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sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Duração da Vida, Ptolomeu

A consideração sobre a duração da vida é a mais importante das investigações sobre os eventos após o nascimento, pois, como dizem os antigos, é ridículo fazer previsões particulares a alguém que, pela constituição dos anos de sua vida, jamais chegará ao momento dos eventos previstos. Essa doutrina não é assunto simples, nem está isolado dos outros, mas é derivada, de forma complexa, do domínio dos locais de maior autoridade. O método mais agradável para nós e, além disso, em harmonia com a natureza, é o seguinte. Ele depende inteiramente da determinação dos locais prorrogadores e das estrelas que alimentam a prorrogação, e da determinação dos locais ou estrelas destrutivas. Cada um desses é determinado da maneira seguinte:

Em primeiro lugar, devemos considerar os locais prorrogadores nos quais, de qualquer forma, o planeta deve estar para receber o domínio da prorrogação; ou seja, a décima-segunda parte do zodíaco ao redor do horóscopo, de 5° acima do horizonte real até os 25° que restam, que estão ascendendo logo após o horizonte; a parte em sextil destro a esses trinta graus, chamada de Casa do Bom Daimon; a parte em quartil, o meio-céu; a parte em trígono, chamada de Casa de Deus; e a parte oposta, o Ocidente. Entre estes, devem ser preferidos, com relação ao poder de domínio, em primeiro lugar os que estiverem no meio-céu, em seguida os do oriente, então os que estão no signo sucedente ao meio-céu, em seguida os no ocidente, então os do signo ascendendo antes do meio do céu; pois toda a região abaixo da Terra deve, como seria razoável supor, devem ser desconsiderada, exceto aquelas partes que, no próprio signo ascendente, estão subindo para a luz. Da parte acima da Terra não se deve considerar tanto o signo disjunto do ascendente, nem o que ascendeu antes dele, chamado de a Casa do Mau Daimon, porque ele fere a emanação à Terra das estrelas que nele estão, e ele também está declinando, e a exalação espessa e enevoada da umidade da Terra cria uma turbidez e uma, por assim dizer, obscuridade tão forte que as estrelas não aparecem com as suas cores ou magnitudes verdadeiras.

Após isso, mais uma vez, devemos tomar como prorrogadoras as quatro regiões de maior autoridade, ou seja, o Sol, a Lua, o Horóscopo, a Parte da Fortuna, bem como os regentes destes locais.

Sempre calcule a Parte da Fortuna como quantidade, em graus, tanto à noite como de dia, da distância da Lua ao Sol, e estenda a mesma quantidade do Horóscopo adiante na ordem dos signos seguintes, de modo que, quaisquer que sejam as relações e os aspectos que o Sol tenha com o horóscopo, a Lua também tenha com que a Parte da Fortuna, e que ela seja como um horóscopo lunar.

Desses todos, de dia daremos o primeiro lugar ao Sol, se ele estiver em locais prorrogativos; se não, à Lua; e se a Lua também não estiver em um desses locais, ao planeta que tiver mais relações de domínio com o Sol, com a conjunção precedente, e com o Horóscopo; ou seja, quando, dos cinco métodos de domínio existentes, ele tiver pelo menos três, ou mais; mas se isso não ocorrer, finalmente, daremos preferência ao horóscopo.

À noite, prefira primeiro a Lua, em seguida o Sol, então os planetas com o maior número de relações de domínio com a Lua, com a Lua Cheia precedente, e com a Parte da Fortuna; por último, se a sizígia anterior tiver sido uma Lua Nova, o horóscopo, mas se tiver sido uma Lua Cheia, a Parte da Fortuna.

Se ambos os luminares, ou o regente do próprio séquito, estiverem nos locais prorrogadores, devemos considerar o luminar que estiver no local de maior autoridade. Devemos, também, preferir o planeta regente de ambos os luminares somente quando ele ocupar uma posição de maior autoridade e tiver uma relação de domínio de ambos os séquitos Quando o prorrogador foi determinado, devemos, além disso, adotar dois métodos de prorrogação. Um, na ordem dos signos sucedentes, deve ser utilizado somente no caso do que é chamado de a projeção dos raios, quando o prorrogador estiver no oriente, ou seja, entre o meio-céu e o horóscopo. Não se deve utilizá-lo apenas, mas também o que segue a ordem dos signos precedentes, na assim proporção horária. quando o prorrogador estiver em locais que declinem do meio-céu.

