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quarta-feira, 19 de julho de 2017

Níveis da Análise Astrológica, por Marcos Monteiro

Os princípios básicos da astrologia são sempre os mesmos, mas os diferentes objetos e as diferentes escalas pedem técnicas e abordagens diferentes.

Não é a minha intenção esgotar o assunto, mas dar uma visão geral dos diferentes níveis de análise astrológica.

É mais fácil descrever as diversas aplicações como estando em diferentes níveis, num gradiente crescente de importância, que corresponde, mais ou menos, a uma escala de duração possível.


Mapas de Eventos

Este é o nível mais baixo.

Na base da escala, temos o mapa do céu para o momento em que um evento acontece.

É muito comum vermos análises de mapas de tragédias, ou do dia de eleições, ou eventos esportivos (jogos de futebol, corridas de cavalo ou Fórmula 1, por exemplo).

Basicamente, abrimos o mapa para o momento e o lugar em que o evento acontece e tentamos tirar alguma conclusão sobre ele.

O alcance desses mapas é muito limitado. Eles podem ser analisados em separado, ou com referência a algum outro mapa (neste caso, chamam-se “trânsitos” - as posições dos planetas no momento do evento, com relação ao mapa de alguma outra coisa, pessoa, país, etc).

De qualquer forma, as coisas analisadas aqui não tem coerência interna, são aglomerados mais ou menos fortuitos.


Astrologia Horária

O nível seguinte é o nível das perguntas. Elas têm uma coerência interna, são “organismos”, têm uma organização própria.

Sua duração e sua abrangência variam, é claro, de acordo com a situação. Mas a sua característica maior não é essa. Sua existência depende da existência do perguntado e do astrólogo.

A pergunta só “nasce” quando o astrólogo a aceita; então, sem astrólogo, sem pergunta horária. Da mesma forma, não há o que nascer se o perguntador não tem uma dúvida gestada.

Aqui, falamos de organismos mais simples, então as técnicas, embora não precisem se ajustar à efemeridade do nível anterior, têm que levar isso em conta.

De forma geral, abrimos um mapa para a hora e o lugar em que o astrólogo aceitou a pergunta do cliente, descobrimos quais casas significam quais partes da pergunta e analisamos a situação.


Astrologia Eletiva

A escolha do melhor momento.

Por um lado, eletiva está no mesmo nível de importância que horária; por outro, ela tem que levar em conta o mapa, ou os mapas, das pessoas envolvidas, e está no nível seguinte.

Na astrologia horária, a gente pergunta sobre as coisas (“Vou casar com Fulano?”; “Esta doença é grave?”; Eu vou conseguir este emprego?”). Aqui, queremos escolher o melhor momento para que uma coisa aconteça (o lançamento de um livro ou de uma revista, a fundação de uma empresa, de um website, um casamento, um corte de cabelo, a demissão de um funcionário, um determinado plantio ou colheita).

Dentro dos parâmetros dados (as datas/horas/locais possíveis), escolhemos o horário que nos dê o melhor céu disponível, fazendo referência, sempre, ao mapa da pessoa que quer escolher o melhor momento - porque o evento e a pessoa têm que se combinar bem.


Astrologia Natal

Este é o nível dos seres humanos. Esta é a área mais conhecida, o chamado “mapa natal” ou “mapa astral”.

Temos, agora, organismos cuja existência é independente do astrólogo.

Aqui, há dois tipos de análise.

A primeira é abrir o mapa do momento e da hora em que a pessoa (o nativo, no jargão astrológico) nasceu e dele tirar características gerais dele e do meio em que vive.

Personalidade, aparência geral, relacionamento com pais, irmãos, filhos, cônjuges, doenças, trabalho, essas coisas podem todas são analisadas com relação às suas possibilidades.

Não é possível pedir muita precisão neste tipo de análise. Eu gosto sempre de lembrar que o mapa natal não é o “seu mapa”, mas o mapa da hora e do momento em que você - e mais muita gente - nasceu. Se ele vale para todas as pessoas que nasceram naquele lugar e naquela hora, não pode ser detalhista demais.

O outro tipo de análise é, a partir deste mapa inicial, e usando as informações contidas nele, acompanhar a vida do nativo ao longo do anos, usando diversas técnicas de previsão.

Aqui entram o que chamamos de direções primárias (“primárias” porque usam o movimento primário do céu), progressões secundárias (chamadas assim porque se referem ao movimento secundário dos planetas pelos signos), revoluções ou retornos solares (mapas de quando o Sol volta à posição em que estava no momento do nascimento; é como um “mapa de aniversário astrológico”), revoluções ou retornos lunares (quando a Lua volta à posição em que estava no momento do nascimento), profecções, firdária e outros.

Essa parte é muito mais precisa. Primeiro, porque investiga um determinado período de tempo com mais aprofundamento, mas, principalmente, porque depende da situação da pessoa, do contexto. Para duas pessoas que tenham nascido no mesmo horário e no mesmo lugar, essas técnicas mostram os mesmos significadores astrológicos, mas podem se referir a eventos inteiramente diferentes.


Astrologia Mundana

Ou astrologia mundial: a análise dos grandes ciclos, dos eventos maiores, dos países, governos, do mundo; o nível mais alto.

Agora, estamos falando de objetos (que também têm coerência interna) que são maiores que o ser humano em vários sentidos: famílias, dinastias, países, impérios.

Uma área interessante deste nível é a astrometeorologia: prever o clima em certas regiões em um determinado período.

Aqui, há uma série de mapas diferentes a serem usados ao mesmo tempo. O mais comum é começar com o mapa do ingresso do Sol em Áries (o ano-novo astrológico) no local de interesse, usando o ingresso do Sol nos signos, o das lunações (lua nova, quadraturas, lua cheia), eclipses, aparições de cometas, conjunções entre Saturno e Júpiter, etc. Também se pode utilizar os mapas natais dos governantes e datas de inícios importantes.

Existem outros tipos de investigação astrológica, inclusive alguns que englobam alguns desses níveis (astrologia médica, por exemplo), mas essa visão geral introdutória já é o bastante para o meu objetivo.






quinta-feira, 13 de julho de 2017

Dignidade Acidental, por Marcos Monteiro

No capítulo 14, vimos a relação entre os planetas e os signos em que estão: o que se chama de dignidade essencial.

Ela é chamada assim porque trata de como as qualidades essenciais dos planetas vai se manifestar: se eles estão de acordo com suas qualidades mais nobres ou não.

Isso está relacionado, por assim dizer, com a natureza da ação do planeta; mas não diz nada sobre a força dessa ação.

Um exemplo simples. Marte pode significar um soldado honrado (em Áries, seu domicílio) ou um encrenqueiro violento (em Câncer, sua queda).

Essa distinção não nos informa, no entanto, se Marte consegue cumprir sua missão. O soldado vai conseguir me defender? O encrenqueiro pode me machucar?

A força da ação nos é dada pelo que chamamos de dignidade acidental, e sua contraparte, a debilidade acidental.

A palavra “acidente”, aqui, é usada no sentido aristotélico, em oposição a “essência”, e não significa necessariamente nada ruim ou inesperado. São auxílios ou aflições que não fazem parte da essência do planeta, mas que nos dizem o quanto de força para agir (ou o quanto de dificuldades para agir) o planeta tem.

Existem muitas dignidades e debilidades acidentais, porque, pela natureza das coisas, os acidentes são variados. Vamos ver rapidamente as principais.


Posição nas casas

As casas angulares, por sua natureza, são mais reais que as outras regiões do céu: assim, quanto mais próximo de um ângulo, mais real é a influência do planeta, mais forte é a sua ação.

As casa seis, oito e doze, ao contrário, são restritivas. Os planetas nelas têm menos força de ação; eles estão afligidos nelas (doenças e adversidades, morte, prisão e vícios: os significados das casas não prometem muita ajuda).

As demais, de forma geral, são neutras.

Esse efeito diminui bastante com a distância da cúspide (se o planeta estiver no meio da casa dez, tem muito menos força que um planeta próximo do meio-céu) e com estar em signo diferente da cúspide (o limite entre os signos funciona como uma barreira, um cordão de isolamento).


Cazimi

Estar cazimi, ou no coração do Sol, é uma das dignidades acidentais mais fortes que existem: estando nas graças do rei, é possível fazer qualquer coisa - exceto, é claro, ser o rei. Então, é uma dignidade que promete quase qualquer coisa, menos a posição de domínio.

Por outro lado:


Combustão

É uma das piores aflições acidentais que existem. O planeta está queimado, destruído, oculto, aniquilado - adjetivos que normalmente não acompanham ações bem sucedidas. Estar Sob os Raios do Sol é uma aflição também, mas não tão ruim.


Oposição ao Sol

Oposição próxima com o Sol (menos de 8 graus de afastamento) é quase tão ruim quanto a combustão, sem haver um oásis comparável ao cazimi.


Estrelas fixas

A conjunção próxima com estrelas fixas benéficas (especialmente as mais fortes, como Spica ou Regulus, e que tenham natureza parecida com a do planeta) é uma dignidade acidental importante.

Da mesma forma, a conjunção com estrelas fixas maléficas, como Algol ou Antares, ou que signifiquem aflição grave dentro do contexto, é uma debilidade acidental grave.


Velocidade

Aqui não estamos falando da velocidade média, nem da velocidade normal, dos planetas.

A dignidade é estar mais rápido que o normal. A Lua é sempre mais rápida do que os outros planetas, mas isso não importa. No entanto, se ela estiver bastante mais rápida do que a sua própria velocidade normal, ela está acidentalmente dignificada.

A única exceção é Saturno. Estar mais rápido que o normal não é bom para o planeta da lentidão.

Estar muito mais lento que o normal é debilitante.

Estar estacionário - parado, com velocidade zero - é uma debilidade grave.

Estar retrógrado normalmente é considerado uma aflição grave; mas isso depende muito do contexto. Se o planeta significa um filho perdido, ele estar voltando é uma coisa boa.


Júbilo

Eu mencionei essa dignidade quando falei das casas.

Todo planeta tem seu júbilo em uma das casas. É uma casa na qual o planeta se sente bem, por assim dizer, porque as atividades da casa têm alguma semelhança com as atividades que o planeta significa.

O júbilo da Lua é a casa três; a do Sol, a nove. Vênus tem seu júbilo na cinco, Júpiter na onze. O júbilo de Marte é a casa seis, o de Saturno, a doze. Mercúrio tem seu júbilo na casa um.

Estar na casa contrária ao próprio júbilo é uma aflição.


Aspectos próximos

Aspectos próximos de planetas com muita dignidade essencial são benéficos; aspectos próximos de planetas debilitados são maléficos. Oposições, de forma geral, são maléficas.

Isso, como tudo em astrologia, depende do contexto: o que os planetas envolvidos significam, o que o próprio aspecto significa, etc.


Conjunção com os Nodos

De forma geral, uma conjunção com o Nodo Norte é extremamente benéfica: é como se o planeta subisse num banquinho.

A conjunção com o Nodo Sul, ao contrário, é uma restrição grave: é como se o planeta tivesse caído num buraco.

Outros aspectos não são importantes; não há como fazer um aspecto a um dos nodos sem fazer aspecto ao outro.


Oriental e ocidental

Estes termos têm mais de um significado possível. O significado normalmente associado à dignidade e debilidade acidental tem a ver com a posição em relação ao Sol.

