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sexta-feira, 21 de julho de 2017

Das dignidades essenciais dos planetas, por William Lilly

A forma exata de formar julgamento na astrologia é, primeiro, tendo perfeito conhecimento da natureza dos planetas e dos signos.

Segundo, conhecendo a força, fortaleza ou debilidade dos planetas significadores, e fazendo no vosso julgamento uma boa avaliação deles, assim como dos seus aspectos e várias interações.

Terceiro, aplicando corretamente a influência da posição do céu levantado, e dos aspectos dos planetas entre si no momento da pergunta, de acordo com as naturais (e não forçadas) máximas da arte; pois quanto mais se tenta obter um julgamento para lá da natureza, mais se aumenta o erro.

Um planeta diz-se, então, ser verdadeiramente forte quando tem muitas dignidades essenciais, as quais se conhecem por ele estar no seu domicílio, exaltação, triplicidade, termo ou decanato, no momento em que a figura é levantada. Como por exemplo:

Dignidades essenciais por domicílio - Em qualquer esquema do céu, se se encontrar um planeta em qualquer dos signos a que chamamos o seu domicílio, está então essencialmente forte, e damos-lhe por isso cinco dignidades; como Saturno em Capricórnio, Júpiter em Sagitário, etc.

No julgamento, quando um planeta ou significador está na sua própria casa, representa um homem na condição de ser o senhor da sua própria casa, patrimônio ou fortuna; ou um homem a quem faltam muito poucos bens deste mundo, ou diz-nos que o homem está num estado ou condição muito feliz; isto será verdade, a não ser que o significador esteja retrógrado, ou combusto, ou afligido por qualquer outro planeta, ou aspecto malévolo.

Exaltação - Se estiver no signo em que está exaltado, podem-se-lhe dar quatro dignidades essenciais, quer esteja perto do exato grau da sua exaltação ou não, tal como Marte em Capricórnio ou Júpiter em Câncer.

Se o significador estiver na sua exaltação e não tiver nenhum impedimento, mas estiver angular, apresenta uma pessoa de temperamento altivo, arrogante, assumindo para si mais do que lhe é devido, pois verifica-se que em algumas partes do zodíaco os planetas exibem os seus efeitos com mais evidência do que noutras; e acho que isto acontece naqueles signos e graus em que as estrelas fixas da mesma natureza do planeta são mais numerosas e estão mais perto da eclíptica.

Triplicidade — Se estiver em qualquer dos signos que são atribuídos à sua triplicidade, são-lhe dadas três dignidades; mas aqui há que ser-se muito cauteloso; como por exemplo: numa pergunta, natividade, ou semelhante, se se encontrar o Sol em Áries, e a pergunta, ou natividade, ou esquema levantado for noturno, e se se examinar as fortalezas do Sol, ele terá quatro dignidades por estar na sua exaltação, o que acontece em todo o signo; mas não terá nenhuma dignidade por estar na sua triplicidade, pois durante a noite não é o Sol quem rege a triplicidade do fogo, mas sim Júpiter, o qual, se tivesse estado no lugar do Sol, e durante a noite, teria recebido três dignidades; fazer assim com todos os planetas em geral, excetuando Marte que rege a triplicidade da água de noite e de dia.

Um planeta na sua triplicidade mostra um homem modestamente dotado dos bens e fortuna deste mundo, alguém de boa ascendência, sendo boa a sua condição de vida no momento da pergunta; mas não tanto como se estivesse em qualquer das duas dignidades anteriores.

Termo — Se qualquer planeta estiver nos graus que atribuímos aos seus termos, damos-lhe duas dignidades; assim, se de noite ou de dia Júpiter estiver a um, dois, três ou quatro, etc., graus de Áries, está então nos seus próprios termos e portanto deve ter duas dignidades; o mesmo acontece com Vênus em qualquer dos primeiros oito graus de Touro, etc.

Um planeta fortificado apenas por estar nos seus próprios termos, mostra mais um homem com a aparência física e o temperamento do planeta do que qualquer extraordinária abundância na fortuna, ou eminência na comunidade.

Decanato — Se qualquer planeta estiver no seu decanato, decúria ou face, tal como Marte nos primeiros dez graus de Aries, ou Mercúrio nos primeiros dez graus de Touro, é-lhe então dada uma dignidade essencial, pois ao estar no seu próprio decanato ou face, não pode ser considerado peregrino.

Um planeta tendo pouca ou nenhuma dignidade, mas estando no seu decanato ou face, é quase como um homem prestes a ser posto na rua, despendendo muito esforço para manter a sua credibilidade e reputação; e nas genealogias, representa uma família nos últimos estertores, bastante decadente, quase incapaz de se sustentar.

Os planetas podem ser fortes de uma outra forma, viz. acidentalmente, como quando estão diretos, rápidos de movimento, angulares, em trígono ou sextil a Júpiter ou Vênus, etc. ou em conjunção com certas estrelas fixas notáveis, conforme será posteriormente relatado. Segue-se uma Tábua de Dignidades Essenciais, através da qual com um mero golpe de vista se pode verificar a dignidade essencial ou a imbecilidade que cada planeta tem

Tem havido muita discordância entre os Árabes, Gregos e Indianos, relativa às dignidades essenciais dos planetas; quero dizer, na forma de distribuir os vários graus dos signos corretamente por cada planeta; assim se passaram muitos séculos e, até à época de Ptolomeu, os astrólogos não se resolviam sobre este assunto; mas desde a época de Ptolomeu, os Gregos seguiram unanimemente o método que ele deixou, sendo desde então e até hoje, considerado pelos outros Cristãos da Europa como o mais racional; mas atualmente os Mouros da Barbary e os astrólogos da sua nação que viveram em Espanha, diferem um pouco de nós hoje em dia; apesar disso, apresento-vos uma tábua de acordo com Ptolomeu.


O uso desta tábua

Todos os planetas têm dois signos como seus domicílios, exceto o Sol e a Lua, tendo estes apenas um cada; Saturno tem Capricórnio e Aquário; Júpiter, Sagitário e Peixes; Marte, Áries e Escorpião; Sol, Leão; Vênus, Touro e Libra; Mercúrio, Gêmeos e Virgem; Lua, Câncer. Um destes domicílios é chamado diurno, indicado na segunda coluna pela letra D. O outro é noturno, indicado pela letra N. A terceira coluna indica os signos em que os planetas têm as suas exaltações, tais como o Sol a 19° de Áries, a Lua a 3° de Touro, o Nó Norte a 3° de Gêmeos, etc., em que estão exaltados.

Estes doze signos estão divididos em quatro triplicidades. A quarta coluna diz-nos qual o planeta ou planetas que, tanto de noite como de dia, governam cada triplicidade. Assim, em frente a Áries, Leão e Sagitário encontram-se Sol e Júpiter, vir. o Sol governa durante o dia naquela triplicidade, e Júpiter de noite. Em frente a Touro, Virgem e Capricórnio, encontram-se Vênus e Lua; viz. Vênus tem domínio durante o dia naquela triplicidade e a Lua durante a noite. Em frente a Gêmeos, Libra e Aquário encontram-se Saturno e Mercúrio, os quais regem como foi dito.

Em frente a Câncer, Escorpião e Peixes, encontra-se Marte que, de acordo com Ptolomeu e Naibod, rege sozinho aquela triplicidade, tanto de dia como de noite. Em frente a Áries, nas colunas cinco, seis, sete, oito e nove, encontra-se Júpiter 6, Vênus 14, o que nos diz que os primeiros seis graus de Áries são os termos de Júpiter; dos seis aos catorze, os termos de Vênus, etc.

Em frente a Áries, nas colunas dez, onze e doze, encontra-se Marte 10, Sol 20, Vênus 30, viz. os primeiros dez graus de Áries são o decanato de Marte; dos dez aos vinte, o decanato do Sol; dos vinte aos trinta, o decanato de Vênus, etc.

Na coluna treze, em frente a Áries, encontra-se Vênus Detrimento, viz. estando Vênus em Áries, está no signo oposto a um dos seus próprios domicílios, e assim diz-se que está no seu detrimento.

Na coluna catorze, em frente a Áries, encontra-se Saturno e acima Queda, ou seja, quando Saturno está em Áries está oposto a Libra, sua exaltação, e assim encontra-se desafortunado, etc. Apesar destas questões terem já sido mencionadas na natureza dos planetas, esta tábua torna-as contudo mais evidentes à vista.




quinta-feira, 13 de julho de 2017

Dignidade Acidental, por Marcos Monteiro

No capítulo 14, vimos a relação entre os planetas e os signos em que estão: o que se chama de dignidade essencial.

Ela é chamada assim porque trata de como as qualidades essenciais dos planetas vai se manifestar: se eles estão de acordo com suas qualidades mais nobres ou não.

Isso está relacionado, por assim dizer, com a natureza da ação do planeta; mas não diz nada sobre a força dessa ação.

Um exemplo simples. Marte pode significar um soldado honrado (em Áries, seu domicílio) ou um encrenqueiro violento (em Câncer, sua queda).

Essa distinção não nos informa, no entanto, se Marte consegue cumprir sua missão. O soldado vai conseguir me defender? O encrenqueiro pode me machucar?

A força da ação nos é dada pelo que chamamos de dignidade acidental, e sua contraparte, a debilidade acidental.

A palavra “acidente”, aqui, é usada no sentido aristotélico, em oposição a “essência”, e não significa necessariamente nada ruim ou inesperado. São auxílios ou aflições que não fazem parte da essência do planeta, mas que nos dizem o quanto de força para agir (ou o quanto de dificuldades para agir) o planeta tem.

Existem muitas dignidades e debilidades acidentais, porque, pela natureza das coisas, os acidentes são variados. Vamos ver rapidamente as principais.


