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domingo, 18 de junho de 2017

Curso de Iniciação à Astrologia Tradicional (Parte 1)


Apresentação dos slides do Curso de Iniciação à Astrologia Tradicional - Parte 1.

Conteúdo:
  • Histórico
  • Definições
  • Qualidades Primitivas
  • Elementos
  • Temperamentos

Para assistir a apresentação em Power Point, siga o link abaixo:

https://drive.google.com/file/d/0BwHlJGrC7JnqR0dJaGRrZlRpTHc/view?usp=sharing

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Temperamento Fleumático, por Helena Avelar e Luis Ribeiro

 O temperamento Fleumático reúne as qualidades Frio e Húmido e está associado ao elemento Água.

Produz uma personalidade sensível e reservada, com uma forte motivação emocional. Tal como o Melancólico, é introvertido, mas a presença de Húmido confere-lhe plasticidade e adaptabilidade. Tem uma forte motivação emocional: compreende o mundo e toma decisões direccionadas para a manutenção da sua segurança e bem-estar sentimental. Por privilegiar as "razões" emocionais, pode ser muito subjectivo e volúvel ("o que hoje é bom porque me faz sentir bem, pode ser mau amanhã porque me faz sentir mal"), chegando por vezes à incongruência.

Interessa-se pelo que sente e pelo que promove a sua segurança. Encanta-se com novas pessoas e novas situações, mas facilmente adopta uma postura passiva e até um pouco preguiçosa. De forma geral, é um temperamento tímido e sereno.

Embora a emoção e os sentimentos sejam a base do comportamento Fleumático, estes quase nunca são demonstrados abertamente. Embora sensível e empático, evita comprometer-se e é pouco expressivo. Tende a assumir papéis conciliadores e possui demasiada paciência. Quando emocionalmente perturbado assume uma postura fechada e até apática.

Devido à sua excessiva maleabilidade, apresenta como maiores defeitos a preguiça e a indolência. Dificilmente mostra ânimo nas suas acções e determinação nos seus objectivos. No seu pior, a sua autocentragem emocional manifesta-se na forma de ganância, cobardia, engano e manipulação sentimental.

Ao misturar-se com o temperamento Colérico, o Fleumático ganha maior agilidade e ousadia. A expressão geral tende a ser mais temperada, devido ao contraste entre as qualidades primitivas de ambos.

A participação de Sanguíneo adiciona-lhe a qualidade Quente, o que lhe confere maior alegria e dinamismo, minimizando as facetas mais estáticas do temperamento Fleumático. A predominância de Húmido reforça-lhe a flexibilidade e a plasticidade.

A combinação com o temperamento Melancólico dá ênfase ao Frio, desenvolvendo as características introvertidas. No entanto, a adição de Seco confere-lhe maior solidez e perseverança.

Em termos fisionómicos, o Fleumático apresenta uma estatura média a baixa. Tem um corpo carnudo, de tendência flácida e que facilmente engorda. A pele é macia e fria ao toque, geralmente de cor pálida ou esbranquiçada e com pouca pilosidade.

Este temperamento está associado ao humor chamado "fleuma", que é responsável pela lubrificação e manutenção da temperatura do corpo. Em termos modernos corresponde às mucosidades e à linfa.


Helena Avelar e Luis Ribeiro, in Tratado das Esferas - um guia prático da tradição astrológica. Editora Pergaminho. Cascais, Portugal, 2007, pp. 45-6.

sábado, 20 de maio de 2017

Temperamento Melancólico, por Helena Avelar e Luis Ribeiro

O temperamento Melancólico reúne as qualidades Frio e Seco e está associado ao elemento Terra.

Tem uma personalidade reflexiva e concentrada. Pode ser bastante reservado e moderado nas suas manifestações; é por vezes subestimado, pois parece menos interessado nas coisas do que realmente está. É pouco exuberante na sua expressão, mas muito concretizador nas suas acções. O seu foco de atenção é a realidade objectiva, o que lhe confere muita solidez e segurança. Tende a lidar melhor com factos do que com ideias. É geralmente engenhoso e bom investigador, apresentando muita paciência e preserverança.

Em termos emocionais é pouco demonstrativo e, tal como o Colérico, é rígido na sua sensibilidade. No entanto, a qualidade Frio torna-o bastante susceptível, tendendo à tristeza, ao pessimismo e, quando emocionalmente desequilibrado, à depressão.

Devido à qualidade Seco tem dificuldade em chorar e retém a sua ira durante muito tempo, podendo mesmo chegar a ser rancoroso. A rigidez deste temperamento leva-o a ser muito obstinado, desconfiado e anti-social, o que lhe pode trazer alguma solidão. E geralmente crítico e perfeccionista nos seus feitos, podendo em casos extremos ser intolerante e implacável.