Estar oriental é estar antes do Sol em movimento primário: ou seja, nascer antes do Sol. Estar ocidental, ao contrário, é estar depois do Sol no movimento primário.

O significado deriva da visibilidade. Planetas orientais nascem antes do Sol; ou seja, são visíveis no céu escuro. Planetas ocidentais nascem quando o Sol já nasceu, então não são visíveis.

Para saber se o planeta está ocidental ou oriental, imagine que o Sol esteja no ascendente. Qualquer planeta “acima do horizonte” está oriental; qualquer planeta no outro hemisfério está ocidental.

De forma geral, estar oriental pode ser considerado uma dignidade acidental: o planeta é mais óbvio, mais manifesto no mundo, enquanto estar ocidental é estar mais escondido, mais oculto.


Halb e Hayz

Os termos têm origem árabe.

Os signos e os planetas se dividem em planetas diurnos e noturnos.

Quando um planeta diurno está acima do horizonte (nas casas VII, VIII, IX, X, XI e XII) de dia ou abaixo do horizonte (nas casas I, II, III, IV V e VI) de noite, ele está em halb. Um planeta noturno está em halb quando está abaixo do horizonte de dia e acima do horizonte de noite.

Um planeta em hayz está em halb e, além disso, está num signo do próprio gênero (ou seja, um planeta masculino num signo masculino, um feminino num feminino).

Os conceitos são bastante simples, mas é sempre bom lembrar que Marte, apesar de noturno, é masculino, e que Mercúrio é diurno quando oriental, noturno quando ocidental, e que é masculino ou feminino dependendo dos planetas que estão em conjunção ou aspecto com ele ou do planeta que o rege.


As dignidades e debilidades da Lua

Por sua posição de destaque, e por ser o único dos astros cuja forma visível varia, a Lua tem algumas dignidades e debilidades especiais.

A primeira tem a ver com a quantidade de luz. Quando mais cheia a Lua estiver, mais ela é visível.

Então, estar aumentando em luz é uma dignidade para a Lua, enquanto estar diminuindo em luz é uma debilidade. Sim, isso quer dizer que para a Lua, estar ocidental é uma dignidade - isso também vale para Vênus e Mercúrio, segundo alguns autores, mas por outros motivos.

Há uma faixa do Zodíaco (entre 15° de Libra e 15° de Escorpião), chamada Via Combusta, no qual a Lua também está debilitada.

Os motivos para a existência dessa faixa são controversos e a discussão foge ao propósito deste livro. Ela parece afetar somente a Lua.


Lua Fora de Curso

Este conceito atrai confusão de todos os lados, desde o seu nome até a sua importância.

O “Lua Fora de Curso” vem de “Void of Course Moon”, que é uma tradução ao inglês da expressão em latim “Luna Vacua Cursa”, que quer dizer “Lua em caminho vazio”, ou “Lua com percurso vazio”.

Isso quer dizer: a Lua não tem nenhum planeta no caminho dela. Ela termina o seu percurso por um signo sem fazer conjunção ou aspecto.

A Lua, pela sua posição de intermediária entre o céu e a terra, pode significar o fluxo geral dos acontecimentos. Desta forma, ela não fazer nada é um sinal de que nada vai acontecer, de que as coisas permanecem como estão.

Repetindo: é um sinal, de importância variável de acordo com a situação. Não é um veredicto. O cosmos não pára até que a Lua mude de signo. As pessoas que nascem quando a Lua está fora de curso crescem e se desenvolvem como o resto do mundo.

Como a ideia é a Lua ficar sem fazer nada, não faz sentido dizer que ela está fora de curso nos últimos graus de um signo, porque ela está prestes a fazer algo: mudar de signo.




Marcos Monteiro, Introdução à Astrologia Ocidental, Edição do Autor, 2013.

O livro pode ser adquirido aqui:
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segunda-feira, 10 de julho de 2017

Urano, Netuno, Plutão, por Marcos Monteiro

Preciso tratar dos três “planetas transaturninos”. Esta é a hora.

Desde que foram descobertos, estes corpos atraíram a atenção dos astrólogos. Eles receberam significados bastante variados; cada um recebeu um dos signos para reger; foram recebidos com entusiasmo e acolhidos na grande família astrológica.

Há alguns problemas nisso.

Em primeiro lugar, acho que consegui demonstrar no começo do livro que as coisas concretas têm sete facetas. Qualquer coisa inserida no modelo não pode entrar no conjunto dos sete.

Isso ocorre também com as significações. Eles não podem retirar significado dos planetas existentes, porque os significados não são, num certo sentido, deles.

Da mesma forma, não faz sentido nenhum mudar a regência dos signos, que obedece a regras independentes da astronomia e possuiu uma simetria bastante que é quebrada, ao se inserirem novos regentes, sem melhorar em nada a precisão do modelo.

Isso é importante: considerá-los como planetas astrológicos não traz ganho nenhum. E é incoerente com os princípios astrológicos de base: planetas são os corpos que parecem se mover no sentido contrário ao do céu visível, não interessando se astronomicamente são planetas, satélites da Terra (Lua) ou estrelas (Sol).

E, aqui, chegamos a outro ponto importante: eles não são visíveis. Então, essas significações todas são, no mínimo, exageradas.

Na China, Na Índia, no Japão, na Babilônia antiga, e provavelmente em qualquer outra astrologia, Marte está associado à guerra, conflito, rupturas, enquanto Vênus está relacionada a união e amor, por causa das suas aparências.

Marte rege Escorpião porque corporifica as qualidades relacionadas a Escorpião; Plutão virou o “regente moderno” de Escorpião numa votação num congresso.

Isso não quer dizer que eles não tenham papel nenhum na astrologia. O problema maior é decidir o que eles significam; mas, desde que não os tratemos como planetas, nem, com toda a certeza, não os empurremos para reger signo nenhum, eles podem ser assimilados.

O modo mais coerente de entendê-los é como estrelas fixas especiais. Pontos que só são importantes em aspectos próximos (apenas conjunções e oposições parecem ser importantes).

Não vejo sentido algum em não utilizá-los porque “não eram conhecidos à época do astrólogo X, ou no período Y”. Outras coisas que não eram conhecidas há alguns séculos eram computadores pessoais e a Nova Zelândia. Como ninguém se opõe ao uso do computador, ou à existência de astrólogos na Nova Zelândia, também não faz muito sentido ignorá-los.

Eles também são parte do Cosmos, também foram feitos pela mesma mão que fez o Céu.

O ponto mais delicado é determinar o que eles simbolizam. Muitas das associações feitas são baseadas em descobertas, ou eventos, que ocorreram perto da sua descoberta. Isso traduz mais o que o astrólogo quer que o corpo signifique do que o que ele significa na verdade.

Outras significações derivam dos mitos relacionados aos seus nomes, o que faz sentido: essas nomeações, embora inconscientes, não são inteiramente ao acaso. Mas é sempre bom lembrar que Urano já foi George e Herschel, então não é possível levar essas associações totalmente ao pé da letra.

Alguns significados (Urano, conflito, eletricidade; Netuno, confusão, excesso de água, terremotos; Plutão, mal oculto) parecem estar consistentemente ligados a eles.

Um modo de tentar derivar algumas das significações deles é analisar seu movimento, o equivalente mais próximo de “aparência sensível” que eles têm. Urano está visível em algumas épocas do ano, embora seja sempre fraco. Então, ele “liga e desliga”; está ligado ao divórcio, à separação e também à informática (eletricidade, corrente alternada, e linguagem digital - binário, sim ou não, um ou zero).

Netuno parece estar ligado ao engano, à auto-ilusão, às drogas, à embriaguez, à “cegueira voluntária”, e ao tempo ruim. O aspecto que pode estar ligado a isso é ele estar sempre quase visível, sempre um pouco além da visão humana; além disso, enquanto Urano dá a volta ao redor do Sol em 84 anos, Netuno completa seu ciclo em 168, pouco tempo acima do máximo da vida humana. É como se ele estivesse quase ao nosso alcance.

Plutão parece estar relacionado, normalmente, ao mal, às coisas ruins de forma geral, mas principalmente ao auto-sabotamento, ao mal autoinflingido. Sua volta ao redor do Sol dura 248, muito mais do que a vida humana mais longeva; ele está muito afastado, muito escondido - algo sempre oculto e longe de nós não parece, a princípio, coisa boa.

A influência dos três parece sempre ser mais ou menos maléfica.

E os outros corpos?

Quando se desce mais na “cadeia alimentar astrológica”, a coisa fica ainda mais complicada. Planetas novos, planetas anões, asteroides, pontos fictícios, a imaginação não tem limites. Não há como arranjar significações novas para todas essas coisas, baseando-se somente nos nomes que lhe deram.

De forma geral, mesmo esses corpos menos importantes não são ruins ou proibidos, se respeitarem o modelo astrológico. Na verdade, o problema é que, se Urano, Netuno e Plutão já não são necessários (eles colorem uma análise, dão maior precisão a algumas coisas, mas nunca são indispensáveis), essas outras coisas se aproximam cada vez mais da inutilidade completa e podem chegar a atrapalhar, pelo excesso de informação sem importância.





sábado, 1 de julho de 2017

As Estrelas Fixas, por Marcos Monteiro

Este assunto está entre os últimos capítulos do livro, mas não porque seja pouco importante.

O que acontece é que não precisamos nos referir a elas para montar nosso teatro astrológico, embora elas sejam tanto pano de fundo quanto luzes, direcionadas para pontos específicos do palco.

Elas não interagem com os planetas – não ficam nem dignificadas, nem debilitadas, nem afligidas, nem assistidas. Elas ajudam ou atrapalham quem passa por elas, não porque tenham uma intenção particular, mas apenas porque continuam, sem parar, a manifestar a própria natureza.

As estrelas são o que são.

Além disso, elas são assuntos para um livro inteiro, ou mais de um. Aqui, o máximo que posso fazer é escrever uma introdução muito breve a este assunto.

As estrelas fixas são chamadas assim em comparação com os planetas, que são as estrelas móveis (vários textos antigos chamam os planetas de estrelas, ou tratam todos os astros como estrelas). Elas não são, na verdade, fixas. Elas se movimentam, embora muito lentamente – astronomicamente, esse é o famoso fenômeno chamado de “precessão dos equinócios”. Elas também se movem umas em relação às outras, nem sempre à mesma taxa – esse é o movimento que aparece na tevê quando algum programa menciona que o formato das constelações mudou.

O modelo cosmológico tradicional é um pouco mais complicado que o que eu apresentei aqui. Minha intenção foi facilitar o entendimento de como o céu astrológico funciona.

De forma resumida, os antigos viam o cosmos como esferas concêntricas; a terra é a penúltima esfera (a última, abaixo de nós, é o Inferno, que quer dizer isso mesmo, inferior).

As sete primeiras esferas depois de nós são as dos planetas, a seguinte é a das estrelas (a outra é a das “torres zodiacais”). Isso quer dizer que elas fazem parte do “pano de fundo” da ação dos planetas.

É por isso que não há menção a aspectos ou qualquer tipo de interação entre elas e os planetas, que são influenciados quando passam perto delas (ou seja, quando estão em conjunção bem próxima, um, dois ou no máximo três graus). Elas também são importantes se estiverem exatamente sobre a cúspide de uma casa.

