sábado, 9 de julho de 2016

Lilith na Casa 8



Pode indicar uma predisposição suicida, quando outros sintomas de angústia e depressão o indiquem.

Indica duelos, luto na vida do sujeito. Ao seu redor, alguns se suicidam e alguns desaparecem.

Pode assinalar a necessidade de renunciar a bens herdados, outros bens que lhe caem e perdê-los inconscientemente.

Obsessão com a morte. Ambivalência entre a rejeição à morte e seu fascínio. Desejo da própria morte e dos demais. Às vezes a morte do outro é o caminho de iniciação.

Entretanto, não é corrente encontrar este posicionamento em assassinos.

Sublimação da sexualidade, rejeição, homossexualidade.

O Desdobramento do Self Individual, por Dane Rudhyar



Do que está escrito acima ficará evidente para o estudante de astrologia que a roda de casas inerentemente deve ser interpretada em termos do vir-a-ser, mais do que do ser estático. E um padrão de tempo, um padrão de desdobramento, essencialmente registrando um processo. E este é o grande processo psicológico de individuação: o "grande trabalho" alquímico — a "construção do templo" bíblico. HOMEM — o Arquétipo universal ou "manu" — está crucificado na entidade fisiológica (o animal humano aperfeiçoado) e depois de três dias surge como o Cristo — o "indivíduo" humano aperfeiçoado.

O simbolismo destes "três dias" é suscetível de um número infinito de aplicações — tal como o é o simbolismo dos "sete dias" da criação. Estes se referem à construção da entidade fisiológica, e, num sentido mais amplo, à do Ser planetário (por isso a divisão em sete do Grande Ciclo Polar). Aqueles se referem à construção do "indivíduo" humano como um ser psicomental. Em termos astrológicos, podemos usar a roda de casas para esquematizar essa construção do indivíduo humano. Poderemos ver que cada "dia" na verdade é um ciclo de 28 anos. Assim, o processo inteiro teoricamente durará 84 anos — que é o ciclo de revolução de Urano ao redor do Sol, um fato significativo que assumirá um sentido ainda maior ao estudarmos agora o símbolo de Urano.

Os dois processos (fisiológico e psicomental, ou genérico e individual) estão numa relação próxima, e isto fica curiosamente evidente quando se estuda o número sete "cabalisticamente". Se somarmos todos os dígitos que existem até este número (processo de adição cabalística), obtemos o número 28, pois 1 + 2 + 3 + 4 + 5+ 6 + 7 = 28. Mas, se aplicarmos esse processo a todos os números até 7, teremos como soma total o número 84. Isto quer dizer que obteremos a seguinte configuração numérica:

 O significado da "adição cabalística" talvez possa ser intuído a partir da ilustração geométrica do processo, que tem um significado especial nesse caso.

Com essa figura composta de 28 círculos iguais e tangentes, fica claro que o número 28 revela, numa análise como esta, que se refere a três domínios de ser.

O domínio externo é marcado pelos 18 círculos externos; o do meio pelos nove círculos intermediários; e o domínio interno por um círculo central.


 
 O único número precedente que resulta numa figura simétrica centrada em um círculo é o 4 — cabalisticamente igual a 10. 0 número 10 refere-se ao cósmico, mas o 28 é o número do homem trino: homem como espírito, alma e corpo. Espírito é 1, Alma é 4, e corpo é 7. Portanto o número do indivíduo aperfeiçoado é 28. Mas o processo de individuação plenamente elaborado requer que cada fator (ou número) componente também esteja plenamente desenvolvido, e por isso sua duração é de 84 anos. Desenvolvendo apenas os números básicos (1, 4 e 7), temos um total de 39, isto é 1 + 10 + 28. Aos 39 anos de idade, o homem alcança uma condição de significado especial em seu desenvolvimento espiritual — sendo o quadragésimo ano também o ano-semente para a década de 40 a 50, que é a quinta década. O HOMEM também é simbolizado como uma estrela de cinco pontas. A quinta seção da estrela é a cabeça — o órgão do criativo. Durante a quinta década, o homem encontra seu trabalho de destino. Na verdade, neste sentido, "a vida começa aos quarenta".

 

Após esta breve excursão ao domínio do simbolismo numérico ou cabalístico, retomemos agora à análise astrológica do ciclo de 28 anos. Este ciclo, então, é um dos "dias" de que Jesus falou quando disse: "Destrua este templo e eu o reconstruirei em três dias". Cada dia representa não um ciclo literal de rotação da Terra ao redor de seu eixo, mas um ciclo de rotação do self individual do ser humano ao redor de seu eixo espiritual, seu "eu sou" real, à luz da Estrela Polar espiritual — a mônada ou "Pai nos Céus" cuidando de cada ser humano.

Este ciclo de 28 anos pode ser traçado na carta de nascimento. Em outras palavras, a carta de nascimento não deve ser usada apenas como um padrão de espaço revelando o projeto do self completado, mas também como sequência de tempo das operações da construção, podendo esta ser descoberta partindo-se do Ascendente, o início da construção, e seguindo ao longo da circunferência da carta em sentido anti-horário. Quando se chega ao Ascendente novamente, está completado o primeiro ciclo de 28 anos, e inicia-se o segundo, que terminará aos 56 anos; segue-se o terceiro ciclo, com término aos 84 anos, que marcam a completação teórica e simbólica do templo interior do homem. Este é o fim do processo de individuação.

No entanto, pode ser que o templo nunca seja completado, e em quase todos os casos, hoje em dia, ele não é completado Mas, mesmo assim, realizada ou não, a curva de desdobramento está lá como potencialidade. Junto com os projetos, o Grande Arquiteto (o Deus que mora na Estrela Polar, de acordo com os chineses) dá aos seres humanos o cronograma de atividades. A estrutura de espaço deve ser completada em um certo tempo, e as operações de construção devem proceder numa ordem definida; primeiro esta parte do projeto, depois aquela, depois a próxima etc. O alicerce, o primeiro andar e o segundo andar, incluindo a grande cúpula cobrindo tudo. Portanto, três períodos: do nascimento físico aos 28 anos de idade; então, daquilo que deveria ser o nascimento psicomental (28) aos 56; finalmente deste terceiro nascimento potencial ou nascimento espiritual até o fim (84).

Isto por sua vez corresponde à antiga tradição de que a natureza humana é tripla: corpo, alma, espirito. Além disso, os três grandes ciclos de 28 anos formam a verdadeira base da antiga ideia de primeiro nascimento, segundo nascimento e terceiro nascimento. Mas o brahmanismo popular acelerou a ocasião do segundo nascimento por questões práticas facilmente compreensíveis. Durante os primeiros 28 anos, o homem aperfeiçoa (sempre teoricamente) seu corpo fisiopsicológico, ou melhor seu self racial. Ele realiza. sua linhagem e o passado de sua família e raça. Então ele emerge como um self individual recém-nascido. Tendo discriminado, selecionado, rejeitado e escolhido o alicerce para sua própria individualidade, dentre aquilo que o passado da humanidade lhe ofereceu, ele constrói sobre esse alicerce do passado (pois todo templo precisa ter um alicerce) a estrutura de seu self individual.

Por fim, se essa estrutura chega a ser completada, aos 56 anos ele atinge o ponto em que o Espírito universal nasce dentro dele — o terceiro nascimento ou nascimento espiritual. Isto é simbolizado pela construção da cúpula do templo — uma réplica da abóbada celeste, por si um símbolo do self Universal, ou Deus. Quando isto também é concluído, o homem passa para outras esferas, conscientemente e sem perder a identidade pessoal, se ele construiu para si um "veiculo de imortalidade". O primeiro ciclo potencialmente cuida da completação do corpo de terra; o segundo ciclo, do corpo de som; o terceiro, do corpo de luz. Do útero físico da mãe nasce um organismo de carne e ossos. No segundo nascimento soa um Tom, o Ishwara ou Logos, a Voz do Deus interno. No terceiro nascimento, a Luz se derrama sobre o self consagrado — como Wagner o simboliza na consagração do Graal, no último ato de Parsifal.

Cada ciclo representa uma revolução completa de todo o "padrão do estado de ser self', isto é, do eixo da carta natal. Esta revolução simbólica se dá no tempo de tal modo que a cada sete anos um braço da cruz alcança a posição que o seguinte ocupou originalmente. Em outras palavras, aos sete anos o Ascendente chega à posição que o Imum Coeli ocupava no nascimento, e este à posição do Descendente natal etc. Aos catorze o Ascendente chega à posição natal do Descendente; aos 21, ao Meio-do-Céu. Aos 28, ele atinge novamente sua posição natal, e começa um segundo ciclo do mesmo modo.

Teoricamente é toda a cruz axial que gira em 28 anos. Por razões práticas, a. revolução do Ascendente geralmente é a mais valiosa para estudo. Pois o Ascendente simboliza a própria essência do self, a atitude e o caminho do homem dirigidos a si mesmo. Ele representa aquele ponto de vista particular da vida, aquela qualidade particular de vida que o homem deverá representar como uma identidade individual. É o padrão de valores de um homem como um self individual Portanto é o próprio centro de toda a consciência. Quando ele é visto em revolução ao longo do ciclo de 28 anos, obtém-se um gráfico dos mais valiosos do desdobramento sequencial da atitude central ou original do homem ante a vida.

É possível conseguir da mesma maneira muita informação de valor quanto às transformações sucessivas dos três outros pontos básicos de consciência. A mudança na atitude do homem com relação aos outros, ao mundo exterior em geral, será demonstrada pela revolução do Descendente. Sua atitude fundamental de pensar e sentir pode ser deduzida do movimento simbólico do eixo vertical da carta natal. Indicações muito valiosas serão encontradas em cada um desses casos, desde que não se espere obter precisão exata em termos de ocorrências de eventos. Em toda esta discussão, não estamos lidando com o mapeamento de ocorrências externas de vida, mas sim com mutações nas operações internas do self individual, isto é, com mudanças de pontos de vista psicológicos e de atitudes internas diante da vida como um todo, subjetivas e objetivas. Estas podem estar ligadas a eventos externos, mas, mesmo nesse caso, o que importa é a direção das mudanças subjetivas mais que alguma data exata em que elas pudessem ser "fixadas" O tipo de abordagem conveniente para uma análise desses ciclos de desdobramento é puramente psicológico.

Uma análise desse tipo também serve para verificar e interpretar matematicamente as descobertas gerais da psicologia com relação ao desenvolvimento progressivo da psique humana e de suas funções ou modos de atividade. Ela também certifica a antiga ideia "oculta" da divisão da vida humana em ciclos de sete anos, cada um dos quais marcando o desdobramento de um aspecto particular do caráter e dos meios de autoexpressão do indivíduo. Os primeiros sete anos veem o desdobramento da capacidade de autoconsciência, ou intuição — como é entendida por C. G. Jung. A criança pequena vê tudo em termos da personalidade. É difícil para ela diferenciar objetivo e subjetivo, inanimado e animado, porque vive de modo tão completo num mundo subjetivo. Ainda não sucumbiu à "heresia da separatividade", que cria uma fenda entre sujeito e objeto (ou outros sujeitos), entre mim e você. Assim o místico, que procura atingir a unidade completa com o Todo, é compelido a tornar-se de novo "como uma criancinha" — um estágio que está relacionado teoricamente com o período após o terceiro nascimento, entre 56 e 63 anos. Estes primeiros sete anos também correspondem à infância da humanidade, quando o ser humano via em cada objeto uma entidade psíquica ou "espírito", quando a parede entre o invisível (subjetivo) e o visível (objetivo) era praticamente não-existente. Num sentido geral, essa fase representa o tipo de abordagem da vida, chamado animismo.

