sábado, 18 de fevereiro de 2017

Plutão na 8ª Casa, por Howard Sasportas

Num poema intitulado "In Tenebris", Thomas Hardy escreveu: "Se houvesse um caminho para o Melhor ele obrigaria a olhar inteiramente para o Pior." Hardy devia estar pensando em Plutão na 8ª Casa quando escreveu essas linhas.

De acordo com Freud, nascemos com certos mecanismos que nos impulsionam de dentro, mas devido a pressões internas ou externas, nos tornamos ansiosos a respeito da expressão desses impulsos e criamos mecanismos de defesa para restringi-los. Dois deles em particular — o sexo e a agressividade — nos dão muitos problemas. Se são apenas negados, eles muitas vezes irrompem de modo explosivo em comportamentos compulsivos e incontroláveis. No entanto, se os deixamos livres, existe o perigo de que eles nos controlem. O desafio de quem tem Plutão na 8ª Casa é explorar e aceitar esses mecanismos e também encontrar maneiras de canalizá-los para um propósito na esfera dos relacionamentos interpessoais.

Sexo e agressividade normalmente são associados com o planeta Marte. Eles parecem endógenos, impulsos instintivos, parte necessária de nossa herança biológica. O valor do sexo está obviamente na reprodução; a agressão ou o poder são necessários para crescer e dominar na vida. O despeitar sexual é, de muitas maneiras, semelhante à psicologia da raiva. Na verdade, Kinsey relatou quatorze mudanças psicológicas comuns ao despeitar sexual e à raiva.2 Por experiência própria podemos saber quantas vezes o amor se transforma em ódio ou aquilo que começa como uma briga termina em orgasmo; mas quando começamos a falar em reprimir e em dominar impulsos, deixamos o campo de Marte e entramos no domínio de Plutão.

Algumas pessoas com Plutão na 8ª Casa dominam maravilhosamente e dirigem com grande habilidade a energia da sua libido em realizações impressionantes. Winston Churchill, Leonardo da Vinci, Galileu e Bismarck - todos homens de excepcional força e competência - nasceram com Plutão nessa casa. Este posicionamento também mostra tremenda força e recursos em crises, bem como a resistência de liderar outras pessoas em tempos difíceis. Além de reorientarem o uso da força nos níveis físico, mental, social, emocional ou espiritual, eles possuem a habilidade de alterar drasticamente a vida daqueles com quem têm contato.

No entanto, folheando The American Book of Charts, mais três exemplos de Plutão nesta casa saltam à vista. Um deles é John Gacey, com Plutão na 8ª Casa regente de Escorpião na 12ª e na lª. De acordo com Rodden, ele era considerado um "fabuloso" e proeminente membro da comunidade até ser indiciado por ter "assaltado sádica e sexualmente e matado trinta e dois jovens e meninos" (enterrados, como manda este posicionamento, no seu porão). Albert Dyer era um homem amistoso que patrulhava a travessia de estudantes diante de uma escola e que um dia raptou, seduziu e estrangulou três menininhas. Ele tinha Plutão em Gêmeos na 8ª Casa, regente de Escorpião ascendente. Arthur Bremer, que atirou no senador George Wallace, também tem Plutão nesta casa. Rodden escreveu que "seu diário recebe toda a sua frustração sexual e suas preocupações".

Quando as energias naturais de sexo e agressividade são obstruídas em seu desenvolvimento e expressão, e deixadas para apodrecer no mundo inferior, elas se tornam horríveis e mortais. A menos que examinadas e positivamente canalizadas, acumulam força e fogem para o consciente, quebrando quaisquer controles do ego. Antes que a pessoa perceba, o diabo está à solta.

Obviamente, nem todos os que têm Plutão na 8ª Casa vão cair na categoria de um Churchill ou de um tarado. No entanto, uma coisa é certa: uma tremenda reserva de energia, o que alguns diriam ser "uma serpente do poder enrolada" à espreita.

A 8ª Casa descreve o que se passa entre as pessoas c, com Plutão ali, o símbolo da troca é a intensidade. Relacionamentos podem envolver brigas pelo poder, violência física ou emocional ou a quebra de tabus. Alguns têm queda para o relacionamento trágico, atormentado e transformador bem na tradição de Romeu e Julieta ou de Tristão e Isolda. Por trás do simbolismo do ato sexual está o desejo de autotranscendência ou de poder. Temendo o excesso ou o caos de seus fortes desejos sexuais, eles podem tentar evitar contatos íntimos. Plutão na 8ª Casa também é indício, às vezes, de conflito, de trapaça e de intriga com o dinheiro de outras pessoas. Complicações e problemas que duram muito tempo podem aparecer com heranças, impostos, negócios e divórcios, especialmente se Plutão está mal aspectado. Seu sistema de valores pode diferir radicalmente do de seu sócio, ou aquilo em que o sócio acredita pode afetá-lo e mudá-lo dramaticamente. Eles podem querer desafiar e derrubar o que a outra pessoa estima.

Além de ter de lidar com seus desejos sexuais e agressivos, eles também terão necessidade de lutar com pensamentos em torno da morte. Freud achava que todos nós temos um desejo de morte (Tanatos) e ansiamos por voltar ao estado sem tensão que vivenciamos antes do nascimento. Esta vontade de quebrar as fronteiras limitantes, de quebrar o self a fim de dissolver-se em não-ser pode ser forte para quem tem Plutão na 8ª Casa. Alguns tendem a flertar com a morte colocando-se em situações perigosas ou de alto risco, ou brincando inconscientemente com tendências autodestrutivas. Outros ainda podem ser fascinados por todos esses tópicos e pesquisar intensamente a vida após a morte, a reencarnação e tudo o que se relaciona com conceitos metafísicos.

Conheci algumas pessoas com esse posicionamento que tiveram esbarrões com a morte e, depois de uma breve escapada, voltaram à vida reavaliando todas as suas prioridades. Outros podem ter alguma experiência com a morte de pessoas muito chegadas. No entanto, encontrei alguns com este posicionamento absolutamente atemorizados e ansiosos a respeito de sua própria morte. É preciso que eles se lembrem de que a morte é parte inextricável da vida — negar a morte é negar a vida. Se tomamos inteiro conhecimento de que um dia vamos morrer, isso pode nos fazer mergulhar na vida com mais autenticidade e apreciando cada momento que passa tão completamente quanto possível. Santo Agostinho escreveu certa vez que "é somente em face da morte que a personalidade do homem nasce".3 A morte nos sacode para a vida.

Se não têm medo disso, essas pessoas estão intimamente sintonizadas a energias que trabalham em níveis profundos na vida e ouvirão trovões no ar bem antes dos outros. O aparelho sensorial é algo como o dos animais, que sabem de antemão quando um terremoto vai acontecer. Há um desejo de entender e mesmo de ter poder sobre os segredos da natureza e o que alguns chamam de "poderes ocultos". Às vezes, mesmo sem estar sabendo conscientemente, essas pessoas fazem "mágica" influenciando outras pessoas através da manipulação dessas forças sutis. Inexoravelmente obrigados a penetrar no reino do conhecimento proibido, ousam explorar níveis de existência que outros nem sabem que existem ou cuja proximidade temem.