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domingo, 30 de julho de 2017

Revolução Solar: Procedimentos básicos a serem observados para analisar o ano, por Clélia Romano

Eis uma lista de a ser verificada:

1 - Que casa surge no Ascendente da RS e onde esta casa está na natividade. Da mesma forma, observe onde o Ascendente natal aparece na RS, e onde estão os regentes dos dois Ascendentes na RS e na carta natal.

2 - Em que casa estão na RS os planetas que regem ângulos natais. E pode o leitor verificar também os ângulos da RS: em que casa caem na natividade?

3 - Note se há planetas em ângulos natais e neste caso onde aparecem na RS, isto é em que casa estão e que casa é esta na natividade.

4 -Que planetas são notáveis na RS e que casa natal afetam?

5 - Planetas natais e seus signos e regentes carregam para a RS o sentido que possuem na carta radical. O que muda é o tópico onde aquilo vai ocorrer. O tópico é fornecido pela casa onde o planeta aparece na RS.

6 - A importância de um planeta na RS ganha muito em intensidade se ele for angular, especialmente na se o for na carta natal.

7 - O Ascendente da RS deve ser analisado como um tópico a surgir. Se aparecer na RS o MC natal como Ascendente são os assuntos profissionais que surgirão. Se o regente do Ascendente desta RS estiver em boa casa e celestialmente dignificado melhor: ele realizará a contento os efeitos do MC natal, desde que isso seja previsto na carta natal, e tomará a forma, isto é, surgirá como um tópico a se realizar na casa onde estiver na RS.

8 - Os aspectos que um planeta natal faz ou recebe e onde eles surgem na RS devem ser levados em conta e delineados como tópicos do ano.

9 - Similaridade entre a carta natal e a RS levam as coisas a acontecer. Dissimilaridades as retardam.


Capítulo 3 (extrato). Há exemplos no livro.
Clélia Romano, in Técnicas Astrológicas Preditivas, Edição do Autor, 2015.

O livro pode ser adquirido aqui: http://www.astrologiahumana.com/

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Revolução Solar - Determinação Local, por Clélia Romano

O leitor deve ter observado na comparação entre a carta natal da Princesa Diana e a RS do ano de seu casamento, que sempre que encontrávamos um planeta, íamos à carta natal buscar referências sobre ele.

Vamos agora explicitar como funciona o que Morin de Villefranche chamou de determinação local e quais as regras básicas de interpretação da RS.

Qualquer planeta na RS carrega consigo sua determinação natal, isto é, seu sentido na carta natal, os aspectos que recebe de outros planetas e a quais se aplica na natividade.

Essa noção é facilmente esquecida. Tendemos a pensar que Júpiter é um benéfico e que se ele aparecer na Casa 1 da RS será um ano positivo para o nativo. No entanto, se ele estiver na Casa 6 da natividade ele é um maléfico acidental, isto é, ele é um benéfico universalmente falando, mas acidentalmente ele tem a ver com doenças e se, além disso, ainda estiver no Ascendente, promete problemas físicos para o corpo.

Portanto deve-se interpretar qualquer planeta na RS de acordo com seu significado natal.

É importante também usar o significado concreto do planeta. Júpiter é um planeta cujo significado universal é de riqueza, sabedoria, elevação social e mesmo liberdade, mas muitas vezes escutamos que Júpiter significa expansão, o que é um significado muito vago e nem sempre verdadeiro. Marte também, embora ele até possa muito longinquamente ter um sentido energético, na pratica se relaciona com desavenças e agressões.

Desta forma, Morin de Villefranche em seu livro 23, diz muito bem, à pagina 26:

"Como por exemplo se Marte estiver na oitava casa do radix, não só o seu local radical mas também o próprio planeta deverá ser sempre observado nas revoluções individuais como o anareta ou significador radical da morte; e esta sua determinação radical deve ser combinada nas revoluções com a nova determinação que lhe é atribuída na revolução, quer devido às casas da figura quer devido ao seu estado celeste"
E mais adiante: "Mas poderá ser perguntado, que nova determinação tem precedência e é mais eficaz nas revoluções - é o local radical de Marte ou é o próprio Marte na revolução, visto também com a sua significação ou com sua determinação radical...” "mas eu respondo: a determinação do local radical de Marte tem precedência e é mais eficaz; consequentemente deverá ser observado em primeiro lugar..."

Por exemplo:


Considere o circulo interno como a carta natal e o externo como a Revolução Solar.

Se Marte estiver em Aquário na Casa 8 ele estará configurado para a morte e a cada revolução em que ele se apresentar em locais vitais, ou no mesmo signo onde se encontra na carta natal, no caso de exemplo Aquário, ele trará, se não a morte do nativo, alguma vivência de ansiedade e perda. Como locais vitais o Ascendente é o mais importante , mas a Casa 6 e 12 também ameaçam a vida com doenças e martírios de várias espécies. No caso de exemplo, seria danoso se Marte se apresentasse conjunto à Lua, pois ela é a regente do Ascendente radical.

No exemplo acima há risco se o Ascendente da RS cair na Casa 8 natal, Se o Ascendente da RS cair na Casa 6 da carta natal, ou se o Ascendente da RS for Aquário e ainda se Marte aparecer no Ascendente da RS. Também os anos em que Aquário apareça na Casa 12 são complicados e aqueles nos quais a Lua, regente do Ascendente natal estiver em conjunção com Marte, seja em que casa for da RS.

Os ângulos natais e sua posição na RS assim como a posição de seus regentes são muito importantes e devem sempre ser considerados de acordo com sua posição na RS.

A RS não pode ultrapassar as promessas de uma configuração natal. Desta forma, se a carta radical apresenta dificuldades no aspecto profissional, por melhor que seja a RS apontando para melhorias profissionais ela não consegue superar, mas apenas amainar o que a carta natal aponta. Neste caso ela mitiga os problemas e traz uma melhoria ao ano, mas nada que efetivamente mude a promessa natal. Já uma exuberante carta natal, se sujeita a uma RS difícil não sujeitará o nativo ao extermínio das as promessas radicais: apenas o ano será mais medíocre que o costumeiro.



Capítulo 3-1
Clélia Romano, in Técnicas Astrológicas Preditivas, Edição do Autor, 2015.

O livro pode ser adquirido aqui: http://www.astrologiahumana.com/  




sexta-feira, 10 de junho de 2016

Algumas Palavras a Respeito de Magia Astrológica, por Alexandre Volguini.

Cada ciência tem seu lado utilitário e prático e a astrologia não representa uma exceção a essa regra, muito embora a luta contra as más influências astrais pertença mais ao domínio da magia que ao da astrologia (talvez seja por isso que a grande maioria das obras astrológicas a deixa de lado e que numerosos astrólogos ficam perplexos quando lhes é dito ser inútil conhecer as ciladas do futuro se não é possível evitá-las).

Na maioria das vezes, a tradição preconiza a arte talismânica como meio de corrigir o tema astrológico, mas esse remédio destina-se sobretudo ao horóscopo natal, corrigindo, dessa forma, a falha do influxo de um astro através do porte do metal e da pedra que lhe pertencem. O princípio é simples: reforça-se habitualmente a influência de um planeta relativamente fraco, mas não afligido, pois, ao reforçar-se um astro que projeta vários aspectos dissonantes, reforçam-se fatalmente estes últimos. A teoria, no entanto, não é suficiente e essa arte está hoje praticamente perdida, a despeito dos numerosos trabalhos recentes que provam a sua legitimidade. Além disso, sua exposição não tem qualquer relação com o tema deste livro. Desejamos falar aqui do meio - diretamente decorrente das Revoluções Solares - de combater o destino, pelo menos de modo parcial.

Enfatizamos amplamente, no decorrer desta obra, a importância da orientação das Casas, e sobretudo do Ascendente anual, em relação ao tema natal. Observamos igualmente que várias viagens de Eduardo VIII (quando ainda era príncipe de Gales) foram ditadas pela astrologia (remédio que não apresenta nenhuma novidade, já que várias peregrinações da Idade Média foram prescritas por astrólogos, após procederem ao exame do horóscopo).

Com efeito, se nada podemos fazer contra as configurações nefastas formadas pelos planetas, temos condições de atenuar as aflições recebidas pelo Ascendente e pelo Meio-do-Céu de uma Revolução Solar mudando o lugar para o qual esta última deve ser estabelecida ou, em outras palavras, aconselhando o nativo a passar o dia de seu aniversário num local que não seja o de sua residência. Quando se trata do Ascendente num signo de curta ascensão, um deslocamento de 500 quilômetros, e até mesmo menos, é frequentemente suficiente para modificar de maneira radical um tema anual.

Suponhamos estar diante de uma Revolução Solar cujo Ascendente se situa no signo de Aquário sobre Urano natal na VI Casa de nascimento. E fácil evitar essa configuração explosiva, seja através de um deslocamento para o leste - a fim de, não somente conduzir o Ascendente para fora dessa sobreposição violenta, como também situá-lo na VII Casa natal —, seja através de um deslocamento para o oeste, a fim de recuar o Ascendente para a V Casa natal.

Dessa maneira, é possível evitar os temas anuais verdadeiramente catastróficos e muitas vezes neutralizar, de modo relativo, as dissonâncias planetárias, evitando, por exemplo, que uma oposição poderosa se coloque sobre o meridiano ou sobre o horizonte da Revolução Solar. Em suma, toda a magia astrológica consiste unicamente em fazer desviar e em enfraquecer os aspectos maléficos violentos através do deslocamento (para o local mais longínquo possível) dos ângulos, que são os pontos mais sensíveis de uma figura horoscópica.

A busca do lugar mais propício para passar o dia do aniversário (ou, em outras palavras, a busca do melhor Ascendente anual) é comparável a uma eleição. Difere desta última, contudo, no sentido de que, enquanto a eleição consiste na escolha de um bom momento para iniciar um empreendimento ou para realizar uma ação importante, no caso de uma Revolução Solar, o momento é irrevogavelmente dado pelo retorno do Sol a seu lugar de nascimento e não passa do deslocamento das Casas em relação ao horóscopo natal e aos planetas anuais (geralmente bastante limitado, já que não é possível prescrever uma viagem aos antípodas para melhorar o céu anual). Tal como uma eleição, trata-se de uma operação delicada, que só pode ser feita por um astrólogo experiente, mas já constitui um grande consolo a possibilidade de amortecer o choque das configurações mais violentas em lugar de suportar cegamente a pressão das influências astrais.

É inútil insistir mais na técnica dessa prática relativamente simples, que não exige mais que uma boa tabela de Casas, mas não se deve negligenciar, nessa pesquisa, nenhum fator horoscópico, como, por exemplo, a Parte da Fortuna e, sobretudo, as regências planetárias, pois a mudança do lugar da Revolução Solar leva geralmente a alguns deslocamentos das Casas de um signo para outro.

A fim de não alongar esta exposição, não dei a lista das significações das regências num tema anual, uma vez que estas últimas são perceptivelmente semelhantes as do tema natal. Os astrólogos experientes não terão maiores dificuldades para interpretá-las. Quando aos principiantes, alguns exemplos, abaixo citados, os ajudarão a apreender o mecanismo das regências.

O regente da II Casa na I Casa anual (sobretudo em conjunção com o Ascendente) mostra o desejo e, muitas vezes, os esforços do nativo no sentido de influenciar e melhorar a sua situação financeira. Com os benéficos não afligidos, seu desejo tem muitas probabilidades de realizar-se. Com os maléficos dignificados, os esforços pessoais devem ser grandes. Se o regente da II é Urano, o sujeito tomará disposições financeiras incomuns, nas quais, de modo geral, ainda não pensa no momento do aniversário. Se o regente é Marte, devem-se temer algumas imprudências.

O regente da V na I Casa anual mostra, com freqüência, uma pessoa fortemente apaixonada, sobretudo quando se trata de Marte, Vênus e Urano e se o nativo não é mais uma criança nem chega a ser um velho. Neste último caso, trata-se geralmente da influência exercida sobre o sujeito ou sobre sua vida por uma pessoa muito mais jovem, normalmente seu próprio filho ou sua filha.

