terça-feira, 25 de abril de 2017

Sobre Dignidades Planetárias, por Claudio Fagundes

Há lugares do Mapa, onde os planetas estão mais fortes ou mais fracos. Quando estão localizados no signo que têm regência estão mais fortes, estão dignificados. Em segundo lugar os planetas que estão em seus signos de exaltação também estão dignificados, mas não estão tão fortes quanto na regência. Em terceiro lugar, os planetas que estão nos signo em triplicidade, estão também dignificados, porém não tão fortes quanto na regência e na exaltação. Em quarto lugar, os planetas que estão em determinados graus dos signos, estão também dignificados por termos; só que não estão tão fortes quanto na regência, na exaltação e na triplicidade. Há, ainda, uma quinta dignidade que é a face ou decans (decanatos), que eu ainda vou apresentar o que os autores falam sobre esta; é uma dignidade que não é tão forte quanto a regência, a exaltação, a triplicidade e os termos.

Por outro lado, existem também signos onde os planetas estão fragilizados: nos signos que estão em detrimento (mais forte) e em queda.

Os planetas que não estão com nenhuma dignidade nem fragilidade são chamados de peregrinos.

Esses posicionamentos são importantes para diversos métodos da astrologia tradicional.

As Dignidades Celestes dos Planetas - Termos, por Clélia Romano

Termo significa limite e pedaço, e é dito que um planeta que está em seus termos está em seu próprio domínio e pode agir como quiser.

Os termos não são divisões equânimes dos 30 graus de urn signo. O Sol e a Lua não entram na divisão e observamos que muitas vezes os graus finais dos signos pertencem a Saturno e Marte.
A origem dos termos é muito antiga e certamente tem a ver com a tradição egípcia.

Existem três tipos de divisões dos termos: os egípcios, os ptolomaicos e os caldeus, que Ptolomeu introduziu e nunca usou. Aliás, não se conhece autor que os tenha usado.

Desde Dorotheus de Sidon, helenista do século I de nossa era, em seu Pentateuco, um poema sobre astrologia, os termos adotados eram os termos egípcios. Eles foram usados pela grande maioria dos autores tradicionais.

Ptolomeu acreditava, porém, que tal sistema era arbitrário por não se basear em coisa alguma a não ser na tradição imemorial. Daí ele propôs os seus próprios termos, que considerou mais lógicos.

Tais termos passaram a ser usados quando Ptolomeu foi descoberto pela civilização ocidental como a tábua de salvação para fugir à abominável corrupção árabe.

Faltou aos Ocidentais ter contato com a obra de Valens (entre outros), só disponíveis através dos persas que traduziram para o Pahlavi no século III de nossa era, os nove volumes da Antologia, os quais foram usados por Masha'allah e Abu Mashar.

Eles estão representados na figura a seguir.



Mas, como o árabe necessitava ser banido, os cristãos apegaram-se a Ptolomeu e o traduziram do grego. Ptolomeu foi a fonte áurea de onde bebeu a astrologia ocidental a partir de 1400.
Neste livro seguirei os termos egípcios, os mais usuais, usados por Firmicus Mathernus, Masha'allhah, Ibn Ezra, Al Biruni, Bonatti, etc.

Exemplificando: em Áries, Júpiter rege os primeiros 6°, Vênus os 6° seguintes, os 8° adiante ficam regidos por Mercúrio, a seguir outros 5° são regidos por Marte e os últimos 5° por Saturno, de forma que cada fileira perfaz 30 graus, os graus de um signo. A soma de todas as fileiras perfaz 360 graus.

Os termos tiveram muita importância em livros antigos, como o Liber Hermetis, onde de acordo com Robert Zoller, é dito que o status social dos pais do nativo tem a ver com o planeta que rege o termo do Sol (status do pai) e da Lua (status da mãe).