Quando combinado com o temperamento Sanguíneo torna-se mais social, arrojado e alegre, apresentando um comportamento menos pessimista e defensivo. Esta combinação é tida como muito temperada, pois mistura qualidades opostas.

Se apresentar uma subtonalidade de Colérico ganha maior dinâmica, sociabilidade e determinação. No entanto, a predominância da qualidade Seco confere-lhe uma atitude solitária e individualista.

Ao conjugar-se com o Fleumático, ressalta a predominância de Frio, o que reforça a reserva e a retracção. Origina-se um comportamento semelhante ao Melancólico puro, embora um pouco mais flexível e adaptável.

Em termos fisionómicos, o corpo melancólico tende a apresentar uma estatura média e uma constituição magra. A pele é áspera e fria ao toque, geralmente de cor amarelada ou baça e com pouca pilosidade. O cabelo tende a ser escuro.

O temperamento melancólico está associado a um humor denominado "bílis negra". A sua função é a retenção de substâncias no corpo, conferindo consistência aos tecidos e aos líquidos, solidificando os ossos e fortalecendo a memória e a sobriedade. O seu órgão receptáculo é o baço.



Helena Avelar e Luis Ribeiro, in Tratado das Esferas - um guia prático da tradição astrológica. Editora Pergaminho. Cascais, Portugal, 2007, pp. 44-5.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Temperamento Sanguíneo, por Helena Avelar e Luis Ribeiro

O temperamento Sanguíneo reúne as qualidades Quente e Húmido e está associado ao elemento Ar.

Tal como o Colérico, produz uma personalidade dinâmica e activa, mas a qualidade Húmido torna-o versátil e adaptável. O Sanguíneo caracteriza-se por uma personalidade vivaz, espontânea e entusiástica, muito comunicativa e sociável; os seus interesses abarcam um grande número de assuntos. Quando devidamente temperado origina indivíduos curiosos, estudiosos e investigadores.

Em termos emocionais é bastante sensível; chora com facilidade, pelo que se liberta facilmente dos seus pesares e angústias. Por esse motivo, não guarda grandes rancores, sendo naturalmente alegre e afável.

A sua extrema fluidez pode levar à dispersão, à perda de concentração e a uma notória falta de perseverança. Outras facetas negativas são a desorganização e a indisciplina, pois este temperamento pode ser muito instável e irrequieto. Também a sua grande sociabilidade pode degenerar em superficialidade e futilidade.

Se apresentar traços de Melancólico, o dinamismo e a volatilidade típicos do Sanguíneo adquirem mais estrutura e consistência. A vivacidade e alegria do temperamento ficam mais contidas e o indivíduo torna-se mais sóbrio e conservador. É uma combinação muito equilibrada devido ao contraste das qualidades primitivas (Quente e Húmido com Frio e Seco) e é particularmente eficaz para o estudo e a investigação.

Quando o temperamento secundário é Fleumático, dá-se uma espécie de "diluição" do temperamento Sanguíneo: a presença do Frio torna-o menos exuberante e alegre, mais timorato, mas mantém-se volúvel e adaptável, devido à ênfase na qualidade Húmido.

Quando combinado com o Colérico, ocorre uma predominância de Quente — o temperamento torna-se mais intenso e aguerrido, perdendo um pouco da sua flexibilidade natural. No entanto, o Seco confere maior determinação e perseverança às acções do Sanguíneo.

Em termos fisionómicos, o corpo Sanguíneo tende a ser carnudo e cheio, mas sem ser gordo. A estatura é robusta, de altura média ou alta. A pele é lisa, quente e húmida ao toque, de tom branco e rosado.

Em termos médicos o temperamento sanguíneo está associado (como o próprio nome indica) ao Sangue. Veiculado pelas veias e artérias, este humor tem como função a alimentação e transporte de substâncias através do corpo.


Helena Avelar e Luis Ribeiro, in Tratado das Esferas - um guia prático da tradição astrológica. Editora Pergaminho. Cascais, Portugal, 2007, pp. 43-64.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Os temperamentos, por Helena Avelar e Luis Ribeiro

Também no ser humano encontramos os quatro elementos, manifestados através dos temperamentos: Colérico, Sanguíneo, Melancólico e Fleumático, associados ao Fogo, Ar, Terra e Agua, respectivamente.

Os temperamentos definem aquilo a que os antigos chamavam a compleição de cada indivíduo: o conjunto dos seus traços físicos e comportamentais, bem como as predisposições psicológicas e metabólicas. Assim, a cada temperamento está associado um conjunto de comportamentos padrão, uma determinada estrutura física e um humor, que é a sua contraparte fisiológica.

Cada ser humano apresenta um temperamento predominante, mas os restantes três estarão também presentes na sua constituição, embora em menor proporção.

