centro a identidade e a expressão pessoal. Pode tentar compensar-se por reatividade (Carneiro), manifestações exageradas de personalidade (Leão) ou demasiada ênfase nas opiniões e pontos de vista pessoais (Sagitário). A correta expressão da Lua passa por aprender a expressar-se e a gerir a identidade de forma íntegra e coerente.

Lua em Terra: é na área da realização concreta e prática que se manifestam as inseguranças. Estas podem gerar possessividade e avidez (Touro) criticismo e dificuldades de expressão emocional (Virgem) ou rigidez e necessidade de reconhecimento social (Capricórnio). Quando aprende a encarar o lado prático e concreto da existência como uma faceta natural da vida e não um campo de provas, consegue estruturar e tomar consciência das suas necessidades.

Lua em Ar: as inseguranças expressam-se através de uma conceptualização do instinto e dos sentimentos. Tem uma necessidade exagerada de falar do que sente (Gêmeos), dependência excessiva dos relacionamentos (Balança) ou compulsão para ser diferente e, ao mesmo tempo, aceite pelos outros (Aquário). Para conseguir uma boa expressão da sua faceta lunar, terá de unir o sentir com o pensar, fugindo assim às ideias vazias e desligadas de vida prática.

Lua em Água: as inseguranças estão enraizadas no sentir. Podem ser expressas através de uma necessidade de ser acarinhado e alimentado (Caranguejo), de estar profundamente envolvido e controlar (Escorpião) ou de estar mergulhado num "oceano" de sentimentos (Peixes). À medida que vai conseguindo separar os seus próprios sentimentos dos outros, ganha uma estrutura emocional mais coerente e equilibrada.

Análise de Sonhos e Assimilação de Conteúdos Inconscientes, por Dane Rudhyar

Mais adiante, referir-nos-emos à relação existente entre a astrologia, do modo como está reformulada neste livro, e a atitude estética diante da vida. Veremos especialmente como esta atitude invalida todas as noções de "maus" aspectos e planetas "maléficos", ao menos na astrologia natal. Mas antes de mais nada, queremos concluir nosso breve estudo da psicologia analítica de Jung delineando o método que ele advoga para aprofundar o processo de individuação. Na verdade, esse delinear será mais um simples esboço, e  devemos remeter o leitor aos livros de Jung, especialmente Two Essays on Analytical Psychology, Modern Man in Search of a Soul e o comentário de O segredo da flor de ouro.

Poderíamos dizer que o primeiro passo no caminho da individuação é remover os. impedimentos que o obstruem. O processo de individuação não é nenhum desempenho misterioso ou santificado. E o viver pleno de uma vida não-castrada ética e socialmente. Como Jung diz: "A vida, ... se vivida com devoção completa, traz uma intuição do self, o ser individual". Infelizmente o viver com devoção completa é dificultado pela herança da humanidade, que se faz sentir através da influência do ambiente, da tradição e da educação. Elementos coletivos pressionam os brotos tenros da planta da personalidade, e assim o fluxo natural da vida é perturbado, impedido, e as próprias águas da alma são envenenadas. As tendências e energias reprimidas se acumulam no inconsciente pessoal, afetando o comportamento externo e a saúde fisiológica por caminhos subterrâneos. A análise psicológica, em seu primeiro estágio, precisa portanto liberar essas repressões, os desejos reprimidos precisam ser trazidos à consciência.

A análise dos sonhos nos ajuda a chegar a essas repressões e trazê-las à luz da consciência, tirando-lhes assim seu poder.

Os sonhos dão informações sobre os segredos da vida interior e revelam ao sonhador fatores escondidos de sua personalidade. Enquanto estes ficam inexplorados, perturbam sua vida na vigília e se fazem notar apenas sob forma de sintomas. Isto significa que não podemos tratar efetivamente o paciente apenas pelo lado da consciência, mas é preciso provocar uma mudança no inconsciente e através dele. Até onde vai o conhecimento atual, s6 existe um meio de se fazer isso: é preciso que haja uma assimilação profunda, consciente, dos conteúdos inconscientes. Com "assimilação" quero dizer interpenetração mútua de conteúdos conscientes e inconscientes e não — como é demasiado comum se pensar — uma valoração unilateral, interpretação e deformação de conteúdos inconscientes pela mente consciente. ...A relação entre consciente e inconsciente é compensatória. Este fato, facilmente verificável, permite uma regra para a interpretação de sonhos. Quando queremos interpretar um sonho, é sempre útil perguntar: que atitude consciente ele compensa? ... Cada sonho é uma fonte de informação e um meio de autorregulagem. ...(Sonhos) são nossos auxiliares mais eficazes na tarefa de construir a personalidade.

