sábado, 9 de julho de 2016
Lilith na Casa 8
Pode indicar uma predisposição suicida, quando outros sintomas de angústia e depressão o indiquem.
Indica duelos, luto na vida do sujeito. Ao seu redor, alguns se suicidam e alguns desaparecem.
Pode assinalar a necessidade de renunciar a bens herdados, outros bens que lhe caem e perdê-los inconscientemente.
Obsessão com a morte. Ambivalência entre a rejeição à morte e seu fascínio. Desejo da própria morte e dos demais. Às vezes a morte do outro é o caminho de iniciação.
Entretanto, não é corrente encontrar este posicionamento em assassinos.
Sublimação da sexualidade, rejeição, homossexualidade.
O Desdobramento do Self Individual, por Dane Rudhyar
Do que está escrito acima ficará evidente para o estudante de astrologia que a roda de casas inerentemente deve ser interpretada em termos do vir-a-ser, mais do que do ser estático. E um padrão de tempo, um padrão de desdobramento, essencialmente registrando um processo. E este é o grande processo psicológico de individuação: o "grande trabalho" alquímico — a "construção do templo" bíblico. HOMEM — o Arquétipo universal ou "manu" — está crucificado na entidade fisiológica (o animal humano aperfeiçoado) e depois de três dias surge como o Cristo — o "indivíduo" humano aperfeiçoado.
O simbolismo destes "três dias" é suscetível de um número infinito de aplicações — tal como o é o simbolismo dos "sete dias" da criação. Estes se referem à construção da entidade fisiológica, e, num sentido mais amplo, à do Ser planetário (por isso a divisão em sete do Grande Ciclo Polar). Aqueles se referem à construção do "indivíduo" humano como um ser psicomental. Em termos astrológicos, podemos usar a roda de casas para esquematizar essa construção do indivíduo humano. Poderemos ver que cada "dia" na verdade é um ciclo de 28 anos. Assim, o processo inteiro teoricamente durará 84 anos — que é o ciclo de revolução de Urano ao redor do Sol, um fato significativo que assumirá um sentido ainda maior ao estudarmos agora o símbolo de Urano.
Os dois processos (fisiológico e psicomental, ou genérico e individual) estão numa relação próxima, e isto fica curiosamente evidente quando se estuda o número sete "cabalisticamente". Se somarmos todos os dígitos que existem até este número (processo de adição cabalística), obtemos o número 28, pois 1 + 2 + 3 + 4 + 5+ 6 + 7 = 28. Mas, se aplicarmos esse processo a todos os números até 7, teremos como soma total o número 84. Isto quer dizer que obteremos a seguinte configuração numérica:
O significado da "adição cabalística" talvez possa ser intuído a partir da ilustração geométrica do processo, que tem um significado especial nesse caso.
Com essa figura composta de 28 círculos iguais e tangentes, fica claro que o número 28 revela, numa análise como esta, que se refere a três domínios de ser.
O domínio externo é marcado pelos 18 círculos externos; o do meio pelos nove círculos intermediários; e o domínio interno por um círculo central.
O único número precedente que resulta numa figura simétrica centrada em um círculo é o 4 — cabalisticamente igual a 10. 0 número 10 refere-se ao cósmico, mas o 28 é o número do homem trino: homem como espírito, alma e corpo. Espírito é 1, Alma é 4, e corpo é 7. Portanto o número do indivíduo aperfeiçoado é 28. Mas o processo de individuação plenamente elaborado requer que cada fator (ou número) componente também esteja plenamente desenvolvido, e por isso sua duração é de 84 anos. Desenvolvendo apenas os números básicos (1, 4 e 7), temos um total de 39, isto é 1 + 10 + 28. Aos 39 anos de idade, o homem alcança uma condição de significado especial em seu desenvolvimento espiritual — sendo o quadragésimo ano também o ano-semente para a década de 40 a 50, que é a quinta década. O HOMEM também é simbolizado como uma estrela de cinco pontas. A quinta seção da estrela é a cabeça — o órgão do criativo. Durante a quinta década, o homem encontra seu trabalho de destino. Na verdade, neste sentido, "a vida começa aos quarenta".
Após esta breve excursão ao domínio do simbolismo numérico ou cabalístico, retomemos agora à análise astrológica do ciclo de 28 anos. Este ciclo, então, é um dos "dias" de que Jesus falou quando disse: "Destrua este templo e eu o reconstruirei em três dias". Cada dia representa não um ciclo literal de rotação da Terra ao redor de seu eixo, mas um ciclo de rotação do self individual do ser humano ao redor de seu eixo espiritual, seu "eu sou" real, à luz da Estrela Polar espiritual — a mônada ou "Pai nos Céus" cuidando de cada ser humano.
Este ciclo de 28 anos pode ser traçado na carta de nascimento. Em outras palavras, a carta de nascimento não deve ser usada apenas como um padrão de espaço revelando o projeto do self completado, mas também como sequência de tempo das operações da construção, podendo esta ser descoberta partindo-se do Ascendente, o início da construção, e seguindo ao longo da circunferência da carta em sentido anti-horário. Quando se chega ao Ascendente novamente, está completado o primeiro ciclo de 28 anos, e inicia-se o segundo, que terminará aos 56 anos; segue-se o terceiro ciclo, com término aos 84 anos, que marcam a completação teórica e simbólica do templo interior do homem. Este é o fim do processo de individuação.
No entanto, pode ser que o templo nunca seja completado, e em quase todos os casos, hoje em dia, ele não é completado Mas, mesmo assim, realizada ou não, a curva de desdobramento está lá como potencialidade. Junto com os projetos, o Grande Arquiteto (o Deus que mora na Estrela Polar, de acordo com os chineses) dá aos seres humanos o cronograma de atividades. A estrutura de espaço deve ser completada em um certo tempo, e as operações de construção devem proceder numa ordem definida; primeiro esta parte do projeto, depois aquela, depois a próxima etc. O alicerce, o primeiro andar e o segundo andar, incluindo a grande cúpula cobrindo tudo. Portanto, três períodos: do nascimento físico aos 28 anos de idade; então, daquilo que deveria ser o nascimento psicomental (28) aos 56; finalmente deste terceiro nascimento potencial ou nascimento espiritual até o fim (84).