Este sistema de temperamentos constitui uma espécie de "psicologia antiga", que permite fazer avaliações complexas e subtis dos comportamentos, motivações e dinâmicas de cada indivíduo. Esta avaliação é de extrema utilidade, não apenas na Astrologia Natal, mas também na Astrologia Médica.



Helena Avelar e Luis Ribeiro, in Tratado das Esferas - um guia prático da tradição astrológica. Editora Pergaminho. Cascais, Portugal, 2007, pp. 40-1.

terça-feira, 16 de maio de 2017

O Mundo dos Elementos, por Helena Avelar e Luis Ribeiro

Agora que temos uma visão geral do universo astrológico, vamos debruçar-nos sobre os elementos — as forças sobre as quais os planetas actuam na Terra.

As qualidades primitivas

Os elementos, os "blocos construtores" do Universo, são por sua vez constituídos por quatro princípios fundamentais — as qualidades primitivas. São elas: o Quente, o Frio, o Seco e o Húmido. Estas qualidades representam a dinâmica base de todo o comportamento das substâncias: energia, densidade, resistência e maleabilidade. Elas explicam a essência dos elementos e, por consequência, da matéria e do mundo material.

Ao combinarem-se entre si, as qualidades primitivas definem os quatro elementos. As qualidades constituem também a essência dos diversos factores astrológicos, nomeadamente dos planetas e dos signos.



O Quente e o Frio imprimem a dinâmica a todo o sistema, sendo por isso denominadas "qualidades activas". Estão associadas ao conceito de energia: o Quente representa as coisas activas, enérgicas, irradiantes, centrífugas, luminosas, leves e subtis. O Frio representa as coisas estáticas, absorventes, centrípetas, escuras, pesadas e densas. A qualidade Quente corresponde ao masculino, que é expansivo e dinâmico; o Frio corresponde ao feminino, que é contractivo e estático.



O princípio masculino representa a actividade, dinamismo, exteriorização e expansão, enquanto o feminino corresponde à receptividade, contemplação, interioriza-cão e contracção.

Todo o Universo está sujeito a estas forças opostas, que se manifestam em contrastes como luz-escuridão, calor-frio, expansão-contracção, movimento-imobilidade, actividade-passividade, etc.

A interacção entre Quente e Frio gera dois novos pólos: Húmido e Seco.

A qualidade Húmido corresponde a uma interacção fluida. E gerado pela qualidade Frio, pois o arrefecimento tem por consequência a humidificação (por exemplo, o frio da noite leva à condensação do orvalho). Representa a adaptabilidade, a maleabilidade, a plasticidade, a suavidade e, por consequência, as coisas moldáveis, escorregadias, macias e suaves. Não tem forma própria e representa o princípio de coesão e moldagem.



Por sua vez, a qualidade Seco corresponde a uma interacção tensa. É gerado pela qualidade Quente, pois o aumento de calor tem como consequência a secura (como se pode verificar em qualquer material posto a secar ao sol). Representa a resistência, a dureza, a rigidez e, portanto, as coisas abrasivas, quebradiças e friáveis. Tem como propriedade principal a manutenção da forma, contendo, dando estrutura e cristalizando.

Por serem geradas pelas qualidades activas, o Húmido e o Seco são denominadas "qualidades passivas". Estão ligadas ao conceito de forma (por exemplo, a argila é maleável enquanto está húmida, mas deixa de o ser quando seca por meio da cozedura).

A formação dos elementos

Cada elemento é constituído por duas qualidades primitivas, uma principal ou activa e outra secundária ou passiva.




Da união entre o Quente e o Seco resulta o elemento Fogo, que se caracteriza por uma acção expansiva, irradiante (quente) que se impõe naturalmente, sem se moldar ao ambiente exterior (seco).


Da combinação entre o Quente e Húmido surge o Ar, igualmente dinâmico (quente) mas adaptável (húmido), que se caracteriza por uma actividade volúvel, adaptativa e dispersa.

Por partilharem a qualidade Quente, o Fogo e o Ar são ambos masculinos, dinâmicos e extrovertidos; caracterizam-se por um forte impulso centrífugo (exteriorizaste).

Da combinação entre o Frio e o Húmido surge a Água, que se caracteriza pela receptividade e pela densidade (frio) mas que é extremamente moldável (húmido).


Por serem frios, a Terra e a Agua são elementos femininos, reflexivos e introvertidos; têm um movimento receptivo e centrípeto.

Também podemos agrupar os elementos segundo as suas qualidades secundárias ou passivas.

Assim, o Fogo e a Terra partilham a qualidade Seco, que lhes confere uma expressão tensa, resistente e não-moldável. O Fogo resiste impondo a sua irradiação; consome e queima aquilo que toca, mas também ilumina e energiza, transmitindo a tudo o seu calor. Por seu turno, a Terra resiste pela persistência, pela permanência; possui uma espécie de inamovibilidade que cria obstáculos e bloqueia, mas que também estrutura, dá coesão e estabilidade.


