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sexta-feira, 21 de julho de 2017

Das dignidades essenciais dos planetas, por William Lilly

A forma exata de formar julgamento na astrologia é, primeiro, tendo perfeito conhecimento da natureza dos planetas e dos signos.

Segundo, conhecendo a força, fortaleza ou debilidade dos planetas significadores, e fazendo no vosso julgamento uma boa avaliação deles, assim como dos seus aspectos e várias interações.

Terceiro, aplicando corretamente a influência da posição do céu levantado, e dos aspectos dos planetas entre si no momento da pergunta, de acordo com as naturais (e não forçadas) máximas da arte; pois quanto mais se tenta obter um julgamento para lá da natureza, mais se aumenta o erro.

Um planeta diz-se, então, ser verdadeiramente forte quando tem muitas dignidades essenciais, as quais se conhecem por ele estar no seu domicílio, exaltação, triplicidade, termo ou decanato, no momento em que a figura é levantada. Como por exemplo:

Dignidades essenciais por domicílio - Em qualquer esquema do céu, se se encontrar um planeta em qualquer dos signos a que chamamos o seu domicílio, está então essencialmente forte, e damos-lhe por isso cinco dignidades; como Saturno em Capricórnio, Júpiter em Sagitário, etc.

No julgamento, quando um planeta ou significador está na sua própria casa, representa um homem na condição de ser o senhor da sua própria casa, patrimônio ou fortuna; ou um homem a quem faltam muito poucos bens deste mundo, ou diz-nos que o homem está num estado ou condição muito feliz; isto será verdade, a não ser que o significador esteja retrógrado, ou combusto, ou afligido por qualquer outro planeta, ou aspecto malévolo.

Exaltação - Se estiver no signo em que está exaltado, podem-se-lhe dar quatro dignidades essenciais, quer esteja perto do exato grau da sua exaltação ou não, tal como Marte em Capricórnio ou Júpiter em Câncer.

Se o significador estiver na sua exaltação e não tiver nenhum impedimento, mas estiver angular, apresenta uma pessoa de temperamento altivo, arrogante, assumindo para si mais do que lhe é devido, pois verifica-se que em algumas partes do zodíaco os planetas exibem os seus efeitos com mais evidência do que noutras; e acho que isto acontece naqueles signos e graus em que as estrelas fixas da mesma natureza do planeta são mais numerosas e estão mais perto da eclíptica.

Triplicidade — Se estiver em qualquer dos signos que são atribuídos à sua triplicidade, são-lhe dadas três dignidades; mas aqui há que ser-se muito cauteloso; como por exemplo: numa pergunta, natividade, ou semelhante, se se encontrar o Sol em Áries, e a pergunta, ou natividade, ou esquema levantado for noturno, e se se examinar as fortalezas do Sol, ele terá quatro dignidades por estar na sua exaltação, o que acontece em todo o signo; mas não terá nenhuma dignidade por estar na sua triplicidade, pois durante a noite não é o Sol quem rege a triplicidade do fogo, mas sim Júpiter, o qual, se tivesse estado no lugar do Sol, e durante a noite, teria recebido três dignidades; fazer assim com todos os planetas em geral, excetuando Marte que rege a triplicidade da água de noite e de dia.

Um planeta na sua triplicidade mostra um homem modestamente dotado dos bens e fortuna deste mundo, alguém de boa ascendência, sendo boa a sua condição de vida no momento da pergunta; mas não tanto como se estivesse em qualquer das duas dignidades anteriores.

Termo — Se qualquer planeta estiver nos graus que atribuímos aos seus termos, damos-lhe duas dignidades; assim, se de noite ou de dia Júpiter estiver a um, dois, três ou quatro, etc., graus de Áries, está então nos seus próprios termos e portanto deve ter duas dignidades; o mesmo acontece com Vênus em qualquer dos primeiros oito graus de Touro, etc.

Um planeta fortificado apenas por estar nos seus próprios termos, mostra mais um homem com a aparência física e o temperamento do planeta do que qualquer extraordinária abundância na fortuna, ou eminência na comunidade.

Decanato — Se qualquer planeta estiver no seu decanato, decúria ou face, tal como Marte nos primeiros dez graus de Aries, ou Mercúrio nos primeiros dez graus de Touro, é-lhe então dada uma dignidade essencial, pois ao estar no seu próprio decanato ou face, não pode ser considerado peregrino.

Um planeta tendo pouca ou nenhuma dignidade, mas estando no seu decanato ou face, é quase como um homem prestes a ser posto na rua, despendendo muito esforço para manter a sua credibilidade e reputação; e nas genealogias, representa uma família nos últimos estertores, bastante decadente, quase incapaz de se sustentar.

Os planetas podem ser fortes de uma outra forma, viz. acidentalmente, como quando estão diretos, rápidos de movimento, angulares, em trígono ou sextil a Júpiter ou Vênus, etc. ou em conjunção com certas estrelas fixas notáveis, conforme será posteriormente relatado. Segue-se uma Tábua de Dignidades Essenciais, através da qual com um mero golpe de vista se pode verificar a dignidade essencial ou a imbecilidade que cada planeta tem

Tem havido muita discordância entre os Árabes, Gregos e Indianos, relativa às dignidades essenciais dos planetas; quero dizer, na forma de distribuir os vários graus dos signos corretamente por cada planeta; assim se passaram muitos séculos e, até à época de Ptolomeu, os astrólogos não se resolviam sobre este assunto; mas desde a época de Ptolomeu, os Gregos seguiram unanimemente o método que ele deixou, sendo desde então e até hoje, considerado pelos outros Cristãos da Europa como o mais racional; mas atualmente os Mouros da Barbary e os astrólogos da sua nação que viveram em Espanha, diferem um pouco de nós hoje em dia; apesar disso, apresento-vos uma tábua de acordo com Ptolomeu.


O uso desta tábua

Todos os planetas têm dois signos como seus domicílios, exceto o Sol e a Lua, tendo estes apenas um cada; Saturno tem Capricórnio e Aquário; Júpiter, Sagitário e Peixes; Marte, Áries e Escorpião; Sol, Leão; Vênus, Touro e Libra; Mercúrio, Gêmeos e Virgem; Lua, Câncer. Um destes domicílios é chamado diurno, indicado na segunda coluna pela letra D. O outro é noturno, indicado pela letra N. A terceira coluna indica os signos em que os planetas têm as suas exaltações, tais como o Sol a 19° de Áries, a Lua a 3° de Touro, o Nó Norte a 3° de Gêmeos, etc., em que estão exaltados.

Estes doze signos estão divididos em quatro triplicidades. A quarta coluna diz-nos qual o planeta ou planetas que, tanto de noite como de dia, governam cada triplicidade. Assim, em frente a Áries, Leão e Sagitário encontram-se Sol e Júpiter, vir. o Sol governa durante o dia naquela triplicidade, e Júpiter de noite. Em frente a Touro, Virgem e Capricórnio, encontram-se Vênus e Lua; viz. Vênus tem domínio durante o dia naquela triplicidade e a Lua durante a noite. Em frente a Gêmeos, Libra e Aquário encontram-se Saturno e Mercúrio, os quais regem como foi dito.

Em frente a Câncer, Escorpião e Peixes, encontra-se Marte que, de acordo com Ptolomeu e Naibod, rege sozinho aquela triplicidade, tanto de dia como de noite. Em frente a Áries, nas colunas cinco, seis, sete, oito e nove, encontra-se Júpiter 6, Vênus 14, o que nos diz que os primeiros seis graus de Áries são os termos de Júpiter; dos seis aos catorze, os termos de Vênus, etc.

Em frente a Áries, nas colunas dez, onze e doze, encontra-se Marte 10, Sol 20, Vênus 30, viz. os primeiros dez graus de Áries são o decanato de Marte; dos dez aos vinte, o decanato do Sol; dos vinte aos trinta, o decanato de Vênus, etc.

Na coluna treze, em frente a Áries, encontra-se Vênus Detrimento, viz. estando Vênus em Áries, está no signo oposto a um dos seus próprios domicílios, e assim diz-se que está no seu detrimento.

Na coluna catorze, em frente a Áries, encontra-se Saturno e acima Queda, ou seja, quando Saturno está em Áries está oposto a Libra, sua exaltação, e assim encontra-se desafortunado, etc. Apesar destas questões terem já sido mencionadas na natureza dos planetas, esta tábua torna-as contudo mais evidentes à vista.




quinta-feira, 13 de julho de 2017

Dignidade Acidental, por Marcos Monteiro

No capítulo 14, vimos a relação entre os planetas e os signos em que estão: o que se chama de dignidade essencial.

Ela é chamada assim porque trata de como as qualidades essenciais dos planetas vai se manifestar: se eles estão de acordo com suas qualidades mais nobres ou não.

Isso está relacionado, por assim dizer, com a natureza da ação do planeta; mas não diz nada sobre a força dessa ação.

Um exemplo simples. Marte pode significar um soldado honrado (em Áries, seu domicílio) ou um encrenqueiro violento (em Câncer, sua queda).

Essa distinção não nos informa, no entanto, se Marte consegue cumprir sua missão. O soldado vai conseguir me defender? O encrenqueiro pode me machucar?

A força da ação nos é dada pelo que chamamos de dignidade acidental, e sua contraparte, a debilidade acidental.