O regente da VI na I Casa anual exerce uma má influência sobre a saúde e mesmo sobre o trabalho, exceto no caso de os luminares e os benéficos estarem muito bem- aspectados. Marte e Urano anunciam, na maioria das vezes, os mal-estares ou as doenças repentinas, súbitas, mas de curta duração (se isso for confirmado por outras indicações horoscópicas). Se o regente da VI é Saturno, pode-se pressagiar desgosto para o trabalho, bem como numerosas fadigas.

Observei essa posição de Marte em Câncer - que "reforça", por sua presença no quarto signo, sua posição natal sobre a cúspide da IV Casa (em Escorpião) — durante o ano da manifestação de problemas inesperados em função de uma úlcera no estômago.

O regente da VIII na I Casa anual é um dos índices de morte no decorrer do ano, sobretudo quando se trata de um maléfico. A Casa governada por esse planeta no tema natal designa quase sempre a pessoa considerada; se governava, no momento do nascimento, a III Casa, a morte ameaça o irmão do sujeito, a irmã ou qualquer outra pessoa designada por essa parte do céu; se estava na regência da VII, o perigo paira sobre o cônjuge ou sobre um associado, e assim por diante.

Esses exemplos do papel desempenhado pelas regências numa Revolução Solar nos desviaram do objeto deste capítulo: o deslocamento do sujeito no dia de seu aniversário. Isso exige ainda uma observação.

Como as configurações que se formam durante as 24 horas que seguem o momento astronômico do aniversário têm repercussão sobre o ano que começa, é necessário, se ocorrer esse deslocamento, que se passe no local um dia inteiro, a fim de impregnar-se definitivamente com as influências astrais que agem sobre esse lugar. A não-observância desta última regra, cuja evidência não exige nenhuma demonstração, pode provocar algumas desilusões.

Como todas as operações mágicas, essa luta contra o destino por meio da melhora premeditada de um tema anual suscita, evidentemente, vários problemas de ordem moral e religiosa, já que parece perturbar o curso predestinado das coisas. A maioria dos místicos de todos os países a condenam abertamente e um dos "pais" do Taoísmo é categórico a esse respeito: "Eu gostaria que o povo, embora considerando, naturalmente, a morte como algo lamentável, não se deslocasse (para evitá-la)..." E Chuang-Tse (nascido por volta de 370 a.C.) escreve, colocando estas palavras na boca de Tse Lai moribundo: "O homem tem relações mais estreitas com o Yin e o Yang do que com sua própria família; se essas duas forças desejam a minha morte e eu resisto, serei tratado como um rebelde..." É muito provável que essa atitude passiva dos místicos diante do destino seja uma das razões pelas quais essa prática astrológica é ainda pouco difundida.

As Revoluções Solares da Morte, por Alexandre Volguini.

Quase todas as ciências conheceram, no século XIX, uma época de entusiasmo pelas estatísticas. Na astrologia, essa euforia ocorreu bem mais tarde e somente agora ouvem-se algumas tímidas vozes que se elevam contra essa prática, ao passo que, em medicina (que, em muitos pontos, se assemelha à astrologia), a voz de Claude Bernard já podia ser ouvida há mais de um século. Com efeito, em sua Introduction à l'Étude de la Médecine Expérimentale (Paris, 1865), ele declarou que o uso das médias e o emprego da estatística em medicina e em fisiologia conduzem, por assim dizer, necessariamente ao erro.

Além disso, Claude Bernard esclareceu que não rechaça o emprego da estatística em medicina, mas que censura o fato de não se ir mais adiante e de acreditar-se que a estatística deve servir de base à ciência médica. Seu pensamento consiste em aplicar à medicina os princípios do método experimental, a fim de que, em lugar de permanecer uma ciência conjectural fundada na estatística, ela possa tornar-se uma ciência exata baseada no determinismo experimental.

Essa opinião de Claude Bernard reveste-se de atualidade para a astrologia e eu tinha obrigação de citá-la antes de falar dos resultados das estatísticas feitas por L. Lasson acerca das 360 Revoluções Solares que precedem a morte.


Tais estatísticas fundamentam-se no seguinte:

a) O lugar do Sol na VIII Casa anual;

b) A presença do Ascendente natal na VIII Casa anual;

c) A presença do Ascendente anual na VIII Casa natal;

d) O retorno do Ascendente anual a seu lugar natal;

e) A oposição entre dois Ascendentes.

Contudo, deixemos a palavra a L. Lasson:

"A média esperada para cada Casa era, em 360, de trinta casos e nós encontramos:

1º Sol em VIII de Revolução: 38 casos, isto é, 27% a mais;

2º Ascendente radical em VIII de Revolução: 31 casos, isto é, 3% a mais;

3º Ascendente de Revolução em VIII radical: 32 casos, isto é, 7% a mais;

4º Ascendente de Revolução sobre Ascendente radical (com 15° de aproximação): 38 casos, isto é, 27% a mais;

5º Ascendente de Revolução em oposição ao Ascendente radical (com 15° de aproximação): 25 casos, isto é, 17% a menos.

Fiéis à verdade, devemos, além disso, esclarecer que o exame detalhado dessas estatísticas — estabelecidas sob a forma geométrica e nas quais, em conseqüência, todos os matizes dos resultados são aparentes — revela um valor mais sensível.

Com efeito, para as três primeiras estatísticas, as acumulações de casos foram sobretudo marcadas nas proximidades da cúspide da VIII Casa (zona de intensidade máxima). Se se considerasse apenas a metade dessa Casa (média, quinze casos), os resultados seriam:

1ª estatística: 21 casos, isto é, 40% superior à média.

2ª estatística: 19 casos, isto é, 27% superior à média.

3ª estatística:  18 casos, isto é, 20% superior à média.

Para as duas últimas estatísticas, as acumulações de casos são ainda mais surpreendentes, em virtude da oposição entre mortes violentas e mortes naturais por elas ressaltada.

Os casos de mortes violentas oferecem uma considerável acumulação de casos nos quais o Ascendente de Revolução se encontra sobre o Ascendente Natal (com 15° de aproximação); neste caso, a média é superada em 60%; pelo contrário, os casos em que o Ascendente de Revolução está sobre a cúspide da VII (oposta ao Ascendente natal) são bastante raros: 40% a menos que a média.

Os casos de mortes naturais dão resultados inversos: 40% a menos para a conjunção Ascendente sobre Ascendente; 30% a mais para a oposição.

Essas anomalias — que, ainda assim, provam de forma inegável a influência das relações entre as duas domiciliações — podem ser explicadas da seguinte maneira:

— a morte violenta está inscrita por maus aspectos no tema natal; o retomo da domiciliação à sua posição primeira excita essas influências latentes, enquanto a oposição das duas domiciliações as trava; e

— a morte natural é a conseqüência de um bom tema, que se verá reforçado pelo retomo de uma mesma domiciliação e perturbado por uma domiciliação oposta"...

Essa curiosa descoberta de L. Lasson é, evidentemente, bastante valiosa, mas, em nossa opinião, o valor fundamental dessas estatísticas consiste em representarem uma prova objetiva de que as relações entre as Casas anuais e as Casas natais compõem a base da interpretação das Revoluções Solares.

Os Trânsitos Planetários em Relação ao Tema da Revolução Solar, por Alexandre Volguini.

Os trânsitos planetários em relação ao tema da Revolução Solar são valiosos para determinar a data deste ou daquele acontecimento, bem como as fases de um caso. Mas, contrariamente ao emprego dos trânsitos em relação ao tema natal - no qual, de modo geral, só se utilizam os planetas superiores (Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão) -, a maior importância deveria ser atribuída ao Sol. Com efeito, ele aparece muitas vezes como o ponteiro de um relógio que indica o momento dos acontecimentos através de sua conjunção (ou outros aspectos importantes) com os fatores astrológicos da Revolução.

Assim, por exemplo, no momento da criação da Sociedade Teosófica, o Sol transitava em quadratura com a Lua, regente do Meio-do-Céu anual. A natureza desfavorável dessa quadratura é, nesse caso, corrigida pelo trígono dos luminares no momento do aniversário.

No momento da execução de Robespierre1 o Sol transitava em quadratura com o Ascendente da Revolução, enquanto a morte de Proudhon corresponde à passagem do Sol sobre o Ascendente anual.

Observemos que esse papel do Sol não aparece na Revolução Solar da morte de H. P. Blavatsky pois, no momento de seu falecimento, o Sol só forma uma quadratura com sua própria posição, estando também em quadratura com Júpiter natal (fator que, evidentemente, tem primazia).

Essa quadratura entre o Sol do dia e o Sol natal é encontrada muitas vezes no momento da morte, mas pertence ao mesmo tempo, ao número dos trânsitos clássicos e ao número dos trânsitos da Revolução. Ela está presente, por exemplo, no momento da morte de Gambetta, cujos temas consideramos desnecessário reproduzir aqui, já que todo estudante de astrologia possui Langage Astral, de P. Choisnard.

Uma verificação de vários anos permite dizer que é possível determinar de antemão a natureza boa ou ruim das datas de acordo com os aspectos formados pelo Sol em sua marcha com os planetas, com o Ascendente e com o Meio-do-Céu da Revolução. A oposição do Sol ao Ascendente anual provoca sempre, por exemplo, mal-estares e, se o Ascendente anual estava no signo solar de Leão ou em Áries (que é o lugar da exaltação do Sol), ou se o Sol ocupa, no tema anual, a VI ou a XII Casa, essa oposição ao Ascendente pode ser a causa de uma doença ou de dores bastante fortes (mesmo na mulher cujo Sol natal não estava hyleg).

Esses trânsitos são tão marcantes quanto os trânsitos normais em relação ao tema natal e explicam facilmente as lacunas deixadas por estes últimos. Tendo em vista a velocidade do Sol, o número dos trânsitos solares em relação aos planetas e aos ângulos da Revolução Solar supera frequentemente o número total dos trânsitos "clássicos" dos planetas superiores. Os meses "vazios" — muito comuns no sistema do Horóscopo Progredido e de trânsitos normais — não existem no sistema das Revoluções Solares, o qual revela ser, sob todos os pontos de vista, o sistema mais rico em deduções e indicações.

O trânsito do Sol na I Casa anual atribui quase sempre uma importância ampliada aos problemas e às preocupações pessoais (relacionando-se, evidentemente, com a natureza da Casa do horóscopo por ele governada, assim como com a natureza do signo zodiacal que se encontra sobre o Ascendente de aniversário). Na II Casa, enfatizam-se as preocupações pecuniárias e as finanças, ganhos ou rendas. Na III, as relações com o ambiente de convívio, as diligências, os deslocamentos ou os estudos (sobretudo nos temas de estudantes). Na IV, as questões familiares ou relativas à residência, à compra de imóveis. Na V, a vida afetiva, as distrações, as crianças ou ainda a criação pessoal, já que a tendência à expansão ganha maior relevo. Na VI, assumem preponderância o trabalho cotidiano ou os problemas referentes à saúde. Na VII, o trânsito solar enfatiza os assuntos sociais, as associações ou o domínio do casamento, da vida conjugai, representando geralmente a ampliação das reações defensivas. Na VIII Casa, essa passagem extingue parcialmente a vitalidade e as virtudes otimistas   e   ativas do Sol. Na IX, estimula a atividade intelectual e corresponde, com freqüência, seja às viagens, seja aos fatos relativos à justiça. O trânsito do Sol sobre o Meio-do-Céu anual incita geralmente à ação e age quase da mesma maneira que a passagem de Marte sobre o Meio-do-Céu do tema natal, isto é, aumentando a coragem e a energia; é raro essa passagem solar pela X Casa não corresponder a um fato importante em termos de negócios. Na XI Casa, marca habitualmente muita laboriosidade e animação, assim como muitos projetos e intenções a serem realizados a longo prazo (evidentemente, no sentido dado pela interpretação geral da Revolução Solar, por sua "tonalidade"). Na XII, mostra, na maioria das vezes, uma existência opaca, uma diminuição de vitalidade ou um aumento das preocupações.

Em certos casos, o efeito dos trânsitos solares parece expressar-se com mais força no início que no final do ano. Dir-se-ia que a forma dinâmica da Revolução Solar começa a desgastar-se durante o último trimestre do ano (como, por exemplo, os mapas das lunações que agem na astrologia mundial marcam mais fortemente os primeiros dias do mês lunar que os últimos), mas esse enfraquecimento do poder dos trânsitos solares deve ainda ser verificado, pois essa observação baseia-se num número excessivamente restrito de temas.