Isto por sua vez corresponde à antiga tradição de que a natureza humana é tripla: corpo, alma, espirito. Além disso, os três grandes ciclos de 28 anos formam a verdadeira base da antiga ideia de primeiro nascimento, segundo nascimento e terceiro nascimento. Mas o brahmanismo popular acelerou a ocasião do segundo nascimento por questões práticas facilmente compreensíveis. Durante os primeiros 28 anos, o homem aperfeiçoa (sempre teoricamente) seu corpo fisiopsicológico, ou melhor seu self racial. Ele realiza. sua linhagem e o passado de sua família e raça. Então ele emerge como um self individual recém-nascido. Tendo discriminado, selecionado, rejeitado e escolhido o alicerce para sua própria individualidade, dentre aquilo que o passado da humanidade lhe ofereceu, ele constrói sobre esse alicerce do passado (pois todo templo precisa ter um alicerce) a estrutura de seu self individual.
Por fim, se essa estrutura chega a ser completada, aos 56 anos ele atinge o ponto em que o Espírito universal nasce dentro dele — o terceiro nascimento ou nascimento espiritual. Isto é simbolizado pela construção da cúpula do templo — uma réplica da abóbada celeste, por si um símbolo do self Universal, ou Deus. Quando isto também é concluído, o homem passa para outras esferas, conscientemente e sem perder a identidade pessoal, se ele construiu para si um "veiculo de imortalidade". O primeiro ciclo potencialmente cuida da completação do corpo de terra; o segundo ciclo, do corpo de som; o terceiro, do corpo de luz. Do útero físico da mãe nasce um organismo de carne e ossos. No segundo nascimento soa um Tom, o Ishwara ou Logos, a Voz do Deus interno. No terceiro nascimento, a Luz se derrama sobre o self consagrado — como Wagner o simboliza na consagração do Graal, no último ato de Parsifal.
Cada ciclo representa uma revolução completa de todo o "padrão do estado de ser self', isto é, do eixo da carta natal. Esta revolução simbólica se dá no tempo de tal modo que a cada sete anos um braço da cruz alcança a posição que o seguinte ocupou originalmente. Em outras palavras, aos sete anos o Ascendente chega à posição que o Imum Coeli ocupava no nascimento, e este à posição do Descendente natal etc. Aos catorze o Ascendente chega à posição natal do Descendente; aos 21, ao Meio-do-Céu. Aos 28, ele atinge novamente sua posição natal, e começa um segundo ciclo do mesmo modo.
Teoricamente é toda a cruz axial que gira em 28 anos. Por razões práticas, a. revolução do Ascendente geralmente é a mais valiosa para estudo. Pois o Ascendente simboliza a própria essência do self, a atitude e o caminho do homem dirigidos a si mesmo. Ele representa aquele ponto de vista particular da vida, aquela qualidade particular de vida que o homem deverá representar como uma identidade individual. É o padrão de valores de um homem como um self individual Portanto é o próprio centro de toda a consciência. Quando ele é visto em revolução ao longo do ciclo de 28 anos, obtém-se um gráfico dos mais valiosos do desdobramento sequencial da atitude central ou original do homem ante a vida.
É possível conseguir da mesma maneira muita informação de valor quanto às transformações sucessivas dos três outros pontos básicos de consciência. A mudança na atitude do homem com relação aos outros, ao mundo exterior em geral, será demonstrada pela revolução do Descendente. Sua atitude fundamental de pensar e sentir pode ser deduzida do movimento simbólico do eixo vertical da carta natal. Indicações muito valiosas serão encontradas em cada um desses casos, desde que não se espere obter precisão exata em termos de ocorrências de eventos. Em toda esta discussão, não estamos lidando com o mapeamento de ocorrências externas de vida, mas sim com mutações nas operações internas do self individual, isto é, com mudanças de pontos de vista psicológicos e de atitudes internas diante da vida como um todo, subjetivas e objetivas. Estas podem estar ligadas a eventos externos, mas, mesmo nesse caso, o que importa é a direção das mudanças subjetivas mais que alguma data exata em que elas pudessem ser "fixadas" O tipo de abordagem conveniente para uma análise desses ciclos de desdobramento é puramente psicológico.
Uma análise desse tipo também serve para verificar e interpretar matematicamente as descobertas gerais da psicologia com relação ao desenvolvimento progressivo da psique humana e de suas funções ou modos de atividade. Ela também certifica a antiga ideia "oculta" da divisão da vida humana em ciclos de sete anos, cada um dos quais marcando o desdobramento de um aspecto particular do caráter e dos meios de autoexpressão do indivíduo. Os primeiros sete anos veem o desdobramento da capacidade de autoconsciência, ou intuição — como é entendida por C. G. Jung. A criança pequena vê tudo em termos da personalidade. É difícil para ela diferenciar objetivo e subjetivo, inanimado e animado, porque vive de modo tão completo num mundo subjetivo. Ainda não sucumbiu à "heresia da separatividade", que cria uma fenda entre sujeito e objeto (ou outros sujeitos), entre mim e você. Assim o místico, que procura atingir a unidade completa com o Todo, é compelido a tornar-se de novo "como uma criancinha" — um estágio que está relacionado teoricamente com o período após o terceiro nascimento, entre 56 e 63 anos. Estes primeiros sete anos também correspondem à infância da humanidade, quando o ser humano via em cada objeto uma entidade psíquica ou "espírito", quando a parede entre o invisível (subjetivo) e o visível (objetivo) era praticamente não-existente. Num sentido geral, essa fase representa o tipo de abordagem da vida, chamado animismo.