A palavra “acidente”, aqui, é usada no sentido aristotélico, em oposição a “essência”, e não significa necessariamente nada ruim ou inesperado. São auxílios ou aflições que não fazem parte da essência do planeta, mas que nos dizem o quanto de força para agir (ou o quanto de dificuldades para agir) o planeta tem.

Existem muitas dignidades e debilidades acidentais, porque, pela natureza das coisas, os acidentes são variados. Vamos ver rapidamente as principais.


Posição nas casas

As casas angulares, por sua natureza, são mais reais que as outras regiões do céu: assim, quanto mais próximo de um ângulo, mais real é a influência do planeta, mais forte é a sua ação.

As casa seis, oito e doze, ao contrário, são restritivas. Os planetas nelas têm menos força de ação; eles estão afligidos nelas (doenças e adversidades, morte, prisão e vícios: os significados das casas não prometem muita ajuda).

As demais, de forma geral, são neutras.

Esse efeito diminui bastante com a distância da cúspide (se o planeta estiver no meio da casa dez, tem muito menos força que um planeta próximo do meio-céu) e com estar em signo diferente da cúspide (o limite entre os signos funciona como uma barreira, um cordão de isolamento).


Cazimi

Estar cazimi, ou no coração do Sol, é uma das dignidades acidentais mais fortes que existem: estando nas graças do rei, é possível fazer qualquer coisa - exceto, é claro, ser o rei. Então, é uma dignidade que promete quase qualquer coisa, menos a posição de domínio.

Por outro lado:


Combustão

É uma das piores aflições acidentais que existem. O planeta está queimado, destruído, oculto, aniquilado - adjetivos que normalmente não acompanham ações bem sucedidas. Estar Sob os Raios do Sol é uma aflição também, mas não tão ruim.


Oposição ao Sol

Oposição próxima com o Sol (menos de 8 graus de afastamento) é quase tão ruim quanto a combustão, sem haver um oásis comparável ao cazimi.


Estrelas fixas

A conjunção próxima com estrelas fixas benéficas (especialmente as mais fortes, como Spica ou Regulus, e que tenham natureza parecida com a do planeta) é uma dignidade acidental importante.

Da mesma forma, a conjunção com estrelas fixas maléficas, como Algol ou Antares, ou que signifiquem aflição grave dentro do contexto, é uma debilidade acidental grave.


Velocidade

Aqui não estamos falando da velocidade média, nem da velocidade normal, dos planetas.

A dignidade é estar mais rápido que o normal. A Lua é sempre mais rápida do que os outros planetas, mas isso não importa. No entanto, se ela estiver bastante mais rápida do que a sua própria velocidade normal, ela está acidentalmente dignificada.

A única exceção é Saturno. Estar mais rápido que o normal não é bom para o planeta da lentidão.

Estar muito mais lento que o normal é debilitante.

Estar estacionário - parado, com velocidade zero - é uma debilidade grave.

Estar retrógrado normalmente é considerado uma aflição grave; mas isso depende muito do contexto. Se o planeta significa um filho perdido, ele estar voltando é uma coisa boa.


Júbilo

Eu mencionei essa dignidade quando falei das casas.

Todo planeta tem seu júbilo em uma das casas. É uma casa na qual o planeta se sente bem, por assim dizer, porque as atividades da casa têm alguma semelhança com as atividades que o planeta significa.

O júbilo da Lua é a casa três; a do Sol, a nove. Vênus tem seu júbilo na cinco, Júpiter na onze. O júbilo de Marte é a casa seis, o de Saturno, a doze. Mercúrio tem seu júbilo na casa um.

Estar na casa contrária ao próprio júbilo é uma aflição.


Aspectos próximos

Aspectos próximos de planetas com muita dignidade essencial são benéficos; aspectos próximos de planetas debilitados são maléficos. Oposições, de forma geral, são maléficas.

Isso, como tudo em astrologia, depende do contexto: o que os planetas envolvidos significam, o que o próprio aspecto significa, etc.


Conjunção com os Nodos

De forma geral, uma conjunção com o Nodo Norte é extremamente benéfica: é como se o planeta subisse num banquinho.

A conjunção com o Nodo Sul, ao contrário, é uma restrição grave: é como se o planeta tivesse caído num buraco.

Outros aspectos não são importantes; não há como fazer um aspecto a um dos nodos sem fazer aspecto ao outro.


Oriental e ocidental

Estes termos têm mais de um significado possível. O significado normalmente associado à dignidade e debilidade acidental tem a ver com a posição em relação ao Sol.

Estar oriental é estar antes do Sol em movimento primário: ou seja, nascer antes do Sol. Estar ocidental, ao contrário, é estar depois do Sol no movimento primário.

O significado deriva da visibilidade. Planetas orientais nascem antes do Sol; ou seja, são visíveis no céu escuro. Planetas ocidentais nascem quando o Sol já nasceu, então não são visíveis.

Para saber se o planeta está ocidental ou oriental, imagine que o Sol esteja no ascendente. Qualquer planeta “acima do horizonte” está oriental; qualquer planeta no outro hemisfério está ocidental.

De forma geral, estar oriental pode ser considerado uma dignidade acidental: o planeta é mais óbvio, mais manifesto no mundo, enquanto estar ocidental é estar mais escondido, mais oculto.


Halb e Hayz

Os termos têm origem árabe.

Os signos e os planetas se dividem em planetas diurnos e noturnos.

Quando um planeta diurno está acima do horizonte (nas casas VII, VIII, IX, X, XI e XII) de dia ou abaixo do horizonte (nas casas I, II, III, IV V e VI) de noite, ele está em halb. Um planeta noturno está em halb quando está abaixo do horizonte de dia e acima do horizonte de noite.

Um planeta em hayz está em halb e, além disso, está num signo do próprio gênero (ou seja, um planeta masculino num signo masculino, um feminino num feminino).

Os conceitos são bastante simples, mas é sempre bom lembrar que Marte, apesar de noturno, é masculino, e que Mercúrio é diurno quando oriental, noturno quando ocidental, e que é masculino ou feminino dependendo dos planetas que estão em conjunção ou aspecto com ele ou do planeta que o rege.


As dignidades e debilidades da Lua

Por sua posição de destaque, e por ser o único dos astros cuja forma visível varia, a Lua tem algumas dignidades e debilidades especiais.

A primeira tem a ver com a quantidade de luz. Quando mais cheia a Lua estiver, mais ela é visível.

Então, estar aumentando em luz é uma dignidade para a Lua, enquanto estar diminuindo em luz é uma debilidade. Sim, isso quer dizer que para a Lua, estar ocidental é uma dignidade - isso também vale para Vênus e Mercúrio, segundo alguns autores, mas por outros motivos.

Há uma faixa do Zodíaco (entre 15° de Libra e 15° de Escorpião), chamada Via Combusta, no qual a Lua também está debilitada.

Os motivos para a existência dessa faixa são controversos e a discussão foge ao propósito deste livro. Ela parece afetar somente a Lua.


Lua Fora de Curso

Este conceito atrai confusão de todos os lados, desde o seu nome até a sua importância.

O “Lua Fora de Curso” vem de “Void of Course Moon”, que é uma tradução ao inglês da expressão em latim “Luna Vacua Cursa”, que quer dizer “Lua em caminho vazio”, ou “Lua com percurso vazio”.

Isso quer dizer: a Lua não tem nenhum planeta no caminho dela. Ela termina o seu percurso por um signo sem fazer conjunção ou aspecto.

A Lua, pela sua posição de intermediária entre o céu e a terra, pode significar o fluxo geral dos acontecimentos. Desta forma, ela não fazer nada é um sinal de que nada vai acontecer, de que as coisas permanecem como estão.

Repetindo: é um sinal, de importância variável de acordo com a situação. Não é um veredicto. O cosmos não pára até que a Lua mude de signo. As pessoas que nascem quando a Lua está fora de curso crescem e se desenvolvem como o resto do mundo.

Como a ideia é a Lua ficar sem fazer nada, não faz sentido dizer que ela está fora de curso nos últimos graus de um signo, porque ela está prestes a fazer algo: mudar de signo.




Marcos Monteiro, Introdução à Astrologia Ocidental, Edição do Autor, 2013.

O livro pode ser adquirido aqui:
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terça-feira, 11 de julho de 2017

Usando Dignidades, por Benjamin Dykes

A astrologia tradicional usa muito das chamadas "dignidades e debilidades". A dignidade é um tipo de domicílio ou domínio, e quando um planeta se encontra em um lugar de dignidade geralmente mostra algum tipo de competência e consistência naquilo que indica. As debilidades mostram os diferentes modos pelos quais os assuntos se tornam menos organizados, ou obscuros, ou instáveis ​​e incertos.

Tenho certeza de que você já ouviu falar sobre as duas principais dignidades ou governos, que são:

1. Domicílio. Isso se refere a um planeta que governa um signo, como Marte governa Áries. Marte é o senhor ou "senhor do domicílio" de Áries. Quando Marte está em Áries, ele está "no seu próprio domicílio".

2. Exaltação. Isso se refere a um planeta que é exaltado em um signo, como o Sol sendo exaltado em Áries. O Sol é o "senhor exaltado" de Áries. Quando o Sol está em Áries, ele está "em sua própria exaltação", ou ele "está exaltado".

