Mostrando postagens com marcador Clélia Romano. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Clélia Romano. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

As Direções Primárias, por Clélia Romano

As Direções Primárias eram chamadas na antiguidade de "os grandes cálculos". Hoje em dia, após o programa Placidus de Ruman Kolev e outros que se seguiram como o Morinus de Martin Gansten, as Direções Primárias passaram a ser testadas pelos astrólogos atuais, mesmo aqueles que não tem talento ou habilidades matemáticas e espaciais, ou facilidade para lidar com cálculos, grupo no qual me incluo, apesar de as ter estudado desde 1986.

Minha primeira reação foi de desilusão, pois simplesmente as datas não conferiam, havendo mais de ano de diferença, ou então, o significado dos planetas não conferiam com os fatos.

Encontro muita precisão nas Firdárias, Profecções, Revoluções Solares e Trânsitos, quando corretamente usados. Quanto às direções calculadas, se apontarem no mesmo sentido que as técnicas anteriores, são um dado valioso e tornam o evento praticamente inevitável. Mas nem sempre isso ocorre e, o fator tempo é pouco preciso nessa técnica.

História

Desde o primeiro século antes de Cristo, Dorotheus de Sidon descreve as Direções Primárias em seu terceiro livro de poemas, o "Carmen Astrologicum". Ele dá exemplos detalhados do calculo e interpretação das Direções Primárias zodiacais ao Ascendente.

Um século mais tarde, no Livro II, Capítulos XIV-XV do Tetrabiblos, Ptolomeu descreve as direções zodiacais in mundo aos ângulos assim como as conjunções interplanetárias e os paralelos in mundo. Seu método de direção é praticamente igual ao que chamamos hoje em dia de método Placidiano.

Astrólogos que seguiram este método foram Alchabitius , Lucas Gauricus, Placidus, Alan Leo e outros. Regiomontanus (1436-1461) formulou as leis da trigonometria esférica e inventou uma divisão da casa e um sistema de direções primárias que levam seu nome. Seguiram-se uma série de astrólogos dirigindo de acordo com o sistema Regiomontanus. Entre eles : Argolus, Maginus (1555-1617), Manginus, Zobulus, Leovitius (1529-1574), Naibod (1527-1593), Morin de Villefranche (1587-1656), William Lilly (1602-1681) e Henry Coley.

Cardanus (1501-1576) foi outro astrólogo famoso e que dirigiu de uma maneira diferente, que se aproxima do método de Ptolomeu e Placidus.

Placidus de Titti (1603-1668), astrólogo italiano do século XVII permaneceu na história da astrologia como o primeiro astrólogo que sistematizou e explicou claramente quase todos os tipos de direções principais. Mesmo agora, seu brilhante tratado "Primum Mobile" continua a ser um clássico. Ele também foi o inventor do sistema de casa que leva seu nome.

Placidus redescobriu os métodos de divisão de casas de Ptolomeu e também seu método de direções primarias .

O que são Direções Primárias?

Se as Direções Secundárias são o resultado do movimento da Terra ao longo do ano: os astros se movem no Zodíaco, as Direções Primárias são o resultado do movimento da Terra em torno de si mesma: os astros se movem nas Casas.

Por alguns considerada a elite de todas as predições, nas Direções Primárias temos dois pontos para trabalhar: o promissor e o significador.

O Significador permanece fixo na esfera celeste, como o era no momento do nascimento. Ele pode ser um planeta, uma estrela, o horizonte, o meridiano ou um lugar geométrico como uma casa terrestre.

Mas, geralmente, utiliza-se como Promissor apenas o Ascendente, o Meio do Céu, o Sol, a Lua e a Fortuna.

O Promissor é o outro ponto, na maioria das vezes um planeta ou um ponto do Zodíaco, que se move diretamente ou contrariamente à rotação da esfera celeste. O primeiro caso é mais moderno e seguiria a direção dos signos, designado como direções conversas e o segundo caso, que segue o movimento de rotação da terra, é chamado de direções diretas.

O objetivo é trazer o Promissor para a mesma posição em relação ao horizonte e ao meridiano (isto e a mesma posição in Mundo) que tinha o Significador no momento do nascimento .

Dependendo da definição da posição in Mundo, que depende do sistema de casas empregado, podemos fazer isso através de diferentes algoritmos.

Até o momento, há três definições da posição in mundo: a placidiana, a regiomontana e a campânica (baseada em Campanus). Assim, podemos ter três tipos de direções principais. (Podemos adicionar o topocêntrica, também, mas não iremos nos especializar muito neste tópico).

As direções que são mais fáceis de explicar e imaginar são as direções in Mundo dos planetas aos ângulos (ASC, MC, DESC, IC).

Aqui, nós estamos olhando para a quantidade de tempo antes ou depois do momento do nascimento que um planeta (o Promissor ) sobe, culmina , se põe ou atinge a sua menor culminação, o Fundo do Céu. Imagine-se o leitor fora da terra olhando os dois pontos até chegarem a uma conjunção ou aspecto e terá uma ideia melhor do que é a Direção in mundo.

A base das direções primárias é a aparente rotação de 24 horas da abóboda celeste em volta da terra.

Nas direções primarias autênticas observamos a posição natal relativa ao ASC, isto é o horizonte, e ao meridiano, isto é o MC.

Então observamos quanto tempo é preciso para que este ponto, transportado com o movimento da esfera celeste, atinja uma nova posição. Esta segunda posição deve satisfazer certas condições dependendo do tipo de direção que estivermos calculando.

Em se falando de Direções Primárias a maior diferença é que podem ser calculadas in mundo ou zodiacalmente.

As direções in mundo são calculadas com o corpo dos planetas ou com seus aspectos vistos de fora da terra. Os aspectos in mundo são pontos no passo diurno do planeta que está a certo numero de casas distante de um objeto. Isto é calculado fora da eclíptica, como se fossemos um observador vendo o mundo de fora.

Já as direções zodiacais são calculadas com os aspectos zodiacais dos planetas, isto é levam em conta a eclíptica, que é o cinturão visível de determinada latitude.

As direções in mundo são mais fortes, segundo Roman Kolev.

Mas, em minha opinião pessoal, as direções zodiacais são fortes também e muito mais precisas na questão tempo. Esta era também a opinião de Placidus.

Se computarmos as direções in mundo de planetas ao horizonte e ao meridiano então temos que ver quantos minutos e segundos depois do nascimento os planetas vão aparecer no horizonte, culminar, se pôr e atingir o grau mais baixo de culminação.

Empregando Direções Primárias podemos esperar resultados espetaculares, mas tal não sucede sempre, mesmo que a hora de nascimento esteja correta.

Direções Diretas e Conversas

Se girarmos a esfera celeste em seu próprio movimento, na ordem oposta dos signos temos as direções diretas. Essas tem o verdadeiro espírito de Direções Primárias. Imaginar que a frente e trás são polos da mesma matéria, assim como passado e futuro fazem parte do presente, é um belo argumento filosófico, e no meu entender faz sentido, mas se pensamos que a terra gira na direção contrária à dos signos e que a Direções Primárias se basearam nisso, é um contra-senso usar as chamadas direções conversas.

Platão chamou o movimento de rotação da terra de "movimento do Mesmo", enquanto que o movimento de translação ele o chamou de "o movimento do Outro".

A maioria dos antigos astrólogos dirigiam somente de forma direta.

No entanto Manginus, Morin e H.Coley levantaram a questão de dirigir conversamente. No século XIX e XX muitos astrólogos começaram a considerar direções conversas.

As direções in mundo podem ser:

1- Planetas aos ângulos (ASC, MC, DESC, IC).

Aqui, dirigimos o corpo dos planetas ao horizonte ou ao meridiano. Estas são as mais poderosas direções.

2. Outros corpos celestes, como planetas e estrelas, aos ângulos (ASC, MC, DESC, IC).

Aqui, computamos quando o promissor vai ficar a certo numero de casas distante do significador formando um aspecto. Tecnicamente um planeta natal é o promissor e o aspecto mundano de outro planeta natal que permanece fixo é o significador.

Há certa confusão entre os termos promissor e significador, mas a ideia é que, se o leitor quer saber quanto tempo o anareta demora para atingir o afeta, isto é o significador da vida, a posição do ultimo não se move e o que é calculada é a trajetória do primeiro. Em termos longitudinais isso não faria diferença, mas em termos de direções primárias, pelo tipo de calculo trigonométrico usado pode haver boa diferença.

Planetas in mundo em cúspides de casas também podem ser dirigidos a aspectos com o MC e o Ascendente.

Pode-se também dirigir planetas para seus próprios aspectos in mundo, mantendo fixa sua posição original. Isto é, calcular o momento em que Saturno dirigido fará quadratura a Saturno natal.

Pode-se também dirigir planetas in mundo aos seus paralelos.

Já as direções zodiacais podem ser:

1. Planetas zodiacais dirigidos para os ângulos ( ASC,MC, DESC, IC).

Aqui dirigimos por projeção eclíptica os planetas ao horizonte e ao meridiano.

2. Podemos dirigir pontos zodiacais aos ângulos. (ASC, MC, DESC, IC).

Podemos dirigir pontos zodiacais ao paralelos dos ângulos (ASC, MC, DESC, IC).

Podemos também dirigir outros pontos zodiacais (estrelas, termos) aos ângulos (ASC, MC, DESC, IC).

E podemos realizar direções aspectuais zodiacais interplanetárias.

Em suma: As Direções Primárias são formadas pelos movimentos que os corpos celestes fazem em relação ao plano do horizonte e ao meridiano do lugar em consequência da rotação da terra em torno de seu eixo.

Estudam-se todos os deslocamentos possíveis em aproximadamente seis horas antes e depois do nascimento, supondo um indivíduo que viva noventa anos (devido ao fato de que em Direções Primárias quatro minutos de tempo, equivalem a 1 ano de vida).

O conceito é impressionante e funciona, mas não tem a importância que lhe foi atribuída como o mais perfeito método preditivo.

Como os outros métodos, deve ser usado sempre após cuidadosa delineação para que sejam dirigidos os significadores e promissores corretos.

Além disso, os resultados ganham em valor quando várias técnicas apontam para a mesma direção.

Mais tarde falaremos das direções ascensionais, mais antigas e , segundo minha experiência, mais precisas. Ptolomeu teria usado esse tipo de direção.