(Modern Man in Search of a Soul, pp. 18-20)

O sonho fala através de imagens e dá expressão a instintos que derivam dos níveis mais primitivos da natureza. A consciência se afasta com muita facilidade da lei da natureza, mas pode ser reencaminhada a uma harmonia com ela por meio da assimilação dos conteúdos inconscientes. Fomentando esse processo levamos o paciente à redescoberta da lei de seu próprio ser. ... Eu não poderia compor (num espaço tão pequeno) diante de seus olhos, pedra por pedra, o edifício que está por detrás de cada análise dos materiais do inconsciente e que encontra sua completação na restauração da personalidade total. O caminho de assimilações sucessivas vai muito além dos resultados de cura que concernem especificamente ao médico. Leva por fim àquela meta distante (que pode ter sido talvez o primeiro impulso para a vida), o trazer o ser humano total para a realidade — isto é, individuação.

(Modern Man in Search of a Soul, p. 30)

No entanto os sonhos não são as únicas projeções do inconsciente que podem ser assimiladas. Há um outro campo de atividade psicológica, que Jung denomina fantasia, e que tem suas raízes muito mais no inconsciente que no consciente. O domínio da fantasia criativa se estende do mais insignificativo sonhar acordado à mais significativa "inspiração" súbita do artista criativo, do cientista ou do filósofo. A fantasia criativa é a ponte entre sentimento e pensamento. "Não nasce de nenhum dos dois, pois é a mãe de ambos — melhor dizendo, ela é grávida da criança, aquela meta final que reconcilia os opostos. ...Que grande coisa já chegou a existir que não tenha sido primeiro fantasia?" (Tipos psicológicos)

A fantasia age, tal como os sonhos, através da projeção de símbolos. Podemos sonhar os níveis mais profundos do inconsciente através de um entendimento desses símbolos e assimilar a profunda sabedoria dos tempos, depositada naqueles níveis.

O inconsciente pode nos fornecer todo o auxílio e ajuda que a generosa natureza mantém guardados para o homem, numa abundância que flui continuamente. O inconsciente ... não só comanda todos os conteúdos psíquicos subliminares, tudo que foi esquecido e passado por alto, mas também a sabedoria e a experiência de séculos incontáveis, uma sabedoria que está depositada e repousa em potencial no cérebro humano. O inconsciente é continuamente ativo, criando combinações a partir de seus materiais que servem das necessidades do futuro. Cria combinações subliminares prospectivas tal como o consciente, mas estas são marcadamente superiores das combinações conscientes, tanto em refinamento quanto em extensão. Portanto o inconsciente pode ser um guia inigualável para o homem.

(Two Essays on Analytical Psychology, pp. 118-19)

O uso do que é chamado "material-fantasia" é uma das características mais significativas da técnica de Jung. Ele escreve: "Precisamos ser capazes de deixar as coisas acontecerem na psique. ...A consciência fica eternamente interferindo, ajudando, corrigindo e negando, e nunca deixando em paz o crescimento simples do processo psíquico'. Precisamos "relaxar a câimbra do consciente". Uma nova atitude deve ser criada,

uma atitude que aceita o irracional e o inacreditável, simplesmente porque é o que está acontecendo. Esta atitude seria um veneno para uma pessoa que já tenha sido oprimida por coisas que simplesmente acontecem, mas é de enorme valor para alguém que, com uma crítica exclusivamente consciente, escolhe, dentre as coisas que acontecem, apenas aquelas apropriadas d sua consciência, e assim gradualmente é afastado do fluxo da vida para uma represa estagnada.

(Comentário sobre O segredo da flor de ouro, p. 91)

O "Comentário" sobre O segredo da flor de ouro fornece muita informação quanto ao significado dessa fantasia criativa e à maneira pela qual se pode limpar o caminho que leva à condição de integração e individuação. Mostra, além disso, como o método moderno se ajusta a algumas das mais antigas concepções da sabedoria chinesa, quando estas são vistas como referentes a processos psicológicos — à integração e ao nascimento de uma personalidade superior, cuja consciência desapegada do mundo, que ela contém sem estar presa a ele, se tornou visão pura.

