quinta-feira, 21 de julho de 2016

A Teoria Geral das "Partes" Astrológicas, por Dane Rudhyar



Os "Ascendentes" dos planetas são determinados calculando-se os "arcos" (ou diferenças de longitude) entre o Sol e os planetas, e acrescentando-se ao valor desses arcos a longitude do Ascendente real. Este procedimento pode ser adotado no caso de dois planetas quaisquer — ou mesmo de quaisquer dois pontos astrológicos previamente determinados. Como resultado de um procedimento assim, se, levado a seus extremos, podemos localizar no zodíaco um número quase infinito de pontos simbólicos. Estes são as "partes", tão extensamente utilizadas por astrólogos árabes.

O procedimento envolve os seguintes fatores: a distância entre dois planetas, medida em termos de longitude zodiacal. Esta distância é considerada como a que estabelece um relacionamento significativo entre dois planetas ou quaisquer dois pontos astrológicos de referência válidos. Este é o fator em que se fundamentam todos os "aspectos" astrológicos. No entanto, "aspectos" são constituídos por apenas alguns poucos valores significativos de distância, determinados pela divisão da circunferência total pelo uso de denominadores simples (2, 3, 4, 5, 6, 8, 10, 12, na maioria dos casos) — tais como 180°, 120°, 90°, 72°, 60° etc. Mas, teoricamente qualquer distância é significativa e o fator distância se torna ainda mais significativo se estiver ligado ao Ascendente.

É justamente isso que constitui a realidade das Partes. Uma parte é a distância entre dois planetas, relacionada com o Ascendente para seu significado. O Ascendente é o ponto de consciência individual. Portanto, uma Parte dá significado ao relacionamento entre dois modos específicos de atividade vital (planetas), em termos da percepção intuitiva que o indivíduo tem da vida .e do Destino. Assim a Parte da Fortuna mostra como a relação entre as energias solar e lunar opera na determinação da atitude do indivíduo diante de si mesmo e de seu destino. A Parte da Imaginação indica a maneira através da qual os fatores integrador (Sol) e regenerador e transformador (Urano) de seu ser cooperam para ampliar a individualidade criativa, a qualidade úínica;do nativo.

Coloque qualquer outro planeta no lugar do Sol, e o mesmo princípio estaria em funcionamento. Significados especiais surgem quando os dois planetas considerados formam um par positivo-negativo: Saturno-Lua, Júpiter-Mercúrio, Marte-Venus. Outros quando se consideram atividades vitais antagônicas, sendo o caso mais significativo o de Júpiter e Saturno. Não só planetas, como também pontos astrológicos, como "a Lua Nova anterior ao nascimento", podem constituir pares, e sua distância relacionada com o Ascendente, portanto, constituem Partes. Partes revelam significados, primeira e principalmente, termos de suas casas, e também de seu signo e grau de posição, termos de suas conjunções com outros planetas. São "pontos sensíveis" num mapa. Só que tantos deles são possíveis, que seu número lhes tira o significado.

Este número aumenta tremendamente pelo fato de a distância entre dois planetas poder ser relacionada (adicionada) não apenas ao Ascendente, mas também ao Meio-do-Céu, Descendente e Nadir (Imam Coeli). Cada um destes quatro pontos representa uma função do self, e portanto tem direito de ser um centro de referência para combinações de atividades planetárias. E isto não é tudo! Ao considerar a distância entre dois pontos da circunferência zodiacal, obviamente, poderemos ter duas medidas de arcos. Supondo que a distância seja medida na direção que os signos do zodíaco andam (anti-horário), podemos então medir a distância do Sol à Lua, bem como da Lua ao Sol. Na ilustração abaixo, contamos 25 graus do Sol à Lua e portanto 335 graus da Lua ao Sol. Se acrescentarmos estes 335 graus à longitude do Ascendente (ou, o que é o mesmo, subtrairmos 25 graus de sua longitude), obteremos uma nova Parte da Fortuna, tão acima do horizonte quanto a Parte original está abaixo do horizonte E se operarmos do mesmo modo com relação aos quatro ângulos, encontraremos oito pontos simbólicos criados pelo relacionamento Sol-Lua:


A astrologia de Partes é na verdade um tipo de "álgebra grupai" elaborando correlações e permutações quase infinitas entre os elementos originais da fórmula de nascimento. E claro que sua complexidade a torna muito difícil de manejar, mas não há dúvida de que representa o tipo último e mais abstrato de pensamento astrológico — aquele por meio do qual nos aproximamos mais da vida em si e de sua rede múltipla de relacionamentos. Pense por um instante nas miríades de conexões nervosas num corpo humano, cada uma estabelecendo um caminho de ligação entre células de vários tipos. Sensações, reações, volições, sentimentos, instintos, pensamentos, todos caminham ao longo dessa rede inconcebivelmente complexa de linhas vitais. O resultado é a personalidade. E se formos nos aproximar da infinita variedade de conexões a serem analisadas com nossas ferramentas de análise, é óbvio que nada melhor que a multiplicidade de Partes para fazer o trabalho. A visão que se abre é vasta, quase além da compreensão, pois a personalidade é dotada de ubiquidade. A astrologia estuda a personalidade de cada minuto da vida, de cada situação, de nações, bem como de indivíduos. É de fato a álgebra da Vida múltipla e proteica.

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Extraído do livro Astrologia da Personalidade, de Dane Rudhyar.