A característica fundamental desta astrologia: ela é cristã.
Ela tem raízes e influências pré-cristãs, gregas, árabes e outras, mas é orientada pela visão de mundo cristã, assim como a nossa civilização, como eu disse acima.
Isso não quer dizer que astrólogos e estudantes de astrologia tenham que ser cristãos, da mesma forma que é possível viver dentro da civilização ocidental e ser ateu, ou ser praticante de outra religião, ou de nenhuma, como muitas pessoas fazem.
No entanto, o substrato comum a partir do qual a visão de mundo individual é construída é o conjunto dos valores da civilização ocidental, que são, no fundo, cristãos. Num exemplo grosseiro, mesmo a feitiçaria ocidental pressupõe a civilização (e a religião) cristã.
Esse arcabouço cristão está presente nos nossos valores, na base de como organizamos as coisas, e também está presente no simbolismo.
É importante salientar que não é um problema de valores morais, mas de antropologia e de cosmologia: o ocidente tinha uma ideia cristã do ser humano e do mundo, e a astrologia fincou raízes entre nós a partir dessas idéias.
A astrologia não é praticada no vácuo. Ela pressupõe uma visão de mundo, uma Tradição. A astrologia ocidental tradicional é tão cristã quanto a sociedade ocidental tradicional (e a deturpação moderna de uma se reflete na deturpação moderna da outra). O simbolismo astrológico brilha com um sentido muito mais claro quando se entende isso, quando se percebe em que ele se sustenta.
Marcos Monteiro, in Introdução à Astrologia Ocidental, Edição do Autor, 2013, pp. 11.
sábado, 29 de abril de 2017
Interpretando Dignidades e Debilidades (2), por Clélia Romano
Ora, os autores Helenísticos consideram a queda uma debilidade mas já não valorizam o detrimento da mesma forma. Segundo sua visão, de acordo com Robert Schmidt, um planeta em detrimento não se enfraquece, mas exagera em suas qualidades. Planetas na casa oposta aquela que regem são considerados longe de casa.
Como alguns estrangeiros saudosos da pátria, exageram em seu sotaque para não perder a identidade. Muitas pessoas quando vivem longe de seu país são zelosas pela sua cultura e por aquilo que foi deixado para trás: alguns hábitos aos quais não davam valor quando estavam em seu próprio lar, passam a ser cultivados.
Tornar-se "mais monarquista que o rei" pode produzir um resultado perverso: se Saturno em Capricórnio é responsável, Saturno em Câncer é extremamente rígido. Se Vênus em Libra busca o amor, Vênus em Aries exagera em enfeites e pode tornar-se promíscua.
É possível que existam diferenças entre a debilidade de queda e o detrimento e que o detrimento traga um desvio mais de ordem quantitativo que qualitativo.
No entanto, tais conceitos necessitam maiores estudos. Enquanto isso, tratarei os dois casos como sendo uma debilidade e uma corrupção da qualidade do planeta, quer seja pelo exagero quer seja pela falta de oportunismo na ação.
É muito importante ter em mente o efeito da debilitação, por isso vamos dar mais um exemplo.
Saturno tem seu domicílio em Aquário. Se ele estiver nesse signo pressupõe-se que ele levará a efeito suas qualidades de aprendizagem, desde que Aquário é um signo aéreo e irá canalizar as profundezas da filosofia secreta.
Em Leão, porém, onde ele está em seu detrimento, Saturno não realiza esse efeito. Ele fica desejoso de brilhar e não consegue levar a efeito sua capacidade de análise e de aprendizagem solitária.
Tudo isso ficará muito mais claro diante de exemplos práticos, conforme veremos mais adiante.
Clélia Romano, in Fundamentos da Astrologia Tradicional, Edição do Autor, 2011, p. 51-2. http://www.astrologiahumana.com/
Como alguns estrangeiros saudosos da pátria, exageram em seu sotaque para não perder a identidade. Muitas pessoas quando vivem longe de seu país são zelosas pela sua cultura e por aquilo que foi deixado para trás: alguns hábitos aos quais não davam valor quando estavam em seu próprio lar, passam a ser cultivados.
Tornar-se "mais monarquista que o rei" pode produzir um resultado perverso: se Saturno em Capricórnio é responsável, Saturno em Câncer é extremamente rígido. Se Vênus em Libra busca o amor, Vênus em Aries exagera em enfeites e pode tornar-se promíscua.
É possível que existam diferenças entre a debilidade de queda e o detrimento e que o detrimento traga um desvio mais de ordem quantitativo que qualitativo.