Dos sete aos catorze anos de idade, amadurecem os sentimentos. Precisamos tornar a repetir que "sentimentos" aqui querem dizer julgamentos diretos, feitos sobre experiências com base no desdobramento anterior da consciência do self. O self abstrato, intuitivamente apreendido, por volta dos sete anos se torna uma alma concreta, ou ego. Este ego possibilita à criança ter experiências fortemente subjetivas. É a idade da autoexpressão criativa, como dirá todo educador progressista (o período de quinta casa, por volta dos nove e dez anos de idade). Frequentemente o resultado disto é doença, a crise da puberdade, no mínimo (período de sexta casa).

Aos catorze anos começam os verdadeiros contatos com o mundo exterior. O mundo objetivo torna-se definidamente separado do subjetivo. Isto significa desenvolvimento sexual: enfrentar o outro sexo, o inimigo e o companheiro. Isto significa medo, não saber como "se encaixar", não se sentir seguro num mundo que nos confronta perigosamente e ao qual é preciso de algum modo — mas como? — se harmonizar. Aos vinte e um, a mente, que vinha amadurecendo fora do jogo (ou drama) do relacionamento objetivo, se consolida por meio da vida pública, da experiência externa com base na responsabilidade social. O homem se emancipa.

Então a mente precisa experimentar-se e encontrar seus próprios ideais, seus próprios amigos. Este é o estágio da décima primeira casa. No ponto médio deste ciclo de sete anos, isto é, aos 24 anos e meio (ao menos teoricamente), o homem enfrenta uma grande crise de discriminação entre vários tipos de ideais e companheiros. Ele precisa "fazer a cabeça" quanto ao que virá a ser. Em geral isto determina a natureza e o caráter do "segundo nascimento" aos vinte e oito anos, no entanto não sem antes passar por um período de reajustamento, talvez a custo de profundo sofrimento, o estágio da décima segunda casa (por volta dos 26 e 27 anos).

O que este segundo nascimento virá a ser depende dos resultados de todo o ciclo anterior de 28 anos. O novo ciclo trará, como o anterior, uma diferenciação e desenvolvimento progressivo das quatro faculdades básicas do self e suas subdivisões, mas agora no nível de um estado de ser verdadeiramente individual — se é que este nível pode ser alcançado, o que naturalmente depende do que aconteceu durante o primeiro ciclo (o do estado de ser racial). O estado de ser racial, individual, universal — três ciclos, uma certeza e duas potencialidades. Se o nível de estado de ser individual não é alcançado, ao menos como semente, aos vinte e oito anos, então o ser humano meramente se conforma ao padrão racial de consciência, e prossegue vivendo como um entre milhares incontáveis. Ele é uma das milhares de sementes que caem no chão mas não criam raízes.

Isto não significa que um jovem de vinte e oito anos se tomará um indivíduo real, mas que então ele inicia o estágio do verdadeiro desenvolvimento individual. Antes, ele realizou o passado (de sua raça, e de seu próprio self, se a reencarnação é aceita) Agora ele está construindo o presente. Após os cinquenta e seis, ele amadurecerá e se transformará nas sementes do futuro (de sua raça e de seu próprio self) ... se ele puder. A idade de trinta e cinco anos vê o Ascendente na posição do Imum Coeli Num nível superior, isto corresponde (quando o segundo nascimento é bem-sucedido) ao que aconteceu aos sete anos. Dos trinta e sete anos aos quarenta aproximadamente, volta o estágio de autoexpressão (estágio da quinta casa) neste nível psicomental. Nascem novas ideias, começam novos caminhos, o verdadeiro trabalho individual do Destino se esclarece. Ele se manifestará objetivamente por volta dos quarenta e dois anos, quando o homem volta a enfrentar o mundo exterior e seu trabalho. Este é, de novo, um ponto de mutação: um novo tipo de equilíbrio é exigido, que muitas vezes é difícil de conseguir. O psicanalista recruta a maioria de seus pacientes dentre os que estão neste período da vida, porque então é imperiosa uma reorientação mental e psicológica definida. E a "mudança de vida", a segunda puberdade — uma fase extremamente interessante, ao menos para o psicólogo!

Vêm então os 49 anos, que frequentemente são uma fase de grande atividade social. O homem se torna um poder na sociedade humana, com base em qualquer que seja a realização pessoal que ele possa produzir. O terceiro ciclo começa aos 56 anos. É o tempo de o homem encarar o Espírito — e talvez ser transfigurado pelo Espírito — ou por seu Trabalho. O homem se orienta em direção à morte ou à imortalidade. Morte se ele foi malsucedido. Imortalidade, se bem-sucedido. Em quê? Na construção de seu próprio veículo de imortalidade. O que significa uma ou mais de três coisas!

1) sucesso na constituição de uma família e ter-se tornado um "ancestral" que sua posteridade perpetuará física e fisiologicamente. Por exemplo: o descendente direto de Confúcio, por descendência masculina, vive hoje, um jovem — após cerca de oitenta gerações, se não estivermos enganados. Isto é imortalidade fisiopsicológica;

2) sucesso na constituição de um trabalho, que será lembrado geração após geração. Este é o caso de todos os grandes gênios em religião, arte, literatura, ciência, política;

3) sucesso na constituição de um "corpo espiritual" em que o self possa continuar a funcionar conscientemente após a morte. Isto é imortalidade espiritual.

Aos 63 anos, vemos a culminação combinada dos ciclos de sete e nove anos. Ao menos num certo sentido, espírito e matéria, ou individual e coletivo (sete e nove) podem então se harmonizar plenamente. Aos sete, trinta e cinco e sessenta e três anos o ego consciente é revolvido em suas profundezas por uma nova vida. Aos setenta, começa a "terceira puberdade", com a entrada no novo relacionamento — o que muitas vezes significa morte. E assim a tradição fala da vida humana como durando em geral "três vintenas mais dez". Isto significa que é aos setenta que começa o último estágio, quando o homem se relaciona a uma nova vida. Geralmente o corpo não consegue suportar o desgaste deste novo tipo de relacionamento, e isto significa morte. Mas se o organismo (fisiológico e psicológico) pode repolarizar-se de acordo com um novo ritmo de contatos de vida, então o mundo interior real pode abrir-se, e o homem aprende a familiarizar-se com o ritmo do "outro mundo", com entidades e energias do "além", seja o que for que se entenda exatamente por este termo. Ele se transforma no velho Sábio em quem o coletivo atua de um modo novo, trazendo para a Terra visões de um mundo de significado puro e sereno. Se isto acontece, ocorre ainda mais uma mudança de magnetismo aos 77 anos (7 vezes 11) — porque 11 é o número do Sol e da circulação da energia solar através do sistema solar. Então, aos oitenta e quatro, ocorre um "quarto nascimento", que leva o homem todo a um novo domínio de significado e destino: o que significa desintegração da personalidade ou imortalidade (relativa).

Este o ciclo do destino individual — como é arquetipicamente. Cada personalidade tece seus padrões particulares nesta trama, muitas vezes omitindo exteriormente as grandes linhas estruturais. Mas quanto mais significativo o destino, mais fiel ao ciclo essencial como foi delineado aqui; da mesma maneira, quanto mais significativo o indivíduo, mais fiel é à forma arquetípica do Homem numa certa era planetária. Este é o grande paradoxo. A personalidade supremamente individuada revela do modo mais perfeito em seus traços de caráter, consciência e destino, a forma do Homem genérico. O mais individual se torna o mais universal, exatamente por ser o mais individual. Isto é porque ele se toma uma manifestação absoluta do criativo. Ele se toma um "Herói solar" — um exemplar ou avatar, cujos feitos e cuja personalidade são universalmente significativos.


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Extraído do livro Astrologia da Personalidade, de Dane Rudhyar.





sexta-feira, 8 de julho de 2016

Lilith na Casa 7



Viuvez, ausência imaginária ou real do outro. Você pode viver com o outro, como se houvesse, rejeitando-o como se ele tivesse morrido ou estivesse ausente.

Aqui Lilith indica a ausência do outro, seja pela perda de um cônjuge, ou a rejeição do casamento, ou por ter um cônjuge inacessível, ou o cônjuge irá rejeitar. Ele também pode ser se coloque distâncias com o outro, com os outros, com a sociedade e se torna um observador cáustico, humorístico, cínico.

Ele oscila entre fascinação e desprezo pelos outros.

Misantropia às vezes.

Não é muito bom para associações em geral, elas podem ser dissolvidas ou romper-se inesperadamente.

O Significado das Doze Casas, por Dane Rudhyar


Considerando agora a estrutura de doze partes das casas, devemos lembrar o que estava escrito no capítulo anterior quanto ao significado dos eixos horizontal e vertical da carta de nascimento — horizonte e meridiano. O que está abaixo do horizonte a Terra torna invisível. Seja o que for que esteja embaixo da Terra, precisa nos alcançar através da Terra. E o domínio subjetivo interior. O que está acima chega até nós através do ar. E o domínio externo, objetivo. Se há emanações, no primeiro caso elas nos alcançam por meio dos pés; no segundo, em grande parte por meio da cabeça (um fato importante do ponto de vista do ocultismo). Isto explica por que o signo zodiacal que simboliza a cabeça, Aries, trata do início da objetividade, enquanto Peixes, simbolizando os pés, se refere à consciência subjetiva interna.

Pode-se entender a origem do significado das casas de duas maneiras. Na primeira, a roda inteira é considerada uma estrutura estática operando toda de uma vez. Os dois eixos mencionados acima representam a estrutura de espaço, do espaço particular da entidade recém-nascida. Eles formam sua cruz de encarnação. Ele é Vida universal enquadrada em Espaço, e assim tomando forma como um ser particular. Dentro e por meio dessa estrutura, a. natureza humana coletiva opera de um modo particular que caracteriza o ser humano como um ser individual. Os dois eixos dividem a carta em quatro quadrantes, tradicionalmente chamados leste-norte, norte-oeste, oeste-sul, sul-leste. Estes elaboram respectivamente os significados do Ascendente, do Imum Coeli (nadir), Descendente e Meio-do-Céu; porque em astrologia cada divisão de espaço ou de tempo leva o significado de seu ponto de origem. Assim o quadrante leste-norte (três primeiras casas) leva o significado do ascendente, o quadrante sul-leste, o do Meio-do-Céu etc. Cada quadrante é dividido em três "casas" secundárias, pois cada operação da vida é basicamente tripla, incluindo ação, reação e o resultado de ambas (ou consciência ou desintegração ) — também, self, não-self, e a relação entre eles. A cruz do self particular do ser humano gera quatro modos básicos de ser, quatro operações fundamentais no processo de viver como um indivíduo. Estes podem ser descritos (usando a nomenclatura de C. G. Jung) como: intuição, sentimento, sensação, pensamento.

Mas o que se deveria fazer mais logicamente seria considerar as casas como o mostrador de um relógio, mera projeção no espaço de uma série de indicadores (ou numerais) registrando um movimento periódico que ocorre realmente no tempo. Neste caso, precisamos imaginar a linha do horizonte movendo-se em sentido anti-horário, como o ponteiro de um relógio. As cúspides da primeira e sétima casas representam a posição do horizonte como ele de fato é no momento da primeira respiração. A linha das cúspides da segunda e da oitava casas representa a posição do horizonte duas horas depois; a linha das cúspides da terceira e da nona casas, a posição do horizonte quatro horas depois. Cada casa representa um intervalo de duas horas. As cúspides das casas dão as posições sucessivas do Ascendente (a metade leste do horizonte) a cada duas horas, assim como se pode ver nos números de um relógio os pontos para os quais.,o ponteiro menor apontará sucessivamente num período de 12 horas. O "mostrador de casas" astrológico é um mostrador de 24 horas, com apenas um ponteiro.