Clélia Romano, in Fundamentos da Astrologia Tradicional, Edição do Autor, 2011, p. 48-9. http://www.astrologiahumana.com/

(Os Termos) Sobre os Lugares e os Graus, por Ptolomeu

Alguns ainda realizaram divisões mais finas de regência do que essas, utilizando os termos “lugares” e “graus”. Definindo “lugar” como a décima segunda parte de um signo, ou 2 1/2°, deram o domínio sobre eles aos signos, na ordem. Outros seguem outras ordens ilógicas; e novamente deram a cada “grau” a partir do começo a cada um dos planetas de cada signo de acordo com a ordem caldeia de termos. Iremos omitir esses assuntos, já que foram apresentados a seu favor argumentos apenas plausíveis e não naturais, mas ao contrário, sem fundamentos. Não devemos ignorar o assunto seguinte, no entanto, sobre o qual vale a pena permanecer um certo tempo, que é o fato de ser razoável que consideremos os inícios dos signos também a partir dos equinócios e solstícios, em parte porque os escritores deixaram este ponto bem claro, e em parte porque, a partir de nossas demonstrações anteriores, observamos que suas naturezas, poderes e familiaridades têm sua causa nos pontos iniciais dos solstícios e dos equinócios, e de nenhuma outra fonte. Pois, se outros pontos iniciais são presumidos, não seremos mais compelidos a utilizar as naturezas dos signos para prognósticos, ou, se as utilizarmos, estaremos errados, uma vez que os espaços do zodíaco que conferem os poderes aos planetas os passariam a outros e se tornariam, então, alienados.

(Os Termos) De Acordo com os Caldeus, por Ptolomeu

O método caldeu envolve uma sequência, simples, com certeza, e mais plausível, embora não tão auto-suficiente em relação ao governo das triplicidades e à disposição da quantidade, de forma que, ao contrário, ela fosse facilmente inteligível mesmo sem um diagrama. Pois na primeira triplicidade, Áries, Leão e Sagitário, que tem neste caso as mesmas divisões por signos que no sistema dos egípcios, o senhor da  triplicidade, Júpiter, é o primeiro a receber termos, e então o senhor do próximo triângulo, Vênus, e então o senhor do triângulo de Gêmeos, Saturno, e Mercúrio, e finalmente o senhor da triplicidade restante, Marte. Na segunda triplicidade, Touro, Virgem e Capricórnio, que novamente tem a mesma divisão por signos, Vênus vem primeiro, então Saturno, e então Mercúrio, após esses, Marte, e finalmente, Júpiter. Esse arranjo de uma forma geral é observado também nas duas triplicidades restantes. Sobre os dois senhores da mesma triplicidade, no entanto, Saturno e Mercúrio, de dia é Saturno que toma o primeiro lugar na ordem de posse, e à noite, Mercúrio. O número designado a cada um também é uma questão simples, pois para que o número de termos de cada planeta seja sempre menor em um grau do que o precedente, para corresponder com a ordem descendente no qual o primeiro lugar é decidido, eles sempre dão 8° ao primeiro, 7° ao segundo, 6° ao terceiro, 5° ao quarto e 4° ao último; assim se completam os 30° de um signo. A soma do número de graus assim dados a Saturno é de 78 durante o dia e 66 à noite, a Júpiter 72, a Marte 69, a Vênus 75, a Mercúrio 66 durante o dia e 78 à noite; o total é de 360 graus.