Elas estão, do ponto de vista da essência, num nível superior ao dos planetas (e inferior ao dos signos), mas, como os planetas são sete, e elas inúmeras, é mais fácil explicá-las usando as naturezas dos planetas – quase todas as listas sobre estrelas fixas associam-nas a um, dois ou, excepcionalmente, três planetas.

Além disso, os planetas podem ser vistos, como discutimos anteriormente, como as sete divisões fundamentais dos seres concretos, as sete cores que compõem a luz divina. Vamos ver qual (ou quais) dessas cores é mais importante em cada estrela.

A importância de uma dada estrela deriva de alguns fatores. Em primeiro lugar, magnitude – ser visível; em segundo lugar, proximidade da eclíptica – ser visível perto do palco no qual as ações celestes acontecem; em terceiro lugar, o simbolismo – fazer sentido.

As estrelas são agrupadas em conjuntos mais ou menos próximos no céu, chamados de constelações.

A melhor definição para constelação é família. Elas reúnem estrelas com propriedades afins, ou pelo menos com explicações simbólicas (ou míticas, que facilitam a memorização das estrelas) parecidas. Os mitos associados às constelações nos ensinam que tipo de família estamos vendo.

A explicação científica para a origem das constelações é francamente idiota. Nenhum ser humano minimamente inteligente olharia para a constelação de Leão e pensaria “olha, parece um Leão”, ou para Órion e pensaria “ei, mas é muito parecido com um guerreiro com um cinto legal e uma tocha erguida”. Exceto por alguns poucos exemplos (Escorpião parece vagamente com um escorpião em posição de ataque, por exemplo), as constelações não são desenhos esquemáticos que lembram seus nomes.

Os nomes das constelações, como eu disse, são mitos, que explicam e facilitam a identificação da natureza de cada uma das constelações. É fácil explicar as estrelas de Leão (Regulus, o coração; Zozma, as costas) referindo-se ao simbolismo relacionado a este animal.

Evitamos os mitos nos signos porque sua significação é mais completa e menos distorcida quando nos atemos à sua natureza real – o modo de expressão e o elemento. No entanto, para as constelações zodiacais, pensar nos mitos pode facilitar a identificação do caráter de cada estrela, que são partes não aleatórias das imagens associadas.

A importância das estrelas fixas em astrologia aumenta conforme se sobe o nível. Em horária e eletiva, o risco de usá-las é muito maior que o risco de ignorá-las; são bastante importantes em astrologia natal e são de suma importância em astrologia mundana.

Exemplos de estrelas

Há uma enormidade de estrelas visíveis; por volta de cem delas têm alguma significação astrológica; algumas poucas dezenas são realmente importantes.

Vou mencionar um conjunto ainda menor, que serve como início de um estudo que foge ao propósito deste livro e que depende da intenção do leitor.

Essas são as mais comuns; é claro que esta lista é subjetiva, mas acredito que a grande maioria dos astrólogos concordaria com grande parte dela.

Eu menciono a posição aproximada delas no ano em que escrevo, 2014.


As guardiãs

São as estrelas que um dia já estiveram no início dos signos cardinais, marcando o início das estações. Hoje em dia, nenhuma delas está em signo cardinal, nem nos signos fixos seguintes, todas elas estão em signos mutáveis.

Regulus – o coração do Leão (Cor Leonis). Está em 0° de Virgem. Uma das estrelas mais fortes e brilhantes do céu, uma das estrelas reais (falo sobre elas abaixo). Da natureza de Marte e Júpiter. “O coração” sempre quer dizer, quando falamos de estrelas, “o núcleo” – ela é o “superleão”; reúne as características da constelação. Então, concede honrarias, dignidade, exaltação, poder – mas nem sempre felicidade; não é uma estrela calma, nem garante um futuro livre de tribulações.

Antares – “Outro Ares”, ou seja, outro Marte. O Coração do Escorpião (Cor Scorpionis), está em 9° de Sagitário. O “superescorpião”. Violência, conflito, guerra, morte, mas também fim de ciclo, mudança. Também da natureza de Marte e Júpiter; também é uma estrela real.

Aldebaran – “O olho do Touro” (Oculus Tauri). Apesar de não ser o coração, ela também é o “supertouro”: ela significa o inicio, a entrada da alma na matéria. Está ligada, portanto, aos inícios dos ciclos; funciona em conjunto com Antares e está oposta a ela, em 9° de Gêmeos. É da natureza de Marte, mas, sendo o olho esquerdo do Touro, tem uma conexão clara com o significado da Lua (os olhos são atribuídos aos luminares. Nos machos, o direito é do Sol, o esquerdo da Lua, invertendo-se para as fêmeas); a Lua significa a alma, e também a fome – pela matéria, pela vida. Também é uma estrela real.

Fomalhaut – A boca do peixe, em 04º de Peixes. Da natureza de Vênus e Mercúrio. A única das guardiãs que não é estrela real. Fomalhaut promete reinado, mas não deste mundo. Está ligada ao solstício de inverno – o nascimento de Cristo – e à história de Jonas (a boca do peixe evoca o animal que devorou o profeta), portanto, ao renascimento. Ela é extremamente poderosa, só não eleva ao trono. Atenção: ela não é parte da constelação de Peixes, mas pertence à constelação “Pisces Australis”, ou Peixe do Sul, ou Grande Peixe, o que engole a água de Aquário.


Estrelas reais

Além das três primeiras guardiãs, ainda há outras estrelas. Elas são chamadas de “reais” porque são indicativas de ascensão ao trono em natividades de prováveis reis e rainhas.

Lucida Lancis – Alpha Librae,15º de Escorpião. O prato do sul da balança (de onde vem seu outro nome, Zuben Algenubi, a Garra do Sul – a constelação de Libra já foi a constelação das Garras do Escorpião). Está exatamente sobre a eclíptica. Sendo o “prato de baixo”, em latitude zero, significa, obviamente, elevação. Da natureza de Saturno e Marte.

Spica – 23º de Libra, o “Espigão [de trigo] da Virgem”. A estrela mais feliz do zodíaco. Ela normalmente concede felicidade, embora menos sucesso que Regulus. Ela é o presente da Virgem, é o que ela tem na mão oferecendo para baixo, para a terra, estando associada portanto às bênçãos e à proteção de Nossa Senhora. Da natureza de Vênus e Marte.

Pollux – 23º de Câncer. Um dos irmãos da constelação de Gêmeos, Pollux é o gêmeo imortal. Da natureza de Marte.


Outras estrelas importantes

Castor – 20º de Câncer, o gêmeo mortal, irmão de Pollux. Da natureza de Mercúrio.

Sirius – 23º de Câncer. A boca do Cão maior, o Sol do Sol. Extremamente brilhante, mas afastada da eclíptica. É uma estrela feroz, mas que pode ser benéfica e protetora. Da natureza de Júpiter e Marte.

Procyon – 26º Câncer – o Cão menor. Muito da sua significação deriva da comparação com o grande cão: ela é mais rápida, mais agressiva, mas bem menos forte. Da natureza de Mercúrio e Marte.

Caput Algol – 26º Touro. A cabeça da medusa, a estrela mais perigosa do Zodíaco. Funciona como uma espada, pode ser usada contra ou a favor do nativo, mas nunca é calma, nem pacífica. Um dos seus significados é perda da cabeça, literal ou figurada. Da natureza de Saturno e Júpiter.

Alcyone – 29º de Touro – também não é das mais benéficas. É a estrela principal das Plêiades (“As Irmãs que Choram”); fere os olhos e causa arrependimento. Da natureza de Marte e da Lua.

Vindemiatrix – 10º de Libra. Também conhecida com Vindemiator, é o(a) coletor(a) de uvas. Outra estrela perigosa, está associada com divórcio, separação, auto-sabotamento (ferir a si mesmo e aos outros), exceder as próprias capacidades. É a ponta da asa do norte, ou do braço do norte, da Virgem. Da natureza de Saturno e Mercúrio.

Altair – 1º de Aquário. A águia. Elevação espiritual. Da natureza de Marte e Júpiter.

Vega ou Lira – 15º de Capricórnio. Inspiração, ensino. Da natureza de Vênus e Mercúrio.

Beta Librae – 19º de Escorpião. O prato do norte da constelação de Libra. Conhecida também como Zuben Eschamali, a Garra do Norte. Da natureza de Júpiter e Mercúrio.

Há outras estrelas importantes e há muitas outras que podem ter alguma importância determinada em algum contexto especial, mas a lista já está grande o suficiente.

Uma última nota sobre constelações: já deve ter ficado claro para o leitor que signos e constelações não são a mesma coisa. As constelações que ficam perto da eclíptica – as constelações zodiacais – levam o mesmo nome que os signos onde estavam, mais ou menos, quando foram nomeadas.



Marcos Monteiro, Introdução à Astrologia Ocidental, Edição do Autor, 2013.

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segunda-feira, 26 de junho de 2017

As Casas e suas Significações, por Marcos Monteiro

Já falei dos agentes astrológicos, os planetas, de como eles interagem uns com os outros, os aspectos, e sobre a natureza do pano de funo sobre o qual eles atuam, o Zodíaco.

Vou tratar, agora, dos assuntos com relação aos quais eles agem; a origem do papel que cada ator recebe.

Já vimos o que são as casas (chamadas também de casas mundanas em oposição às casas celestes, os signos) e o princípio que norteia as divisões dos quadrantes. No apêndice, eu explico brevemente como se encontram os ângulos.

A divisão de cada quadrante varia de sistema para sistema. Não vamos entrar no cálculo dessa divisão.

De qualquer forma, os dois sistemas mais comuns, Placidus e Regiomontanus, apresentam muito pouca diferença na maior parte do território brasileiro.
Vamos ver o que cada casa significa. Grande parte dos assuntos pode ser derivado do simbolismo básico, mas alguns são mais difíceis de perceber, enquanto o raciocínio de outros se perdeu ao longo dos tempos.

Antes de entrar em cada uma delas, preciso explicar algumas generalidades.

As casas, na maior parte das vezes, como vimos no capítulo seis, não têm o mesmo tamanho quando medidas em graus da eclíptica. Isso não é uma distorção nem um problema; a sua divisão leva em consideração outros referenciais de medida, porque a eclíptica, do ponto de vista do observador, é torta. Com relação ao movimento celeste geral, o zodíaco está inclinado, e as casas traduzem, de alguma forma, essa diferença.

Além disso: elas não são equivalentes; algumas têm primazia sobre as outras.


Ângulos ou Casas cardinais

Os ângulos, ou casas cardinais, são os pontos mais fortes. São as casas mais óbvias, determinam os quadrantes; fixam, por assim dizer, o céu à terra conforme o observador.

Assim, eles significam, de uma forma geral, duas coisas aparentemente contraditórias.

Por um lado, elas são as casas mais fixas. São as mais estáveis; então, significam permanência.

Por outro lado, são as mais reais, e as mais evidentes. Então, significam mais oportunidade de agir. Se algo tem oportunidade de agir, e quer agir, age mais rápido – assim, elas significam velocidade.

Isso tem algumas aplicações interessantes (em astrologia horária, por exemplo na determinação de quando as coisas acontecem), mas a confusão é só aparente. O que acontece é que oportunidade de agir é algo importante para agentes conscientes. Uma pessoa, quando quer algo e pode fazer esse algo, o fará, normalmente, mais rápido; mas coisas (o clima, uma carta, uma doença) não querem nem deixam de querer nada, então não aproveitam a oportunidade para agir mais rápido.