Dos sete aos catorze anos de idade, amadurecem os sentimentos. Precisamos tornar a repetir que "sentimentos" aqui querem dizer julgamentos diretos, feitos sobre experiências com base no desdobramento anterior da consciência do self. O self abstrato, intuitivamente apreendido, por volta dos sete anos se torna uma alma concreta, ou ego. Este ego possibilita à criança ter experiências fortemente subjetivas. É a idade da autoexpressão criativa, como dirá todo educador progressista (o período de quinta casa, por volta dos nove e dez anos de idade). Frequentemente o resultado disto é doença, a crise da puberdade, no mínimo (período de sexta casa).
Aos catorze anos começam os verdadeiros contatos com o mundo exterior. O mundo objetivo torna-se definidamente separado do subjetivo. Isto significa desenvolvimento sexual: enfrentar o outro sexo, o inimigo e o companheiro. Isto significa medo, não saber como "se encaixar", não se sentir seguro num mundo que nos confronta perigosamente e ao qual é preciso de algum modo — mas como? — se harmonizar. Aos vinte e um, a mente, que vinha amadurecendo fora do jogo (ou drama) do relacionamento objetivo, se consolida por meio da vida pública, da experiência externa com base na responsabilidade social. O homem se emancipa.
Então a mente precisa experimentar-se e encontrar seus próprios ideais, seus próprios amigos. Este é o estágio da décima primeira casa. No ponto médio deste ciclo de sete anos, isto é, aos 24 anos e meio (ao menos teoricamente), o homem enfrenta uma grande crise de discriminação entre vários tipos de ideais e companheiros. Ele precisa "fazer a cabeça" quanto ao que virá a ser. Em geral isto determina a natureza e o caráter do "segundo nascimento" aos vinte e oito anos, no entanto não sem antes passar por um período de reajustamento, talvez a custo de profundo sofrimento, o estágio da décima segunda casa (por volta dos 26 e 27 anos).
O que este segundo nascimento virá a ser depende dos resultados de todo o ciclo anterior de 28 anos. O novo ciclo trará, como o anterior, uma diferenciação e desenvolvimento progressivo das quatro faculdades básicas do self e suas subdivisões, mas agora no nível de um estado de ser verdadeiramente individual — se é que este nível pode ser alcançado, o que naturalmente depende do que aconteceu durante o primeiro ciclo (o do estado de ser racial). O estado de ser racial, individual, universal — três ciclos, uma certeza e duas potencialidades. Se o nível de estado de ser individual não é alcançado, ao menos como semente, aos vinte e oito anos, então o ser humano meramente se conforma ao padrão racial de consciência, e prossegue vivendo como um entre milhares incontáveis. Ele é uma das milhares de sementes que caem no chão mas não criam raízes.
Isto não significa que um jovem de vinte e oito anos se tomará um indivíduo real, mas que então ele inicia o estágio do verdadeiro desenvolvimento individual. Antes, ele realizou o passado (de sua raça, e de seu próprio self, se a reencarnação é aceita) Agora ele está construindo o presente. Após os cinquenta e seis, ele amadurecerá e se transformará nas sementes do futuro (de sua raça e de seu próprio self) ... se ele puder. A idade de trinta e cinco anos vê o Ascendente na posição do Imum Coeli Num nível superior, isto corresponde (quando o segundo nascimento é bem-sucedido) ao que aconteceu aos sete anos. Dos trinta e sete anos aos quarenta aproximadamente, volta o estágio de autoexpressão (estágio da quinta casa) neste nível psicomental. Nascem novas ideias, começam novos caminhos, o verdadeiro trabalho individual do Destino se esclarece. Ele se manifestará objetivamente por volta dos quarenta e dois anos, quando o homem volta a enfrentar o mundo exterior e seu trabalho. Este é, de novo, um ponto de mutação: um novo tipo de equilíbrio é exigido, que muitas vezes é difícil de conseguir. O psicanalista recruta a maioria de seus pacientes dentre os que estão neste período da vida, porque então é imperiosa uma reorientação mental e psicológica definida. E a "mudança de vida", a segunda puberdade — uma fase extremamente interessante, ao menos para o psicólogo!
Vêm então os 49 anos, que frequentemente são uma fase de grande atividade social. O homem se torna um poder na sociedade humana, com base em qualquer que seja a realização pessoal que ele possa produzir. O terceiro ciclo começa aos 56 anos. É o tempo de o homem encarar o Espírito — e talvez ser transfigurado pelo Espírito — ou por seu Trabalho. O homem se orienta em direção à morte ou à imortalidade. Morte se ele foi malsucedido. Imortalidade, se bem-sucedido. Em quê? Na construção de seu próprio veículo de imortalidade. O que significa uma ou mais de três coisas!
1) sucesso na constituição de uma família e ter-se tornado um "ancestral" que sua posteridade perpetuará física e fisiologicamente. Por exemplo: o descendente direto de Confúcio, por descendência masculina, vive hoje, um jovem — após cerca de oitenta gerações, se não estivermos enganados. Isto é imortalidade fisiopsicológica;
2) sucesso na constituição de um trabalho, que será lembrado geração após geração. Este é o caso de todos os grandes gênios em religião, arte, literatura, ciência, política;
3) sucesso na constituição de um "corpo espiritual" em que o self possa continuar a funcionar conscientemente após a morte. Isto é imortalidade espiritual.