A razão filosófica que há no interior das concepções de Jung é o da reconciliação dos opostos — um tema antigo e universal, que as civilizações chinesa e ariana-hindu apresentavam, cada mina de modo um tanto diferente, cada uma enfatizando um dos opostos. A formulação chinesa é particularmente clara, e há pouca dúvida de que, numa formulação renovada, ela terá uma ascendência cada vez maior na nova era. Graças a Richard Wilhelm, Jung teve contato íntimo com essa filosofia chinesa e com o I Ching, o grande livro, na China antiga, que mostrava simbolicamente uma síntese maravilhosa de todas as atividades da vida, abarcando todo o conhecimento e todas as modalidades de ação numa imensa fórmula, a fórmula da mutação.

A aplicação do princípio que está por detrás da fórmula, com referência à psicologia e ao processo de individuação, é admirável, e, num sentido profundo, constitui o pano de fundo das concepções e das técnicas de Jung — consciente ou inconscientemente, para ele. Apresentada como está em O segredo da flor de ouro, encontramos a seguinte figura metafísica:

Tao, o individido, Grande Um, dá origem a dois princípios opostos de realidade, Escuridão e Luz, yin e yang. A princípio, estes são entendidos apenas como forças da natureza, separados do homem. Depois, as polaridades sexuais e outras se derivam deles. De yin vem ming, vida; de yang, hsing ou essência.

Tao é "aquilo que existe por si mesmo", portanto um paralelo do "Auto-Existente" (Svayambhuva) do budismo hindu. Mas também é o Grande Integrador e o Processo de Integração. O ideograma chinês para Tao é composto de dois caracteres, um que significa "cabeça" e outro "indo". Wilhelm traduz Tao como "significado", mas ele tem sido geralmente traduzido como "o Caminho". Ao menos num certo sentido, ele é o Caminho, ou melhor, o Processo, na cabeça. Relacionando "Cabeça" com consciência, Jung chega ao significado: caminho consciente. Tao é a síntese de ming, vida e hsing, essência. Essência e vida, originalmente um no Tao, são separadas na concepção da criança. Reuni-las é a meta do desenvolvimento psicológico. Assim o Tao se transforma no "método ou caminho consciente de unir o que está separado", isto é, essência (que é intercambiável com consciência) e vida. A consciência separada da vida se refere à condição que Jung descreve como "o desvio ou descaracterização da consciência".

Também "a questão de tornar conscientes os opostos significa reunião com as leis da vida representadas no inconsciente". Viver conscientemente é fazer surgir o Tao. Fazer isso plenamente é integrar a consciência (essência) e as energias do inconsciente coletivo (vida). Isto vem como resultado de um "processo psíquico de desenvolvimento, que se expressa em símbolos". O grande símbolo da individuação é a mandala, isto é, um círculo mágico contendo uma cruz ou alguma outra formação basicamente quádrupla.

Um símbolo desse tipo é a zodíaco e a quadratura típica de uma carta astrológica (os quatro ângulos). Toda a astrologia natal é a aplicação prática desta "divisão quádrupla do círculo' — o Caminho consciente: Tao T-A-O quádruplo dá os doze signos ou casas da astrologia (3 x 4 = 12). Toda carta natal é a mandala de uma vida individual. É o mapa do processo de individuação desse indivíduo em particular. Segui-lo com entendimento é seguir o "caminho consciente", o caminho da "totalidade operativa", isto é, o caminho de realização ativa da totalidade de ser que é self.

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Extraído do livro Astrologia da Personalidade, de Dane Rudhyar.


domingo, 26 de junho de 2016

Sol nos Elementos e Signos. Por Helena Avelar e Luís Ribeiro

Sol em Signos de Fogo

Quando o Sol está num signo do elemento Fogo a expressão da identidade é naturalmente viva, enérgica e calorosa.

Sol em Carneiro: "Sou aquilo que faço".
O processo de autoconhecimento passa pela ação direta e imediata. Esta pode ser pensada e assertiva ou, pelo contrário, impulsiva e agressiva.

Sol em Leão: "Sou aquilo que manifesto".
O autoconhecimento passa pela expressão criativa do ego, em função do próprio indivíduo (é autorreferenciado). É generoso e brilhante, mas pode ter um toque de egocentrismo e arrogância.

Sol em Sagitário: "Sou aquilo em que acredito".
O conhecimento de si mesmo é feito através da identificação com ideais e filosofias. Tem uma faceta aventureira e optimista, mas por vezes é irresponsável e exagerado, podendo tornar-se dogmático e "evangelizador".