O Ar e a Agua partilham o Húmido, sendo por isso maleáveis, volúveis e adaptativos. Enquanto o Ar expressa esta maleabilidade de forma activa, expandindo-se livremente em qualquer direcção, a Agua expressa-a de forma mais retraída: molda-se, absorve influências, infiltra-se e dissolve estruturas.


Os quatro elementos

Os Quatro Elementos estão escalonados por esferas segundo a sua subtileza e densidade.

A Terra é o elemento mais denso, pelo que ocupa o centro dos mundos sublunares, constituindo os continentes. Pela sua gravidade (peso), representa tudo o que tende a permanecer estático, por exemplo, uma rocha. Mantém as formas fixas e estruturadas, torna a substâncias cristalinas e duras conferindo-lhes permanência, durabilidade e estabilidade.


Coisas caracterizadas pela Terra são escuras, de cores baças e texturas ásperas, duras, pesadas e muito sólidas.

A Água ocupa a esfera seguinte pois é menos densa que a Terra. Representa os oceanos e todas as massas de água do planeta. Apesar de ser um elemento denso (Frio), a qualidade Húmido confere à Agua uma grande plasticidade e adaptabilidade. A Agua torna moldáveis as matérias mais densas e tem propriedades adesivas, pelo que serve de elemento agregador, impedindo os objectos de secar e ficar quebradiços.

Coisas caracterizadas pela Agua são tendencialmente de cor escura, podem ter capacidade reflectora ou apresentar jogos de cor (como a própria água), têm flexibilidade limitada e são mais leves que as representadas pelo elemento Terra.

O Ar corresponde à terceira esfera sublunar, representando a atmosfera terrestre. Tem como características a leveza e a penetração, associada a uma grande mobilidade e plasticidade. Tal como a Agua tem um papel unificador, mas de forma mais subtil, pelo que lhe é associada a propriedade de transporte: por exemplo, o som e os cheiros são propagados através do Ar.

Coisas caracterizadas pelo Ar são cintilantes, claras, suaves e leves, apresentando grande agilidade e flexibilidade.

O Fogo, o elemento mais subtil, ocupa a esfera exterior dos mundos sublunares. E extremamente rarefeito, pelo que a sua presença é detectada principalmente através das suas qualidades de luminosidade, calor e "electricidade". Este elemento permite as trocas energéticas entre as várias formas. Actua na matéria provocando a criação e transformação das várias substâncias e, nos seres vivos, conferindo a vitalidade e promovendo o crescimento.

Coisas caracterizadas pelo Fogo são luminosas, brilhantes, de cores irradiantes e muito vivas. São também leves, mas apresentam alguma dureza e resistência.

Tudo o que existe na Terra está associado a um dos elementos ou a uma mistura de elementos (em rigor, podemos afirmar que o Fogo, a Terra, o Ar e a Agua estão presentes em tudo, embora em diferentes proporções).

Por outro lado, cada signo e cada planeta está associado a um elemento em particular. Os movimentos e configurações celestes podem, por isso, ser interpretados na perspectiva da movimentação e da combinação de elementos. Compreendemos assim que os elementos são a ponte entre os acontecimentos terrestres e a realidade celeste. A sua dinâmica, manifestada através dos movimentos dos planetas e signos, confere-nos a compreensão dos eventos terrestres (por exemplo, os acontecimentos mundanos, o clima, os comportamentos humanos, as doenças, etc.).


Helena Avelar e Luis Ribeiro, in Tratado das Esferas - um guia prático da tradição astrológica. Editora Pergaminho. Cascais, Portugal, 2007, pp. 36-41.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Os Elementos, por André Barbault

Água

Úmida (ligação) e fria (retenção), a Água representa o estado líquido de plasticidade, de afrouxamento da matéria, toda feita de receptividade e passividade, movendo-se conforme as impressões recebidas. É o elemento de base, o meio vital de origem (mar-mãe), a massa primordial fecundada pelas riquezas que ela assimila, criadora, animada pela ação do calor. Ela amolece, mistura, absorve, enche, dissolve, interioriza, indiscrimina numa única massa. Maleável, instável, em contínua mobilidade e estremecimento, ela é toda sujeição e impressionabilidade.

Fisiologicamente, corresponde ao temperamento linfático caracterizado pela predominância do aparelho digestivo e da função de nutrição assegurada pela linfa ou pelo plasma do sangue. O processo dominante é o do estado vegetativo, da cinestesia, do descanso, da inércia, do sono. Morfologia dilatada e atônica. Psicologicamente, domina o instinto conservador, onde prevalecem a memória, as lembranças, os hábitos, as impressões recebidas, a experiência. Pela renúncia à ação é também a entrega à vida interior, ao inconsciente, à fantasia, à imaginação, ao sonho, à contemplação, ao domínio da sensibilidade psíquica.