Capítulo 4
Clélia Romano, in Técnicas Astrológicas Preditivas, Edição do Autor, 2015.

O livro pode ser adquirido aqui: http://www.astrologiahumana.com/  


domingo, 30 de julho de 2017

Revolução Solar: Procedimentos básicos a serem observados para analisar o ano, por Clélia Romano

Eis uma lista de a ser verificada:

1 - Que casa surge no Ascendente da RS e onde esta casa está na natividade. Da mesma forma, observe onde o Ascendente natal aparece na RS, e onde estão os regentes dos dois Ascendentes na RS e na carta natal.

2 - Em que casa estão na RS os planetas que regem ângulos natais. E pode o leitor verificar também os ângulos da RS: em que casa caem na natividade?

3 - Note se há planetas em ângulos natais e neste caso onde aparecem na RS, isto é em que casa estão e que casa é esta na natividade.

4 -Que planetas são notáveis na RS e que casa natal afetam?

5 - Planetas natais e seus signos e regentes carregam para a RS o sentido que possuem na carta radical. O que muda é o tópico onde aquilo vai ocorrer. O tópico é fornecido pela casa onde o planeta aparece na RS.

6 - A importância de um planeta na RS ganha muito em intensidade se ele for angular, especialmente na se o for na carta natal.

7 - O Ascendente da RS deve ser analisado como um tópico a surgir. Se aparecer na RS o MC natal como Ascendente são os assuntos profissionais que surgirão. Se o regente do Ascendente desta RS estiver em boa casa e celestialmente dignificado melhor: ele realizará a contento os efeitos do MC natal, desde que isso seja previsto na carta natal, e tomará a forma, isto é, surgirá como um tópico a se realizar na casa onde estiver na RS.

8 - Os aspectos que um planeta natal faz ou recebe e onde eles surgem na RS devem ser levados em conta e delineados como tópicos do ano.

9 - Similaridade entre a carta natal e a RS levam as coisas a acontecer. Dissimilaridades as retardam.


Capítulo 3 (extrato). Há exemplos no livro.
Clélia Romano, in Técnicas Astrológicas Preditivas, Edição do Autor, 2015.

O livro pode ser adquirido aqui: http://www.astrologiahumana.com/

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Revolução Solar - Determinação Local, por Clélia Romano

O leitor deve ter observado na comparação entre a carta natal da Princesa Diana e a RS do ano de seu casamento, que sempre que encontrávamos um planeta, íamos à carta natal buscar referências sobre ele.

Vamos agora explicitar como funciona o que Morin de Villefranche chamou de determinação local e quais as regras básicas de interpretação da RS.

Qualquer planeta na RS carrega consigo sua determinação natal, isto é, seu sentido na carta natal, os aspectos que recebe de outros planetas e a quais se aplica na natividade.

Essa noção é facilmente esquecida. Tendemos a pensar que Júpiter é um benéfico e que se ele aparecer na Casa 1 da RS será um ano positivo para o nativo. No entanto, se ele estiver na Casa 6 da natividade ele é um maléfico acidental, isto é, ele é um benéfico universalmente falando, mas acidentalmente ele tem a ver com doenças e se, além disso, ainda estiver no Ascendente, promete problemas físicos para o corpo.

Portanto deve-se interpretar qualquer planeta na RS de acordo com seu significado natal.

É importante também usar o significado concreto do planeta. Júpiter é um planeta cujo significado universal é de riqueza, sabedoria, elevação social e mesmo liberdade, mas muitas vezes escutamos que Júpiter significa expansão, o que é um significado muito vago e nem sempre verdadeiro. Marte também, embora ele até possa muito longinquamente ter um sentido energético, na pratica se relaciona com desavenças e agressões.

Desta forma, Morin de Villefranche em seu livro 23, diz muito bem, à pagina 26:

"Como por exemplo se Marte estiver na oitava casa do radix, não só o seu local radical mas também o próprio planeta deverá ser sempre observado nas revoluções individuais como o anareta ou significador radical da morte; e esta sua determinação radical deve ser combinada nas revoluções com a nova determinação que lhe é atribuída na revolução, quer devido às casas da figura quer devido ao seu estado celeste"
E mais adiante: "Mas poderá ser perguntado, que nova determinação tem precedência e é mais eficaz nas revoluções - é o local radical de Marte ou é o próprio Marte na revolução, visto também com a sua significação ou com sua determinação radical...” "mas eu respondo: a determinação do local radical de Marte tem precedência e é mais eficaz; consequentemente deverá ser observado em primeiro lugar..."

Por exemplo:


Considere o circulo interno como a carta natal e o externo como a Revolução Solar.

Se Marte estiver em Aquário na Casa 8 ele estará configurado para a morte e a cada revolução em que ele se apresentar em locais vitais, ou no mesmo signo onde se encontra na carta natal, no caso de exemplo Aquário, ele trará, se não a morte do nativo, alguma vivência de ansiedade e perda. Como locais vitais o Ascendente é o mais importante , mas a Casa 6 e 12 também ameaçam a vida com doenças e martírios de várias espécies. No caso de exemplo, seria danoso se Marte se apresentasse conjunto à Lua, pois ela é a regente do Ascendente radical.

No exemplo acima há risco se o Ascendente da RS cair na Casa 8 natal, Se o Ascendente da RS cair na Casa 6 da carta natal, ou se o Ascendente da RS for Aquário e ainda se Marte aparecer no Ascendente da RS. Também os anos em que Aquário apareça na Casa 12 são complicados e aqueles nos quais a Lua, regente do Ascendente natal estiver em conjunção com Marte, seja em que casa for da RS.

Os ângulos natais e sua posição na RS assim como a posição de seus regentes são muito importantes e devem sempre ser considerados de acordo com sua posição na RS.

A RS não pode ultrapassar as promessas de uma configuração natal. Desta forma, se a carta radical apresenta dificuldades no aspecto profissional, por melhor que seja a RS apontando para melhorias profissionais ela não consegue superar, mas apenas amainar o que a carta natal aponta. Neste caso ela mitiga os problemas e traz uma melhoria ao ano, mas nada que efetivamente mude a promessa natal. Já uma exuberante carta natal, se sujeita a uma RS difícil não sujeitará o nativo ao extermínio das as promessas radicais: apenas o ano será mais medíocre que o costumeiro.



Capítulo 3-1
Clélia Romano, in Técnicas Astrológicas Preditivas, Edição do Autor, 2015.

O livro pode ser adquirido aqui: http://www.astrologiahumana.com/  




Técnicas Preditivas - Revolução Solar, por Clélia Romano

Visão Geral

A ideia que apresentarei neste livro parte da Revolução Solar e a compara à carta natal e a partir dela então são agregadas Profecções, Firdárias, Direções Primárias e Trânsitos. Percebi que somente desta forma as diversas técnicas afluem para um ponto comum.

Tenho feito uso desse tipo de método e ele tem se revelado de grande precisão. Antes de apresentá-lo, vamos aos introitos:

A Revolução Solar é o momento em que o Sol chega ao mesmo grau e minuto do Sol da carta natal. Para este momento é montada uma carta que nos guiará nas previsões do ano.

Parto do princípio que o leitor esteja familiarizado com o conteúdo tradicional e seja capaz de fazer uma delineação profunda, conforme ensinam os livros clássicos, em grande parte traduzidos para o inglês, ou então com o conteúdo de meus primeiros livros, especialmente o segundo, "Astrologia Tradicional Na Prática".

Se não forem capazes de fazer a delineação de cada tópico natal não poderão fazer uma previsão correta, visto que a previsão depende da delineação natal.

Não tentem pular etapas e não se apressem, sob o risco de errarem toscamente suas previsões.

O que se busca, ou se deve buscar, é a segurança que só o conhecimento e a prática oferecem. A carta está lá, não é preciso deixar-se levar pelo desejo de acertar, que é uma consequência da boa leitura, que por usa vez se baseia em todo cabedal de conhecimento e experiência do astrólogo. A ansiedade e a necessidade de demonstração de conhecimento ou poder atrapalham qualquer astrólogo, iniciante ou veterano. O bom astrólogo é humilde diante da grandiosidade da tarefa astrológica e sabe que pode errar: acertar é bom, mas não precisamos provar conhecimento.

Quantos autores tradicionais iniciaram suas obras provando a validade da astrologia! Não precisamos de provas: as provas ficam por conta dos positivistas, dos que creem que só a razão pode comprovar os fatos. Essas pessoas só se achegam a nós para destruir o que não percebem ainda, ou não ver perceber jamais.

Aos que nos procuram e que estão em busca de uma resposta e de orientação, espera-se, no entanto, que tenhamos nos dedicado com afinco ao estudo da Arte para estar à altura do que nos pedem.

Robert Zoller, meu professor dizia: "Leiam a carta, simplesmente." Passo a passo, unindo vogais e consoantes, como o fizemos quando aprendemos a ler, desta vez uniremos regentes, casas, signos e aspectos e diremos em voz alta o que lá está escrito.

Muitas vezes também ocorre do cliente não aceitar a delineação porque não é o que desejaria ouvir. A astrologia tradicional não incensa o ego de ninguém e só afirma algo depois de possuir dados suficientes apontando naquela direção. Nem sempre traz boas notícias e o que às vezes ocorre é que o simples mensageiro, no caso o astrólogo, acabe levando as pancadas.

O tempo muitas vezes traz esses clientes de volta.

No mister astrológico o tempo e a experiência contam muito, assim como a dedicação e o estudo. São eles que nos fornecem a segurança que necessitamos e é nesta seara, mantendo outros parâmetros iguais, que os mais velhos sabem mais que os jovens, pois a astrologia é estudo para uma vida. Uma previsão deve ser feita com paciência e cuidado, sem pressa, pois a matéria é árdua e maliciosa. Se o cliente lhe perguntar porque dissemos isto ou aquilo, nada impede que lhe expliquemos, mesmo que não entendam perfeitamente, para que saibam que estão lidando com um ser pensante e não com um adivinho, um inventor de histórias aleatórias, um visionário ou um aventureiro.

Feita esta introdução, voltemos a nosso assunto.

Como disse anteriormente, iniciaremos com a Revolução Solar e a carta de nascimento.