Casas cadentes e sucedentes

Nós contamos as casas na ordem anti-horária, da mesma forma que os signos; mas o movimento aparente primário do céu é horário.

Assim, chamamos “cadentes” as casas para as quais as coisas vão, quando saem dos ângulos, segundo o movimento primário, porque parecem estar caindo deles. Ou seja, a casa cadente adjacente à casa um é a XII, não a II.

As casas que sobraram, as que não são nem cardinais nem cadentes, são as sucedentes. São as casas que, na ordem dos signos, sucedem aos ângulos. Para ficar no mesmo exemplo, a casa II é sucedente porque, no sentido anti-horário, ela sucede à I.

Essa é uma vantagem visual do mapa quadrado; ele enfatiza essa centralidade dos ângulos Eles são as ligações estruturais entre o céu e a terra naquele momento. As outras casas “caem” por um lado ou seguem a ordem normal por outro.


Derivando as casas

Cada uma das casas significa alguns assuntos. Uns são delas por elas serem o que são; outros são assuntos delas por sua relação com as outras casas.

Explico. Entre outras coisas, como vamos ver logo abaixo, a casa um pode significar a pessoa. A casa dois significa as posses móveis da pessoa.

A casa quatro significa o pai da pessoa. Não há uma casa cujo significado intrínseco (na terminologia astrológica, radical) signifique “dinheiro do pai”. Mas, se considerarmos a casa quatro como a casa um do pai, a casa seguinte, a cinco, é a casa dois da quatro. Então, pode significar as posses móveis de quem for significado pela casa anterior – o dinheiro do pai.

Isso se chama derivar uma casa; o significado obtido desta forma é chamado significado derivado.

Isso garante que todo assunto da vida possa ser atribuído a uma das doze casas do céu.

Duas notas técnicas, antes de entrarmos nos detalhes dos assuntos.

1) O início da casa, é chamado de cúspide. Dizemos que o planeta que rege o signo que está na cúspide de uma casa rege a casa. Ele é a corporificação do assunto.

2) Há um espaço antes da cúspide, normalmente de cinco graus (que pode ser considerado um pouco maior ou menor dependendo do tamanho da casa), que é considerado como se já pertencesse à casa. É como se fosse o jardim da frente, ou a varanda, da casa. Ainda não estamos dentro da propriedade, mas já não estamos na rua nem na casa do vizinho. Este espaço tem, necessariamente, que estar no mesmo signo que a cúspide.

Ou seja, se a cúspide estiver a 3º de Touro, essa “folga” anterior só vai até o grau zero, sem entrar em Áries.


As Casas, uma por uma 


CASA I – o ascendente

É uma casa cardinal. As casas cardinais, também chamadas de ângulos, significam direções do espaço: a casa um significa o leste.

Como é o ângulo em que o céu e a terra se encontram no nascimento, significa a coisa analisada, porque, afinal, tudo neste mundo é fruto de uma união entre a terra (a matéria) e o céu (a forma, a essência).

Em astrologia natal, é a pessoa, o nativo. Em astrologia horária, é o querente, quem faz a pergunta. Em mapas de países, é o povo.

O nativo é representado, num certo sentido, pelo mapa natal inteiro.

Em outro nível, no entanto, a casa um e seu regente significam o nativo; mais especificamente, seu corpo (mais especificamente ainda, sua cabeça), enquanto o resto do mapa são suas circunstâncias, as coisas e as pessoas que ele encontra na vida.

Em mapas de eventos esportivos, é o favorito. Em mapas de astrometeorologia, é o local, é o “aqui”.

Vamos ver que há outra casa que pode significar terrenos, casas, etc. Mas “meu lar”, quando não há a necessidade de fazer a diferenciação entre mim e minha casa, também é a casa I.

De forma mais geral, é o “aqui”, mesmo quando não é meu lar.

Ela também é o “navio em que navego”, ou o “eu estendido” – “nós”, em perguntas sobre um grupo do qual a pessoa pertença, tomados em conjunto; o time pelo qual a pessoa torce, também (como podemos ver pelos gritos dos torcedores, “ganhamos”, “vocês perderam de nós”, etc).

O navio, aqui, pode ser também o carro. Vamos ver na casa seguinte, carros nunca são casa III. Como bens móveis, são assunto da casa II. Como transportadores da pessoa, são casa I.

Em eletivas, significa a pessoa que começa o empreendimento e o próprio empreendimento.

Em casas, ou qualquer ambiente bem determinado, ela significa a porta de entrada, ou o quarto do dono da casa (ou do morador que fez a pergunta, no caso de uma pergunta horária).

Como significa a pessoa, significa o “comando” na pessoa – a cabeça.

A casa I também significa o nome, seja do nativo, do querente, ou da empresa.

Existe uma dignidade acidental dos planetas chamada “júbilo”.
Provavelmente, mais um resquício de outra astrologia que foi incorporada com a nossa. Cada planeta tem uma casa em que se sente mais feliz, em que desempenha sua atividade de forma mais natural.

Mercúrio tem seu júbilo na casa I. Mercúrio é o mensageiro dos deuses, o “psicopompo”, a ponte entre o Céu e a Terra, ficando muito feliz na junção entre os mundos. Também é a razão, que fica muito feliz na cabeça.

O co-significador da casa I, segundo alguns autores, é Saturno.

Saturno é o planeta das limitações, da matéria, do peso, das prisões. É isso que a alma sente, subitamente presa neste aglomerado de matéria pesada que chamamos de corpo.

A Lua, ao contrário, não está confortável na I.

A Lua significa a alma, nada feliz ao conhecer a prisão onde vai passar uma vida inteira; ela também significa as emoções, a parte da alma que não se sente bem com a frieza dos cálculos de Mercúrio.

Isso evoca dois pares de opostos. Eu já falei da Lua-Saturno quando expliquei as dignidades.

Lua-Mercúrio também são opostos. A Lua simboliza as emoções, a imaginação livre, os desejos, o “coração” (no sentido romântico, o lugar do afeto; o coração como fonte de vida é o Sol); Mercúrio é a “cabeça” (a razão. A cabeça como comando é, mais uma vez, o Sol). Um não está muito bem onde o outro está feliz; o ascendente é um exemplo.

Ela divide com a casa X a posição de casa mais forte; dependendo da situação, uma ou a outra prevalece.

É fácil ver a importância das duas casas se pusermos o Sol nelas. No ascendente, ele está criando o dia, nascendo, expulsando as trevas. No meio-céu, está dominado o mundo, no topo do céu.


CASA II

É uma casa sucedente.

As casas adjacentes (sucedentes e cadentes) tanto ao ascendente quando ao descendente (a casa oposta ao ascendente) têm conotações desagradáveis, menos esta.

As significações maléficas vêm de as casas não observarem o ascendente (veja os capítulos sobre aspectos; o conceito é análogo); elas não têm conexão com a junção Céu-Terra que deu origem ao nativo, à pergunta, à coisa, enfim, à situação significada pelo mapa.

A II é a única exceção (ou, pelo menos, a única exceção parcial).

Isso se dá porque ela é, no movimento secundário (o movimento correto, o humilde, que vai na ordem dos signos e desce antes de subir), ela é a casa seguinte ao do ascendente. Então, enquanto as coisas estiverem em ordem – ou seja, enquanto a casa dois servir ao ascendente – ela é boa. Ou, pelo menos, não é necessariamente ruim.

A casa doze, por outro lado, que é adjacente no sentido contrário, é a casa seguinte no movimento primário, o incorreto, o movimento do orgulho, de subir sem descer primeiro. É provavelmente a casa mais maléfica do Céu, e significa justamente o pecado, que nasce do orgulho. O orgulho, pecado associado ao Sol (e o pecado, na visão cristã, que fez Lúcifer cair), é justamente se pôr no lugar do Sol da vida, de Deus.

É a casa dos recursos materiais da casa I, é o que a sustenta.

Ela significa as finanças do nativo ou do querente, seus bens móveis e inanimados (definição de móvel: que o querente consegue mudar de lugar; definição de inanimado: não vivo), os recursos do estado, as testemunhas e o advogado (no tribunal), o ajudante no duelo.

Como sustenta a casa I, é a casa do pescoço, que sustenta a cabeça. Significa, além do pescoço, a garganta e o início da garganta, a boca, mesmo que anatomicamente ela fique na cabeça (que é significada pela casa I). É não só por onde a comida e a bebida entram, mas elas mesmas quando ingeridas – é a casa da matéria, não só a que enche os bolsos, mas a que enche os estômagos.

NOTA: Há uma correspondência óbvia entre os signos e as casas, quando dividimos o corpo humano. Isso NÃO deve ser extrapolado para os demais significados. Essa correspondência se dá pelo seguinte: primeiro, dividimos uma coisa (o corpo humano) por doze (signos). Depois, vamos dividir a mesma coisa por doze (casas) de novo. Os pedaços, a menos que façamos uma divisão bem esquisita, vão ser mais ou menos iguais. O leitor vai perceber que há muitas diferenças entre as significações das casas e dos signos em geral.

Os bens móveis incluem todas as formas de dinheiro ou valor pecuniário (ações, ouro, jóias, dinheiro em papel, cheques). Carros, motos, barcos, aviões (quando não são o “navio em que navegamos”) pertencem a esta casa (e não à casa III).

O co-significador da casa é Júpiter, que é o planeta da riqueza, da abundância, que aqui tem um sentido material.

Como significa nossas posses, tem um óbvio sentido positivo – e apresenta um óbvio problema. Ela é somente o segundo passo, não o final da viagem. Alguns textos antigos davam também a essa casa uma significação negativa, e é daí que ela vem, da tentação que ela representa.

Na casa, ela significa a cozinha (local da comida), a despensa. Por derivação, “o quarto seguinte”, a depender do contexto.


CASA III

A próxima casa é uma casa cadente. Ela “cai” do ângulo do sul, a casa dos pais – ela significa nossos irmãos, tanto sensu stricto quanto sensu lato: nossos primos e nossos parentes da mesma geração.

Também significa nossos vizinhos, os que estão “perto do nosso terreno” (a casa IV) e que acabam sendo, pelo menos no tipo de cidade e de vizinhança que existiam no mundo em que a astrologia foi codificada, nossa “família prática”, ou família estendida. Numa emergência (ou mesmo quando o açúcar acaba), a gente recorre ao vizinho, não ao nosso primo que mora na Rússia.

Além disso, os vizinhos e os familiares têm outra particularidade interessante: são as pessoas com que topamos ao longo da jornada diária da vida, mas que não escolhemos. Os colegas de escola, por terem as mesmas características (iguais hierarquicamente, convívio frequente, não escolhemos) também podem ser significados por essa casa (ou pela casa das “pessoas em geral”, que vamos ver mais tarde).

Continuando a divisão do corpo, ele rege as mãos (incluindo os dedos), os braços e os ombros.

Um significado conexo ao das mãos é o da comunicação. Embora a língua e a cabeça estejam na primeira casa, é na terceira que analisamos a comunicação do nativo, os modos mais básicos de se relacionar com o mundo (e os meios de comunicação existentes – telefonemas, cartas, e-mails, etc).

As habilidades intelectuais mais básicas (ler, escrever, falar) também são relacionadas a essa casa, bem como o ensino básico, a escola primária.

A capacidade de dirigir (e em alguns casos pilotar e navegar) não é básica, mas está relacionada à lida diária, à – em mais de um sentido – condução do dia a dia, e portanto também é significada por esta casa.