Veremos o significado dessa concepção no presente trabalho quando chegarmos ao estudo do ciclo de 28 anos, do desdobramento do self individual. Por enquanto, será mais simples considerar as casas uma segmentação do espaço ao redor do recém-nascido em doze seções de trinta graus, geradas por dois eixos fundamentais, horizonte e meridiano. Neste caso a ênfase precisa ser colocada nesses dois eixos. As cúspides das casas intermediárias podem ser calculadas de diversas maneiras, mas com horizonte e meridiano temos dois fatores básicos do ser individual, dos quais derivam todos os outros elementos secundários. Os dois eixos representam então o que pode ser chamado quadratura do espaço — a cruz da existência individual.

O horizonte é a linha de percepção. Isto de acordo com a mais óbvia lógica de significado simbólico, pois ela diferencia os dois tipos mais fundamentais de consciência. Acima do horizonte está tudo que pode ser percebido pelos sentidos, abaixo do. horizonte fica o domínio desta consciência interior que Jung corretamente chama intuição. Intuição é a faculdade de consciência através da qual percebemos fatos internos. Sensação é consciência do não-self, consciência de outros. Como o Ascendente é o ponto-semente do hemisfério inferior, assume necessariamente o significado de consciência do self pura; o Descendente, sendo o ponto-semente do hemisfério superior, é o símbolo da consciência de outros. Assim, intuição e sensação são vistas como dois fatores complementares, relacionados respectivamente com o leste e o oeste.

Um homem toma consciência de sua própria existência como um "eu" através de um processo interno que é intuição, enquanto sensação é o resultado de uma consciência de causas externas atribuídas a impressões dos sentidos. Uma verdadeira sensação não é uma mera impressão, mas o resultado da combinação de uma impressão dos sentidos e de nosso sentido particular de self Uma chapa fotográfica recebe impressões similares àquelas recebidas por nossa retina, mas as sensações visuais que correspondem a essas impressões contêm, além daquelas, nossa própria capacidade particular de reagir a estímulos. Portanto todas as sensações envolvem uma relação entre objeto e sujeito. Daí a sensação ser corretamente associada ao descendente, que, conforme a tradição, rege assuntos de relacionamentos, sociedades, casamento etc.

Através da intuição tomamos consciência daquilo que somos essencialmente. Com base nessa consciência — "eu sou isto e aquilo" — começamos a fazer julgamentos imediatos sobre aquelas mudanças que experimentamos em nossa psique. Sentimo-nos contra ou a favor dessas mudanças — espontaneamente, instintivamente. Surge assim um novo modo de operação: sentimento. De forma semelhante surge um novo processo a partir das sensações e suas correlações: pensamento. Pensamento é o resultado de sensação, tal como sentimento é resultado de intuição. O que era abstrato como consciência intuitiva se torna concreto como sentimento. O que era vago, fugidio, impermanente como sensação, torna-se estável e relativamente permanente como pensamento. Mais que isto, o que era mero assunto de consciência se torna uma experiência real, tendo forma e propósito — portanto significado. Sentimento envolve experiência, e experiência se manifesta ou como sentimento (se sua base é subjetiva) ou como pensamento (se sua base é objetiva). Experimentar não é meramente receber uma impressão ou ter consciência de algo. E sair de fora de si para ir dentro da coisa (ou do self) e estabelecer o seu significado, através do sentimento ou do pensamento.

Assim apreendemos o significado do eixo vertical, que diz respeito à experiência concreta. A consciência horizontal se evidencia nos pontos verticais como experiência concreta. O receptivo se torna ativo, o horizonte se torna meridiano. O eixo horizontal referindo-se à consciência é, para usar o termo de Jung, o eixo irracional, enquanto o eixo vertical se relaciona com operações racionais do self. Consciência, seja de si ou dos outros, não envolve nenhuma racionalização. E um fato direto da vida. Uma impressão não é racional por si. Ela somente é. Então começamos a racionalizá-la. Se ela for uma experiência interna, emitimos sobre ela um julgamento imediato, primeiramente através de sentimento. O sentimento não é racional da mesma maneira que o pensamento o é, mas ambos têm um valor como julgamentos, com base nos quais agimos subsequentemente como portadores de significados. Assim podemos chamá-los de racionais por causa da operação particular de consciência que eles implicam.

Entretanto, precisamos ressaltar que esses termos são usados de acordo com seu sentido estritamente psicológico, e não como são usados comumente na linguagem cotidiana.
Se então desejamos interpretar psicologicamente uma carta natal em que encontramos Escorpião no ascendente, Touro no descendente, Leão no Meio-do-Céu e Aquário no Imum Coeli, devemos começar a delinear nossas conclusões da seguinte maneira: a intuição opera numa base escorpiana. O nativo vai "se encontrar" naturalmente usando métodos que se harmonizem com as características de Escorpião. Estas características de Escorpião vão fornecer-lhe o melhor, por ser o mais natural, caminho em direção à consciência daquilo que ele realmente é. Através de sexo, através do uso e con- trole de energias vitais, através de uma liberação constante de energia, ele atingirá plena consciência de si. O mesmo tipo de raciocínio se aplicaria aos quatro ângulos.

O objetivo da Astrologia Harmônica é levar homens à realização plena de toda sua natureza e todo o seu ser; plenitude, correlação, integração — e portanto sublimação. O que é necessário então é tornar a pessoa, cuja carta está sendo analisada, capaz de fazer aquelas coisas que teria feito em pura espontaneidade se seu instinto não tivesse sido frustrado pela família e pela sociedade. O signo (e grau) do zodíaco nos quatro ângulos indica, portanto, o caminho natural para a realização da atividade simbolizada, o melhor modo de funcionar intuitivamente ou através de sentimentos ou pensamentos, conforme o caso. Representa aquilo que realmente é — mas em muitos casos aquilo que foi obliterado pelo viver social e intelectual; indica, portanto, como chegar, sob as características superficiais e adquiridas, às qualidades básicas que realmente são as nossas próprias.

Os signos do zodíaco nos fornecem um conjunto de doze substâncias vitais características, ou qualidades de ser, ou atitudes ante a vida, como queiramos considerá-las. Onde elas aparecem na estrutura do self de uma pessoa em particular, mostram as qualidades que devem ser atribuídas congenitamente às várias faculdades e modos de atividade da pessoa. Para usar o termo oriental, elas indicam o dharma dessa pessoa. O dharma do fogo é queimar, do tigre, ser feroz, de um homem nascido com natureza artística, criar etc. Ler os ângulos de uma carta portanto significa ler o dharma total do nativo.

Isto será suplementado por uma interpretação dos signos nas cúspides das outras casas. As casas "sucedentes" (segunda, quinta, oitava e declina primeira) significa a reação à ação expressa nas casas "angulares" (primeira, quarta, sétima e décima). Isto pode referir-se a uma reação positiva ou negativa. Se a reação é positiva, o que está significado na casa "angular" se torna consolidado e focalizado por meio de limitações e contrastes. Se a primeira casa significa consciência de self, essa consciência se consolida pelas limitações impostas sobre ela pela herança do passado (fisiológica e psíquica), ou, num estágio posterior, por posses de todo tipo. Mas se a reação é negativa, então essa herança ou essas posses entorpecem a consciência de si mesmo, pesam sobre a intuição do eu "espiritual" com toda a inércia do materialismo.

Do mesmo modo, a quinta casa pode ou consolidar as experiências e sentimentos representados pela quarta casa, como por exemplo o lar (quarta casa), ou, então, seus conteúdos podem significar a perda dos assuntos da quarta casa, como o prazer e a especulação podem levar à perda do lar. Prazer em demasia e auto-afirmação tola entorpecem os sentimentos, mas o ensino e a expressão artística intensificam e focalizam esses sentimentos forçando-os a enfrentar os materiais envolvidos (crianças ou material estético — quinta casa), e dar-lhes forma. A mesma linha de pensamento se aplica à interpretação da oitava casa (consolidação ou perda do poder de relacionamento) e a décima primeira casa (consolidação ou perda de vida profissional e pública; amigos ou esperanças quiméricas, que tiram a pessoa da realidade).

Com as casas "cadentes", encaramos ou o resultado da perda implícita nas casas sucedentes ou a elaboração e expressão do modo psicológico de funcionamento (angular) depois de focalizado (sucedente). Assim a terceira casa simboliza assuntos que lidam com os resultados de uma herança psicofisiológica integrada. A substância de nosso corpo se toma de fato nossa através do sistema nervoso relacionando o self abstrato às células herdadas racialmente. Essas influências atávicas da segunda casa se manifestam na terceira como irmãos e irmãs, ou melhor, como nosso modo de relacionarmo-nos com eles. Todos os tipos possíveis de associações íntimas (em nosso próprio corpo, ou nosso círculo familiar, ou a área alcançada em viagens curtas) estão caracterizadas aqui. Por outro lado, se a segunda casa significou a perda do self na própria natureza atávica (ou em posses adquiridas, nos ciclos posteriores de vida), então a terceira significa neuroses, ciúmes familiares, inveja e talvez insanidade.

Na sexta casa, colhemos de outros como serviço as consequências de uma quinta casa construtiva, ou então a doença e a obrigação de servir a outros são a consequência de nosso desperdício e autoindulgência em assuntos de autoexpressão, educação do lar etc. Na nona casa, a perda de sensações ou do poder de relacionamento (morte, falência etc.) nos forçam a fazer uma "longa viagem" além das fronteiras .., de nosso país ou deste plano de existência. Mas se a casa de relacionamentos e casamentos provou ser positiva, o novo poder que adquirimos com a consolidação das oportunidades surgidas a partir dos contatos humanos nos permite estender nossas atividades, seja através de viagens físicas ou da expansão mental da consciência. No descendente encontramos o índice de nosso poder de sensação. Sensações focalizadas e consolidadas por meio do poder que flui para cima através da espinha (Escorpião-Kundalini) se transformam, afinal, em pensamentos abstratos e sintonia religiosa com ideias universais (Sagitário — nona casa).

A décima segunda casa significa negativamente o desaparecimento de nossos ideais sociais e de nossas esperanças — autoquestionamento quanto ao significado da vida. A prisão de nossos sonhos e ilusões nos confina até que emergimos com uma nova visão, ou somos forçados a voltar não iluminados a um novo ciclo de prisão. Ou então significa o capítulo foral de um período bem vivido e a transição para um novo nascimento num nível superior de consciência de si cujas bases terão sido nosso trabalho altruísta para a sociedade e nossos amigos, trabalho inspirado em ideais nobres e magnânimos.

Para dar ao que foi dito acima um aspecto mais esquemático, o diagrama que se segue pode ser útil para o estudante, estabelecendo um paralelo entre os significados tradicional e o psicológico-filosófico das casas.



Um quadro dos significados das casas como este, no entanto, não exaure as possibilidades de significado. Na verdade, essas possibilidades são infinitas, tal como as possibilidades de aplicação de qualquer fórmula algébrica são praticamente infinitas. Todo aquele que de fato entender o significado de pôr num quadro as doze operações básicas do self perceberá rapidamente que novos conjuntos de significados surgirão a cada vez que considerar um nível novo de expressão do self. A roda de casas é uma fórmula universal . Onde quer que se apliquem as oposições polares de self e não-self, consciência e experiência, abstrato e concreto — a roda de casas pode ser usada com muita eficácia para fornecer um padrão de ordem à evidente confusão de fenômenos, sejam quais forem. Onde quer que um conjunto qualquer de elementos substanciais possa ser considerado uma entidade orgânica, como um circuito relativamente fechado de energias vitais, a roda de casas e sua diferenciação em quatro e em doze pontos de vista se aplicam. Isto é assim porque o fato de as energias vitais se moverem num circuito fechado (ação metabólica) torna a coletividade de células vitalizadas por essas energias um organismo. Até certo ponto, todo organismo é uma entidade individual. À medida que é uma entidade individual surgirá nele um certo tipo de consciência (de self e de outros selves) e um certo tipo de experiência concreta (subjetiva — como sentimento ou instinto; objetiva — como conjuntos adquiridos de sensações, ou pensamentos).


