segunda-feira, 18 de julho de 2016

Entrelaçamentos Planetários, por Dane Rudhyar


O estudo das "Luas" superiores e das "funções de ligação' que elas simbolizam nos preparou para outras considerações da mesma linha de pensamento. Neste capítulo deveremos reinterpretar elementos astrológicos tradicionais, que são conhecidos como nodos e partes. Os primeiros foram usados durante épocas na Índia, especialmente em relação à Lua. As últimas parecem ter sido a característica especial da astrologia árabe. Os dois fatores servem para estabelecer pontos de relacionamento entre os planetas e a Terra. Referem-se à operação da personalidade como um todo unificado e como uma unidade nos entrelaçamentos infinitamente complexos do relacionamento social.

Nodos Planetários

Os nodos planetários são dois pontos opostos em que o plano da órbita do planeta faz interseção na eclíptica. Como a eclíptica não é somente o percurso visível descrito pelo Sol na esfera celeste (ou seja, entre as constelações), mas um "plano através do centro do Sol pelo qual passa a órbita média da Terra", segue-se que os nodos planetários representam os pontos em que a linha de interseção do plano de uma órbita planetária e do plano da órbita terrestre se encontram na esfera celeste (ou seja, a "cúpula dos céus"). Naturalmente o Sol se encontra no ponto central dessa linha de interseção.

Portanto, a ideia de nodos envolve um tipo de relacionamento entre os planos das órbitas planetárias e o plano da órbita da Terra. As medidas dos vários ângulos de inclinação das órbitas planetárias com relação à eclíptica podem ser tomadas por representações desses relacionamentos orbitais, mas isto nos forneceria apenas valores numéricos como símbolos — o que nos confinaria a um sistema de simbolismo astronumérico, mas não astrologia, pois todas as medidas de relacionamentos astrológicos precisam ser sempre referidas ao fator posição zodiacal. A linha de nodos planetários termina em dois pontos na esfera celeste que têm longitude zodiacal, portanto esses pontos são tomados por símbolos do relacionamento entre as órbitas do planeta e da Terra.

A razão pela qual as órbitas de planetas são consideradas importantes é que, com a órbita, estamos lidando com valores de movimento. O plano de uma órbita é o plano de movimento periódico. E, como já vimos, todos os fatores verdadeiramente astrológicos podem ser abstraídos como fatores de movimento. A astrologia é uma álgebra que usa movimentos cíclicos como seus símbolos. Assim, os planos dos movimentos orbitais são considerados significativos, sendo o seu significado revelado pela posição zodiacal de sua linha de interseção.

A órbita de um planeta representa o ciclo total de atividade dinâmica deste planeta em relação ao Sol. O Sol aqui representa o integrador de todo o sistema, aquilo que o mantém unido e representa seu significado total último. O planeta em si simboliza um modo de atividade vital particular e até certo ponto independente. Mas sua órbita é uma representação dessa atividade característica, não como uma coisa em si, mas sim em relação ao Sol. Portanto a órbita significa o aspecto integrador da atividade planetária, ou seja, esta atividade à medida que opera definidamente dentro do todo orgânico e para a realização da meta central de integração da personalidade.

Aquilo que o relacionamento da órbita do planeta com a órbita terrestre indicará é o papel que a atividade vital representada pelo planeta desempenha, a qualquer momento, no esquema do desenvolvimento da humanidade nascida na Terra. Se Urano simboliza a força regeneradora que tende a trazer para toda a humanidade imagens universais que virão a superar a fórmula saturnina estereotipada de egoísmo separativo, então os nodos de Urano nos dirão como esta força regeneradora está operando agora. A indicação dada será ampla e cobre um grande espaço de tempo em anos ou séculos, pois os nodos planetários se movem muito lentamente ao longo do zodíaco, aparentemente com movimento direto ou retrógrado alternados. Atualmente a linha dos nodos de Urano se estende de 13°40' de Gêmeos a 13°40' de Sagitário, e portanto isto enfatiza o fato de a força regeneradora de Urano estar operando, e tem operado por séculos, através da mente humana.

Uma análise mais precisa do significado dos nodos atribuirá significados opostos e complementares aos dois terminais da linha de nodos, o Nodo Norte e o Nodo Sul. Este dualismo nodal é lógico, pois todo tipo de atividade vital em relação ao centro de integração do sistema orgânico pode assumir um valor positivo ou negativo. Integração e desintegração andam sempre de mãos dadas. Cada elemento da vida pode operar como um agente destrutivo ou construtivo, sendo esta a lei universal da vida.

O Nodo Norte é o polo positivo de integração, o Nodo Sul é o polo negativo, em que ocorre algum tipo de desintegração (que no entanto pode não ser "má"). O primeiro é um ponto de ingestão e assimilação; o segundo, um ponto de liberação e evacuação. Estudaremos esta polarização de atividades vitais com maior detalhe quando considerarmos os nodos lunares. Por enquanto, estas ideias sucintas serão suficientes para indicar a oposição genérica de significados manifestada nos dois nodos.

Portanto, se tornarmos a nos referir à posição atual dos nodos de Urano, veremos que seu Nodo Norte, estando no décimo quarto grau de Gêmeos, significa que a regeneração positiva chega até a humanidade atualmente através do uso do intelecto concreto e do estabelecimento de conexões espaciais — que são duas das características essenciais de Gêmeos; existe também uma ênfase uraniana de integração no desenvolvimento do sistema nervoso, das comunicações postais etc.