Pois bem, desses termos aqueles que são constituídos pelo método egípcio são, como dissemos, mais dignos de crédito, tanto devido à forma na qual eles foram coletados pelos escritores egípcios que os julgaram dignos de registro devido à sua utilidade, quanto por causa de na maior parte do tempo os graus desses termos terem sido consistentes com as natividades que foram registradas por eles como exemplos. Como estes mesmos escritores, no entanto, não explicam em nenhum lugar a disposição de seus números, sua incapacidade de concordar em uma explicação do sistema pode bem se tornar objeto de suspeita e alvo de críticas. Recentemente, no entanto, chegou até nós um manuscrito antigo, muito danificado, que contém uma explicação natural e consistente de sua ordem e número, e ao mesmo tempo percebemos que os graus relatados nas natividades acima mencionadas e os números dados nas somas concordaram com a tabulação dos antigos. O livro era muito alongado em suas expressões, muito excessivo em suas demonstrações, e seu estado danificado o tornou difícil de ler, de modo que eu mal pude fazer uma ideia de seu propósito geral; e isso apesar da ajuda fornecida pelas tabulações dos termos, melhor preservadas porque estavam localizadas no fim do livro. Com relação ao seu arranjo dentro de cada signo, as exaltações, as triplicidades e os domicílios foram levados em consideração. Pois, de maneira geral, a estrela que tiver duas regências deste tipo no mesmo signo é posta em primeiro lugar, mesmo que ela seja maléfica. Entretanto, onde quer que esta condição não exista, os planetas maléficos são sempre postos por último, e os senhores da exaltação em primeiro, os senhores da triplicidade em seguida, e então os do domicílio, seguindo a ordem dos signos. E, novamente, em ordem, aqueles que têm duas senhorias têm preferência sobre os que têm apenas uma no mesmo signo. Uma vez que não se dá termos para os luminares, no entanto, Câncer e Leão, os domicílios do Sol e da Lua, são dados aos planetas maléficos porque eles foram privados de sua parte na ordem, Câncer a Marte e Leão a Saturno; nestes a ordem apropriada a eles é preservada. Com relação ao número dos termos, quando não há nenhuma estrela com duas prerrogativas, nem no signo mesmo nem nos que o seguem dentro do quadrante, são concedidos a cada um dos benéficos, ou seja, Júpiter e Vênus, 7º, aos maléficos, Saturno e Marte, 5º cada e a Mercúrio, que é comum 6º, de forma que o total perfaz 30º. Entretanto, uma vez que alguns sempre têm duas prerrogativas, pois Vênus sozinha se torna a regente da triplicidade de Touro, já que a Lua não participa nos termos, é dado a cada um dos planetas nesta condição, seja no mesmo signo ou nos signos seguintes no mesmo quadrante, um grau extra; esses foram marcados com pontos; os graus, no entanto, adicionados por causa da prerrogativa dupla são retirados dos outros, que têm somente uma, e de forma geral, de Saturno e de Júpiter porque eles têm o movimento mais lento.

Esses termos estão da seguinte forma:

Termos de acordo com Ptolomeu:

Áries : Júpiter = 6; Vênus = 8; Mercúrio = 7; Marte = 5; Saturno = 4;
Touro : Vênus = 8; Mercúrio = 7; Júpiter = 7; Saturno = 2; Marte = 6;
Gêmeos : Mercúrio = 7; Júpiter = 6; Vênus = 7; Marte = 6; Saturno = 4;
Câncer : Marte = 6; Júpiter = 7; Mercúrio = 7; Vênus = 7; Saturno = 3;
Leão : Júpiter = 6; Mercúrio = 7; Saturno = 6; Vênus = 6; Marte = 5;
Virgem : Mercúrio = 7; Vênus = 6; Júpiter = ; Saturno = 6; Marte = 6;
Libra : Saturno = 6; Vênus = 5; Mercúrio = 5; Júpiter = 8; Marte = 6;
Escorpião : Marte = 6; Vênus = 7 ; Júpiter = 8; Mercúrio = 6; Saturno = 3;
Sagitário : Júpiter = 8; Vênus = 6; Mercúrio = 5; Saturno = 6; Marte= 5;
Capricórnio : Vênus = 6; Mercúrio = 6; Júpiter = 7; Saturno = 6; Marte = 5;
Aquário : Saturno = 6; Mercúrio = 6; Vênus = 8; Júpiter = 5; Marte = 5;
Peixes : Vênus = 8; Júpiter = 6; Mercúrio = 6; Marte = 5; Saturno = 5.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Sobre a disposição dos Termos, por Ptolomeu

Com relação aos termos, dois sistemas principais estão mais em circulação; o primeiro é egípcio, o qual está baseado primeiramente no governo dos domicílios, e o segundo é caldeu, que se baseia no governo das triplicidades.