Morin de Villefranche, famoso astrólogo que viveu na França pouco antes de William Lilly na Inglaterra foi um excelente estudioso das Revoluções Solares, que doravante serão representadas pela sigla RS. A leitura de seu livro 23 da série Astrologia Galica, é altamente recomendável e está vertido para o português pela Biblioteca Sadalsuud.

Ele diz que nada na RS pode ser entendido sem referência à carta natal, que é a raiz de tudo que pode advir ao nativo.

Uma carta natal pobre e com poucas chances de sucesso na área afetiva, por exemplo, não poderá ser revertida pela RS, que tem apenas o poder de mitigar tais problemas em certo ano. Por outro lado, uma carta natal fértil e exuberante sentirá pouco os efeitos de uma RS difícil.

Agora, alguns pontos básicos precisam ser elucidados. São questões sobre as quais meditei muito. Uma delas é que, no presente estágio de meu conhecimento, parece-me mais útil usar signos completos [inteiros]. Isto significa que casas e signos serão vistos de maneira unívoca. Por exemplo, se Ascendente cair a 16 graus de Touro, de zero a 30 de Touro será considerada a primeira casa. Todo e qualquer planeta que estiver em Touro será considerado como pertencendo a esta primeira casa. Assim, se Vênus estiver a 28°de Gêmeos e a cúspide da Casa 3 estiver a 1º de Gêmeos, considero Vênus como pertencendo à Casa 3, mesmo que a Casa 4 esteja a 1º de Câncer.

Morin não segue este método: ele usou as Tabuas Alfonsinas, que como Regiomontanus, Campanus, Alchabitius e mesmo Placidus, fornecem casas interceptadas. Isto causa o problema de que muitas vezes, dependendo da latitude da carta natal ou época do ano, temos que lidar com dois regentes e até mesmo três para delinear a mesma casa. Ora, como o circulo tem sempre 360 graus, vão ficar faltando graus em outra parte. Um paralelo compreensível é costurar uma saia com um tecido esférico. Se a mesma pender para trás faltará pano na frente.

Lendo Morin vemos o quanto pode ser confuso e inconsistente analisar um tópico usando mais de um ou até mais de dois regentes, verificar a posição de cada um e a de seus dispositores, além dos aspectos que fazem e das casas que regem, por sua vez. É a típica ocasião em que testemunhos são contraditórios ou que qualquer coisa pode ser verdade.

Os autores medievais usavam quadrantes, mas a maioria dos astrólogos tradicionais hoje em dia busca o consenso de usar signos completos [inteiros].

Parto do principio, já exposto em meu primeiro livro, Os Fundamentos da Astrologia Tradicional, que a definição de afinidade entre signos e casas é a relação de um ângulo de 90º, de 60º e 120º, além da conjunção, que não é verdadeiramente um aspecto e sim uma aderência, e da oposição, que também entra numa categoria especial, representando o máximo afastamento entre dois pontos ou signos, e que é uma mudança de curso para nova aproximação.

Desta forma, a relação do Ascendente com a Casa 7 é sempre a de uma oposição e com os demais ângulos, de uma quadratura. A Casa 11 fará um sextil com o Ascendente e suportará a Casa 10, sendo em princípio em si mesma uma casa afortunada para o nativo. Agora vejam este exemplo:


Quem não é partidário do uso de signos completos vai considerar Marte na Casa 11 e Saturno na Casa 5. No entanto, Aquário é a Casa 12 quando o Ascendente é Peixes. Além disso, a Casa 11 e a Casa 5 se opõe: se Marte estivesse na Casa 11 se oporia a Saturno, mas na verdade eles estão em signos inconjuntos, a menos que se use aspectos menores, não tradicionais. Em terceiro lugar, Saturno não faz trígono com o Ascendente (Leão e Peixes estão inconjuntos) como seria esperado de um planeta na Casa 5, mas o faz com o Meio Céu, como é esperado de um planeta na Casa 6. Da mesma forma, Marte não faz sextil ao Ascendente, o que seria uma marca de Casa 11.

Se transformarmos essa carta em signos completos teremos um panorama muito mais claro.


Aqui vemos que o acúmulo de planetas ocorre na Casa 11, todos em oposição a Saturno, o que revela um caso típico de doença incurável, como efetivamente ocorreu ao nativo.

Outro ponto importante que adotarei como princípio na Revolução Solar é que não me basearei na posição sideral do Sol em relação ao Sol do nascimento. Não vejo razão para trabalhar com a precessão dos equinócios a fim de descobrir quando o Sol sideral estará conjunto ao radical. Afinal usamos o zodíaco tropical e misturar as duas coisas é incoerente, inconsistente e confuso.

Além disso, não realoco a Revolução Solar, como alguns o fazem, mas a calculo para o local de nascimento. A RS se refere intimamente ao mapa radical, a raiz, e por causa disso, não importa se o nativo passa o aniversário distante do local de nascimento. Da mesma forma, mesmo que o nativo more em outra cidade, o que vale é a carta do local onde nasceu.

Senão vejamos: o nativo nasceu com Saturno na Casa 4, mas se passar o aniversário em outro país, seus pais deixarão de ser figuras saturninas? Claro que não. E impossível mudar sua predileção por determinado tipo de trabalho, a personalidade, o tipo de pais que o nativo tem, seus familiares, simplesmente se houver mudança de país ou de cidade.

O que nos ocorre não tem uma causa física tal como um raio magnético que atua sobre nós. Não são raios físicos que partem dos planetas em determinada obliquidade que permitem que uma ou outra configuração nos descreva, a ponto de refazer nossa vida à medida em que nosso corpo se move de um local para outro.

A astrologia e os sucessos astrológicos baseiam-se na simpatia e não na causalidade: esse raciocínio causal foi o grande pecado de Ptolomeu. Mas justo por esse fato tornou a ele a astrologia mais aceitável, menos mística e mais adaptada à sociedade que o seguiu durante séculos.

Portanto, a carta natal tem privilégio sobre a Revolução Solar e o que Morin evidenciou de forma inconteste é que qualquer planeta natal carrega seu sentido e tópico para a RS.

Portanto, a RS deve ser feita para o local do nascimento do nativo, mesmo que ele tenha nascido no Japão e viva no Brasil desde bebê, e passe certo aniversário no Havaí. Calculamos a RS dele sempre para o Japão.


Maiores Especificidades

Vamos estudar como fazer previsões gerais para determinado ano. Embora neste livro sejamos bastante minuciosos ainda assim há autores que o são ainda mais, calculando todos os lotes e fazendo a RS de todos eles em comparação com a carta natal.

Não aconselhamos muita minúcia para não corrermos o risco de confundir o cliente mostrando fatos importantes misturados com fatos corriqueiros e dando a todos o mesmo peso. Tampouco, devemos ser tão exigentes a ponto de elaborar um calendário em que haverão acontecimentos para todos o dias do ano.

Embora este livro entre no detalhe, na pratica com um cliente devemos nos ater somente ao que for mais significativo.

Quando montarem a RS em primeiro lugar observem-na como um todo, verificando a posição dos maléficos, se estão no mesmo signo ou se os benéficos ocupam um signo só: esta é uma informação importante.

Observe o leitor se há algum padrão repetitivo na RS, na mesma casa ou signo que na natividade.

Por exemplo, se algum planeta retorna ao seu estado natal isto é importante. Só não levaremos em tanta conta Mercúrio porque ele estará sempre muito perto do Sol e o próprio Sol, porque é a posição dele que determinará a carta da RS.

Tenham sempre em mente que os ângulos são os pontos mais ativos da carta, os mais importantes. Devemos montar um protocolo para analisar os ângulos da RS e mais tarde vamos analisar os ângulos natais e sua correlação com a RS. Este ultimo estudo é fundamental.

Os ângulos refletem os fatos mais importantes da vida do nativo: a própria pessoa, o Ascendente, os parceiros, seus atos na sociedade e sua moradia e família.

Trarei, a titulo de exemplo da técnica que vamos seguir, a analise parcial do que sucedia na RS da Princesa Diana no ano de seu casamento com o Príncipe Charles.

Acima temos a carta natal e abaixo a RS.



Em primeiro lugar devemos fazer a delineação da carta natal, o que no caso será feito com brevidade com ênfase nos ângulos.

O Ascendente natal é Sagitário, um signo de fogo cuja motivação primária é a liberdade de ação. Seu regente, Júpiter, aponta para o interesse na Casa 3, os irmãos e aqueles que fazem parte de uma irmandade mais simbólica que a de sangue, mas Júpiter está cadente e retrógrado. Mesmo assim é o único planeta que faz aspecto com o Ascendente e é o principal regente do Ascendente.

Quanto aos regentes de triplicidade do Ascendente temos Sol, na Casa 8, Saturno, domiciliado na Casa 2, ambos sem aspecto com o Ascendente e Júpiter novamente. O regente do termo está na Casa 8, sem aspecto com o Ascendente.

A Casa 4, a família e a moradia, outro ângulo da carta, está em Peixes, também regido por Júpiter. Vênus, regente de exaltação de Peixes está na Casa 6, uma casa cadente ligada a empregados e doenças. Os regentes da triplicidade de água, são Marte, Vênus e Lua. Dos três, Marte está muito forte por posição e rege a Casa 5 e a Casa 12. Lua está na Casa 3 onde tem sua alegria.

A Casa 7 tem como regente Mercúrio, que encontra-se na Casa 8, retrógrado e combusto. As relações íntimas relacionam-se com os bens e o dinheiro que as apoiam. Mas isso não é vivido de forma confortável, pois a Casa 8 é uma casa triste, vinculada a angustias, perdas e morte. Os regentes da triplicidade são Mercúrio, Saturno e Júpiter. Saturno está na Casa 2.

A Casa 10 está em Virgem, também regida por Mercúrio, cujo sentido já vimos, mas como Marte está nesta casa ele modifica o sentido dela, ligando-a a Escorpião, a Casa 12, o que mostra que as mazelas, dor e segredos são vividos publicamente. Marte rege também Áries, a Casa 5, os filhos, um boa casa, e a princesa teve dois meninos, talvez porque Áries seja um signo masculino e seu regente esteja em signo duplo.

É uma carta em que Mercúrio e Júpiter são importantes porque dividem a regência dos ângulos. No final ambos são dispostos por Saturno, domiciliado na Casa 2.