É verdade que em todos os reinos inferiores ao homem há pouca consciência de self, se é que há alguma,' e muito pouco sentido de um ego particular formado como uma base para autoexpressão individual. Em outras palavras, o domínio subjetivo, abaixo do horizonte, da consciência de si não está desenvolvido na entidade individual separada. Mas podemos estar dispostos a dizer que tal domínio está desenvolvido na espécie vegetal ou animal como um todo — constituindo aquilo que Bergson chama "Gênio da Espécie".

Apenas no homem, até onde sabemos, cada espécime da espécie humana é, ao menos potencialmente, um indivíduo completo. O "caráter da espécie", isto é, a realidade arquetípica do HOMEM (que o hindu chama de "Manu"), pode tornar-se o centro da personalidade quando esta se encontra devidamente "individuada". Quando isso acontece, ela se torna o Cristo vivo, o Deus interno. Em outras palavras, o homem deixa de ser uma criatura da superfície da Terra — um animal. Começa a viver tanto acima quanto abaixo do horizonte, objetiva e subjetivamente. Seu próprio centro se identifica com o centro da Terra. Ele assim se transforma num ser planetário — um microcosmo.

O hemisfério inferior da carta de nascimento, portanto, se refere à formação e expressão potencial do Deus interno. Ali, no ponto nadir (o "Sol da meia-noite" da maçonaria), o ego consciente do homem nasce na manjedoura dos "sentimentos". Então, depois de ter sido regenerado pelas provas existentes em todas as relações humanas e na vida social, este ego finalmente se torna mais e mais abrangente. O centro do ser coletivo, que é simbolizado pelo zênite e pelo ponto do meio-dia, é assimilado pelo ego individual! Isto por sua vez fornece alimento para uma consciência mais profunda de self e dos outros. Por fim, os quatro "ângulos" da carta se integram no centro da carta — ou, num outro sentido, numa terceira dimensão, como o ápice de uma pirâmide construída sobre estes quatro "ângulos". O ponto de integração — ou individuação — é o que Jung chama de self (Si).

Na simbologia rosa-cruz, o self é a Rosa que floresce no centro da cruz. Também é o fogo que surge do centro do redemoinho da suástica. Ele é o ápice da pirâmide egípcia — que era uma câmara de iniciação.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Lilith na Casa 6



Aqui falamos de insegurança, preocupação na vida diária, pequenas obsessões e manias, mas também para nos dar organização e eficácia.

Você pode rejeitar a escravidão cotidiana, como a tentativa de escapar daquilo que é considerado de pouco valor.

Às vezes, dificuldades inseridas no ambiente profissional.

Não aceita autoridade-superioridade dos chefes hierárquicos e se sente mal integrado.

Em relação à saúde indica operação, cirurgia, mutilação, pequenos acidentes, como cortes, feridas que são sacrifícios mutilatórios, mas porém há algo mais sombrio: é um queimaduras de expiação.

Depressão, suicídio, ou pode ser que se viva dramaticamente os problemas de saúde de um membro da família ou alguém próximo.

Doenças psicossomáticas.

É melhor formar-se em cirurgião, psiquiatra, etc ...

Elementos Básicos em "Astrologia Harmônica", por Dane Rudhyar




Após termos discutido o fundamento "lógico" do simbolismo astrológico e isolado as três grandes concepções da interpretação astrológica, os três tipos básicos de astrologia, devemos agora estudar este simbolismo astrológico em relação à "astrologia do indivíduo". Mais particularmente, devemos mostrar como os elementos da astrologia universalmente aceitos — tais como casas, signos zodiacais e planetas — devem ser interpretados num tipo de astrologia que salienta valores psicológicos. Muitas vezes chamamos este tipo de astrologia de Astrologia Harmônica, porque fornece uma base para a harmonização e integração da psique humana. Ela considera a carta de nascimento o acorde vital do ser individual e do destino que simboliza, também, poderíamos dizer, como o verdadeiro nome desse ser individual. Ela percebe que os seres humanos, em sua maioria, estão vivendo apenas em partes de si mesmos, vivendo vidas fragmentárias, incompletas e tristemente vazias. A totalidade do que essencialmente são, como indivíduos completos, está ali — potencial, arquetípica, mas expressa ou manifestada apenas em pedaços. Essa totalidade é o verdadeiro Acorde de seu self individual, mas apenas algumas poucas notas do acorde soam às vezes; algumas jamais chegam a vibrar, e não há intensidade ou plenitude em seu desempenho de vida total.

Auxiliar o homem a realizar a totalidade de seu ser e representar o papel total de seu destino — este é o propósito da astrologia harmônica. A carta natal é a chave para a totalidade de um indivíduo e de sua manifestação exterior — seu destino. É a partitura da sinfonia que um homem vivo é. O padrão arquetípico, a fórmula simbólica, a assinatura do ser total. É o projeto do edifício, que é seu self individual perfeito — e contém também o cronograma, de acordo com o qual as várias fases da operação de construção se processarão numa sequência ordenada — o que chamamos destino do homem.

A astrologia não é o simples estudo de um sistema de simbolismo interessante, nem é essencialmente uma predição de futuro para satisfazer a curiosidade pessoal. É um estudo prático com um propósito muito bem definido — mesmo que normalmente não entendido. Um propósito vital. Ela é, ao menos potencialmente, o fundamento de uma nova técnica de viver, de um novo princípio de conduta (ou, poderíamos dizer, uma nova yoga) — já mais ou menos implícita na técnica de psicologia analítica (a técnica de Jung) e mencionada num capítulo anterior, em que estudamos o dualismo de ideais caracterizado pelos termos ético e estético.

Quando então tomamos uma atitude como essa em relação à astrologia, precisamos nos restringir em grande parte ao domínio dos valores psicológicos. É verdade que não podemos de fato separar a psique do corpo. A .fisiologia e a psicologia estão intimamente correlacionadas. Os antigos conheciam este fato, mas elaboraram a correlação em termos de corpos sutis (na maioria, vital e astral). A ciência moderna está tendendo a aceitar a ideia de "campo magnético" e "emanações elétricas", que — quando totalmente elaborada — provavelmente ocupará exatamente a mesma função — uma função de correlação — como aquilo que deu valor aos conceitos arcaicos ou "ocultos".

Agora, no entanto, e considerando a dificuldade prática na aplicação da astrologia à fisiologia e à medicina, parece mais prudente ressaltar a interpretação astrológica no nível psicológico, indicando meramente a possibilidade de correlações físico-orgânicas quando estas parecerem particularmente óbvias e de influência importante no desenvolvimento psicológico.

Portanto, consideramos o ser humano por meio de sua carta de nascimento em grande parte como uma entidade psicológica. Ele é um ser específico, único. Não há outro ser exatamente igual a ele. Mas também percebemos que este ser único é um composto de elementos encontrados não apenas nele, mas numa multidão de .outros seres — especialmente aqueles que constituem coletivamente seu meio ambiente de espaço-tempo — isto é, suas cercanias e seus ancestrais. Este ser único é um acorde particular, ou combinação, de elementos coletivos. Portanto o que é individual é o padrão estrutural no qual os elementos coletivos estão mais ou menos bem organizados. É a forma do self. A substância, por outro lado, é de natureza coletiva. O corpo humano é feito de moléculas que são partes do imenso depósito dessa Terra. Do mesmo modo, a psique humana pode ser vista como composta de elementos psíquicos — poderíamos chamá-los psícons? — partes do vasto depósito formado pelo inconsciente coletivo da humanidade como um todo ou de grupos definidos dentro da humanidade (raças, tribos, nações, famílias, igrejas etc).

Vimos no último capítulo que as casas da carta natal, e todos os elementos originários da rotação axial da Terra se referem ao fator individual no homem — à estrutura de seu self individual. Por outro lado os signos do zodíaco e todos os elementos originados da revolução orbital da Terra se referem ao fator coletivo, à substância de seu ser. Devemos acrescentar agora que os planetas se referem às energias que são geradas pela relação constantemente mutante entre os fatores coletivos e individuais.

O zodíaco é o domínio do Sol e de seus planetas. É o símbolo geral de relacionamentos vitais, que podem ser expressados como gravitação. Gravitação é o símbolo de relacionamento, de atrações e repulsões entre membros de um grupo. É um fator que simbolicamente pertence à categoria "equatorial". Pois, como já vimos, os termos equatorial, orbital, solar referem-se ao mesmo fator básico: o coletivo. Assim o zodíaco é verdadeiramente a base e uma expressão dos vários movimentos orbitais dos planetas. E um modo conveniente de padronizar e registrar os inter-relacionamentos complexos entre planetas e Sol e planetas e planetas.

Assim, em termos de suas posições zodiacais, planetas são pontos focais de energias coletivas. Por outro lado, em termos de suas posições nas casas (isto é, com referência ao horizonte e ao meridiano), representam centros de atividades na estrutura individual de todo o ser (e seu destino). Assim, como podem ser interpretados com relação a dois grupos básicos de referência (signos e casas), eles representam os centros de forças e de atividade cujo caráter, intensidade e modo de operação são determinados pelo equilíbrio constantemente mutante entre individual e coletivo, isto é, a personalidade.

Por exemplo, Júpiter em Aries refere-se a um certo tipo de energização e ativação do tipo de substancia orgânica e função orgânica representadas pelo signo zodiacal Aries. Júpiter na sétima casa refere-se ao fato de que tudo aquilo que na consciência e no destino do indivíduo é simbolizado pela sétima casa será afetado por um tipo de atividade jupiteriana. Como a sétima casa se refere a relacionamentos e sensações, estas operarão de acordo com um ritmo jupiteriano expansivo, e o nativo terá associados e parceiros que irão expandir suas ideias e sua esfera de ação.

Aquilo que hoje chamamos personalidade é uma síntese de padrões de comportamento. É a soma total de todos os movimentos externos e emoções do ser humano: o ritmo total de suas atividades-vida — do modo como ele caminha e torce os lábios ao seu comportamento no campo de batalha ou num palco de concerto. E um complexo de atividades. Sem atividade não poderia haver "personalidade". E comportamento da personalidade obviamente é uma mistura de influências herdadas e ambientais operando dentro de uma estrutura abstrata do estado de ser self — o fator individual. De modo semelhante, os planetas são caracterizados, quanto à sua natureza, por suas posições zodiacais, e operam de modos específicos, de acordo com suas posições na estrutura das casas. A soma total dos planetas incluindo o Sol e a Lua — o padrão planetário, como o chamamos — representa portanto a personalidade como um todo.

O leitor provavelmente irá inferir do que foi dito acima que portanto o padrão planetário representa nosso terceiro termo básico: o criativo. Ele de fato o é, mas apenas potencialmente. Ele representa atividade, antes de mais nada. Mas atividade não precisa ter o significado de criatividade. Todo mundo é ativo, mas quantos são criativos? Criatividade é a atividade significativa de una personalidade relativamente individuada. O elemento significado existe para ser salientado, e, como veremos agora, este elemento será revelado pelos símbolos dos graus, que são energizados e trazidos à tona pela atividade dos planetas ali localizados. Entretanto o planeta não precisa, e muitas vezes não o faz, revelar o significado simbólico do grau, no caso de o tipo de atividade representado pelo planeta não ser criativo. A personalidade humana nem sequer alcançou o ponto de individuação relativa, e o indivíduo ainda não tem o poder de dar significado criativo à sua vida e ao seu destino.

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Extraído do livro Astrologia da Personalidade, de Dane Rudhyar.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Três Tipos de Astrologia, por Dane Rudhyar




O estudo anterior dos três tipos básicos de movimento planetário e de seus significados relativos em termos de simbolismo astrológico colocará ordem numa situação confusa, que perturba as mentes da maioria dos estudantes de astrologia. A razão para essa confusão é o fato de a astrologia estar num estágio de mudança, de ter sido feita uma tentativa generalizada de reformulá-la em termos de valores aceitáveis para a mente moderna, e de que não foi estabelecida, nessa tentativa, nenhuma linha de demarcação entre concepções normalmente conflitantes.