Aos 63 anos, vemos a culminação combinada dos ciclos de sete e nove anos. Ao menos num certo sentido, espírito e matéria, ou individual e coletivo (sete e nove) podem então se harmonizar plenamente. Aos sete, trinta e cinco e sessenta e três anos o ego consciente é revolvido em suas profundezas por uma nova vida. Aos setenta, começa a "terceira puberdade", com a entrada no novo relacionamento — o que muitas vezes significa morte. E assim a tradição fala da vida humana como durando em geral "três vintenas mais dez". Isto significa que é aos setenta que começa o último estágio, quando o homem se relaciona a uma nova vida. Geralmente o corpo não consegue suportar o desgaste deste novo tipo de relacionamento, e isto significa morte. Mas se o organismo (fisiológico e psicológico) pode repolarizar-se de acordo com um novo ritmo de contatos de vida, então o mundo interior real pode abrir-se, e o homem aprende a familiarizar-se com o ritmo do "outro mundo", com entidades e energias do "além", seja o que for que se entenda exatamente por este termo. Ele se transforma no velho Sábio em quem o coletivo atua de um modo novo, trazendo para a Terra visões de um mundo de significado puro e sereno. Se isto acontece, ocorre ainda mais uma mudança de magnetismo aos 77 anos (7 vezes 11) — porque 11 é o número do Sol e da circulação da energia solar através do sistema solar. Então, aos oitenta e quatro, ocorre um "quarto nascimento", que leva o homem todo a um novo domínio de significado e destino: o que significa desintegração da personalidade ou imortalidade (relativa).
Este o ciclo do destino individual — como é arquetipicamente. Cada personalidade tece seus padrões particulares nesta trama, muitas vezes omitindo exteriormente as grandes linhas estruturais. Mas quanto mais significativo o destino, mais fiel ao ciclo essencial como foi delineado aqui; da mesma maneira, quanto mais significativo o indivíduo, mais fiel é à forma arquetípica do Homem numa certa era planetária. Este é o grande paradoxo. A personalidade supremamente individuada revela do modo mais perfeito em seus traços de caráter, consciência e destino, a forma do Homem genérico. O mais individual se torna o mais universal, exatamente por ser o mais individual. Isto é porque ele se toma uma manifestação absoluta do criativo. Ele se toma um "Herói solar" — um exemplar ou avatar, cujos feitos e cuja personalidade são universalmente significativos.
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Extraído do livro Astrologia da Personalidade, de Dane Rudhyar.sexta-feira, 8 de julho de 2016
Lilith na Casa 7
Viuvez, ausência imaginária ou real do outro. Você pode viver com o outro, como se houvesse, rejeitando-o como se ele tivesse morrido ou estivesse ausente.
Aqui Lilith indica a ausência do outro, seja pela perda de um cônjuge, ou a rejeição do casamento, ou por ter um cônjuge inacessível, ou o cônjuge irá rejeitar. Ele também pode ser se coloque distâncias com o outro, com os outros, com a sociedade e se torna um observador cáustico, humorístico, cínico.
Ele oscila entre fascinação e desprezo pelos outros.
Misantropia às vezes.
Não é muito bom para associações em geral, elas podem ser dissolvidas ou romper-se inesperadamente.
O Significado das Doze Casas, por Dane Rudhyar
Pode-se entender a origem do significado das casas de duas maneiras. Na primeira, a roda inteira é considerada uma estrutura estática operando toda de uma vez. Os dois eixos mencionados acima representam a estrutura de espaço, do espaço particular da entidade recém-nascida. Eles formam sua cruz de encarnação. Ele é Vida universal enquadrada em Espaço, e assim tomando forma como um ser particular. Dentro e por meio dessa estrutura, a. natureza humana coletiva opera de um modo particular que caracteriza o ser humano como um ser individual. Os dois eixos dividem a carta em quatro quadrantes, tradicionalmente chamados leste-norte, norte-oeste, oeste-sul, sul-leste. Estes elaboram respectivamente os significados do Ascendente, do Imum Coeli (nadir), Descendente e Meio-do-Céu; porque em astrologia cada divisão de espaço ou de tempo leva o significado de seu ponto de origem. Assim o quadrante leste-norte (três primeiras casas) leva o significado do ascendente, o quadrante sul-leste, o do Meio-do-Céu etc. Cada quadrante é dividido em três "casas" secundárias, pois cada operação da vida é basicamente tripla, incluindo ação, reação e o resultado de ambas (ou consciência ou desintegração ) — também, self, não-self, e a relação entre eles. A cruz do self particular do ser humano gera quatro modos básicos de ser, quatro operações fundamentais no processo de viver como um indivíduo. Estes podem ser descritos (usando a nomenclatura de C. G. Jung) como: intuição, sentimento, sensação, pensamento.
Mas o que se deveria fazer mais logicamente seria considerar as casas como o mostrador de um relógio, mera projeção no espaço de uma série de indicadores (ou numerais) registrando um movimento periódico que ocorre realmente no tempo. Neste caso, precisamos imaginar a linha do horizonte movendo-se em sentido anti-horário, como o ponteiro de um relógio. As cúspides da primeira e sétima casas representam a posição do horizonte como ele de fato é no momento da primeira respiração. A linha das cúspides da segunda e da oitava casas representa a posição do horizonte duas horas depois; a linha das cúspides da terceira e da nona casas, a posição do horizonte quatro horas depois. Cada casa representa um intervalo de duas horas. As cúspides das casas dão as posições sucessivas do Ascendente (a metade leste do horizonte) a cada duas horas, assim como se pode ver nos números de um relógio os pontos para os quais.,o ponteiro menor apontará sucessivamente num período de 12 horas. O "mostrador de casas" astrológico é um mostrador de 24 horas, com apenas um ponteiro.
Veremos o significado dessa concepção no presente trabalho quando chegarmos ao estudo do ciclo de 28 anos, do desdobramento do self individual. Por enquanto, será mais simples considerar as casas uma segmentação do espaço ao redor do recém-nascido em doze seções de trinta graus, geradas por dois eixos fundamentais, horizonte e meridiano. Neste caso a ênfase precisa ser colocada nesses dois eixos. As cúspides das casas intermediárias podem ser calculadas de diversas maneiras, mas com horizonte e meridiano temos dois fatores básicos do ser individual, dos quais derivam todos os outros elementos secundários. Os dois eixos representam então o que pode ser chamado quadratura do espaço — a cruz da existência individual.