Estes são os que eu vou falar neste capítulo. Mas, tradicionalmente, há outros três principais tipos de dignidade. Elas são usadas ​​apenas para fins e técnicas específicas e, como dignidades, são considerados "mais fracos" do que o domicílio ou a exaltação:

3. Triplicidade. Todos os três signos de um determinado elemento (por exemplo, os signos de fogo) são regidos por um conjunto de três planetas, que podem não ser o seu domicílio ou os senhores exaltados.

4. Termos. Cada sinal é subdividido em cinco pedaços desiguais, cada um dos quais é governado por um planeta, mas o Sol e a Lua não governam nenhum termo.

5. Face ou decan. Cada signo é dividido em três partes iguais de 10°, cada uma das quais é governada por um dos sete planetas tradicionais.

A principal ideia por trás de uma dignidade é que cada planeta tem responsabilidade de gestão pelas áreas do zodíaco que ele rege. Então, não importa onde Áries está no mapa, Marte é responsável por gerenciar o que significa Áries, porque ele é o senhor do domicílio de Áries. Se Áries está na décima casa, então Marte está gerindo os assuntos da décima casa; se Áries está na quinta casa, então Marte governa os assuntos da quinta casa.

Do mesmo modo, não importa onde Áries está, o Sol é seu senhor exaltado e tem a responsabilidade de sua própria administração.

O seguinte é um diagrama que mostra o domicílio e a exaltação dos planetas:

Domicílios Planetários (anel externo) e Exaltações (anel interno)

Isso ajuda a imaginar que cada signo é como um lar (na verdade, os signos são as "casas" ou "domicílios" dos planetas). Se você é um dos chefes da sua casa, então você é responsável por apoiar e gerenciar sua casa. Se você está doente, ou está de férias, ou algo acontece com você, isso afeta sua vida doméstica e qualquer pessoa que esteja morando lá. Assim, se Áries é sua décima casa, então, Marte gerencia a sua reputação, as suas ações e a sua carreira, e o que ele está fazendo no mapa afeta essas coisas. Ele sempre estará em algum signo do mapa ou em outro, em aspecto ou fora de aspecto com algum outro planeta, em alguma condição benéfica ou difícil: assim como a sua situação muda, então essas coisas mudam. Muito do que fazemos ao olhar para o mapa natal, é entender o que está acontecendo com uma casa e seu senhor do domicílio.

A diferença entre um senhor do domicílio e um senhor exaltado é aproximadamente esta. Imagine um departamento de uma universidade, que tem um chefe de departamento e um secretário administrativo-chefe. A chefia do departamento é como o senhor exaltado: ele toma algumas decisões executivas e é oficialmente responsável pelo departamento, mas ele não é realmente uma pessoa prática nos assuntos do dia-a-dia do departamento. Se ele quiser enviar uma carta, ele pode não saber onde os selos estão guardados; ou ele pode não saber a quem ligar se o computador não funcionar. Mas como nós todos sabemos, o secretário administrativo é, freqüentemente, aquele que realmente administra o show. Se você precisar realizar algo prático, se você precisa de um número de telefone ou precisa saber como é uma determinada política do departamento, ou quais são os requisitos de uma licenciatura, o secretário sabe o que fazer. O secretário é como o senhor do domicílio.

Essas analogias podem ser ampliadas para outras áreas da vida: o senhor exaltado é como o proprietário de um restaurante, mas o senhor do domicílio é o gerente que realmente administra e traz o dinheiro. Muitas pessoas ricas (senhores exaltados) contratam gerentes domésticos (senhores do domicílio) para pagar contas, gerenciar a agenda, contratar trabalhadores que fazem consertos e gerenciar o serviço de limpeza. Na astrologia tradicional, esses senhores do domicílio ou gerentes domésticos são os poderes reais no mapa. Na maior parte, não usamos senhores exaltados ao delinear o tópico de uma casa.

Mas aqui é algo muito crucial: o quão bem um senhor de domicílio (ou qualquer planeta) está fazendo, o quão organizado, eficiente e confiante ele é, depende em grande medida se está ou não em suas próprias dignidades. Vamos tomar Marte, como exemplo: ele governa Áries e, em qualquer carta, ele será seu senhor do domicílio e tentará gerenciar seus assuntos. Mas ele sempre estará em um signo ou em qualquer outro, e talvez não seja um signo que ele domina ou que ele se sinta confortável. Se Marte estiver em um signo que ele governa por domicílio (Áries ou Escorpião), então ele ficará mais confortável e você perceberá qualidades marciais mais construtivas e eficientes acontecerem. Mas se ele está em detrimento ou queda, ou está peregrino (ou mesmo uma combinação destes), teremos efeitos desorganizados e perturbados que afetam a área de vida indicada por Áries. Vejamos estas três contra-dignidades agora.

Detrimento. O signo do detrimento de um planeta é sempre o oposto ao signo que ele tem por domicílio, então, se um planeta governa dois signos, ele tem dois signos de detrimento. Por exemplo, o Sol (o senhor de Leão) está em detrimento de Aquário, enquanto Marte (o senhor de Áries e Escorpião) está em detrimento tanto em Libra quanto em Touro. O principal significado do detrimento é a "corrupção", que traz os seguintes significados básicos: desintegração, desunião, falta de controle, desconforto ou inimizade, e até corrupção moral (pelo menos, aos olhos da comunidade). Também pode mostrar algo que é "alternativo" ou "contracultural", porque representa a dissolução dos padrões normais. Então, se Marte está no signo de seu detrimento, sua atividade marcial e seus eventos marciais terão essas características. Imagine a diferença entre um soldado disciplinado, organizado e competente (domicílio) e um soldado que sofre de medo, luta mal, é antagônico, desajeitado, e assim por diante.

Queda. O signo de queda é sempre o oposto ao da exaltação, de modo que Marte (exaltado em Capricórnio) está em queda em Câncer; O Sol (exaltado em Áries) está em queda em Libra. Como cada planeta tem apenas um sinal de exaltação, cada um tem apenas um signo de queda. E uma vez que há doze signos, mas apenas sete planetas tradicionais, cinco signos não têm quedas neles. A imagem básica de um planeta em queda é a de alguém que caiu em um poço: eles podem gritar e chorar, mas ninguém os ouve. Em situações sociais, um planeta em sua própria queda geralmente representa alguém que não é respeitado ou é de baixo status social. Podemos também imaginar que indica coisas de baixa qualidade, ou mesmo impulsos psicológicos que são difíceis de entender e expressar bem. Além disso, ele pode mostrar algo que é socialmente incomum ou alternativo porque é algo ignorado ou não aceito pelo grande público, pelo olhar do público.

Uma característica interessante da queda é que, uma vez que cada planeta está tentando ser ele próprio, então, muitas vezes, será mais difícil deste planeta se expressar: então, a queda pode mostrar uma dificuldade que alguém está tentando superar. Às vezes, isso tem resultados desagradáveis. Como Marte é um planeta maléfico, você pode considerar que seria bom deixá-lo afastado e ignorado. Mas você já tentou ignorar uma pessoa realmente marcial? Geralmente não funciona: ele ou ela pode facilmente barulhento, estridente, interromper e atacar, como sendo uma estratégia para tentar ser ouvido. Portanto, não podemos simplesmente olhar essas contra-dignidades ao pé da letra, porque o que vemos na vida e na personalidade de uma pessoa é muitas vezes sua tentativa de superar esses problemas subjacentes.

A seguir está  um diagrama dos signos de detrimento e queda dos planetas:

Planetas em Detrimento (anel externo) e Planetas em Queda (anel interno)

Peregrino. Por fim, vejamos o que é ser "peregrino". A palavra em latim e árabe na realidade significa ser viajante, estranho, estrangeiro ou peregrino. Um planeta é peregrino quando está em um lugar onde não tem dignidade positiva, como o Sol em Touro. É como estar em uma terra estrangeira onde você não fala bem a língua, e você depende das boas graças dos outros para se dar bem. Você pode estar confuso e perdido, ou o hotel barato que você queria se hospedar está reservado, e assim por diante. Você pode ter que ficar com pessoas que você não gosta e onde você tem pouco controle da situação. Ou, por outro lado, você pode pousar no lugar certo - mas o ponto é que você não tem à disposição os tipos de controle normal que você gosta de ter em casa. Assim mesmo, quando um planeta é peregrino, sua condição e comportamento dependem do que está acontecendo com o senhor do domicílio desse signo. Se o senhor do signo estiver em uma casa favorável e em uma das suas próprias dignidades, ou alguma outra situação favorável, o planeta peregrino estará melhor: é como se alguém cuidasse deles. Mas se o senhor do signo em que está o peregrino estiver nas condições opostas, será menos agradável, construtivo e assim por diante.

Algumas pessoas se confundem quanto à forma como a peregrinação se encaixa com detrimento e queda. Lembre-se: ser peregrino significa não possuir uma das dignidades positivas. Não exclui a possibilidade de estar em contra-dignidade também. Por exemplo, o Sol está peregrino em Touro porque ele não tem nenhuma das cinco dignidades lá. Ele também é peregrino em Aquário pelas mesmas razões, mas porque ele também está em detrimento de Aquário, isso potencialmente piora o que ele significa em um mapa.