Cada fase da vida e cada tipo de conhecimento podem ser abordados a partir de, no mínimo, três direções básicas, enfatizando respectivamente a atitude individual, a coletiva e a criativa — sendo esta última por sua vez suscetível de uma interpretação dupla, no mínimo. Cada uma dessas atitudes, correspondendo a tipos humanos definidos (psicológica e fisiologicamente), sublinha sua própria concepção particular e esquece as outras ou nega sua validade. Especialmente quando entramos nos domínios de tais tipos não ortodoxos de conhecimento como a astrologia e, poderíamos dizer em geral, ocultismo ou filosofia esotérica, as concepções conflitantes parecem ainda mais irredutíveis porque há menos experiência comum e evidência comum para transformar ideias em fatos, hipóteses em leis. Por isso é particularmente necessário, se desejamos evitar o caos, recorrer a algum tipo de classificação de concepções que deixará espaço para todos e de algum modo relacionará os esforços individuais ou grupais em termos de um padrão todo-abrangente inerente à natureza das coisas estudadas.

A compreensão de quc a astrologia lida essencialmente com os movimentos dos corpos celestes nos ajudará a desenvolver uma classificação desse tipo. Se reconhecemos três tipos básicos de movimento planetário, então também podemos estender seus respectivos significados de modo que possamos ser capazes de caracterizar três abordagens básicas da astrologia relacionadas com esses movimentos. Um tipo de astrologia funcionará primeiramente em termos de movimento axial, e enfatizará o fator individual em uma pessoa (astrologia natal) ou em uma situação (astrologia horária). Um outro tipo enfatizará cada elemento relacionado com a revolução orbital, com o Sol e a eclíptica, e enfocará o fator coletivo no comportamento da pessoa e na influência determinante de seu comportamento. Um outro tipo — ainda muito pouco desenvolvido — será de caráter mais oculto e lidará com vastos fatores planetários, com a influência cósmica (espiritual e criativa) de estrelas e hierarquias divinas — ou ainda com símbolos ocultamente percebidos, revelando o significado criativo de cada fator astrológico.

Cada tipo deveria desenvolver normal e logicamente sua própria técnica de interpretação, seu procedimento na aplicação de princípios gerais a casos particulares, suas tábuas de dados, e naturalmente enfatizaria seus próprios fatores básicos, mesmo a ponto de praticamente não reconhecer significado nos fatos especiais que sejam estritamente produtos dos enfoques dos outros tipos. Não há nada absolutamente errado numa focalização como essa. Ainda assim, alguém deveria ter o necessário entendimento filosófico e uma visão ampla o suficiente para captar a situação total e formular, para benefício de todos, o significado correspondente dos diversos métodos, técnicas e ênfases ou exclusões teóricas.

Não podemos ter esperança de alcançar este resultado de modo completo e plenamente satisfatório, tal como não pudemos produzir um quadro adequado do crescimento e evolução da astrologia no passado em nossa pesquisa terrivelmente curta das bases históricas da astrologia (Cap. 1). Ao mesmo tempo, esperamos ser capazes de transmitir, agora, uma ideia esboçada mas abrangente das características mais fundamentais daqueles setores da astrologia de hoje que parecem coerentes, férteis e válidos.


1. Astrologia do indivíduo

Isto inclui especialmente a astrologia do ser humano individual (astrologia natal) e a astrologia da situação individual (astrologia horária).

De um certo modo, este é o tipo mais abrangente, ao menos em potencial. Como "astrologia horária", pode ser aplicada a qualquer tipo de situação, e como "astrologia natal", pode referir-se ao nascimento de qualquer entidade, atômica, humana ou cósmica. Mas o que queremos dizer mais especificamente com "astrologia do indivíduo" é um tipo de abordagem que enfatiza características individuais e sua interpretação individual. Ela enfatizará valores relacionados ao movimento axial da Terra.

A "astrologia horária" é o tipo de prática astrológica em que o astrólogo julga os elementos de uma situação particular, seu provável desenvolvimento no futuro próximo, e assim é capaz de aconselhar seu cliente quanto ao que seja a melhor solução de qualquer problema envolvendo a situação em questão. Significa levantar um mapa para o momento em que a situação é levada ao astrólogo. A carta é interpretada primeiramente à luz das "casas" (produtos da rotação axial da Terra), de suas regências planetárias e em grande parte de acordo com uma técnica individual. 0 fator da interpretação individual é de suprema importância. Para sua validade, a astrologia horária depende inteiramente da "equação pessoal" do astrólogo. É o tipo mais estritamente individualista de astrologia — mesmo obedecendo regras um tanto rígidas de interpretação.

A "astrologia natal", no sentido mais estrito do termo, refere-se a momentos individuais de nascimento. Exige como pré-requisito unia precisão absoluta no conhecimento do momento da "primeira respiração" — o momento em que o ser humano atinge a condição de existência individual ou ao menos independente. Essa precisão absoluta é necessária para estabelecer-se, sem margem de dúvida, o quadro de casas — a própria estrutura do self individual e destino único do nativo. Naturalmente é verdade que fatores coletivos, derivados da posição do Sol, planetas, signos zodiacais etc., são utilizados, mas mesmo esses estão especificamente relacionados coro o desenvolvimento de uma situação individual: a vida do nativo. A par disso, a astrologia natal pressupõe em grande medida uni conhecimento do meio ambiente coletivo e da natureza do indivíduo estudado (assim como a astrologia horária pressupõe uma "questão" que estabeleça a situação geral a ser considerada). Pois, sem tal conhecimento, o astrólogo não tem nenhum meio de dizer se a carta natal se refere a um homem ou a um animal, a uma criatura dos guetos ou a um aristocrata altamente aculturado. Portanto, sem um conhecimento geral da espécie, raça e classe do nativo, a astrologia natal só pode ser muito vaga e não preenche sua função, que é liberar e ampliar o significado de um destino individual e de uma personalidade única — ampliando assim sua individualidade e qualidade única.

Uma verdadeira astrologia natal desse tipo, portanto, está essencialmente baseada em entendimento psicológico. Lida com interpretação 'subjetiva de fatos objetivos. E um sistema de interpretação de vida criativo e simbolismo criativo aplicado a uma personalidade individual. Teoricamente, sublinha fatores derivados da rotação da Terra ao redor do eixo polar, tal como estuda um ser humano como um complexo de atributos e tendências centrados mais ou menos adequadamente em um eixo individual, o "eu sou" ou ego, a espinha e sistema cérebro-espinhal deste ser humano.


2. Astrologia do coletivo

Em termos gerais, esta é a "astrologia terrena" ou "natural", o tipo de astrologia que era associada com a origem do desenvolvimento e cultura humanos. Ela deu origem a um calendário agrícola baseado num estudo das modificações da força vital— especialmente das influências do Sol e da Lua. Mais tarde veio a ser o símbolo da lei ética e espiritual. Como astrologia "natural", refere-se a mudanças em estações, climas, tempo, como astrologia "mundana", lida com o surgimento e queda de reinados e nações, e com a determinação de vastas influências que moldam o temperamento de grupos e coletividades.

Dois pontos se destacam numa avaliação de um tipo de astrologia como esse: 1) lida com influências reais, com raios e correntes magnéticas que se diz emanarem do Sol, das estrelas e dos planetas e produzir modificações em todos os seres terrestres. Estas mudanças são primeiramente fisiológicas, mas reagem imediatamente na psique — especialmente sobre as emoções; 2) portanto sua abordagem é essencialmente objetiva, o que a torna acessível a tratamento "científico". Isto quer dizer, é em grande parte experimental. Desenvolve-se por meio de julgamentos estatísticos e pode ser comprovada por testes objetivos de um certo tipo e através de medições. Seu modo de operação não é essencialmente diferente do das ciências que lidam com forças telúricas, terremotos, tempo e todas as mudanças de condição mais ou menos cíclicas que afetam todas as espécies biológicas da Terra. Lida com os humores coletivos de homens e nações, assim como outras ciências tratam do crescimento secular de árvores, rochas e continentes. Trata de coletividades humanas ou mudanças psicológicas humanas no coletivo.

Como já foi mencionado, as manifestações mais claras dessa astrologia podem ser vistas no trabalho de T. O. McGrath, em seus estudos dos ciclos de negócios em correspondência com ciclos de manchas solares (11 anos e 2 meses), com os ciclos dos nodos lunares (18 anos e meio) e com outros dois ciclos de respectivamente 40 meses e 56 anos. Ele não chama seu trabalho de astrologia, porque lida com a posição heliocêntrica dos planetas — que são vistos em grande parte como gatilhos liberando atividades solares e porque em geral a abordagem é puramente estatística e concreta. Sol, estrelas e planetas são ímãs imensos, seus movimentos liberam forças elétricas. O sistema solar como um todo e as cercanias de cada planeta em particular são vistos como imensos campos magnéticos interagindo uns sobre os outros. A ciência toda é "eletrodinâmica cósmica".

Edward Johndro, um engenheiro de rádio, talvez tenha sido o primeiro a desenvolver essa abordagem até um ponto de grande complexidade. Ele não abandona totalmente o campo da astrologia natal. Mas, mesmo tratando de natividades individuais, visivelmente ressalta quase exclusivamente o jogo de fatores coletivos e concretos no indivíduo. Por exemplo: a localização geográfica — o lugar de residência de uma pessoa — recebe uma importância suprema: o homem é visto quase completamente como produto de um meio ambiente, mera unidade num vasto sistema de relacionamentos planetários e celestes, um exemplo particular do gênero pomo sapiens. Um outro cabalista e astrólogo, Paul Counsil, está seguindo a mesma linha de abordagem, e uma série de outros trabalhadores nesse campo o estão desenvolvendo permanentemente.

Eles no entanto se especializam em problemas terrenos: na determinação de terremotos, nas "cartas natais" de cidades e nações e em todos os assuntos que afetam coletividades humanas. Em geral eles se orgulham muito de serem "científicos" ou "matemáticos" — apesar de, na verdade, não serem. "matemáticos" no sentido mais profundo do termo, mas sim expositores de um sistema ampliado de eletrodinâmica, que considera a atração e repulsão de planetas uns sobre os outros como bem reais e concretas, mesmo quando formuladas em termos de forças elétricas e não como gravitação newtoniana. Eles não lidam com "símbolos" — como o tipo mais recente de física atômica está habituado — mas com "forças vitais" emanando de estrelas e do Sol.

Num tipo de astrologia como esse, o Sol em geral ocupa uma posição das mais proeminentes como fonte de força vital do sistema todo. Na maioria dos casos a abordagem é, logicamente, heliocêntrica. Estudam-se, primeiramente, emanações solares, e os planetas atuam em grande parte como refletores ou estimulantes de descargas solares. Na antiga astrologia ptolomaica, o Sol era visto como o ponto focal do zodíaco, uma faixa do céu estendendo-se 23° em cada lado da eclíptica. Dentro de seus limites, todos os planetas pareciam mover-se. Projetado no globo terrestre, era o cinturão equatorial — também o domínio do Sol. Assim, enquanto a "astrologia do indivíduo' se refere mais especificamente ao eixo polar, a "astrologia do coletivo" lida em primeiro lugar com forças equatoriais. No homem, estas forças são aquelas que atuam por meio do sistema grande simpático e, especialmente, o plexo solar (e outros centros). Na yoga hindu, estes centros são os "lótus" ou chakras. Mas devem ser diferenciados dois sistemas: o que lida com estes "lótus", que são focos de existência e consciência coletiva; e o sistema que lida com centros na espinha. Um terceiro sistema de "centros" manifestamente também pode ser encontrado na cabeça — dando-nos novamente nossos três termos básicos: coletivo, individual e criativo.