O horizonte é a linha de percepção. Isto de acordo com a mais óbvia lógica de significado simbólico, pois ela diferencia os dois tipos mais fundamentais de consciência. Acima do horizonte está tudo que pode ser percebido pelos sentidos, abaixo do. horizonte fica o domínio desta consciência interior que Jung corretamente chama intuição. Intuição é a faculdade de consciência através da qual percebemos fatos internos. Sensação é consciência do não-self, consciência de outros. Como o Ascendente é o ponto-semente do hemisfério inferior, assume necessariamente o significado de consciência do self pura; o Descendente, sendo o ponto-semente do hemisfério superior, é o símbolo da consciência de outros. Assim, intuição e sensação são vistas como dois fatores complementares, relacionados respectivamente com o leste e o oeste.
Um homem toma consciência de sua própria existência como um "eu" através de um processo interno que é intuição, enquanto sensação é o resultado de uma consciência de causas externas atribuídas a impressões dos sentidos. Uma verdadeira sensação não é uma mera impressão, mas o resultado da combinação de uma impressão dos sentidos e de nosso sentido particular de self Uma chapa fotográfica recebe impressões similares àquelas recebidas por nossa retina, mas as sensações visuais que correspondem a essas impressões contêm, além daquelas, nossa própria capacidade particular de reagir a estímulos. Portanto todas as sensações envolvem uma relação entre objeto e sujeito. Daí a sensação ser corretamente associada ao descendente, que, conforme a tradição, rege assuntos de relacionamentos, sociedades, casamento etc.
Através da intuição tomamos consciência daquilo que somos essencialmente. Com base nessa consciência — "eu sou isto e aquilo" — começamos a fazer julgamentos imediatos sobre aquelas mudanças que experimentamos em nossa psique. Sentimo-nos contra ou a favor dessas mudanças — espontaneamente, instintivamente. Surge assim um novo modo de operação: sentimento. De forma semelhante surge um novo processo a partir das sensações e suas correlações: pensamento. Pensamento é o resultado de sensação, tal como sentimento é resultado de intuição. O que era abstrato como consciência intuitiva se torna concreto como sentimento. O que era vago, fugidio, impermanente como sensação, torna-se estável e relativamente permanente como pensamento. Mais que isto, o que era mero assunto de consciência se torna uma experiência real, tendo forma e propósito — portanto significado. Sentimento envolve experiência, e experiência se manifesta ou como sentimento (se sua base é subjetiva) ou como pensamento (se sua base é objetiva). Experimentar não é meramente receber uma impressão ou ter consciência de algo. E sair de fora de si para ir dentro da coisa (ou do self) e estabelecer o seu significado, através do sentimento ou do pensamento.
Assim apreendemos o significado do eixo vertical, que diz respeito à experiência concreta. A consciência horizontal se evidencia nos pontos verticais como experiência concreta. O receptivo se torna ativo, o horizonte se torna meridiano. O eixo horizontal referindo-se à consciência é, para usar o termo de Jung, o eixo irracional, enquanto o eixo vertical se relaciona com operações racionais do self. Consciência, seja de si ou dos outros, não envolve nenhuma racionalização. E um fato direto da vida. Uma impressão não é racional por si. Ela somente é. Então começamos a racionalizá-la. Se ela for uma experiência interna, emitimos sobre ela um julgamento imediato, primeiramente através de sentimento. O sentimento não é racional da mesma maneira que o pensamento o é, mas ambos têm um valor como julgamentos, com base nos quais agimos subsequentemente como portadores de significados. Assim podemos chamá-los de racionais por causa da operação particular de consciência que eles implicam.
Entretanto, precisamos ressaltar que esses termos são usados de acordo com seu sentido estritamente psicológico, e não como são usados comumente na linguagem cotidiana.
Se então desejamos interpretar psicologicamente uma carta natal em que encontramos Escorpião no ascendente, Touro no descendente, Leão no Meio-do-Céu e Aquário no Imum Coeli, devemos começar a delinear nossas conclusões da seguinte maneira: a intuição opera numa base escorpiana. O nativo vai "se encontrar" naturalmente usando métodos que se harmonizem com as características de Escorpião. Estas características de Escorpião vão fornecer-lhe o melhor, por ser o mais natural, caminho em direção à consciência daquilo que ele realmente é. Através de sexo, através do uso e con- trole de energias vitais, através de uma liberação constante de energia, ele atingirá plena consciência de si. O mesmo tipo de raciocínio se aplicaria aos quatro ângulos.
O objetivo da Astrologia Harmônica é levar homens à realização plena de toda sua natureza e todo o seu ser; plenitude, correlação, integração — e portanto sublimação. O que é necessário então é tornar a pessoa, cuja carta está sendo analisada, capaz de fazer aquelas coisas que teria feito em pura espontaneidade se seu instinto não tivesse sido frustrado pela família e pela sociedade. O signo (e grau) do zodíaco nos quatro ângulos indica, portanto, o caminho natural para a realização da atividade simbolizada, o melhor modo de funcionar intuitivamente ou através de sentimentos ou pensamentos, conforme o caso. Representa aquilo que realmente é — mas em muitos casos aquilo que foi obliterado pelo viver social e intelectual; indica, portanto, como chegar, sob as características superficiais e adquiridas, às qualidades básicas que realmente são as nossas próprias.
Os signos do zodíaco nos fornecem um conjunto de doze substâncias vitais características, ou qualidades de ser, ou atitudes ante a vida, como queiramos considerá-las. Onde elas aparecem na estrutura do self de uma pessoa em particular, mostram as qualidades que devem ser atribuídas congenitamente às várias faculdades e modos de atividade da pessoa. Para usar o termo oriental, elas indicam o dharma dessa pessoa. O dharma do fogo é queimar, do tigre, ser feroz, de um homem nascido com natureza artística, criar etc. Ler os ângulos de uma carta portanto significa ler o dharma total do nativo.