Posição nas casas

As casas angulares, por sua natureza, são mais reais que as outras regiões do céu: assim, quanto mais próximo de um ângulo, mais real é a influência do planeta, mais forte é a sua ação.

As casa seis, oito e doze, ao contrário, são restritivas. Os planetas nelas têm menos força de ação; eles estão afligidos nelas (doenças e adversidades, morte, prisão e vícios: os significados das casas não prometem muita ajuda).

As demais, de forma geral, são neutras.

Esse efeito diminui bastante com a distância da cúspide (se o planeta estiver no meio da casa dez, tem muito menos força que um planeta próximo do meio-céu) e com estar em signo diferente da cúspide (o limite entre os signos funciona como uma barreira, um cordão de isolamento).


Cazimi

Estar cazimi, ou no coração do Sol, é uma das dignidades acidentais mais fortes que existem: estando nas graças do rei, é possível fazer qualquer coisa - exceto, é claro, ser o rei. Então, é uma dignidade que promete quase qualquer coisa, menos a posição de domínio.

Por outro lado:


Combustão

É uma das piores aflições acidentais que existem. O planeta está queimado, destruído, oculto, aniquilado - adjetivos que normalmente não acompanham ações bem sucedidas. Estar Sob os Raios do Sol é uma aflição também, mas não tão ruim.


Oposição ao Sol

Oposição próxima com o Sol (menos de 8 graus de afastamento) é quase tão ruim quanto a combustão, sem haver um oásis comparável ao cazimi.


Estrelas fixas

A conjunção próxima com estrelas fixas benéficas (especialmente as mais fortes, como Spica ou Regulus, e que tenham natureza parecida com a do planeta) é uma dignidade acidental importante.

Da mesma forma, a conjunção com estrelas fixas maléficas, como Algol ou Antares, ou que signifiquem aflição grave dentro do contexto, é uma debilidade acidental grave.


Velocidade

Aqui não estamos falando da velocidade média, nem da velocidade normal, dos planetas.

A dignidade é estar mais rápido que o normal. A Lua é sempre mais rápida do que os outros planetas, mas isso não importa. No entanto, se ela estiver bastante mais rápida do que a sua própria velocidade normal, ela está acidentalmente dignificada.

A única exceção é Saturno. Estar mais rápido que o normal não é bom para o planeta da lentidão.

Estar muito mais lento que o normal é debilitante.

Estar estacionário - parado, com velocidade zero - é uma debilidade grave.

Estar retrógrado normalmente é considerado uma aflição grave; mas isso depende muito do contexto. Se o planeta significa um filho perdido, ele estar voltando é uma coisa boa.


Júbilo

Eu mencionei essa dignidade quando falei das casas.

Todo planeta tem seu júbilo em uma das casas. É uma casa na qual o planeta se sente bem, por assim dizer, porque as atividades da casa têm alguma semelhança com as atividades que o planeta significa.

O júbilo da Lua é a casa três; a do Sol, a nove. Vênus tem seu júbilo na cinco, Júpiter na onze. O júbilo de Marte é a casa seis, o de Saturno, a doze. Mercúrio tem seu júbilo na casa um.

Estar na casa contrária ao próprio júbilo é uma aflição.


Aspectos próximos

Aspectos próximos de planetas com muita dignidade essencial são benéficos; aspectos próximos de planetas debilitados são maléficos. Oposições, de forma geral, são maléficas.

Isso, como tudo em astrologia, depende do contexto: o que os planetas envolvidos significam, o que o próprio aspecto significa, etc.


Conjunção com os Nodos

De forma geral, uma conjunção com o Nodo Norte é extremamente benéfica: é como se o planeta subisse num banquinho.

A conjunção com o Nodo Sul, ao contrário, é uma restrição grave: é como se o planeta tivesse caído num buraco.

Outros aspectos não são importantes; não há como fazer um aspecto a um dos nodos sem fazer aspecto ao outro.


Oriental e ocidental

Estes termos têm mais de um significado possível. O significado normalmente associado à dignidade e debilidade acidental tem a ver com a posição em relação ao Sol.

Estar oriental é estar antes do Sol em movimento primário: ou seja, nascer antes do Sol. Estar ocidental, ao contrário, é estar depois do Sol no movimento primário.

O significado deriva da visibilidade. Planetas orientais nascem antes do Sol; ou seja, são visíveis no céu escuro. Planetas ocidentais nascem quando o Sol já nasceu, então não são visíveis.

Para saber se o planeta está ocidental ou oriental, imagine que o Sol esteja no ascendente. Qualquer planeta “acima do horizonte” está oriental; qualquer planeta no outro hemisfério está ocidental.

De forma geral, estar oriental pode ser considerado uma dignidade acidental: o planeta é mais óbvio, mais manifesto no mundo, enquanto estar ocidental é estar mais escondido, mais oculto.


Halb e Hayz

Os termos têm origem árabe.

Os signos e os planetas se dividem em planetas diurnos e noturnos.

Quando um planeta diurno está acima do horizonte (nas casas VII, VIII, IX, X, XI e XII) de dia ou abaixo do horizonte (nas casas I, II, III, IV V e VI) de noite, ele está em halb. Um planeta noturno está em halb quando está abaixo do horizonte de dia e acima do horizonte de noite.

Um planeta em hayz está em halb e, além disso, está num signo do próprio gênero (ou seja, um planeta masculino num signo masculino, um feminino num feminino).

Os conceitos são bastante simples, mas é sempre bom lembrar que Marte, apesar de noturno, é masculino, e que Mercúrio é diurno quando oriental, noturno quando ocidental, e que é masculino ou feminino dependendo dos planetas que estão em conjunção ou aspecto com ele ou do planeta que o rege.


As dignidades e debilidades da Lua

Por sua posição de destaque, e por ser o único dos astros cuja forma visível varia, a Lua tem algumas dignidades e debilidades especiais.

A primeira tem a ver com a quantidade de luz. Quando mais cheia a Lua estiver, mais ela é visível.

Então, estar aumentando em luz é uma dignidade para a Lua, enquanto estar diminuindo em luz é uma debilidade. Sim, isso quer dizer que para a Lua, estar ocidental é uma dignidade - isso também vale para Vênus e Mercúrio, segundo alguns autores, mas por outros motivos.

Há uma faixa do Zodíaco (entre 15° de Libra e 15° de Escorpião), chamada Via Combusta, no qual a Lua também está debilitada.

Os motivos para a existência dessa faixa são controversos e a discussão foge ao propósito deste livro. Ela parece afetar somente a Lua.


Lua Fora de Curso

Este conceito atrai confusão de todos os lados, desde o seu nome até a sua importância.

O “Lua Fora de Curso” vem de “Void of Course Moon”, que é uma tradução ao inglês da expressão em latim “Luna Vacua Cursa”, que quer dizer “Lua em caminho vazio”, ou “Lua com percurso vazio”.

Isso quer dizer: a Lua não tem nenhum planeta no caminho dela. Ela termina o seu percurso por um signo sem fazer conjunção ou aspecto.

A Lua, pela sua posição de intermediária entre o céu e a terra, pode significar o fluxo geral dos acontecimentos. Desta forma, ela não fazer nada é um sinal de que nada vai acontecer, de que as coisas permanecem como estão.

Repetindo: é um sinal, de importância variável de acordo com a situação. Não é um veredicto. O cosmos não pára até que a Lua mude de signo. As pessoas que nascem quando a Lua está fora de curso crescem e se desenvolvem como o resto do mundo.

Como a ideia é a Lua ficar sem fazer nada, não faz sentido dizer que ela está fora de curso nos últimos graus de um signo, porque ela está prestes a fazer algo: mudar de signo.




Marcos Monteiro, Introdução à Astrologia Ocidental, Edição do Autor, 2013.

O livro pode ser adquirido aqui:
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segunda-feira, 10 de julho de 2017

Urano, Netuno, Plutão, por Marcos Monteiro

Preciso tratar dos três “planetas transaturninos”. Esta é a hora.

Desde que foram descobertos, estes corpos atraíram a atenção dos astrólogos. Eles receberam significados bastante variados; cada um recebeu um dos signos para reger; foram recebidos com entusiasmo e acolhidos na grande família astrológica.

Há alguns problemas nisso.

Em primeiro lugar, acho que consegui demonstrar no começo do livro que as coisas concretas têm sete facetas. Qualquer coisa inserida no modelo não pode entrar no conjunto dos sete.

Isso ocorre também com as significações. Eles não podem retirar significado dos planetas existentes, porque os significados não são, num certo sentido, deles.

Da mesma forma, não faz sentido nenhum mudar a regência dos signos, que obedece a regras independentes da astronomia e possuiu uma simetria bastante que é quebrada, ao se inserirem novos regentes, sem melhorar em nada a precisão do modelo.

Isso é importante: considerá-los como planetas astrológicos não traz ganho nenhum. E é incoerente com os princípios astrológicos de base: planetas são os corpos que parecem se mover no sentido contrário ao do céu visível, não interessando se astronomicamente são planetas, satélites da Terra (Lua) ou estrelas (Sol).

E, aqui, chegamos a outro ponto importante: eles não são visíveis. Então, essas significações todas são, no mínimo, exageradas.

Na China, Na Índia, no Japão, na Babilônia antiga, e provavelmente em qualquer outra astrologia, Marte está associado à guerra, conflito, rupturas, enquanto Vênus está relacionada a união e amor, por causa das suas aparências.

Marte rege Escorpião porque corporifica as qualidades relacionadas a Escorpião; Plutão virou o “regente moderno” de Escorpião numa votação num congresso.