No entanto, tais conceitos necessitam maiores estudos. Enquanto isso, tratarei os dois casos como sendo uma debilidade e uma corrupção da qualidade do planeta, quer seja pelo exagero quer seja pela falta de oportunismo na ação.
É muito importante ter em mente o efeito da debilitação, por isso vamos dar mais um exemplo.
Saturno tem seu domicílio em Aquário. Se ele estiver nesse signo pressupõe-se que ele levará a efeito suas qualidades de aprendizagem, desde que Aquário é um signo aéreo e irá canalizar as profundezas da filosofia secreta.
Em Leão, porém, onde ele está em seu detrimento, Saturno não realiza esse efeito. Ele fica desejoso de brilhar e não consegue levar a efeito sua capacidade de análise e de aprendizagem solitária.
Tudo isso ficará muito mais claro diante de exemplos práticos, conforme veremos mais adiante.
Clélia Romano, in Fundamentos da Astrologia Tradicional, Edição do Autor, 2011, p. 51-2. http://www.astrologiahumana.com/
Das doze casas do céu, e alguns nomes e termos de astrologias, por William Lilly
A esfera do céu é dividida pelo Meridiano e pelo Horizonte em quatro partes iguais, que são os quatro Quadrantes, e cada quadrante de novo em três partes, de acordo com outros círculos desenhados pelos pontos de secção dos mencionados Meridiano e Horizonte; de forma que o céu inteiro está dividido em doze partes iguais, a que os astrólogos chamam Casas ou Mansões, considerando o seu início a partir do Leste.
O primeiro quadrante é descrito do Leste para o meio-do-céu, ou da linha da primeira casa à linha da décima casa, e contém as casas doze, onze e dei e é chamado o quadrante oriental, vernal, masculino, sanguíneo e infante.
O segundo quadrante é da cúspide do meio-do-céu à cúspide da sétima casa, contendo as casas nove, oito e sete, e é chamado o quadrante meridiano, estival, feminino, juvenil e colérico.
O terceiro quadrante é da cúspide da casa sete à cúspide da casa quatro, contém a sexta, quinta e quarta casas, e é chamado ocidental, outonal, masculino, melancólico, adulto, frio e seco.
O quarto quadrante é da cúspide da quarta à cúspide da primeira casa, contém a terceira, segunda e primeira casas e é setentrional, feminino, da velhice, da natureza do inverno, fleumático.
A primeira, décima, sétima e quarta casas são chamadas angulares, as casas onze, dois, oito e cinco são chamadas sucedentes, a três, doze, nove e seis são cadentes; as angulares são as mais fortes, as sucedentes são as seguintes em virtude, as cadentes são pobres e pouco eficazes; as casas sucedentes seguem as angulares, as cadentes vêem a seguir às sucedentes; quanto à força e à virtude apresentam-se por esta ordem:
1 10 7 4 11 5 9 3 2 8 6 12
O significado disto é o seguinte, que havendo dois planetas igualmente dignificados, um no ascendente e o outro da décima casa, julgar-se-á que o planeta no ascendente terá mais poder para efetivar aquilo de que é significador do que aquele que está na décima; fazer da mesma maneira com o resto conforme a ordem em que se apresentam, lembrando que os planetas nos ângulos mostram mais fortemente os seus efeitos.
Quando mencionamos o regente do ascendente, ou significador do querente, ou coisa inquirida, queremos apenas dizer aquele planeta que é regente do signo que ascende, ou o regente do signo de cuja casa a coisa demandada é requerida; assim, se for da sétima casa, o regente do signo na cúspide descendente é o significador, e assim com o resto; mas sobre isto falarei nos julgamentos seguintes.
Co-significador é quando se encontra outro planeta em aspecto ou conjunção com aquele planeta que é o principal significador; o dito planeta terá maior ou menor significação, e ajudará ou não na efetivação da coisa desejada, e assim terá algo a ver com o julgamento, e deverá ser considerado; se for um planeta benéfico, denota o bem; se for uma infortuna, o contrário, viz. a destruição da coisa ou uma perturbação nela.
Almuten de qualquer casa é o planeta que tem mais dignidades no signo ascendente ou descendente sobre a cúspide de qualquer casa da qual se requer julgamento.
Almuten da figura é o planeta que em dignidades essenciais ou acidentais é o mais poderoso em todo o esquema do céu.
A Cabeça do Dragão é por vezes chamada: Anabibazon.
A Cauda do Dragão: Catabibazon.
A longitude de um planeta é a sua distância do começo de Áries, numerada de acordo com a sucessão dos signos, até ao lugar do planeta.