Sol em Signos de Terra

Nos signos do elemento Terra, a expressão da identidade assume um carácter mais reservado e contido, tornando-se funcional e pragmática.

Sol em Touro: "Sou aquilo que tenho".
Conhece-se pela concretização, realização, posse e vivência dos sentidos (ver, saborear, cheirar...). Tem uma faceta estética, estável e concretizadora, mas pode tornar-se possessivo, comodista e "boçal".

Sol em Virgem: "Sou o que analiso e purifico".
O indivíduo conhece-se pela sua capacidade de análise detalhada e funcional. Pureza, perfeição e eficiência ajudam-no a perceber quem é. Arrisca-se a cair num excesso de criticismo e em perfeccionismos descabidos.

Sol em Capricórnio: "Sou um lugar na hierarquia social".
Conhece-se através da estrutura, da ordem e da sua posição nas hierarquias sociais. É esforçado, trabalhador, sóbrio e estratega, mas a sua necessidade de reconhecimento social pode torná-lo rígido, ambicioso e "frio".


Sol em Signos de Ar

Em signos do elemento Ar, o autoconhecimento é atingido através da visão conceptual do mundo, da comunicação e dos relacionamentos.

Sol em Gêmeos: "Sou o que digo e penso".
É através da relativização e da experimentação que a identidade se organiza. Oscila entre a superficialidade nervosa e a capacidade de ver todos os aspectos da natureza das coisas.

Sol em Balança: "Sou parte de uma relação".
A identidade espelha-se nos outros. Os relacionamentos têm de ser "de igualdade", sejam eles pessoais, sociais ou de negócios. É diplomático e sociável, mas também pode ser muito dependente e indeciso.

Sol em Aquário: "Sou a minha diferença/sou o meu grupo".
O processo de consciência passa por uma conceptualização do mundo com base em grandes ideais e ideologias sociais. Tem uma expressão original, diferente, que pode ser muito criativa ou tornar-se excêntrica e rebelde.


Sol em Signos de Água

Quando o Sol está num signo do elemento água a expressão da identidade é naturalmente reservada, sentimental e empática.

Sol em Caranguejo: "Sou o que sinto e protejo".
Conhece-se através da busca de segurança e de "alimento" emocional. Pode oscilar entre uma atitude de "mãe" (que protege e nutre mas também "abafa"), ou o de "filho" (que dá amor e companhia mas exige amor e atenção contínua).

Sol em Escorpião: "Sou a morte e a transformação".
Conhece-se através da vivência profunda e intensa das suas emoções. O medo desta turbulência emocional leva-o a resistir, controlar e manipular, no entanto, se superar esta barreira, encontra em si grandes poderes de transformação.

Sol em Peixes: "Sou o absoluto".
Aqui o autoconhecimento tem como base um sentir muito abrangente. Tem poucas barreiras e absorve o "sentir dos outros" como se fosse seu. É sensível e abnegado, mas pode perder-se nos próprios sentimentos de autopiedade.

Regentes Planetários. Por Helena Avelar e Luís Ribeiro

Como já referimos, os signos do Zodíaco podem ser comparados a papéis numa peça de teatro. Os planetas seriam os atores que vão representar esses papéis, de acordo com o signo em que se encontrem.

Estes atores (os planetas) terão naturalmente mais facilidade em representar determinados papéis (signos) e sentir-se-ão menos adequados a outros. Podemos, assim, dizer que alguns signos são "confortáveis" para alguns planetas, enquanto outros poderão ser considerados "desconfortáveis".

Nos signos onde parece ser mais fácil ao planeta expressar-se com facilidade diz-se que está em dignidade. Nos signos onde o planeta parece menos adaptado diz-se estar em debilidade.
Antes, contudo, de avançarmos com quaisquer tentativas de interpretação, importa frisar que o facto de um planeta estar em dignidade não significa necessariamente que seja "bom", tal como a debilidade não indica que seja "mau".

Assim, um planeta dignificado terá, à partida, a sua expressão facilitada. A sua expressão estará, portanto, altamente energizada. No entanto, esta facilidade e energia pode também levar a alguns exageros. Da mesma forma, um planeta em debilidade poderá encontrar dificuldades de expressão, mas estas mesmas dificuldades podem catalisar um processo interno de compreensão e trabalho interior que é, em si mesmo, muito positivo.

Podemos interpretar as dignidades e debilidades planetárias como indicadores da "força" ou capacidade de manifestação de um planeta.