Os trânsitos de Mercúrio, Vênus e Marte são igualmente úteis, mas sua importância nunca supera a dos trânsitos solares. Contudo, muitas vezes o trânsito direto de Marte e Júpiter — caso esses planetas se tornem retrógrados após o aniversário, sobre sua própria posição — desencadeia acontecimentos importantes anunciados por esses planetas.

Entretanto, depois do Sol, é útil observar os trânsitos dos planetas rápidos, que marcam as boas e más épocas do ano segundo as Casas que governam no tema da Revolução. Desse modo, por exemplo, se a X Casa se encontra no signo de Libra, a época em que Vênus (que governa esse signo) transitar nessa Casa deverá ser considerada favorável à atividade do sujeito (exceção feita aos dias em que Vênus estiver em maus aspectos com os planetas anuais).

Outro exemplo: a XI Casa de uma Revolução Solar encontra-se no signo de Gêmeos. O consulente pede que lhe sejam indicadas as datas favoráveis para as diligências de negócios junto a amigos. Os dias durante os quais Mercúrio estará nos signos de Gêmeos e Virgem, assim como os dias em que formará bons aspectos com os astros do aniversário, devem ser considerados propícios a esse ponto de vista.

Além disso, muito frequentemente essas datas correspondem aos acontecimentos reais. Assim, em nosso exemplo (ver o mapa que estabelecemos no primeiro Capítulo deste estudo), a IX Casa (a casa das viagens) começa a 25° 26' de Capricórnio, ou seja, encontra-se sob a dominação de Saturno e Marte (exaltado nesse signo). Saturno é muito lento para que seus trânsitos sejam considerados e dever-se-ia dar preferência ao rápido Marte. Este último estava, no dia 6 de julho, em quadratura com Saturno e a viagem planejada pelo nativo para o início de julho foi retardada de acordo com a natureza desfavorável do aspecto e da natureza característica de Saturno. No dia 13 de julho, Marte encontrava-se em trígono com Mercúrio situado na IX Casa da Revolução e, no dia 22 do mesmo mês, chegava à conjunção com o Ascendente. A viagem teve realmente lugar por volta dessa época.

Outra viagem do sujeito ocorreu em outubro de 1936. Ora, no dia 8 de outubro, Marte passava em oposição a Saturno e a natureza desfavorável desse aspecto manifesta-se pelo fato de que a partida, inicialmente marcada para o dia 6 de outubro, foi retardada em função da necessidade de reparos no automóvel. O retorno do sujeito a Nice efetua-se nos dias 15 e 16 de outubro, quando Marte transitava em quincúncio com Mercúrio.

Como dissemos anteriormente, o principal acontecimento dessa Revolução Solar é a morte da mãe. Seu estado se agrava bruscamente no dia 24 de janeiro de 1936, quando Marte transitava sobre Saturno e o Sol estava em quadratura com Urano, regente do Meio-do-Céu (a 1,5° de aproximação). A morte era esperada de um dia para o outro, mas a ausência de progressões e de direções mortíferas contradiz o pessimismo dos médicos e a doente melhora a partir do início de fevereiro. Sua saúde debilita-se novamente por volta do final desse mês, sob a influência do quincúncio lunar com Marte progredido, mas ela só vem a expirar no dia 22 de maio, quando o Sol estava em quadratura com Marte, Mercúrio transitava em oposição a Vênus e a Júpiter, Marte encontrava-se em quadratura com Saturno e Urano formava sextil com este último planeta (como observamos no Capítulo anterior, o aspecto age frequentemente como ligação entre dois planetas e não segundo sua natureza benéfica ou maléfica).

Por conseguinte, nas Revoluções Solares, quase sempre são encontrados os trânsitos que correspondem aos acontecimentos, mas não se devem buscar os trânsitos dos planetas lentos e sim, pelo contrário, os dos planetas rápidos que se relacionam com as Casas às quais se vincula o acontecimento. Por último, algumas observações levam à suposição de que, as vezes, os trânsitos clássicos (isto é, dos planetas superiores em relação ao tema natal) são "coloridos" pelo lugar ocupado pelo planeta que transita no mapa da Revolução Solar — fato que pode explicar por que dois trânsitos idênticos quase nunca dão os mesmos resultados —, mas tal hipótese necessita ainda de longas observações antes de se poder formular uma regra qualquer.

Os Aspectos entre Planetas da Revolução Solar, por Alexandre Volguini.

O orbe dos aspectos numa Revolução Solar parece ser menor que no tema natal. Não atribuo aos luminares mais que o orbe de 8o na ocorrência de uma conjunção ou oposição aplicante, e aos outros planetas, 6o. Quanto mais ajustado é um aspecto, mais seus efeitos são tangíveis e evidentes. Um aspecto separativo indica geralmente uma coisa que teve lugar antes do momento do aniversário e não pode, em função disso, produzir senão uma aparência de realização durante o ano vindouro.

Os aspectos devem ser julgados de acordo com o conjunto do tema anual. Os seus significados são perceptivelmente semelhantes àqueles do tema natal, mas parece que as configurações principais possuem também características particulares, próprias das Revoluções Solares. As edições anteriores deste livro já assinalavam que a oposição de Marte a Urano, caso se produza nas Casas financeiras (II e VIII), provoca um roubo ou uma perda de dinheiro inteiramente independentes da vontade do sujeito. Da mesma maneira, os maus aspectos entre Urano e o Ascendente relacionam-se com acidentes provocados pela eletricidade, cuja gravidade é proporcional à força de Urano.

Procuremos definir algumas dessas significações particulares.

A conjunção do Sol com a Lua forma sempre um nodo nevrálgico do tema anual. Se essa conjunção já existia na hora do nascimento, o acontecimento que anuncia modificará todo o destino do sujeito; nos outros casos, trata-se de um fato importante do ano. A natureza do signo zodiacal manifesta-se sempre de modo muito intenso e, em Áries, essa configuração levará a lutas ou ao desejo de libertar-se; em Touro, conduzirá a esforços tenazes em busca de uma meta determinada; em Gêmeos, a uma grande flutuação e à indecisão sob a influência do meio ambiente. Em Câncer, o nativo está absorvido pelas preocupações familiares; em Leão, as ambições desmedidas terminam em decepção etc. As Casas mostram o domínio em que essas tendências fundamentais agirão com o máximo de força. Na II, as lutas, os esforços, a flutuação, as preocupações familiares, as ambições etc. afetam sobretudo as finanças; na III, as relações com os parentes, os vizinhos, ou outra significação dessa Casa; na IV, as propriedades imobiliárias ou os parentes etc. Se os dois luminares estavam em trígono no momento do nascimento, essa conjunção não é muito má; por outro lado, ela se relaciona quase sempre com fatos desagradáveis, como, por exemplo, com um processo em curso ou com a busca, por parte de um comerciante, de uma associação (ideia contrária a sua maneira de pensar, mas a única que pode evitar o encerramento do estabelecimento), na VII Casa; ou com a venda de uma propriedade de importância, na VIII; ou com a expatriação, abandonando alguns parentes amados, na IX.

A conjunção do Sol e de Marte parece ser uma configuração de violência e brutalidade, exercida (quando ela se coloca no Ascendente ou no Meio-do-Céu anual) ou suportada. Se esses dois planetas estavam em mau aspecto no tema natal, ou ainda se essa conjunção é "reforçada" pela presença do Ascendente anual na VI ou na XII Casa natal ou no signo de Escorpião, é possível deduzir os golpes, os tumultos e as ofensas; no entanto, sob essa configuração, observa-se sempre uma onda crescente de algum sentimento bastante forte (ciúme, ódio, cólera etc.) que acaba em violência. Muito frequente nas Revoluções Solares que correspondem aos dramas ditos passionais, ela marca uma espécie de "abscesso psicológico" que se transforma, na maioria das vezes e de modo rápido, em conflito agudo. Em função disso, é encontrada amiúde nos anos que contêm rupturas e divórcios, assim como tentativas de suicídio. Na VI e na XII Casas, essa conjunção pode corresponder a intervenções cirúrgicas.

A conjunção do Sol e de Júpiter aumenta as ambições e a sede de ganhos, assim como o instinto sexual. Afligida por Marte, essa configuração é perigosa do ponto de vista da saúde (perturbações circulatórias, abscessos, envenenamentos do sangue, flegmões etc.) e predispõe aos excessos. Sua influência é claramente mais feliz nas II, X, IV e VIII Casas do que no Ascendente, no qual a satisfação própria é frequentemente acompanhada por uma euforia despropositada e inteiramente passageira.

A conjunção do Sol e de Saturno indica um ano de solidão moral e física, bem como de preocupações constantes. Como o Sol é o principal significador do homem num tema feminino, trata-se, entre as mulheres, das preocupações e dos aborrecimentos ocasionados pelo marido, pelo pai ou pelo filho e, frequentemente, pela separação deste último. Contrariamente ao que se possa esperar, essa conjunção não tem influência sobre a saúde, a não ser que se encontre na VI ou na XII Casa, ou ainda que um desses planetas esteja ligado por regência a uma dessas duas Casas. Pelo contrário, ela age fortemente no sentido restritivo, impedindo o sujeito de ser feliz e retardando as boas coisas. Essa configuração só atua de uma maneira feliz caso o Ascendente natal esteja no signo de Capricórnio e caso o Sol e Saturno de nascimento não formem nenhum aspecto dissonante entre si; apenas neste último caso essa conjunção marca um progresso, uma elevação, uma modificação da existência ou outro acontecimento que corresponda aos projetos ou às ambições do sujeito e que influencie, de maneira duradoura e feliz, a curva de seu destino.

A conjunção do Sol e de Urano pressagia sempre uma transformação profunda e repentina da existência com base na natureza da Casa em que se coloca. Se o Ascendente está em Leão, o próprio sujeito desencadeia essa transformação, às vezes sem perceber e sem prever todas as suas consequências. Se esses dois planetas estavam em bom aspecto no momento do nascimento e estão bem aspectados na Revolução Solar, sua conjunção pressagia um acontecimento inesperado e imprevisível, porém bom, como, por exemplo, uma possibilidade maravilhosa e insuspeitada, devida unicamente ao auxílio feliz das circunstâncias. Em todas as outras condições, essa conjunção é nefasta e o caráter maléfico é claramente agravado se, no tema natal, o Sol estava em quadratura com Urano (ou em oposição a este), ou se essa conjunção está mal aspectada.

A conjunção do Sol e de Netuno mostra geralmente um ambiente muito perturbado e suspeito, levando à regressão das coisas indicadas pela Casa em que se situa. O sujeito vive, na maioria das vezes, em condições ambíguas que causam temores ou, sob bons aspectos, esperanças fadadas mais tarde aos fracassos.

A conjunção do Sol e de Plutão traduz-se principalmente por tendências mais práticas e utilitárias que antes, bem como pela necessidade de se esforçar mais. Frequentemente é um indício de um êxito que supera as esperanças.

A conjunção da Lua e de Mercúrio é, antes de tudo, o indício das viagens e dos deslocamentos. Ela facilita também, de modo claro, a expressão verbal e, em função disso, marca frequentemente os anos de progresso de um político, de êxitos de um representante comercial e de trabalho fecundo de um jornalista ou de um escritor. Mal aspectada, é o signo de um conflito entre os sentimentos e os interesses, fator que constitui a significação principal da oposição entre esses dois planetas. Essa oposição, caso se coloque sobre o horizonte, marca o antagonismo entre o desejo e as necessidades da vida cotidiana, ao passo que, sobre o meridiano, predispõe aos embates entre as obrigações profissionais e a vida familiar.

A conjunção da Lua e de Vênus é uma configuração simultaneamente feliz e lasciva, fato que a leva a ser mais frequentemente encontrada regulando os acontecimentos na vida privada do que correspondendo à vida profissional. E um dos indícios de fecundidade nas Revoluções Solares femininas e pode ser observada, amiúde, nos anos de gravidez e de nascimento.

A conjunção da Lua e de Marte pressagia excessos e imprudências de todos os tipos, reduz a flexibilidade nas relações com os outros e, caso um desses dois planetas seja regente do Ascendente, coloca o sujeito em perigo de provocar, por si próprio, aborrecimentos sérios. Essa conjunção parece ser mais nociva nos temas femininos que nos masculinos.