No novo tipo de "astrologia do coletivo", o problema é mais complexo. O Sol é ainda mais o centro focal do estudo, mas evidentemente é preciso usar um zodíaco planetário e um zodíaco solar para tornar as coisas lógicas e coerentes — definindo respectivamente o campo magnético da Terra envolvendo a Terra e o do Sol abrangendo o sistema solar inteiro. Mesmo assim, a astrologia ptolomaica ainda domina a astrologia comum dos nossos dias, e é óbvio que deva ser assim, por causa de considerações práticas bem como por causa do nível em que ainda vive a maioria dos seres humanos — num nível fisiológico, equatorial e coletivo. Primeiro, com o intuito de interpretação astrológica rápida e profissionalmente barata, é claro que não se pode oferecer nada além de "leituras do signo solar": leituras do plexo solar, emocional-vital, equatorial, que lidam com doze tipos básicos de instintos raciais e focalizações coletivas de energia. Depois, poucas pessoas conhecem seu momento exato de nascimento, o que torna impossível uma leitura precisa em termos de fatores de rotação (casas, ascendente, nodos etc.). Logo, o fator estritamente individual continua em dúvida; com muita freqüência é mera potencialidade, e só pode ser visto em termos de "padrões de circunstâncias predestinadas". Astrologia coletiva-equatorial é aquela adequada a pessoas que vivem uma vida puramente coletiva.

Vida coletiva, em nossa era de desintegração racial e cultural,, geralmente significa vida caótica, agitada, comandada pelo ritmo louco do comportamento urbano. Mas em velhos tempos significava crescimento harmonioso da Terra, um crescimento não muito diferente do de plantas e árvores. O grande homem era a flor e o fruto de sua tribo ou raça, uma expressão coletiva levada ao ponto da perfeição estrutural. Ele era um homem perfeito à medida que manifestava perfeitamente as qualidades de sua coletividade racial. Quando fazia isso, era visto como a evidência consciente de uma co- letividade superior — a coletividade de ancestrais aperfeiçoados num sentido, uma vasta hierarquia celestial, num sentido ainda mais remoto (mas também "ancestral"). Um homem assim se tornava um Mediador entre céu e Terra. O que nos leva a um terceiro tipo de abordagem da astrologia.


3. Astrologia oculta

A astrologia oculta não deveria ser considerada totalmente separada dos dois tipos anteriores, tal como não se pode jamais considerar o criativo separado do individual e do coletivo. Vimos que o giro dos polos é determinado por uma combinação de fatores: principalmente a rotação do planeta ao redor de seu eixo e a atração gravitacional do Sol (e da Lua) sobre o cinturão equatorial proeminente (cuja proeminência é outra vez um resultado da rotação axial e das forças centrífugas que esta gera). De modo semelhante, a abordagem oculta da astrologia — ou de qualquer coisa, nessa questão! — é determinada pela qualidade da abordagem do indivíduo e pelo nível de instintos coletivos (vitalidade herdada) que o indivíduo evidencia.

Em tempos remotos, a consciência humana estava centrada essencialmente no nível fisiológico. A inteligência era então instinto orgânico tornado consciente, depois progressivamente abstraído de condições particulares e imbuído de significado universal. Este processo era o que de fato se queria dizer com "Iniciação". Como resultado da iniciação, o ser humano era capaz de projetar seus instintos conscientes e universalizados sobre a esfera celeste — o Corpo de Deus (Macrocosmo e Macroprosopus na cabala). Mas ele também era capaz de receber o Corpo de Deus em seu próprio organismo terreno. Em outras palavras, o universal se tornava particular, à medida que o particular se havia tornado universal. E acreditava-se que o reverso também fosse verdade, porque o universal — Deus e a Hierarquia Celeste de Construtores — se havia projetado sobre a Terra; a partir desta Terra, foi evoluindo uma criatura feita à semelhança do mundo celeste arquetípico e de suas hierarquias — à própria semelhança de Deus; um microcosmo, entretanto, em potencialidade, não em atualidade — até que, por seguir o já mencionado processo de iniciação, a "semelhança com Deus" potencial fosse energizada pela vontade criativa do "eu sou" latente em cada pessoa, e aparecesse como fato espiritual — assim chamado corpo crístico.

Explicar totalmente esse duplo processo requereria todo um volume, que na verdade teria muito pouco significado até que o processo em si tivesse sido experimentado, mas a coisa mais importante a captar é que implica: 1) uma focalização estrutural como um protótipo latente no corpo terreno do homem: 2) uma expansão de consciência, de ego particular para uma consciência universal orgânica. Estes dois processos podem ser chamados involução e evolução. Involução aqui significa a construção de um protótipo "astral" pelas hierarquias celestes no homem terreno como forma potencial de divindade humana. Por outro lado, a evolução refere-se à expansão e à universalização da consciência humana pelos esforços de seu próprio "eu sou" individual até que este "eu sou", tendo assimilado o poder de todas as "virtudes" ou raios divinos, se torne auto-identificado com Deus, se torne avatar de Deus.

Astrologia oculta (quando devidamente entendida!) esclarece muito daquilo que é confuso e intrincado nesses dois processos. O processo involutivo refere-se ao domínio equatorial e ao zodíaco; o processo evolutivo, ao eixo polar e seus movimentos. Até agora, praticamente não houve, em lugar algum, menção direta aos fatores astrológicos envolvidos nesse processo evolutivo oculto. Tudo que se mencionou foi a mudança do nível instintivo da humanidade coincidindo com a entrada do Sol, pela precessão dos equinócios, em constelações zodiacais. No entanto isto é apenas metade da história, mais uma consequência do que uma causa. Permitam-nos repetir mais uma vez que a causa da precessão dos equinócios é o giro do eixo polar.

O zodíaco, no sistema ptolomaico, é um cinturão de fogo criativo circundando a Terra, sendo esse fogo localizado sobre nosso planeta através do disco do Sol — sendo o Sol a lente através da qual o Todo zodiacal focaliza sua energia de doze tipos sobre a Terra. As hierarquias zodiacais são hierarquias de construtores — Cosmocriadores, como são chamados. Juntos, eles constituem o Poder Formativo Cósmico (Mahat, em sânscrito). Na música, eles são representados pelo ciclo de 12 quintas, que rege a sequência de "tonalidades", o ciclo de 12 lyus, que constitui a base da música chinesa. Eles são a série de Grandes Ancestrais, os Patriarcas da Bíblia e da cosmogonia hindu, os Doze Portais da "Cidade Sagrada" no "corpo crístico" do homem etc. Eles se referem ao sistema grande simpático e seus "lótus" (duas hierarquias para cada "lótus", bem como dois signos zodiacais regidos por cada planeta — o Sol e a Lua sendo simbolicamente considerados planetas). Mais particularmente eles se referem ao plexo solar e ao diafragma: o cinturão equatorial, em que se centralizam as paixões "tropicais", acima (coração) e abaixo (sexo). No zodíaco e através dele, a substância terrena se torna Homem. Mas ao longo do caminho do eixo polar, a "árvore" do "eu sou", o Homem se polariza por sua vez nos sete grandes raios do Logos ou Deus. Ele se identifica com os sete raios e os sete avatares do Cristo cósmico (ou Vishnu) — e torna-se o oitavo — Krishna, o Cristo Humano, o Deus Vivo, Ishvara-no-corpo.

Assim, enquanto em simbologia cósmica as hierarquias zodiacais são os construtores dos corpos ou veículos humanos (representados alegoricamente na Bíblia pelo "Tabernáculo na Selva" e o "templo de Salomão"), as Estrelas da Mansão Eterna (polo norte) simbolizam os professores espirituais e avatares, que, um por um, de acordo com o princípio da Transmutação de raios, despertam e dão energia ao "eu sou" do Homem. São eles que personificam as grandes energias ocultas do Dragão da Sabedoria (a constelação Dragão), cuja cabeça aponta para Vega, cuja cauda separa a Ursa Maior da Ursa Menor, e cujo corpo se curva ao redor do polo da eclíptica — o Grande Vazio. Este é o "Palácio Central" da cosmogonia chinesa, Tien-ki, cuja cor é púrpura.

Ainda neste tópico de raios, que os esoteristas têm tratado tão mal, podemos nos permitir citar A doutrina secreta, em que o ensinamento, aparentemente surgiu pela primeira vez em sua forma teosófica moderna:

A estrela sob a qual nasce uma Entidade humana, diz o ensinamento oculto, será para sempre sua estrela, através de todo o ciclo de suas encarnações em un Manvantara. Mas esta não é sua estrela astrológica. Esta se ocupa e está ligada com a personalidade, a primeira, com a INDIVIDUALIDADE. O "Anjo" daquela Estrela, ou o Dhy-ani-Buddha, será ou o "anjo" guia ou simplesmente presidente, por assim dizer, de cada novo renascimento da manada, que é parte de sua própria essência, mesmo que seu veículo, homem, possa permanecer para sempre ignorante desse fato. Cada adepto tem seu Dhyani-Buddha, sua "alma gêmea" mais velha, e eles a conhecem, chamando-a "Alma Pai" e "Fogo Pai" . É s6 na riltima e Suprema Iniciação, no entanto, que eles a apreendem quando colocados frente d frente com a "Imagem"' . brilhante ... Há sete grupos principais desses Dhayan Chohans, grupos que serão encontrados e reconhecidos em todas as religiões, pois são os SETE Raios primordiais. ... Daí os sete planetas principais, as "esferas" dos sete espíritos residentes, sob cada um dos quais nasce um dos (sete) grupos humanos que é por ele guiado e influenciado.

A doutrina secreta, vol. I, p. 572, P á ed.

Os sete "Rishis da Ursa Maior" muitas vezes também são correlacionados com os sete raios cósmicos e com os sete planetas "sagrados", mas de nada vale que a constelação da Ursa Maior esteja fora do circulo descrito pelo polo norte. A simbologia destas constelações ao redor e parcialmente dentro desse circulo é por si um assunto de estudo fascinante. De todas, Dragão presumivelmente é a mais sagrada e misteriosa. O corpo do Dragão corta o circulo do giro polar por volta do lugar em que o polo norte estava em 3102 a.C. — o começo do grande ciclo de Kali Yuga na cosmogonia hindu. Talvez este deva ser considerado, quando não o começo do ciclo polar inteiro, ao menos uma de suas principais divisões.

Em A Treatise on Cosmic Fire, escrito por Alice Bailey, há uma grande parte dedicada à abordagem oculta da astrologia. Mas o assunto não é estudado como um todo, e somente algumas insinuações enigmáticas são feitas a respeito de constelações e estrelas como a Ursa Maior, Sírio, as Plêiades etc. Esperamos que o que foi dito acima possa esclarecer um pouco o campo do simbolismo até agora praticamente intocado.

Ainda é preciso acrescentar mais uma coisa. Para o ocultista, essas constelações e estrelas, aparentemente, não são símbolos, mas manifestações de seres cósmicos, que influenciam nosso planeta e a humanidade. Portanto neste aspecto a astrologia oculta está ligada à astrologia terrena e vitalista — que lidam com força vital, raios solares e cósmicos e coisas assim. Ao mesmo tempo, The Treatise on Cosmic Fire se baseia inteiramente na lei de correspondências — tal como todos os trabalhos ocultos, incluindo a cabala e A doutrina secreta. Mas usar a lei de correspondências é um outro modo de usar simbolismo! Se existe uma "correspondência" entre macrocosmo e microcosmo, entre o cabelo do homem e o cabelo do Grande Homem dos Céus (como na cabala) — então um ou o outro dos objetos "correspondentes" pode ser considerado "símbolo" do outro, ou ambos podem ser ditos igualmente símbolos de uma realidade puramente subjetiva, informulável. Portanto a "astrologia oculta" é, na verdade, e especialmente para todos os estudantes filosoficamente inclinados, um sistema de simbolismo cósmico ligando as naturezas polar e equatorial no ser humano a zonas correspondentes nos céus ao redor da Terra.