A casa III também significa as viagens curtas. A divisão entre “curtas” e “longas” não tem a ver com a distância, mas com o propósito. Para quem nunca saiu da cidade natal, uma ida até a praia é uma “viagem longa”. Para um executivo internacional, a conexão diária São Paulo – Nova Iorque é uma viagem curta. Se trata dos deslocamentos diários básicos, dos movimentos simples do dia a dia.

Os caminhos em si, além dos deslocamentos diários, são significados aqui.

Esta é a casa da lida diária.

Por extensão, o atracadouro ou pier, o local de carga e descarga, de entrada e saída de passageiros (não a garagem), o heliporto. Corredores, locais de correio ou conexão de alguma forma.

NOTA: Esta casa significa os vizinhos. No entanto, locais (incluindo quartos, apartamentos, terrenos, ou casas) adjacentes podem ser significados pela casa dois derivada (a “casa seguinte”). Esta é a casa dos vizinhos, não necessariamente a casa vizinha.

O co-significador da casa é Marte, a energia por trás das atividades diárias. É o motor que nos leva a esses deslocamentos cotidianos necessários. Em doenças de falta de energia, a primeira coisa que fica prejudicada é a capacidade de lidar com as tarefas básicas.

A Lua tem seu júbilo nesta casa. Essa casa sugere movimento, a Lua é o astro mais rápido do céu, o único que muda de forma. Além disso, ela significa a alma, estando muito feliz em oposição ao júbilo do Sol, na casa nove. Por último, a Lua é o planeta relacionado às tarefas do lar, àquela infinidade de pequenos atos que fazemos para manter a casa funcionando.

É uma casa cadente; indiferente, nem maléfica nem benéfica, sem muita força.


CASA IV – O fundo do céu

Chegamos no ângulo seguinte: o ângulo do norte.

A casa IV é o fundo do mapa, seu ponto mais baixo.

O seu significado mais básico são as raízes do nativo, ou do objeto.

Ela significa tesouros escondidos ou enterrados, terrenos, casas, prédios, fazendas (embora “minha casa”, literalmente, seja a casa I, porque o dono da casa I, seu regente, sou eu), em questões sobre compra ou venda de propriedade, sua qualidade; minas e cavernas. O porão ou os fundamentos. No tribunal, o veredicto, em campeonatos, o desafiante (por estar oposta à casa dez, o campeão); o inimigo do rei.

Ela tem um significado de “fim das coisas”, porque o fim das coisas é o pó da terra. Não significa a morte, no entanto.

Como significa as nossas raízes, significa nossos antepassados, nossos pais em geral e nosso pai em particular. Ela não significa a mãe (somente como membro de “antepassados” ou “pais”), nem “o mais importante dos responsáveis”, mas o pai. Também significa nossa terra natal, tanto o país quanto a cultura.

Numa casa, além da fundação e do porão, significa o salão informal (por ser oposta à dez, como veremos mais tarde); o quarto dos avós.

Embora seja o ângulo com menos força para agir (isso só é relevante se for necessário comparar os ângulos entre si), seu significado é bastante benéfico, se o contexto não indicar o contrário. Ele é o ponto mais baixo do mapa, é o fundo do céu. Qualquer movimento dali é ascendente, todos os caminhos são para cima.

O planeta co-significador da casa é o Sol, o planeta do Pai celeste e do pai terrestre.

Ela significa o peito e os pulmões.


CASA V

Mais uma casa sucedente. A Casa V é a casa da diversão.

Seu assunto mais comum é o esporte venéreo, o sexo. Um erro comum é atribuir os amantes a essa casa – isso só faria sentido se tivéssemos o mapa natal de Jocasta (como vamos ver pelo outro significado desta casa).

A Casa VII é a casa dos cônjuges, para a vida toda, mas também dos namorados, noivos, amantes, flertes fugazes, saídas de uma noite e programas de meia hora.

A astrologia considera, independentemente dos preconceitos dos astrólogos e dos clientes, que tanto a esposa quanto a prostituta são pessoas.

Então, pessoas são casa VII, o prazer que temos com elas são casa V.

Aí também investigamos a conseqüência lógica das atividades mencionadas, pois a casa V também é a casa dos filhos e da gravidez.

Ela nunca, de forma alguma, significa as mulheres grávidas.

A mulher grávida ainda é uma mulher (se for a querente/nativa, é casa I. Se for a companheira/etc do querente/nativo, é casa VII). O filho é representado pela casa V (embora um planeta na casa da mulher também possa significar o filho).

Os esportes de uma forma geral, não só os praticados na cama, são representados aqui, bem como os prazeres não sexuais. A casa V também significa os bares, as tavernas, as danceterias, os restaurantes, as lanchonetes, (locais de diversão), as academias (locais de esporte). Pode significar festas, piqueniques, mostras, uma ida ao cinema ou ao teatro, etc.

Um último significado importante é o dos embaixadores. Esse significado tem a ver com o planeta co-significador da casa, Vênus, com o fato que o embaixador sempre mostra a parte boa, alegre, do seu país e com a associação de Vênus na quinta casa com o Espírito Santo.

O carteiro não é significado pela casa V, mas pela III. O embaixador tem liberdade para agir, o carteiro, ou os mensageiros de forma geral, só podem entregar a mensagem.

Dentro das casas, ela significa o quarto das crianças ou o salão de jogos.

Ela significa o coração, o fígado, o estômago, as costas e as laterais do tronco. É (por causa do coração, mas principalmente, do fígado) uma das casas mais importantes em astrologia médica.

Como eu disse acima, o planeta co-significador da casa é Vênus, que também tem seu júbilo aqui. Vênus é o pequeno benéfico, o planeta das diversões sensíveis, das coisas doces e agradáveis. A sua associação com a pomba e o fato de que a casa V faz um trígono com a casa I sugerem também, como eu disse acima, uma associação entre Vênus nesta casa e o Espírito Santo.


CASA VI

Essa casa cadente e maléfica é fonte de muitos mal-entendidos.

É comum ouvirmos que ela é a casa da saúde. Completamente errado.

A casa da saúde, de forma geral, é a casa I, a casa do corpo, da pessoa.

A casa VI é a casa das doenças. Dos problemas deste mundo mau, que nos afligem sem que tenhamos culpa. Em astrologia médica, as coisas são mais complicadas que isso (o mapa inteiro é a pessoa e suas doenças), mas o regente e a casa VI têm esse significado no mapa natal e em horárias não médicas – por exemplo, se eu pergunto se vou chegar a tempo para um encontro e o planeta que impede a chegada é o regente da casa VI “não, porque você vai ficar doente”.

Os infortúnios com que o mundo nos brinda não se encerram nas doenças.

Acidentes também são assuntos desta casa.

Essa casa não tem só significados ruins.

Enquanto a casa II é a casa dos bens móveis e inanimados, a IV é a casa dos bens imóveis e inanimados, a casa VI é a casa dos bens móveis e animados: os servos e os animais pequenos.

Numa sociedade escravagista, os escravos estariam localizados aqui, também. Os “servos”, aqui, são tanto os empregados domésticos como quaisquer empregados contratados para prestar serviço (encanadores, eletricistas, pedreiros, carpinteiros, mecânicos, etc) e os subordinados / encarregados nas empresas – são as pessoas que, em tese, ao menos, devem obediência ao nativo / querente.

Outro mal-entendido nesta casa é que ela significaria o trabalho da pessoa, o que não faz sentido nenhum.

O argumento básico dessa alegação é que o serviço, antigamente, era mais parecido com a escravidão.

O problema é que essa casa não é a casa da escravidão, mas dos escravos – não são as coisas que oprimem de cima, mas que incomodam de baixo (suas doenças, seus animais de estimação que adoecem, fazem cocô na sala e pedem atenção constante, o pedreiro que não quer trabalhar mas quer dinheiro, o assistente que quer seu cargo, etc).

Além disso, a astrologia natal era coisa de reis e aristocratas. Os nativos estavam, por assim dizer, no topo da cadeia alimentar, não eram servos nem estavam oprimidos por atividades degradantes de forma nenhuma.

Enfim, em mapas mundanos, eles mostram, além dos servos do palácio, os habitantes dos campos e os fazendeiros.

Os animais significados por esta casa são descritos como “do tamanho de um bode ou menores” por alguns autores, ou “que podem ser domados” por outros.

O importante é a última definição, embora a primeira seja bastante prática. Um cachorro é seu animal de estimação num sentido em que um boi, por mais manso que seja, não é. É bom lembrar que essa divisão é específica.

Um pônei não pertence a esta casa (mas à casa XII), um dogue alemão sim.

Em astrologia médica ela significa os intestinos, as entranhas e a barriga. Dentro da casa, o quarto de empregadas, a área de serviço, o canil.

Por último, mais uma confusão. Os locatários são mencionados em alguns textos antigos como pertencentes a esta casa. Não são mais. Não foi a astrologia que mudou, mas sim a situação do aluguel. Hoje em dia, é o contrato entre duas pessoas livres, sem que uma seja subordinada à outra (casa I – casa VII).
Antigamente, o locatário vivia nas terras do senhorio, que lhe era superior e a quem ele devia obrigações e serviço.

O co-significador dessa casa é Mercúrio, que portava o caduceu e já foi identificado com Asclépio, tendo significação óbvia em assuntos de doenças.
Além disso, ele é o regente natural dos servos – e (tanto como Hermes quanto como Loki, dois deuses de características mercuriais) o causador de problemas e infortúnios.

Marte tem seu júbilo nesta casa. O pequeno maléfico está bastante feliz, causando problemas, ferindo pessoas, mas também usando a espada para consertar o mal do mundo. Por outro lado, Marte é o regente natural de cirurgias.


CASA VII – o descedente

Chegamos ao ângulo do oeste, a terceira casa cardinal.

É a primeira casa que vamos investigar que é oposta a outra que já falamos.

Por ser oposta à casa um, “eu”, ela é a casa do “outro”. Assim, ela é a casa mais cheia do céu.

Ela significa os cônjuges, os namorados, os amantes, os noivos, os pretendentes – mesmo se a pessoa for apenas um candidato ao papel, ou uma possibilidade (em perguntas horárias do tipo “Fulano me ama?”, Fulano é casa VII, por exemplo).

Significa também os parceiros, não só no sentido amoroso – os parceiros comerciais, os sócios, os co-celebrantes de algum contrato. Os parceiros comerciais nem sempre têm o nosso interesse em mente, como os bancos, também significados por esta casa, deixam claro.

Como é a casa que faz oposição à casa I, significa as pessoas que se opõem ao seu regente, seus inimigos declarados. É importante a gente lembrar que é a natureza do ataque do inimigo que o classifica em declarado ou oculto. Um ladrão, mesmo que você não saiba quem é, pertence à casa VII, o roubo é um ato bastante claro de inimizade. O feitiço (ou, falando de forma moderna, a “dominação psíquica”) é assunto da casa XII, dos inimigos ocultos, mesmo que seja feita pelo famoso Dr. Fulano Maluco. É sempre bom lembrar que, nos vilarejos medievais, todo mundo sabia quem era a bruxa, mas a bruxaria continuava sendo assunto da casa XII.

Os candidatos à mesma vaga que a pessoa significada, os adversários no tribunal, os oponentes numa luta ou numa disputa esportiva, no xadrez ou no pôquer, o dono da casa de apostas (seu adversário na aposta), o time rival (“eles”, em “nós ou eles”).