A conjunção da Lua e de Júpiter parece indicar sempre a melhoria da fortuna, as entradas de dinheiro, os presentes apreciáveis e outras vantagens materiais. Tal como a conjunção da Lua e de Vênus, é um indício da facilidade nas questões indicadas pela Casa em que se situa.

A conjunção da Lua e de Saturno indica grandes aborrecimentos provenientes das mulheres (ela age, nos temas masculinos, da mesma maneira que a conjunção do Sol e de Saturno nos temas femininos).

A conjunção da Lua e de Urano permite sempre prever o desenvolvimento imprevisto dos acontecimentos indicados pela Casa e pelo signo, modificando toda a existência do sujeito. É frequentemente encontrada nos anos de acidentes e de operações e conduz sempre a viagens que contêm um forte elemento de surpresa.

A conjunção da Lua e de Netuno mostra uma pessoa mais ou menos desamparada e que conta mais com os outros do que consigo mesma; essa configuração corresponde, com freqüência, a uma engrenagem que diminui as possibilidades, a vontade e até mesmo a moralidade, inclinando a ações deploráveis. Se esses dois planetas estavam em bom aspecto no tema natal ou se essa conjunção está bem situada na Revolução Solar, trata-se do prenuncio mais seguro de viagens por água e de novidades na vida sentimental.

A conjunção da Lua e de Plutão é um indício de viagens que trazem satisfações e que possibilitam novos conhecimentos, assim como da evolução precipitada da natureza da Casa horoscópica.

A conjunção de Mercúrio e de Vênus é importante, sobretudo quando repete a mesma conjunção natal e quando se produz num signo diferente daquele do nascimento; neste último caso, não faz mais que acentuar os significados natais. Essa conjunção parece vincular-se particularmente às relações do sujeito com o meio ambiente. Embora Mercúrio jamais se afaste do Sol mais que 29° e Vênus mais que 48°, essa conjunção é mais rara do que se pode supor à primeira vista e, às vezes, só é encontrada de cinco a seis vezes em toda a vida.

A conjunção de Mercúrio e de Marte é essencialmente a configuração dos erros, das imprudências pessoais e dos aborrecimentos provocados pelo sujeito, ainda que um desses dois planetas esteja bem colocado. As Casas não fazem mais do que canalizar essa tendência para este ou para aquele domínio. Na VI Casa, é o presságio de ferimentos nas mãos ou nos braços, ou, em certos casos graves, de ferimentos efetuados pela mão do homem (tudo indica que as operações cirúrgicas devem ser classificadas nessa última categoria).

A oposição entre esses dois planetas refere-se a conflitos, discórdias, litígios ou discussões, determinados pelas Casas ou pela regência.

A conjunção de Mercúrio e de Júpiter aumenta a habilidade profissional e está relacionada com as iniciativas felizes nos negócios. O julgamento sadio, o espírito mais tolerante e o sentido prático ampliado melhoram geralmente as relações com o meio traduzindo-se, amiúde, no aumento dos ganhos e na resolução amigável das questões delicadas.

A conjunção de Mercúrio e de Saturno parece diminuir a autoconfiança, leva à ansiedade e à hesitação. Essa conjunção é melhor com um Ascendente saturnino do que na hipótese de o ângulo oriental situar-se num signo mercuriano.

A conjunção de Mercúrio e de Urano é essencialmente a conjunção dos interesses novos, da orientação do pensamento numa direção imprevista e das iniciativas que levam o sujeito para fora da esfera em que vivia. Ligada, pela presença ou pela regência, à X Casa, é o índice de uma nova orientação profissional decidida rapidamente ou de uma mudança de atividade.

A conjunção de Mercúrio e de Netuno é sobretudo a conjunção da busca de uma quimera e de esperanças muito exageradas, já que enfraquece consideravelmente o senso prático. Contudo, ela pode ser boa para as viagens e para o trabalho mental imaginativo, nas III e X Casas, e marcar uma afeição platônica e decepcionante nos ângulos, assim como na II, VI e XII Casas.

A conjunção de Mercúrio e de Plutão favorece claramente tudo o que diz respeito a matemática, contabilidade, estudos e regulamentos, acertos financeiros de todas as espécies, assim como à criação pessoal. Dir-se-ia que essa configuração provoca a expansão das capacidades pessoais e, com freqüência, a expansão das possibilidades materiais no sentido indicado por seu lugar na Revolução Solar.

A conjunção de Vênus e de Marte perturba sempre a vida sentimental. Parece mesmo que essa conjunção é mais nociva que a oposição. Evidentemente, essa influência é ainda mais acentuada na I, III, V ou VIII Casas, mas age nesse sentido em qualquer parte do céu anual. Dir-se-ia que ela provoca uma onda de sensualidade que falseia o julgamento e que transforma a vida sexual num doloroso problema. Trata-se de uma configuração particularmente frequente nos anos de adultério, pois evoca, amiúde, a eventualidade de uma breve aventura passional, independentemente das amizades e das relações habituais; essa aventura pode ser uma causa de perturbações momentaneamente não negligenciáveis.

A conjunção de Vênus e de Júpiter é a imagem mais segura de êxito e de prosperidade nas Casas financeiras ou na X, e de felicidade nas Casas pessoais. Essa reunião de dois benéficos é uma promessa de sorte e de vida fácil; entre os trabalhadores, pressagia melhora da situação geral da existência e férias particularmente agradáveis. Não se deve acreditar que essa conjunção se produza em todos os destinos; lamentavelmente, muitos não contam com ela em suas vidas.

A conjunção de Vênus e de Saturno torna geralmente o sujeito insatisfeito em termos sentimentais e marca uma situação tensa que se eterniza. Essa conjunção é boa no signo de Libra e, em grau menor, na hipótese de o Ascendente situar-se num signo saturnino.

A conjunção de Vênus e de Urano representa o prenuncio mais seguro de um tumulto e de um transtorno na vida sentimental. A posição angular dessa configuração é particularmente perigosa, o mesmo ocorrendo na V Casa. Com certa freqüência, é o índice de um "amor à primeira vista". Na VII Casa, pressagia a ruptura ou, pelo menos, uma perturbação repentina e muito grave da vida conjugal.

A conjunção de Vênus e de Netuno depende principalmente da natureza do aspecto natal entre esses dois planetas: é excelente, caso tenha havido um sextil ou um trígono (por conseguinte, haverá as inspirações felizes, o refinamento, a sorte e o êxito sem esforços) e perigosamente nociva, caso tenha estado precedida pela quadratura ou pela oposição natal: a traição, a fraude, a desagregação da afeição ou da união, a depressão nervosa que pode chegar à loucura, à queda moral ou física etc.

A conjunção de Vênus e de Plutão é indício de uma aventura amorosa fora do comum ou de uma vida passional intensa. Essa configuração parece sobretudo aumentar o encanto pessoal, fator que facilita os êxitos. Frequentemente, é sinal de uma ligação que causa orgulho ou que é vantajosa.

A conjunção de Marte e de Júpiter é, antes de tudo, o indício de um grande esforço amplamente coroado de sucesso, de um deslumbramento, de uma façanha ou de um desempenho. Permite aos esportistas estabelecer recordes ou chegar em primeiro lugar. Para todos os outros, é o prenuncio de uma ação arriscada, audaciosa, frequentemente decisiva, sem que o sujeito, de modo geral, se dê conta do perigo por ela acarretado e de todas as consequências que pode ter. Trata-se da configuração da promoção entre os militares. Bem aspectada num ângulo, sobretudo na X Casa, ela marca sempre um grande êxito. Mal aspectada e mal situada, é o presságio de choques, conflitos, lutas encarniçadas e processos.

A conjunção de Marte e de Saturno é igualmente o indício de um grande esforço, longo e penoso, porém suportável. A sorte inerente à conjunção anterior não está presente aqui e somente o conjunto da Revolução Solar pode decidir se haverá êxito ou fracasso. Na VI e na XII Casas, será a reação do organismo para combater um mal. Se um desses dois planetas é o regente do Ascendente, esse esforço — às vezes inútil e improdutivo — será autoimposto pelo próprio nativo. Evidentemente, todos os tipos de aborrecimentos e dificuldades pertencem a essa conjunção de dois maléficos, mas o esforço físico, psicológico ou moral é sempre claramente observável. Por último, essa conjunção se refere, de modo geral, às extrações dentárias e às operações ósseas.

A oposição entre Marte e Saturno é tradicionalmente uma das piores configurações, prenuncia grandes preocupações, de acordo com a natureza das Casas e dos signos (perigo de ruptura de um casamento ou de uma associação, em Áries e Libra; aborrecimentos financeiros, em Touro e Escorpião; uma crise moral que não exclui absolutamente as dificuldades com o meio ambiente, em Gêmeos e Sagitário; o perigo do desmoronamento da situação e as preocupações familiares, em Câncer e Capricórnio; os aborrecimentos extrafamiliares e a separação de amigos, em Leão e Aquário; e uma crise de saúde ou no trabalho, em Virgem e Peixes).

A conjunção de Marte e de Urano prenuncia um acidente ou um acontecimento repentino e violento, seja provocado pelo sujeito (se um desses dois astros é regente do Ascendente ou se essa configuração se situa no Oriente), seja completamente independente de sua vontade, mas que se abate sobre ele como um furacão. Psicologicamente, é o prenuncio da impulsividade ampliada, das veleidades contraditórias e, muito frequentemente, de uma linha de conduta sem grande determinação.

A conjunção de Marte e de Netuno marca sobretudo os esforços inúteis e a energia desperdiçada. Essa configuração é frequentemente encontrada nos anos em que se persegue uma meta quimérica e inútil ou em que se realiza um trabalho que permanecerá inacabado. É também indício de complicações aborrecidas e repentinas com o meio ambiente e, se a meta buscada é de ordem coletiva, um processo deve ser seriamente temido. Entretanto, dessa conjunção é necessário sobretudo guardar o indício de um "golpe de espada na água" e o prenuncio da decepção que, em lugar dos resultados esperados (tidos como certos), se segue a esse golpe.

A conjunção de Marte e de Plutão leva ao aumento de trabalho e à expansão das possibilidades materiais, frequentemente bastante inesperada, de que decorre uma melhora de situação. O auxílio advindo de novos amigos parece ser característico dessa configuração (sobretudo nos temas femininos).

A conjunção de Júpiter e de Saturno estabiliza as questões indicadas pela Casa em que se situa e esse processo tem uma duração que supera os limites estreitos de uma Revolução Solar. Se um desses dois planetas é regente da X Casa natal ou anual, trata-se de indício da consolidação favorável da situação.

A conjunção de Júpiter e de Urano marca uma nova orientação num domínio qualquer (na maioria das vezes, nos negócios). Observemos que, para uma pessoa que já tenha essa conjunção no momento de seu nascimento, os seus retornos periódicos a cada quatorze anos imprimem grandes mudanças e acontecimentos de importância verdadeiramente fundamental; assim, esse círculo de mudanças aparece claramente no destino, mas, a cada vez, a natureza dessas mudanças é determinada pela Revolução Solar. Em todas as outras pessoas, a grandeza dos acontecimentos depende unicamente do lugar dessa conjunção no mapa anual, mas uma nova orientação, um novo impulso dado pelo concurso das circunstâncias influencia a vida não somente durante esse ano mas também no decorrer dos anos vindouros (tal como, por exemplo, uma mudança de residência que se efetue sob essa influência determina toda uma nova época da existência). Com muita freqüência, essa conjunção corresponde a uma melhora da existência gerada por novas invenções, como, por exemplo, a compra de um aparelho de televisão, que muda os hábitos para sempre.

A conjunção de Júpiter e de Netuno parece, sobretudo, indicar que a vida não se desenrolará da maneira que o sujeito espera e prevê. É sinal de desenvolvimentos inesperados - geralmente caóticos e independentes da vontade do nativo - nas coisas indicadas pela Casa. Bem aspectada, essa configuração promete um golpe de sorte, o qual será, não obstante, menos duradouro e menos feliz que aquilo que se pode logicamente esperar (por exemplo, um ganho na loteria gasto de modo muito rápido).

A conjunção de Júpiter e de Plutão aumenta o senso religioso e dá a convicção interior de superar as dificuldades presentes ou futuras, convicção esta que se revelará justa. Trata-se de uma configuração de elevação ou de restabelecimento.