Sendo assim, os graus destrutivos na prorrogação que segue a ordem dos signos precedentes são somente o grau do horizonte oeste, porque ele faz com que o Senhor da Vida desapareça; e os graus dos planetas que assim se aproximam ou testemunham simplesmente tiram ou adicionam anos à soma dos que estiverem até uma distância do poente do prorrogador, e eles não destroem porque eles não se movem na direção do local prorrogar, mas ele se move na sua direção. As estrelas benéficas adicionam e as maléficas subtraem. Mercúrio, mais uma vez, será incluído no grupo com o qual ele fizer aspecto. O número da adição ou da subtração é calculada por meio da localização em graus em cada caso. O número completo de anos é o mesmo que o número de períodos horários de cada grau, horas do dia quando é de dia e horas da noite quando é de noite; isso deve ser nosso cálculo quando eles estiverem no oriente, e a subtração deve ser feita em proporção ao seu afastamento desse lugar, até quando, no seu poente, ele se torna zero.

Na prorrogação na ordem dos signos sucedentes, no entanto, os locais dos planetas maléficos, Saturno e Marte, são destrutivos, se estiverem se aproximando de forma corpórea, ou projetarem seus raios de qualquer lugar que seja, em quartil ou oposição, e às vezes, também, em sextil, de um signo que observe, que seja obediente, ou que tenha o mesmo poder [com relação ao signo do prorrogador]; o signo que estiver em quartil com o signo prorrogador na ordem dos signos seguintes também é destrutivo. Às vezes, também, entre os signos de ascensão longa, o aspecto de sextil é destrutivo, quando estiver afligido, e entre os signos de ascensão curta o trígono é destrutivo. Quando a Lua é o prorrogador, o local do Sol também é destrutivo. Em uma prorrogação deste tipo, as aproximações dos planetas servem tanto para destruir quanto para preservar, uma vez que eles estão na direção do local prorrogativo. No entanto, não se deve pensar que esses locais sempre, inevitavelmente, são destrutivos, mas somente quando eles estão afligidos, pois eles são impedidos de destruir quando estão no termo de um planeta benéfico ou quando um dos planetas benéficos projeta seus raios em quartil, trígono ou oposição, tanto no próprio grau destrutivo quanto nas partes que o seguem, no caso de Júpiter até 12, e no de Vénus, a menos de 8: isso também ocorre quando o prorrogador e o planeta que se aproxima estiverem corporalmente presentes mas a latitude de ambos não for a mesma.

Quando existirem dois ou mais em cada lado, assistindo ou, ao contrário, destruindo, devemos considerar qual deles prevalece, pelo número dos que cooperam e por sua força; pelo número, quando um grupo for bem mais numeroso do que o outro, e com relação à força, quando alguns dos planetas assistentes ou destrutivos estiverem nos seus próprios lugares, e alguns não estiverem, e, em especial, quando alguns estiverem ascendendo e outros se pondo. Em geral, não devemos admitir qualquer planeta, tanto para destruir quanto para ajudar, que esteja sob os raios do Sol, exceto que, quando a Lua for o prorrogador, o local do Sol por si só é destrutivo, quando ele for modificado pela presença de um planeta maléfico e não for melhorado por nenhum dos planetas benéficos.

No entanto, o número de anos, determinado pelas distâncias entre o local prorrogativo e o planeta destrutivo, não deve ser determinado de forma simples ou leviana, de acordo com as tradições usuais, pois os momentos de ascensão de cada grau, exceto quando o próprio horizonte leste for o prorrogador, ou algum dos planetas que estiver ascendendo estiver nessa região for o prorrogador. Apenas um método está disponível para quem considerar este assunto de uma forma natural - calcular após quantos períodos equinociais o local do corpo seguinte ou do seu aspecto irá chegar ao local do precedente no momento real do nascimento, porque os períodos equinociais passam de forma uniforme pelo horizonte e pelo meio-céu, ambos os quais estão relacionados com as proporções das distâncias espaciais e, como é razoável, cada um dos períodos tem o valor de um ano solar. Sempre que o prorrogador e o local precedente estiverem de fato no horizonte leste, devemos considerar os momentos de ascensão dos graus até o local de encontro; após este número de períodos equinociais o planeta destrutivo chega ao local do prorrogador, ou seja, ao horizonte leste. Mas, quando ele estiver na verdade no meio-céu, devemos considerar as ascensões da esfera reta nas quais o segmento, em cada caso, passa pelo meio-céu; e, quando ele estiver no horizonte oeste, o número no qual cada um dos graus do intervalo descende, ou seja, o número no qual os diretamente opostos a eles ascendem.