Isso não quer dizer que eles não tenham papel nenhum na astrologia. O problema maior é decidir o que eles significam; mas, desde que não os tratemos como planetas, nem, com toda a certeza, não os empurremos para reger signo nenhum, eles podem ser assimilados.

O modo mais coerente de entendê-los é como estrelas fixas especiais. Pontos que só são importantes em aspectos próximos (apenas conjunções e oposições parecem ser importantes).

Não vejo sentido algum em não utilizá-los porque “não eram conhecidos à época do astrólogo X, ou no período Y”. Outras coisas que não eram conhecidas há alguns séculos eram computadores pessoais e a Nova Zelândia. Como ninguém se opõe ao uso do computador, ou à existência de astrólogos na Nova Zelândia, também não faz muito sentido ignorá-los.

Eles também são parte do Cosmos, também foram feitos pela mesma mão que fez o Céu.

O ponto mais delicado é determinar o que eles simbolizam. Muitas das associações feitas são baseadas em descobertas, ou eventos, que ocorreram perto da sua descoberta. Isso traduz mais o que o astrólogo quer que o corpo signifique do que o que ele significa na verdade.

Outras significações derivam dos mitos relacionados aos seus nomes, o que faz sentido: essas nomeações, embora inconscientes, não são inteiramente ao acaso. Mas é sempre bom lembrar que Urano já foi George e Herschel, então não é possível levar essas associações totalmente ao pé da letra.

Alguns significados (Urano, conflito, eletricidade; Netuno, confusão, excesso de água, terremotos; Plutão, mal oculto) parecem estar consistentemente ligados a eles.

Um modo de tentar derivar algumas das significações deles é analisar seu movimento, o equivalente mais próximo de “aparência sensível” que eles têm. Urano está visível em algumas épocas do ano, embora seja sempre fraco. Então, ele “liga e desliga”; está ligado ao divórcio, à separação e também à informática (eletricidade, corrente alternada, e linguagem digital - binário, sim ou não, um ou zero).

Netuno parece estar ligado ao engano, à auto-ilusão, às drogas, à embriaguez, à “cegueira voluntária”, e ao tempo ruim. O aspecto que pode estar ligado a isso é ele estar sempre quase visível, sempre um pouco além da visão humana; além disso, enquanto Urano dá a volta ao redor do Sol em 84 anos, Netuno completa seu ciclo em 168, pouco tempo acima do máximo da vida humana. É como se ele estivesse quase ao nosso alcance.

Plutão parece estar relacionado, normalmente, ao mal, às coisas ruins de forma geral, mas principalmente ao auto-sabotamento, ao mal autoinflingido. Sua volta ao redor do Sol dura 248, muito mais do que a vida humana mais longeva; ele está muito afastado, muito escondido - algo sempre oculto e longe de nós não parece, a princípio, coisa boa.

A influência dos três parece sempre ser mais ou menos maléfica.

E os outros corpos?

Quando se desce mais na “cadeia alimentar astrológica”, a coisa fica ainda mais complicada. Planetas novos, planetas anões, asteroides, pontos fictícios, a imaginação não tem limites. Não há como arranjar significações novas para todas essas coisas, baseando-se somente nos nomes que lhe deram.

De forma geral, mesmo esses corpos menos importantes não são ruins ou proibidos, se respeitarem o modelo astrológico. Na verdade, o problema é que, se Urano, Netuno e Plutão já não são necessários (eles colorem uma análise, dão maior precisão a algumas coisas, mas nunca são indispensáveis), essas outras coisas se aproximam cada vez mais da inutilidade completa e podem chegar a atrapalhar, pelo excesso de informação sem importância.





sábado, 1 de julho de 2017

Outras Dinâmicas entre Planetas, por Clélia Romano

Ainda dentro das relações entre planetas, dado o movimento constante deles nos céus, podem ocorrer inúmeras variáveis de encontros, desencontros e impedimentos para sua colaboração efetiva.

Chamarei atenção agora para um fato semelhante à recepção. mas que funciona simplesmente pelo contato: trata-se da comissão de disposição e transferência de virtude "pelo corpo".

Quando um planeta faz aspecto com outro, desde que nenhum se interponha primeiro entre eles, o planeta A passa sua virtude (se a tiver) para o planeta B. O segundo planeta fica portador da virtude que possuir mais aquela que lhe foi transmitida pelo primeiro planeta.

Então vejamos: a Lua está a 6° de Câncer, Vênus está 8° de Câncer e Saturno a 9° de Libra. A Lua passa sua virtude a Vênus (note que ela possui virtude, pois está em seu domicílio) "através de seu corpo" e a transmite a Vênus.

Vênus que já tinha triplicidade e face neste signo e grau agora tem também a força de regência.

A ideia de transmissão de virtude vem desde Paulus de Alexandria, autor Helenístico. Ele dizia que se um planeta cadente e sem forças, recebesse um aspecto de Júpiter, por exemplo, ele poderia ser ativado e tornado útil, funcionando como se estivesse num ângulo ele mesmo.

A seguir abordarei uma série de fatores dinâmicos que ocorrem entre planetas, além da transmissão de virtude.

Entre as dinâmicas temos:

1 - A translação de luz ocorre quando um planeta mais leve se aplicou a um planeta e em seguida vai aplicar-se a outro: neste caso a luz do segundo será transferida para o terceiro. Isso só pode  ocorrer se houver recepção. Digamos que a Lua está a 6° de Câncer, Vênus está 8° de Câncer e Saturno a 20° de Libra. A Lua faz um aspecto com Vênus e a seguir com Saturno. Como Vênus recebe Saturno por domicílio, a qualidade de Vênus, é transferida para Saturno: os dois significadores ficam unidos, mesmo que não estivessem unidos em aspecto.

2 - A coleção de luz ocorre quando dois planetas que estão inconjuntos faz
em aspecto a um terceiro mais lento que coleta, reúne a luz dos dois promovendo sua união.

3 - O retorno de virtude. Suponha que Saturno esteja retrógrado a 25° de Libra no Ascendente e Júpiter esteja no Meio Céu em Câncer a 25°.

Júpiter é o mais leve, portanto ele se aplica a Saturno. Saturno está retrógrado e por isso não pode obter a virtude de exaltação que Júpiter tem em Câncer. Ele a devolve então, fazendo o retorno da virtude a Júpiter que sai aprimorado com as qualidades de exaltação de Saturno em Libra. Júpiter que já era forte fica duplamente forte.

Os desencontros e perdas entre planetas são em maior número:

1 - Impedimento ou proibição: por vezes um planeta mais ligeiro vai se aplicar a outro mais lento e um terceiro planeta se interpõe entre os dois.

2 - Refranação: O planeta A que buscava aspecto com o planeta B desiste e entra em retrogradação,

3 - Contrariedade: o planeta A que ia aspectar o planeta B é impedido de fazê-lo porque outro, o planeta C, entrou em retrogradação e aspectou B primeiro.

4 - Frustração: o planeta A tenta o aspecto com B, mas B muda de signo e completa o aspecto com o planeta C (o planeta A fica "frustrado").

5 - Corte da luz: o planeta A ia fazer aspecto com B e a seguir com C, eventualmente fazendo urna translação de luz entre eles, mas C se torna retrógrado e atinge B primeiro. Este aspecto não impede o aspecto do significador A para os outros dois, mas impede a translação de luz de A para C por isso o aspecto é denominado corte da luz.

Concluindo, o importante não é gravar os nomes corretos, mas ter em mente o significado e as potenciais possibilidades de encontro ou empecilho ao encontro entre planetas.

Além disso, ter a tabela de efemérides à mão é imprescindível. sem a qual as vezes não conseguiremos saber o que ocorrerá proximamente aos planetas, o que significa que não conheceremos os sinais do futuro.

O leitor deve estar atento a esses aspectos e relações.

Em astrologia horária tais vicissitudes entre os planetas nos ajudam a prever um desenvolvimento favorável ou não, e na astrologia natal esses aspectos podem auxiliar ou prejudicar um planeta.

Em astrologia natal deveriam ser mais utilizadas, visto que tais dinâmicas nos dirão sobre o que ocorrerá ao nativo conforme o mapa natal progrida em suas direções.

Por exemplo, digamos que em um mapa natal a Lua esteja em Câncer a aplicar-se por um trígono a Vênus em Peixes. Imaginemos que a Lua esteja a 10° de Câncer e Vênus a 16° de Peixes. Haverá urna recepção mútua por triplicidade e um aspecto de trígono. Mas, vamos supor que Saturno esteja a 11° de Capricórnio.

Como a Lua é mais rápida que Vênus ela é quem vai se aplicar a Saturno primeiro, pois é sempre o planeta mais rápido que se aplica ao mais lento. Ocorre que Saturno não recebe a Lua e nem a Lua recebe Saturno. A Lua tem seu detrimento em Capricórnio e Saturno tem seu detrimento em Câncer.

Se o leitor estivesse interpretando uma carta horária essa situação seria desastrosa caso a Lua e Vênus fossem os significadores da matéria, que seria sumariamente negada.

Mas na astrologia natal essa dinâmica também é importante: corno a carta progride, podemos imaginar que a Lua vá se defrontar logo de início com Saturno.

As coisas seriam mais fáceis para o nativo se a Lua fosse se aplicar a Vênus e tal situação planetária pode representar a diferença entre uma infância feliz ou difícil.


Clélia Romano, in Fundamentos da Astrologia Tradicional, Edição do Autor, 2011.

O livro pode ser adquirido aqui: http://www.astrologiahumana.com/

sexta-feira, 30 de junho de 2017

O Sistema de Dignidades e Debilidades Essenciais, por Helena Avelar e Luís Ribeiro

Já vimos como os planetas expressam as suas naturezas e como essa expressão é "colorida" pelas características do signo em que se encontram. Vamos agora desenvolver esse conceito.