Das dignidades planetárias clássicas, estudaremos a regência e a exaltação. Das debilidades, estudaremos o exílio e a queda.

Para melhor entendermos estes termos, vamos por um momento encarar os signos como se fossem reinos.

Cada reino tem o seu próprio rei. Da mesma forma, cada signo terá um planeta que vai regê-lo - o planeta regente.

Quando um planeta está no seu próprio signo diz-se que está em regência ou em trono.

Importa, contudo, realçar que o rei é o representante do reino mas não é o próprio reino. Há que distinguir entre a Inglaterra e a rainha Isabel II, por exemplo.

Da mesma forma, o dinâmico e assertivo signo de Carneiro é regido pelo planeta Marte, com as suas qualidades de ação e iniciativa. Quando Marte está em Carneiro, atinge a sua expressão ideal. Ele rege (reina) nesse signo. Por essa mesma razão, pode também cair em excessos.

Contudo, apesar das claras semelhanças entre ambos, signo não deve ser confundido com o seu planeta regente, ou vice-versa.

Quando o rei se encontra muito longe do seu reino, numa terra estranha, ninguém lhe presta homenagem e o seu poder está enfraquecido. Assim, quando o planeta está no signo oposto ao da sua regência, diz-se que está em exílio ou detrimento.

Por exemplo, Marte em Balança (signo oposto ao Carneiro) está em exílio. As capacidades guerreiras de Marte não encontram terreno propício em Balança, onde reinam as leis da harmonia, da estética e dos relacionamentos. O desafio aqui será o de dominar a sua impaciência e aprender a ser diplomata.

Por outro lado, o rei pode não estar no seu reino mas ser o convidado de honra de num reino amigável. Nesse reino, será tão homenageado como em sua própria casa (ou talvez mais) e terá o seu poder muito fortalecido. Se for o convidado de honra, diz-se que está em exaltação (no sentido de ser elevado ou "posto ao alto").

Continuando com o nosso exemplo, Marte está exaltado em Capricórnio, signo que representa o esforço e o trabalho em direção a um objectivo. Aí, a atividade e energia de Marte poderão ser trabalhadas, através do esforço e disciplina capricornianas, até darem o seu máximo rendimento.

Finalmente, quando o rei se encontra no reino mais distante daquele onde foi exaltado, as suas qualidades são pouco apreciadas e tem poucas oportunidades de expressão. Quando um planeta está no signo oposto ao da sua exaltação diz-se que está em queda.

Marte está em queda no Caranguejo, o signo oposto ao Capricórnio. A ação agressiva, direta, frontal tem pouca receptividade num reino onde a prioridade é a defesa, proteção e nutrição. Em Caranguejo o guerreiro irá aprender a canalizar a sua agressividade natural para a proteção e a manutenção da estabilidade.

Existem, obviamente, alguns signos em que o planeta não se encontra em nenhum estado especial. Diz-se então que está neutro ou peregrino. (Na Astrologia clássica, o planeta estaria peregrino se não estivesse situado em nenhuma das suas dignidades. Estas incluem, além das já mencionadas, as triplicidades, termos e faces.)

Estética versus Ética, por Dane Rudhyar

Antes de destacarmos rapidamente as principais características da técnica usada por Jung para atingir a meta da individuação, parece importante estabelecer de imediato como o ideal de individuação, de "cooperação essencial de todos os fatores" dentro do ser humano total leva a uma revisão do nosso conceito tradicional de ética e moral. É claro que este é um assunto muito delicado, que dá margem a mal-entendidos graves, e por isso pedimos a nossos leitores para não tirar, a partir do que vamos dizer, conclusões que não seriam justificadas de nenhum modo.

Como veremos no início de nossa segunda parte, o próprio ato de viver implica duas direções básicas de operação funcional, que podem ser caracterizadas pelos termos consciência e experiência. Num certo sentido essa divisão não é diferente da de estímulo e resposta, mas está ligada a um significado muito• mais geral. Tomamos "consciência" de fatos internos bem como externos, do sujeito, ou eu interno, bem como do objeto ou mundo exterior. A consciência, seguindo um processo claro, leva a uma reação mais ou menos concreta, ou ao menos estruturada, na qual o ego e aquilo de que ele tomou consciência se interpenetram. O resultado dessa interpenetração é o que chamamos, no sentido filosófico do termo, uma experiência, isto é, "um momento vivido completamente".

