Aos cinco tipos de dignidade estudados atribuímos pontos, uma forma de avaliar a qualidade essencial de cada planeta.
Existe da parte de certos tradicionalistas de formação Helenística, como Robert Schmidt, a ideia de que contar pontos acaba por minimizar os aspectos qualitativos da Arte. Concordo com ele que isso possa ocorrer.
Mas deve-se ponderar o seguinte: desde que os árabes se inteessaram pela astrologia Helenística eles a modificaram de acordo com suas experiências e o resultado foi um grande desenvolvimento das técnicas astrológicas, muito mais sistematizadas do que no período Helenístico. Os árabes introduziram um ponto de vista muito mais organizado às visões filosóficas gregas, mas é verdade que por vezes sacrificaram a visão filosófica.
No entanto, por exemplo, o conceito árabe de "al-mubtazz", o almuten, que é o planeta vitorioso em quantidade de dignidade, dá testemunho muito valioso de certo assunto na carta. Ele é muito útil e para chegar a ele se pressupõe que contemos pontos: o planeta que obtiver mais pontos, isto é, tiver mais dignidades em referência a certo assunto, é um forte candidato a ser o significador de tal assunto.
Muitas técnicas de delineação específica que abordaremos num próximo livro se baseiam em almutens. Não posso deixar de considerar as úteis conclusões obtidas através desses rígidos protocolos como dispensáveis. Elas são extremamente valiosas em delineações e, portanto em predições.
Além do mais, principalmente para quem se inicia em Astrologia Tradicional, contar pontos pode ser útil para não se perder num emaranhado de dignidades, algumas muito importantes e outras débeis.
Lembremo-nos que a avaliação de uma carta depende da interdependência de inúmeros fatores que serão levados em consideração adiante.
Feita a ressalva acima, damos:
5 pontos ao planeta que estiver em seu domicílio,
4 pontos se estiver em sua exaltação,
3 pontos se estiver em sua triplicidade,
2 pontos se estiver em seu termo e
1 ponto se estiver em sua face.
Caso esteja em seu detrimento, ele obtém -5 pontos e em sua queda -4 pontos.
Se, como às vezes ocorre, o planeta está em sua triplicidade e queda, como por exemplo, Marte em Câncer, a queda recebe -4 pontos e a triplicidade recebe +3. Logo ele está sem dignidade celeste ou zodiacal.
Sob o ponto de vista qualitativo, porém, a perda de dignidade essencial por queda é tão acentuada que mesmo tendo dignidade de triplicidade não tem valia.
Clélia Romano, in Fundamentos da Astrologia Tradicional, Edição do Autor, 2011, p. 53-5. http://www.astrologiahumana.com/
quinta-feira, 4 de maio de 2017
quarta-feira, 3 de maio de 2017
Símbolos e Analogias, por Marcos Monteiro
Eu disse no início do livro que astrologia é uma comparação entre relações. Vamos ver isso com mais atenção.
A arte astrológica funciona através de símbolos naturais.
Um símbolo mostra o que há de comum em duas relações. Ele mostra a organização, a estrutura, que as duas relações (ou situações) partilham.
Vamos voltar ao exemplo do Sol.
Há uma relação entre o Sol e o céu que é diferente da relação entre qualquer um dos outros planetas e o mesmo conjunto.
A Lua e os outros cinco planetas se movem, por assim dizer, ao longo do caminho do Sol; ele não se desvia, não se detém, é ele que determina se está de dia ou de noite, as coisas somem quando estão perto dele, etc.
A influência do Sol não se limita ao céu. O calor está associado, de forma óbvia, à vida; ele é uma fonte inesgotável e gratuita de vida. Por outro lado, seus efeitos podem ser destrutivos (o Sol de verão, ao meio-dia, é uma boa lembrança disso).
Essas relações que ele tem com a natureza e com o céu são, num certo sentido, as mesmas relações que um rei tem com seu reino e seus súditos.
Isso se repete com o leão macho adulto e as fêmeas, filhotes e a natureza ao seu redor.