Ao interpretar um planeta em dignidade ou em contra-dignidade, aqui está uma dica: para dignidades, considere quais seriam as expressões mais organizadas e construtivas (domicílio) ou exaltadas e autoconfiantes (exaltação) desses planetas e, então, pergunte-se como seria se esse planeta fosse desorganizado e assim por diante (detrimento) ou empobrecido e marginalizado (queda). Claro que você tem que levar suas naturezas planetárias em conta. Um Marte desorganizado irá agir de forma diferente do que um Júpiter desorganizado.

Tábua das Dignidades Maiores e das Corrupções/Debilidades dos Planetas

Exercício: Dê uma olhada no quadro a seguir e responda as perguntas abaixo.


1. Quatro planetas estão em seus próprios domicílios neste mapa: quais são eles?

2. Qual planeta está em sua queda?

3. Quais dois planetas são peregrinos?

4. Olhe para Júpiter e sua condição de dignidade na quinta casa. O que você acha que isso pode significar para os filhos de tal pessoa? Lembre-se de considerar a natureza de Júpiter, além de sua condição de dignidade lá.



Capítulo 8
Benjamin Dykes, in Traditional Astrology for Today - An Introduction, Cazimi Press, Minneapolis, Minessota, EUA, 2011. Tradução de Claudio Fagundes (sujeita a revisão permanente).

O livro está à venda aqui:
https://www.amazon.com/Traditional-Astrology-Today-Benjamin-Dykes/dp/1934586226/ref=sr_1_4?ie=UTF8&qid=1497110339&sr=8-4&keywords=benjamin+dykes








sábado, 8 de julho de 2017

A Pesagem de Dignidades e Debilidades, por Helena Avelar e Luís Ribeiro

O sistema de pesagem

A avaliação das dignidades ou debilidades essenciais dos planetas faz-se através de um sistema de pontuação. A um planeta em trono são atribuídos 5 pontos, a um planeta exaltado 4 pontos, em triplicidade 3 pontos, em termo 2 pontos e em face 1 ponto. Quanto às debilidades, o exílio corresponde a -5 pontos e a queda a -4.

Pontuações das dignidades e debilidades essenciais

Para fazer a “pesagem” de um dado planeta determina-se se este se encontra em alguma das suas dignidades e, caso isso se verifique, atribui-se-lhe a respectiva pontuação. Tem-se idêntico procedimento para as debilidades, atribuindo a correspondente pontuação negativa.

A soma final da pontuação, positiva e negativa, de cada planeta mostra-nos o nível de dignidade ou debilidade desse planeta.

Por exemplo, Mercúrio a 16° de Caranguejo encontra-se no seu próprio termo e na sua própria face. Recebe, portanto, 2 pontos pelo termo e 1 pela face, perfazendo um total de 3 pontos. Como Mercúrio não tem debilidades neste signo, não lhe são retirados quaisquer pontos.

Outro exemplo: Júpiter a 4º de Gémeos está na sua triplicidade participante e na sua face. Recebe por isso 3 pontos pela triplicidade e 1 pela face, perfazendo um total de 4 pontos. Contudo, Júpiter está também em exílio neste signo, pelo que perde 5 pontos. O resultado final é de 1 ponto negativo.

Se a pontuação final do planeta for positiva, o planeta está dignificado.

Quantos mais pontos positivos o planeta acumular, mais segura será a sua dignidade, pois um planeta em trono ou exaltação que tenha também dignidade de triplicidade, termo ou face, reforça o seu poder. O mesmo acontece quando um planeta acumula triplicidade com termo e com face, pois assim a natureza do planeta é reforçada. Planetas aparentemente “neutros” num horóscopo podem revelar-se mais fortes do que aparentavam.

Assim, um planeta com pontuação positiva é considerado em boas condições. Com pontuação acima de 4 pontos considera-se forte. Acima de 5 pontos é considerado muito forte.

Um planeta com pontos negativos está debilitado. Embora a debilidade possa ser atenuada por dignidades menores, o planeta continuará a ter alguma dificuldade na sua expressão.

Note-se que o estado de debilidade é sempre atribuído pelo exílio e queda, que se opõem às dignidades maiores (regência e exaltação); as dignidades que amenizam este estado são sempre menores (triplicidade, termo ou face), não tendo força suficiente para anular o estado de debilidade.

Desta forma, um planeta com pontuação negativa é considerado em más condições. Com pontuação abaixo de 4 pontos negativos diz-se que está nitidamente debilitado.

Nalgumas situações, a debilidade é superada pela dignidade, caso em que obtemos um planeta com alguma força.

Por serem opostos, o trono e a exaltação nunca coincidem com as respectivas debilidades (exílio e queda). No entanto, podem ocorrer sobreposições entre as debilidades e as outras dignidades: um planeta em exílio ou queda pode ao mesmo tempo estar em triplicidade, termo ou face. Neste caso as dignidades secundárias amenizam o estado de debilidade do planeta em exílio ou queda; em casos pontuais podem até recuperar-lhe a dignidade.

Por exemplo, consideremos Vénus a 12° de Virgem. Nesta posição, Vénus está no signo oposto ao da sua exaltação (Peixes), pelo que está em queda. A pontuação de um planeta em queda é de 4 pontos negativos. Contudo, Vénus tem triplicidade em Virgem e no grau 12 está também no seu próprio termo e face. Ganha, assim, 3 pontos da triplicidade, 2 do termo e 1 da face, o que perfaz um total de 6 pontos. Se descontarmos os 4 pontos negativos restam-nos, ainda assim, 2 pontos positivos. Desta forma, verificamos que um planeta aparentemente debilitado pode, se contarmos com as dignidades menores, ter alguma dignidade.

Na prática, aquilo que Vénus representa no horóscopo, seria pouco afectado pela debilidade, encontrando formas estáveis e equilibradas de se expressar.

Noutros casos, as dignidades e as debilidades anulam-se, ficando o planeta com um total de 0 pontos. Nestes casos consideramos que está ligeiramente enfraquecido.

Por exemplo, Vénus a 8º de Escorpião está em exílio, pelo que tem 5 pontos negativos; no entanto, por estar num signo de Água tem triplicidade diurna, o que lhe confere 3 pontos, e neste grau de Escorpião está no seu termo, o que lhe acrescenta mais 2 pontos. A soma dos 5 pontos negativos com os 5 positivos (3 + 2) é igual a zero. Podemos então considerar que a debilidade inicial do planeta é atenuada por dignidades menores. Continua a haver dificuldade de expressão, mas esta torna-se menos notória.

Existe ainda um caso especial: quando um planeta não tem quaisquer dignidades na posição onde se encontra, é denominado peregrino. O termo peregrino significa “de passagem”. O planeta não tem nada de seu naquela área do Zodíaco, pelo que está sujeito aos “senhores” que ali governam e tem pouco poder de ação. E também considerado uma espécie de debilidade, que se agrava caso acumule com o exílio e a queda.

Nota: alguns autores dão a designação de peregrino a um planeta que não tenha dignidades nem debilidades na posição que ocupa. Contudo, a maioria parece concordar em atribuir a designação de peregrino a um planeta sem dignidades, independentemente de estar ou não debilitado.O próprio termo parece apontar para esta conclusão, pois sugere a ideia de vagabundo, sem laços nem responsabilidades.

O Sol está peregrino em todo o signo de Touro no 1º e 2º terços de Gémeos, todo o signo de Caranguejo, 2º e 3º terços de Virgem, todo o signo de Balança (onde está também debilitado por queda), Io e 3º terços de Escorpião, 1º e 2º terços de Capricórnio, todo o signo de Aquário (onde está também debilitado por exílio) e todo o signo de Peixes.

A Lua está peregrina nos signos de Carneiro, Gémeos e Leão, no 2º e 3º terços de Balança, 1º e 3º terços de Sagitário e 1º e 2º terços de Aquário.

Mercúrio está peregrino em Carneiro dos 0º aos 12° e dos 20° aos 29°; em Touro dos 14° aos 29°, no 1º e 2º terços de Caranguejo, em Leão dos 0º aos 17° e dos 24° aos 29°, em Escorpião dos 0º aos 11° e dos 19° aos 29°, em Sagitário dos 10° aos 17° e dos 21° aos 29° (neste signo tem também exílio), em Capricórnio dos 8º aos 29°, e em Peixes dos 0º aos 16° e dos 19° aos 29° (neste signo tem também exílio e queda).

Vénus está peregrino em Carneiro dos 0º aos 6º e dos 12° aos 20° (neste signo também tem exílio), em Gémeos dos 0º aos 12° e dos 17° aos 29°, em Leão dos 0º aos 6º e dos 11° aos 29°, em Sagitário dos 0º aos 12° e dos 17° aos 29°, e em Aquário dos 13° aos 29°.

Marte está peregrino em Gémeos dos 0º aos 10° e dos 24° aos 29°, em Leão no 1º e 2º terços, em Balança dos 0º aos 28° (neste signo tem também exílio), em Sagitário dos 0º aos 26°, e em Aquário dos 0º aos 20° e dos 25° aos 29°.

Júpiter está peregrino em Touro dos 0º aos 14° e dos 22° aos 29°, em Virgem dos 0º aos 17° e dos 21° aos 29° (onde tem também exílio), em Escorpião dos 0º aos 19° e dos 24° aos 29°, e em Capricórnio dos 14° aos 29° (onde acumula com a debilidade de queda).

Saturno está peregrino no 1º e 2º terços de Touro, em Caranguejo dos 0º aos 26° (onde acumula com exílio), em Virgem dos 0º aos 28°, em Escorpião dos 0º aos 24°, e em Peixes dos 10° aos 27°.