Isto será suplementado por uma interpretação dos signos nas cúspides das outras casas. As casas "sucedentes" (segunda, quinta, oitava e declina primeira) significa a reação à ação expressa nas casas "angulares" (primeira, quarta, sétima e décima). Isto pode referir-se a uma reação positiva ou negativa. Se a reação é positiva, o que está significado na casa "angular" se torna consolidado e focalizado por meio de limitações e contrastes. Se a primeira casa significa consciência de self, essa consciência se consolida pelas limitações impostas sobre ela pela herança do passado (fisiológica e psíquica), ou, num estágio posterior, por posses de todo tipo. Mas se a reação é negativa, então essa herança ou essas posses entorpecem a consciência de si mesmo, pesam sobre a intuição do eu "espiritual" com toda a inércia do materialismo.
Do mesmo modo, a quinta casa pode ou consolidar as experiências e sentimentos representados pela quarta casa, como por exemplo o lar (quarta casa), ou, então, seus conteúdos podem significar a perda dos assuntos da quarta casa, como o prazer e a especulação podem levar à perda do lar. Prazer em demasia e auto-afirmação tola entorpecem os sentimentos, mas o ensino e a expressão artística intensificam e focalizam esses sentimentos forçando-os a enfrentar os materiais envolvidos (crianças ou material estético — quinta casa), e dar-lhes forma. A mesma linha de pensamento se aplica à interpretação da oitava casa (consolidação ou perda do poder de relacionamento) e a décima primeira casa (consolidação ou perda de vida profissional e pública; amigos ou esperanças quiméricas, que tiram a pessoa da realidade).
Com as casas "cadentes", encaramos ou o resultado da perda implícita nas casas sucedentes ou a elaboração e expressão do modo psicológico de funcionamento (angular) depois de focalizado (sucedente). Assim a terceira casa simboliza assuntos que lidam com os resultados de uma herança psicofisiológica integrada. A substância de nosso corpo se toma de fato nossa através do sistema nervoso relacionando o self abstrato às células herdadas racialmente. Essas influências atávicas da segunda casa se manifestam na terceira como irmãos e irmãs, ou melhor, como nosso modo de relacionarmo-nos com eles. Todos os tipos possíveis de associações íntimas (em nosso próprio corpo, ou nosso círculo familiar, ou a área alcançada em viagens curtas) estão caracterizadas aqui. Por outro lado, se a segunda casa significou a perda do self na própria natureza atávica (ou em posses adquiridas, nos ciclos posteriores de vida), então a terceira significa neuroses, ciúmes familiares, inveja e talvez insanidade.
Na sexta casa, colhemos de outros como serviço as consequências de uma quinta casa construtiva, ou então a doença e a obrigação de servir a outros são a consequência de nosso desperdício e autoindulgência em assuntos de autoexpressão, educação do lar etc. Na nona casa, a perda de sensações ou do poder de relacionamento (morte, falência etc.) nos forçam a fazer uma "longa viagem" além das fronteiras .., de nosso país ou deste plano de existência. Mas se a casa de relacionamentos e casamentos provou ser positiva, o novo poder que adquirimos com a consolidação das oportunidades surgidas a partir dos contatos humanos nos permite estender nossas atividades, seja através de viagens físicas ou da expansão mental da consciência. No descendente encontramos o índice de nosso poder de sensação. Sensações focalizadas e consolidadas por meio do poder que flui para cima através da espinha (Escorpião-Kundalini) se transformam, afinal, em pensamentos abstratos e sintonia religiosa com ideias universais (Sagitário — nona casa).
A décima segunda casa significa negativamente o desaparecimento de nossos ideais sociais e de nossas esperanças — autoquestionamento quanto ao significado da vida. A prisão de nossos sonhos e ilusões nos confina até que emergimos com uma nova visão, ou somos forçados a voltar não iluminados a um novo ciclo de prisão. Ou então significa o capítulo foral de um período bem vivido e a transição para um novo nascimento num nível superior de consciência de si cujas bases terão sido nosso trabalho altruísta para a sociedade e nossos amigos, trabalho inspirado em ideais nobres e magnânimos.
Para dar ao que foi dito acima um aspecto mais esquemático, o diagrama que se segue pode ser útil para o estudante, estabelecendo um paralelo entre os significados tradicional e o psicológico-filosófico das casas.
Um quadro dos significados das casas como este, no entanto, não exaure as possibilidades de significado. Na verdade, essas possibilidades são infinitas, tal como as possibilidades de aplicação de qualquer fórmula algébrica são praticamente infinitas. Todo aquele que de fato entender o significado de pôr num quadro as doze operações básicas do self perceberá rapidamente que novos conjuntos de significados surgirão a cada vez que considerar um nível novo de expressão do self. A roda de casas é uma fórmula universal . Onde quer que se apliquem as oposições polares de self e não-self, consciência e experiência, abstrato e concreto — a roda de casas pode ser usada com muita eficácia para fornecer um padrão de ordem à evidente confusão de fenômenos, sejam quais forem. Onde quer que um conjunto qualquer de elementos substanciais possa ser considerado uma entidade orgânica, como um circuito relativamente fechado de energias vitais, a roda de casas e sua diferenciação em quatro e em doze pontos de vista se aplicam. Isto é assim porque o fato de as energias vitais se moverem num circuito fechado (ação metabólica) torna a coletividade de células vitalizadas por essas energias um organismo. Até certo ponto, todo organismo é uma entidade individual. À medida que é uma entidade individual surgirá nele um certo tipo de consciência (de self e de outros selves) e um certo tipo de experiência concreta (subjetiva — como sentimento ou instinto; objetiva — como conjuntos adquiridos de sensações, ou pensamentos).