Note bem: essa organização não depende da imagem propriamente dita, nem da força física: a estruturação da família ao redor do pai também partilha dessa característica.
Poderíamos dizer que o rei (ou um rei) simboliza o pai (ou a relação de Deus com suas criaturas)? Sim. Poderíamos dizer que o leão simboliza o rei, pai, etc? Também.
Usamos o Sol, no entanto, como símbolo dessas coisas, por alguns motivos; o mais básico é que ele é mais fácil de visualizar, acompanhar, marcar o movimento, prever a posição futura, etc.
Outro motivo é que sendo uma figura no céu (não sendo influenciável pelos acontecimentos do dia a dia), ele parece mais puro, mais claramente simbólico; parece ter sido posto no Céu para isso.
Além disso, os símbolos naturais, quanto mais puros, mais parecem concentrar essas estruturas de significado. Os símbolos celestes parecem ser mais "simbólicos" que os simbolos naturais terrestres.
O que é um símbolo?
Sem me preocupar com terminologia: um símbolo é qualquer coisa que nos permita captar a forma (ou essência) de outra coisa.
Não há identidade entre a coisa simbolizada e o símbolo. Isso parece óbvio, mas é sempre bom lembrar: o símbolo não é a coisa simbolizada.
Mas por que isso é assim? E o que é que existe neles que permite isso? Bom, a segunda pergunta é mais fácil de responder.
Como eu falei acima, temos que lembrar dos dois aspectos dos seres de acordo com Platão e Aristóteles (as diferenças de visões entre os dois não nos interessam aqui), aspectos diferentes, mas complementares, que vamos chamar de `forma" (ou ideia, ou essência) e `Matéria': Matéria é o material de que são feitas as coisas.
Forma é a organização interna das coisas. "Interna" no sentido de "intrínseca", ou seja, a organização que faz com que a coisa seja o que é.
Um exemplo simples. Uma xícara de porcelana. A matéria é a porcelana, a forma é não só o formato da xícara, mas as caracteristicas dela que fazem com que ela seja capaz de receber e guardar líquidos quentes, ser segurada por alguém e que uma pessoa possa beber esse liquido que ela guarda.
Simplificando, a forma é o que faz a xícara ser uma xícara, a matéria é o que "concretiza" a forma em uma coisa real. A matéria pode ser usada pra fazer outra coisa, a forma pode ser concretizada com outro tipo de matéria, o ente em si é um composto dos dois.
É claro que a semelhança entre a palmeira-real e o ouro não pode ser por causa da matéria.
Então, na organização interna dessas coisas, na forma, há alguma semelhança.
Isso é: há algo nas coisas que faz sentido e que pode ser lido. E que nos conta não só sobre a essência da coisa em si, mas sobre a essência de outras coisas.
"Por que isso é assim?" é um pouco mais difícil de responder.
Para um religioso, é claro que é porque Deus é Sentido e Verdade, e a criação depende d'Ele.
O mundo é organizado, interdependente e faz sentido porque a mesma Mão fez tudo, e fez tudo com a mesma intenção.
Não sei explicar porque isso é assim para um ateu ou um agnóstico, por exemplo. Eu teria que dizer ou que esse sentido não existe nas coisas, mas em nós (e aí me veria com o problema de explicar porque esse sentido existe em nós) ou que existe por causa da evolução do universo (e aí teria que admitir que as coisas não faziam sentido antes e como é que esse sentido se desenvolveu dessa forma).
De qualquer modo, ele é assim (um Cosmos, não um caos), independentemente do motivo. As coisas são "legíveis", são "organizadas" e fazem sentido.
Um problema que surge é que há coisas num leão — mesmo na essência, na forma do leão ideal — que não estão relacionadas a essa "essência solar", a essa forma que o leão, o rei, o pai, o mel, a palmeira-real, etc, partilham.
Algumas características do leão existem porque ele é um ser vivo, um animal, um mamífero, etc.
Como é que a gente depura essas coisas?
Como é que apreendemos o que o leão partilha com o sol? Usamos a analogia.