Se o local precedente, no entanto, não estiver nesses três limites mas nos intervalos entre eles, neste caso os tempos das ascensões, descensões ou culminações mencionadas acima não levarão os locais seguintes aos locais dos precedentes, mas os períodos serão diferentes.

Um local é equivalente e similar ao outros se tiver a mesma posição na mesma direção com referência tanto ao horizonte quanto ao meridiano. Isso é quase completamente verdade considerando os que estão sobre um dos semicírculos descritos através das seções do meridiano e do horizonte, cada um dos quais, na mesma posição, perfaz a mesma hora temporal. Mesmo se ele, caso a revolução esteja sobre os arcos mencionados acima, atingir a mesma posição com relação tanto ao meridiano quanto ao horizonte, mas fizer os períodos de passagem do zodíaco de forma desigual com relação a um deles, do mesmo modo, nas posições das outras distâncias, ele fará as suas passagens de forma desigual com relação ao primeiro. Devemos, portanto, adotar apenas um método, pelo qual, se o local precedente ocupar o oriente, o meio-céu, o ocidente, ou qualquer outra posição, o número proporcional de períodos equinociais que levam o local seguinte a ele poderá ser determinado. Após termos descoberto o grau culminante do zodíaco e, além disso, o grau do local precedente e do subsequente, em primeiro lugar devemos investigara posição do precedente, quantas horas ordinárias ele está distante do meridiano, contando as ascensões que ocorrem, de forma apropriada, até o grau exato do meio-céu, seja acima ou abaixo da Terra, na esfera reta, e as dividindo pela quantidade de períodos horários do grau precedente, diurno se estiver acima da Terra e noturno se estiver abaixo. No entanto, uma vez que as seções do zodíaco que estejam um número igual de horas ordinárias distante do meridiano se localizam acima do mesmo semicírculo, dos mencionados acima, também será necessário encontrar após quantos períodos equinociais a seção subsequente estará distante do mesmo meridiano pelo mesmo número de horas ordinárias que o precedente. Quando tivermos determinado isso, devemos investigar quantas horas equinociais na sua posição original o grau do subsequente estava distante do grau no meio-céu, mais uma vez, por meio de ascensões da esfera reta, e quantas quando ele percorreu o mesmo número de horas ordinárias que o precedente, multiplicando esses pelo número de períodos horários do grau do subsequente Se, mais uma vez, a comparação das horas ordinárias estiver relacionada com o meio-céu acima da Terra, elas serão multiplicadas pelo número de horas diurnas, mas se estiver relacionada com o meio-céu abaixo da Terra, pelo número de horas noturnas. Tomando os resultados das diferenças das duas distâncias, devemos ter o número de anos para os quais a investigação foi feita.

Para tornar isso mais claro, suponhamos que o local precedente esteja no início de Áries, por exemplo, e o subsequente no começo de Gêmeos, na latitude onde o dia mais longo dura quatorze horas, e a magnitude horária do início de Gêmeos seja aproximadamente 17 períodos equinociais. Vamos pressupor que o início de Áries esteja ascendendo, de modo que o início de Capricórnio esteja no meio-céu, e o início de Gêmeos esteja distante do meio-céu 148 períodos equinociais. Agora, uma vez que o início de Áries está cinco horas ordinárias distante do meio-céu diurno, multiplicando isso pelos 17 períodos equinociais, que são os períodos de magnitude horária no início de Gêmeos, uma vez que a distância de 148 vezes está relacionada com o meio-céu acima da Terra, deveremos ter, para esse intervalo, também 102 vezes.