É verdade que em todos os reinos inferiores ao homem há pouca consciência de self, se é que há alguma,' e muito pouco sentido de um ego particular formado como uma base para autoexpressão individual. Em outras palavras, o domínio subjetivo, abaixo do horizonte, da consciência de si não está desenvolvido na entidade individual separada. Mas podemos estar dispostos a dizer que tal domínio está desenvolvido na espécie vegetal ou animal como um todo — constituindo aquilo que Bergson chama "Gênio da Espécie".
Apenas no homem, até onde sabemos, cada espécime da espécie humana é, ao menos potencialmente, um indivíduo completo. O "caráter da espécie", isto é, a realidade arquetípica do HOMEM (que o hindu chama de "Manu"), pode tornar-se o centro da personalidade quando esta se encontra devidamente "individuada". Quando isso acontece, ela se torna o Cristo vivo, o Deus interno. Em outras palavras, o homem deixa de ser uma criatura da superfície da Terra — um animal. Começa a viver tanto acima quanto abaixo do horizonte, objetiva e subjetivamente. Seu próprio centro se identifica com o centro da Terra. Ele assim se transforma num ser planetário — um microcosmo.
O hemisfério inferior da carta de nascimento, portanto, se refere à formação e expressão potencial do Deus interno. Ali, no ponto nadir (o "Sol da meia-noite" da maçonaria), o ego consciente do homem nasce na manjedoura dos "sentimentos". Então, depois de ter sido regenerado pelas provas existentes em todas as relações humanas e na vida social, este ego finalmente se torna mais e mais abrangente. O centro do ser coletivo, que é simbolizado pelo zênite e pelo ponto do meio-dia, é assimilado pelo ego individual! Isto por sua vez fornece alimento para uma consciência mais profunda de self e dos outros. Por fim, os quatro "ângulos" da carta se integram no centro da carta — ou, num outro sentido, numa terceira dimensão, como o ápice de uma pirâmide construída sobre estes quatro "ângulos". O ponto de integração — ou individuação — é o que Jung chama de self (Si).
Na simbologia rosa-cruz, o self é a Rosa que floresce no centro da cruz. Também é o fogo que surge do centro do redemoinho da suástica. Ele é o ápice da pirâmide egípcia — que era uma câmara de iniciação.
quinta-feira, 7 de julho de 2016
Lilith na Casa 6
Aqui falamos de insegurança, preocupação na vida diária, pequenas obsessões e manias, mas também para nos dar organização e eficácia.
Você pode rejeitar a escravidão cotidiana, como a tentativa de escapar daquilo que é considerado de pouco valor.
Às vezes, dificuldades inseridas no ambiente profissional.
Não aceita autoridade-superioridade dos chefes hierárquicos e se sente mal integrado.
Em relação à saúde indica operação, cirurgia, mutilação, pequenos acidentes, como cortes, feridas que são sacrifícios mutilatórios, mas porém há algo mais sombrio: é um queimaduras de expiação.
Depressão, suicídio, ou pode ser que se viva dramaticamente os problemas de saúde de um membro da família ou alguém próximo.
Doenças psicossomáticas.
É melhor formar-se em cirurgião, psiquiatra, etc ...
Elementos Básicos em "Astrologia Harmônica", por Dane Rudhyar
Após termos discutido o fundamento "lógico" do simbolismo astrológico e isolado as três grandes concepções da interpretação astrológica, os três tipos básicos de astrologia, devemos agora estudar este simbolismo astrológico em relação à "astrologia do indivíduo". Mais particularmente, devemos mostrar como os elementos da astrologia universalmente aceitos — tais como casas, signos zodiacais e planetas — devem ser interpretados num tipo de astrologia que salienta valores psicológicos. Muitas vezes chamamos este tipo de astrologia de Astrologia Harmônica, porque fornece uma base para a harmonização e integração da psique humana. Ela considera a carta de nascimento o acorde vital do ser individual e do destino que simboliza, também, poderíamos dizer, como o verdadeiro nome desse ser individual. Ela percebe que os seres humanos, em sua maioria, estão vivendo apenas em partes de si mesmos, vivendo vidas fragmentárias, incompletas e tristemente vazias. A totalidade do que essencialmente são, como indivíduos completos, está ali — potencial, arquetípica, mas expressa ou manifestada apenas em pedaços. Essa totalidade é o verdadeiro Acorde de seu self individual, mas apenas algumas poucas notas do acorde soam às vezes; algumas jamais chegam a vibrar, e não há intensidade ou plenitude em seu desempenho de vida total.
Auxiliar o homem a realizar a totalidade de seu ser e representar o papel total de seu destino — este é o propósito da astrologia harmônica. A carta natal é a chave para a totalidade de um indivíduo e de sua manifestação exterior — seu destino. É a partitura da sinfonia que um homem vivo é. O padrão arquetípico, a fórmula simbólica, a assinatura do ser total. É o projeto do edifício, que é seu self individual perfeito — e contém também o cronograma, de acordo com o qual as várias fases da operação de construção se processarão numa sequência ordenada — o que chamamos destino do homem.
A astrologia não é o simples estudo de um sistema de simbolismo interessante, nem é essencialmente uma predição de futuro para satisfazer a curiosidade pessoal. É um estudo prático com um propósito muito bem definido — mesmo que normalmente não entendido. Um propósito vital. Ela é, ao menos potencialmente, o fundamento de uma nova técnica de viver, de um novo princípio de conduta (ou, poderíamos dizer, uma nova yoga) — já mais ou menos implícita na técnica de psicologia analítica (a técnica de Jung) e mencionada num capítulo anterior, em que estudamos o dualismo de ideais caracterizado pelos termos ético e estético.