Quando colocados num mesmo signo, os planetas apresentam uma tonalidade comum, que lhes é conferida pelo próprio signo. Contudo, no mesmo signo, alguns planetas têm maior facilidade em expressar-se que outros. Tudo depende do nível de "conforto" que o planeta desfruta naquele posicionamento zodiacal.

Assim, existem áreas do Zodíaco em que a expressão de um planeta é naturalmente forte e estável, enquanto noutras o mesmo planeta apresenta dificuldades. Estas áreas são definidas pela própria ordem natural do Zodíaco e das esferas celestes.

Quando um planeta se encontra num segmento do Zodíaco no qual a sua natureza é reforçada diz-se que está dignificado; quando se encontra numa área em que a sua expressão é dificultada diz-se debilitado.

Estes estados de dignidade e debilidade são denominados essenciais, pois reforçam ou dificultam a manifestação da essência dos planetas.

Quando dignificado o planeta adquire mais status no horóscopo e torna-se, em maior ou menor medida, senhor das suas ações. Quando debilitado o planeta perde poder e fica condicionado pelos restantes planetas.

No sistema de dignidades essenciais existem cinco estados de dignidade e dois de debilidade, que estudaremos em seguida.


As Dignidades Maiores

As principais dignidades são o trono (ou regência) e a exaltação. Quando um planeta tem estes níveis de dignidade adquire poder e a sua expressão torna-se mais marcante. Em oposição a estas dignidades, existem as debilidades de exílio e queda. Se um planeta tiver este nível de debilidade a sua expressão torna-se fraca e irregular.

Pela sua importância e pelo poder que conferem ao planeta, estas dignidades (e as correspondentes debilidades) são designadas maiores, fundamentais ou completas.


O trono ou regência

A dignidade mais importante é de trono ou regência.

Cada signo tem um planeta regente, que atua como rei e senhor daquele "território".

O regente é a chave através da qual as características do signo se expressam. Assim, para além das qualidades primitivas, dos elementos, dos modos e gêneros, os signos são também caracterizados pelo seu planeta regente.

Como já vimos, os signos regidos por Saturno têm uma expressão estruturada e austera, devido à natureza do seu regente; os signos regidos por Júpiter partilham uma atitude entusiasta e fluida; os de Marte têm uma ação bélica e assertiva; o signo regido pelo Sol é irradiante; os de Vénus expressam-se de forma harmoniosa e suave; os de Mercúrio são multifacetados, e o signo da Lua tem uma expressão variável e flutuante.

Quando o planeta regente está no próprio signo que rege, diz-se que está dignificado. Tal como um rei no seu trono, expressa a sua natureza no seu melhor, de forma estável e produtiva. Por exemplo, se Vênus estiver posicionada num dos seus signos de regência, Touro ou Balança, a sua expressão será suave e agradável, seja no aspecto sensorial e prático da Terra (Touro) ou no aspecto social e comunicativo do Ar (Balança).

Importante: Nos textos antigos, o signo que o planeta rege é também denominado "a casa do planeta", estabelecendo uma equivalência entre os termos trono e casa. Nos autores clássicos são frequentes as referências à "casa da Lua", o signo de Caranguejo, ou à "casa de Saturno", o signo de Capricórnio ou de Aquário.

Para evitar a confusão entre as casas dos signos (no sentido de trono) e as Casas astrológicas, não utilizaremos esta terminologia nesta obra. Sempre que falarmos em Casas, referir-nos-emos às Casas astrológicas. O leitor deverá, contudo, estar ciente desta terminologia quando consultar os autores tradicionais.


Como se atribuem as regências

A atribuição de regências baseia-se na combinação de dois fatores distintos: as características sazonais de cada signo e a ordem dos planetas nas esferas celestes (ordem caldaica). Vejamos, então, como estes dois factores interagem.

Como já referimos, o Zodíaco tem como base as quatro estações do ano.

Os signos de Caranguejo e Leão marcam o auge do Verão. Como correspondem às épocas mais luminosas, têm como regentes os luminares: o Sol e a Lua. O Sol — o luminar masculino e senhor do dia — rege Leão, um signo masculino e diurno, enquanto a Lua — o luminar feminino e senhora da noite — rege Caranguejo, um signo feminino e noturno.

Saturno — o planeta mais distante e escuro — rege os dois signos de Inverno, Capricórnio e Aquário. É-lhe atribuída a regência dos signos correspondentes à época do ano em que há menos luz e em que as condições de vida são mais difíceis. Por ser um símbolo de escassez, Saturno fica no esquema de regência oposto aos luminares, símbolos de abundância e vida.

Os restantes planetas são distribuídos pelos signos de acordo com a sua posição nas esferas celestes, ou seja, segundo a ordem caldaica.

Júpiter — planeta que se segue a Saturno na ordem das esferas — rege os dois signos adjacentes, Sagitário e Peixes. Marte rege os dois signos seguintes, Carneiro e Escorpião. Vênus rege Touro e Balança, e Mercúrio rege Gêmeos e Virgem.

Ao contrário do que geralmente se afirma, as regências não são atribuídas com base em afinidades entre planetas e signos.

Note-se que neste esquema Vênus e Mercúrio mantêm em relação aos luminares a mesma amplitude de afastamento que têm em relação ao Sol.

Como Mercúrio não se afasta do Sol mais que um signo, é-lhe atribuída a regência dos signos adjacentes aos dos luminares. Vénus rege os signos seguintes, pois o seu afastamento máximo do Sol não ultrapassa dois signos.

Tronos ou regências planetárias
Podemos então observar que o esquema de regências transporta para o Zodíaco a perfeição das esferas celestes.

A perfeita distribuição dos regentes planetários gera várias ordens de simetria e relação entre os planetas, que são essenciais para a compreensão das próprias fundações da Astrologia. Divide o Zodíaco em signos lunares (de Aquário a Caranguejo) e signos solares (de Leão a Capricórnio).

Signos solares e signos lunares
Também atribui a cada planeta uma regência diurna, num signo masculino, e uma regência noturna, num signo feminino. Assim, cada planeta tem uma expressão extrovertida (diurna, masculina) e uma expressão introvertida (noturna, feminina). Por exemplo, Vénus tem a sua regência noturna em Touro, signo feminino e noturno, e a sua regência diurna em Balança, um signo masculino e diurno.

Os luminares não apresentam esta duplicidade, pois são eles que definem o próprio conceito de dia e noite; além disso podem ser considerados um par.

Regentes diurnos e noturnos

Júbilo por signo

Nalgumas regências a natureza do planeta é temperada pela natureza do próprio signo; quando isto acontece, diz-se que o planeta está em júbilo.

Júpiter, em planeta masculino e diurno, tem o seu júbilo em Sagitário, signo igualmente masculino e diurno. Vênus, feminino e noturno, tem júbilo em Touro, que partilha a mesma natureza. Mercúrio, que é essencialmente Seco, tem júbilo no signo Frio e Seco de Virgem.

Esta ação moderadora tanto se manifesta por reforço (casos anteriores), como por contraposição (caso dos planetas maléficos).

Marte, que é noturno, torna-se mais construtivo em Escorpião, também noturno, mas cujas qualidades de Frio e Úmido temperam a natureza excessivamente Quente e Seca do planeta. Saturno, sendo diurno, fica mais equilibrado no signo diurno de Aquário, onde a sua natureza excessivamente Fria e Seca é temperada pelas qualidades Quente e Úmido do signo.

Nota: o júbilo por signo não deve ser confundido com o júbilo por Casa, que será abordado mais adiante.

Signos de júbilo dos planetas


Exílio ou detrimento

Quando o planeta está no signo oposto ao da sua regência diz-se que está em exílio ou detrimento. Este é o estado oposto ao trono. Nesta situação a expressão do planeta encontra-se debilitada. A sua atuação torna-se insegura e pouco direta. Como tem dificuldade em expressar-se, a sua natureza é enfraquecida e distorcida. Quando em exílio, as qualidades naturais dos planetas transformam-se nos defeitos correspondentes (que nada mais são afinal que uma deturpação das qualidades).

Assim, a seriedade e cautela de Saturno transformam-se em melancolia e avareza; a generosidade e otimismo de Júpiter tornam-se esbanjamento e descuido; a ousadia e assertividade de Marte manifestam-se como covardia e agressividade; a natural autoridade do Sol torna-se arrogante; a sensualidade e sociabilidade de Vênus pendem para a luxúria e a leviandade; a curiosidade e engenho de Mercúrio expressam-se como intriga e trapaça; a adaptabilidade da Lua resvala para a inércia e preguiça.

Se o planeta em exílio representar um objecto, sugere algo em mau estado, pouco valioso e possivelmente estragado.

Alguns autores utilizam para esta debilidade as designações de desterro ou inveja.

Exílios dos planetas


Exaltação

Os regentes de cada signo podem ter em alguns casos um planeta segundo-em-comando, que com eles partilha as funções de governação do "reino". A este segundo estado de dignidade é dado o nome de exaltação. O termo exaltação vem do latim exalto e significa pôr ao alto, elevar, honrar. Podemos comparar a exaltação ao cargo de primeiro-ministro: é um dignitário com muitas honras e poder, mas cuja atuação continua a depender da aprovação do rei.

Um planeta exaltado encontra-se num estado de grande força. Podemos até considerar que expressa a sua natureza com uma intensidade maior do que no estado de trono. No entanto, a expressão de um planeta exaltado é mais inconstante, passando por altos e baixos.

Cada planeta tem a sua exaltação apenas num signo.