Ela é a operação que compara duas coisas e percebe essa estrutura comum entre elas. É ela que nos dá que há uma proporção entre o Sol e o céu que se repete entre o rei e seus súditos.
Analogias
Analogia não é simplesmente semelhança. O tigre e a onça são semelhantes, mas um não simboliza o outro.
O raciocínio analógico (que usa o "logos", o sentido de um ser concreto para articulá-lo com outro ser) é a base da astrologia.
Nem sempre esse raciocínio é explicito, e nem sempre ele precisa ser desenvolvido inteiramente numa determinada aplicação. Mas ele sempre está (ou deveria estar) subjacente.
Reforçando um ponto muito importante: os planetas são símbolos. Então, não há exatamente "influência" astral, e não há, falando literalmente, "planetas em nós", embora isso seja uma metáfora importante (porque há, em diversos níveis, faculdades em nós associáveis aos planetas).
Ou seja, não é o Sol que manda que as coisas aconteçam, mas, observando a relação dele com o céu, entendemos o que há de "solar" em nós. Na verdade, é ainda mais que isso. Há algo em nós que se analoga com algo do Sol, e ambos significam outra coisa, que não é nem gente nem planeta, mas está presente na essência de ambos.
Símbolos artificiais
O símbolo natural é diferente do artificial não só na sua origem, mas na sua natureza. Enquanto a inteligibilidade, a mensagem do símbolo natural, está nele mesmo, ou pode ser apreendida dele de forma espontânea, no símbolo artificial, muitas vezes, não há nada de especial. A relação entre o símbolo e o simbolizado também é artificial.
Veja a diferença: se não houvesse nunca nenhuma propaganda sobre o Mc Donald's, e não houvesse o símbolo deles em todas as lojas, não haveria nenhuma ligação entre uma letra M estilizada e amarela e sanduíches, batata-frita e refrigerante. Compare com um leão no meio da savana africana. Mesmo que uma pessoa nunca houvesse visto ou ouvido falar do animal, ao primeiro encontro algumas qualidades ficariam óbvias.
Símbolos naturais (não só os celestes) não são abstrações ou convenções arbitrárias. Eles são concretos duplamente, porque são coisas reais e porque refletem uma realidade maior que a própria.
Textos antigos
Vários textos antigos contém características de planetas e signos; nem todas são simbólicas; mas com o tempo é fácil perceber o que é uma associação mais ou menos fortuita, o que é simples semelhança, e o que é analógico. O mesmo vale para os textos mais recentes.
Marcos Monteiro, in Introdução à Astrologia Ocidental, Edição do Autor, 2013, Capítulo 9.
A arte astrológica funciona através de símbolos naturais.
Um símbolo mostra o que há de comum em duas relações. Ele mostra a organização, a estrutura, que as duas relações (ou situações) partilham.
Vamos voltar ao exemplo do Sol.
Há uma relação entre o Sol e o céu que é diferente da relação entre qualquer um dos outros planetas e o mesmo conjunto.
A Lua e os outros cinco planetas se movem, por assim dizer, ao longo do caminho do Sol; ele não se desvia, não se detém, é ele que determina se está de dia ou de noite, as coisas somem quando estão perto dele, etc.
A influência do Sol não se limita ao céu. O calor está associado, de forma óbvia, à vida; ele é uma fonte inesgotável e gratuita de vida. Por outro lado, seus efeitos podem ser destrutivos (o Sol de verão, ao meio-dia, é uma boa lembrança disso).
Essas relações que ele tem com a natureza e com o céu são, num certo sentido, as mesmas relações que um rei tem com seu reino e seus súditos.
Isso se repete com o leão macho adulto e as fêmeas, filhotes e a natureza ao seu redor.
Note bem: essa organização não depende da imagem propriamente dita, nem da força física: a estruturação da família ao redor do pai também partilha dessa característica.
Poderíamos dizer que o rei (ou um rei) simboliza o pai (ou a relação de Deus com suas criaturas)? Sim. Poderíamos dizer que o leão simboliza o rei, pai, etc? Também.