Ar

Úmido (ligação) e quente (exaltação), o Ar representa o estado gasoso, fluente, impalpável, leve, volátil, compressível, tendendo à difusão, à expansão ilimitada em um espaço cada vez maior. Móvel, difuso, envolvente, ele é o agente de ligação, o envoltório de nosso espaço livre, do meio ambiente em que evoluímos. Em perpétuo estado de liberdade e disponibilidade, fica exposto a todos os contatos, a transferências, a misturas, a influências e a condições; uma vez comprimido, é uma poderosa força motriz explosiva. Dentro da dinâmica dos temperamentos, o

Sanguíneo é um Linfático aquecido cuja riqueza entra em atividade. A associação do Quente (energia) e do Úmido (extensão) constitui o triunfo da vida natural que se estende sobre a Terra: fertilidade, proliferação, exuberância, viço.

Fisiologicamente, corresponde ao temperamento sanguíneo marcado pela predominância do aparelho respiratório e das funções sanguínea e sexual. O processo dominante é o de uma natureza rica que se abre espontaneamente em seu meio físico e cujo grande apetite de viver é acompanhado de reivindicações instintivas imperiosas e de fortes desejos sensoriais. É um grande consumidor, de morfologia dilatada e tônica.

Psicologicamente, é um expansivo que vive de mobilidade, intercâmbios, contatos com seu meio ao qual se adapta e se assimila espontaneamente; é um eufórico dado aos arrebatamentos, de uma alegre vitalidade, de espírito jovem, amante dos prazeres, gozador, indisciplinado, ávido de vida concreta.


Fogo

Seco (isolamento) e quente (exaltação), o Fogo representa o estado ígneo de incandescência, de consumo da matéria que se vê criada, animada, transformada ou destruída. Ele exalta, intensifica, superexcita, acelera, exacerba, leva ao paroxismo ou transmuta o que processa; às vezes violento, agressivo, destruidor, outras vezes libertador, decantador, purificador. Ele é ação dominadora, força conquistadora, fator de luta, de progresso, de superação, de hierarquização, de afirmação personalizada. Dentro da dinâmica dos temperamentos, o Bilioso é um Sanguíneo retraído (seco) cuja força passa da extensividade à intensividade. A associação do Quente (energia) e do Seco (retração) eleva a tensão interna das coisas à sua máxima potência e torna o deserto estéril como o acesso à maturidade do fruto.

Fisiologicamente, corresponde ao temperamento bilioso, onde predominam a musculatura e as funções de reativação e domínio. O processo dominante é o de dinamismo da personalidade empenhado na conquista do mundo ou na conquista de si. Morfologia retraída e tônica.

Psicologicamente, é o domínio onde se realiza a paixão tumultuosa ou a vontade disciplinada: ambição devorante satisfazendo uma necessidade imperiosa de impulso, de afirmação, de ostentação, de superioridade, através de lutas, de criações e de vitórias; vontade de poder empenhada na luta, na dominação, na conquista material ou orientada para a consciência lúcida, para a grandeza de uma realização moral ou de uma elevação espiritual.


Terra

Seca (isolamento) e fria (retenção), a Terra representa o estado sólido, consistente, denso e fixo da matéria ao término de uma evolução após a obra de combustão do Fogo. É o estado no mais alto grau de concentração, e condensação, de redução, de despojamento e, em última análise, de desmaterialização; o da petrificação, da mineralização, da fossilização, levando a uma estrutura mais ou menos geométrica das coisas, à conservação de seus valores duradouros num corpo autônomo, resistente, delimitável, isolado e fechado. Dentro de uma dinâmica dos temperamentos, o Nervoso é um Bilioso apagado. A associação do Seco e do Frio é, ao oposto do Ar, contrária à vida da matéria viva, do instinto, mas propícia à vida do espírito.

Fisiologicamente, corresponde ao temperamento nervoso, onde predominam o sistema nervoso e as funções psíquicas. O processo dominante é o de uma natureza apurada, delicada ou debilitada, que vive retraída do meio ambiente e da vida concreta, afirmando sua vida mental. Morfologia retraída e atônica.

Psicologicamente, ele é – ao contrário do prolixo e epidérmico Sanguíneo – um seletivo, com um mundo fechado e profundo ou complexo. Diante da vida instintiva e natural que se afasta, o ser se organiza interiormente, utilizando os recursos de sua inteligência ou escolhendo o caminho do despojamento, do desapego, da abstração, da personalização. Sua vida psíquica é rica, profunda e complexa.