Exaltações dos planetas

Numa interpretação astrológica considera-se que um planeta exaltado indica simultaneamente valor e exuberância. Se o planeta representar um indivíduo, sugere alguém respeitado e bem-intencionado mas com tendência ao exagero e até à arrogância. Um objecto representado por um planeta exaltado estará em bom estado, mas poderá parecer mais valioso do que na realidade é.

Alguns autores utilizam para esta dignidade a designação de honra.


Queda

À exaltação corresponde uma debilidade denominada queda, que ocorre no signo oposto.

Tal como na situação de exílio, um planeta em queda tem dificuldade em expressar a sua natureza. Na queda essa dificuldade é caracterizada por instabilidade na expressão. O planeta torna-se "trapalhão", a sua ação é desadequada, fora de contexto.

Alguns autores utilizam para esta debilidade as designações de depressão ou vergonha.

Quedas dos planetas

Como se atribuem as exaltações e quedas dos planetas

Mais uma vez, a explicação das posições de exaltação tem como base um pensamento "agrícola", baseado na dinâmica da natureza. A exaltação está ligada ao nível de fertilidade do planeta e à sua afinidade com uma determinada estação do ano.

O Sol tem exaltação no Carneiro, pois quando entra neste signo inicia-se a Primavera, os dias tornam-se maiores e o calor aumenta. Além disso, a sua natureza Quente e Seca é idêntica à de Carneiro e à de Marte, seu regente. A sua queda dá-se em Balança, signo que marca a diminuição de luz e a entrada do Outono.

A Lua exalta-se no Touro, signo feminino e primaveril, adjacente ao Carneiro, signo de exaltação do Sol. Qual rainha dos céus, fica posicionada ao lado do seu rei. Além disso, se o Sol estivesse em Carneiro, a Lua ao sair dos seus raios seria visível pela primeira vez em Touro. Escorpião, oposto a Touro, é o signo da sua queda.

Saturno tem a sua exaltação em Balança, signo oposto à exaltação do Sol, mantendo assim em relação ao astro-rei a mesma posição que tem nas regências. A Balança marca o início do Outono, estação em que o frio começa a aumentar e os dias a diminuir; torna-se assim o signo ideal para a exaltação do planeta mais Frio, Saturno. Pela mesma ordem de ideias, a sua queda é em Carneiro, o primeiro signo da Primavera.

Júpiter, planeta da fertilidade e abundância, tem a sua exaltação em Caranguejo, signo do Verão e do amadurecimento das colheitas. A sua queda dá-se em Capricórnio.

Marte tem a sua exaltação em Capricórnio onde o seu calor extremo fica temperado pela frieza do Inverno. A sua queda ocorre em Caranguejo.

Vénus, planeta feminino e Úmido, exalta-se em Peixes, signo de umidade, que prepara a fertilidade da Primavera. A sua queda dá-se em Virgem, signo em que marca a passagem para o Outono e o domínio do Seco.

Mercúrio, de natureza Seca, tem exaltação em Virgem, signo Frio e Seco (do qual também é regente), e queda em Peixes, signo Frio e Úmido.


Os graus de exaltação

Os autores da tradição assinalam também graus específicos para a exaltação dos planetas. Assim, o Sol teria a sua exaltação no grau 19 de Carneiro, a Lua no grau 3 de Touro, Júpiter no grau 15 de Caranguejo, Mercúrio no grau 15 de Virgem, Saturno no grau 21 de Balança, Marte no grau 28 de Capricórnio e Vénus no grau 27 de Peixes. A queda ocorre no mesmo grau do signo oposto.

Em termos práticos, a exaltação é considerada em toda a extensão do signo. Estes graus parecem indicar apenas os pontos de maior força. Alguns investigadores pensam tratar-se de posicionamentos simbólicos ou o que resta de um sistema de posicionamentos astronômicos de grande importância para os antigos.


Dignidades Secundárias

O trono, a exaltação, o exílio e a queda são as dignidades e debilidades fundamentais (também chamadas "completas") do sistema astrológico. É possível fazer a interpretação básica de um horóscopo contando apenas com estes quatro fatores de pesagem.

No entanto, o sistema de debilidades é mais complexo. Para além da regência e exaltação existem ainda mais três níveis de dignidade: a triplicidade, o termo e a face. Estas dignidades adicionais para além de terem aplicações técnicas específicas permitem uma melhor avaliação do potencial de expressão de cada planeta nos vários graus do Zodíaco. Utilizando o sistema completo podemos compreender como, em determinados horóscopos, planetas aparentemente debilitados conseguem ter uma expressão mais coerente com a sua natureza.

Refira-se ainda que, ao contrário do trono e da exaltação, as triplicidades, termos e faces não têm uma debilidade complementar. Por esse motivo são também designadas por dignidades incompletas.


Triplicidades

As triplicidades são dignidades atribuídas de acordo com o elemento de cada signo. A cada elemento são atribuídos três planetas: um chamado diurno, outro noturno e ainda um terceiro, chamado participante ou comum. Estes três planetas são comuns aos signos do mesmo elemento.

O elemento Fogo tem como triplicidade diurna o Sol; a sua triplicidade noturna é Júpiter e Saturno é a triplicidade participante.

O Ar tem Saturno como triplicidade diurna, Mercúrio como triplicidade noturna e Júpiter como participante.

No elemento Terra a triplicidade diurna é Vênus, a noturna a Lua e o participante é Marte.

A Água tem também Vênus como triplicidade diurna, mas Marte é a triplicidade noturna e a Lua é participante.

Como se pode constatar, a atribuição das triplicidades a cada elemento segue a facção dos planetas: aos elementos diurnos são atribuídos planetas diurnos, e aos noturnos planetas noturnos.

Tabela das triplicidades
Na prática, um planeta em triplicidade está literalmente "em família" pois encontra-se num elemento da sua facção. Não está no seu reino (como na regência), nem é primeiro-ministro (como na exaltação), mas faz parte da "família real" e goza, portanto, de algum poder. Também se considera que um planeta em triplicidade está "entre amigos".

Alguns autores afirmam que num mapa diurno a triplicidade diurna será mais forte, e que a noturna terá maior impacto num mapa noturno. A triplicidade participante terá sempre uma força moderada. De qualquer modo, um planeta posicionado num signo em que possua triplicidade está em estado de dignidade, independentemente do mapa ser noturno ou diurno.

Os regentes das triplicidades são geralmente considerados em sequência, recebendo a denominação de primeira, segunda e terceira triplicidade. Esta sequência depende se o mapa é diurno ou noturno (recordamos que nos mapas diurnos o Sol está acima do horizonte, estando abaixo deste nos noturnos). Nos diurnos, dá-se precedência à triplicidade diurna, seguida da noturna e da participante; nos noturnos, a precedência vai para a triplicidade noturna, seguindo-se a diurna e a participante.

Sequência diurna:

Triplicidades: sequência diurna
Sequência noturna:

Triplicidades: sequência noturna

Em técnicas muito particulares de interpretação, as triplicidades indicam sequências temporais. É nestes casos que as sequências diurnas e noturnas se tornam mais relevantes, pois a ordem dos planetas é determinante.


Variações na atribuição das triplicidades

O conjunto de triplicidades que apresentamos neste livro é o mais comum e aceite entre os autores tradicionais. Tem atualmente a designação de "Triplicidades de Dorotheus", não porque este autor as tenha criado, mas por ser a fonte mais antiga que as referencia.

Na Renascença deu-se uma grande reformulação da teoria astrológica, tendo por base os ensinamentos ptolemaicos. Em consequência, as triplicidades "de Dorotheus" foram gradualmente substituídas por versões baseadas no texto de Ptolomeu. Este autor altera os planetas participantes em Fogo, substituindo Saturno por Marte, e em Terra, substituindo Marte por Saturno. Ptolomeu altera também as triplicidades da Água, atribuindo a sequência: Vénus, Lua, Marte.

Uma das variantes mais divulgadas atualmente é da escola inglesa, da qual são representantes conhecidos autores como William Lilly. Esta linha usa apenas as triplicidades diurnas nos mapas diurnos e as noturnas nos mapas noturnos. As sequências são iguais às de Dorotheus, mas o planeta participante é abandonado. A única excepção ocorre no elemento Água, em que Marte (regente noturno da Água para Dorotheus) é considerado simultaneamente regente de triplicidades diurna e noturna.



Termos

Os termos são divisões dos signos em cinco partes desiguais. A cada parte (ou termo) é atribuída a regência de um dos cinco planetas tradicionais: Júpiter, Vénus, Mercúrio, Marte e Saturno. A Lua e o Sol não regem termos.

A maior peculiaridade dos termos é a sua irregularidade. Cada divisão incorpora partes desiguais do mesmo signo e cada signo é dividido de forma diferente; além disso, também a sequência dos regentes difere de signo para signo, ou seja, não há dois signos iguais no que diz respeito aos termos. Por exemplo, no signo de Carneiro a primeira divisão tem 6°; a segunda, 6°; a terceira, 8°; e a quarta e a quinta, 5°. No signo seguinte, Touro, as divisões têm respectivamente, 8°, 6°, 8°, 5° e 3°.

Também a sequência de planetas é completamente diferente nestes dois signos. No Carneiro o primeiro termo é de Júpiter, o segundo de Vénus, o terceiro de Mercúrio, o quarto de Marte e o último de Saturno. Quanto ao Touro, a sequência dos regentes dos termos é a seguinte: Vénus, Júpiter, Mercúrio, Saturno e Marte.

A razão destas atribuições perdeu-se no tempo. Os autores mais antigos, nomeadamente Ptolomeu, sugerem que a distribuição dos planetas depende do nível de dignidade que cada um tem no signo, dando prioridade ora à regência, ora à exaltação, ora à triplicidade. Marte e Saturno, por serem maléficos, tendem a reger os dois últimos termos, enquanto os benéficos, Júpiter e Vênus, são preferencialmente colocados nos termos iniciais.