Em mapas de eventos esportivos, ela significa os azarões.

Em mapas mundanos, os inimigos da cidade ou país.

A casa sete também significa qualquer pessoa que não seja melhor descrita por outra casa (ou seja, não seja irmão, pai, filho, servo, professor, chefe, amigo ou inimigo oculto da pessoa significada pela casa um, por exemplo).

Como significa pessoas em geral, significa também o respeitável público: os clientes, existentes ou em potencial.

Profissionais em ação, como um médico em uma situação médica determinada, ou um astrólogo em uma investigação astrológica, pertencem a esta casa porque, neste caso, são os “parceiros” da pessoa – são quem está ajudando a pessoa a tratar desse problema concreto. Astrólogos, médicos, advogados, por si mesmos, são assunto de outra casa, a IX.

O veterinário também é nosso parceiro no tratamento do nosso bichinho de estimação e é significado por esta casa. Ele não é o parceiro do bichinho, não é o bichinho que resolveu se tratar.

Os colegas de trabalho são normalmente significados por esta casa (“pessoas comuns” ou, dependendo do trabalho, “adversários declarados”), bem como os colegas de universidade, enquanto os colegas de escola, por não termos escolha nenhuma sobre eles, podem ser significados pela casa três.

Em astrologia médica, a casa VII significa o sistema reprodutor e o sistema urinário, bem como a parte inferior das costas.

Na casa, ela significa o quarto do cônjuge, se este for diferente da da pessoa que pergunta, ou as suas dependências, ou a parte oposta à porta de entrada. Dentro de um quarto, o local oposto à porta.

A co-significadora desta casa é a Lua. Ela é a significadora natural das pessoas comuns, do povo, e das esposas e mães. Além disso, o Sol nasce no ascendente; a Lua enche ao se opor ao Sol.


CASA VIII

Casa sucedente.

Outra casa que dá margens a alguns desentendimentos.

Esta é a casa da morte. Morte física, fim da vida, corpo sendo enterrado, alma indo para onde deve ir, ou – segundo a fé do leitor – lugar nenhum.

Não é “experiência transformadora”, “liberação”, “evolução espiritual”, ou “ascensão”. Qualquer que seja a crença do astrólogo sobre o que acontece após a morte, não pode modificar a existência dela.

A morte é parte inescapável e importante da vida, não faz sentido ela sumir do mapa.

Essa casa não está ligada, de forma nenhuma, de jeito nenhum, em nenhuma circunstância, com o sexo. É engraçado que seja eu, católico, que tenha que explicar isso, mas sexo é fundamentalmente bom, normalmente bastante agradável e o comum é que pessoas não morram no final.

A associação com a morte faz com que essa casa também esteja ligada com heranças, com dinheiro de mortos de forma geral. No entanto, quando vamos investigar a herança de uma pessoa determinada, temos que olhar a casa das posses da pessoa, viva ou não, não a casa oito.

Sendo uma das piores casas do céu, a oitava significa também medo e angústia – os planetas não estão (a menos que o contexto sugira outra coisa) felizes ali. É uma casa sucedente – ou seja, não está caindo de ângulo nenhum - mas bastante ruim, quase tanto quanto a XII e tão ruim ou pior que a VI, que são cadentes.

Um significado derivado importante desta casa, não necessariamente ruim, é o dinheiro. Sendo a casa dois a partir da sete, ela é o dinheiro, ou as posses móveis, dos outros, do cônjuge, do parceiro comercial, do inimigo declarado, dos clientes.

Sendo a casa oposta à dois, é a casa por onde a comida sai – ela representa, em astrologia médica, o sistema excretor e o ânus.

Nas casas, os banheiros e os toaletes, por onde a comida sai e onde a sujeira é removida.

Seguindo a ordem caldaica dos planetas, temos Saturno de novo como co-significador.

Saturno é, na mitologia greco-romana, o deus das portas; ele está ligado aos limites, às fronteiras, ao fim. Ele rege a porta de entrada na vida, a casa um, e sua porta de saída.


CASA IX 

Casa cadente.

Vimos a casa III, a das viagens curtas e da comunicação básica.

Esta é a casa oposta a ela; a casa das viagens longas e do ensino superior, dois aspectos da mesma viagem que interessa – a viagem na direção de Deus.

O sentido primário da casa é a viagem final, a peregrinação maior, o que acontece depois da morte.

É a casa da religião, dos templos (casas de religião), das viagens longas (releia o que disse sobre viagens “longas” e “curtas” quando expliquei a casa três). Um feriado na cidade do lado é casa IX, a reunião semanal no outro lado do mundo é casa III), do estudo superior (qualquer coisa além do ensino mais básico – ler, escrever, as quatro operações fundamentais), universidades (casas de estudo superior) e, por extensão, das pessoas instruídas – médicos, professores, escritores, astrólogos, médicos, advogados.

Não podemos confundir as situações. O advogado é casa nove em si, como por exemplo na pergunta horária “esse advogado é bom?”. Como seu parceiro numa situação concreta, é casa VII. No tribunal, é seu segundo, seu preposto, é casa II. O mesmo vale para os outros. Numa situação concreta, num tratamento de uma doença, o médico é casa VII. Numa pergunta “o médico vem aqui amanhã?”, ele é casa IX.

A casa IX pode ser considerada como o assunto de que a casa III fala; ou a casa III é a expressão terrena, mundana, da casa IX.

Ela também significa sonhos (no sentido literal, aquilo que acontece quando dormimos).

Seguindo a ordem dos planetas, a casa é co-significada por Júpiter, o planeta dos religiosos. Ele também é o júbilo do Sol, o planeta de Deus – e a imagem do Sol na nove sendo refletido pela Lua na três explica muito da dinâmica dessas casas, do Espírito sendo refletido na alma, que é o motor da comunicação.

Dentro da casa, o estúdio, a biblioteca (locais de estudo), a capela, o oratório, a sala de meditação (locais de religião).

Em astrologia médica, ela significa as ancas e os quadris, até as coxas.

É uma casa benéfica, mas, por ser cadente, os planetas nela não têm muita força para agir – ao menos, em comparação com os ângulos.


CASA X – o meio do céu

Na ordem das casas, a última cardinal. O ângulo do sul, o topo do mundo, a parte mais alta do céu; o Medium Coeli.

As significações mais claras são devidas a esta posição no mapa.

Ela significa reis, juízes, patrões, senhores, pessoas em posição de autoridade, quem tem poder sobre o querente/nativo, em questões de compra/venda de terrenos, o preço deles; em questões de campeonato, o campeão.

O significado é sempre de quem está no trono, seja o trono do juiz, do rei, do chefe de repartição ou do preso mais forte dentro da cela.

Em questões médicas, é o tratamento da doença.

É a casa oposta à quatro e, portanto, significa a mãe.

Sendo o ponto mais alto do mapa, também significa magistério, profissão, honra pública – o agir no mundo, o pequeno pedaço da realidade no qual nós somos o rei. O casamento antigamente era algo relacionado à casa X (ascender socialmente, ser casado era mais nobre que ser solteiro), antes de virar assunto de casa VII.

É uma das casas que concede maior oportunidade de ação para os planetas, é uma casa bastante benéfica, mas ela também tem um ponto bastante negativo associado.

Ela é o ponto mais alto do mapa. De lá, só há uma saída, para baixo. Então, ela (principalmente sua cúspide) carrega esse significado de “fim da subida”.
Em astrologia médica, significa os joelhos.

Dentro da casa, o escritório, o salão formal, o sótão.

O seu co-significador é Marte, novamente, a energia necessária. Se na casa III é a energia para as atividades básicas, na X é para desempenhar nosso papel no mundo, defender nosso pequeno império.


CASA XI

Casa sucedente.

Se a casa V é a dos prazeres, das coisas agradáveis que vem do mesmo nível que nós (e, às vezes, de baixo), a casa XI é o bem que vem do alto. É a casa dos amigos, das bênçãos do alto, dos desejos e esperanças.

Amigo, aqui, não é contato de Facebook, parceiro ocasional de boteco, ou colega de faculdade.

Amigos são os canais pelos quais as bênçãos do céu caem sobre nós; é por isso que a literatura, religiosa ou não, é unânime em dizer que são poucos, raros e preciosos. É quem nos empresta dinheiro quando estamos mal, quem se arrisca por nós e quem pega em armas para nos defender, não quem divide uma cerveja gelada, ou dá “curtir” numa foto bonita.

Ou seja, é quem se dispõe a perder algo por nós, e por quem nós nos dispomos a perder algo, de forma livre. Não estamos ligados a eles nem por parentesco, nem contrato.

Enquanto os sonhos (aquilo que vem até nós quando dormimos) são assunto da casa IX, as esperanças, os desejos, os sonhos no sentido de “Eu tenho um sonho” do Martin Luther King, são daqui.

Esta é a casa a ser investigada em caso de loteria (“dinheiro do céu”).

Seu significado derivado mais importante é ser a casa dois da dez. Ela significa, desta forma, o salário (“dinheiro do patrão”, ou “dinheiro do emprego”) e vistos e autorizações (“presentes do rei”).

Ela significa, também, a nora, esposa do filho.

Em astrologia médica, ela significa as canelas (a parte da perna entre os joelhos e os pés).

Ela é co-significada pelo Sol e é o júbilo de Júpiter, fazendo um paralelo bastante interessante com a casa IX. Lá é a verdade do alto (casa X), o movimento ascendente na direção de Deus; aqui, são as bênçãos, a graça, o que cai do céu na nossa direção.


CASA XII

A última casa cadente.

Aqui chegamos no fim das casas – e no seu membro mais infame. Morin reserva os piores termos da sua descrição para ela, que era chamada de Malum Daemon.

Pode ser um consolo, ou uma fonte de mais temores, o fato de que esta casa seja considerada pior do que a casa da morte.

O fato é que ela reúne algumas das piores significações, e é considerada a casa mais restritiva do céu – planetas nela têm menos força para agir do que em qualquer outra casa.

Isso deriva de ela ser a casa cadente do ascendente. Além de estar caindo da casa mais importante do céu e de não fazer nenhum aspecto com ela, a XII representa a tentação do orgulho – a tentação de subir, em vez de fazer o movimento correto, menos difícil e menos brilhante, de descida.

Os antigos pais da Igreja diziam que o orgulho é a raiz dos vícios; e os vícios,
o pecado, o autossabotamento, os males que provocamos a nós mesmos, são significados por esta casa.

Enquanto a casa VI é a casa dos males do mundo, pelos quais não temos culpa,
o culpado pelos males da XII é o nosso maior inimigo oculto, “eu”.

Por extensão, ela é a casa dos outros inimigos ocultos, daqueles que atacam sem que a pessoa consiga ver – as bruxas, os ataques psíquicos, o domínio mental, e formas mais corriqueiras e menos fantásticas de ataques, como a difamação, a fofoca, a carta anônima ao chefe, o telefonema sem identificação à mulher.

Por isso, é a casa dos inimigos ocultos – ela não faz aspecto com o ascendente. A casa VII é oposta à I, o ascendente a vê muito bem, enquanto a XII está grudada ao lado, fora do campo de visão.

Ela é a casa das prisões, dos confinamentos, das restrições da vida, por espelhar aquela prisão primeira que o auto-sabotamento nos encarcera, a prisão do pecado e do vício.

Os dois significados não são excludentes de forma alguma; grande parte dos habitantes das prisões está lá por ter se entregue às próprias tentações, enquanto mais de um deles aprendeu alguns vícios novos na sua estadia forçada.