Por outro lado, as qualidades sagitarianas de idealismo religioso, de obediência à autoridade etc. — e até mesmo de abstração metafísica — são vistas como negativas à luz da atuação planetária de Urano. Elas constituem a "linha de menor resistência"; resultam em grande parte de hábitos de integração do passado, e assim, do ponto de vista psicológico, constituem "mecanismos de escape" na maioria dos casos. Mesmo assim, liberações de energia poderosamente criativas e uranianas podem vir ao longo das linhas sagitarianas por meio de indivíduos que atuam como a culminação de impulsos tradicionais à atividade, como a "última palavra" no campo da execução, que, tendo sido cuidadosamente desenvolvida por milênios, pode não ter nada compulsivamente vital para oferecer — mas é capaz de produzir perfeição formal absoluta.

O símbolo do grau de posição atual do Nodo Norte de Urano é: "Duas pessoas, a grande distância, comunicam-se telepaticamente". Isto é muito significativo se acreditarmos na afuniação, tantas vezes repetida por Alice Bailey em seus livros, de que o desenvolvimento da faculdade telepática é a tarefa mais importante que agora desafia os pioneiros espirituais da raça. Por outro lado, o Nodo Sul de Urano está num grau simbolizado por: "A Esfinge e as Pirâmides são vestígios gloriosos do passado", que enfatiza o fato de agora todo o passado glorioso da humanidade estar sendo sintetizado, registrado, levado à culminação por meio de muitos tipos de atividade humana — da arqueologia à metafísica oculta. Mas também sugere que a dependência dessas glórias passadas, nacionais ou religiosas, na maioria dos casos é o resultado de uma evasão da tarefa do futuro, e é uma forma de escape baseada em medo.

A tabela que se segue dá as posições zodiacais dos nodos planetários para 1935. A variação anual é de menos de um minuto em todos os casos.


O modo como os nodos estão atualmente distribuídos no zodíaco é muito interessante, pois cobrem uma área de menos de 90° norte ou sul — na verdade, 84°, o que faz lembrar o ciclo de Urano e o de "construção do Templo". Especialmente interessante é ver que atualmente o solstício de verão está quase exatamente no centro da configuração. O solstício é o tempo de manifestação solar mais intensa (na filosofia chinesa, dominação do princípio ativo yang), enquanto o solstício de inverno é o ponto de mais baixa vitalidade (dominação do princípio passivo yin). Portanto as posições dos nodos planetários combinados estão correspondendo a pontos de dinamismo solar exatamente análogos. Isto tenderia a demonstrar que o poder de integração do sistema solar como um todo sobre a Terra está agora em seu ápice (ou perto dele), pois o máximo de atividade integradora dos planetas está, por assim dizer, sincronizado com o máximo de atividade do Sol, o integrador. Um estudo dos símbolos dos graus de localização dos nodos planetários, como delineado em nosso exemplo precedente (Urano), será de profundo interesse para o estudante das tendências planetárias contemporâneas.

Ao que foi dito acima precisamos acrescentar que, à medida que planetas, em seu curso mensal ou diário, atingem os graus do zodíaco em que seus nodos se encontram, torna-se evidente uma ênfase definida de suas características positivas ou negativas. Quando os planetas passam por seu Nodo Norte, operam positivamente, ativamente; enquanto no seu Nodo Sul eles são receptivos e passivos — isto é, a qualidade ou função que significam opera de um modo passivo (forte, no entanto). Num mapa individual, um planeta situado sobre seu Nodo Norte é psicologicamente muito dominante; seu efeito é agitar a consciência, no sentido de que toda energia-vital integradora recebida pelo nativo tem uma tendência a relacionar-se com a qualidade particular expressada pelo planeta. Por outro lado, um planeta situado sobre seu Nodo Sul pode referir-se a um tipo definido de escape psicológico. O nativo pode tender a evadir-se do assunto representado pelo planeta, ou ainda a ser passivo e "deixar as coisas acontecerem" na esfera de atividade que o planeta indica.

Geralmente também se nota um resultado bem definido (provavelmente mais definido no tipo mais desenvolvido de personalidade) quando planetas importantes de um mapa se localizam nos graus dos pontos nodais de outros planetas. As características destes últimos, por assim dizer, dão um subtom às atividades dos primeiros. O rei George V da Inglaterra, por exemplo, tinha o Sol sobre o Nodo Norte de Urano. Seu reino sem dúvida foi repleto de acontecimentos uranianos. O mapa de Franklin D. Roosevelt também é característico quanto a isto: seu Júpiter sobre o Nodo Norte de Mercúrio, e o Nodo Norte de Urano correspondendo ao seu Meio-do-Céu. Além disso, o Sol está sobre o Nodo Sul de Netuno. Se Netuno representa o poder de coletividades, o Nodo Sul de Netuno simbolizaria este poder desintegrado e solto para seguir a linha de menor resistência. O Sol de Roosevelt brilharia então no meio de uma condição deste tipo e acrescentaria poder solar ao elemento netuniano. Seu próprio Netuno, colocado entre Saturno e Júpiter (mais perto deste), simbolicamente se encontra entre, por um lado, escuridão e "individualismo rude" saturnino (a ser regenerado, pois está em sua oitava casa) e, por outro, Júpiter e o poder de expansão e circulação de energia.

Um efeito ainda mais forte pode ser esperado quando a linha dos nodos de um planeta coincide com o horizonte ou o meridiano de um mapa natal, ou mesmo com a linha das cúspides de duas casas opostas. Nestes casos a qualidade do planeta influencia de maneira forte, mas sutil, todos os assuntos relativos às duas casas opostas (e complementares).


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Extraído do livro Astrologia da Personalidade, de Dane Rudhyar.