sexta-feira, 9 de junho de 2017

Aspectos, Fundamentos, por Marcos Monteiro

Este é um assunto que normalmente é tratado junto com os planetas, o que causa algumas confusões. O fundamento dos aspectos (e da conjunção. Vamos ver o que são abaixo) está na relação entre os signos, que é o que vamos ver, ou rever, agora.

Os signos não se sucedem no zodíaco de forma aleatória. O frio e o calor se alternam a cada signo (ou seja, Áries é quente, Touro é frio, Gêmeos quente, Câncer, frio, etc.). A umidade e a secura se alternam a cada dois signos (Áries e Touro são secos, Gêmeos e Câncer são úmidos, Leão e Virgem secos, etc.).

Essa alternância em dois passos diferentes faz com que os elementos sempre se alternem na sequência fogo-terra-ar-água. Além disso, ela faz com que os signos do mesmo elemento estejam sempre em distâncias de 120º entre si, ou seja, os elementos estão dispostos em triângulos equiláteros. É por isso que os signos de um mesmo elemento são chamados de triplicidades: Áries, Leão, Sagitário são a triplicidade do fogo, Touro, Virgem e Capricórnio a triplicidade da terra, Gêmeos, Libra e Aquário, a triplicidade do ar, e Câncer, Escorpião e Peixes, a triplicidade da água.

Ou seja, para qualquer signo, os outros signos que têm mais afinidade elementar com ele são sempre os quintos signos, nas duas direções, a partir dele. Ele partilha a mesma qualidade ativa (calor ou frio) com os terceiros signos nas duas direções a partir dele e com o signo que está oposto a ele no zodíaco.

Por exemplo, os signos com maior afinidade elementar com Áries (primeiro signo do Zodíaco) são Leão (o quinto signo) e Sagitário (o nono; na ordem inversa ao dos signos do Zodíaco, o quinto a partir de Áries, ou, o quinto na ordem correta a partir de Leão).

Ele é quente, assim como Gêmeos (o terceiro signo a partir dele), Aquário (o terceiro signo na ordem inversa) e Libra (signo oposto a ele); além, claro, de Leão e Sagitário, já mencionados.

Os signos adjacentes a ele, ao contrário, são frios (Peixes e Touro); os adjacentes ao signo oposto a ele, também (Virgem e Escorpião) são frios.

Esses signos não têm afinidade.
Se inserirmos os modos, as coisas ficam mais interessantes. As triplicidades são complementares.

Áries é cardinal, Leão é fixo e Sagitário mutável. A triplicidade do fogo esgota os três modos.

Isso também acontece com um signo e os terceiros signos a partir dele em qualquer direção, embora o elemento mude. Áries é cardinal, Aquário é fixo, Gêmeos é mutável.

Ainda há alguma complementaridade da qualidade ativa.

Os signos adjacentes não se complementam porque embora cada um seja de um modo (Áries cardinal, Touro fixo, Peixes mutável), não há uma qualidade que seja partilhada pelos três. A mesma coisa acontece se agrupamos o signo com os adjacentes ao signo oposto.

Com os signos opostos, no entanto, não há complementaridade. Eles têm a mesma qualidade ativa e o mesmo modo, sempre (Áries e Libra são quentes e cardinais. Touro e Escorpião, frios e fixos; Gêmeos e Sagitário, quentes e mutáveis, etc.).

Como cada modo aparece quatro vezes, ele une dois pares de signos opostos, com uma particularidade. Qualquer signo tem a qualidade ativa oposta ao dos signos em ângulos retos a ele.

Por exemplo, Áries e Libra (quentes) têm o mesmo modo que Câncer (frio) e Capricórnio (frio).

Os signos opostos, além disso, estão sempre em situações opostas no céu. Quando um surge no céu, o outro está se pondo. Quando um está no meio-céu, o outro está no fundo do céu. Se um está acima do horizonte, o outro está abaixo, e por aí vai.

Essas relações não são da mesma natureza.

Os signos do mesmo elemento parecem ter uma relação fácil e forte.

Os signos distantes entre si dois signos parecem ter uma relação também fácil, mas bem menos forte.

Os signos em ângulos retos parecem ter uma relação forte, mas difícil, são estranhos um ao outro.

Os signos em oposição parecem ter uma relação extremamente ruim, complicada, difícil.

Signos adjacentes ou signos e os signos adjacentes ao oposto parecem não ter relação nenhuma.

À relação entre signos do mesmo elemento, distantes entre si 120°, chamamos de trígono. Os signos estão em trígono e qualquer coisa dentro de um deles está em trígono com qualquer coisas em um dos outros (isso é verdadeiro para todas as relações que vou mencionar).

À relação entre os signos distantes 60° entre si chamamos de sextil.

Chamamos de quadratura a relação entre os signos em ângulo reto, distantes 90° entre si.

Chamamos de oposição a relação entre os signos opostos, distantes 180°.

Estas relações são chamadas de aspectos, que vem de “aspectare”, observar, em latim. Vamos ver isso mais tarde, mas os planetas, simbolicamente, emitem luz (não estamos falando da luz física): emitem a sua essência. Essa luz é filtrada, ou modificada, pela natureza dos signos em que estão. Então, os planetas só captam a luz um dos outros – só se observam – se estiverem nos signos corretos, que tenham essas relações, esses aspectos.

Vou voltar aos aspectos depois que virmos os planetas, mas isto tem que estar claro: aspectos são, antes de serem entre planetas, entre signos. Não há aspectos se os signos não tiverem alguma relação.

Desde o Renascimento, se fala de outros aspectos além desses, que usam outros ângulos. Quando temos em mente esta noção das qualidades dos signos, vemos que esses aspectos novos não são aspectos de verdade, mas divisões arbitrárias da eclíptica; são exercícios de geometria.

Uma coisa chamada conjunção é normalmente estudada junto com os aspectos, mas tecnicamente não é um deles. Vamos vê-la com mais detalhes no outro capítulo sobre o assunto.


Marcos Monteiro, Introdução à Astrologia Ocidental, Edição do Autor, 2013.