Variantes do sistema de pontuação
O sistema de pontuação que apresentamos é o mais corrente, particularmente a partir do fim da Idade Média. No entanto, alguns autores árabes, como Ali Ben Ragel e Al-Biruni, davam maior importância ao termo do que à triplicidade. Neste sistema de pontuação (aparentemente mais antigo) o termo recebia 3 pontos e a triplicidade 2.
Na literatura astrológica medieval existem ainda referências a outros sistemas, mas estes parecem não ter tido uma expressão prática relevante.


Exemplo prático: pesagem das dignidades essenciais

Vejamos quais são as dignidades e debilidades dos planetas no horóscopo do filósofo alemão Friedrich Nietzsche.

Natividade de Friedrich Nietzsche

Começa-se por anotar a posição zodiacal de cada planeta e, usando a tabela de dignidades essenciais, atribui-se as respectivas pontuações.

Saturno encontra-se a 0°46’ de Aquário. Nesta posição recebe 5 pontos por estar em regência e mais 3 por ser triplicidade diurna deste signo de Ar. Não tem quaisquer debilidades. Saturno tem, portanto, 8 pontos no total.

Júpiter está a 26"02 de Peixes. Também tem regência, pelo que recebe 5 pontos, mas não tem mais nenhuma dignidade pelo que não lhe são acrescentados mais pontos. Como também não tem debilidades, não lhe é subtraído qualquer ponto. Tem no total 5 pontos.

Marte está a 27°56’ de Virgem. Por estar num signo de Terra, ganha 3 pontos como triplicida- de participante; tem ainda 2 pontos por estar no seu próprio termo. Como não tem debilidades, acumula um total de 5 pontos.

O Sol localiza-se no signo de Balança, a 22°07’. Neste signo o Sol não tem qualquer dignidade. Como está em queda recebe 4 pontos negativos. Tem um total de -4 pontos.

Vénus está a 6°22’ de Virgem. Recebe 3 pontos por triplicidade diurna por estar num signo de Terra, mas são-lhe retirados 4 pontos por estar no signo da sua queda. A sua pontuação final é de -1 ponto.

Mercúrio encontra-se a 4°09’ de Balança. Neste signo de Ar recebe 3 pontos por ser triplicidade noctur- na. Não tem mais dignidades nem debilidades, perfazendo um total de 3 pontos.

A Lua está a 9°02’ de Sagitário. Nesta posição zodiacal a Lua não tem quaisquer dignidades ou debilidades, pelo que tem 0 pontos.

Comparando os resultados, verificamos que Saturno é o planeta mais dignificado, com um total de 8 pontos. Seguem-se Júpiter e Marte, ambos com 5 pontos, e Mercúrio com 3 pontos de dignidade. Todos estes planetas se encontram dignificados, pelo que tudo o que significarem no mapa terá uma expressão estável e construtiva.

Por outro lado, o Sol e Vénus têm pontuações negativas, encontrando-se debilitados. Aquilo que significam no mapa terá uma expressão mais difícil e trabalhosa.

A Lua tem 0 pontos, pelo que não está dignificada; nestes casos, considera-se que o planeta está ligeiramente debilitado.

Estão peregrinos a Lua em Sagitário, sem dignidades nem debilidades, e o Sol em Balança, onde acumula o estado de peregrino com o de queda.

Com este sistema de pontuação podemos determinar com facilidade o estado de “operacionalidade” dos planetas.

Estes sistemas de pontuação servem para medir a qualidade de expressão de um planeta. São auxiliares de delineação, pelo que os seus resultados não podem ser interpretados por si mesmos. A dignidade ou debilidade do planeta só faz sentido no contexto geral do horóscopo.\
O sistema de pontuação e o cálculo "matemático" serve apenas para auxiliar o astrólogo na avaliação de dignidade e debilidade. Fornece uma noção aproximada do poder efetivo dos planetas e não deve ser aplicado de forma rígida. Há que recordar que este método quantitativo é um auxiliar da interpretação, que é qualitativa.
Na prática, não vale a pena perder tempo em comparações demasiado pormenorizadas sobre a pontuação dos planetas. A ideia é ter uma noção da sua força relativa e aplicar essa informação à interpretação (devidamente contextualizada) do planeta.

O almuten

A palavra almuten é uma corruptela de um termo árabe que significa “o vitorioso” ou “o vencedor”. Em Astrologia, considera-se almuten o planeta que mais dignidades possui num determinado ponto de um horóscopo.

A título de exemplo, consideremos no horóscopo de Nietzsche o planeta Mercúrio, que está a 4°09’ de Balança. Através da tabela de dignidades essenciais vamos determinar que planetas têm dignidade neste grau do Zodíaco.

Como se trata do signo de Balança, Vénus é o regente, recebendo por isso 5 pontos.

Em Balança, a exaltação é Saturno, pelo que lhe são atribuídos 4 pontos; como Balança é um signo de Ar, Saturno tem também triplicidade diurna, pelo que soma mais 3 pontos. Na tabela verificamos que o grau 4 de Balança é também termo deste planeta, que assim recebe ainda mais 2 pontos. Saturno soma portanto 9 pontos no total.

As restantes triplicidades do elemento Ar são Mercúrio (noctur- na) e Júpiter (participante) pelo que ambos adquirem 3 pontos nesta posição.

Falta apenas ver qual é a face neste grau zodiacal. Consultando a tabela, verificamos que os primeiros 10° de Balança estão sob o domínio da Lua, que recebe assim 1 ponto.

Comparemos os resultados:

Pontuações dos planetas nos 4°09'de Balança
Saturno é claramente o planeta com mais pontuações naquele grau; concluímos, portanto, que Saturno é o almuten de Mercúrio neste horóscopo. Isto significa que na interpretação de Mercúrio temos de adicionar um “tom” saturnino (de contenção, reserva e profundidade de pensamento) à expressão mais ligeira e social de Mercúrio em Balança.

Note-se que neste cálculo não foram tomadas em conta as debilidades (Balança é o exílio de Marte e queda do Sol). 0 cálculo do almuten visa determinar o planeta com mais poder num determinado grau (ou seja, o planeta que mais "manda" naquele ponto), pelo que as debilidades não têm de ser consideradas.

O cálculo do almuten também é utilizado para determinar qual é o planeta que tem mais poder sobre pontos não-planetários do horóscopo, por exemplo, o Ascendente.

Vejamos de novo o exemplo de Nietzsche, que tem o Ascendente a 29°09’ de Escorpião.

O regente do signo é Marte, que por isso recebe 5 pontos. Como se trata de um signo de Água, Marte também tem triplicidade noturna, somando mais 3 pontos. O total perfaz 8 pontos.

Vénus também tem triplicidade (diurna) em signos de Água, pelo que recebe 3 pontos, aos quais se acrescentam mais 1, pois também tem face nos últimos 10° de Escorpião. Soma no total 4 pontos.

A Lua tem 3 pontos por ser triplicidade participante e Saturno tem 2, por este grau de Escorpião estar no seu termo.

Os resultados são: 


Pontuações dos planetas nos 29°09 'de Escorpião

Concluímos então que Marte é o almuten do Ascendente. Como Marte jã é o regente, esta conclusão vem confirmar o seu poder sobre aquele ponto do horóscopo.

Como se pode verificar, o almuten corresponde sempre ao trono ou à exaltação do respectivo signo, corroborando assim o poder de uma das dignidades maiores.

Acabamos de ver como o almuten indica o planeta mais poderoso num determinado ponto do horóscopo. Podemos também utilizar o cálculo do almuten para determinar o planeta que tem domínio sobre um conjunto de pontos do mapa (planetas, Casas, etc.) e que sintetiza as suas qualidades combinadas.

Estes pontos não são escolhidos ao acaso, mas devido à sua significação comum para um tema em estudo. Por exemplo, num mapa natal, o almuten da Lua e de Mercúrio dá indicações sobre o tipo de estrutura mental que caracteriza o indivíduo (como é óbvio, as informações fornecidas pelo almuten devem ser ponderadas com outros factores interpretativos, que estudaremos adiante).

Para exemplificar, vamos então calcular o almuten da Lua e de Mercúrio no horóscopo de Nietzsche.

A Lua está a 9°02’ de Sagitário. Neste signo Júpiter tem regência, triplicidade noturna e termo, pelo que acumula um total de 10 pontos (5+3+2). Saturno tem apenas triplicidade participante, recebendo 3 pontos. O Sol tem triplicidade diurna, pelo que recebe também 3 pontos. Mercúrio tem face neste grau, o que lhe vale 1 ponto.

Mercúrio, por seu turno, está a 4°09’ de Balança. Vénus é a regente, pelo que tem 5 pontos. Saturno é a exaltação, a triplicidade diurna e o termo, acumulando assim 9 pontos (4+3+2). Júpiter é a triplicidade participante, recebendo portanto 3 pontos. Mercúrio é a triplicidade diurna, o que lhe confere 3 pontos. A Lua tem dignidade de face, recebendo por isso 1 ponto.

Se colocarmos estes cálculos numa tabela, obtemos o seguinte resultado:

Tabela de cálculo do almuten Lua-Mercúrio
Júpiter é o planeta com maior pontuação, sendo por isso o almuten. Contudo, Saturno está a pouca distância (apenas 1 ponto a menos) pelo que podemos considerá-lo um co-almuten, ou seja, adiciona a sua tonalidade à de Júpiter. A importância destes dois planetas é ainda reforçada pela grande diferença de pontuação em relação aos restantes planetas.