As relações entre os planetas anuais e os planetas de natividade têm muita importância, mas o papel principal deveria, apesar de tudo, ser atribuído às configurações formadas pelos planetas da Revolução Solar. De todas as configurações possíveis entre os astros do aniversário e os planetas natais, as sobreposições (ou as conjunções) são, em função de seu efeito, as mais surpreendentes. O retorno de três planetas (e mais) a suas posições natais acentua a importância dos acontecimentos que terão lugar no decorrer do ano.

A sobreposição de um maléfico anual a um maléfico natal é sempre desfavorável. O próprio P. Christian diz, de acordo com Junctin de Florence, que a conjunção de Saturno anual com Marte natal prenuncia um mau ano, doenças, perseguições, perturbações, discórdia, querelas domésticas, acusações, inimizade de pessoas elevadas e poderosas e, caso se trate de um signo de Água, ameaça de afogamento. Mais adiante, no capítulo dedicado a Reflexões e Aforismos, reproduzimos a maior parte desses dados a propósito das significações das sobreposições planetárias. Notemos aqui que a sobreposição de Saturno maleficiado a um planeta natal suscita sempre provações morais ou físicas, cuja natureza pode ser deduzida dos significados combinados das Casas anuais e natais.

Em suma, as conjunções dos planetas anuais e natais agem de acordo com a natureza elementar dos planetas e de acordo com a sobreposição das Casas que ocupam. Se, por exemplo, Urano se sobrepõe a Vênus, é possível deduzir algumas perturbações na vida sentimental e perigo de problemas sexuais. Essa configuração será perigosa sobretudo nas III, V e VII Casas. Se ela se encontra na II Casa (anual ou natal), essas perturbações provocarão complicações financeiras. Na VI Casa, será indício de doenças nos órgãos íntimos. Na X, essa sobreposição leva a temer a repercussão de tais perturbações sobre a reputação ou a situação.

No entanto, as sobreposições do Ascendente e do Meio-do-Céu anuais a um planeta de natividade são aquelas que, por sua força, aparecem como predominantes - fato normal, já que constituem os principais fatores de uma Revolução Solar. Dessa forma, o Ascendente anual sobre a Lua natal corresponde sempre aos acontecimentos familiares ou advindos de uma mulher, aos deslocamentos, ou às mudanças de residência; o Ascendente sobre Netuno natal marca um ano mais ou menos caótico e é raro que o nativo possa reagir contra o desagradável encadeamento das circunstâncias; o Ascendente sobre Marte natal, caso seja regente da VI ou da XII Casa, prenuncia, num tema feminino, a cistite, a metrite ou uma doença semelhante etc.

Por último, observamos várias vezes que, quando numa Revolução, o regente de uma Casa radical se encontra em conjunção com o regente dessa mesma Casa anual (sobretudo no Ascendente natal ou anual), essa Casa diz respeito ao maior acontecimento do ano.

Citemos novamente o tema estabelecido no primeiro Capítulo. A única sobreposição que encontramos nessa Revolução Solar é a de Netuno anual (a 16° 36' de Virgem) a Júpiter natal (a 14° 11,5' do mesmo signo). Como este último se encontra na XI Casa, a das relações, estas últimas são perturbadas por essa conjunção. A IV Casa anual, onde se situa Netuno, indica uma das causas dessas perturbações: assuntos familiares que se opõem às relações normais com os amigos e conhecidos. Como a XI é a Casa das esperanças, essa sobreposição denota que as esperanças relativas à cura (simbolizada por Júpiter) de um dos parentes (IV) serão frustradas (Netuno). Tal coisa se relaciona também com a série de configurações que prenunciam a morte da mãe.

A significação particular dada a essa sobreposição pelas Casas não impede que ela aja também segundo a natureza desses dois planetas e, de qualquer modo, a sobreposição de Netuno a Júpiter provocará preocupações, dúvidas provenientes da diminuição do otimismo e do senso prático.

Ao estudar-se uma sobreposição, é prudente ver o lugar anual do planeta natal estimulado por essa sobreposição; muitas vezes, ele fornece a confirmação — ou traz um esclarecimento — ao acontecimento ou aos fatos revelados por essa configuração.

A mudança da força da influência de um planeta em relação a seu lugar no tema natal tem também uma grande influência. Se o regente da II Casa natal estava mal colocado na natividade e se encontra em seu próprio signo na Revolução Solar, trata-se já de uma boa indicação para os ganhos. A oposição de um planeta dignificado (por exemplo, de Marte em Áries) à sua posição natal fraca não parece constituir um mau presságio e, caso esteja bem aspectada, contraria as influências natais. Se o planeta que ocupava, na natividade, a VI Casa se encontra, na Revolução, em seu Domicílio ou exaltação, tal coisa tende a fortalecer a saúde, mas se ele passa nos signos de sua queda ou exílio, tende a desencadear predisposições mórbidas, indicadas por sua posição natal.

O retorno de um astro ao seu lugar de natividade acentua sua influência durante o ano que começa. P. Christian diz, no aforismo 569 da Histoire de la Magie, que: "Quando um planeta, em Revolução, entra novamente no signo que ocupava na natividade, retoma, segundo a natureza desse signo, a significação fatídica, boa ou má, que tinha nessa natividade, levando em consideração os novos aspectos que podem manifestar-se."

Essas observações parecem relacionar-se com uma lei geral segundo a qual os planetas da Revolução Solar corrigem ou agravam as indicações natais. Essa lei explica por que é frequentemente constatada a reconstituição parcial do tema natal durante os anos importantes. Por exemplo, a Revolução Solar da morte de Blavatsky contém a conjunção de Saturno e Mercúrio no mesmo lugar (a 3o de aproximação) do momento de seu nascimento, enquanto a conjunção natal desses dois planetas com Marte é substituída, na Revolução Solar, por uma quadratura.
Essa lei da ação do planeta do aniversário sobre sua influência fundamental explica por que os maus aspectos entre dois planetas poderosos num mapa anual perdem muito de sua nocividade, caso esses astros estejam em bom aspecto no tema natal.

No tema natal de Blavatsky, a conjunção de Marte e de Saturno na III Casa forma um verdadeiro ponto nevrálgico, que prenuncia lutas e desgostos de todo tipo, provenientes do meio ambiente, assim como polêmicas e críticas violentas; sua biografia mostra que, muitas vezes, essas dificuldades e esses aborrecimentos parecem insuperáveis. Na Revolução Solar do dia 11 de agosto de 1875, Marte ocupa novamente a III Casa, mas se encontra em sextil com Saturno: aquele ano tampouco esteve isento de lutas, mas esse bom aspecto corrigia os efeitos da conjunção natal e prometia para aquele ano o triunfo sobre todos os aborrecimentos e todas as acusações dos adversários.

Junctin de Florence afirma, em seu capítulo dedicado aos significados do retorno dos planetas da Revolução ao seu lugar natal, que a combinação de um planeta anual com o planeta de nascimento diz respeito ao acontecimento cuja causa é anterior ao aniversário, ao passo que as configurações da Revolução Solar sem relação com as do tema radical significam um acontecimento proveniente de uma causa futura. Essa observação é habitualmente verificada, mas deve ser esclarecida.

Alguns autores, e muito particularmente von Klockler, atribuem um papel predominante à repetição dos aspectos do céu natal no mapa anual. Sem negar o valor e a força dessa repetição, devo, contudo, alertar os leitores contra essa tendência exagerada que eu próprio segui durante vários anos. Uma Revolução Solar pode repetir dez bons aspectos do tema natal e nenhum mau; tal fato revela-se, na prática, visivelmente insuficiente para deduzir os bons acontecimentos. Vi tantos mapas anuais que só reproduziam maus aspectos e que correspondiam a êxitos extraordinários e vi tantas desgraças e mortes sob um céu anual pleno de boas repetições, que sou obrigado a identificar essas repetições quase que unicamente com os trânsitos (isto é, sou obrigado a só reconhecer sua influência durante o tempo em que existem no céu), bem como a relegá-las a um segundo ou mesmo a um terceiro plano no que diz respeito à sua ação sobre o conjunto do ano.

A retrogradação dos planetas no momento do aniversário significa, geralmente, não acontecimentos novos, mas um estado de coisas criado pelos acontecimentos anteriores à data da Revolução Solar. Tal como no tema natal, os efeitos desses planetas diminuem, contrariam e retardam as boas coisas anunciadas, caso, por um aspecto poderoso, eles atingem os significadores de acontecimentos futuros.

Nossa experiência pessoal permite dizer que um grande número de planetas retrógrados no momento do nascimento é um fator contrário à longevidade. Nos temas anuais, a retrogradação parece sobretudo fazer durar os obstáculos e as dificuldades que se opõem à realização dos desejos, ou à felicidade do nativo.

De qualquer maneira, é prudente subordinar sempre a interpretação da ação planetária às indicações fornecidas pelas Casas.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Planetas nas Casas da Revolução Solar: Considerações Finais, por Alexandre Volguini.

Não devemos crer que os planetas nas Casas não tenham outras significações que não aquelas que acabamos de dar nesta relação. Como cada tema horoscópico, mapa da Revolução Solar é um único todo orgânico e, se é possível estabelecer a lista dos significados mais comuns de cada fator astrológico, é impossível avaliar de antemão o conjunto de todas as repartições possíveis dos astros que dominam as indicações isoladas, assim como uma síntese se situa sempre acima dos dados analíticos. Por outro lado, as posições dos planetas nas Casas anuais permanecem subordinadas às sobreposições das Casas e, na interpretação, é preciso sempre seguir a ordem desta obra, isto é:

a) determinar, em primeiro lugar, a tonalidade do ano de acordo com a Casa natal em que se encontra o Ascendente anual, levando em consideração o signo zodiacal; ao proceder a essa determinação, é útil estudar, ao mesmo tempo, todas as indicações dadas pelo regente do Ascendente e pelos planetas que ocupam a I Casa; quando o regente do Ascendente anual é desprovido de aspectos consideráveis, parece ter mais influência sobre o plano moral e psíquico que sobre as áreas concretas e práticas dos acontecimentos (na maioria dos casos, pode-se deduzir a possibilidade de uma evolução filosófica, religiosa ou política, de um processo de interiorização caracterizado);

b) proceder à análise análoga da orientação do Meio-do-Céu da Revolução em relação ao tema natal, levando em consideração todos os fatores planetários ligados a esse ângulo;

c) estudar, da mesma maneira, as Casas anuais que se sobrepõem ao Ascendente e ao Meio-do-Céu do horóscopo, assim como todas as Casas da Revolução que sejam importantes pela aglomeração dos planetas; como no tema natal, a concentração dos planetas em qualquer Casa da Revolução Solar acentua a importância dessa Casa. A presença de vários planetas na I Casa anuncia uma grande atividade pessoal ou uma vida interior intensa; na II, esse agrupamento acentua a importância das questões financeiras; na III e na IX, inclina para as viagens etc; e

d) examinar, em último lugar, todas as outras sobreposições das Casas e as indicações fornecidas pela presença dos planetas nas Casas. Por outro lado, quanto mais planetas angulares existem no tema da Revolução Solar, mais esta última parece importante.



Plutão nas Casas da Revolução Solar, por Alexandre Volguini.

Não é possível ainda estabelecer, de forma exata, todos os significados de Plutão nas Revoluções Solares, mas sua influência torna-se cada vez mais conhecida e podemos já explicar, de modo aproximado, o papel por ele desempenhado.

Plutão na I Casa produz, no tema natal, um caráter, ora fechado, ora franco. Na Revolução Solar, essa configuração pode ser caracterizada como o ponto de retorno no curso da existência, ponto esse que se manifesta pelo desejo de buscar um caminho. Sob essa posição, observa-se uma renovação da atividade.

Plutão na II Casa parece ser favorável aos ganhos, mas leva a exagerar as possibilidades financeiras e cria surpresas de todos os tipos nos negócios. É a promessa de novas possibilidades.

Plutão na III Casa acentua a importância dos compromissos ou leva a uma mudança nestes ou no ambiente próximo. O espírito é mais prático e encontra mais facilmente a solução dos problemas da vida cotidiana. Em mau aspecto com Marte ou com o Sol, indica as obrigações (morais ou materiais) irregulares e parece predispor à revolta contra elas.