Outro tipo de astrologia oculta, simbólico de um modo dramático ou ativo, é aquele que produziu a série de quadros simbólicos, um para cada grau do zodíaco. Discutiremos esta fase da astrologia extensamente num capítulo posterior. Aqui, basta dizer que ela segue as pegadas do I Ching e de todo o esoterismo chinês e tibetano, e, antes deles, daquilo que muitas vezes é chamado Revelação Primordial da Humanidade. Já abordamos este assunto no capítulo a respeito do "processo cíclico", quando falamos de imagens e arquétipos primordiais. Todas essas são manifestações do Criativo cósmico — tal como o é a astrologia oculta. Pois o Céu inteiro em si é uma das primeiras e mais potentes Imagens Primordiais. E ele pode ser considerado como a Criação do Indivíduo Uno, que alguns chamam de Grande Arquiteto do Universo. e outros adoram como Deus.

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Extraído do livro Astrologia da Personalidade, de Dane Rudhyar.

Lilith na Casa 5


Ambivalência materna, desejo e rejeição da criança. Abortos, perdas, problemas ligados ao parto e maternidade, gravidez ou mesmo ambivalência sobre a criança que é rejeitada inconscientemente.

Perfeccionismo, exigência em termos de atividade criativa. Quer uma obra perfeita como e, portanto, está à procura boas razões para não criar.

O padrão é muito alto: desejada e inacessível, desejado e proibida criatividade.

A homossexualidade, por exemplo, ou a rejeição de toda a vida amorosa, rejeição de prazer. Narcisismo.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Lilith na Casa 4



Há uma brecha, um corte nas origens da saga da família.

Pode ser uma criança adotada, um exilado, ou uma ignorância da origem, ou drama e sacrifícios que fazem uma família. Haverá uma questão de luto, de mortes reais, deportação de ruína (Pai econômica), de mudança radical na vida dos pais.

Geralmente não vão se sentir bem onde vivem. Mudam de casa, nunca estão satisfeitos no contexto em que vivem, ou tem que mudar de casa por circunstâncias dolorosas.

O peso da família, história, pesam sobre o indivíduo. Ambivalência sobre a família: amado e rejeitado, ou a família é ambivalente sobre o assunto.

Qualidade, Estrutura e Substância, por Dane Rudhyar




Os elementos coletivos (sejam eles cósmicos ou humanos) representam sempre o polo de substância, como oposto ao indivíduo, que representa espírito. Como há elementos de todos os tipos e em todos os níveis de ser, a substância pode ser de vários tipos. Assim falamos de substância física e psicomental. Substância é o resultado do processo de coletivização (seja como desintegração ou criação). A substância resultante da desintegração é o húmus feito de folhas em decomposição, que fornecerá produtos químicos à nova vegetação da primavera. A substância que resulta da criação é, simbolicamente, da natureza da substância-semente.

Alice Bailey escreve em seu valiosíssimo livro, que tenta efetuar urna harmonização entre a psicologia oriental e a ocidental: "A palavra-chave substância, com sua sugestão de materialidade, é uma denominação falsa. No entanto é útil reduzir a palavra às suas origens latinas: sub, embaixo e stare, estar. Assim, substância é aquilo que está embaixo, ou subjaz". Substancia, em seu sentido filosófico, significa substratum. No dicionário, a palavra é definida como "Aquilo que está por debaixo de todas as manifestações exteriores, aquilo a que propriedades são inerentes". Em bases filosóficas de coerência lógica, precisamos postular uma "substancia psicomental" como um substrato das atividades psicomentais do espírito (ou, no ser humano, a "qualidade" individual, que é sua realidade espiritual). Cada domínio de manifestação do espírito precisa ter um tipo de substância correspondente, sendo espírito e matéria absolutamente correlatos. Substância psicomental pode ser considerada urna emanação e um produto refinado da substância física. Ou pode ser que aquela substância física seja a condensação de urna "matéria mental" universal.

Se uma argumentação como essa deve ser desconsiderada por ser "metafísica" e não baseada em experiência, então desconsideremos toda a nova física atômica. O éter, ou a curvatura do espaço, ou elétrons e fótons, são todos postulados como substrata de atividades registradas. As atividades são registradas, mas nenhum olho jamais verá o éter, ou o elétron, e muito menos o "espaço curvo". Há tanta evidência, de fato muito mais evidência, da existência de urna substancia "psicomental" quanto da existência de elétrons, que são apenas necessidades lógicas. Além disso, qualquer conceito de sobrevivência da consciência, ou imortalidade — conceito que Jung considera um pré-requisito normal para a saúde psicológica — requer obviamente uma substância psicomental. Pois uma vez que a substância física se foi, obviamente deve haver algum outro tipo para servir de substrato à consciência. Se isto é negado, então a negação é mera discussão sobre palavras e um apego arcaico da consciência à "imagem primordial" de urna substância tangível.

Entretanto, é preciso acrescentar que a questão quanto a se tal substância psicomental postulada pode ser realmente experimentada pelo homem, ou não, depende de ela ser susceptível, ou não, de desenvolver sentidos superfísicos, ou órgãos de percepção direta. Mesmo que ela não possa, existe uma coisa como "evidência inferencial".

Em oposição à substância, o que chamamos qualidade representa a identidade espiritual do todo vivente. Em nossa discussão da filosofia do tempo vimos que cada momento do tempo é criativo de um modo particular, que é, figurativamente, impresso sobre qualquer todo que atinja a condição de existência independente naquele momento. A qualidade do momento e a qualidade da totalidade do todo são idênticas. Essa qualidade, quando projetada fora do tempo, por assim dizer, é a mônada do todo específico considerado. É o Um-que-é-no-começo. Representa o polo individual.

Qualidade, ou mônada, pode referir-se a uma espécie ou a um único ser humano. Deveria ficar evidente, a partir do que foi dito previamente, que no nível .fisiológico, a qualidade é genérica, não pessoal. Em outras palavras, em termos fisiológicos, existe apenas uma mônada para o todo da humanidade, assim como existe apenas uma mônada para a espécie ou gênero do gato ou do cachorro. Individualidade reside na espécie ou subespécie e não num espécime em particular, um certo gato ou um certo cachorro. No entanto há um número infinito de graduações. Individualização, o tornar-se diferente da norma, tem algum lugar no nível fisiológico. Mas, e este é o ponto importante, apenas à medida que fornece uma base para (concepção substancial), ou é a expressão de (concepção espiritual) fatores psicomentais.

O que talvez fosse melhor dizer é que a individuação fisiológica é de uma ordem inferior à individuação psicomental. A primeira representa uma ênfase coletiva, a segunda, individual. Isto ficará claro se lembrarmos que o começo do ciclo da humanidade (na verdade, de qualquer ciclo) é um ato criativo liberando elementos coletivos que possuem apenas a potencialidade de individualidade. Para repetir o que já dissemos: do Ser-semente do fim do ciclo precedente emana criativamente uma forma (ou estrutura) prototípica no começo do ciclo humano. Esta forma, mais a energia da qual é dotada, é a exteriorização da qualidade ou Ideia, que, no Ser-semente, condicionou o ato criativo. Esta qualidade é a mônada do genus pomo: seu arquétipo-númeno. No ato criativo, ela é exteriorizada como energia e como estrutura. A estrutura permanece imutável, tal como o projeto durante a operação de construção. Mas a energia passa por um processo de diferenciação e transformação, isto equivale dizer: o dinheiro (energia social) reservado para a construção no início das operações vem a ser madeira, tijolos, encanamentos e o salário dos construtores.

Em outras palavras, a ideia do edifício é o arquétipo. Ela condiciona as operações de construção — o ato criativo. Este envolve a exteriorização da "ideia do edifício" como projeto, e também a liberação de uma soma de dinheiro — energia — para pagar pela construção. Quando as operações de construção são completadas, o projeto tornou-se substancializado num corpo concreto. A energia transformou-se em trabalho e na reunião de materiais, mas quando o edifício (digamos, um prédio de apartamentos) é alugado, o dinheiro gasto em sua construção retornará à sua fonte, com um lucro (se tudo correr bem!), no final do ciclo do negócio.

Essa ilustração mostra que o "ato criativo" libera elementos coletivos (isto é, dinheiro — um valor estritamente coletivo), mas com a potencialidade de individualidade (a planta, como uma exteriorização da "ideia"). O prédio de apartamentos acabado terá uma certa quantidade de individualidade genérica. Terá uma certa qualidade, em termos da quantidade de dinheiro (energia) despendida, bem como de sua estrutura. Portanto atrairá uma certa classe de pessoas como ocupantes. Estes ocupantes, vivendo juntos e interagindo, constituirão (se nos for permitido forçar uma ideia) uma comunidade de interesses, pensamentos e comportamento — que poderia ser descrita como a entidade psicomental do prédio de apartamentos. Dentro da estrutura genérica do prédio desenvolver-se-á uma estrutura psicomental individual. Esta ultima obviamente será um tanto moldada pela primeira. Mas esta estrutura de prédio terá sido "criada" pelo arquiteto-proprietário com vistas a atrair, por meio de características especiais, uma certa classe de gente.

Se você acrescentasse que o arquiteto-proprietário pode ser um grupo cooperativo de pessoas construindo o prédio para viver nele, poderia ter um quadro mais completo da concepção espiritual. Aquele grupo cooperativo representa o Ser-semente do ciclo precedente. E sua própria energia-dinheiro que está sendo gasta no prédio em que, como um grupo, ele viverá e do qual retirará novos benefícios e um maior sentido de integração. Pode-se dizer que o prédio tenha sido construído durante o verão, quando o grupo cooperativo está em férias da cidade; ou talvez o grupo todo ainda viva numa outra cidade enquanto a casa na nova cidade está sendo construída. O fato é que, de qualquer maneira, o grupo não se muda para o prédio, como moradores, até que ele esteja completado — mesmo que algumas alterações menores e a decoração dos vários apartamentos aconteçam depois de tomarem posse.

A ilustração, obviamente, é apenas uma ilustração, que não deve ser encarada literalmente, mas ela poderá ajudar a focalizar (esperamos que não cristalizar) algumas das ideias abstratas anteriormente descritas. Podemos prosseguir com a ilustração considerando o comportamento do grupo cooperativo como moradores. A estrutura do prédio, isto é, o modo como os apartamentos estão desenhados, determina uma grande parte de suas atividades diárias, tais como ir da cama para o banheiro, do banheiro para a sala do café da manhã etc. Estas atividades são inconscientes: elas dependem da estrutura genérica do prédio. Elas são poderosas e fixas, determinadas por uma estrutura imutável, por "imagens primordiais", isto ë, pelo projeto original do prédio (o protótipo do genus pomo), que por sua vez foi condicionada pelos hábitos, consciência e riqueza anteriores do grupo cooperativo que projetou esta "ideia". Em outras palavras, são os resultados finais de um passado muito, muito remoto.

Por outro lado, o que as pessoas pensam nas escrivaninhas de seus escritórios e todas as atividades emocionais que ocorrem entre os moradores em seus respectivos apartamentos, ou quando se visitam uns aos outros, não estão muito ligados ou condicionados pela planta do prédio. Muitas coisas diferentes podem ser feitas na sala ou no escritório — de fazer amor, a servir chá e jogar bridge ou dar um recital. As atividades mais psicológicas e conscientes dos moradores são relativamente livres da estrutura do prédio, enquanto seus movimentos fisiológicos e quase inconscientes são mais regulados por ela.