Na prática, podemos concluir que a mentalidade de Nietzsche é “tingida” por uma mescla de Júpiter (“pensamento filosófico”, fé e misticismo) e Saturno (“pensamento científico”, ceticismo e crítica). O resultado desta complexa mistura é, aliás, bem patente nos seus escritos.

Nota: Esta consideração de um segundo almuten (co-almuten) só é válida quando consideramos o almuten de vários pontos combinados. No caso do almuten de um único ponto, só se considera um co-almuten se dois planetas empatarem "ex-aequo" na pontuação de dignidades.
O almuten é um complemento especializado da interpretação. Usa-se apenas em casos particulares, em que é necessário fazer interpretações muito detalhadas. Nunca se usa de forma indiscriminada, seja aplicando o cálculo a um ponto isolado, seja na síntese de vários pontos do mapa. Em suma, não vale a pena calcular almutens para conjuntos aleatórios de pontos, pois os resultados serão desprovidos de significado.
Por outro lado, o almuten (como, aliás, tudo em Astrologia) nunca é interpretado isoladamente; há sempre que considerar o contexto geral do horóscopo.
De nada serve dizer, por exemplo, que um dado planeta é o almuten do Ascendente, começando de imediato a tirar conclusões deste fato; há que conhecer em pormenor a dinâmica desse planeta e do próprio Ascendente, para que a informação fornecida pelo almuten faça sentido. Só quando devidamente contextualizada, esta informação pode complementar e aprofundar a interpretação básica do horóscopo.

Tabela de dignidades e debilidades essenciais


Helena Avelar e Luis Ribeiro, in Tratado das Esferas. Editora Pergaminho. Cascais, Portugal, 2007.

Pode ser adquirido em nova edição aqui: https://www.facebook.com/prismaedicoes/ 












sexta-feira, 30 de junho de 2017

O Sistema de Dignidades e Debilidades Essenciais, por Helena Avelar e Luís Ribeiro

Já vimos como os planetas expressam as suas naturezas e como essa expressão é "colorida" pelas características do signo em que se encontram. Vamos agora desenvolver esse conceito.

Quando colocados num mesmo signo, os planetas apresentam uma tonalidade comum, que lhes é conferida pelo próprio signo. Contudo, no mesmo signo, alguns planetas têm maior facilidade em expressar-se que outros. Tudo depende do nível de "conforto" que o planeta desfruta naquele posicionamento zodiacal.

Assim, existem áreas do Zodíaco em que a expressão de um planeta é naturalmente forte e estável, enquanto noutras o mesmo planeta apresenta dificuldades. Estas áreas são definidas pela própria ordem natural do Zodíaco e das esferas celestes.

Quando um planeta se encontra num segmento do Zodíaco no qual a sua natureza é reforçada diz-se que está dignificado; quando se encontra numa área em que a sua expressão é dificultada diz-se debilitado.

Estes estados de dignidade e debilidade são denominados essenciais, pois reforçam ou dificultam a manifestação da essência dos planetas.

Quando dignificado o planeta adquire mais status no horóscopo e torna-se, em maior ou menor medida, senhor das suas ações. Quando debilitado o planeta perde poder e fica condicionado pelos restantes planetas.

No sistema de dignidades essenciais existem cinco estados de dignidade e dois de debilidade, que estudaremos em seguida.


As Dignidades Maiores

As principais dignidades são o trono (ou regência) e a exaltação. Quando um planeta tem estes níveis de dignidade adquire poder e a sua expressão torna-se mais marcante. Em oposição a estas dignidades, existem as debilidades de exílio e queda. Se um planeta tiver este nível de debilidade a sua expressão torna-se fraca e irregular.

Pela sua importância e pelo poder que conferem ao planeta, estas dignidades (e as correspondentes debilidades) são designadas maiores, fundamentais ou completas.


O trono ou regência

A dignidade mais importante é de trono ou regência.

Cada signo tem um planeta regente, que atua como rei e senhor daquele "território".

O regente é a chave através da qual as características do signo se expressam. Assim, para além das qualidades primitivas, dos elementos, dos modos e gêneros, os signos são também caracterizados pelo seu planeta regente.

Como já vimos, os signos regidos por Saturno têm uma expressão estruturada e austera, devido à natureza do seu regente; os signos regidos por Júpiter partilham uma atitude entusiasta e fluida; os de Marte têm uma ação bélica e assertiva; o signo regido pelo Sol é irradiante; os de Vénus expressam-se de forma harmoniosa e suave; os de Mercúrio são multifacetados, e o signo da Lua tem uma expressão variável e flutuante.

Quando o planeta regente está no próprio signo que rege, diz-se que está dignificado. Tal como um rei no seu trono, expressa a sua natureza no seu melhor, de forma estável e produtiva. Por exemplo, se Vênus estiver posicionada num dos seus signos de regência, Touro ou Balança, a sua expressão será suave e agradável, seja no aspecto sensorial e prático da Terra (Touro) ou no aspecto social e comunicativo do Ar (Balança).

Importante: Nos textos antigos, o signo que o planeta rege é também denominado "a casa do planeta", estabelecendo uma equivalência entre os termos trono e casa. Nos autores clássicos são frequentes as referências à "casa da Lua", o signo de Caranguejo, ou à "casa de Saturno", o signo de Capricórnio ou de Aquário.

Para evitar a confusão entre as casas dos signos (no sentido de trono) e as Casas astrológicas, não utilizaremos esta terminologia nesta obra. Sempre que falarmos em Casas, referir-nos-emos às Casas astrológicas. O leitor deverá, contudo, estar ciente desta terminologia quando consultar os autores tradicionais.


Como se atribuem as regências

A atribuição de regências baseia-se na combinação de dois fatores distintos: as características sazonais de cada signo e a ordem dos planetas nas esferas celestes (ordem caldaica). Vejamos, então, como estes dois factores interagem.

Como já referimos, o Zodíaco tem como base as quatro estações do ano.

Os signos de Caranguejo e Leão marcam o auge do Verão. Como correspondem às épocas mais luminosas, têm como regentes os luminares: o Sol e a Lua. O Sol — o luminar masculino e senhor do dia — rege Leão, um signo masculino e diurno, enquanto a Lua — o luminar feminino e senhora da noite — rege Caranguejo, um signo feminino e noturno.

Saturno — o planeta mais distante e escuro — rege os dois signos de Inverno, Capricórnio e Aquário. É-lhe atribuída a regência dos signos correspondentes à época do ano em que há menos luz e em que as condições de vida são mais difíceis. Por ser um símbolo de escassez, Saturno fica no esquema de regência oposto aos luminares, símbolos de abundância e vida.

Os restantes planetas são distribuídos pelos signos de acordo com a sua posição nas esferas celestes, ou seja, segundo a ordem caldaica.

Júpiter — planeta que se segue a Saturno na ordem das esferas — rege os dois signos adjacentes, Sagitário e Peixes. Marte rege os dois signos seguintes, Carneiro e Escorpião. Vênus rege Touro e Balança, e Mercúrio rege Gêmeos e Virgem.

Ao contrário do que geralmente se afirma, as regências não são atribuídas com base em afinidades entre planetas e signos.

Note-se que neste esquema Vênus e Mercúrio mantêm em relação aos luminares a mesma amplitude de afastamento que têm em relação ao Sol.

Como Mercúrio não se afasta do Sol mais que um signo, é-lhe atribuída a regência dos signos adjacentes aos dos luminares. Vénus rege os signos seguintes, pois o seu afastamento máximo do Sol não ultrapassa dois signos.

Tronos ou regências planetárias
Podemos então observar que o esquema de regências transporta para o Zodíaco a perfeição das esferas celestes.

A perfeita distribuição dos regentes planetários gera várias ordens de simetria e relação entre os planetas, que são essenciais para a compreensão das próprias fundações da Astrologia. Divide o Zodíaco em signos lunares (de Aquário a Caranguejo) e signos solares (de Leão a Capricórnio).

Signos solares e signos lunares
Também atribui a cada planeta uma regência diurna, num signo masculino, e uma regência noturna, num signo feminino. Assim, cada planeta tem uma expressão extrovertida (diurna, masculina) e uma expressão introvertida (noturna, feminina). Por exemplo, Vénus tem a sua regência noturna em Touro, signo feminino e noturno, e a sua regência diurna em Balança, um signo masculino e diurno.

Os luminares não apresentam esta duplicidade, pois são eles que definem o próprio conceito de dia e noite; além disso podem ser considerados um par.

Regentes diurnos e noturnos

Júbilo por signo

Nalgumas regências a natureza do planeta é temperada pela natureza do próprio signo; quando isto acontece, diz-se que o planeta está em júbilo.

Júpiter, em planeta masculino e diurno, tem o seu júbilo em Sagitário, signo igualmente masculino e diurno. Vênus, feminino e noturno, tem júbilo em Touro, que partilha a mesma natureza. Mercúrio, que é essencialmente Seco, tem júbilo no signo Frio e Seco de Virgem.

Esta ação moderadora tanto se manifesta por reforço (casos anteriores), como por contraposição (caso dos planetas maléficos).