Os tipos mistos relacionam-se mais com as propriedades das qualidades elementares ou são a expressão de uma antinomia entre duas dessas qualidades.

Os Sanguíneos-biliosos e os Bílio-sanguíneos caracterizam-se, principalmente, pelas propriedades do Quente. Os Linfáticos-nervosos e os Nervo-linfáticos possuem as propriedades do Frio. Os Linfáticos-sanguíneos e os Sanguíneo-linfáticos são essencialmente de qualidade Úmida, e os Bílio-nervosos e Nervo-biliosos, de qualidade Seca. Quanto aos Linfáticos-biliosos e aos Bílio-linfáticos, ele apresentam o conflito da Água e do Fogo; do mesmo modo que os Sanguíneos-nervosos e os Nervo-sanguíneos são a expressão de uma dualidade Ar-Terra.

Esta classificação temperamental dos Elementos – a mais antiga das tipologias – tem a seu favor a vantagem de apresentar quatro tipos humanos bem diferenciados e, ao mesmo tempo, quatro personagens vivos, fáceis de identificar (exceto no caso de uma dominante pouco pronunciada).

Fonte: https://espacoastrologico.org/contribuicoes-de-andre-barbault-a-astrologia/

terça-feira, 4 de abril de 2017

O Elemento Água e Suas Casas, por Ptolomeu

Este elemento proporciona: sensibilidade, impressionabilidade e emotividade. O elemento água interage nas seguintes casas:

Na Casa IV - Pelo signo da maternidade simboliza a força de coesão da natureza que mantém as formas criadas, e o instinto de conservação da vida. É o signo das emoções profundas criadas no universo materno. Os dois gametas que aparecem no símbolo estão envoltos num ambiente aquoso.

Na Casa VIII - Representando a transformação do homem, de seu estado de inocência e pureza, devido às suas paixões e prazeres sexuais. Ao mesmo tempo, simboliza a vitória final do ser espiritual sobre o reino da matéria. Representa, ainda, o estado de evolução em que os seres se preparam para a perpetuação da espécie. Tanto no sentido material, como espiritual..., paradoxalmente, é o signo da Eternidade e da Morte.

Na Casa XII - É o processo final da transformação das formas, iniciado em Capricórnio. É representado por dois peixes dispostos lado a lado, mas em sentido inverso, simbolizando o movimento final de libertação do espírito das malhas da matéria, por isto rege duas extremidades do homem, especialmente os seus pés, que lhe permite de
forma dual manter-se na vertical e elevar sua mente ao Céu.

Representa, ainda, a vontade: o que deve levar o homem à transformação física, moral e espiritual.

O Elemento Água, por Ptolomeu

O ELEMENTO ÁGUA. A Água é o elemento mais abundante, encontrado na maioria dos seres vivos. Isto estabelece a relação entre os seres vivos e as suas origens, pois ousaram sair da água para se adaptar à terra. Transformação é a característica principal deste elemento, e a natureza assim nos demonstra. Desde a corrente elétrica que em muito nos beneficia, até os estados de putrefação orgânica necessários à natureza, tudo é ou envolve transformações provocadas pela água.

OS SIGNOS DESTA TRIPLICIDADE (Câncer, Escorpião e Peixes). Chamados signos aquosos, são, em decorrência do elemento água, úmidos e frios. Tem uma condição flexível e elétrica, o que os conduz a uma adaptação mais restrita para com a forma do que para com a essência, isto é, os signos são exteriormente adaptáveis mas interiormente rebeldes.

O Elemento Ar e Suas Casas, por Ptolomeu

Na Casa III - É o movimento da vida; a formação do intelecto pela assimilação e pela adaptação. É o ego socializando-se pela participação; tornando-se prático e expressando a força do intelecto.

Na Casa VII - É a harmonia, portanto o equilíbrio da vida. Representa a coletividade e a justiça. A mútua cooperação, na ciência e na arte, que proporciona através da associação o desenvolvimento da personalidade e da perda da individualidade.

Na Casa XI - É a fraternidade que persevera engenhosamente, através da inteligência hábil, que produz a evolução.

O Elemento Ar, por Ptolomeu

O ELEMENTO AR. Para esta triplicidade o elemento cristalizador da Força Primária é o Ar. Consideramos que o ar é um grande elemento alimentador, de onde todos os seres vivos extraem sua nutrição, através da respiração. O ar é a grande cobertura que envolve o planeta; sem ele estaríamos expostos ao frio do espaço quando o Sol estivesse iluminando a outra face da Terra. E, estaríamos expostos a uma grande temperatura, quando o Sol estivesse brilhando sobre nosso horizonte. A ciência esotérica considera o ar como o segundo elemento positivo e grande amigo do primeiro: o fogo. É o terceiro elemento, de caráter expansivo, sua primeira casa de domínio e também a 3ª do Zodíaco, correspondente ao signo de Gemini que rege, no corpo humano, os braços e os pulmões.