Saturno é um planeta tradicional e elitista, mostrando uma tradição de dinheiro.

Observem que analisei somente os ângulos da natividade para conseguir ter uma ideia básica da carta.


Análise da Revolução Solar da Nativa

Agora, iremos analisar a RS para o ano do casamento da nativa.

A primeira coisa a analisar é o Ascendente da RS e a que casa natal corresponde.

A segunda e não menos importante é analisar em que casa da RS cai o Ascendente natal.

Vemos que o signo que aponta a Leste na RS é Escorpião. Neste caso, ele representa a Casa 12 natal. O que vai, portanto, surgir neste ano são angustias e inimigos ocultos.

Onde se encontra o Ascendente natal na RS? Exatamente na Casa 2. O aspecto financeiro será importante no ano vindouro. A nativa estará focada em fatos econômicos. O regente do Ascendente, Júpiter, está conjunto a Saturno na Casa 12 da RS, mostrando padecimentos, constrições e segredos. Mas, o que faz Júpiter nesta trama? Ele é um planeta de Casa 3. Logo podemos dizer que as comunicações fazem a nativa padecer.

A seguir, vamos investigar onde se encontra o regente do Ascendente da RS na carta natal, isto é, Marte, e vemos que ele se encontra na Casa 10, uma casa pública, enfatizando as ações.

Podemos ir mais fundo: tomando somente a RS, onde se encontra o regente do Ascendente dela, Marte? Vemos que ele está em Gêmeos na Casa 8. Gêmeos é exatamente o signo da Casa 7, no mapa natal.

Neste caso diremos que a nativa irá se relacionar com assuntos de dinheiro do parceiro e viverá angustias e perdas (Casa 8).

A Casa 7 da RS é Touro, regido por Vênus. Onde está Vênus na carta da RS? Exatamente na Casa 10, unida ao Nodo Norte, mostrando uma aliança venusiana bastante aparente: Vênus é o planeta mais angular da carta da RS. Mas, observem que Vênus na carta natal, embora em signo de regência está em casa maléfica, a dos subordinados, fazendo quadratura com os nodos e com a Lua. O ato maior da princesa neste ano aponta para a insegurança relacionada ao amor.

Na carta natal, o regente da Casa 7 é Mercúrio e agora vemos uma coincidência importante: tanto na carta natal como na RS Mercúrio está na Casa 8, o dinheiro do parceiro. Mercúrio está domiciliado, no signo natal das relações íntimas, gerando angustia.

A Casa 10 da RS é Leão, com Vênus. O Sol é planeta de Casa 8, na natividade, aspecto que já apontamos anteriormente como temores, mas agora ligados ao prestígio significado pelo Sol. Vênus no MC conjunta ao Nodo Norte na RS mostra uma união pública que naquele ano fez de Diana uma espécie de Rainha de Copas.

Tanto Júpiter, regente da Casa 1 e da Casa 4 natal, como Saturno, regente da Casa 4 da RS estão na Casa 12 da RS, unidos. Tais inseguranças e padecimentos, confirmados pelo regente do Ascendente da RS, Marte, na Casa 8, mostram que além do que se soube publicamente e das aparências glamorosas havia interesses financeiros, dor e angustia.

Consultando fontes oficiais na internet li que Diana sabia do interesse de Charles, por Camila, antes do casamento. "Desde o inicio o casamento de Diana e Charles não foi abençoado pela boa sorte. Já durante o noivado Diana teve a sensação que Camila desempenhava um papel muito importante na vida de Charles. Diana abriu um pequeno pacote dirigido a Charles e encontrou uma pulseira de ouro com um pingente de esmalte azul e as inicia F&G. Seria Fred e Gladys um disfarce de Charles e Camila? Diana sofreu horrivelmente de ciúmes. Ela deixou claro a Charles que ele não deveria enviar esse presente a Camila, mas ele o fez. Diana ponderou antes do casamento em não se casar com Charles. Charles ainda levou uma foto dele e Camila na lua de mel. Como Diana deve ter se sentido? Doente de preocupação. Ela sofreu seu primeiro ataque de bulimia". (http://www.princess-diana.com/diana/married.htm)

Isto explicaria uma RS com tanto drama subjazendo a ela.

Portanto, diante da carta de RS deve-se vê-la isoladamente como se fosse a carta de um nativo: mas ter sempre como base a carta natal, a raiz (radix). A RS não se sustenta por si mesma e não cria o que não existe na carta natal.



Capítulo 2
Clélia Romano, in Técnicas Astrológicas Preditivas, Edição do Autor, 2015.

O livro pode ser adquirido aqui: http://www.astrologiahumana.com/ 









Uso e Abuso da Astrologia, por Clélia Romano

Este é um livro eminentemente técnico, visto que trataremos do como fazer para prever isto ou aquilo dada uma carta natal.

No entanto, por mais importante que seja possuir as ferramentas corretas para obter uma resposta ou outra, não podemos esquecer do quadro geral da astrologia como uma disciplina hermética.

Escrevi sobre isso em outro momento, mas aqui, exatamente aqui, quando me dedico a algo, por assim dizer, mais mecânico, e preciso repetir certos fundamentos que devem guiar o bom astrólogo.

Quando escuto antigas lições de Robert Schmidt, mesmo aquelas que versam sobre o que já li e escutei, defronto-me com a poética riqueza imanente a filosofia e linguagem gregas.

Filósofos mais atuais também se alinharam com a linha filosófica que vai alem da realidade cartesiana. Edmund Gustav Albrecht Husserl, por exemplo, foi um matemático e filosofo alemão que viveu no seculo XIX e que estabeleceu a escola da fenomenologia, rompendo com a orientação positivista da ciência e da filosofia de sua época, a qual era baseada em Augusto Conte, o filosofo que cujas palavras "Penso, portanto existo", ficaram célebres.

Husserl, acreditando que a experiencia e a fonte de todo o conhecimento, desenvolveu uma teoria pela qual um assunto pode vir a ser conhecido diretamente em sua essência.

Também um dos mais importantes pensadores do seculo XX, Martin Heidegger, esteve principalmente interessado no SER. Sua critica a metafisica tradicional e sua oposição ao positivismo e ao mundo tecnológico dominante influenciou o existencialismo de Jean Paul Sartre, o enfoque sobre a percepção de Maurice Merlau Ponty e outros.

Estes filósofos tem muita importância para o estudo da psicologia e da astrologia.

O que nos interessa aqui é que a posição dos astros em si nada representa se não houver a consciência a dar às configurações um sentido, isto é toma-las como um oráculo. Os fenômenos visíveis, a luz, só passam a ter significado quando a mente incide sobre eles e os reconhece como um objeto determinado ou um astro. Enxergar não significa ver, pois Ver vai além dos sentidos físicos e pressupõe que o que existe seja "reconhecido", que tenha um nome.

Indo além, se um cavalo passar correndo à nossa frente, o que determina que ele é um cavalo e que está em movimento é nossa consciência e não nossa visão. Tanto isso é verdade, isto é, que vemos com a consciência, com o olhar interno, que às vezes procuramos por algo que está à frente de nossos olhos e não o encontramos, embora nossos sentidos físicos tenham já deslizado pelo objeto.

Outras vezes, só percebemos o significado de algo quando não o possuímos mais, quando ele desaparece. Isso acontece quando, por exemplo, estamos usando uma caneta, de forma puramente mecânica, e sua tinta termina. Naquele momento tomamos consciência da caneta.

Os céus e seus brilhantes astros só passaram a ter significado quando correlacionamos o não significado com o significado, o que ocorria lá acima e o que ocorria na terra. Seu brilho podia ser visto, mas não tinha sentido. Desta forma, a astrologia nasceu da função do Logos, a palavra, interna, o pensamento que desvenda.

Tal função é fornecida por um "algo mais", a cognição. Husserl dizia que o ato da cognição resolvia-se na intuição eidética, que é uma das função do pensamento humano, isto é o ato de correlacionar coisas, como fazemos quando identificamos, por exemplo, no formato sem sentido de uma nuvem um determinado animal, ou quando em um desenho cheio de pontos e amorfo, vemos surgir uma forma conhecida. Fala-se muito na luz, mas a luz não gera oráculos, o que os gera é a correlação que o pensamento faz entre a luz e o significado subjacente a ela.

Na Bíblia, no primeiro capítulo do Gênesis, lemos que no início era o Verbo. O que é o Verbo? E justamente o que os gregos chamavam Logos, a palavra que permite que algo se revele. A astrologia medieval esteve muito ocupada com a técnica, com o bom uso da caneta, sem se interessar pelo que é a caneta.

Disso sinto falta nos livros astrológicos do período pós helenista, por mais capazes que tenham sido os sábios árabes e medievais que se debruçaram sobre a disciplina astrológica e nos legaram seu conhecimento, transmitindo o que, não fosse seu esforço, teria sido perdido para sempre no mundo ocidental.

A busca de significado é um traço da mente humana quase mágico. Porém, tal busca de correlações, não significa que a astrologia tenha se baseado em mitos ou deva fazê-lo. No entanto, a mesma mente que os inventou, foi capaz de relacionar céu e terra.

Por isso, a astrologia grega é viva, guardando,inclusive em seu vocabulário, a preocupação com o sentido da coisa referida, ao invés de usar palavras vazias como Partes, ao invés de Lotes, Graus, ao invés de Moira, que significa a parte destinada a alguém nos 360 "graus" do zodíaco, Sextil, ao invés de Hexágono, etc. etc. etc.

Neste livro ofereço-lhes a técnica, da qual muitos estão, com legitimidade, sedentos. Nesta técnica primaram especialmente os astrólogos árabes, muito pragmáticos, e que nos legaram ferramentas valiosas para nosso ofício.

Mas não podemos, no afã de fazer algo "funcionar", esquecer de correlacionar, de usar nossa função compreensiva. Se usarmos a astrologia como se fosse um martelo em nosso trabalho diário, corremos o risco de empobrecê-la e só perceber o que perdemos quando o martelo se quebrar em nossas mãos.




Clélia Romano, in Técnicas Astrológicas Preditivas, Edição do Autor, 2015.

O livro pode ser adquirido aqui: http://www.astrologiahumana.com/


quarta-feira, 26 de julho de 2017

Delineação, por Clélia Romano

Uma das condições primordiais a ter em mente é que sem uma correta delineação não pode haver previsão.