Assim, após 46 vezes, que é a diferença, o local subsequente irá passar à posição do precedente. Essa são quase exatamente os períodos equinociais da ascensão de Áries e Touro, já que pressupomos que o signo prorrogador é o Horóscopo.

Da mesma forma, esteja o início de Áries no meio-céu, de modo que na sua posição original o início de Gêmeos esteja 58 períodos equinociais distante do meio-céu. Portanto, uma vez que na sua segunda posição, o início de Gêmeos deve estar no Meio-céu, devemos ter, para essa diferença de distâncias, precisamente essa quantidade de 58 períodos, nos quais, mais uma vez, porque o signo prorrogativo está no meio-céu, Áries e Touro passam pelo meridiano.

Da mesma forma, esteja o início de Áries se pondo, de forma que o início de Câncer esteja no meio-céu e o início de Gêmeos esteja distante do meio-céu na direção do signo precedente por 32 períodos equinociais. Mais uma vez, se o início de Áries estiver seis horas ordinárias distantes do meridiano na direção do ocidente, se multiplicarmos isso por 17 teremos 102 períodos, que será a distância do início de Gêmeos até o meridiano no qual ele se põe. Na sua posição inicial ele também estava distante do mesmo ponto 32 vezes; portanto, ele se moveu para o ocidente em 70 vezes a diferença; no mesmo período, Áries e Touro descenderam e os signos opostos, Libra e Escorpião, ascenderam.

Vamos pressupor, agora, que o início de Áries não esteja em nenhum dos ângulos, mas distante, por exemplo, três horas ordinárias do meridiano na direção dos signos precedentes, de forma que o 18° grau de Touro esteja no meio-céu, e na sua primeira posição o início de Gêmeos esteja 13 períodos equinociais distante do meio-céu acima da Terra na ordem dos signos seguintes. Se, mais uma vez, multiplicarmos 17 períodos equinociais pelas três horas, o início de Gêmeos estará, na sua segunda posição, distante do meio-céu na direção dos signos líderes 51 períodos equinociais, e ele fará, ao todo, 64 vezes. Mas ele fez 46 vezes pelo mesmo procedimento quando o local prorrogativo estava ascendendo, 58 quando ele estava no meio-céu e 70 quando ele estava se pondo. Portanto, o número de períodos equinociais na posição entre o meio-céu e o ocidente é diferente dos outros, sendo 64, e essa diferença é proporcional ao excesso de três horas, uma vez que isso equivaleu a 12 períodos equinociais no caso dos outros quadrantes no centro, mas 6 períodos equinociais no caso da distância de três horas. Da mesma forma, em todos os casos que a proporção aproximada for observada, será possível usar o método dessa forma mais simples. Mais uma vez, quando o grau precedente estiver ascendendo, devemos empregar as ascensões até o subsequente; se ele estiver no meio-céu, os graus da esfera reta; e se estiver se pondo, as descensões. No entanto, quando ele estiver entre esses pontos, por exemplo no intervalo de Áries mencionado acima, devemos em primeiro lugar tomar os períodos equinociais correspondentes a cada um dos ângulos em torno, e encontraremos, uma vez que se pressupôs que o início de Áries estava além do meio-céu acima da Terra, entre o meio-céu e o ocidente, que os períodos equinociais até o primeiro grau de Gêmeos do meio-céu distam 58, e do ocidente, 70. Vamos determinar, agora, como foi proposto acima, quantas horas ordinárias a seção precedente está distante dos dois ângulos, e qual a fração que eles podem ter das seis horas ordinárias do quadrante; essa fração da diferença entre as duas somas devemos adicionar ou subtrair do ângulo com o qual a comparação é feita. Por exemplo, uma vez que a diferença entre os valores mencionados acima, 70 e 58, seja 12 períodos, e pressupondo que o local precedente esteja distante um número igual de horas ordinárias, três, de cada um dos ângulos, ou seja, metade das seis horas, então, também tomando metade dos 12 períodos equinociais e ou adicionando eles aos 58 ou subtraindo dos 70, devemos encontrar que o resultado é 64 vezes. Se ele estivesse, no entanto, distante duas horas ordinárias de qualquer um dos ângulos, que são um terço das seis horas, mais uma vez devemos tomar um terço dos 12 períodos de excesso, ou seja, 4, e assumindo que a remoção de duas horas foi a partir do meio-céu, teremos adicionado isso aos 58 períodos, mas se ele tiver sido medido do ocidente, teremos subtraído eles de 70.