Usamos o Sol, no entanto, como símbolo dessas coisas, por alguns motivos; o mais básico é que ele é mais fácil de visualizar, acompanhar, marcar o movimento, prever a posição futura, etc.
Outro motivo é que sendo uma figura no céu (não sendo influenciável pelos acontecimentos do dia a dia), ele parece mais puro, mais claramente simbólico; parece ter sido posto no Céu para isso.
Além disso, os símbolos naturais, quanto mais puros, mais parecem concentrar essas estruturas de significado. Os símbolos celestes parecem ser mais "simbólicos" que os simbolos naturais terrestres.
O que é um símbolo?
Sem me preocupar com terminologia: um símbolo é qualquer coisa que nos permita captar a forma (ou essência) de outra coisa.
Não há identidade entre a coisa simbolizada e o símbolo. Isso parece óbvio, mas é sempre bom lembrar: o símbolo não é a coisa simbolizada.
Mas por que isso é assim? E o que é que existe neles que permite isso? Bom, a segunda pergunta é mais fácil de responder.
Como eu falei acima, temos que lembrar dos dois aspectos dos seres de acordo com Platão e Aristóteles (as diferenças de visões entre os dois não nos interessam aqui), aspectos diferentes, mas complementares, que vamos chamar de `forma" (ou ideia, ou essência) e `Matéria': Matéria é o material de que são feitas as coisas.
Forma é a organização interna das coisas. "Interna" no sentido de "intrínseca", ou seja, a organização que faz com que a coisa seja o que é.
Um exemplo simples. Uma xícara de porcelana. A matéria é a porcelana, a forma é não só o formato da xícara, mas as caracteristicas dela que fazem com que ela seja capaz de receber e guardar líquidos quentes, ser segurada por alguém e que uma pessoa possa beber esse liquido que ela guarda.
Simplificando, a forma é o que faz a xícara ser uma xícara, a matéria é o que "concretiza" a forma em uma coisa real. A matéria pode ser usada pra fazer outra coisa, a forma pode ser concretizada com outro tipo de matéria, o ente em si é um composto dos dois.
É claro que a semelhança entre a palmeira-real e o ouro não pode ser por causa da matéria.
Então, na organização interna dessas coisas, na forma, há alguma semelhança.
Isso é: há algo nas coisas que faz sentido e que pode ser lido. E que nos conta não só sobre a essência da coisa em si, mas sobre a essência de outras coisas.
"Por que isso é assim?" é um pouco mais difícil de responder.
Para um religioso, é claro que é porque Deus é Sentido e Verdade, e a criação depende d'Ele.
O mundo é organizado, interdependente e faz sentido porque a mesma Mão fez tudo, e fez tudo com a mesma intenção.
Não sei explicar porque isso é assim para um ateu ou um agnóstico, por exemplo. Eu teria que dizer ou que esse sentido não existe nas coisas, mas em nós (e aí me veria com o problema de explicar porque esse sentido existe em nós) ou que existe por causa da evolução do universo (e aí teria que admitir que as coisas não faziam sentido antes e como é que esse sentido se desenvolveu dessa forma).
De qualquer modo, ele é assim (um Cosmos, não um caos), independentemente do motivo. As coisas são "legíveis", são "organizadas" e fazem sentido.
Um problema que surge é que há coisas num leão — mesmo na essência, na forma do leão ideal — que não estão relacionadas a essa "essência solar", a essa forma que o leão, o rei, o pai, o mel, a palmeira-real, etc, partilham.
Algumas características do leão existem porque ele é um ser vivo, um animal, um mamífero, etc.
Como é que a gente depura essas coisas?
Como é que apreendemos o que o leão partilha com o sol? Usamos a analogia.
Ela é a operação que compara duas coisas e percebe essa estrutura comum entre elas. É ela que nos dá que há uma proporção entre o Sol e o céu que se repete entre o rei e seus súditos.
Analogias
Analogia não é simplesmente semelhança. O tigre e a onça são semelhantes, mas um não simboliza o outro.
O raciocínio analógico (que usa o "logos", o sentido de um ser concreto para articulá-lo com outro ser) é a base da astrologia.