As influências planetárias se tomam determinantes para efeitos específicos de duas formas:

A primeira forma é por determinação qualitativa e depende dos signos, que agem através de sua natureza (gênero, triplicidade, quadruplicidade, e outras características). A segunda forma é a determinação quantitativa e trata-se de em que casas os signos aparecem na carta e em que casas estão seus regentes não apenas por posição, mas por regência e aspecto, de forma a serem conectados com determinados fatos da vida do nativo.

Como os signos são regidos por planetas e são vistos como extensões deles, o regente quando não está no signo que rege, faz uma ligação entre seu signo de regência e aquele onde se posiciona.

Assim é estabelecido o fundamento no qual uma delineação se baseia.

Desta forma dizemos, se encontrarmos Saturno na primeira casa que ele está determinado para assuntos da primeira casa, isto é, a vida e a saúde do nativo.

Tal determinação acompanha o nativo pela vida inteira e ela pode ocorrer por posição, como casa, mas também por regência e aspecto.

Por causa desta determinação, se um planeta está aflito quantitativa e qualitativamente, o signo e as casas que ele rege também se afligem, assim como os assuntos que governa.

Deve haver, portanto grande empenho e comprometimento por parte do astrólogo para distinguir os significadores de cada assunto.

A carta é o retrato dos céus no momento do nascimento ou no momento de um evento. Ela é como a esfinge a ser decifrada e se assemelha a um novelo de lã emaranhado: é preciso puxar o fio pacientemente e desenrolá-lo para que nos leve ao âmago do mapa.

A carta tem uma porta de entrada e esta porta é o Ascendente. Este é o lugar por onde recomendo que se inicie o trabalho, pois é impossível delinear qualquer questão sem saber quem é o nativo.

Se for para exemplificar a delineação de uma área de forma teórica nada impede que o façamos sem delinear o Ascendente, mas a delineação fica como que desmembrada e acéfala.

Isto dito, é preciso ter em mente os princípios básicos.

São eles: em que elemento se classifica o Ascendente? Água, terra, fogo ou ar?

O fogo busca a liberdade de ação e poder e o ar busca a liberdade de expressão e movimento.

Já a água e a terra precisam, o primeiro de segurança emocional, o segundo de segurança material.

Observem também que fogo e ar são masculinos, agem no mundo e vão em busca de oportunidades. Já os signos de água e terra são femininos e reagem aos acontecimentos: eles não os causam.

Pode-se argumentar que os signos cardeais começam estações e que portanto Capricórnio e Câncer, signos de terra e água, femininos, sendo cardeais seriam signos de iniciativa. Na verdade, eles trabalham melhor em situações já estruturadas, o que não ocorre com os signos de fogo e ar.

Os signos cardeais de fogo e ar, isto é Áries e Libra são a expressão máxima de ação, iniciativa e movimento, porque são cardeais e masculinos.

Os signos fixos são centrados em seu objetivo, seja ele a busca de liberdade de ação (os masculinos, no caso Leão e Aquário) ou a necessidade de segurança emocional e material (os femininos Touro e Escorpião), enquanto os mutáveis ou de corpo duplo variam en-tre comportamentos de movimento e fixidez, agindo de forma ativa se forem masculinos ou passiva se forem femininos.

Com a pequena recapitulação acima, por favor, refira-se à carta a seguir:



O nativo tem o Ascendente em Aquário. Podemos dizer que ele busca a liberdade de pensamento e movimento e focaliza nisso sua energia, de forma firme e constante, visto que Aquário é um signo fixo.

Observe se há planetas no Ascendente. Se houver mais de um planeta dê mais importância ao que estiver mais perto da cúspide. No caso acima, é o Sol.

Observe se tal planeta está em bom estado celestial, se tem alguma dignidade no signo: se está em sua regência, exaltação triplicidade, termo ou face, se está em detrimento, queda ou é peregrino. Finalmente observe que aspectos ele recebe.

No caso cm apreço o Sol está em seu detrimento.

O Sol é o significador universal de honra e brilho. Ele está num ângulo, logo tem muita força, mas essencialmente está corrompido, pois o Sol tem seu detrimento em Aquário: a necessidade de brilhar é exagerada e forçada. E um planeta que promete mais do que pode cumprir ou então realiza algo e o destrói depois. O regente do Sol, Saturno, está cadente, retrógrado e em detrimento em Câncer.

O Sol não tem apoio de nenhum planeta, mas aspecta o MC, a carreira e a reputação, transferindo sua disposição a ele. O Sol também está configurado para as parcerias, por reger a Casa 7.

Vemos que há outro planeta no ASC que participa com o Sol da significação desta casa, embora em segundo lugar de importância: é Marte.

Marte sem dúvida ajuda a compor as características pessoais do nativo: Marte é um maléfico que está peregrino, sem nenhuma dignidade, fora de sect e em vias de entrar em combustão. Marte, regente do MC, não recebe nenhum aspecto, logo ele se comporta de acordo com o dono do signo em que está: Saturno.

Novamente chegamos a Saturno, portanto.

Agora, devemos observar qual é o planeta que tem mais dignidades no ASC, seu almuten.

Contando as dignidades do grau do ASC respectivamente 3º49’ de Aquário, temos:


Saturno é o planeta com mais dignidades, mas como está cadente e retrógrado, ocupando uma casa maléfica, devemos desprezá-lo. De fato, Saturno está conjunto ao Nodo, retrógrado, numa casa maléfica e se opondo a Mercúrio em Capricórnio na Casa 12, a casa dos inimigos ocultos, das limitações e doenças.

Observe que Saturno recebe Mercúrio por domicílio, mas a casa de Saturno não tem nada de produtivo para Mercúrio. E como ser recepcionado num casebre onde falta pão, calor e luz. Saturno não tem nada a dar a Mercúrio, a não ser sua simpatia. Se tais planetas estivessem angulares ou algum deles não estivesse debilitado, as coisas seriam diferentes.

Mercúrio, o segundo colocado, está configurado para a doença por estar na Casa 12, e para a morte, por reger a Casa 8. Está também configurado para a Casa 5, os prazeres e os filhos.

Estas casas e seus assuntos ficam sujeitos a desventuras pela situação celestial e mundana de Mercúrio.

O próximo planeta que nos restou é Júpiter, que está em casa cadente tanto por signos inteiros como por divisão. No entanto, a Casa 3 aspecta o Ascendente por signo e Júpiter tem dignidade de triplicidade em Áries. Além disso, ele recepciona Saturno por exaltação e Saturno é o regente e almuten do ASC.

Mais: o Sol e Marte, planetas angulares no ASC regem o signo onde está Júpiter, o primeiro por exaltação e o segundo por domicílio. Por isso dizemos que Júpiter é recebido por exaltação pelo Sol e por domicílio por Marte.

Júpiter, portanto é o único planeta que pode ajudar o nativo a realizar sua necessidade de brilho (Sol) e autoridade (Marte).

Júpiter representa os ideais, as condutas corretas e está na terceira casa, que é a comunicação.

Mas Júpiter é regido por Marte que é configurado para o MC e para a Casa 3. Como Marte não tem dignidade, mas tem força e Júpiter tem dignidade de triplicidade, mas não tem força, Júpiter pode fazer pouco como significador universal do que é correto e ético.

O nativo quer ter liberdade de idéias e movimento e o Sol e Marte irão comunicar as idéias de Júpiter de forma agressiva, intempestiva e carismática através da própria personalidade (ASC) do nativo.

O que há por trás dos ideais do nativo, isto é Júpiter? Em primeiro lugar a busca pela carreira, significada por Marte. Em segundo lugar, como Júpiter rege a Casa 2 (onde aliás o nativo tem a Lua em trígono com o MC) e a Casa 11, ele está configurado para as finanças e o grupo que apóia a carreira. Conclui-se que a motivação básica de todo este aparato de planetas e recepções serve ao brilho, à ambição, às finanças e à necessidade de obter apoio para a carreira.

Resta agora observarmos se alguma Parte ou Lot faz aspecto com planetas que nos interessam.

As Partes Significativas para o assunto em consideração são:

04º25' Capricómio = Fortuna (ASC + Sol - Lua)

3º8' Áries = Exaltação (ASC+3° Touro - Lua)

3º13’Peixes = Espírito, Futuro (ASC +Lua - Sol)

A Lua, luminar do sect, faz um sextil à Parte da Fortuna. A Lua também faz conjunção ao Lot do Espírito na Casa 2. Ambos são regidos por Júpiter.

Vemos que o aspecto financeiro do nativo é bastante fortalecido. O Lot da Exaltação está na Casa 3 em sextil com o Sol que é determinado ao brilho e à fama e também está no mesmo signo de Júpiter, regido por Marte.

A eminência é buscada através de discursos e atitudes autocráticas. Como há muito carisma conferido pelo aspecto solar aliado à recepção do Sol, o nativo brilha e seu discurso é empolgante.

Como Marte está em pobre estado zodiacal, mas angular, ele tem capacidade de elevar o nativo, mas a posição não tem durabilidade.

Além disso, a Lua e Júpiter, os planetas mais fortes da carta, não têm dignidade no MC, o que também justifica a queda.

Verifica-se da mesma forma que a Lua sofre um contra-antiscio de Saturno: uma oposição velada por parte de um maléfico.

Resumindo: trata-se de pessoa buscando 0 brilho pessoal através de uma forma corrompida e excêntrica. Esta motivado pela segurança financeira e a tem assegurada pela posição da Lua na Casa 2, em signo regido por Júpiter, em bom aspecto (sextil) com a Fortuna e em conjunção com a Parte do Espirito: atos voluntários e a sorte estão a seu favor. Quanto a obter o brilho que o nativo busca, O Lot da Exaltação esta no signo em que se encontra Júpiter e faz um sextil com o Sol, o que possibilita seus objetivos. Por outro lado o Lot da Exaltação, que dá indicação da eminência do nativo, esta posicionado de forma que a Parte da Fortuna ocupe a Casa 10 dele. Isto garante que em alguma época da vida o nativo se eleve sobre seus iguais e atinja alto grau de eminência.

A carreira e a vida política apoiam-se na personalidade do mesmo, uma vez que Marte, regente da Casa 10 está na Casa 1.