Ela não significa hospitais, que não são locais de confinamento, mas de tratamento (casa VI).

Sendo oposta à casa VI, também significa os animais maiores que um bode, ou animais que não podem ser domados. Um cavalo nunca obedece ao seu dono com tanta devoção quanto um cachorro, nem é tão íntimo. Especialmente, principalmente, um animal de casa XII é sempre perigoso. Ser chifrado, pisoteado, arrastado, etc, são sempre riscos, mesmo para os animais “domésticos”.

Os grandes animais (cavalos, bois, camelos, elefantes) ecoam o princípio por trás da casa XII e de seus males: os desejos. São como o mar, que nunca é completamente pacificado, nem sem riscos.

Vênus é a co-significadora desta casa. Se na casa V tínhamos a parte mais agradável de Vênus, aqui temos as conseqüências desagradáveis de a tornar mestra das nossas ações. Aqui é o lugar das diversões auto-destrutivas.

O júbilo de Saturno é na XII.

Primeiro, junto com o júbilo de Marte, ela faz um corte (diabólico, no sentido mais profundo da palavra, de “diabolos”, o que separa) no mapa, quadrando o eixo III-IX (do júbilo da Lua e do Sol). São as duas fontes de infortúnio (o mal externo e o mal interno) cortando nossa comunicação com Deus. A que nos afasta do caminho dele pelo desespero (VI) e a que nos afasta pelo descontrole (XII).

Além disso, Saturno é o planeta das privações, da limitação – portanto, das prisões e dessa grande prisão para a alma, que é o pecado. Por outro lado, as qualidades saturninas são as necessárias para escapar dos vícios.

Em astrologia médica, a XII rege os pés, o fim das casas rege o fim do corpo.
Na casa, ela significa o estábulo e, por extensão, a garagem. O quarto em que guardamos as tranqueiras.

Os problemas mentais – vistos, ao mesmo tempo como problemas ocultos (doenças que não se vê nem se percebe fisicamente) e como autossabotamento (problemas causados pela própria mente) – são significados por esta casa. É daqui que vem a conexão da casa doze e da psicologia, são os males desta casa que psicólogo trata.

É importante ter bastante segurança ao identificar um determinado assunto em uma das doze casas; este é um dos maiores motivos de erro na astrologia. Se olharmos a casa errada, estamos procurando uma coisa no lugar em que ela não está; qualquer acerto seria fortuito.



Marcos Monteiro, Introdução à Astrologia Ocidental, Edição do Autor, 2013.

O livro pode ser adquirido aqui:
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quinta-feira, 22 de junho de 2017

Aspectos - Os Planetas se Movem, por Marcos Monteiro

Vamos falar de ação.

Os sete astros que consideramos como agentes no nosso modelo celeste se movem, cada um num passo diferente. À medida que se movem, eles se observam, se encontram e se opõem; essas interações simbolizam os eventos – ou, pelo menos, as oportunidades de evento – terrestres.

Esse capítulo vai repetir um pouco o que expliquei sobre os planetas, mas é necessário.


O Senhor dos Planetas

O Sol se move sempre mais ou menos na mesma velocidade e sempre, é claro, sobre a eclíptica, no meio do Zodíaco. Seu movimento é sempre da ordem comum dos signos.

A velocidade do Sol é em torno de 59' de grau por dia.


A Senhora do Céu

A Lua se move bem mais rápido que o Sol. Sua velocidade média é de 13º11' por dia, mas pode chegar a menos de 11º, ou avançar a mais de 15º, por dia.

Mesmo com essa variação, ela sempre está muito mais rápida que qualquer outro corpo.


A Lua e sua Dança – os Nodos Lunares

Outro movimento que a Lua apresenta é a variação de latitude celeste. Ela não se movimenta sobre a eclíptica, mas vai até o extremo norte da faixa do Zodíaco, retorna, cruza o círculo do Sol, avança até o extremo sul, retorna, cruza a eclíptica de novo, volta a se afastar para o norte, etc.

Esse movimento forma dois pontos opostos – o ponto de cruzamento entre as trajetórias da Lua e do Sol. Estes dois pontos são o que chamamos de Nodos Lunares.

O ponto no qual a Lua cruza a eclíptica indo em direção ao norte é o Nodo Norte (chamado também de Cabeça do Dragão). O ponto oposto, quando ela vai em direção ao Sul, é o Nodo Sul (a Cauda do Dragão).

Estes pontos são importantes, em primeiro lugar, porque é na proximidade deles que ocorrem os eclipses.

Se o Sol e a Lua se encontrarem longe dos Nodos, a Lua estará com latitude alta o suficiente para não se interpor ao centro do Sol. Assim, vamos ter uma Lua nova, quando a luminosidade do astro-rei a ofusca.

Da mesma forma, se eles se opuserem longe dos Nodos, o Sol ilumina completamente a Lua e temos uma Lua cheia.

Quando isso acontece perto dos Nodos, a Lua está alinhada com o Sol.
Quando estão juntos, ela bloqueia sua luz, temos o eclipse solar; quando estão opostos, a Terra bloqueia a luz, e temos o eclipse lunar.

O significado desses pontos, em resumo: o Nodo Norte está ligado à expansão, aumento, liberação, elevação, e o Sul à contração, diminuição, restrição, rebaixamento.


Perto do Sol – Mercúrio e Vênus

Há mais dois planetas com o movimento muito obviamente atrelado ao do Sol.

A velocidade média de Mercúrio é a mesma do astro-rei, 59' por dia, mas ele raramente anda neste passo.

Mercúrio se afasta do Sol, no máximo, a pouco menos de um signo. Quando chega a este ponto, ele está parado, a velocidade zero. Ele muda de direção, começa a se aproximar do Sol a velocidade crescente. Quando se encontra com o Sol, sua velocidade é máxima, podendo chegar a dois graus por dia. Ele desacelera a partir daí, a princípio muito pouco, mas quando chega à distâncias próximas de um signo, desacelera, para, e reinicia o movimento no sentido contrário.

Estar parado é o que chamamos de estar estacionário. Quando o movimento aparente planeta é na direção contrária dos signos, dizemos que ele está retrógrado.

Assim, a velocidade máxima de Mercúrio é de 2° por dia, mas pode ser positiva ou negativa. Quando ele está andando a menos de 20' por dia é considerado lento, acima de 01°30' minutos, rápido.

O movimento de Vênus é bastante parecido. Só que ela se afasta mais do Sol, e nunca chega a mais de 01°30' por dia. É considerada lenta quando anda a menos de 15' por dia, e rápida quando está a mais de 01°10'.


Lentos e Superiores – Marte, Júpiter e Saturno

Os três planetas têm uma maior independência do Sol. Eles mudam de direção por causa do Sol, mas podem estar a qualquer distância dele no zodíaco.

Marte anda com velocidade média de pouco mais de meio grau (31') por dia. É considerado lento quando está abaixo de 10', e rápido quando se desloca a mais de 40' diários. Ele também para e muda seu sentido (ou seja, ele também fica estacionário e retrógrado).

Júpiter anda a uma velocidade média de 05' minutos, é considerado lento a menos de 03' e rápido a mais de 12', em qualquer sentido do movimento.

Saturno, o mais lento dos sete, anda normalmente a 02' por dia. Qualquer coisa abaixo disso, em qualquer sentido, o deixa lento; acima de 06' por dia, ele está rápido.

Essas classificações de planetas rápidos e lentos são apenas generalizações didáticas. Não há um consenso com precisão absoluta sobre esses limites, e não há necessidade disso, porque a intenção é sempre comparar os planetas uns com os outros e comparar as velocidades de um mesmo planeta em momentos diferentes.

A velocidade real (em vez da média) dos planetas deve sempre ser conhecida, porque ela nos diz se um planeta, quando parece estar saindo de um signo, vai sair realmente ou está prestes a ficar estacionário, retrogradar e voltar pelo mesmo caminho que veio.

Também precisamos saber a velocidade real deles para saber se os encontros entre os planetas vão acontecer ou não.

Vamos falar sobre esses encontros agora.


Conjunções

Vimos no capítulo 12 que há relações entre os signos que chamamos de aspectos.

Não pode haver aspecto, é claro, entre um signo e ele mesmo. No entanto, dois planetas estarem no mesmo é algo importante, pelo mesmo motivo que estarem em signos que façam aspectos é importante – estão nas mesmas condições.

Em tese, dois planetas que estejam no mesmo signo, em qualquer grau, estão em conjunção (chamada também de cópula ou sínodo).

Na prática, quando mais próxima for a conjunção, mais relevante ela é. Isso vale para os aspectos entre planetas, também.

Também há uma grande diferença entre uma conjunção que vai acontecer no futuro (quando o movimento dos planetas nos diz que eles vão se encontrar no mesmo grau, minuto e segundo de grau), e uma que já aconteceu (quando o movimento dos planetas nos diz que eles já se encontraram e estão se separando).

O primeiro caso é chamado de conjunção aplicativa. O segundo, conjunção separativa. Se o primeiro caso significa eventos – ou oportunidades – futuros, e o segundo significa eventos passados, é claro que o evento é significado pelos dois planetas exatamente no mesmo ponto do zodíaco. Este momento é chamado de conjunção perfeita.

Quando estamos falando de influência de um planeta sobre o outro, basta estarem no mesmo signo, embora, a partir de uma dada distância, o efeito seja desprezível. Se estivermos pensando num evento, pelo contrário, ele só acontece se a conjunção, em algum momento, ficar perfeita.

Se um dos planetas ficar retrógrado e voltar antes de levar a conjunção à perfeição, ou se um dos planetas mudar de signo antes que a conjunção ocorra, ela não aconteceu. O evento simbolizado não ocorre.

Isto é importante, porque vale também para os aspectos.

Conjunção só ocorre no mesmo signo. Se um dos planetas mudar de signo, ela não acontece. Se o outro mudar de signo também e encontrar com o primeiro, vai acontecer outra conjunção, no futuro, entre os dois planetas, mas essa conjunção, no primeiro signo, não aconteceu. Se, dependendo do contexto, da área astrológica, do que estamos analisando, vamos considerar essa segunda conjunção ou ignorá-la, é outra história; mas a primeira não aconteceu.

O que a conjunção significa?

Literalmente, estar junto.

Isso é bom ou mau?

Depende do contexto. Não há como saber em abstrato. Encontrar minha amada e encontrar o meu assassino são eventos bastante diferentes em termos do quanto eu vou gostar e do que vai acontecer comigo, mas ambos são conjunções.


Combustão e Cazimi

Há duas conjunções especiais, que na maior parte dos casos têm uma significação mais bem definida.

Estar conjunto ao Sol normalmente é bem ruim para o outro planeta. A menos de 8 graus e meio do Sol, dizemos que o planeta está combusto (que quer dizer o que parece: está esturricado, queimado).

Pela natureza do Sol, a combustão carrega o sentido de destruição, anulação, ocultação e cegueira.

Quando um planeta está combusto e com muita dignidade essencial (no próprio domicílio ou exaltação), a combustão não tem essa conotação ruim, se assemelhando a uma conjunção comum, mas o sentido de cegueira – a depender do contexto – permanece.

