sábado, 29 de abril de 2017

Das doze casas do céu, e alguns nomes e termos de astrologias, por William Lilly

A esfera do céu é dividida pelo Meridiano e pelo Horizonte em quatro partes iguais, que são os quatro Quadrantes, e cada quadrante de novo em três partes, de acordo com outros círculos desenhados pelos pontos de secção dos mencionados Meridiano e Horizonte; de forma que o céu inteiro está dividido em doze partes iguais, a que os astrólogos chamam Casas ou Mansões, considerando o seu início a partir do Leste.

O primeiro quadrante é descrito do Leste para o meio-do-céu, ou da linha da primeira casa à linha da décima casa, e contém as casas doze, onze e dei e é chamado o quadrante oriental, vernal, masculino, sanguíneo e infante.

O segundo quadrante é da cúspide do meio-do-céu à cúspide da sétima casa, contendo as casas nove, oito e sete, e é chamado o quadrante meridiano, estival, feminino, juvenil e colérico.

O terceiro quadrante é da cúspide da casa sete à cúspide da casa quatro, contém a sexta, quinta e quarta casas, e é chamado ocidental, outonal, masculino, melancólico, adulto, frio e seco.

O quarto quadrante é da cúspide da quarta à cúspide da primeira casa, contém a terceira, segunda e primeira casas e é setentrional, feminino, da velhice, da natureza do inverno, fleumático.

A primeira, décima, sétima e quarta casas são chamadas angulares, as casas onze, dois, oito e cinco são chamadas sucedentes, a três, doze, nove e seis são cadentes; as angulares são as mais fortes, as sucedentes são as seguintes em virtude, as cadentes são pobres e pouco eficazes; as casas sucedentes seguem as angulares, as cadentes vêem a seguir às sucedentes; quanto à força e à virtude apresentam-se por esta ordem:

1 10 7 4 11 5 9 3 2 8 6 12

O significado disto é o seguinte, que havendo dois planetas igualmente dignificados, um no ascendente e o outro da décima casa, julgar-se-á que o planeta no ascendente terá mais poder para efetivar aquilo de que é significador do que aquele que está na décima; fazer da mesma maneira com o resto conforme a ordem em que se apresentam, lembrando que os planetas nos ângulos mostram mais fortemente os seus efeitos.

Quando mencionamos o regente do ascendente, ou significador do querente, ou coisa inquirida, queremos apenas dizer aquele planeta que é regente do signo que ascende, ou o regente do signo de cuja casa a coisa demandada é requerida; assim, se for da sétima casa, o regente do signo na cúspide descendente é o significador, e assim com o resto; mas sobre isto falarei nos julgamentos seguintes.

Co-significador é quando se encontra outro planeta em aspecto ou conjunção com aquele planeta que é o principal significador; o dito planeta terá maior ou menor significação, e ajudará ou não na efetivação da coisa desejada, e assim terá algo a ver com o julgamento, e deverá ser considerado; se for um planeta benéfico, denota o bem; se for uma infortuna, o contrário, viz. a destruição da coisa ou uma perturbação nela.

Almuten de qualquer casa é o planeta que tem mais dignidades no signo ascendente ou descendente sobre a cúspide de qualquer casa da qual se requer julgamento.

Almuten da figura é o planeta que em dignidades essenciais ou acidentais é o mais poderoso em todo o esquema do céu.

A Cabeça do Dragão é por vezes chamada: Anabibazon.
A Cauda do Dragão: Catabibazon.

A longitude de um planeta é a sua distância do começo de Áries, numerada de acordo com a sucessão dos signos, até ao lugar do planeta.

Latitude é a distância de um planeta da eclíptica, para Norte ou para Sul, em virtude da qual dizemos que um planeta tem latitude setentrional ou meridional conforme se afasta da eclíptica para Norte ou para Sul.

Só o Sol se move continuamente na eclíptica e nunca tem nenhuma latitude.

Declinação de um planeta é a sua distância do equador e, conforme ele declina dele para Norte ou Sul, assim a sua declinação é denominada Norte ou Sul.


William Lilly, in Astrologia Cristã, ebook, p. 47-9.