Plutão na IV Casa prenuncia divergências com a família. O sujeito pode ter a tendência a fechar-se, a viver só e isolado, não revelando seus pensamentos, suas ambições e suas preocupações a qualquer um. E também indício das iniciativas novas a respeito da residência.

Plutão na V Casa parece suscitar um sentimento de incerteza ou uma mudança na vida sentimental. Não obstante, ele não se opõe às satisfações de ordem sentimental, assim como os ganhos arriscados, mas cria circunstâncias pouco comuns que retiram qualquer estabilidade (frequentemente, ele se mostra mais romanesco que Urano e inclina ao adultério e à união dupla tão fortemente quanto Netuno, sem, contudo, provocar os escândalos característicos deste último; Plutão atemoriza, mas só causa reais devastações quando está pesadamente afligido). Com certa freqüência, anuncia também acontecimentos imprevistos (mas não necessariamente maus), provenientes das crianças.

Plutão na VI Casa parece indicar, amiúde, temores exagerados em relação à saúde, pois tende a estar antes vinculado a doenças mentais, psíquicas e nervosas do que às físicas. Em se tratando da Revolução Solar de uma pessoa doente, essa posição de Plutão marca uma forma incomum de uma doença conhecida ou uma enfermidade rara. Com bons aspectos, trata-se da promessa de restabelecimento espetacular da saúde.

Plutão na VII Casa pressagia aproximações inesperadas e bruscas na vida social, ou, se está muito afligido, complicações imprevisíveis e inquietantes (mas que não parecem ser de longa duração), ou um processo em perspectiva bastante desagradável e independente da vontade do sujeito. Em geral, tais complicações se solucionam da melhor forma possível por si mesmas.

Plutão na VIII Casa mostra uma esperança inútil ou exagerada de aumentar suas posses; é também um indício de preocupações relativas à liquidação de certas obrigações. Com outros bons indícios de ordem financeira, anuncia com freqüência um restabelecimento da situação ou grandes entradas de dinheiro que não dependem da vontade do sujeito. Algumas vezes, existe o temor inútil pela vida de uma pessoa próxima.

Plutão na IX Casa parece favorecer todo esforço mental e marcar o desejo das viagens, as quais tendem muitas vezes a constituir o meio de evadir-se de uma existência que não satisfaz o sujeito. Com freqüência, essa posição de Plutão corresponde às grandes viagens.

Plutão na X Casa predispõe a uma grande atividade, geralmente um pouco desordenada (sobretudo se ele recebe um aspecto maléfico) e exercida em vários domínios. Essa posição parece aumentar a ambição.

Plutão na XI Casa prenuncia que a realização dos projetos depende não somente dos esforços pessoais mas também do auxílio de circunstâncias felizes.

Plutão na XII Casa parece significar que os esquemas ou as preocupações ocultas inquietam muito o sujeito.

Observemos que, se Plutão se sobrepõe ao Ascendente ou ao Meio-do-Céu anual ou natal com 5º de aproximação (coisa que, evidentemente, pertence ao domínio dos trânsitos), é necessário examinar com muita atenção seu papel nos temas natal e anual, pois essas passagens revelam-se muito importantes, capazes de provocar profundas mudanças na vida. Observamos várias vezes que Plutão sobre o Ascendente natal aumenta a atividade dirigindo-a para um novo domínio, ao passo que, no Meio-do-Céu, conduz a uma mudança bastante brusca nos negócios. Como, amiúde, traz esperanças exageradas e como sua natureza continua ainda muito misteriosa, somente as Revoluções Solares dos anos dessas passagens permitem determinar o alcance e a profundidade dessas mudanças.

Netuno nas Casas da Revolução Solar, por Alexandre Volguini.

Se Urano é inesperado e com freqüência brutal, Netuno cega de uma maneira brumosa, turva e insípida, agindo mais fortemente no interior (no plano psíquico) que no exterior; ele marca com tais características a parte do céu que ocupa na Revolução Solar.

Netuno na I Casa significa sempre algumas ilusões alimentadas pelo sujeito ou alguns projetos dificilmente realizáveis. A Casa regida por esse planeta nos temas natal e anual - ou, ainda, a Casa que ocupou no momento do nascimento - permite esclarecer a que domínio se relacionam essas ilusões ou esperanças, enquanto os maus aspectos referem-se às decepções daí resultantes. Quase sempre, é indício de uma vida interior intensa e, caso esteja afligido, de inquietações e temores mais ou menos secretos.

Netuno na II Casa cria ilusões de ganhos. As previsões financeiras do sujeito serão desmentidas. Esse é um dos sinais de instabilidade ou de insegurança pecuniária. Muito afligido, esse planeta leva a temer as perdas devidas à desonestidade (antes por trapaça, abuso de confiança ou fraude que por roubo brutal).

Netuno na III Casa aconselha a desconfiar das mulheres próximas, pois, como os maus aspectos acentuam essa ameaça, elas podem criar todos os tipos de aborrecimentos que começam por uma dificuldade ou pela traição. Do ponto de vista mental, essa posição de Netuno não favorece os estudos e os trabalhos precisos. Se consideramos a III Casa no sentido da correspondência e das viagens, essa posição leva a temer uma carta perdida ou extraviada, assim como algumas decepções relativas aos deslocamentos (a menos que Netuno esteja bem-aspectado).

Netuno na IV Casa prenuncia tanto a instabilidade familiar, as preocupações e inquietações a esse respeito, como os projetos referentes ao lar, à família ou aos imóveis cuja realização não ocorrerá segundo as previsões. Se Netuno está afligido, o sujeito deverá prever as complicações mais inverossímeis, aí incluídos o roubo de sua casa ou a traição de uma mulher.

Netuno na V Casa marca, geralmente, as inquietações e as preocupações com as crianças, a vida sentimental passando-se mais no plano psíquico que no plano físico, e as especulações decepcionantes (a menos que Netuno não receba nenhum aspecto maléfico). Existe também o perigo das desilusões sentimentais.

Netuno na VI Casa indica um regime alimentar inadequado à natureza do sujeito (de onde decorre o perigo de envenenamento) ou as doenças cuja origem é mais psíquica e nervosa do que física. Muito afligida, essa posição tende a provocar a desordem ou as complicações no trabalho e marca a desonestidade ou as imperícias prejudiciais dos subordinados.

Netuno na VII Casa torna a vida conjugai pouco harmoniosa e, se está muito afligido, é necessário temer o engano ou a traição por parte do cônjuge ou das pessoas que podem ser consideradas, de alguma maneira, como sócias. Encontramos essa posição de Netuno na Revolução Solar de H. P. Blavatsky que corresponde à criação da Sociedade Teosófica; a história da separação de certos membros fundadores é muito conhecida, mesmo fora desse grupo, para que seja preciso recordá-la. Essa separação não passava, evidentemente, de uma traição, já que foi imediatamente seguida por uma violenta campanha dirigida contra a autora de Isis sem véu.

Netuno na VIII Casa ameaça, antes de tudo, os interesses pecuniários com alguma trapaça ou negócio escuso; isso ocorre amiúde por culpa do cônjuge ou do sócio.

Netuno na IX Casa indica as viagens por água (ou para a água, como, por exemplo, uma estada em um balneário) ou o aumento de tendências místicas. Muito afligido, predispõe às complicações legais, à ansiedade, à credulidade e às angustias, que o sujeito interpreta como pressentimentos. Ele cria o perigo de afogamento.

Netuno na X Casa marca uma situação instável, que pode elevar-se pela força das circunstâncias, caso o tema seja favorável, mas que, na maioria das vezes, ameaça arruinar-se. Essa posição de Netuno, se afligida, tende a levar a algum escândalo.

Netuno na XI Casa marca geralmente os amigos com os quais não é possível contar, a menos que ele esteja muito bem aspectado. Mal aspectado, pressagia decepções provenientes das relações, algumas vezes uma decepção por causa de uma terceira pessoa, e prenuncia que as esperanças e os projetos do sujeito não se concretizarão.

Netuno na XII Casa prenuncia geralmente alguns segredos ou contenções durante o ano. Essa posição tende a enfraquecer internamente a saúde, através de preocupações, inquietações ou de depressão nervosa. Se está muito bem influenciado, ele é favorável a tudo o que diz respeito ao espiritismo ou ao psiquismo.

Urano nas Casas da Revolução Solar, por Alexandre Volguini.

Os efeitos de Urano nas Revoluções Solares manifestam-se antes por um acontecimento brusco, mas de curta duração, que por tendências gerais ou pelo ambiente no qual o sujeito vive durante o ano.

Urano na I Casa pressagia que um imprevisto qualquer ocorrerá na vida do sujeito. Se está afligido, é um indício de perigo de acidente, cuja causa será o nativo, caso ele esteja em conjunção com o Ascendente. Se, no tema natal, Urano estava numa Casa pessoal (I, III ou IX) ou se era o regente do Ascendente, esse planeta provocará interesses novos, a descoberta do amor por uma ciência - o gosto pelo ocultismo, por exemplo, que o sujeito ignorava completamente - ou uma inspiração ou iniciativa que orienta o pensamento, de forma durável, para uma nova direção.

Urano na II Casa prenuncia ganhos ou perdas inesperados e é indicador de flutuações financeiras muito mais fortes que aquelas marcadas pela presença da Lua nesta Casa. Com muita freqüência, essa posição de Urano, astro das surpresas e dos contrastes, indica uma importante mudança repentina na situação pecuniária ou instabilidade financeira durante todo o ano. Os maus aspectos retiram a possibilidade de aplicações seguras.

Urano na III Casa
prenuncia a possível presença de aborrecimentos no estabelecimento de contratos, escritos, acertos de contas ou nos deslocamentos. Bem aspectada, essa posição facilita os estudos das ciências (regidas por esse planeta: astrologia, ocultismo em geral, arqueologia, história antiga, ciências físicas, eletricidade etc.) e pode mesmo conduzir a uma descoberta pessoal. Afligido, ele leva sempre a temer algumas complicações inesperadas, devidas ao meio ambiente.

Urano na IV Casa provoca algumas mudanças súbitas e imprevistas na vida doméstica e inclina à mudança de domicílio; às vezes, ocorrerão choques com os pais (principalmente com o pai) ou um acontecimento importante que atinge estes últimos (observamos muitas vezes essa posição de Urano nos anos da morte dos pais ou da separação entre estes e o sujeito).

Urano na V Casa exalta as tendências sexuais e prenuncia, sobretudo nos temas masculinos, relações de amor passageiras, ligações precipitadas ou desfeitas e mudanças na vida sentimental. Se está afligido e retrógrado, ele marca, com freqüência, aborrecimentos decorrentes de uma antiga ligação. Nos temas femininos, essa posição parece relacionar-se particularmente com a menstruação irregular, com a gravidez inesperada ou indesejável, com os abortos e as complicações nas relações íntimas (que, muitas vezes, não passam de consequências desses elementos). Dignificado e bem aspectado, promete ganhos inesperados e o êxito nas especulações ou no jogo (algumas vezes, presentes apreciáveis); entretanto, caso receba algum aspecto maléfico, provoca adversidades. Nas crianças, refere-se a acontecimentos de sua vida estudantil.

Urano na VI Casa marca mal-estares ou doenças complexas, pouco comuns e dificilmente diagnosticáveis (ainda mais porque, muitas vezes, ele se relaciona com os erros de diagnóstico ou de tratamento). Se está bem aspectado, essas doenças podem ser facilmente curadas pelos métodos uranianos (eletricidade, massagens, magnetismo e todos os métodos mais ou menos heterodoxos e ultramodernos). Essa posição leva quase sempre a algumas complicações entre empregados e patrões.

Urano na VII Casa cria sempre o temor de algumas complicações bruscas advindas do cônjuge ou do associado, ou, ainda, de complicações na vida social, que apresentam uma repercussão durável sobre o curso do destino. Se está muito afligido, trata-se do perigo de ruptura ou de separação. Se o sujeito tem um processo, seu desfecho será mais ou menos inesperado; esse desfecho pode ser bom ou nefasto, de acordo com os aspectos do conjunto do tema.

Urano na VIII Casa, afligido, indica, algumas vezes, o perigo de morte. Em geral, essa posição indica notícias inesperadas de falecimento, complicações nas aplicações e a impossibilidade absoluta de entrar na posse de alguns de seus haveres.