Os termos mais utilizado pelos autores são os "termos egípcios". São estes os que adotamos ao longo do livro e que utilizamos na nossa prática astrológica. Esta sequência aparece nos autores mais antigos e mantém-se coerente ao longo dos milênios.

Tabela dos termos egípcios
Podemos comparar o termo de um planeta ao seu "feudo" dentro do signo. Um planeta no seu próprio termo está no seu território privado, mesmo que o signo onde se encontra não lhe seja particularmente favorável. Pode, portanto, agir de acordo com as suas próprias regras (literalmente, "nos seus termos").

O termo tem também algum efeito sobre a qualidade de expressão dos planetas. Por exemplo, um planeta num termo de Saturno terá uma expressão mais ponderada e reservada, enquanto um planeta num termo de Júpiter terá uma expressão mais jovial.

Alguns autores utilizam para esta dignidade as designações de limites, fronteiras ou fins.


Variações na atribuição dos termos

Existem outras variantes dos termos que também vale a pena referenciar. A mais importante é a tabela dos termos ptolemaicos. Esta versão dos termos é sugerida e adotada por Ptolomeu na sua obra Tetrabiblos. É também mencionada nas fontes medievais, mas o seu uso parece ter sido muito pontual. Durante a Renascença a obra de Ptolomeu começou a impor-se como fonte e a sua tabela popularizou-se. No entanto, foram apresentadas várias versões dos termos de Ptolomeu, com variações significativas (muitas das quais são meros erros de cópia). Na atualidade estão em uso duas versões destas tabelas, que podem ser consultadas no Anexo 3 — Dignidades Menores, Graus Zodiacais e Tabelas Adicionais.

Ptolomeu referencia ainda uma terceira tabela, que denomina de Termos Caldeus, mas que não está representada em mais nenhuma obra da época. Não são conhecidos exemplos da sua utilização.


Faces

As faces ou decanatos são divisões regulares de 10° cada; como um signo tem 30°, há três faces em cada signo.

A cada face é atribuído um planeta regente, segundo a ordem caldaica. À primeira face de Carneiro atribui-se a regência de Marte, o planeta regente de Carneiro; seguem-se, ainda neste signo, as faces do Sol e a de Vénus. O planeta seguinte na ordem caldaica, Mercúrio, é atribuído à primeira face de Touro; seguindo-se a Lua e Saturno. Júpiter, o planeta seguinte na sequência, é atribuído à primeira face de Gémeos, seguindo-se Marte e o Sol. A ordem caldaica mantém-se ao longo de todo o Zodíaco.

As faces

As faces são dignidades relativamente mais fracas, pois apenas reforçam ligeiramente a natureza do planeta. Para além de fazer parte do sistema de pesagem de dignidades e debilidades essenciais (como veremos adiante), são aplicadas em sistemas interpretativos específicos, nos quais servem para particularizar "diferenças comportamentais" dentro dos signos. Nesta perspectiva são utilizadas na interpretação detalhada do Ascendente e do Sol.


Variações na atribuição das faces

No que diz respeito à tradição astrológica ocidental, não se conhecem variações na atribuição dos planetas às faces. Contudo, está atualmente muito divulgada no Ocidente uma variante baseada no sistema astrológico hindu de decanatos, que é muito diferente das faces ocidentais.

No sistema hindu, a distribuição dos planetas tem por base os elementos e as regências dos signos. O primeiro decanato de um signo é atribuído ao regente do próprio signo, o segundo ao regente do signo seguinte do mesmo elemento e o terceiro ao regente do outro signo do mesmo elemento.

Por exemplo, para o signo de Capricórnio, o primeiro decanato corresponde a Saturno (regente do próprio Capricórnio), o segundo a Vênus  (regente de Touro, o signo de Terra seguinte) e o terceiro a Mercúrio (regente de Virgem, o restante signo de Terra).

Apesar de interessante, este sistema faz parte de outra tradição e não deve ser misturado com o sistema da tradição ocidental. A sua inserção na Astrologia ocidental é consequência da grande moda de "importações orientais" do final do século XIX e foi feita por autores que desconheciam as regras fundamentais da Astrologia.

Por vezes são referenciados na literatura astrológica outros sistemas de decanatos, baseados em misturas ou derivações do tradicional e do hindu, mas cuja validade e origem é questionável, pelo que não serão abordados na obra.


Existem outros tipos de dignidade que surgem de divisões ainda menores do Zodíaco ou da atribuição de qualidades a determinados graus. Como estas dignidades não têm uma aplicação tão generalizada, não as discutiremos neste capítulo. Alguns destes sistemas serão referidos no Anexo 3 — Dignidades Menores, Graus Zodiacais e Tabelas Adicionais.



Helena Avelar e Luis Ribeiro, in Tratado das Esferas. Editora Pergaminho. Cascais, Portugal, 2007.

Pode ser adquirido em nova edição aqui: https://www.facebook.com/prismaedicoes/

Planetas e Outros Corpos, por Benjamin Dykes

No trabalho sobre natalidades, muitos tradicionalistas hoje se apegam aos sete planetas antigos e seus significados, e quase nunca reconhecem pontos como o Vertex ou a Lua Negra (Lilith). Mas alguns também usam planetas externos e até mesmo asteroides. Da minha própria observação, parece que meus amigos que usam planetas externos e asteroides  fazem isso porque os aprenderam ao estudar astrologia moderna e ainda os acharam úteis. Mas também encontrei um tema comum: quase todos os tradicionalistas mantêm regentes tradicionais e tratam planetas externos e asteroides apenas como corpos secundários ou para amplificar os detalhes - não como coisas primárias a serem consideradas. Em termos de regras, então, Júpiter ainda governa Pisces, Saturno ainda governa Aquário, e Marte ainda governa Escorpião. E, ao olhar para um mapa, muitos tradicionalistas apenas prestarão atenção a um planeta externo ou a um asteroide, se isso ocorrer em algum grau de outro planeta ou ponto que seja importante. Então, por exemplo, se Urano está em seu 11º natal, mas está longe da cúspide ou de qualquer planeta antigo, muitas vezes é ignorado. Mas se o senhor do Ascendente (o planeta que governa o signo ascendente) está em um quadratura muito próxima com algum planeta exterior ou diretamente em um asteroide chave, esse outro corpo pode ser importante para questões da 1ª casa ou do caráter do nativo ou propósito da vida. Nesse sentido, os planetas externos e asteroides são algo menos do que um planeta verdadeiro, mas algo mais do que uma estrela fixa.

Eu direi mais sobre regências e dignidades no Capítulo 8, mas aqui está um esquema de Abú Ma'shar que eu acho interessante:

Relação dos planetas com a sociedade (Abū Ma'shar)
Este esquema é uma espécie de visão social dos planetas. Os planetas superiores (superiores) significam desenvolvimentos a longo prazo e eventos de época, enquanto os planetas inferiores (mais baixos) significam mais a curto prazo. Além disso, cada planeta do grupo superior se correlaciona e precisa de um do grupo inferior, de modo a torná-lo "real" e prático. Então Saturno e Vênus significam fundamentos e começos: Saturno estabelece sistemas políticos e dinastias, enquanto Vênus indica costumes e relações entre as pessoas. Júpiter significa os sistemas de direito e moral que trazem as idéias básicas de um sistema político ou religião, enquanto Mercúrio os codifica e preserva através da escrita (ele também indica "medição" literal ou figurativa no sentido de entender e explicar e explicar o que as naturezas verdadeiras e completas das coisas são). Marte e a Lua indicam mudanças, mudanças e a quebra do que aconteceu antes: Marte através da guerra, a Lua através da mudança diária e das viagens. No meio do meio está o Sol, que significa governantes agindo em nome e por causa das coisas mais elevadas, e que tomam uma decisão sobre as coisas mais baixas.

Note-se que Saturno desempenha especialmente o papel de influências geracionais ou mesmo de época: em vez de usar planetas externos para rastrear tendências entre gerações, os astrólogos tradicionais usaram a teoria persa da história astrológica que mencionei no Capítulo 1. A ideia principal é esta: se rastrearmos as conjunções Saturno-Júpiter ao longo do tempo, veremos que eles tendem a se agrupar no mesmo elemento por cerca de 240 anos: acerca de cada 20 anos, Saturno e Júpiter se juntam em um signo de um determinado elemento (digamos, um signo de fogo) e depois se juntarão, 20 anos depois, em outro signo do mesmo elemento; 20 anos depois, o mesmo. Após algumas centenas de anos, sua conjunção de repente mudará para o próximo elemento (neste caso, os signos de terra), com numerosas conjunções ao longo desse elemento, até que mudem de novo. A primeira conjunção de uma série elementar é chamada de "conjunção da mudança" e marca mudanças na história mundial e nas religiões. Ao rastrear as conjunções estreitas a cada 20 anos (e aplicar outras técnicas de predição), obtemos mais informações sobre mudanças geracionais e mudanças políticas. Isso não quer dizer que os planetas externos não podem mostrar coisas semelhantes. Mas a astrologia tradicional tem uma teoria pré-fabricada e um conjunto de técnicas para isso, que merecem ser vistas.

Essa maneira alternativa de olhar a mudança geracional me leva a outro ponto: na astrologia tradicional, todos os planetas também são planetas pessoais. Cada planeta tem associações com algum aspecto da alma (Vênus para o amor, a Lua para o corpo e emoções associadas) ou pessoas em nossas vidas (Saturno para um parente masculino mais velho, a Lua para a mãe), mesmo que certos planetas sejam especialmente usados quando se olha para a psicologia pessoal de alguém (Mercúrio e Lua). Não se agrupa necessariamente os planetas como sendo planetas pessoais ou impessoais (ou geracionais).