Marte, que é noturno, torna-se mais construtivo em Escorpião, também noturno, mas cujas qualidades de Frio e Úmido temperam a natureza excessivamente Quente e Seca do planeta. Saturno, sendo diurno, fica mais equilibrado no signo diurno de Aquário, onde a sua natureza excessivamente Fria e Seca é temperada pelas qualidades Quente e Úmido do signo.

Nota: o júbilo por signo não deve ser confundido com o júbilo por Casa, que será abordado mais adiante.

Signos de júbilo dos planetas


Exílio ou detrimento

Quando o planeta está no signo oposto ao da sua regência diz-se que está em exílio ou detrimento. Este é o estado oposto ao trono. Nesta situação a expressão do planeta encontra-se debilitada. A sua atuação torna-se insegura e pouco direta. Como tem dificuldade em expressar-se, a sua natureza é enfraquecida e distorcida. Quando em exílio, as qualidades naturais dos planetas transformam-se nos defeitos correspondentes (que nada mais são afinal que uma deturpação das qualidades).

Assim, a seriedade e cautela de Saturno transformam-se em melancolia e avareza; a generosidade e otimismo de Júpiter tornam-se esbanjamento e descuido; a ousadia e assertividade de Marte manifestam-se como covardia e agressividade; a natural autoridade do Sol torna-se arrogante; a sensualidade e sociabilidade de Vênus pendem para a luxúria e a leviandade; a curiosidade e engenho de Mercúrio expressam-se como intriga e trapaça; a adaptabilidade da Lua resvala para a inércia e preguiça.

Se o planeta em exílio representar um objecto, sugere algo em mau estado, pouco valioso e possivelmente estragado.

Alguns autores utilizam para esta debilidade as designações de desterro ou inveja.

Exílios dos planetas


Exaltação

Os regentes de cada signo podem ter em alguns casos um planeta segundo-em-comando, que com eles partilha as funções de governação do "reino". A este segundo estado de dignidade é dado o nome de exaltação. O termo exaltação vem do latim exalto e significa pôr ao alto, elevar, honrar. Podemos comparar a exaltação ao cargo de primeiro-ministro: é um dignitário com muitas honras e poder, mas cuja atuação continua a depender da aprovação do rei.

Um planeta exaltado encontra-se num estado de grande força. Podemos até considerar que expressa a sua natureza com uma intensidade maior do que no estado de trono. No entanto, a expressão de um planeta exaltado é mais inconstante, passando por altos e baixos.

Cada planeta tem a sua exaltação apenas num signo.

Exaltações dos planetas

Numa interpretação astrológica considera-se que um planeta exaltado indica simultaneamente valor e exuberância. Se o planeta representar um indivíduo, sugere alguém respeitado e bem-intencionado mas com tendência ao exagero e até à arrogância. Um objecto representado por um planeta exaltado estará em bom estado, mas poderá parecer mais valioso do que na realidade é.

Alguns autores utilizam para esta dignidade a designação de honra.


Queda

À exaltação corresponde uma debilidade denominada queda, que ocorre no signo oposto.

Tal como na situação de exílio, um planeta em queda tem dificuldade em expressar a sua natureza. Na queda essa dificuldade é caracterizada por instabilidade na expressão. O planeta torna-se "trapalhão", a sua ação é desadequada, fora de contexto.

Alguns autores utilizam para esta debilidade as designações de depressão ou vergonha.

Quedas dos planetas

Como se atribuem as exaltações e quedas dos planetas

Mais uma vez, a explicação das posições de exaltação tem como base um pensamento "agrícola", baseado na dinâmica da natureza. A exaltação está ligada ao nível de fertilidade do planeta e à sua afinidade com uma determinada estação do ano.

O Sol tem exaltação no Carneiro, pois quando entra neste signo inicia-se a Primavera, os dias tornam-se maiores e o calor aumenta. Além disso, a sua natureza Quente e Seca é idêntica à de Carneiro e à de Marte, seu regente. A sua queda dá-se em Balança, signo que marca a diminuição de luz e a entrada do Outono.

A Lua exalta-se no Touro, signo feminino e primaveril, adjacente ao Carneiro, signo de exaltação do Sol. Qual rainha dos céus, fica posicionada ao lado do seu rei. Além disso, se o Sol estivesse em Carneiro, a Lua ao sair dos seus raios seria visível pela primeira vez em Touro. Escorpião, oposto a Touro, é o signo da sua queda.

Saturno tem a sua exaltação em Balança, signo oposto à exaltação do Sol, mantendo assim em relação ao astro-rei a mesma posição que tem nas regências. A Balança marca o início do Outono, estação em que o frio começa a aumentar e os dias a diminuir; torna-se assim o signo ideal para a exaltação do planeta mais Frio, Saturno. Pela mesma ordem de ideias, a sua queda é em Carneiro, o primeiro signo da Primavera.

Júpiter, planeta da fertilidade e abundância, tem a sua exaltação em Caranguejo, signo do Verão e do amadurecimento das colheitas. A sua queda dá-se em Capricórnio.

Marte tem a sua exaltação em Capricórnio onde o seu calor extremo fica temperado pela frieza do Inverno. A sua queda ocorre em Caranguejo.

Vénus, planeta feminino e Úmido, exalta-se em Peixes, signo de umidade, que prepara a fertilidade da Primavera. A sua queda dá-se em Virgem, signo em que marca a passagem para o Outono e o domínio do Seco.

Mercúrio, de natureza Seca, tem exaltação em Virgem, signo Frio e Seco (do qual também é regente), e queda em Peixes, signo Frio e Úmido.


Os graus de exaltação

Os autores da tradição assinalam também graus específicos para a exaltação dos planetas. Assim, o Sol teria a sua exaltação no grau 19 de Carneiro, a Lua no grau 3 de Touro, Júpiter no grau 15 de Caranguejo, Mercúrio no grau 15 de Virgem, Saturno no grau 21 de Balança, Marte no grau 28 de Capricórnio e Vénus no grau 27 de Peixes. A queda ocorre no mesmo grau do signo oposto.

Em termos práticos, a exaltação é considerada em toda a extensão do signo. Estes graus parecem indicar apenas os pontos de maior força. Alguns investigadores pensam tratar-se de posicionamentos simbólicos ou o que resta de um sistema de posicionamentos astronômicos de grande importância para os antigos.


Dignidades Secundárias

O trono, a exaltação, o exílio e a queda são as dignidades e debilidades fundamentais (também chamadas "completas") do sistema astrológico. É possível fazer a interpretação básica de um horóscopo contando apenas com estes quatro fatores de pesagem.

No entanto, o sistema de debilidades é mais complexo. Para além da regência e exaltação existem ainda mais três níveis de dignidade: a triplicidade, o termo e a face. Estas dignidades adicionais para além de terem aplicações técnicas específicas permitem uma melhor avaliação do potencial de expressão de cada planeta nos vários graus do Zodíaco. Utilizando o sistema completo podemos compreender como, em determinados horóscopos, planetas aparentemente debilitados conseguem ter uma expressão mais coerente com a sua natureza.

Refira-se ainda que, ao contrário do trono e da exaltação, as triplicidades, termos e faces não têm uma debilidade complementar. Por esse motivo são também designadas por dignidades incompletas.


Triplicidades

As triplicidades são dignidades atribuídas de acordo com o elemento de cada signo. A cada elemento são atribuídos três planetas: um chamado diurno, outro noturno e ainda um terceiro, chamado participante ou comum. Estes três planetas são comuns aos signos do mesmo elemento.

O elemento Fogo tem como triplicidade diurna o Sol; a sua triplicidade noturna é Júpiter e Saturno é a triplicidade participante.

O Ar tem Saturno como triplicidade diurna, Mercúrio como triplicidade noturna e Júpiter como participante.

No elemento Terra a triplicidade diurna é Vênus, a noturna a Lua e o participante é Marte.

A Água tem também Vênus como triplicidade diurna, mas Marte é a triplicidade noturna e a Lua é participante.

Como se pode constatar, a atribuição das triplicidades a cada elemento segue a facção dos planetas: aos elementos diurnos são atribuídos planetas diurnos, e aos noturnos planetas noturnos.

Tabela das triplicidades
Na prática, um planeta em triplicidade está literalmente "em família" pois encontra-se num elemento da sua facção. Não está no seu reino (como na regência), nem é primeiro-ministro (como na exaltação), mas faz parte da "família real" e goza, portanto, de algum poder. Também se considera que um planeta em triplicidade está "entre amigos".

Alguns autores afirmam que num mapa diurno a triplicidade diurna será mais forte, e que a noturna terá maior impacto num mapa noturno. A triplicidade participante terá sempre uma força moderada. De qualquer modo, um planeta posicionado num signo em que possua triplicidade está em estado de dignidade, independentemente do mapa ser noturno ou diurno.

Os regentes das triplicidades são geralmente considerados em sequência, recebendo a denominação de primeira, segunda e terceira triplicidade. Esta sequência depende se o mapa é diurno ou noturno (recordamos que nos mapas diurnos o Sol está acima do horizonte, estando abaixo deste nos noturnos). Nos diurnos, dá-se precedência à triplicidade diurna, seguida da noturna e da participante; nos noturnos, a precedência vai para a triplicidade noturna, seguindo-se a diurna e a participante.

