terça-feira, 9 de agosto de 2016

Passos na Interpretação de uma Carta de Nascimento, por Dane Rudhyar


Uma carta de nascimento (ou carta natal) pode (e deveria) ser considerada uma fórmula geométrica complexa, que estabelece as relações entre uma série de pontos determinados por observações astronômicas. Fundamentalmente há dez "planetas" (incluindo Sol e Lua), doze cúspides e os nodos lunares, ou seja, 24 fatores. Uma carta natal é portanto uma fórmula que relaciona estes 24 fatores primários em termos de suas longitudes zodiacais (à qual muitas vezes se soma a declinação — distancia norte ou sul do equador celeste — para determinar o que se chamam paralelos de declinação). Interpretar uma carta de nascimento é extrair desses 24 fatores todos os significados que contêm, ou melhor, que o astrólogo é capaz de perceber. Esta extração de significado é feita por meio de uma série de análises, sendo cada uma teoricamente completa em si na medida que cobre todo um campo de existência, mas constituindo todas essas análises apenas as matérias-primas das quais será construída a síntese final.

Como já dissemos, a astrologia depende em sua maior parte, no que se refere à interpretação de vida, de "percepção holística" sintética. Mas este é um fator puramente individual, e ao escrever a respeito de interpretação de cartas de nascimento é preciso enfatizar os processos analíticos, necessários como um: 1) treinamento para o desenvolvimento de conhecimento básico; 2) meio de conferir os resultados da "percepção holística", isto é, de uma percepção direta dos inter-relacionamentos totais que ligam os 24 elementos primários da carta natal e quaisquer outros fatores secundários que possam deles derivar.

Estas várias análises a que a carta é submetida podem ser feitas numa ordem variável, sendo esta ordem um assunto puramente individual. Indicaremos o que elas são dando-lhes uma seqüência derivada da lógica da situação, como a estudamos neste livro. Mas tenhamos sempre em mente que nossa primeira tarefa é estudar os 24 fatores primários acima mencionados (planetas, cúspides, nodos lunares). Estes fatores são significativos em termos de sua posição:

1) de signo;

2) de casa (isto não se aplica a cúspides);

3) do grau (símbolos do grau; também a relação com os nodos planetários).

Este primeiro estágio de interpretação é uma análise da posição em que cada fator é considerado independentemente de qualquer outro, e é seguida de unia análise de relacionamentos entre estes fatores, portanto:

4) o padrão planetário como um todo;

5) os aspectos entre cada dois fatores isolados.

Segue-se um outro tipo de análise, que pode ou não ser utilizado. Dois fatores são relacionados com um terceiro fator, que em geral (mas não necessariamente) é a linha do horizonte ou do meridiano. Este é um grau mais elevado de análise de relacionamento, e revela um tipo complexo de significado — tal como o que se relaciona com a natureza social do ser humano e ao processo através do qual sua própria sociedade de células e nervos se integra cada vez mais em direção à formação de um "corpo espiritual". Isto refere-se às rodas.

Neste último tipo de análise, já não lidamos apenas com a personalidade humana como é arquetipicamente ou em "projeto". Mas lidamos com o uso que pode ser feito dessa personalidade ou qualquer grupo de fatores da personalidade total. Agora consideramos não apenas "ser" e sua estrutura, mas também "propósito" e seus eixos de cristalização.
Um passo adiante, e estaremos estudando não apenas os eixos de cristalização (ou nexos sensitivos de relacionamento), mas poderemos visualizar o potencial de cristalização do relacionamento em ocorrências de personalidade reais. Como faremos isso? Considerando estes mesmos relacionamentos angulares entre os 24 fatores — e, mais simplesmente, os arcos (distâncias) que os separam, mas considerando-os em termos de fases de maturação. Em outras palavras, deveremos simplesmente converter valores de espaço em valores de tempo. Mas faremos isto sem poder recorrer a nada além dos nossos 24 fatores, simplesmente por meio de um aprimoramento da análise, tal como introduzindo um valor quadridimensional de tempo matemático ali onde antes tínhamos apenas relacionamento espacial tridimensional.

Simplificando, devemos interpretar nossa carta de nascimento de um modo tal que, transpondo nossa concepção de análise, possamos obter valores de tempo (fases do processo vital) onde antes havíamos considerado valores de espaço.

Para obtermos esse resultado, precisamos deixar de considerar os 360 graus do zodíaco índices do relacionamento estrutural do ser e começar a considerá-los como símbolos de fases de desdobramento da vida. Precisamos transpor nossa análise do plano das medidas geométricas para o das medidas de tempo. Ao fazer isto, evidentemente estamos entrando no campo das progressões e mais particularmente das "direções". Mas existe uma grande diferença entre as progressões ou direções comuns e o procedimento agora descrito — mesmo que superficialmente a diferença pareça ser mais teórica do que prática.

Devemos ser capazes de avaliar essa diferença mais precisamente, já que agora estamos estudando o fundamento sobre o qual esta rede complexa de progressões, direções e trânsitos é construída. Mas precisamos dar um passo de cada vez, para que não fiquemos irremediavelmente embaraçados em conceitos que cresceram no campo do pensamento astrológico moderno mais como flores silvestres do que como cultivadas. Nosso próximo passo será estudar sucintamente o que poderia ser chamado análise do tempo da carta de nascimento.


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Extraído do livro Astrologia da Personalidade, de Dane Rudhyar.