Todo tipo de "vivência completa" implica algum julgamento sobre:

1) a coisa de que se tomou consciência; 2) a relação de si mesmo com aquela coisa ou qualidade. Mas o julgamento pode ser fundamentalmente de dois tipos. Num caso, ele se manifesta como um sentimento, e, noutro, como um pensamento. Jung descreve sentimento como segue:

O sentimento é, primeiramente, um processo que se dá entre o ego e um dado contendo, um processo que, além disso, dá ao conteúdo um valor definido no sentido de aceitação ou rejeição ("gostar" ou "não gostar"), mas ele também pode aparecer como que isolado, sob a forma de "humor", um tanto separado dos conteúdos momentâneos de consciência ou das sensações momentâneas. ...Mas, mesmo o humor ... significa uma valoração; no entanto, não uma valoração de um conteúdo consciente definido, individual, mas da situação consciente inteira no momento. ...Sentir também é um tipo de julgar, diferindo no entanto de um julgamento intelectual, já que o sentir não procura estabelecer uma conexão intelectual, mas se ocupa exclusivamente do estabelecimento de um critério subjetivo de aceitação ou de rejeição.

(Psychological Types, p. 544)

Sem nos aprofundarmos mais no assunto, ficará claro que todas as avaliações puramente morais ou éticas estão relacionadas com sentimentos; isto equivale a dizer que são julgamentos imediatos dos valores de um conteúdo da psique ou de uma situação. A imagem que veio à consciência ou a situação em que a pessoa se encontra com relação a outros objetos ou pessoas é "boa" ou "má". O ego a aceita ou rejeita de um modo direto imediato e com base num instinto profundamente enraizado ou numa atitude coletiva tradicional também profundamente enraizada.

A moral se constitui de um conjunto de julgamentos tradicionais que se referem a situações ou relacionamentos definidos mais ou menos claramente, alguns dos quais se baseiam no que aparece como instinto biológico, enquanto outros são o resultado de uma atitude perante a vida enfatizada consciente e deliberadamente por um código de valores religioso, social ou filosófico.

Os julgamentos de sentimentos e, mais especificamente, os julgamentos éticos quanto ao que é "bom" ou "mau" são valiosos por considerar o todo de uma situação e suas implicações sobre o organismo do experienciador como um todo. Não se perde tempo nem com análise intelectual, nem com "talvez". Por outro lado, excetuando aqueles julgamentos de sentimento que constituem verdadeiramente reações instintivas e lidam com necessidades biológicas, as avaliações éticas são determinadas por um "pré julgamento", com freqüência por um preconceito e por qualidades e limitações, sejam do ego consciente ou de alguma poderosa imagem racional no inconsciente. Em outras palavras, elas tomam as coisas como garantidas.

Enquanto a intuição verdadeira surge de uma adaptação imediata do todo do experimentador a uma situação — incluindo todas as suas implicações novas e nunca antes percebidas —, um julgamento de sentimento ético avalia cada nova situação em termos das estimativas tradicionais estabelecidas. Portanto, a moral periodicamente muda seus ditames, estes embora expressões de verdadeiras intuições coletivas quando "novos", logo perdem seu significado real, assim e à medida que se manifeste uma nova disposição de fatores básicos na natureza humana.

No entanto, o ponto principal que precisamos compreender é que todos os julgamentos éticos dividem a soma total das experiências em duas categorias: uma aceitável e outra que precisa ser rejeitada. Enquanto isso talvez seja uma necessidade para viver num mundo regido pela lei dos opostos e em que cada "todo vivo" encara a destruição a partir de fora e mesmo a partir de dentro, permanece o fato de que, ao viver quase exclusivamente baseado em padrões éticos ou julgamentos de sentimento, o homem deixe de experimentar metade de seus conteúdos vivenciais.

Viver eticamente é viver "segurança antes de tudo". E viver com base no medo. Na selva, o medo é uma coisa real, e é realmente a manifestação do instinto de preservação. Na maioria dos casos, a lei básica é correr ou morrer. A outra solução é trancar-se entre paredes que definem uma zona de segurança (o lar) e uma zona de perigo (fora de casa).