Latitude é a distância de um planeta da eclíptica, para Norte ou para Sul, em virtude da qual dizemos que um planeta tem latitude setentrional ou meridional conforme se afasta da eclíptica para Norte ou para Sul.
Só o Sol se move continuamente na eclíptica e nunca tem nenhuma latitude.
Declinação de um planeta é a sua distância do equador e, conforme ele declina dele para Norte ou Sul, assim a sua declinação é denominada Norte ou Sul.
William Lilly, in Astrologia Cristã, ebook, p. 47-9.
O primeiro quadrante é descrito do Leste para o meio-do-céu, ou da linha da primeira casa à linha da décima casa, e contém as casas doze, onze e dei e é chamado o quadrante oriental, vernal, masculino, sanguíneo e infante.
O segundo quadrante é da cúspide do meio-do-céu à cúspide da sétima casa, contendo as casas nove, oito e sete, e é chamado o quadrante meridiano, estival, feminino, juvenil e colérico.
O terceiro quadrante é da cúspide da casa sete à cúspide da casa quatro, contém a sexta, quinta e quarta casas, e é chamado ocidental, outonal, masculino, melancólico, adulto, frio e seco.
O quarto quadrante é da cúspide da quarta à cúspide da primeira casa, contém a terceira, segunda e primeira casas e é setentrional, feminino, da velhice, da natureza do inverno, fleumático.
A primeira, décima, sétima e quarta casas são chamadas angulares, as casas onze, dois, oito e cinco são chamadas sucedentes, a três, doze, nove e seis são cadentes; as angulares são as mais fortes, as sucedentes são as seguintes em virtude, as cadentes são pobres e pouco eficazes; as casas sucedentes seguem as angulares, as cadentes vêem a seguir às sucedentes; quanto à força e à virtude apresentam-se por esta ordem:
1 10 7 4 11 5 9 3 2 8 6 12
O significado disto é o seguinte, que havendo dois planetas igualmente dignificados, um no ascendente e o outro da décima casa, julgar-se-á que o planeta no ascendente terá mais poder para efetivar aquilo de que é significador do que aquele que está na décima; fazer da mesma maneira com o resto conforme a ordem em que se apresentam, lembrando que os planetas nos ângulos mostram mais fortemente os seus efeitos.
Quando mencionamos o regente do ascendente, ou significador do querente, ou coisa inquirida, queremos apenas dizer aquele planeta que é regente do signo que ascende, ou o regente do signo de cuja casa a coisa demandada é requerida; assim, se for da sétima casa, o regente do signo na cúspide descendente é o significador, e assim com o resto; mas sobre isto falarei nos julgamentos seguintes.
Co-significador é quando se encontra outro planeta em aspecto ou conjunção com aquele planeta que é o principal significador; o dito planeta terá maior ou menor significação, e ajudará ou não na efetivação da coisa desejada, e assim terá algo a ver com o julgamento, e deverá ser considerado; se for um planeta benéfico, denota o bem; se for uma infortuna, o contrário, viz. a destruição da coisa ou uma perturbação nela.
Almuten de qualquer casa é o planeta que tem mais dignidades no signo ascendente ou descendente sobre a cúspide de qualquer casa da qual se requer julgamento.
Almuten da figura é o planeta que em dignidades essenciais ou acidentais é o mais poderoso em todo o esquema do céu.
A Cabeça do Dragão é por vezes chamada: Anabibazon.
A Cauda do Dragão: Catabibazon.
A longitude de um planeta é a sua distância do começo de Áries, numerada de acordo com a sucessão dos signos, até ao lugar do planeta.
Latitude é a distância de um planeta da eclíptica, para Norte ou para Sul, em virtude da qual dizemos que um planeta tem latitude setentrional ou meridional conforme se afasta da eclíptica para Norte ou para Sul.
Só o Sol se move continuamente na eclíptica e nunca tem nenhuma latitude.
Declinação de um planeta é a sua distância do equador e, conforme ele declina dele para Norte ou Sul, assim a sua declinação é denominada Norte ou Sul.
William Lilly, in Astrologia Cristã, ebook, p. 47-9.
Sobre os Aspectos, por William Lilly
Quando dois planetas estão igualmente distantes um do outro sessenta graus, dizemos que eles estão em aspecto sextil.
Quando estão à distância de noventa graus um do outro, chamamos a esse aspecto um aspecto quartil.
Quando os planetas estão a cento e vinte graus de distância, dizemos que estão em aspecto trígono.
Quando dois planetas estão a cento e oitenta graus de distância, chamamos a esse aspecto uma oposição.