O nativo quer fazer valer seu pensamento (Aquário é signo de ar, logo busca a liberdade de pensamento), o qual é ditatorial, incisivo e ás vezes rude (Sol sem dignidade essencial e Marte no ASC) e rígido (Aquário é signo fixo).

Ora, esse homem foi eleito presidente da República do Brasil, renunciando após poucos meses e como causa alegou “forças ocultas” que o forçaram a tal ato, 0 que é bastante possível se observarmos a situação da Casa 12. Com sua renúncia João Goulart, seu vice-presidente assumiu, o qual, por ligações esquerdistas, deu espaço ao golpe que iniciou a ditadura militar no Brasil em 1964.

Mesmo levando em conta os aspectos com a Parte da Fortuna, a Parte do Espirito, e o Lot da Exaltação, ainda assim nos perguntamos como Jânio Quadros veio a ocupar cargo tão alto, possuindo uma carta com planetas tão aflitos.

O assunto me faz recordar a carta de Hitler, uma carta pobre, sobre a qual Robert Zoller faz uma divagação espiritual: há tempos em que os portões dos céus se abrem para que os piores passem e governem os homens.

Vejamos agora um segundo exemplo:

Aqui notamos que o Ascendente está em Libra. Libra é um signo de ar, portanto é levado à liberdade de idéias e ao movimento.



Por ser um signo cardeal é também portador de iniciativa e promove mudanças. Júpiter encontra-se praticamente conjunto ao Ascendente. Ele está em sua triplicidade, mas está retrógrado o que toma seu comportamento produtivo instável. É preciso considerá-lo pelo fato de estar quase colado ao ASC, mas sua debilidade acidental dá margem a que outros planetas participem com ele como significadores do Ascendente.

Vamos investigar qual planeta tem mais dignidade no Ascendente.

Faremos uma tabela para encontrar o almuten do ASC.

Temos um empate entre Vênus e Saturno.

Saturno está mais perto de um ângulo que Vênus, logo Saturno tem maior poder de ação. Ele é o almuten, mas não podemos descartar Vênus, pois por whole signs ou signos completos ela está na Casa 7. Vênus é co-participante. Ainda mais que é ocidental ao Sol, o que lhe confere dignidade, e se considerarmos whole signs está angular.

Tanto Vênus como Saturno estão em detrimento, mas Vênus está sob os raios do Sol, o que depõe contra a força dela.

Vamos por isso tomar Saturno em primeiro lugar.

Que aspectos recebe o Ascendente? Se observarmos por signos inteiros, com exceção da Lua todos os planetas aspectam o ASC e partindo de ângulos: todos os planetas também se aspectam entre si, o que toma a carta bastante complexa.

Mas diretamente e por orbe nenhum planeta aspecta o ASC a não ser Júpiter. Não deixa de ser afortunado que a orbe de Saturno e Marte atinjam Júpiter ao invés da cúspide do ASC.

Marte aplica-se a Júpiter com um aspecto sinistro, na direção dos signos. Júpiter, por sua vez, enquadra Marte com muito mais força, pois estando retrógrado, caminha em direção à completude do aspecto, num aspecto destro, que conforme foi explicado é mais forte e mais significativo. Há uma quadratura dupla.

Se Júpiter representa ideais e sabedoria, Marte é competitividade, ação e rusgas. Pode acontecer dos ideais do nativo causarem muitos atritos e o nativo sofrer (Câncer é um signo feminino) pro-fissionalmente por causa deles.

Explico: Como Câncer é um signo feminino, o agente da ação é Júpiter, planeta masculino em signo masculino. Júpiter rege a terceira casa, a das comunicações, logo podemos esperar comunicações de idéias que funcionam mal para construir a profissão ou reputação do nativo (assuntos de Casa 10).

Mas nem tudo está perdido, porque Júpiter é o regente de exaltação do signo onde está Marte: dizemos que Júpiter recebe Marte por exaltação. Nesse sentido, Marte recebe força e generosidade de Júpiter.

Como a debilidade de Júpiter é acidental e é compensada pela angularidade, ele transfere para Marte algo de sua dignidade essencial e ainda recebe Marte por exaltação.

Marte em água é medroso, mas estando muito angular mostra que apesar do medo a coragem e a impulsividade ocorrem e de forma corrompida, pois Marte debilitado é briguento e não aceita argumentos lógicos (Júpiter está em casa de ar, o pensamento). Não fosse certa dignidade oferecida por Júpiter, Marte se comportaria de forma ainda pior.

Como o bom e o mau de cada casa é consequência da situação do regente desta casa, as casas regidas por Marte e Júpiter carregam em si o significado não apenas de seu regente, mas de quem o aspecta. Portanto, a Casa 3 une os significados de Júpiter e Marte e ligam-se ao ASC, trazendo tensão à nativa através de estudos básicos, parentela e irmãos.

De fato a nativa foi causa de rupturas familiares devido a suas idéias, ideais e maneira de pensar. Além disso, teve problemas com irmãos e com os estudos primários.

A Casa 7, regida por Marte, é um caso especial porque por signos inteiros ela tem planetas e teríamos que delinear os planetas para entendê-la melhor, sendo um deles Vénus um dos almutens do ASC. Portanto ela deve ser minuciosamente delineada à parte.

A Casa 2, em Escorpião, regida por Marte, também se ressente dos aspectos de Júpiter e Marte, deixando antever grandes gastos (Júpiter) realizados por impulso (Marte) gerando angústias. Esta casa é muito importante para a nativa, pois, além de conter a Lua, no signo de Marte, a Lua é regente de Marte (a isso chamamos recepção mútua) e do MC. Daí que a questão de segurança emocional (Lua, signo de água na Casa 2) é ligada às posses materiais.

A Casa 6 é regida por Júpiter, e apresenta tensões relativas ás habilidades da nativa para exercer sua profissão: tais habilidades são diversas e difíceis de focalizar-se num único padrão.

Voltemos agora ao almuten do Ascendente.

Havíamos concluído que Saturno tinha mais condições para ser o almuten do Ascendente, seguido de perto por Vênus.

Neste sentido, a nativa busca a profissão e a carreira para desenvolver e expressar suas idéias e ideais, aquilo que é.

Mas as idéias têm pouca chance de realização, pois Saturno significa limites, constrangimentos e frustrações, ainda mais estando em detrimento. Exige ele que as idéias sejam estruturadas e excessivamente rígidas. Como Marte em queda está junto a Saturno na Casa 10, sendo Marte o regente das parcerias e Saturno o regente da família, Marte simbolizando atritos e coragem e Saturno limites e coisas antigas, podemos esperar uma carreira em família com muitas restrições seguidas de rupturas.

Os dois maléficos no MC não preconizam realização profissional, a não ser em momentos em que Júpiter seja o regente da carta por direções.

O ASC necessita de expansão, movimento e criatividade (Júpiter), mas também se conforma a Saturno, porque Saturno tem muita dignidade no ASC Libra, onde se exalta.

De fato, a nativa formou-se na profissão que a família sugeriu e passou a trabalhar na área familiar, atuando num ambiente acadêmico e rígido, pois o próprio contato humano subjacente à profissão escolhida era restritivo.

Saturno é o regente de Capricórnio, a Casa 4, demonstrando que a família e a profissão são temas ligados por Saturno. Capricórnio necessita de segurança material, e este era o lema familiar. A Lua configurada para a Casa 2, rege o signo de Saturno: logo ocorreu o que era o gosto familiar: a nativa enriqueceu exercendo a profissão de acordo com a família.

O segundo candidato a almuten, Vênus, está cadente, mas por signos inteiros está angular. A nativa procura e age em busca da parceria e do casamento. Vénus está num signo de fogo, regida por Marte: deseja liberdade de ação no amor, e como está em detrimento mostra uma corrupção e exagero em sua manifestação.

Direções é um assunto a ser tratado em outro livro.

Ela faz uma quadratura a Saturno.

Vênus e Saturno representam duas vontades opostas, dois senhores debilitados e com força para atuar, instáveis e inimigos, cada um tentando fazer prevalecer sua vontade. Mas Saturno é mais forte, por estar mais angular. As necessidades de Vénus, o prazer e o divertimento, deparam-se com a rigidez de Saturno, que representa no caso também a influência da família, que não vê com bons olhos os desejos inovadores da nativa em relação ao tipo de relacionamento amoroso que busca.

Portanto, tanto do lado oriental da carta como do lado ocidental há problemas.

É a carta de uma nativa esmagada por frustrações: uma profissão relacionada ao gosto da família, visando dar segurança material, vetando idéias livres, de um lado; e de outro o prazer e o casamento devendo seguir as normas da rigidez e da contrição.

Assim como a nativa teve uma formação universitária e pós-universitária orientada pela família, seu casamento também ocorreu de acordo com as normas familiares.

Observemos agora as recepções: Júpiter e Marte estão em quadratura, mas Júpiter é o regente de exaltação de Câncer, onde Marte está em queda. Marte portanto recebe a generosidade de Júpiter e sabemos que a recepção mitiga as inimizades porque é um sinal de acolhimento. Sendo Marte o regente da Casa 7 é de se esperar um marido com características de Marte e Júpiter. As casas regidas por Marte produzem efeitos jupiterianos por causa da recepção e do aspecto entre os dois planetas.

Em seguida, Júpiter faz uma quadratura com Saturno, mas Saturno é o regente por exaltação da casa de Júpiter e os dois entendem-se perfeitamente bem.

O Ascendente e a Casa 7 estão em signos masculinos isto é agem, enquanto que a Casa 10 e a 4 estão em signos femininos, que reagem.

Bem, a que isso nos leva?

Leva-nos a uma modificação das conclusões iniciais. Daí ser de importância capital entender as recepções e atentar para signos que agem ou reagem, ativos e passivos.

A nativa engajou-se em um tipo de profissão e especialização de acordo com a família, mas a decisão foi na verdade escolha dela. Há amizade entre Júpiter e Saturno, e Júpiter é um planeta profundamente ligado ao Ascendente por posição.

Marte, ligado a Júpiter também, por quadratura, é o regente de exaltação de Capricórnio, a Casa 4, a família. E Júpiter se exalta em Câncer a casa onde está Marte.

Por outro lado, a dignidade da Lua no signo de Marte c Saturno mostra que a profissão foi capaz de render segurança objetiva embora restringindo a liberdade de idéias buscada pelo ASC.