Agora, se lembramos o que foi dito num capítulo anterior, a humanidade está hoje, e tem estado por muitos séculos, num tipo de selva psicomental que a relativa segurança de nosso mundo físico civilizado não torna nem um pouco mais segura, exatamente o contrário. Em termos de idade mental, podemos dizer que a ênfase europeia em lógica intelectual e escolástica tinha por meta a construção de uma zona de segurança mental na selva do recém-descoberto domínio da ideação. Lógica e disciplina matemática nos ensinam como construir um lar intelectual confinado, no qual o poder de ideação pode funcionar com segurança. Fórmulas matemáticas constituem uma rede de segurança operacional. Enquanto você se mantém dentro dela, pode confiar nos resultados de suas ideias, mas, se sai, então sua imaginação caótica pode fazê-lo se perder.

Em termos psicológicos, o mesmo tem sido verdade. A ética e a filosofia europeia nos ensinaram a construir um lar forte, ou melhor, um castelo fortificado: o consciente. Este, por sua vez, sob o domínio de um senhor feudal: o ego. A mulher era escravizada pelo senhor feudal e os filhos mantidos em submissão. Os camponeses que trabalhavam ao redor do castelo (os conteúdos instintivos da psique) eram admitidos no castelo sob a supervisão estrita de uma guarda armada quando o inimigo ameaçava os portões, fortemente trancados. E claro, uma linda capela era construída dentro da fortaleza, onde se adorava um Deus autocrático, camuflado de Salvador compassivo. Todo o quadro da civilização feudal é um símbolo exato (como sempre) do que acontecia na psique humana.

Também a música, expressão direta da psique, como sempre é o caso, proporcionava um quadro simbólico desse mundo feudal, pois formalismo e tonalidade são esplêndidas ilustrações dessa dominação do princípio ético de exclusão. O todo da civilização cristã europeia baseia-se nesse princípio. Baseia-se em medo, psíquico e mental, e no ideal de "segurança antes de tudo", às vezes necessário mas sempre contraditório. Tal princípio dentro dos limites estritos de sua fortaleza, e, nesse sentido, a civilização europeia significa uma superfocalização, que esclareceu de modo amplo e penetrante o que admitira como válido e seguro. Portanto, seus frutos constituem um tesouro de grande preço.

Mas... oh! que terrível confusão se fez do que foi deixado fora dos muros! Que preço elevado a humanidade está pagando por um Descartes e um Bach! Quão ulcerados e decadentes ficaram os conteúdos do subconsciente — a soma total de nossas repressões, condenações morais e medos herdados! Cada enfoque significa limitação, e portanto exclusão de experiências e conteúdos psíquicos. E por isso é preciso pagar por ele. Quanto mais o subconsciente é excluído — quanto mais os julgamentos éticos controlam o comportamento exterior e interior —, tanto mais as futuras gerações (ou, numa vida individual, os anos depois dos 40) precisarão sofrer as consequências. Por outro lado, não focalizar, não construir um lar fortificado (ou consciente) pode significar uma vida de dispersão e fuga constante dos inimigos (dentro e fora), uma vida na qual nenhuma conquista sólida e duradoura é conseguida — exceto talvez a nossa própria liberdade de ser... que pode, afinal, ser a maior de todas as conquistas!

Mas não queremos aqui fazer nenhum julgamento de sentimento contra os julgamentos de sentimento ou valorações éticas! Ao contrário, pretendemos mostrar que há uma outra atitude, que, enquanto não nega a validade dos julgamentos de sentimento de raiz orgânica e de caráter instintivo-intuitivo, enfatiza um princípio diferente de conduta: o princípio da estética.
A estética (no sentido estritamente filosófico do tenho) é oposta à ética (também no sentido estrito da palavra), do mesmo modo que pensamento é oposto a sentimento. Jung define pensamento como:

a função psicológica que, de acordo com suas próprias leis, organiza aquilo que a ela se apresenta em conexões conceituais. ...O termo pensar deveria limitar-se d associação de representações por meio de um conceito, em que, em outras palavras, um ato de julgamento prevalece, seja esse ato o produto da intenção ou não.

O que caracteriza o pensamento é o fato de ele ser uma associação de fatores. Em outras palavras, ele estabelece "conexões conceituais" ou em geral relações bem definidas. E o clímax do processo de consciência de relação. Traz à luz a forma inerente (estrutura ou configuração) de coisas e situações. O julgamento de pensamento não é quanto à coisa ser "boa" ou "má" em si, mas sim quanto a se sua forma de apresentação estabelece um conjunto válido de relações ou não. Ele não diz "esta coisa é má" — significando sempre "para mim". Ele revela se a disposição de fatores na situação estabelecida pela relação é: primeiro, coerente; segundo, significativa. Tendo analisado essa disposição de fatores, ele tem ainda a capacidade de julgar se se enfatizar ou restringir alguns desses fatores pode se estabelecer uma nova configuração, mais coerente e significativa.

