sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Progressões Secundárias, por Dane Rudhyar


Estas progressões são as de uso mais generalizado hoje em dia e podem ser encontradas muito bem explicadas em qualquer bom manual de astrologia. Sua técnica é bastante simples e todos os fatores necessários são encontrados numa efeméride astrológica comum. Basicamente o que medem são mudanças na relação Terra/Sol, isto é, na relação entre organismo e princípio vital organizador. Essa relação desenvolve-se constantemente durante o processo vital. Ela é diferente na juventude, na maturidade e na velhice. Um índice do significado e do modo de ação desse relacionamento Terra/Sol, em constante mudança, é encontrado no "Sol progredido" — a posição de seu grau, signo e casa, bem como nos aspectos que forma com outros planetas.

As progressões secundárias são calculadas em relação ao movimento aparente do Sol, e o dia solar — de meio-dia a meio-dia — é a unidade básica. Cada uma dessas unidades corresponde a um ano de vida. Como o movimento diário do Sol não é uma constante, seu valor exato precisa ser encontrado na efeméride. A posição do Sol dia após dia depois do nascimento dá a posição do "Sol progredido" em cada ano após o nascimento.

As progressões secundárias referem-se ao movimento orbital da Terra, portanto ao movimento aparente do Sol sobre a eclíptica. Assim, o fator solar domina completamente estas progressões. É um fator de integração, já que o Sol representa o princípio vital no corpo, ou o self na personalidade como um todo.

O que o "Sol progredido" mostra é o modo como o processo de integração da personalidade prossegue após o nascimento, o modo como a substância do ser coletivo, no meio do qual o indivíduo cresce, está sendo "assimilada" pelo indivíduo — processo que leva à maturidade e completação de uma personalidade plena. Portanto, as progressões solares lidam com o desenvolvimento do self em manifestação. Lidam com os vários estágios de incorporação da Vontade integradora da mônada, também com as modificações do princípio vital que controla os processos do organismo fisiológico. Do ponto de vista da completação da personalidade, elas são as progressões mais importantes — mais até do que prognósticos de eventos concretos. As progressões secundárias são, acima de tudo, solares por implicação e, na verdade, nada pode ser obtido delas que de algum modo não faça parte do fator solar em ação. Como o Sol representa o fator de integração, é fácil ver que as "progressões secundárias" são as mais significativas em relação ao Grande Trabalho psicológico-alquímico.

Testemunhos muito valiosos também podem ser obtidos das posições dos planetas e da Lua — desde que estes sejam sempre considerados um tanto subservientes ao fator solar. Planetas progredidos indicam como os tipos de atividade que eles representam co-operam no processo solar geral de completação. As progressões de Mercúrio revelam a atitude da mente e as faculdades mentais no Grande Trabalho do Alquimista interior. As progressões de Vênus estão relacionadas com as reações emocionais e as respostas estéticas; as de Marte, com a capacidade de iniciativa e de impulso espontâneo; as de Júpiter, com as atividades de revelação da alma compensadoras da psique; as de Saturno, com as lentas transformações da própria estrutura do campo do consciente; as de Urano, com o fluxo de forças transformadoras e regeneradoras provenientes do mundo interior, oculto; as de Netuno, com a dissolução de limitações e com o nascimento da consciência universal (metamorfose); as de Plutão, teoricamente, com a possibilidade de um segundo nascimento.

Quanto à Lua progredida, ela é o fator que se refere mais especificamente a eventos concretos dentre todos os fatores planetários progredidos. Ela indica mudanças externas, a elaboração de ciclos de carma passado, a abertura, fechamento e culminação de fases externas do processo vital. À medida que passa sobre as cúspides das casas (isto também é verdadeiro, em grau menor, para todos os planetas progredidos), ela dimensiona mudanças decisivas nas situações concretas da vida. Isto é especialmente marcante quando a Lua cruza os quatro ângulos e, acima de tudo, o Ascendente.

Contudo, mesmo a mais poderosa e mais factual de todas essas progressões, a Lua em conjunção no Ascendente, nem sempre se refere a uma mudança concreta. Muitas vezes, o que está indicado é o momento da decisão que leva à mudança. Muitas vezes, a mudança é da maior força, mas exteriormente não é reconhecida pelo nativo — especialmente se ele for de tipo introvertido. Isto se dá porque, mesmo no caso da Lua (num certo sentido, um refletor solar), o significado da ocorrência precisa ser relacionado com o Sol progredido. O símbolo do grau deste Sol progredido dá uma das melhores — mesmo que às vezes ilusória — indicações do significado espiritual dos próximos doze meses, que correspondem a um grau completo de progressão solar.