Urano na IX Casa provoca, com freqüência, a mudança de opiniões, indica amiúde viagens, sobretudo aéreas (que serão perigosas, caso ele esteja afligido), e prenuncia uma mudança na família do cônjuge ou do sócio. Mal aspectado, parece relacionar-se com as desavenças provenientes dos parentes do cônjuge.

Urano na X Casa
prenuncia modificações inesperadas na situação ou nas ocupações profissionais. Algumas vezes, essa posição de Urano provoca mudanças de profissão, mas, na maioria das vezes, trata-se da repercussão, sobre a situação do sujeito, de acontecimentos de ordem coletiva - e mesmo de ordem nacional ou internacional - que não dependem absolutamente de sua vontade. Psicologicamente, é um indício da tendência às mudanças e às variações no que diz respeito à profissão, com a exaltação das qualidades intuitivas. Com freqüência, é sinal de uma espécie de oscilação nos projetos, nas decisões a tomar e diante das virtualidades do destino. Trata-se da necessidade de compreender as ocasiões e as soluções quase que de improviso, sem longas reflexões, ou, melhor dizendo, independentemente destas. Bem aspectado, é a probabilidade de êxito que sobrevém de uma forma bastante extraordinária. Afligido, é o anúncio do perigo de uma crise moral ou física (ou até mesmo da morte) para a mãe do sujeito.

Urano na XI Casa conduz sempre a uma mudança nos projetos do sujeito, assim como em suas relações ou amizades; algumas vezes, tal mudança de projetos depende de novos conhecimentos. Dignificado, pressagia uma nova amizade ou um conhecimento importante de um ponto de vista qualquer. Afligido, prenuncia desgostos complicados provenientes de amigos e aconselha a ser bastante prudente em relação a novos conhecimentos. Se o sujeito está doente, é prudente mudar de médico.

Urano na XII Casa
prenuncia aborrecimentos e complicações que dependem, na maioria das vezes, da Casa por ele governada (na Revolução Solar estabelecida no primeiro Capítulo, esta posição é responsável, em parte, pelos aborrecimentos profissionais, já que Urano é regente do Meio-do-Céu). Essa configuração leva geralmente a lutas e discórdias as mais inesperadas, provenientes, na maior parte das vezes, de inimigos, rivalidades, intrigas e conspirações. Evidentemente, a gravidade desses aborrecimentos depende do conjunto do tema.

Saturno nas Casas da Revolução Solar, por Alexandre Volguini.

Saturno projeta sempre uma sombra sobre o domínio da vida, indicado pela Casa da Revolução Solar na qual está colocado. Como no tema natal, ele age como grande maléfico e seus aspectos, as Casas que rege e suas relações com os planetas do tema natal devem ser examinados com a maior atenção. Na maioria das vezes, ele indica, nas Revoluções Solares, não um acontecimento que influencia a vida do sujeito durante uma época qualquer do ano (como parecem agir todos os outros planetas na maior parte dos casos) mas algo  que   oprime  o  sujeito  durante   todo  o   ano.  Por conseguinte,  sua influência revela ser mais estática que dinâmica ou, pelo menos, que o elemento estático tem primazia sobre a ação dinâmica e momentânea. Um exemplo nos permitirá apreender melhor essa particularidade da influência saturnina. No tema que estabelecemos no início desta obra, Saturno anuncia, por sua presença na X Casa, a morte da mãe, a quem o sujeito dedicava uma afeição sem limites, um amor filial levado ao paroxismo e completamente excepcional. Ora, os quatro meses que precedem a morte - que ocorreu no dia 22 de maio de 1936, às 10 horas da noite - podem ser caracterizados pela angústia e pelas preocupações constantes, pelo fato de, muitas vezes, o sujeito haver negligenciado as suas ocupações profissionais (este fato deve ser relacionado com a oposição de Saturno e Netuno). Depois desse falecimento, ele precisou de vários meses antes de poder retomar todo o seu impulso, de tal forma o vazio causado pelo desaparecimento fora ampliado pela dor. Portanto, a duração saturnina é, neste caso, característica.

Saturno na I Casa torna sempre o sujeito preocupado, deprimido, sobrecarregado e perpetuamente atrasado em seus trabalhos, muitas vezes em virtude de sua saúde, que mostra uma tendência ao enfraquecimento (essa é a posição de Saturno na Revolução Solar correspondente à morte de H. P. Blavatsky). Essa posição de Saturno, mesmo dignificada e bem aspectada, parece exigir do sujeito esforços superiores às suas forças e designa, amiúde, uma pessoa física e moralmente fatigada; portanto, ela marca frequentemente o ano de lutas cujo êxito ou fracasso depende do conjunto da Revolução Solar.

Saturno na II Casa pressagia inquietações e preocupações pecuniárias, pois essa posição entorpece os negócios, provoca atrasos nas entradas e cria dificuldades no que diz respeito à realização de projetos financeiros. Trata-se de um mau ano para tratar de assuntos imobiliários. Afligido, Saturno pressagia grandes perdas.

Saturno na III Casa inclina ao pessimismo e pressagia relações tensas ou aborrecimentos com o meio de convívio — na maioria das vezes com pessoas mais velhas que o sujeito —, e atrasos nas viagens ou em outras coisas governadas por esta Casa. Suas aflições parecem ser particularmente desfavoráveis nos temas dos estudantes, escritores e editores. Se Saturno aflige o Ascendente (anual ou natal) e, ao mesmo tempo, reproduz os maus aspectos de natividade com os luminares, há o perigo de tuberculose pulmonar ou de uma outra doença dos pulmões.

Saturno na IV Casa prenuncia obrigações e preocupações referentes aos bens imobiliários, ao lar, aos parentes ou às heranças. Se está afligido e retrógrado, ele cria um ambiente familiar asfixiante ou grandes aborrecimentos. De modo muito frequente, é indício da ampliação das dificuldades por volta do final do ano e, como exemplo histórico desta configuração, pode-se citar a Revolução Solar do dia 29 de julho de 1942 de B. Mussolini, que correspondeu ao ano de sua queda (ocorrida em 25 de julho de 1943).

Saturno na V Casa denota, na maioria das vezes, uma pessoa insatisfeita em termos sentimentais; sua influência parece ser mais forte nos temas femininos do que nos horóscopos masculinos, já que, entre os homens, geralmente, diminui as necessidades físicas e as tendências sentimentais, ao passo que, para a mulher, longe de restringi-las, opõe-se à sua satisfação. Trata-se de uma má posição para o jogo e as especulações, ainda que esteja bem aspectado. Essas indicações são frequentemente anuladas se Saturno governa o Ascendente anual por sua posição em Capricórnio; neste último caso, ele acentua as significações da V Casa e deve ser interpretado de acordo com o conjunto do tema.

Saturno na VI Casa indica uma saúde debilitada, por doenças, ou por preocupações mais ou menos constantes. Melhorar o estado do organismo, exigirá um processo muito longo e difícil, a menos que Saturno esteja em Libra, Capricórnio ou Aquário, fator que aumenta a resistência. Nos empregados, ele provoca amiúde o desencanto com suas ocupações.

Saturno na VII Casa marca pouco entendimento com o cônjuge ou com o sócio. Se o sujeito pensa em casar-se durante o ano que se inicia, o casamento ocorrerá mais tarde do que espera; se Saturno está retrógrado e afligido, ele não ocorrerá. É também uma má posição para os processos: estes últimos não serão concluídos durante o ano regido pela Revolução Solar.

Saturno na VIII Casa marca, com certa frequência, os anos em que se teme uma morte. Na maioria das vezes, tal configuração indica as dívidas que tornam o sujeito preocupado, bem como a baixa dos rendimentos ou dos valores. Em geral, é indício de um mau ano para as especulações, a compra de títulos, ações etc.

Saturno na IX Casa, dignificado, favorece o julgamento e tende a tornar mais profundas as concepções filosóficas. Afligido, mostra-se desfavorável para as viagens, nas quais provoca atrasos ou obstáculos. Muito frequentemente, prenuncia, nessa posição, aborrecimentos provenientes dos cunhados ou cunhadas.

Saturno na X Casa impede o progresso: bem aspectado e dignificado, marca uma situação estabilizada, mas não sem causar algumas preocupações; afligido, provoca aborrecimentos nos negócios, a necessidade de vencer muitas dificuldades para conservar o nível atingido e o perigo de grandes perdas. Com frequência, leva a um acontecimento infeliz nos negócios ou a uma ocorrência que tem uma repercussão sobre a situação (como na Revolução Solar de 14 de janeiro de 1936, da qual falamos anteriormente). Além disso, essa posição pressagia, muitas vezes, a doença da mãe.

Saturno na XI Casa prenuncia atrasos na realização de projetos e esperanças decorrentes de obstáculos de todos os tipos. É também indício de preocupações com as relações e, algumas vezes, de uma existência retirada e solitária, já que essa posição tende a restringir o círculo de amizades ou a diminuir os contatos com os amigos.

Saturno na XII Casa indica geralmente que o estado de saúde necessita, seja de um repouso completo, seja de cuidados sistemáticos. Muitos casos observados parecem provar que uma doença que se manifesta sob essa posição não passará sem deixar vestígios profundos, não só porque se torna mais ou menos crônica, como porque o sujeito sentirá as suas consequências durante toda a vida. Algumas vezes, com a Revolução Solar muito afligida, essa posição de Saturno prenuncia uma fatalidade qualquer.

Júpiter nas Casas da Revolução Solar, por Alexandre Volguini.

Tal como no tema natal, nas Revoluções Solares, Júpiter desempenha o papel do grande benéfico. Se estava fraco no momento do nascimento - ao ocupar o signo de Gêmeos, Virgem ou Capricórnio - e se se encontra forte no momento do aniversário, e em mau aspecto com sua posição natal, sua influência benéfica é aumentada. Sempre traz um pouco de sorte ou felicidade para a Casa anual que ocupa.

Júpiter na I Casa aumenta o otimismo, a generosidade, e mostra a necessidade de expansão nos empreendimentos ou no domínio indicado pela Casa natal à qual se sobrepõe. Se não está muito afligido, o ano será favorável ao sujeito ou, pelo menos, relativamente fácil. Essa é a posição da Revolução Solar de H. P. Blavatsky correspondente à fundação da Sociedade Teosófica.

Júpiter na II Casa aumenta os ganhos e os gastos, assim como a sorte em tudo o que diz respeito às finanças. Encontramos esta posição de Júpiter na Revolução Solar de 1847 de H. P. Blavatsky, cuja situação melhora bruscamente com o casamento. Como, nesse mapa, Júpiter governa a VII Casa, através dessa regência, fica claramente indicado de onde provém essa melhora. Observemos que, se é retrógrado, ele não impede a expansão da situação, mas não permite a realização de benefícios e denota que essa expansão não satisfaz o sujeito.

Júpiter na III Casa é particularmente importante nos temas de editores, de escritores e de todos aqueles cuja profissão se refere a essa Casa, pois trará contratos vantajosos, propostas interessantes ou alguma coisa de bom, proveniente do meio de convívio. Um bom aspecto de Urano e Netuno (e, talvez, de Plutão) prenuncia que o sujeito escapará de um acidente quase por milagre; dir-se-ia tratar-se do sinal de uma proteção providencial.

Júpiter na IV Casa, não somente favorece todos os significados dessa Casa, como também prenuncia, de modo geral (se não está muito afligido), que o fim do ano será melhor que o começo. Muito frequentemente, essa posição de Júpiter promete um bom acontecimento durante o último trimestre do ano, a partir do momento do aniversário.

Júpiter na V Casa, em seus signos, prenuncia um bom ano para o andamento dos empreendimentos nos quais o sujeito manifesta muito otimismo e audácia ponderada, assim como para as sadias satisfações sentimentais. Afligido, débil ou peregrino, aumenta a tendência ao risco, fato que pode implicar perdas nos empreendimentos arrojados ou algumas desavenças de ordem sentimental.

Júpiter na VI Casa marca um bom ano nas relações com os subordinados ou, se o sujeito é um empregado, um trabalho fácil. Afligido, esse planeta aconselha que se purifique o sangue e que se evitem os excessos aos quais esta posição predispõe. Se ele é regente da I ou da V Casa, é indício do perigo de alteração da saúde como consequência do abuso dos prazeres ou das distrações.