Do lado ocidental da carta, no que diz respeito a relacionamentos, não vemos a mesma harmonia. Vênus tenta atingir Marte, regente de seu signo, isto é o planeta que a recebe por domicílio, mas antes tem que lidar com a proibição de Saturno.

Vênus tem apenas dignidade de triplicidade em Câncer e Saturno tem sua queda em Aries. Portanto essa quadratura é depressiva e repressora. Vénus não recebe auxilio de nenhum benéfico ou Parte.

A Parte do Casamento das Mulheres de acordo com Hermes , obtida pela fórmula: ASC + Saturno - Vénus (não se inverte), chega a 2º7’ Aquário, isto é: a parte é regida por Saturno.

Saturno como profissão e família proíbem Vênus e o peso de Saturno no ASC causa conflitos, sendo que a balança pesa negativamente contra Vênus. Há o conflito entre dois almuten tão díspares, e essa é a sina de Libra.

No entanto, por orbe e por signo apesar de Saturno ser mais importante no impedimento de uma relação de proximidade física, Marte também recebe o aspecto de Vênus por orbe.

Marte, regente da Casa 7, debilitado, embora reforçado por Júpiter, Saturno debilitado, também reforçado por Júpiter, estão ambos em quadratura com Vênus debilitada na Casa 7. Marte e Saturno realizam duas coisas diferentes: elevam a nativa pelo casamento porque estão angulares na Casa 10 em aspecto com Júpiter, mas destroem o casamento a seguir por brigas, frustrações e desentendimentos.

Saturno rege também a Casa 5, que representa o dinheiro da família, por ser a segunda casa a partir da Casa 4, os filhos e o sexo. Como Saturno está em detrimento mas muito forte por dignidade acidental, estando angular, ele cria, e depois destrói. Desta forma a nativa teve filhos, mas o primeiro deles foi uma criança frágil com muitos problemas de saúde.

A delineação completa exigiria o mesmo procedimento exemplificado para cada casa.

Recapitulando vimos que:

1. posição é mais importante que regência;

2. uma casa se comporta de acordo com seu dispositor;

3. planetas podem fazer três coisas: produzir algo, negar algo, ou produzir algo e depois destruí-lo.


As triplicidades e a delineação dos períodos de vida.

Uma técnica básica muito útil para delinear uma carta e que era usada desde o período Helenístico baseia-se no uso das triplicidades ou trigons.

As triplicidades fornecem um panorama das fases da vida do nativo. É uma técnica simples e eficaz.

Voltemos à carta anterior:



Admitindo que a vida tenha três fases, cada uma delas de cerca de 25 anos, o primeiro regente da triplicidade, sua posição, Sect e qualidade essencial falará da primeira parte da vida. O segundo regente falará da segunda parte da vida e o terceiro regente falará da terceira parte da vida.

Como escolher as triplicidades? Diante de uma carta noturna com a de nosso exemplo, a Lua será o luminar do Sect.

Usa-se o signo em que está a Lua e suas triplicidades, para delinear as três fases da vida da nativa.

Ora, a Lua está em Escorpião, que é um signo de água.

A triplicidade de Água é regida por

1. Regente diurno: Vênus

2. Regente Noturno: Marte

3. Regente participante: Lua

Uma vez que se trata de uma natividade noturna e supondo um período de vida médio de 75 anos, os primeiros 25 anos são regidos por Marte. Dos 25 aos 50 anos são anos regidos por Vénus e os restantes são regidos pela Lua.

Verifica-se na natividade a condição essencial e acidental do planeta regente do período e com isso se tem uma ideia dos assuntos e resultados de cada fase da vida.

No caso de nosso exemplo, os primeiros 25 anos de vida regidos por Marte foram bastante turbulentos, propiciando rupturas familiares por causa de idéias, formatura, casamento e evolução financeira.

A segunda fase da vida regida por Vênus, um benéfico, foi quando a nativa divorciou-se, conheceu um parceiro compatível, mudou de profissão abraçando a astrologia, tendo que enfrentar o desagrado da família e sua falta de apoio.

A nativa está vivendo a terceira parte da vida, regida pela Lua, em queda e em casa sucedente.

Como a Lua está na Casa 2, é regida por Marte, que também rege a Casa 7 e se exalta na 4, ocorreu a morte da mãe e perdas financeiras importantes.

É possível que ocorra um terceiro casamento porque Marte, regente da Lua, rege também a casa 7.

Espera-se ênfase na profissão, uma vez que a Lua rege o MC. Mas a Lua não tem a mesma força que Marte, é sucedente e está igualmente debilitada.

Se a natividade fosse diurna, o correto seria tomar o Sol e o signo em que se encontra. A seguir escolher o primeiro regente da triplicidade do Sol para a primeira parte da vida, o segundo para a segunda e o terceiro para a terceira.

Este método é Helenístico e foi adotado pelos árabes com algumas modificações. Eles o usavam para delinear todas as casas.

Bonatti baseia-se em Sahal e Alchabitius em geral, mas para dar o significado de cada casa usa uma teoria baseada em Andarzagar que é citado por Alchabitius e ad-Dawla. 

Casa 1 - O primeiro regente da triplicidade do ‘Sect’ indica a vida e a natureza do nativo e seus prazeres, o que gosta e desgosta, e o que acontece de bom ou mau no primeiro terço da sua vida. O segundo regente da triplicidade do ‘Sect’ indica vida, corpo, força e o que sucede a ele no meio da vida. O regente da triplicidade participante indica o que os primeiros dois regentes significam e o que acontece ao nativo no final da vida.

Casa 2 - O primeiro regente da triplicidade do ‘Sect’ concede bens no início da vida. O segundo regente da triplicidade do ‘Sect’ concede bens no meio da vida. O regente da triplicidade participante concede bens no fim da vida.

Casa 3 - O primeiro regente da triplicidade do ‘Sect’ significa os irmãos mais novos. O segundo regente da triplicidade do ‘Sect’ significa os irmãos do meio. O regente da triplicidade participante significa os irmãos mais velhos, e as suas condições estão de acordo com a posição dos regentes.

Casa 4 - O primeiro regente da triplicidade do ‘Sect’ significa os pais, o segundo regente da triplicidade do ‘Sect’ significa países e terras, o regente da triplicidade participante significa o final das coisas e as prisões.

Casa 5 - O primeiro regente da triplicidade do ‘Sect’ significa crianças e sua vida, o segundo regente da triplicidade do ‘Sect’ significa prazeres e o regente da triplicidade participante significa legados.

Casa 6 - O primeiro regente da triplicidade do ‘Sect’ significa doenças e a recuperação, o segundo regente da triplicidade do ‘Sect’ significa escravos e domésticos, o regente da triplicidade participante significa a importância do que se recebe dos escravos.

Casa 7 - O primeiro regente da triplicidade do ‘Sect’ significa esposas, o segundo regente da triplicidade do ‘Sect’ significa controvérsias e o regente da triplicidade participante significa parcerias e associações.

Casa 8 - O primeiro regente da triplicidade do ‘Sect’ significa morte, o segundo regente da triplicidade do ‘Sect’ significa coisas antigas e o regente da triplicidade participante significa heranças e tudo que o parceiro significa.

Casa 9 - O primeiro regente da triplicidade do ‘Sect’ significa viagens longas e peregrinações e o que acontecerá ao nativo durante as mesmas; o segundo regente da triplicidade do ‘sect’ significa religião e práticas religiosas, o regente da triplicidade participante é significador da sabedoria e sonhos, o conhecimento das estrelas, sua verdade e augúrios e sua prática.

Casa 10 - O primeiro regente da triplicidade do ‘Sect’ significa poder e recursos políticos, o segundo regente da triplicidade do ‘Sect’ significa voz de comando, e o regente da triplicidade participante significa estabilidade e continuidade

Casa 11 - O primeiro regente da triplicidade do ‘Sect’ significa confiança, o segundo, amigos e o terceiro a utilidade deles e seus benefícios.

Casa 12 - O primeiro regente da triplicidade do ‘Sect’ significa inimigos, o segundo trabalhos e o terceiro feras e gado. 

O leitor pode também usar:

1. Os signos do ASC até o MC (exclusive) para falar da primeira parte da vida.

2. Do MC até a Casa 8 (exclusive) para falar da segunda metade da vida.

3. Da Casa 8 e casa 7 para delinear o final da vida.

Já Antiochus, autor do século III em seu Thesaums, e Alchabitius autor do século X, seguem outra linha e dividem a vida do homem pelos ângulos (a Casa 4 não é mencionada):

1. Ascendente, significando o inicio da vida.

2. MC significando o meio da vida,

3. Descendente significando o final da vida.

Estou de acordo com Bonatti quando ele, apesar de citar teoricamente a divisão e o sentido das casas fornecidos acima, em seu Tratado 9, Natividades, diz preferir analisar as casas pelos seus regentes, à maneira que fizemos com nosso caso de exemplo, baseados em Abu Ali Al Khayyat.


Delineação da carta a Partir da Parte da Fortuna 

Tomaremos nossa carta de exemplo para mostrar uma técnica simples e geral, muito usada em astrologia Helenística com excelentes resultados. Recomendo que seja feito sempre, como um sistema comprobatório ou complementário da delineação.

Eis a carta de exemplo:


Vamos analisar a carta fazendo da Parte da Fortuna um horoskopus, como faziam os gregos.


O Ascendente nesta carta é regido por Júpiter, o que confirma a determinação de Júpiter para o ASC da nativa. O almuten da Parte da Fortuna é Vênus, mais uma confirmação de que Vênus é configurada para o Ascendente.

Júpiter está na Casa 8 e Vênus na casa 2: o dinheiro do parceiro e as posses materiais.

Vou inserir um conceito muito significativo, especialmente na obra de Morin de Villefranche, Astrologia Gálica: o conceito é o de “maléfico acidental”.

Isto significa que Júpiter, que é um benéfico, por encontrar-se numa casa maléfica, se comporta de forma acidentalmente maléfica, isto é ele é determinado, no presente caso, para a morte.

Júpiter e Vênus fazem quadratura com Saturno e Marte, agora na Casa 5.

Ora, a Fortuna está determinada, (ela e o ASC), para o corpo. O fato de seus dois regentes se relacionarem aos maléficos Marte e Saturno, a partir da Casa 2 e da Casa 8 alertam sobre a morte do nativo.