Pois bem, o sistema egípcio dos temos comumente aceitos não preserva de forma alguma a consistência nem da ordem nem da quantidade individual, pois, em primeiro lugar, na questão da ordem, eles às vezes deram o primeiro lugar para os senhores dos domicílios e às vezes para os senhores das triplicidades, e às vezes ainda para os senhores das exaltações. Por exemplo, se é verdade que eles seguiram os domicílios, porque eles deram precedência a Saturno, por exemplo, em Libra, e não a Vênus, e porque a Júpiter em Áries, e não a Marte? E se eles seguiram as triplicidades, porque deram a Mercúrio, e não a Vênus, o primeiro lugar em Capricórnio? Ou caso tenham seguido as exaltações, porque dar a Marte, e não a Júpiter, a precedência em Câncer; e se eles observaram os planetas que tem o maior número dessas qualificações, porque deram o primeiro lugar em Aquário em Mercúrio, que tem apenas a sua triplicidade ali, e não a Saturno, pois ele é tanto o domicílio quanto a triplicidade deste planeta? Ou porque eles deram o primeiro lugar a Mercúrio em Capricórnio, acima de tudo, uma vez que ele não tem nenhuma relação de governo com este signo? É possível encontrar o mesmo tipo de coisas no resto do sistema.

Em segundo lugar, o numero de termos manifestamente não possui consistência, porque o número derivado de cada planeta a partir da adição de seus termos em todos os signos, de acordo com o que eles dizem que os planetas determinam anos de vida, não fornece nenhum argumento adequado ou aceitável. No entanto, mesmo se confiarmos no número derivado desta soma, de acordo com essa simples proposição dos egípcios, descobriríamos que a soma seria a mesma, mesmo que as quantidades, signo a signo, frequentemente mudem de várias formas. E em relação à afirmação espúria e sofista sobre eles que alguns tentam fazer, ou seja, que o número de vezes dados a cada planeta individual pelo esquema de ascensões em todos os climas se soma a essa mesma quantia, ela é falsa, pois, em primeiro lugar, eles seguem o método comum, baseado em aumentos regularmente maiores nas ascensões, o que não está nem perto da verdade. De acordo com este esquema, os signos Virgem e Libra, no paralelo que corta o Baixo Egito, ascenderiam, cada um, em 38 e 1/3 unidades de tempo, e Leão e Escorpião, cada um, em 35, embora esteja demonstrado pelas tabelas que esses signos ascendem em mais de 35 e Vigem e Libra em menos. Além do mais, aqueles que tentaram estabelecer esta teoria nem mesmo parecem seguir o número comumente aceito de termos, e são compelidos a realizar diversas falsas afirmações, e ele até mesmo utilizaram a parte não inteira das frações em uma tentativa de salvar sua hipótese, que, como dissemos, nem é em si mesma verdadeira.

No entanto, os termos mais geralmente aceitos sob a autoridade da tradição antiga são dados da seguinte forma:

Termos de Acordo com os Egípcios.

Áries: Júpiter = 6; Vênus = 6; Mercúrio = 8; Marte = 5; Saturno = 5;
Touro: Vênus = 8; Mercúrio = 6; Júpiter = 8; Saturno = 5; Marte = 3;
Gêmeos: Mercúrio = 6; Júpiter = 6; Vênus =5; Marte = 7; Saturno = 6;
Câncer: Marte = 7; Vênus = 6; Mercúrio = 6; Júpiter = 7; Saturno = 4;
Leão: Júpiter = 6; Vênus = 5; Saturno = 7; Mercúrio = 6; Marte = 6;
Virgem: Mercúrio = 7; Vênus = 10; Júpiter = 4; Marte = 7; Saturno = 2;
Libra: Saturno = 6; Mercúrio =8; Júpiter = 7; Vênus = 7; Marte = 2;
Escorpião: Marte = 7; Vênus = 4; Mercúrio = 8; Júpiter = 5; Saturno = 6;
Sagitário : Júpiter = 12; Vênus = 5; Mercúrio = 4; Saturno = 5; Marte = 4;
Capricórnio : Mercúrio = 7; Júpiter = 7; Vênus = 8; Saturno = 4; Marte = 4;
Aquário : Mercúrio = 7; Vênus = 6; Júpiter = 7; Marte = 5; Saturno = 5;
Peixes : Vênus = 12; Júpiter = 4; Mercúrio = 3; Marte = 9; Saturno = 2;.

Dos 120 Aforismos de Ibn Ezra (97)

A 97ª é que o planeta que está depois do Sol (ocidental) é como um homem que está triste.