Há uma pequena faixa de alívio neste deserto solar. Quando um planeta está a menos de 17 minutos e meio do Sol, ele está cazimi ou no coração do Sol. De novo, ele significa o que parece. A ideia aqui é que o planeta está nas graças do rei, e fica protegido de qualquer efeito ruim da proximidade com ele. Ele não se torna o rei, é lógico, mas abaixo dele, ele pode fazer o que quiser.

Eu acho que os capítulos sobre o céu e sobre os planetas deixaram claro a posição de primazia do Sol com relação aos outros planetas. Isso é bastante fácil de ver aqui. Quando mais próximo do Sol (sem estar cazimi, lógico), pior para o planeta; mesmo quando está fora da faixa de combustão, ele ainda é considerado como estando Sob os raios do Sol até que se afaste dele mais de 17 graus.

Isso vale para quando ambos estão no mesmo signo. Estar à uma distância do Sol equivalente à combustão, mas em signos diferentes, é estar sob os raios do Sol. O planeta pode estar sob os raios do Sol e em signo diferente, mas o efeito é bem mais fraco.

Essas distâncias não são gratuitas. O disco solar tem um diâmetro aparente médio de 35 minutos de grau no céu; seu raio, então, é de 17 minutos e meio.


Aspectos – estamos só olhando

Dois planetas que estejam em signos que fazem aspecto estão, em tese, em aspecto. Quando algum autor antigo menciona que dois planetas se observam (o termo em inglês é “beholding”), é disso que está falando.

No entanto, embora isso possa ser relevante em alguns casos, queremos saber de eventos, ou influência próxima. Aqui, vale exatamente o que falei para as conjunções.

Aspectos que vão acontecer no futuro são aplicativos. Aspectos que já aconteceram são separativos. Aspectos são perfeitos ou exatos quando acontecem. Se alguma coisa impedir o aspecto de chegar à perfeição, ele não aconteceu.

Eles são bons ou maus?

De novo, a pergunta não faz sentido (com uma exceção, vamos ver abaixo).
O que vai nos dizer se um aspecto é bom ou mau é o contexto. Eles podem ser classificados entre fracos e fortes, e entre fáceis e difíceis. O raciocínio por trás disso está no capítulo 12.

O sextil é fraco e fácil. É o mais fraco dos aspectos.

A quadradura é medianamente forte e difícil. Os eventos significados por ela não têm, a princípio, nada de ruim, mas – dependendo do contexto e do nível – podem ter alguma dificuldade ou atraso envolvidos.

O trígono é forte e fácil. Os planetas estão no mesmo elemento, a conexão é quase tão fácil quanto uma conjunção. Mas uma conexão fácil com o sujeito que vai roubar minha carteira não me deixa feliz, nem tem um desfecho positivo.

E a exceção?

A oposição. Ela é forte e extremamente difícil. Os eventos significados por ela, por tanto, não acontecem, ou acontecem de forma desfavorável, ou ainda acontecem e algo ruim acontece em seguida.

Desta forma, a menos que o contexto dê um bom motivo para ignorar uma dificuldade tão grande, este aspecto é difícil e ruim.


Aspectos “novos”

Como eu disse no capítulo 12, os signos não têm afinidade com os signos adjacente a eles e os adjacentes aos signos opostos a eles. Assim, aspectos entre planetas que estejam em signos adjacentes (ou entre um signo e um signo adjacente ao postos) não existem porque os signos não estão em aspecto.

Da mesma forma, um ângulo que una dois planetas que estejam em signos que fazem sextil não é um aspecto porque o único que eles podem fazer é o sextil.

Ou seja, os “aspectos Keplerianos” são divisões interessantes do Zodíaco, mas não são aspectos.

Latitude. Conta?

Não mencionei a latitude (distância entre os planetas medida perpendicularmente à eclíptica, em vez de medida ao longo da eclíptica), exceto quando falei dos nodos.

Isso é porque ela não é importante neste contexto.

Como eu disse no começo do livro, o simbolismo da eclíptica é claro. É o Sol, símbolo do Criador, atualizando ou lembrando as possibilidades da criação, ao longo dos signos. A posição com relação ao passo do Sol é extremamente importante, independente da latitude; estrelas bastante longe da eclíptica (mais de vinte graus fora do Zodíaco, por exemplo) são importantes, para se ter uma ideia. Não há motivos para desprezar aspectos entre planetas, que nunca se afastam mais de 10 graus da eclíptica, por causa da latitude.

Isso vale para a posição Cazimi, também, embora alguns autores importantes discordem. Estar no mesmo hemisfério celeste que o Sol é o bastante para deixar o planeta invisível; não são alguns grau de distância da eclíptica que fariam alguma diferença; o importante é estar naquele grau da trajetória do Sol exatamente junto com ele, a comunhão exata com relação às possibilidades do Cosmos.

O que posso apresentar como justificativa além do que disse acima é que, na minha experiência, Cazimi funciona independentemente da latitude.

A única exceção mencionada neste capítulo são os eclipses, e é fácil ver porquê. A Lua e o Sol têm discos visíveis no céu (o disco máximo normal da Lua é do mesmo tamanho que o do Sol, 35'); se eles não estiverem próximos em latitude, um não se interpõe ao outro e o eclipse não ocorre. Não faz nenhuma diferença para o Sol se Mercúrio está conjunto a ele a menos de 17', ou a mais de 6 graus, de latitude, então sua disposição com relação a ele não muda; mas a latitude da Lua na conjunção com ele faz diferença na imagem que ele apresenta no céu.



Marcos Monteiro, Introdução à Astrologia Ocidental, Edição do Autor, 2013.

O livro pode ser adquirido aqui:
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sexta-feira, 9 de junho de 2017

Aspectos, Fundamentos, por Marcos Monteiro

Este é um assunto que normalmente é tratado junto com os planetas, o que causa algumas confusões. O fundamento dos aspectos (e da conjunção. Vamos ver o que são abaixo) está na relação entre os signos, que é o que vamos ver, ou rever, agora.

Os signos não se sucedem no zodíaco de forma aleatória. O frio e o calor se alternam a cada signo (ou seja, Áries é quente, Touro é frio, Gêmeos quente, Câncer, frio, etc.). A umidade e a secura se alternam a cada dois signos (Áries e Touro são secos, Gêmeos e Câncer são úmidos, Leão e Virgem secos, etc.).

Essa alternância em dois passos diferentes faz com que os elementos sempre se alternem na sequência fogo-terra-ar-água. Além disso, ela faz com que os signos do mesmo elemento estejam sempre em distâncias de 120º entre si, ou seja, os elementos estão dispostos em triângulos equiláteros. É por isso que os signos de um mesmo elemento são chamados de triplicidades: Áries, Leão, Sagitário são a triplicidade do fogo, Touro, Virgem e Capricórnio a triplicidade da terra, Gêmeos, Libra e Aquário, a triplicidade do ar, e Câncer, Escorpião e Peixes, a triplicidade da água.

Ou seja, para qualquer signo, os outros signos que têm mais afinidade elementar com ele são sempre os quintos signos, nas duas direções, a partir dele. Ele partilha a mesma qualidade ativa (calor ou frio) com os terceiros signos nas duas direções a partir dele e com o signo que está oposto a ele no zodíaco.

Por exemplo, os signos com maior afinidade elementar com Áries (primeiro signo do Zodíaco) são Leão (o quinto signo) e Sagitário (o nono; na ordem inversa ao dos signos do Zodíaco, o quinto a partir de Áries, ou, o quinto na ordem correta a partir de Leão).

Ele é quente, assim como Gêmeos (o terceiro signo a partir dele), Aquário (o terceiro signo na ordem inversa) e Libra (signo oposto a ele); além, claro, de Leão e Sagitário, já mencionados.

Os signos adjacentes a ele, ao contrário, são frios (Peixes e Touro); os adjacentes ao signo oposto a ele, também (Virgem e Escorpião) são frios.

Esses signos não têm afinidade.
Se inserirmos os modos, as coisas ficam mais interessantes. As triplicidades são complementares.

Áries é cardinal, Leão é fixo e Sagitário mutável. A triplicidade do fogo esgota os três modos.

Isso também acontece com um signo e os terceiros signos a partir dele em qualquer direção, embora o elemento mude. Áries é cardinal, Aquário é fixo, Gêmeos é mutável.

Ainda há alguma complementaridade da qualidade ativa.

Os signos adjacentes não se complementam porque embora cada um seja de um modo (Áries cardinal, Touro fixo, Peixes mutável), não há uma qualidade que seja partilhada pelos três. A mesma coisa acontece se agrupamos o signo com os adjacentes ao signo oposto.

Com os signos opostos, no entanto, não há complementaridade. Eles têm a mesma qualidade ativa e o mesmo modo, sempre (Áries e Libra são quentes e cardinais. Touro e Escorpião, frios e fixos; Gêmeos e Sagitário, quentes e mutáveis, etc.).

Como cada modo aparece quatro vezes, ele une dois pares de signos opostos, com uma particularidade. Qualquer signo tem a qualidade ativa oposta ao dos signos em ângulos retos a ele.

Por exemplo, Áries e Libra (quentes) têm o mesmo modo que Câncer (frio) e Capricórnio (frio).

Os signos opostos, além disso, estão sempre em situações opostas no céu. Quando um surge no céu, o outro está se pondo. Quando um está no meio-céu, o outro está no fundo do céu. Se um está acima do horizonte, o outro está abaixo, e por aí vai.

Essas relações não são da mesma natureza.

Os signos do mesmo elemento parecem ter uma relação fácil e forte.

Os signos distantes entre si dois signos parecem ter uma relação também fácil, mas bem menos forte.

Os signos em ângulos retos parecem ter uma relação forte, mas difícil, são estranhos um ao outro.

Os signos em oposição parecem ter uma relação extremamente ruim, complicada, difícil.

Signos adjacentes ou signos e os signos adjacentes ao oposto parecem não ter relação nenhuma.

À relação entre signos do mesmo elemento, distantes entre si 120°, chamamos de trígono. Os signos estão em trígono e qualquer coisa dentro de um deles está em trígono com qualquer coisas em um dos outros (isso é verdadeiro para todas as relações que vou mencionar).

À relação entre os signos distantes 60° entre si chamamos de sextil.

Chamamos de quadratura a relação entre os signos em ângulo reto, distantes 90° entre si.

Chamamos de oposição a relação entre os signos opostos, distantes 180°.

Estas relações são chamadas de aspectos, que vem de “aspectare”, observar, em latim. Vamos ver isso mais tarde, mas os planetas, simbolicamente, emitem luz (não estamos falando da luz física): emitem a sua essência. Essa luz é filtrada, ou modificada, pela natureza dos signos em que estão. Então, os planetas só captam a luz um dos outros – só se observam – se estiverem nos signos corretos, que tenham essas relações, esses aspectos.

Vou voltar aos aspectos depois que virmos os planetas, mas isto tem que estar claro: aspectos são, antes de serem entre planetas, entre signos. Não há aspectos se os signos não tiverem alguma relação.

Desde o Renascimento, se fala de outros aspectos além desses, que usam outros ângulos. Quando temos em mente esta noção das qualidades dos signos, vemos que esses aspectos novos não são aspectos de verdade, mas divisões arbitrárias da eclíptica; são exercícios de geometria.

Uma coisa chamada conjunção é normalmente estudada junto com os aspectos, mas tecnicamente não é um deles. Vamos vê-la com mais detalhes no outro capítulo sobre o assunto.


Marcos Monteiro, Introdução à Astrologia Ocidental, Edição do Autor, 2013.