Júpiter na VII Casa, forte e bem aspectado, marca a felicidade conjugai (ou, caso esta última não esteja indicada pelo tema natal, o ano de uma vida conjugai calma), um bom entendimento com os associados ou o êxito em assuntos legais. Afligido, aconselha a ser menos confiante, pois constatamos muitas vezes abusos de confiança em relação ao sujeito com esta posição.
É bom lembrar que Júpiter se encontra na cúspide dessa Casa na Revolução Solar que estabelecemos no decorrer do primeiro Capítulo. Ele está muito dignificado, já que ocupa o signo de Sagitário, que é o de seu Domicílio e designa uma pessoa com a qual o sujeito tem negócios em comum e que pode ser definido como sócio. As quadraturas de Saturno e Netuno provocaram, no decorrer do ano, alguns mal-entendidos e divergências de opinião, mas, como Júpiter é mais forte que esses dois planetas, tal associação lhe é claramente favorável, como o denota, além disso, a sobreposição da VII Casa anual à II natal. Sendo Júpiter o regente da XI Casa dessa Revolução Solar, essa pessoa é tanto uma amiga sincera quanto uma associada. Por último, o sextil de Júpiter com Mercúrio na Casa das viagens corresponde a duas viagens de negócios feitas em companhia dessa pessoa.

Júpiter na VIII Casa favorece os processos e promete geralmente presentes ou auxílios financeiros apreciáveis. Afligido, ele tende a aumentar as dívidas ou traz alguns aborrecimentos a esse respeito.

Júpiter na IX Casa aumenta a reputação, a estima geral, a generosidade de espírito e favorece tudo o que depende dessa Casa (viagens, altos estudos filosóficos, científicos ou morais, as relações com os países estrangeiros etc). Se Júpiter está afligido, o sujeito deve ser prudente com seus créditos e com todas as obrigações financeiras.

Júpiter na X Casa é frequentemente encontrado nos anos que contêm acontecimentos felizes que levam à multiplicação da fortuna ou à elevação na vida; assim, essa posição, caso não esteja muito mal aspectada, sempre marca um bom ano para os negócios. Demasiado afligido, ele significa, na maioria das vezes, as dificuldades e os conflitos decorrentes de imprudências, de objetivos muito amplos e de projetos excessivamente vastos. Segundo Jean-G. Verdier {Ce que Disent les Astres, p. 179), entre as mulheres sem profissão, essa posição indica amiúde o parto ou a gravidez, sobretudo se Júpiter se sobrepõe ao Ascendente natal.

Júpiter na XI Casa marca a necessidade de expansão material, social ou mundana, segundo o conjunto do tema. Essa posição parece ser sempre boa para as relações e para as amizades, mas, se Júpiter está muito mal aspectado, estas não oferecerão aquilo que o sujeito espera delas e, caso o ajudem, farão tal coisa por cálculo ou por interesse, e não por sentimento.

Júpiter na XII Casa leva a descobrir e a impedir os movimentos dos inimigos secretos e dos detratores. Dignificado, favorece o progresso nas sociedades secretas. Afligido, denota os mal-estares crônicos, geralmente pouco dolorosos, relacionados com a circulação do sangue ou com o fígado.



Marte nas Casas da Revolução Solar, por Alexandre Volguini.

Os efeitos de Marte são rápidos e provêm, na maioria das vezes, de reflexos e de sentimentos muito violentos, tais como a cólera e o desejo. Nos temas femininos, trata-se do principal indicador do amante.

Marte na I Casa produz um recrudescimento de atividade, de iniciativa e de ambição no decorrer do ano e constitui uma configuração de dinamismo e vivacidade; é necessário enfatizar estes últimos na interpretação. Se está afligido, causa também o aumento da irritabilidade, uma excitação demasiada e até mesmo algumas brutalidades. O sujeito arrisca-se a provocar, através de palavras ou atos irrefletidos, conflitos e disputas com as pessoas indicadas pela Casa governada por Marte ou ocupada pelo planeta que o aflige. Essa posição parece também ativar o instinto sexual, sobretudo se Marte está ligado a Vênus. Em aspecto com Netuno, significa um dispêndio de energia inútil por uma causa quimérica ou por um empreendimento incapaz de oferecer aquilo que dele se espera.

Marte na II Casa conduz às imprudências nos negócios ou aos gastos exagerados e, frequentemente, acima dos meios do sujeito. Se está mal aspectada, são inevitáveis os aborrecimentos e as dificuldades com dinheiro.

Marte na III Casa leva sempre a temer o recebimento de más notícias, as imprudências verbais ou escritas que serão a causa de desavenças, ou ainda as disputas com o meio ambiente. Se Marte recebe um aspecto maléfico, a prudência nos deslocamentos (sobretudo de automóvel) torna-se necessária. Nos signos de Ar ou de Fogo, é indício de uma grande atividade mental (exemplo: a Revolução Solar que anuncia a fundação da Sociedade Teosófica).

Marte na IV Casa não indica, de modo geral, um lar que se harmoniza com as aspirações e com os gostos do sujeito e leva a discussões e choques com os parentes; algumas vezes, provoca até mesmo lutas por uma questão vital. Se ele está afligido e ligado aos pontos vitais do tema, essa posição significa perturbações digestivas ou uma doença do estômago ou dos intestinos (às vezes, dos órgãos genitais, nas mulheres). Numa Revolução Solar fortemente desfavorável e ligada a um grande número de planetas, corresponde a uma infelicidade que surpreende os parentes, os proprietários ou o lar (incêndio, morte, discórdia na família, calamidade púbica etc).

Marte na V Casa aconselha que se evitem o jogo e as especulações na Bolsa, a menos que ele só receba aspectos benéficos. Com as configurações desarmônicas, essa posição é claramente desfavorável às relações com as pessoas do sexo oposto; ela parece ser particularmente nefasta nos temas femininos, nos quais conduz quase sempre a incorreções provenientes dos homens, sobretudo quando Marte estiver poderoso.

Marte na VI Casa, possibilidade de algum acidente fisiológico. Em Capricórnio, constituirá, pelo contrário, indício de uma boa saúde (se Marte não está afligido e se as sobreposições das Casas não são ameaçadoras). Mesmo dignificada, essa posição é perigosa nos temas dos empregados, já que aumenta o desejo de independência; isso tende a provocar, não só iniciativas acima de suas possibilidades, como também alguns aborrecimentos.

Marte na VII Casa pressagia discussões e disputas com o cônjuge ou com os sócios, e anuncia o perigo de confusões e processos. Por outro lado, essa posição de Marte - particularmente quando se encontra em conjunção com a cúspide da VII Casa - inclina a ações arriscadas, e às vezes até mesmo violentas, de ordem social, mas estas só podem ter êxito caso Marte esteja bem aspectado.

Marte na VIII Casa predispõe a algumas extravagâncias da parte do cônjuge ou sócio e marca frequentemente o aumento considerável das despesas e até mesmo uma existência acima dos meios. Da mesma forma, essa posição não parece ser boa para os processos. Se Marte é regente da XI, III ou IV Casa, pode prenunciar uma morte no ambiente de convívio.

Marte na IX Casa torna perigosas as viagens e predispõe especialmente a acidentes de automóvel. Do ponto de vista psicológico, essa posição predispõe à dúvida, ao ceticismo, ou, pelo contrário, a conversões espontâneas, a mudanças bruscas de opinião e a tomadas de posição ideológicas rápidas, geralmente mais instintivas que refletidas.

Marte na X Casa prenuncia aborrecimentos e dificuldades profissionais (trata-se da posição do tema que apresentamos no primeiro Capítulo desta obra). Se Marte está muito afligido, é indício de uma infelicidade ou do perigo de descrédito. Psicologicamente, essa posição predispõe, tanto às ações arriscadas e mesmo perigosas (sobretudo nos signos de Fogo), como a certa negligência nos negócios.

Marte na XI Casa marca geralmente os grandes projetos que superam as possibilidades do sujeito, bem como as discussões com os amigos. Se está mal aspectado, tornam-se inevitáveis as querelas, os vexames e as desavenças, e existem muitas possibilidades de que não somente as circunstâncias, mas também os amigos se oporão à realização das esperanças.

Marte na XII Casa é a pior posição desse planeta, pois prenuncia tanto doenças e acidentes como inimizades, perseguições, aborrecimentos ou ciladas de todos os tipos. Afligido e nos signos de Água, ele parece estar em relação com excessos sexuais e com instintos amorais ou mesmo criminosos.

Vênus nas Casas da Revolução Solar, por Alexandre Volguini.

O papel de Vênus numa Revolução Solar é muito importante para a felicidade íntima, sobretudo nos temas masculinos. Ela traz para a Casa que ocupa a sua influência doce, amável e agradável como o sorriso de uma jovem (exceto em Escorpião, no qual provoca ciúmes).

Vênus na I Casa, em termos psicológicos, parece agir como Júpiter, isto é, aumenta o otimismo e a sociabilidade. Sem maus aspectos, marca um ano fácil e estimula os êxitos mundanos.

Vênus na II Casa favorece as finanças e aumenta a sorte nos negócios, sobretudo em Touro, Libra e Peixes, ou bem-aspectada. Afligida por Marte, Júpiter ou Urano, cria o perigo da extravagância nos gastos e da desordem nos negócios.

Vênus na III Casa favorece as relações com o meio ambiente e parece ter uma importância específica nas Revoluções Solares das pessoas ligadas à literatura imaginativa e às artes.

Vênus na IV Casa conduz geralmente ao embelezamento do lar. Essa posição promete a ajuda advinda dos parentes e é, além disso, favorável a todas as pessoas cuja profissão se refere a essa Casa (agricultores, proprietários de imóveis, minas etc).

Vênus na V Casa acentua a sensualidade e favorece a vida sentimental, particularmente entre os homens. Ligada às Casas financeiras, ela promete êxito no jogo ou na especulação e leva a um ganho na loteria. É frequentemente encontrada durante os anos de nascimento das crianças.
É bom lembrar que Vênus ocupava essa posição na Revolução Solar de H. P. Blavatsky que precedeu o seu casamento, anunciando, por sua presença no signo de Libra (que é o signo inicial do casamento), seu futuro noivado.

Vênus na VI Casa, não-afligida, protege a saúde, os empregos e as relações com os empregados domésticos ou subordinados. Mal aspectada por Marte e Urano, ela leva a temer as doenças dos órgãos genitais ou dos órgãos próximos a essa região.

Vênus na VII Casa é um bom indício para a felicidade conjugai. Observamos várias vezes essa posição nas Revoluções Solares de casamento e associação. Contudo, sua retrogradação no momento do aniversário (como, de resto, a retrogradação de qualquer planeta) não permite que o casamento se realize no ano que se inicia ou, caso esteja muito bem-aspectada, leva esse casamento a realizar-se mais tarde do que a época desejada pelo sujeito.

Vênus na VIII Casa favorece os processos e as aplicações financeiras (exceto se se encontrar no signo de Escorpião).

Vênus na IX Casa pressagia viagens de recreação ou o desejo de realizá-las.

Vênus na X Casa, sem maus aspectos, favorece todos os significados dessa casa: a fama, os negócios, a posição social etc. Afligida por Saturno e Marte, Urano ou Netuno, ela denota o perigo de um escândalo, geralmente decorrente de relações amorosas.

Vênus na XI Casa facilita os êxitos mundanos, a realização dos desejos, das esperanças; parece marcar amiúde a amizade de uma jovem ou, de qualquer maneira, uma lisonjeira ou proveitosa amizade feminina e constitui, antes de tudo, a promessa de satisfações advindas dos amigos e das relações. É indício dos apoios ou encorajamentos femininos ou daqueles obtidos pelas simpatias femininas.

Vênus na XII Casa revela os sentimentos e desejos ocultos. Se está bem colocada e bem aspectada, ela preserva dos maus significados dessa Casa horoscópica, que é a mais infortunada de todas. Em Áries e em Escorpião, ou com um aspecto de Marte, denota a sensualidade insatisfeita e, consequentemente, aumentada. Como todo planeta na XII Casa, Vênus contraria, por essa posição, as suas promessas no tema natal; se, no momento do nascimento, ela estava na II, as finanças se ressentirão com isso; na III Casa, as relações com o meio ambiente serão menos boas etc.