domingo, 2 de abril de 2017

Plutão Exige Transformação, por Claudio Fagundes

Uma das coisas mais difíceis que tem em astrologia é entender Plutão. Plutão é tipo não tem solução. Ou a gente se entrega à sua força e deixa o barco na corrente das transformações que ele exige, a gente deixa a vida correr de acordo com a corrente, e liga o motor do barco para ajudar nas transformações. Ou, luta contra. Neste segundo caso Plutão será destruidor e sempre irã vencer. Não se deve lutar contra Plutão: é perda de esforço e tempo. Muito pior que Saturno, porque destrói nas entranhas. Saturno é extremamente lógico e racional. Plutão é violento e, muitas vezes, imprevisível.

O difícil é entender Plutão, saber o que ele exige que seja transformado na nossa vida. Geralmente o que ele exige está no Mapa Natal e periodicamente manda recados através dos trânsitos. Interpretar bem essas exigências requer muito conhecimento e experiência, os tradicionalistas que são hábeis na arte da interpretação, não contam com Plutão.

O fato é que Plutão nos deixa praticamente sozinhos para enfrentar seus poderes. O certo é que ele está sempre exigindo transformação. Há de se buscar esse entendimento do que Plutão exige e evoluir nesse sentido. Sim, porque o que Plutão exige é algo de bom para nós, são exigências no caminho de nossa evolução. E se reagirmos contra essa transformações exigidas: Plutão nos destruirá.

Lutar contra Plutão é perda na certa. Ele simplesmente arrasa, nesses casos. Não vou descrever aqui o que ele pode fazer para não impressionar demais. O segredo é entender Plutão, e encontrar o caminho menos sofrido, administrar as perdas, porque elas virão certamente. Mas o caminho que Plutão exige está quase sempre ligado ao lado emocional. Howard Sasportas faz uma analogia, para descrever o Ascendente Escorpião que cabe aqui também. Ele compara com o oitavo trabalho de Hércules: a Hidra de Lerna. Diz Sasportas:

"No oitavo trabalho de Hércules, o herói tem que achar e destruir a Hidra, um monstro de nove cabeças que vive numa caverna no fundo de um pântano tenebroso. Primeiro ele tenta matar a besta enquanto ela ainda está na água, mas toda vez que lhe corta uma cabeça aparecem mais três em seu lugar. Finalmente Hércules lembra dos conselhos de seu mestre: "Nós nos elevamos ajoelhando-nos, conquistamos nos rendendo e ganhamos, desistindo." Hércules então ajoelhou no pântano e levantou a Hidra por uma de suas cabeças tirando-a da água para o ar. Afastada da água, a Hidra imediatamente começa a perder seu poder e sua agressividade. Hércules corta todas as cabeças mas aí aparece uma décima, na forma de uma jóia preciosa que ele enterra debaixo de uma rocha."

Ou seja, tirar da água e colocar no ar: dominar o emocional trazendo para a razão. Ou seja: conhece-te a ti mesmo. O velho jargão que estava inscrito no portal do Oráculo de Delfos e que muitos, erradamente, atribuem a Aristóteles.