Antes de deixarmos esse tipo de "progressões secundárias" — cujo estudo detalhado exigiria um outro livro —, é preciso mencionar um ponto importante. Ainda não esclarecemos o procedimento real pelo qual uma frase como "progressão de Vênus" pode receber um significado factual. Como podemos descobrir a natureza das progressões de Vênus? Elas estão relacionadas com o quê? Duas possibilidades se evidenciam. Vênus progredido é considerado, ou formando aspectos com os outros planetas progredidos do mesmo período de dia progredido, ou estabelecendo relações definidas com os planetas em suas posições originais (ou radicais) na carta de nascimento. Por exemplo: se a pessoa nasceu a 19 de janeiro de 1935, seu Sol radical está a 10° de Capricórnio e Júpiter a 16° 56' de Escorpião. Quando ela tiver sete anos (1942), o Sol progredido terá alcançado a posição marcada na efeméride para 8 de janeiro como 17° de Capricórnio. Nesta mesma data, Júpiter progredido estará em 18° 5' de Escorpião. Formou-se um sextil em 8 de janeiro entre o Sol progredido e o Júpiter radical (entre 16° 56' de Capricórnio e 16° 56' de Escorpião). Isto é visto como acontecendo no "processo de vida" em 1942.

Se, no entanto, quisermos considerar o sextil de Sol e Júpiter progredidos, então precisaremos esperar até 9 de janeiro — quando estes dois planetas estiverem respectivamente localizados em 18° 13' de Capricórnio e 18° 13' de Escorpião. Isto prorroga a atualização ou realização do sextil natal entre Sol e Júpiter na vida da pessoa para o ano de 1943. Se, em vez de Júpiter, que se move lentamente, tivéssemos tomado um planeta rápido, a discrepância entre as datas de consumação dos aspectos de planeta progredido com radical e planeta progredido com progredido teria sido maior. Portanto a questão é que tipo de aspecto deveríamos escolher, e se, como geralmente se faz, considerarmos os dois tipos, deveria haver uma diferença entre eles?

Aqui — como em muitas outras ocasiões! — os astrólogos divergem. A maioria deles reconhece a validade dos dois procedimentos, mas alguns pensam que um tipo é mais efetivo, outros, o outro tipo. Como sempre, tentaremos examinar o assunto de um modo lógico e filosófico. Se calculamos aspectos entre posições planetárias progredidas e radicais, o que fazemos é conceber o mapa radical como um padrão permanente tão indelevelmente impresso na personalidade, que cria pontos psíquica e fisiologicamente sensíveis, bastante significativos para representar focos de distribuição de energia. Quando os planetas progredidos atingem estes pontos (por conjunção, oposição, quadratura etc.), um significado é liberado em termos de atividade planetária. Em outras palavras, os planetas radicais são vistos como centros permanentes de energia, ativados, revolvidos, estimulados (de um ou outro modo) quando planetas progredidos entram em aspectos definidos com eles.

Estabelece-se assim um relacionamento significativo entre um valor de conhecimento, ser, espaço, individualidade do self (pontos radicais) e um valor de completação, tempo, transformação, fluxo vital (planeta progredido). Se, por outro lado, dois planetas progredidos se relacionam por aspecto, então o relacionamento é entre dois valores do último tipo. Portanto, ao considerarmos tais aspectos de planeta progredido com progredido, estamos navegando totalmente no fluxo ilimitado do "vir-a-ser" sem nenhuma ancora para a forma-semente do "ser". Podemos fragmentar nossa interpretação, perder o senso de propósito, que é a nota fundamental de uma abordagem apropriada das progressões secundárias.

Nas progressões secundárias, vemos o propósito de "ser" trabalhando através do "vir-a-ser". As várias posições do Sol progredido em cada grau sucessivo do zodíaco após o dia do nascimento mostram a evolução do propósito das atividades vitais em meio à mudança: propósito que lentamente se aperfeiçoa e refina através da vida. A análise de tempo da carta de nascimento também revelou um propósito desse tipo, mas num sentido mais arquetípico, subjetivo e abstrato. Nas progressões secundárias, vemos o propósito de ser desdobrar-se em passos reais, daí a discrepância entre os cálculos obtidos seguindo-se os dois métodos.

Cada grau de progressão do Sol atinge um novo aspecto desse propósito de vida (simbolizado no grau do Sol radical — e, num outro sentido, no do Ascendente), e, quando isto acontece, o "padrão planetário" radical lentamente muda sua forma para se encaixar, por assim dizer, neste novo propósito. Se a forma-seminal original do ser (carta de nascimento) domina verdadeiramente todo o desenvolvimento da personalidade — como acontece, por exemplo, em homens completamente obscurecidos por uma missão suprapessoal —, então as posições progredidas precisam ser remetidas quase que exclusivamente aos lugares radicais dos planetas, pois o propósito original é absolutamente constante e sempre ativo. Mas, se no decorrer do tempo de vida, a personalidade experimenta mudanças profundas de propósito, metamorfoses reais de ser, então os aspectos entre planetas progredidos e radicais são menos válidos, e os aspectos apenas entre planetas progredidos são mais significativos em termos de mudanças reais.

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Extraído do livro Astrologia da Personalidade, de Dane Rudhyar.