OS SIGNOS DESTA TRIPLICIDADE (Gêmeos, Libra e Aquário). Chamados signos aéreos são, devido ao elemento ar, quentes e úmidos. Correspondem à substância mental e ao temperamento sanguíneo, que se distingue por amizade, concórdia, inteligência e faculdades mentais. Correspondem a três estados da mentalidade:


  • O despertar do intelecto; neste sentido corresponde aos primeiros estudos.
     
  • A erudição científica, a expressão artística, seja gráfica ou literária.
     
  • A mentalidade criadora, desvelada pela intuição que permite o descobrimento de novas técnicas, filosofias ou formas artísticas.

O Elemento Terra e suas Casas, por Ptolomeu

Na Casa II  - Seu símbolo representa o animal que nos primórdios da civilização puxou o arado e preparou a terra para o plantio. Representa a “força de vontade”, que pode ser acionada nos três planos de maneira lenta, mas persistente, na realização do trabalho. Tauro caminha na terra e sua morosidade reflete a segurança relacionada com a força de que é provido, que de maneira amena, passa deixando atrás de si o trabalho realizado; o método é sua forma de impor.

Na Casa VI  - Representa a natureza que tem em seu ventre generoso o germe da vida e a capacidade de fazer com que esse germe dê continuidade ao seu ciclo, tornando-o algo criativo e aumentado seu estado de pureza inicial.

Na Casa X - Representa o Peixe-Cabra, o ser que contempla a sua própria transmutação. É análogo ao ser que abandona o Oceano Primordial e principia sua subida, montanha acima, de onde observa o panorama da Evolução, ou, pode ser interpretado como a forma das diretrizes ou opções que o homem faz ao precipitar-se no abismo aquático das paixões e da matéria, ou ainda, a escalada da Montanha Espiritual.

O equilíbrio deste triângulo (de terra) está no balanceamento entre as conquistas realizadas pelo esforço próprio, relacionadas com a Casa II, e os trabalhos de aplicação individual, relacionados com a Casa VI, que ocorrem de maneira inconsciente do indivíduo, manifestado na Casa X que é a casa das honras, do juízo e da autoridade.

O Elemento Terra, por Ptolomeu

O ELEMENTO TERRA. É o segundo elemento. A terra, o elemento da realização, é assim chamado pois é sobre ela que aqueles seres que se criaram, ou foram gerados na água, concluem a grandiosa tarefa de evoluir. É o mais rígido dos elementos e permite assim, que o homem se 0 apoie sobre seus pés e estabeleça sua primeira condição de equilíbrio. Se o analisarmos no seu contexto, veremos que a terra tem condensada em seu interior a essência dos outros três elementos, portanto só poderá ser sobre este elemento que o homem fará manifestar sua realização. Chamados signos terráqueos (Touro, Virgem e Capricórnio), são frios e secos. Este elemento conduz à inflexibilidade, persistência, estabilidade e poder de realização. Proporciona uma natureza construtiva, ambiciosa e realizadora.

O Elemento Fogo e suas Casas, por Ptolomeu

O elemento fogo age nas casas nas seguintes formas:

Na Casa I - Origina através da mente. O fogo estimula o cérebro; é a franqueza de Áries. Na razão - O fogo permite “ser o que é”.

Na Casa V - Constrói as obras do coração, na crença da justiça e do poder de Leo. Na emoção - O fogo permite “fazer o que deve ser feito”. “A semente é lançada, cabe à Misericórdia Divina determinar o que vai se gerar. O pai por sua vontade fecunda, mas não pode determinar a procriação”.

Na Casa IX - No perfeito equilíbrio da razão e da emoção, o fogo espiritual permite a iluminação, pois ele purifica e eleva o ser criado, preparando-o para ser o “homem”. Coloca o ser voltado para a Divindade e somente aquele purificado pode saber a direção a ser tomada.

Os Signos de Fogo, por Ptolomeu

"OS SIGNOS DE FOGO: Áries, Leão e Sagitário. Chamados signos ígneos, são em decorrência do elemento fogo; quentes e secos e correspondem à substância espiritual e ao temperamento bilioso; aumentam a energia física e desenvolvem a ambição e a iniciativa, proporcionando espiritualidade, eloquência e desejos de honra."

O Elemento Fogo, por Ptolomeu

"O ELEMENTO FOGO. É o primeiro dos quatro elementos. Tem uma natureza positiva masculina. Sendo um elemento criador por excelência, possui três funções principais: Criador, Destruidor e Purificador. Por sua natureza masculina, implica-lhe a faculdade da paternidade. E ser pai, é dar generosamente germes energéticos capazes de vitalizar as condições femininas, originando assim um processo de reprodução cuja missão é conservar a espécie. A manifestação cinética deste elemento é o calor, e é a proporção do calor que estabelece as distinções entre os signos desta triplicidade, ou seja, entre: Áries, Leão e Sagitário."