Na verdade, acho que a maioria dos astrólogos modernos também trabalham dessa maneira. Mas notei um hábito intrigante entre os astrólogos modernos: embora os planetas externos sejam chamados de impessoais ou geracionais, muitas vezes são as primeiras coisas que as pessoas modernas observam em um mapa de nascimento e são usadas para explicar todos os tipos de características pessoais da vida E detalhes de eventos - até mesmo os trânsitos muito duradouros de planetas externos são frequentemente usados ​​para explicar praticamente tudo. Muitas pessoas deixam que os planetas externos monopolizem o mapa, de modo que algo que normalmente possa ser atribuído a Júpiter (digamos, espiritualidade) ou violência (Saturno, Marte) seja dado a Neptuno, Urano e Plutão, deixando os antigos planetas com muito menos para fazer.

Atualmente, não utilizo planetas externos, mas não há motivos para que você não tente tratar os externos e os asteroides de forma diferente: tente notá-los apenas quando eles estão a cerca de um grau de um ângulo ou planeta antigo e se forçam a fazer algo além dos planetas antigos. Você pode se surpreender ao descobrir que raramente precisa de planetas externos, e quando você os usa dessa forma restrita, eles serão mais interessantes e úteis para você.



Capítulo 6
Benjamin Dykes, in Traditional Astrology for Today - An Introduction, Cazimi Press, Minneapolis, Minessota, EUA, 2011. Tradução de Claudio Fagundes.

O livro está à venda aqui:
https://www.amazon.com/Traditional-Astrology-Today-Benjamin-Dykes/dp/1934586226/ref=sr_1_4?ie=UTF8&qid=1497110339&sr=8-4&keywords=benjamin+dykes

domingo, 18 de junho de 2017

Curso de Iniciação à Astrologia Tradicional (Parte 2)

Curso de Iniciação à Astrologia Tradicional - Parte 2

Conteúdo:
  • Planetas
  • Dignidades e Debilidades Essenciais
  • Condições Acidentais
Para assistir a apresentação em Power Point, siga o link abaixo: 

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Outra breve descrição da aparência e forma dos planetas, por William Lilly

Saturno - Significa alguém de cor escura, de uma palidez de chumbo ou de cor escura e terrosa; é alguém de pele áspera, grossa e muito peluda no corpo, olhos pequenos, muitas vezes a sua tez é entre o negro e o amarelo, ou como se sofresse de icterícia negra ou amarela; é magro, encurvado ou com cara de carocha, uma barba rala, lábios grossos, como os dos mouros; olha para o chão, é lento de movimentos, tem as pernas tortas ou bate com uma perna ou joelho contra a outra; a maioria tem hálito fétido, raramente livre de tosse. Quando está peregrino ou desafortunado - é astuto para os seus próprios fins, seduzindo as pessoas para o seu lado, cheio de vingança e maldade, não se importando com a Igreja ou a religião; é uma má pessoa, um vadio desmazelado, ou uma prostituta; um grande comilão, ou alguém com um grande estômago, um tipo brigão, de grandes ombros, ganancioso mas raramente rico, etc.

Júpiter — Devemos descrever Júpiter e um jupiteriano como sendo uma pessoa de estatura agradável, rosto cheio, olhos grandes, uma tez sanguínea, ou com uma mistura de branco e encarnado, um largo espaço entre as sobrancelhas, geralmente a barba é de cor clara ou dourada; algumas vezes também, quando Júpiter está combusto, muito escura ou preta, o seu cabelo grosso, os seus olhos não são negros, os dentes bem implantados, fortes e grandes, mas geralmente existe uma marca de diferença nos dois dentes da frente, ou porque estão separados, ou há algum negrume ou imperfeição neles; o seu cabelo encaracola suavemente (se estiver num signo de fogo). É um homem de boas palavras, religioso, ou pelo menos um bom homem, virtuoso e honrado; uma pessoa bela e um pouco gorda (se Júpiter estiver em signos úmidos), carnuda; se estiver em signos aéreos, grande e forte; em signos de terra, é alguém geralmente bem nascido; mas se for significador de um rústico vulgar, como pode por vezes acontecer, então terá mais humanidade do que a que é geralmente evidenciada por esses homens.

Marte — Um homem marcial tem muitas vezes a cara cheia, com uma cor viva como se estivesse bronzeado, ou como a cor de cabedal curtido, um rosto feroz, os olhos brilhantes ou agudos e penetrantes, e de cor amarela; o seu cabelo, tanto da cabeça como da barba, é encarniçado (mas aqui deve-se variar conforme o signo; em signos de fogo e de ar, onde Marte caia junto a estrelas fixas da sua própria natureza, mostra uma forte cor encarnada amarelada, mas em signos de água, estando com estrelas fixas da sua própria natureza, tem um cabelo brilhante alourado ou quase branco; se estiver em signos de terra, o cabelo é um castanho pardo). Tem uma marca ou cicatriz na cara, tem ombros largos, um corpo forte e resistente, sendo atrevido e orgulhoso, dado à troça, ao desdém, à briga, à bebida, ao jogo e à luxúria, coisa que se pode facilmente saber pelo signo em que se encontra: se no domicílio de Vênus, luxúria, no de Mercúrio, roubo, mas se estiver no seu próprio domicílio, briga, no de Saturno é teimoso, no do Sol é autoritário, no da Lua é um bêbado.

Sol — O Sol denota geralmente alguém de cor branca obscura misturada com encarnado; um rosto redondo e queixo curto, uma estatura razoável e um corpo bonito; a sua cor por vezes entre o amarelo e o negro, mas na maioria das vezes mais sanguínea do que o contrário; um homem destemido e resoluto, de cabelo encaracolado; tem uma pele branca e delicada, é alguém desejoso de aplauso, fama e estima entre os homens; tem uma voz clara e uma cabeça grande, os dentes são um pouco distorcidos ou implantados de forma oblíqua, ou tem um discurso lento, mas de raciocínio inteligente; exteriorizando grande decoro nos seus atos, mas sendo privadamente lascivo e inclinado a muitos vícios.

Vênus — Quem for significado por Vênus, seja homem ou mulher, tem um belo rosto redondo, olhos grandes, geralmente chamados olhos arregalados, lábios encarnados como rubis, o inferior mais grosso ou maior do que o superior, as pálpebras escuras, contudo belas e graciosas, o cabelo de uma cor encantadora (mas a maioria das vezes de acordo com o signo, como foi dito antes) em alguns é negro carvão, noutros um castanho claro, um cabelo suave e doce, e o corpo extremamente bem feito, inclinando-se sempre mais para o baixo do que para o alto.

Mercúrio — Descrevemos Mercúrio como sendo um homem nem branco nem moreno,  mas entre ambos, de um castanho pardo ou cor amarela escura, rosto longo, testa alta, olhos pretos ou cinzentos, um nariz fino e comprido, uma barba rala (muitas vezes nenhuma), de cor castanha parda, quase preta, corpo magro, pernas finas, um tipo má língua e metediço, e no andar é ágil, parecendo estar sempre cheio de atividade.

Lua — Esta, devido à sua rapidez, varia a sua forma muito frequentemente, mas geralmente personifica alguém com um rosto redondo e cheio, em cuja tez se pode perceber uma mistura de branco e encarnado, mas em que a palidez tem preponderância; se estiver em signos de fogo, o homem ou a mulher falam apressadamente; em signos de água, ele ou ela têm algumas sardas na cara, ou têm as bochechas redondas; o corpo não é muito belo, sendo antes uma criatura confusa e, a não ser que esteja muito bem dignificada, significa sempre uma pessoa vulgar e comum.


William Lilly, in Astrologia Cristã.

Planeta Peregrino, por Marcos Monteiro

Quando o planeta não está em nenhuma dignidade ou debilidade, ele está peregrino. Este estado não é exatamente bom. Um planeta peregrino não está nem corrompido, nem de acordo com a sua própria natureza em nenhum grau. Isso quer dizer que ele pode agir de forma íntegra ou degradada, mas, pela natureza das coisas, agir de forma ruim é mais fácil.

Estar peregrino é estar sem raízes, sem ligação com o lugar em que está. Alguns autores, antigos e modernos, defendem que o planeta está peregrino quando não está em nenhuma de suas dignidades, independente da debilidade – ou seja, o planeta em queda poderia estar peregrino e em queda.

Isso não faz sentido algum; se fosse desta forma, peregrino seria um termo inútil, porque não nos diria nada de novo – e ainda borraria a diferença de estado que há entre não ter dignidade nenhuma e estar em debilidade.

Para fazer uma analogia simples, uma pessoa na prisão não está peregrina; ela não está, de forma alguma, sem raízes.


Marcos Monteiro, Introdução à Astrologia Ocidental, Edição do Autor, 2013.
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Debilidades: Queda, por Marcos Monteiro

Assim como o detrimento é o posto do domicílio, a queda é o contrário da exaltação.

Assim como a exaltação significa nobreza, ou força, exageradas, na queda as coisas estão ruins, mas parecem ainda piores.

O Sol está em queda em Libra, a Lua em Escorpião, Mercúrio em Peixes, Vênus em Virgem, Marte em Câncer, Júpiter em Capricórnio, Saturno em Áries.

É fácil ver que o signo oposto ao da exaltação é ruim para os planetas. Se a Lua está bem no repouso e na fruição, não pode estar bem na tensão constante de Escorpião. Mercúrio está excepcionalmente forte (domicílio e exaltação em Virgem), então está excepcionalmente perdido (detrimento e queda) em Peixes, e por aí vai.