Quando dois planetas estão no mesmo grau e minuto de qualquer signo, dizemos que estão em conjunção.
Assim, se Saturno se encontrar no primeiro grau de Áries e a Lua ou qualquer outro planeta no primeiro grau de Gêmeos, dir-se-á que estão em aspecto sextil, pois estão à distância de sessenta graus um do outro, e este aspecto é sofrivelmente bom.
Se Saturno ou qualquer outro planeta estiver no primeiro grau de Áries e outro planeta estiver no primeiro grau de Câncer, deve-se dizer que estão em aspecto quartil, porque há noventa graus do zodíaco entre eles; este aspecto é de inimizade e não é bom.
Se Saturno estiver no primeiro grau de Áries e qualquer planeta estiver no primeiro grau de Leão, existindo assim a distância de cento e vinte graus, eles aspectam-se um ao outro com um trígono; e isto denota harmonia, concórdia e amizade.
Se se encontrar Saturno no primeiro grau de Áries, e qualquer planeta no primeiro grau de Libra, estando eles assim a cento e oitenta graus um do outro, diz-se que estão em oposição. É um mau aspecto; e deve-se ter o cuidado de saber quais são os signos que se opõem pois sem isso não se pode levantar uma figura.
Quando Saturno estiver no primeiro grau de Áries e qualquer planeta estiver no mesmo grau, diz-se então que estão em conjunção. E este aspecto é bom ou mau conforme a natureza da questão perguntada.
William Lilly, in Astrologia Cristã, ebook, p. 26-7.
Quando estão à distância de noventa graus um do outro, chamamos a esse aspecto um aspecto quartil.
Quando os planetas estão a cento e vinte graus de distância, dizemos que estão em aspecto trígono.
Quando dois planetas estão a cento e oitenta graus de distância, chamamos a esse aspecto uma oposição.
Quando dois planetas estão no mesmo grau e minuto de qualquer signo, dizemos que estão em conjunção.
Assim, se Saturno se encontrar no primeiro grau de Áries e a Lua ou qualquer outro planeta no primeiro grau de Gêmeos, dir-se-á que estão em aspecto sextil, pois estão à distância de sessenta graus um do outro, e este aspecto é sofrivelmente bom.
Se Saturno ou qualquer outro planeta estiver no primeiro grau de Áries e outro planeta estiver no primeiro grau de Câncer, deve-se dizer que estão em aspecto quartil, porque há noventa graus do zodíaco entre eles; este aspecto é de inimizade e não é bom.
Se Saturno estiver no primeiro grau de Áries e qualquer planeta estiver no primeiro grau de Leão, existindo assim a distância de cento e vinte graus, eles aspectam-se um ao outro com um trígono; e isto denota harmonia, concórdia e amizade.
Se se encontrar Saturno no primeiro grau de Áries, e qualquer planeta no primeiro grau de Libra, estando eles assim a cento e oitenta graus um do outro, diz-se que estão em oposição. É um mau aspecto; e deve-se ter o cuidado de saber quais são os signos que se opõem pois sem isso não se pode levantar uma figura.
Quando Saturno estiver no primeiro grau de Áries e qualquer planeta estiver no mesmo grau, diz-se então que estão em conjunção. E este aspecto é bom ou mau conforme a natureza da questão perguntada.
William Lilly, in Astrologia Cristã, ebook, p. 26-7.
Sobre os Signos, sua Longitude e os Aspectos, por William Lilly
Saiba-se que cada signo contém em longitude trinta graus, e cada grau sessenta minutos, etc. O começo é a partir de Áries e depois, por ordem, um signo atrás do outro, de forma que o zodíaco inteiro contém 360 graus; o segundo grau de Touro é o trigésimo segundo do zodíaco, o décimo de Touro é o quadragésimo, e assim por diante ao longo dos doze signos; contudo deve-se sempre contar os aspectos a partir do grau do zodíaco em que se encontra o planeta; assim, se Saturno estiver a dez graus de Gêmeos e eu quiser saber a que grau da eclíptica ele faz um sextil sinistro, calculando de Áries a dez de Gêmeos verifico que Saturno está no septuagésimo grau do zodíaco, de acordo com a sua longitude; se somar sessenta graus a setenta, perfazem cento e trinta, o que corresponde ao décimo grau do signo de Leão, ao qual Saturno lança o seu sextil, ou a qualquer planeta nesse grau.
William Lilly, in Astrologia Cristã, ebook, p. 26.
William Lilly, in Astrologia Cristã, ebook, p. 26.
sexta-feira, 28 de abril de 2017
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