Quando então tomamos uma atitude como essa em relação à astrologia, precisamos nos restringir em grande parte ao domínio dos valores psicológicos. É verdade que não podemos de fato separar a psique do corpo. A .fisiologia e a psicologia estão intimamente correlacionadas. Os antigos conheciam este fato, mas elaboraram a correlação em termos de corpos sutis (na maioria, vital e astral). A ciência moderna está tendendo a aceitar a ideia de "campo magnético" e "emanações elétricas", que — quando totalmente elaborada — provavelmente ocupará exatamente a mesma função — uma função de correlação — como aquilo que deu valor aos conceitos arcaicos ou "ocultos".
Agora, no entanto, e considerando a dificuldade prática na aplicação da astrologia à fisiologia e à medicina, parece mais prudente ressaltar a interpretação astrológica no nível psicológico, indicando meramente a possibilidade de correlações físico-orgânicas quando estas parecerem particularmente óbvias e de influência importante no desenvolvimento psicológico.
Portanto, consideramos o ser humano por meio de sua carta de nascimento em grande parte como uma entidade psicológica. Ele é um ser específico, único. Não há outro ser exatamente igual a ele. Mas também percebemos que este ser único é um composto de elementos encontrados não apenas nele, mas numa multidão de .outros seres — especialmente aqueles que constituem coletivamente seu meio ambiente de espaço-tempo — isto é, suas cercanias e seus ancestrais. Este ser único é um acorde particular, ou combinação, de elementos coletivos. Portanto o que é individual é o padrão estrutural no qual os elementos coletivos estão mais ou menos bem organizados. É a forma do self. A substância, por outro lado, é de natureza coletiva. O corpo humano é feito de moléculas que são partes do imenso depósito dessa Terra. Do mesmo modo, a psique humana pode ser vista como composta de elementos psíquicos — poderíamos chamá-los psícons? — partes do vasto depósito formado pelo inconsciente coletivo da humanidade como um todo ou de grupos definidos dentro da humanidade (raças, tribos, nações, famílias, igrejas etc).
Vimos no último capítulo que as casas da carta natal, e todos os elementos originários da rotação axial da Terra se referem ao fator individual no homem — à estrutura de seu self individual. Por outro lado os signos do zodíaco e todos os elementos originados da revolução orbital da Terra se referem ao fator coletivo, à substância de seu ser. Devemos acrescentar agora que os planetas se referem às energias que são geradas pela relação constantemente mutante entre os fatores coletivos e individuais.
O zodíaco é o domínio do Sol e de seus planetas. É o símbolo geral de relacionamentos vitais, que podem ser expressados como gravitação. Gravitação é o símbolo de relacionamento, de atrações e repulsões entre membros de um grupo. É um fator que simbolicamente pertence à categoria "equatorial". Pois, como já vimos, os termos equatorial, orbital, solar referem-se ao mesmo fator básico: o coletivo. Assim o zodíaco é verdadeiramente a base e uma expressão dos vários movimentos orbitais dos planetas. E um modo conveniente de padronizar e registrar os inter-relacionamentos complexos entre planetas e Sol e planetas e planetas.
Assim, em termos de suas posições zodiacais, planetas são pontos focais de energias coletivas. Por outro lado, em termos de suas posições nas casas (isto é, com referência ao horizonte e ao meridiano), representam centros de atividades na estrutura individual de todo o ser (e seu destino). Assim, como podem ser interpretados com relação a dois grupos básicos de referência (signos e casas), eles representam os centros de forças e de atividade cujo caráter, intensidade e modo de operação são determinados pelo equilíbrio constantemente mutante entre individual e coletivo, isto é, a personalidade.
Por exemplo, Júpiter em Aries refere-se a um certo tipo de energização e ativação do tipo de substancia orgânica e função orgânica representadas pelo signo zodiacal Aries. Júpiter na sétima casa refere-se ao fato de que tudo aquilo que na consciência e no destino do indivíduo é simbolizado pela sétima casa será afetado por um tipo de atividade jupiteriana. Como a sétima casa se refere a relacionamentos e sensações, estas operarão de acordo com um ritmo jupiteriano expansivo, e o nativo terá associados e parceiros que irão expandir suas ideias e sua esfera de ação.
Aquilo que hoje chamamos personalidade é uma síntese de padrões de comportamento. É a soma total de todos os movimentos externos e emoções do ser humano: o ritmo total de suas atividades-vida — do modo como ele caminha e torce os lábios ao seu comportamento no campo de batalha ou num palco de concerto. E um complexo de atividades. Sem atividade não poderia haver "personalidade". E comportamento da personalidade obviamente é uma mistura de influências herdadas e ambientais operando dentro de uma estrutura abstrata do estado de ser self — o fator individual. De modo semelhante, os planetas são caracterizados, quanto à sua natureza, por suas posições zodiacais, e operam de modos específicos, de acordo com suas posições na estrutura das casas. A soma total dos planetas incluindo o Sol e a Lua — o padrão planetário, como o chamamos — representa portanto a personalidade como um todo.
O leitor provavelmente irá inferir do que foi dito acima que portanto o padrão planetário representa nosso terceiro termo básico: o criativo. Ele de fato o é, mas apenas potencialmente. Ele representa atividade, antes de mais nada. Mas atividade não precisa ter o significado de criatividade. Todo mundo é ativo, mas quantos são criativos? Criatividade é a atividade significativa de una personalidade relativamente individuada. O elemento significado existe para ser salientado, e, como veremos agora, este elemento será revelado pelos símbolos dos graus, que são energizados e trazidos à tona pela atividade dos planetas ali localizados. Entretanto o planeta não precisa, e muitas vezes não o faz, revelar o significado simbólico do grau, no caso de o tipo de atividade representado pelo planeta não ser criativo. A personalidade humana nem sequer alcançou o ponto de individuação relativa, e o indivíduo ainda não tem o poder de dar significado criativo à sua vida e ao seu destino.
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Extraído do livro Astrologia da Personalidade, de Dane Rudhyar.
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