Há alguns casos em que o planeta está em alguma dignidade, mas em uma debilidade. Os mais evidentes são Vênus em Virgem de dia (dignidade de triplicidade, debilidade de queda) e Marte em Câncer (dignidade de triplicidade, debilidade de queda), mas alguns planetas têm faces ou termos no próprio detrimento e/ou queda.

A ideia é que ele está mal, com alguns pontos de qualidade. Não ignoramos as dignidades, mas elas não anulam as debilidades.

Marcos Monteiro, Introdução à Astrologia Ocidental, Edição do Autor, 2013.
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quinta-feira, 1 de junho de 2017

Dignidades essenciais: Triplicidades, por Marcos Monteiro

Não há uma escala suave e regular entre os tipos de dignidade. A triplicidade é uma dignidade muito mais fraca que domicílio e exaltação.

Os signos, como vimos no capítulo sobre eles, formam trios que partilham o mesmo elemento.

Cada um desses signos é chamado de triplicidade.

Então, a triplicidade do fogo é composta pelos signos de Aries, Leão e Sagitário.

A triplicidade do ar são os signos de Gêmeos, Libra e Aquário. A triplicidade da água são Câncer, Escorpião e Peixes.

A triplicidade da terra são os signos de Touro, Virgem e Capricórnio.

Há duas tabelas de regentes da triplicidade, uma com dois regentes (um diurno e outro noturno), outra com três regentes (um diurno, um noturno e outro participante).

Alguns autores sustentam que o sistema de três regentes é mais antigo que o regente de duas triplicidades (que seria uma degeneração), o que parece não se sustentar. Ptolomeu e Paulo de Alexandria já mencionavam o sistema de dois regentes; o que pode ter acontecido é que ambos os sistemas conviviam, cada um sendo usado num tipo diferente de aplicações, como muitos autores ainda hoje fazem.

Na minha experiência, o sistema de dois regentes funciona bem e parece mais conforme aos princípios básicos da arte; de qualquer forma, ele parece ter sido mais usado durante a maior parte da astrologia ocidental, então vai ser o que vou explicar com mais detalhes.


A triplicidade do fogo é regida pelo Sol de dia e por Júpiter de noite. A triplicidade do ar é regida por Saturno de dia e por Mercúrio de noite. A triplicidade da terra é regida por Vênus de dia e pela Lua de noite. A triplicidade da água é regida por Marte de dia e de noite.

Uma relação entre as faculdades da alma que os planetas simbolizam e como cada elemento se manifesta pode tornar essa tabela menos estranha ao leitor.

O fogo é ação, atividade. A ação vem da vontade (Sol); Júpiter (o intelecto passivo, o entendimento sem esforço das coisas) é o que a alimenta.

O ar é o pensamento, que surge do interesse em inteligir (Saturno, o intelecto agente) e é alimentado pela estimativa, pela capacidade de cálculo, de classificação (Mercúrio)

A terra é a manutenção do mundo físico, é a materialidade, a permanência. Ela, propriamente, não age, mas suporta, mantém — coisa que só fazemos quando gostamos (Vênus, o apetite concupiscível) e só gostamos do que absorvemos, do que temos, ao menos em alguma medida, na alma (a Lua é o sentido comum, a "fantasia" no sentido grego, a capacidade da alma que absorve os dados brutos do exterior e os organiza na memória e para a imaginação e as outras faculdades).

A água simboliza os desejos, que seguimos usando o apetite irascível, Marte.

Essa relação sublinha outra: a cólera (fogo) e a fleuma (água) são dois modos opostos de impulsionar a ação, enquanto o ar e a terra são dois modos opostos de reagir ao mundo externo.

Eu usava um esquema para me ajudar a memorizar a tabela, quando comecei a estudar as dignidades.

Ele não é explicativo, é apenas um arranjo para facilitar a lembrança das relações, mas pode ser útil ao leitor:

Triplicidades ativas (quentes): 

Regente diurno do fogo: planeta que tem duas dignidades maiores no elemento, o Sol (domicílio em Leão, exaltação em Aries).

O regente noturno do fogo é o regente do domicilio do signo restante (Sagitário), Júpiter; o regente noturno do ar é o regente do domicílio do signo restante (Gêmeos), Mercúrio.

Triplicidades passivas (frias): 

Não há nenhum planeta com duas dignidades maiores na terra, então usamos o regente do primeiro signo como regente diurno, Vênus. Os regentes de domicílio dos outros signos (Mercúrio, Virgem, e Saturno, Capricórnio) já foram usados, então como regente noturno vou usar o planeta com exaltação no primeiro signo, a Lua.

Sobrou Marte e a triplicidade da água.

Esse esquema tem outra vantagem: por ser trabalhoso, nos lembra que é preciso decorar os regentes.

A significação da dignidade de triplicidade é bastante bem entendida quando pensamos que o planeta está no próprio elemento. Ele está à vontade, bem, mas sem poder para fazer muita coisa.
As dignidades são cumulativas, porque não são simplesmente a mesma coisa com variações de intensidade, mas são coisas diferentes.



Ler mais aqui:  Marcos Monteiro, Introdução à Astrologia Ocidental, Edição do Autor, 2013.

Dignidades essenciais: Exaltação, por Marcos Monteiro

A outra dignidade forte é chamada de exaltação.

Todo planeta tem apenas um signo no qual está exaltado; assim, há cinco signos que não são a exaltação de planeta nenhum.

A impressão que os textos antigos passam é que a exaltação era algo análogo ao domicílio em alguma outra tradição astrológica que foi absorvido.

Vários textos antigos dizem que ela é menos forte que o domicílio, mas isso é preciosismo. Normalmente, o domicilio pode ser considerado como mais forte, mas a diferença é sempre pequena; eles se distinguem, na verdade, pelo tipo de dignidade.

Enquanto o domicílio torna o planeta nobre como se fosse um rei no próprio castelo, a exaltação pode ser comparada a um hóspede de honra. Ela é forte, o planeta está num signo que lhe permite exercer bem suas qualidades, mas ele parece mais nobre, mais forte, mais perfeito do que, na verdade, é. A significação mais comum da exaltação é o exagero das qualidades. É como no caso do hóspede: nós o tratamos como um ser perfeito, esquecendo que ele também tem seus defeitos.

Nem sempre é muito clara a relação entre o signo e o planeta exaltado nele, mas ela sempre existe.


O Sol é exaltado no signo de início da primavera, quando o gelo derrete e tudo começa a florir e se movimentar no hemisfério norte. O Sol é benéfico à vida, ele realmente está mais forte, e tudo está mudando por causa dele, mas a reação da natureza à sua presença parece desproporcial à sua força real. Ele não está absurdamente mais forte do que estava um mês antes, mas a natureza se comporta como se ele fosse mágico. O mundo vivo parece cantar "Here Comes the Sun", dos Beatles, na primavera.

Além disso, Aries é o primeiro signo do ano astrológico, é a novidade do fogo. O Sol é a fagulha divina que inicia o movimento de tudo, e é muito bem vista aqui.

No signo oposto do Zodíaco, Libra, o signo da diplomacia e da balança, do equilíbrio, a organização, a temperança, o chão firme, a estabilidade são coisas extremamente bem vindas.
Mais que isso, embora os dias sejam exatamente iguais às noites, embora o frio não seja tão rigoroso, tudo funciona em função do gelo, da noite, da "morte da natureza" no hemisfério norte. A partir daqui, a noite só aumenta, o dia só diminui, a natureza se esconde. Saturno parece dominar de forma desproporcional ao seu poder real.

Mercúrio é exaltado no próprio domicílio noturno, Virgem. A ideia é que aqui, Mercúrio é o super-Mercúrio, porque Virgem é o signo do cálculo, da divisão, da repetição, das coisas calculadas e refeitas à perfeição, das engrenagens milimetricamente ajustadas. O planeta das trocas e do agir pequeno é muito bem vindo aqui, o que não acontece no seu signo oposto.

Em Peixes, a bela Vênus é exaltada. No signo das águas de março fechando o verão ("é promessa de vida no meu coração") no hemisfério sul, no signo em que a natureza se movimenta de amor e agitação pela explosão de vida da primavera, o planeta da união e da inspiração está exaltada: aqui ela não é só o amor, mas a musa inspiradora, o amor que vem do alto.

Como eu falei no capítulo anterior, há algumas oposições interessantes entre os significados dos planetas. As exaltações ressaltam algumas delas.

O Senhor da Vida (Sol) e o Senhor da Morte (Saturno) são uma oposição óbvia e que se repete no domicílio e na exaltação.

Vênus e Mercúrio repetem o que todos sabemos, que o amor e o cálculo não combinam, é como levar a planilha de contas do casal para um jantar romântico, ou estragar uma noite de amor contando quantas espinhas o/a amado/a tem e dividindo pela quantidade de unhas encravadas.

Marte e Júpiter representam tipos de ação opostos. Marte em Capricórnio é o herói no signo mais obviamente relacionado com o exército (Capricórnio, signo cardinal da terra, a unidade fria e seca, a organização do movimento, a resistência ativa). E o pôster da lenda nos quarteis e locais de recrutação, o herói cujas qualidades — resistência, impulso, determinação, coragem, destemor — inspiram.

Júpiter em Câncer são as bênçãos do alto no seio da família, é o Papai Noel visitando as crianças na manhã de natal. Júpiter é abundância, magnanimidade, excesso: no signo íntimo, dos desejos infantis. Essas qualidades são bastante apreciadas.

Touro, o signo do conforto e da fruição, do repouso, é um lugar entusiasmadamente acolhedor para o planeta que significa a mãe, a maternidade, e também a fome, os desejos básicos.



Ler mais aqui: Marcos Monteiro, Introdução à Astrologia Ocidental, Edição do Autor, 2013.