Por exemplo, se o nativo tem o regente da Casa 12 na Casa 10, isto significa que sua profissão se relaciona a assuntos da casa 12. Mas, se o contrário ocorrer, e ele tiver o regente da Casa 10 na Casa 12, seu trabalho é escravo, limitante, etc. O bom ou mau significado por uma casa depende do regente desta casa.

O que ocorre em nosso exemplo é que Vênus é o regente da Casa 8, como na carta natal, o que reforça o significado dela.

Vênus fala das condições da morte. Como ela faz aspecto com Saturno e Marte, eles e a Casa 5 acrescentam algo à delineação do fato, ainda mais que Saturno rege a Casa 8 por exaltação e a Casa 12, as doenças e limitações.

Vemos que o perigo à vida vem da Casa 5 e de tudo que ela significa.

Muito disso confirma o que está na carta radical, mas fornece novos detalhes e perspectivas.

Por exemplo, através desta nova carta vemos que casas referentes a recursos financeiros, sejam os da nativa ou os advindos da parceria são bastante estimulados e que o Sol exaltado na cúspide da Casa 2 da Fortuna sem dúvida fornece otimismo.

Virgem é o signo da sétima casa. Um signo duplo fala em favor de mais que um casamento: a qualidade do casamento é baixa, pois Mercúrio está combusto e retrógrado, num signo onde não tem dignidade.

A Lua faz um trígono com a Fortuna, a partir da Casa 9, os estudos, e recebe um trígono com mútua recepção de Marte (os dois são regentes do signo em que está o outro) e um trígono de Saturno, com recepção, mas desta vez uma recepção simples: a Lua recebe Saturno por domicílio. Estando a Lua na casa Nove, o interesse em assuntos sérios, antigos e em filosofia hermética é confirmado.87

Observe o leitor que nesta técnica estive usando whole signs, como os gregos o faziam: os planetas fazem aspecto por signo e não por graus.


A conclusão é que esta segunda carta esclarece pontos da primeira e nos fornece uma visão mais abrangente de possibilidades que sequer foram vistas na primeira carta.


Delineação da Carta a Partir da Lua 

Uma terceira carta, a partir da Lua também é bastante esclarecedora. Partindo da Lua como Ascendente, vemos a ênfase nas Casas 8, 5 e 12. Os planetas na Casa 5 estão por whole signs na Casa 6 e os que estão na 8 estão por whole signs na 9.

As duas ultimas cartas enfatizam a importância da casa 5 e da Casa 9: o divertimento, a criatividade, os filhos e os estudos.


A carta presente mostra a Parte da Fortuna na Casa 4, isto é a importância da família de origem como fonte de prosperidade e sorte. Sugere também que a nativa nasceu em berço de ouro, o que é verdade, mas só em parte, visto que a cúspide da casa está em Aquário, signo de Saturno, e Saturno está em detrimento.

Poderíamos seguir a delineação por muito mais tópicos, mas a falta de espaço nos limita.


Três Cartas Dizendo a Mesma Coisa 

Vamos agora, por favor, nos referir à carta de Lady Diana, nascida Diana Spencer, que faleceu num trágico acidente de carro.

Esta carta natal tem um primeiro problema notável: a Lua está conjunta a um Nodo, o Nodo Sul. Além disso, a Lua é regente da Casa 8 e está por whole signs na Casa 3.


Confirmando, levantarei uma carta a partir da Parte da Fortuna:



Aqui vemos que a Casa 8 é regida por Júpiter. O regente da Casa 8 estando na Casa 7 mostra que a morte virá por assuntos de Casa 7.

Também na Casa 7 está a Lua e o Nodo em conjunção, os quais na carta natal ocupam a terceira casa.

De maneira geral é importante sempre levar em consideração que a Casa 7 (e não apenas a Casa 8) é significadora de morte, pois a Casa 7 representa uma oposição ao ASC.

Sempre que realizo alguma pesquisa sobre possibilidade de falecimento presto atenção às oposições, que tem o sentido de Saturno, conforme foi explicado, e que são assunto de Casa 7.

Vejamos agora a carta a partir do signo da Lua:


Aqui vemos a Lua/Nodo no ASC fazendo quadratura com Vénus um planeta na Casa 4, o final das coisas. A Casa 3 é regida por Marte, que por whole signs está na Casa 8. E por divisão está na Casa 7. De novo: a Casa 7 tem juntamente com a Casa 8 o sentido de ataque ao ASC, a vida.

Tanto nesta carta como na anterior, temos Vênus angular: isto significa ser publicamente amada (Vênus na Casa 10), mas também permanecer como uma bela memória (Vênus na Casa 4).

Duas das três cartas são absolutamente claras quando ao perigo de vida advindo de pequenas viagens, ou transito. A segunda carta alerta para o problema ser relacionado a um parceiro.

Nesta ultima carta, Marte regente da casa 3 e determinado para o parceiro, se opõe à Casa 1, a vida.


Uma Palavra Final

Aqui termina o livro sobre os fundamentos da astrologia Tradicional.

Bem imagino que para muitos que me seguiram até aqui esta foi uma aventura árdua e eu agradeço a paciência e perseverança.

Os conceitos são sedimentados vagarosamente e de início é comum sentir-se perdido.

Mostrei a maneira prática de usar os ensinamentos contidos neste livro ao exemplificar a delineação das cartas de exemplo e mostrei também técnicas complementares que irão servir de auxílio.

É possível que algo tenha ainda permanecido obscuro por dificuldades inerentes ao assunto.

Releia as partes que deixaram dúvidas, volte ao que foi abordado antes, até sentir-se mais desembaraçado.

As previsões dependem de uma correta delineação, portanto quanto melhor for capaz o astrólogo de delinear uma carta em profundidade, mais fácil e exata se tomará a previsão. Isto depende de estudo, mas também de experiência e treino.

Nem tudo que existe em astrologia Tradicional foi coberto neste livro, obviamente. Aos interessados, há uma bibliografia em anexo.

Procure ler as fontes originais sempre que possível e não confie em ninguém com menos de 300 anos.

Isto significa: atenha-se a autores até o século XVII.

Boa sorte e espero encontrá-los de novo!


Bibliografia

1. Al Biruni “The Book of Instruction in the Elements of the Art of Astrology’’ tradução R.Ramsey Wright por edição Astrology Classics

2. Vettius Valens, Anthologia, tradução Robert Schmidt, editora Project Hindsight

3. Matheseos Libri VIII “Ancient Astrology Theory and Practice”, tradução Jean Rhys Bram

4. Willian Lilly, “Astrologia Cristã” tradução Biblioteca Sadalsuud

5. Jean Baptiste Morin, “Astrologia Gallica”, vol XVI, editora AFA

6. Dorotheus de Sidon,”Carmen Astrologicum”, tradução David Pingree

7. “Late Classical Astrology Paulus Alexandrinus and Olimpiodorus with the Scholia from later Commentators”, tradução Dorian Gieseler Gre-embaum, MA, ed. ARHAT

8. Vivian Robson, “The Fixed Stars and Constellations in Astrology” Astrology Classics

9. B.Brady, “Brady's Book of Fixed stars”, editado por Samuel Weiser Inc

10. Abraham Ibn Ezra, “The Book of Reasons”, por Shlomo Sela, Editora Brill

11. Anonymous of 379,” The treatise on The Fixed Stars” tradução Robert Schmidt, editado Project Hindsight

12. Johanes Schoener,” Opusculum Astrologicum “ Project Hindnsight, Latin track

13. Hephaisto of Thebes, “Apotelesmatics” Book 1. trad. Robert Schmidt, editado Project Hindsight

14. Paulus Alexandrinus, Introductory matters, tradução Robert Schmidt, editado Project Hindsight, Latin Track

15. Robert Hand, “Night and Day” , Editora ARHAT

16. Antiochus of Athens “The Thesaurus” tradução Robert Schmidt, editado Project Hindsight

17. Ibn Ezra “The Book of Nativities and Revolutions” Editado do manuscrito hebraico por Meira Epstein com anotações adicionais do latim por R. Hand Editora ARHAT

18. Antiocus, Porphyry, Rhetorius, etc,” Definitions and Foundations” tradução Robert Schmidt, editado Project Hindsight

19. Abu Mashar, “The Abbreviation of the Introduction to Astrology “, tradução Robert Schmidt, editado Project Hindsight

20. Abu Mashar,” On Solar Revolutions” trad. Robert Schmidt, editado Project Hindsight

21. Masha'allhah, “On Reception”, tradução Robert Hand, editor ARHAT

22. Claudius Ptolemy, The Phases of Fixed Stars, tradução RobertSchmidt, editado Project Hindsight

23. Claudius Ptolemy Tetrabiblos, tradução Robert Schmidt, editado Projeet Hindsight

24. Sahal e Masha'állah, tradução Benjamin Dykes, Ed Cazimi Press

25. Robot Zoller,”Tools & Techniques of the Medieval Astrologer” 3 Volumes- Editora New Library

26. Robert Zoller, “Diploma Course in Medieval Astrology”, Editora New Library

27. Robert Zoller”Fundamental Course in Medieval Astrology”, editado pela New Library, Londres.

28. Persian Nativities 1- “The Book of Aristotilis” - tradução Benjamin Dykes, Cazimi press

29. Morin de Villefranche, “Astrologia Gálica”, livro VI, Editora AFA

30. Abraham Ben Ezra , “Livro do Julgamento das Estrelas,”, Biblioteca Sadalsuud

31. Getulio Bittencourt, “A Luz do Céu Profundo”, Ed Nova Era

32. “Rhetorius, the Egyptian”, tradução James Holden, edição Kris Brandt Riske

33 Nicholas Champion, “History of Western Astrology: The Medieval and Modern Worlds”

34. James Herschel Holden, “A History of Horoscopic Astrology”

35. J. B. Morin de Villefranche “Astrologia Gallicae” livro 23, Editora Biblioteca Sadalsuud

36. J. B. Morin de Villefranche,”Astrologia Gallicae”, livro 22, Editora Biblioteca Sadalsuud




Clélia Romano, in Fundamentos da Astrologia Tradicional, Edição do Autor, 2011.

O livro pode ser adquirido aqui: http://www.astrologiahumana.com/