Pensar é estabelecer ou analisar conexões que, em sua configuração total, constituem uma forma. A forma é coerente e significativa, ou não é. Neste processo, encontramos o fundamento da estética. O julgamento estético é oposto ao julgamento ético à medida que não exclui nenhum grupo de elementos, mas, no máximo, subordina alguns a outros de maior significado. Diz-se que o processo estético é seletivo. Mas seleção não significa condenação do que não foi selecionado. Se uni pintor delineia apenas os contornos de um corpo com seu pincel, isto não quer dizer que ele condene os elementos de carne etc., dentro desse contorno. Ele não faz um julgamento ético contra eles. Transforma-os em valores implícitos. Seleciona certos fatores e dá ênfase a certos elementos ou fases da configuração total apresentada pela experiência de vida (por exemplo, pela cena que seus olhos veem). Mas essa ênfase precisa ser produzida de modo a dar a sugestão de todos os elementos que obviamente não foram representados. Numa verdadeira grande obra de arte, todos os elementos de uma situação de vida estão representados, mas alguns são representados pela presença real, outros permanecem implícitos na configuração total.

Isto, traduzido em termos de vida diária, pode ser ilustrado pelo seguinte exemplo. Um homem determina por julgamento ético ou julgamento de sentimento que experiências sexuais são "más" e, atuando a partir do julgamento, se castra (como Origens, por exemplo). Este é um caso extremo, pois envolve uma ação física violenta, mas, de forma menos acentuada, todo ascetismo autocompulsivo é do mesmo tipo. Por outro lado, podemos pensar numa pessoa espiritual que tenha normalmente ultrapassado o desejo da experiência sexual. A força sexual está ativa nele, mas transformada. Ela está "implícita", mas não representada de fato. Não há julgamento ético contra ela, contudo, na configuração estética do todo de seu ser, o sexo é sugerido sem ser enfatizado nem mesmo representado concretamente, enquanto num homem automutilado o sexo está sempre presente mas de uma forma negativa, ou seja, como uma sombra positiva — portanto como "mal".

Os julgamentos éticos criam o mal; os estéticos produzem destaques, relevos, contrastes, luz e sombra, representação real ou implícita, clímaces e sugestões. Equilibram opostos e nunca condenam, absolutamente. Harmonizam, nunca descartam. Lidam com relações totais que podem avaliar na totalidade de seus elementos. Nenhum elemento pode ser descartado sem prejudicar a relação. De fato, nenhum elemento em qualquer relação pode jamais ser descartado. Podemos apenas transformá-lo, por um aparente descarte, em uma força met. Mas, para aquele que atua de acordo com o verdadeiro princípio da estética, não há nenhum "mal" nem há nenhum "bem". Existe apenas forma ou relação entre todos os elementos numa totalidade que inclui luz e sombra, alto e baixo, destaque e mera sugestão — todos igualmente significativos, mas cada um com significado próprio, um significado que pode ser marcado ou com sinal de mais ou de menos. Em estética, o único mal é a falta de significado, mas ele não reside na coisa ou na situação. Pois todas as coisas e todas as situações, sendo expressões do momento de sua manifestação, são inerentemente significativas. A falta de significado deve-se apenas à inabilidade de o homem perceber o significado. Assim, não existe nenhum mal, exceto a ignorância.

O resultado é que o homem pode ser educado para perceber significados. A compulsão ética, baseada em medo, leva ao mal. A educação estética, baseada na percepção de relação coerente e significativa, destrói a fantasia escura que é o mal. Faz da vida toda uma atividade estética — uma atividade criativa. Destrói — ou deveria destruir — todas as avaliações baseadas em julgamentos passados e na compulsão da tradição, já que esses são impedimentos ao viver pleno da totalidade e do momento. A totalidade do momento é a Alma do momento. E a Alma do momento é a sua Alma e a minha, sempre nova, sempre jovem, sempre enraizada no significado, sempre enraizada na "qualidade" que é nossa, o grande tema que a "vida" desenvolve fazendo-o integrar e transfigurar em significado individual a realização de nosso próprio horizonte sempre mais distante.

Educar o homem desse modo é a tarefa da nova psicologia e da nova astrologia delineada neste livro.

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Extraído do livro Astrologia da Personalidade, de Dane Rudhyar.