Ptolomeu

quinta-feira, 30 de março de 2017

Liberdade e Necessidade, por Clélia Romano

"Os quatro elementos fundamentais, Fogo, Terra, Ar e Água representam comportamentos específicos e quatro modos de expressão. Desta forma, os signos masculinos de Fogo direcionam-se para a liberdade de ação e poder e os de Ar para a liberdade de expressão e movimento. Já os femininos de Água e Terra, têm outra forma de comportamento: necessitam mais do que buscam, não agem, mas reagem. Os signos de Água necessitam segurança emocional e os de Terra necessitam de segurança material."

Clélia Romano, in Fundamentos da Astrologia Tradicional, Edição do Autor, 2011, p. 33-4.

Os Signos e Seus Elementos e Qualidades Primitivas, por Clélia Romano

"Cada signo tem relação com tais elementos ou qualidades primitivas, conforme se verá abaixo.

• Áries é um signo de fogo, quente e seco.
• Touro é um signo de terra, frio e seco.
• Gêmeos é um signo de ar quente e úmido.
• Câncer é um signo de água frio e úmido.
• Leão é um signo de fogo quente e seco.
• Virgem é um signo de terra, frio e seco.
• Libra é um signo de ar quente e úmido.
• Escorpião é um signo de água frio e úmido.
• Sagitário é um signo de fogo, quente e seco.
• Capricórnio é um signo de terra, frio e seco.
• Aquário é um signo de ar quente e úmido.

• Peixes é um signo de água frio e úmido."

Clélia Romano, in Fundamentos da Astrologia Tradicional, Edição do Autor, 2011, p. 30.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Saturno nos Elementos. Por Helena Avelar e Luís Ribeiro

A posição de Saturno num mapa natal indica uma área onde nos sentimos restringidos, limitados e por vezes até em desvantagem. É, ao mesmo tempo, uma área onde vamos ter oportunidade de aprender através da experiência e do esforço, e onde temos possibilidade de ganhar sabedoria.

Saturno em Fogo: a insegurança está na própria expressão da identidade. Só com o tempo o indivíduo aprenderá a estruturar os impulsos e a agir sem medo (Carneiro), a ter confiança e solidez naquilo que é (Leão) e a ter fé na sua sabedoria e sentido interior (Sagitário).

Saturno em Terra: é no plano concreto e prático que as dificuldades se fazem sentir. Com o tempo, o indivíduo aprenderá a gerir recursos e valores (Touro), a confiar na sua funcionalidade e poder de organização (Virgem) e a ter segurança na sua posição e imagem social (Capricórnio).

Saturno em Ar: há um fundo de insegurança perante os relacionamentos e a comunicação. O tempo ajudará o indivíduo a estruturar a sua comunicação, vencendo a desconfiança (Gêmeos), a relacionar-se livremente sem necessidade de formalidades (Balança) e a estar em grupo sem precisar de afirmar constantemente a sua diferença (Aquário).

Saturno em Água: é na expressão dos sentimentos que reside a dificuldade. Aos poucos, o indivíduo consegue ter confiança na sua projeção afetiva (Caranguejo), na intensidade e poder dos seus sentimentos (Escorpião) e na capacidade de entrega e devoção (Peixes).

Júpiter nos Elementos. Por Helena Avelar e Luís Ribeiro

Num mapa natal, a posição de Júpiter indica uma área de expressão em que nos sentimos mais à vontade, onde nos é fácil expandir. Há uma noção de alegria, abundância e prazer associado àquele elemento.

Júpiter em Fogo: há um sentido de optimismo geral, de alegria, exuberância e atividade. Acredita na ação e na iniciativa (Carneiro), em si mesmo e no que cria (Leão) e no que aprende e no que considera Sabedoria (Sagitário).

Júpiter em Terra: por ter como base o mundo concreto, a expansão é mais segura e estruturada. Acredita na experiência concreta, naquilo que constrói e tem (Touro), no que analisa e qualifica (Virgem) e nas estruturas e hierarquias (Capricórnio).

Júpiter em Ar: é no plano mental e na comunicação que sente um maior à vontade e confiança. Acredita na relatividade e multiplicidade das coisas (Gêmeos), na harmonia e na justiça (Balança) e nas ideologias liberais e vanguardistas (Aquário).

Júpiter em Água: o sentimento é o campo de expansão natural. Acredita no que sente, na tradição e na segurança (Caranguejo), na intensidade emocional e na transformação (Escorpião) e no sentir total, devocional, absoluto (Peixes).