Neste ponto a ilustração se torna bastante desajeitada, mas ainda poderá servir para algum propósito. O que ela tenta transmitir é a diferença entre estruturas permanentes, que são genéricas, no homem, e estruturas não-permanentes, que são mais pessoais. As primeiras se referem ao inconsciente; as últimas ao consciente. 0 genérico é o coletivo à medida que representa características e atributos que são propriedades comuns de muitos. Por outro lado, essas características genéricas podem ser localizadas não apenas nas experiências e reações comuns sob as mesmas condições geográficas e ambientais prolongadas (como Jung afirma, sendo um cientista moderno), mas, é preciso dizer, na concepção espiritual, ter sua origem no ato criativo de um "Indivíduo Maior", o "Deus-do-fim" do ciclo precedente.

Portanto, "inconsciente genérico" seria um termo melhor quando se referisse a elementos envolvendo estruturas comuns básicas, tais como "imagens primordiais". Por outro lado, o termo inconsciente coletivo significaria mais especificamente os resultados do processo de civilização no plano psicomental — a lenta estruturação de ideais da humanidade que, passo a passo, integram as almas ou mentes de todos os homens no Ser-semente do final do ciclo — no nível psicomental. "Genérico" refere-se mais aquilo que resulta de estruturas fisiológicas comuns a todas as pessoas, enquanto "coletivo" se aplica mais estritamente àqueles elementos psicomentais que estão sendo liberados por indivíduos criativos no curso da evolução humana e, depois de terem sido assimilados por muitas gerações, tornam-se a herança comum de toda a humanidade.


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Extraído do livro Astrologia da Personalidade, de Dane Rudhyar.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Lilith na Casa 3



Dá, muitas vezes, na morte do irmão ou irmã antes de seu próprio nascimento, ou até mesmo um aborto, tendo, portanto, "o lugar dos mortos" (mesmo nome, etc.). Ou talvez a morte do irmão  ocorre durante a sua própria infância, mostrando que uma criança pode morrer e não é invulnerável à morte, para que eles possam trazer uma neurose de fracasso, de recusa, para tomar o lugar de seu irmão que desapareceu.

Há também um fundo incestuoso com um irmão.

Sacrifício, interrupção de estudos, ou uma mudança da orientação desejada.

Dificuldades na juventude, bloqueando ou obrigando a entrar em contato uma deficiência.

Há também tal perfeccionismo com a escrita que termina com uma autocastração.

Pode haver um acidente inconsciente em busca de autopunição, penalidade.

A Fórmula da Transformação Cíclica, por Dane Rudhyar




A fórmula cíclica que se segue, evidentemente, é apenas o mais simples tipo de estrutura, que precisa ser suplementada a cada caso particular por uma muito mais complexa, mas é paralela à fórmula igualmente simples do yang-yin da China, e afirmamos que ela tem a mesma validade universal. Seu valor está em nos dar uma nova perspectiva sobre fatores psicológicos (conscientes e inconscientes) e nos permitir interpretar todos os processos vitais no nível psicomental.

Iniciamos o ciclo com o indivíduo, isto é, com uma entidade única na qual está integrado certo número de elementos coletivos. Desse indivíduo emanam, através de uma operação que estudaremos aqui, novos elementos, que são a exteriorização de seu ser individual.

Esses elementos, uma vez liberados pelo indivíduo, tornam-se elementos coletivos. Eles se registram nas mentes de outros indivíduos, que podem ou não assimilá-los; tornam-se propriedade comum de toda a humanidade. Tais elementos coletivos, emanados por indivíduos, são todos acrescentados ao depósito de experiência coletiva e conhecimento coletivo. Eles acumulam e constituem uma memória racial, da qual emerge uma cultura, ou, em geral, uma civilização.

Civilização, em seu sentido mais elevado (e não como descrita por Spengler, que vê apenas sua sombra), realmente é um processo. E o processo de integração de elementos coletivos. Cada geração de homens empurra o processo um passo adiante, à medida que indivíduos dessa geração emanam novos elementos a partir de suas próprias identidades individuais. Civilização, como um processo, culmina com a formação do que os místicos chamaram "cidade sagrada", a "nova Jerusalém" — e, ao menos num certo sentido, a "Loja Branca". Isto quer dizer: termina na construção de uma formação ou entidade individual — no nível psicomental — que podemos chamar, como H. P. Blavatsky, de "Manu-Semente". Ela é a semente da planta psicomental da civilização.

Essa semente, como um Indivíduo psicomental e, num certo sentido, cósmico, emana, no início, de elementos coletivos de um novo ciclo. Esses elementos coletivos constituem as "imagens primordiais do inconsciente" de que fala Jung. São também a "revelação primeva" da teosofia e a "soma total de ideias inatas" de outros sistemas filosóficos. Estas, combinadas com uma nova terra, ou, em termos genéricos, novos materiais substanciais, constituem por sua vez as estruturas arquetípicas ("as entidades astrais") de um novo tipo racial. A partir da matriz, que esse novo tipo racial constitui, emergirão indivíduos pelo processo de evolução ou individuação. E o ciclo recomeça.

A fase do processo cíclico durante a qual o indivíduo emana elementos que se tornam a "matéria" psicomental coletiva da civilização é a de coletivização. A fase durante a qual essa "matéria" se integra no "Manu-Semente" ou "cidade sagrada" é a fase de individuação. Reproduz numa escala maior o processo segundo o qual um homem isolado integra todas as energias psicomentais de seu ser e se torna "individuado", no sentido junguiano do termo. Um processo semelhante é o que a ciência moderna chama evolução — da ameba ao homem, mas em vez de tal processo ser uma linha reta em progressão, é cíclico.

O que pode confundir o leitor é o desenvolvimento simultâneo do homem como uma espécie e de uma multidão de homens como personalidades relativamente individuadas. Por isso precisamos distinguir entre homem genérico e homem pessoal, entre o "indivíduo menor" e o "Indivíduo Maior". Homem genérico é a imagem emanada (ou "sombra") do "Manu-Semente" do ciclo cósmico precedente, e este "Manu-Semente" representa o "Indivíduo Maior", que é um "Todo emergente" feito da quintessência de "indivíduos menores" — ou seja, personalidades humanas. Este "Indivíduo Maior" do final do ciclo manifesta-se como o "Criador" do começo do ciclo. Ele "cria" uma nova espécie: sua própria imagem. Assim "Deus" criou o homem à sua própria imagem, mas "Deus" é a soma total individuada de todos os elementos psicomentais coletivos emanados dos indivíduos do ciclo precedente. De indivíduos atuais estão emanando "ideias" e "energias" que, uma vez individuadas, em algum tempo distante, na síntese final de todas as civilizações humanas, serão o "Deus" que irá "criar" alguma nova espécie de "homens" no começo do futuro ciclo cósmico na Terra (ou talvez em outro lugar).

No entanto não devemos esquecer que o homem genérico, sendo portanto a criação ou emanação do "Indivíduo Maior", originalmente é uma massa de elementos coletivos. O homem genérico não é um indivíduo, mas a matriz da qual o indivíduo surgirá após um longo processo de individuação. Talvez ainda mais importante: precisamos saber que esse processo ocorre primeiro no nível fisiológico e depois no nível psicomental. Assim as antigas mitologias falam de várias "criações"; assim A doutrina secreta menciona primeiro a projeção de "sombras astrais" (isto é, formas arquetípicas) de seres humanos, depois "fagulhas de mente" — os núcleos em que germina e se desenvolve o ser psicomental do homem. Num certo sentido, os dois são um, mas operam em níveis diferentes de ser e organizando um tipo diferente de "substância".

Sem entrar na discussão de pontos difíceis da cosmogonia "oculta", podemos dizer no entanto que nenhuma criação nasce ou emana do seu criador como um indivíduo — nasce apenas com uma potencialidade (mais ou menos compulsiva) de identidade individual. Assim, precisamos diferenciar em cada homem entre o self racial e o self individual (potencial ou realizado). O primeiro é coletivo em sua natureza, o último, individual. Em outras palavras, o tipo genérico de homem (honro sapiens) atinge primeiro um certo ponto de cristalização, que é individuação genérica, e então começa o processo de integração pessoal a partir desse fundamento genérico.

A individuação genérica é um processo que afeta a soma total de seres humanos que pertencem a um grupo mais ou menos bem determinado. Opera pela reunião, num ambiente geográfico definido, de seres humanos que foram projetados (como "emigrantes") de vários grupos relativamente individuados e se tornaram assim, à luz da raça, "elementos coletivos". Estes elementos coletivos de várias classes são lentamente homogeneizados. O que os homogeneíza num tipo genérico (ou, mais tarde, na "cultura") é uma série de experiências comuns e a assimilação comum de certas ideias e "criações" emanadas de indivíduos criativos do grupo. E com o termo indivíduos criativos não queremos apenas dizer "artistas criativos". Qualquer um que tenha uma nova ideia e descobre um novo significado em qualquer experiência, ou que correlaciona certos fatos da experiência de modo novo, especialmente de modo simbólico — é um criador. Como aquilo que ele assim criou é assimilado por vários homens de seu grupo, dá-se um novo passo em direção à integração grupal ou individuação genérica.

Nossos corpos foram construídos e seus tipos e funções determinados exatamente desse modo — mas através de milhões de anos de individuação genérica. A herança comum da humanidade se acumulou por milhares de milênios. Essa herança comum é o "inconsciente coletivo" formulado por Jung. Ele tem um poder estruturador tremendo. E suas estruturas determinam o tipo genérico — tanto de nossos corpos como de nossas psiques. Mas não nos esqueçamos: essas estruturas do inconsciente coletivo não são apenas o resultado da assimilação das criações dos "indivíduos menores" (como definido acima); também estão ligadas causalmente àquelas "imagens primordiais" ou "ideias inatas" que, no início do ciclo de nossa presente humanidade, emanaram do "Indivíduo Maior", o "Manu-Semente" do ciclo precedente.

Repetindo, o que torna as coisas um tanto complexas é que individuação e coletivização operam em vários níveis e se harmonizam. Mas, se entendermos a fórmula que se segue, um fio de Ariadne poderá nos levar em segurança pelo labirinto do processo vital cíclico: este processo vital é de coletivo para coletivo através do individual. Mas também poderíamos dizer: de qualquer nível de individuação ao nível superior seguinte através do criativo. A primeira formulação é à luz da substância; a segunda, a partir do espírito, ou unidade.

Se tomamos a formulação de acordo com o espírito, temos a fórmula mencionada no início deste capítulo: começo-meio-fim, ou Deus-do-começo — o processo vital dualista — Deus-do-fim, ou semente-planta-semente, ou mônada-personalidade-self, em termos psicológicos. Usando o simbolismo alfa e ômega, poderíamos simbolizar a fórmula pela palavra amo, que em latim significa "eu amo". Compará-la ao Amen latino, ao Aum sânscrito e ao Omi chinês poderá ser interessante para o estudante de simbolismo. De acordo com nosso presente alfabeto, a formação simbólica deveria ser Amz. M representa o coletivo — que obviamente é análogo ao elemento-mãe ma e ao mar (mar em latim), A e Z representam os dois estágios da Semente ou do Indivíduo, o inicial e o culminante ou sintético. Segundo a psicologia, A representa a mônada; M, a personalidade (em nosso sentido do termo, equivalente ao manas sânscrito); Z, representa aquilo que, como Jung, chamamos Self (si-mesmo) (em sânscrito Sva, sendo S o equivalente sânscrito para Z, uma raiz encontrada com pequenas diferenças em praticamente todas as línguas indo-européias).

Se, no entanto, aceitamos a fórmula: de coletivo para coletivo através do individual, colocamos em primeiro lugar o processo mundial de mudança, o vasto mar de elementos cósmicos, formando todos mais ou menos individuais, que por sua vez se decompõem em partes. Então o indivíduo é apenas uma inflorescência momentânea de um processo, a crista das ondas de um oceano em permanente movimento.

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Extraído do livro Astrologia da Personalidade, de Dane Rudhyar.