Nem sempre esse raciocínio é explicito, e nem sempre ele precisa ser desenvolvido inteiramente numa determinada aplicação. Mas ele sempre está (ou deveria estar) subjacente.
Reforçando um ponto muito importante: os planetas são símbolos. Então, não há exatamente "influência" astral, e não há, falando literalmente, "planetas em nós", embora isso seja uma metáfora importante (porque há, em diversos níveis, faculdades em nós associáveis aos planetas).
Ou seja, não é o Sol que manda que as coisas aconteçam, mas, observando a relação dele com o céu, entendemos o que há de "solar" em nós. Na verdade, é ainda mais que isso. Há algo em nós que se analoga com algo do Sol, e ambos significam outra coisa, que não é nem gente nem planeta, mas está presente na essência de ambos.
Símbolos artificiais
O símbolo natural é diferente do artificial não só na sua origem, mas na sua natureza. Enquanto a inteligibilidade, a mensagem do símbolo natural, está nele mesmo, ou pode ser apreendida dele de forma espontânea, no símbolo artificial, muitas vezes, não há nada de especial. A relação entre o símbolo e o simbolizado também é artificial.
Veja a diferença: se não houvesse nunca nenhuma propaganda sobre o Mc Donald's, e não houvesse o símbolo deles em todas as lojas, não haveria nenhuma ligação entre uma letra M estilizada e amarela e sanduíches, batata-frita e refrigerante. Compare com um leão no meio da savana africana. Mesmo que uma pessoa nunca houvesse visto ou ouvido falar do animal, ao primeiro encontro algumas qualidades ficariam óbvias.
Símbolos naturais (não só os celestes) não são abstrações ou convenções arbitrárias. Eles são concretos duplamente, porque são coisas reais e porque refletem uma realidade maior que a própria.
Textos antigos
Vários textos antigos contém características de planetas e signos; nem todas são simbólicas; mas com o tempo é fácil perceber o que é uma associação mais ou menos fortuita, o que é simples semelhança, e o que é analógico. O mesmo vale para os textos mais recentes.
Marcos Monteiro, in Introdução à Astrologia Ocidental, Edição do Autor, 2013, Capítulo 9.
"Ou seja, não é o Sol que manda que as coisas aconteçam, mas, observando a relação dele com o céu, entendemos o que há de "solar" em nós. Na verdade, é ainda mais que isso. Há algo em nós que se analoga com algo do Sol, e ambos significam outra coisa, que não é nem gente nem planeta, mas está presente na essência de ambos." (Marcos Monteiro)
terça-feira, 2 de maio de 2017
O que diz o espiritismo sobre o livre-arbítrio.
843. O homem tem livre-arbítrio nos seus atos?
— Pois que tem a liberdade de pensar, tem a de agir. Sem o livre-arbítrio o homem seria uma máquina.
844. O homem goza do livre-arbítrio desde o nascimento?
— Ele tem a liberdade de agir, desde que lenha a vontade de o fazer. Nas primeiras fases da vida, u liberdade é quase nula; ela se desenvolve e muda de objeto com as faculdades. Estando os pensamentos da criança em relação com as necessidades da sua idade, ela aplica o seu livre-arbítrio às coisas que lhe são necessárias.
845. As predisposições instintivas que o homem traz ao nascer não são um obstáculo ao exercício de seu livre-arbítrio?
— As predisposições instintivas são as do Espírito antes da sua encarnação; conforme for ele mais ou menos adiantado, elas podem impeli-lo a atos repreensíveis, no que ele será secundado por Espíritos que simpatizem com essas disposições; mas não há arrastamento irresistível, quando se tem a vontade de resistir. Lembrai-vos de que querer é poder. (Ver item 361.)