Sequência diurna:

Triplicidades: sequência diurna
Sequência noturna:

Triplicidades: sequência noturna

Em técnicas muito particulares de interpretação, as triplicidades indicam sequências temporais. É nestes casos que as sequências diurnas e noturnas se tornam mais relevantes, pois a ordem dos planetas é determinante.


Variações na atribuição das triplicidades

O conjunto de triplicidades que apresentamos neste livro é o mais comum e aceite entre os autores tradicionais. Tem atualmente a designação de "Triplicidades de Dorotheus", não porque este autor as tenha criado, mas por ser a fonte mais antiga que as referencia.

Na Renascença deu-se uma grande reformulação da teoria astrológica, tendo por base os ensinamentos ptolemaicos. Em consequência, as triplicidades "de Dorotheus" foram gradualmente substituídas por versões baseadas no texto de Ptolomeu. Este autor altera os planetas participantes em Fogo, substituindo Saturno por Marte, e em Terra, substituindo Marte por Saturno. Ptolomeu altera também as triplicidades da Água, atribuindo a sequência: Vénus, Lua, Marte.

Uma das variantes mais divulgadas atualmente é da escola inglesa, da qual são representantes conhecidos autores como William Lilly. Esta linha usa apenas as triplicidades diurnas nos mapas diurnos e as noturnas nos mapas noturnos. As sequências são iguais às de Dorotheus, mas o planeta participante é abandonado. A única excepção ocorre no elemento Água, em que Marte (regente noturno da Água para Dorotheus) é considerado simultaneamente regente de triplicidades diurna e noturna.



Termos

Os termos são divisões dos signos em cinco partes desiguais. A cada parte (ou termo) é atribuída a regência de um dos cinco planetas tradicionais: Júpiter, Vénus, Mercúrio, Marte e Saturno. A Lua e o Sol não regem termos.

A maior peculiaridade dos termos é a sua irregularidade. Cada divisão incorpora partes desiguais do mesmo signo e cada signo é dividido de forma diferente; além disso, também a sequência dos regentes difere de signo para signo, ou seja, não há dois signos iguais no que diz respeito aos termos. Por exemplo, no signo de Carneiro a primeira divisão tem 6°; a segunda, 6°; a terceira, 8°; e a quarta e a quinta, 5°. No signo seguinte, Touro, as divisões têm respectivamente, 8°, 6°, 8°, 5° e 3°.

Também a sequência de planetas é completamente diferente nestes dois signos. No Carneiro o primeiro termo é de Júpiter, o segundo de Vénus, o terceiro de Mercúrio, o quarto de Marte e o último de Saturno. Quanto ao Touro, a sequência dos regentes dos termos é a seguinte: Vénus, Júpiter, Mercúrio, Saturno e Marte.

A razão destas atribuições perdeu-se no tempo. Os autores mais antigos, nomeadamente Ptolomeu, sugerem que a distribuição dos planetas depende do nível de dignidade que cada um tem no signo, dando prioridade ora à regência, ora à exaltação, ora à triplicidade. Marte e Saturno, por serem maléficos, tendem a reger os dois últimos termos, enquanto os benéficos, Júpiter e Vênus, são preferencialmente colocados nos termos iniciais.

Os termos mais utilizado pelos autores são os "termos egípcios". São estes os que adotamos ao longo do livro e que utilizamos na nossa prática astrológica. Esta sequência aparece nos autores mais antigos e mantém-se coerente ao longo dos milênios.

Tabela dos termos egípcios
Podemos comparar o termo de um planeta ao seu "feudo" dentro do signo. Um planeta no seu próprio termo está no seu território privado, mesmo que o signo onde se encontra não lhe seja particularmente favorável. Pode, portanto, agir de acordo com as suas próprias regras (literalmente, "nos seus termos").

O termo tem também algum efeito sobre a qualidade de expressão dos planetas. Por exemplo, um planeta num termo de Saturno terá uma expressão mais ponderada e reservada, enquanto um planeta num termo de Júpiter terá uma expressão mais jovial.

Alguns autores utilizam para esta dignidade as designações de limites, fronteiras ou fins.


Variações na atribuição dos termos

Existem outras variantes dos termos que também vale a pena referenciar. A mais importante é a tabela dos termos ptolemaicos. Esta versão dos termos é sugerida e adotada por Ptolomeu na sua obra Tetrabiblos. É também mencionada nas fontes medievais, mas o seu uso parece ter sido muito pontual. Durante a Renascença a obra de Ptolomeu começou a impor-se como fonte e a sua tabela popularizou-se. No entanto, foram apresentadas várias versões dos termos de Ptolomeu, com variações significativas (muitas das quais são meros erros de cópia). Na atualidade estão em uso duas versões destas tabelas, que podem ser consultadas no Anexo 3 — Dignidades Menores, Graus Zodiacais e Tabelas Adicionais.

Ptolomeu referencia ainda uma terceira tabela, que denomina de Termos Caldeus, mas que não está representada em mais nenhuma obra da época. Não são conhecidos exemplos da sua utilização.


Faces

As faces ou decanatos são divisões regulares de 10° cada; como um signo tem 30°, há três faces em cada signo.

A cada face é atribuído um planeta regente, segundo a ordem caldaica. À primeira face de Carneiro atribui-se a regência de Marte, o planeta regente de Carneiro; seguem-se, ainda neste signo, as faces do Sol e a de Vénus. O planeta seguinte na ordem caldaica, Mercúrio, é atribuído à primeira face de Touro; seguindo-se a Lua e Saturno. Júpiter, o planeta seguinte na sequência, é atribuído à primeira face de Gémeos, seguindo-se Marte e o Sol. A ordem caldaica mantém-se ao longo de todo o Zodíaco.

As faces

As faces são dignidades relativamente mais fracas, pois apenas reforçam ligeiramente a natureza do planeta. Para além de fazer parte do sistema de pesagem de dignidades e debilidades essenciais (como veremos adiante), são aplicadas em sistemas interpretativos específicos, nos quais servem para particularizar "diferenças comportamentais" dentro dos signos. Nesta perspectiva são utilizadas na interpretação detalhada do Ascendente e do Sol.


Variações na atribuição das faces

No que diz respeito à tradição astrológica ocidental, não se conhecem variações na atribuição dos planetas às faces. Contudo, está atualmente muito divulgada no Ocidente uma variante baseada no sistema astrológico hindu de decanatos, que é muito diferente das faces ocidentais.

No sistema hindu, a distribuição dos planetas tem por base os elementos e as regências dos signos. O primeiro decanato de um signo é atribuído ao regente do próprio signo, o segundo ao regente do signo seguinte do mesmo elemento e o terceiro ao regente do outro signo do mesmo elemento.

Por exemplo, para o signo de Capricórnio, o primeiro decanato corresponde a Saturno (regente do próprio Capricórnio), o segundo a Vênus  (regente de Touro, o signo de Terra seguinte) e o terceiro a Mercúrio (regente de Virgem, o restante signo de Terra).

Apesar de interessante, este sistema faz parte de outra tradição e não deve ser misturado com o sistema da tradição ocidental. A sua inserção na Astrologia ocidental é consequência da grande moda de "importações orientais" do final do século XIX e foi feita por autores que desconheciam as regras fundamentais da Astrologia.

Por vezes são referenciados na literatura astrológica outros sistemas de decanatos, baseados em misturas ou derivações do tradicional e do hindu, mas cuja validade e origem é questionável, pelo que não serão abordados na obra.


Existem outros tipos de dignidade que surgem de divisões ainda menores do Zodíaco ou da atribuição de qualidades a determinados graus. Como estas dignidades não têm uma aplicação tão generalizada, não as discutiremos neste capítulo. Alguns destes sistemas serão referidos no Anexo 3 — Dignidades Menores, Graus Zodiacais e Tabelas Adicionais.



Helena Avelar e Luis Ribeiro, in Tratado das Esferas. Editora Pergaminho. Cascais, Portugal, 2007.

Pode ser adquirido em nova edição aqui: https://www.facebook.com/prismaedicoes/

domingo, 18 de junho de 2017

Curso de Iniciação à Astrologia Tradicional (Parte 2)

Curso de Iniciação à Astrologia Tradicional - Parte 2

Conteúdo:
  • Planetas
  • Dignidades e Debilidades Essenciais
  • Condições Acidentais
Para assistir a apresentação em Power Point, siga o link abaixo: 

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Planeta Peregrino, por Marcos Monteiro

Quando o planeta não está em nenhuma dignidade ou debilidade, ele está peregrino. Este estado não é exatamente bom. Um planeta peregrino não está nem corrompido, nem de acordo com a sua própria natureza em nenhum grau. Isso quer dizer que ele pode agir de forma íntegra ou degradada, mas, pela natureza das coisas, agir de forma ruim é mais fácil.

Estar peregrino é estar sem raízes, sem ligação com o lugar em que está. Alguns autores, antigos e modernos, defendem que o planeta está peregrino quando não está em nenhuma de suas dignidades, independente da debilidade – ou seja, o planeta em queda poderia estar peregrino e em queda.

Isso não faz sentido algum; se fosse desta forma, peregrino seria um termo inútil, porque não nos diria nada de novo – e ainda borraria a diferença de estado que há entre não ter dignidade nenhuma e estar em debilidade.

Para fazer uma analogia simples, uma pessoa na prisão não está peregrina; ela não está, de forma alguma, sem raízes.


Marcos Monteiro, Introdução à Astrologia Ocidental, Edição do Autor, 2013.
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