846. O organismo não influi nos atos da vida? E se influi, não o faz com prejuízo do livre-arbítrio?
— O Espírito é certamente, influenciado pela matéria, que pode entravar as suas manifestações. Eis porque, nos mundos em que os corpos são menos materiais do que na Terra, as faculdades se desenvolvem, com mais liberdade. Mas o instrumento não dá faculdades ao Espírito. De resto, é necessário distinguir neste caso as faculdades morais das faculdades intelectuais. Se um homem tem o instinto do assassínio, é seguramente o seu próprio Espírito que o possui e que lho transmite mas nunca os seus órgãos. Aquele que aniquila o seu pensamento para apenas se ocupar da matéria se faz semelhante ao bruto e ainda pior, porque não pensa mais em se precaver contra o mal. E nisso que ele se torna faltoso, pois assim age pela própria vontade. (Ver item 367 e seguintes, Influência do organismo.)
847. A alteração das faculdades tira do homem o livre-arbítrio?
— Aquele cuja inteligência está perturbada por uma causa qualquer perde o domínio do seu pensamento e desde então não tem mais liberdade. Essa alteração é freqüentemente uma punição para o Espírito que, numa existência, pode ter sido vão e orgulhoso, fazendo mau uso de suas faculdades. Ele pode renascer no corpo de um idiota, como o déspota no corpo de um escravo e o mau rico no de um mendigo. Mas o Espírito sofre esse constrangimento, do qual tem perfeita consciência: é nisso que está a ação da matéria.
848, A alteração das faculdades intelectuais pela embriaguez desculpa os atos repreensíveis?
— Não, pois o ébrio voluntariamente se priva da razão para satisfazer paixões brutais: em lugar de uma falta, comete duas.
849. Qual é, no homem em estado selvagem, a faculdade dominante: o instinto ou o livre-arbítrio?
— O instinto, o que não o impede de agir com inteira liberdade em certas coisas. Mas, como a criança, ele aplica essa liberdade às suas necessidades e ela se desenvolve com a inteligência. Por conseguinte, tu, que és mais esclarecido que um selvagem, és também mais responsável que ele pelo que fazes.
850. A posição social não é, às vezes, um obstáculo à inteira liberdade de ação?
— O mundo tem, sem duvida, as suas exigências. Deus é justo e tudo leva em conta, mas vos deixa a responsabilidade dos poucos esforços que fazeis para superar os obstáculos.
Do Livro dos Espíritos - da Codificação da Doutrina Espírita. Transcrito por Allan Kardec, a partir dos espíritos superiores, através do processo das "mesas rolantes".
segunda-feira, 1 de maio de 2017
Movimento Direto e Retrógrado dos Planetas, por Claudio Fagundes
Vocês sabem o que é um planeta estar em movimento retrógrado? Bem, os planetas, o Sol e a Lua movimentam-se normalmente de leste para oeste no céu. Esse movimento de leste para oeste chamamos de "movimento direto". Diferentes do Sol e da Lua, os planetas volta e meia parecem que estacionam no céu. Quando isso acontece, diz-se que os planetas parecem "estacionários" e esse momento, em que parecem estacionários, dura só um instante, não parecem estacionários por um dia, nem uma hora, nem sequer por um minuto; parecem estacionários apenas por um instante. No instante seguinte em que parecem ficar estacionários, os planetas parecem voltar no caminho andando agora no sentido contrário, andando agora de oeste para leste, provisoriamente. Este movimento, no sentido oeste para leste, chama-se de "movimento retrógrado". Depois de certo tempo em movimento retrógrado, os planetas novamente parecem ficar parados no céu por um instante. E em seguida parecem voltar ao movimento direto, de leste para oeste. O movimento leste para oeste é o sentido normal dos signos: Áries, depois Touro, depois Gêmeos etc, ou seja, no Mapa Natal, por exemplo, é o sentido contrário ao dos ponteiros do relógio. Repararam que eu usei sempre a palavra "parecem" quando expliquei o movimento retrógrado? É porque este movimento é aparente. Na verdade os planetas não andam para trás em suas órbitas. Eles aparentam andar para trás quando a gente olha do ponto de vista na Terra. Ah, sim, não sei se ficou claro, o Sol e a Lua jamais parecem estar estacionários ou em movimento retrógrado. Os dois luminares estão sempre em movimento direto. (Claudio Fagundes)
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