O método de determinar a quantidade de intervalos temporais deve ser, deste modo, ser seguido de forma consistente. Para o restante, devemos determinarem cada um dos casos acima em que eles estejam se aproximando ou se pondo, na ordem dos que ascendem mais rápido, os que são destrutivos, climatéricos ou transicionais, de acordo com o que acontece com o encontro, se ele é assistido ou afligido, da forma como já expusemos, e por meio da significação particular das previsões feitas a partir dos ingressos temporais do encontro. Quando ao mesmo tempo os locais são afligidos e os trânsitos das estrelas com relação ao ingresso dos anos de vida aflige os locais de governo, devemos entender que a morte é com certeza significada; se um deles é benéfico, crises grandes e perigosas; se ambos são benéficos, apenas lentidão, danos, ou desastres transitórios. Nesses assuntos a qualidade especial é determinada pela familiaridade dos locais ocorrentes com as circunstâncias da natividade. Algumas vezes, quando se tem dúvidas de qual deve receber o poder destrutivo, não há nada evitando que calculemos os eventos de cada um e então, os seguirmos, ao prever o futuro, os eventos que concordam mais com os eventos passados, ou os observando todos, como tendo força igual, determinando, do mesmo modo que o anterior, a questão dos seus graus.


Do Tetrabiblos, de Ptolomeu






quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Sobre as Crianças que não Vingam, por Ptolomeu

Uma vez que ainda falta o relato das crianças que não vingam na discussão dos assuntos relacionados com o nascimento em si, é apropriado ver que, por um lado, esse procedimento está conectado com a pesquisa relacionada com a duração da vida, uma vez que a questão, em cada caso, é do mesmo tipo; mas, por outro lado, eles são distintos, porque há uma certa diferença no significado real da investigação. A questão da duração da vida considera os que em geral sobrevivem por períodos perceptíveis de tempo, ou seja, não menos do que um trajeto completo do Sol, e esse período é na verdade o que se entende por um ano; mas, potencialmente, períodos menores do que esse, meses e dias e horas, são também durações perceptíveis de tempo. No entanto, a investigação relacionada às crianças que não vingam se refere às que não atingem nenhum período de “tempo”, definido dessa forma, mas perecem em uma duração menor do que “tempo” por excesso de influência maléfica.

Por essa razão, a investigação da primeira questão é mais complexa; mas essa é mais simples, porque é o caso simplesmente de, se um dos luminares for angular e um dos planetas maléficos estiver em conjunção com ele, ou em oposição, tanto em graus quanto em igualdade de distância. enquanto não houver planetas benéficos fazendo nenhum aspecto, e se o senhor dos luminares for encontrado nos locais dos planetas maléficos, a criança que nascer não vingará; mas chegará imediatamente ao seu fim. Se isso ocorrer sem a igualdade de distância, mas os raios dos planetas maléficos incidirem perto dos locais dos luminares, e houver dois planetas maléficos, e se eles afligirem um ou ambos dos luminares, por sucessão ou por oposição, ou se um afligir um luminar e o outro atingir o outro, por sua vez, ou se um afligir por oposição e o outro por suceder o luminar, deste modo também as crianças nascidas não viverão; pois o número de aflições repele tudo o que for favorável à duração da vida devido à distância do planeta maléfico através da sua sucessão.

Marte aflige particularmente o Sol por sucessão, e Saturno, a Lua; ao contrário, em oposição ou posição superior Saturno aflige o Sol e Marte a Lua, principalmente se eles ocupam, como regentes, os locais dos luminares ou do horóscopo. Mas se houver duas oposições, quando os luminares estiverem nos ângulos e os planetas maléficos estiverem em uma configuração isósceles, então as crianças nascerão mortas ou semi-mortas. Nestas circunstâncias, se os luminares estiverem se afastando da conjunção com um dos planetas benéficos, ou estiverem em algum outro aspecto com eles, mas lançando, de qualquer modo, seus raios às partes que os precedem, a criança que nascer viverá um certo número de meses ou de dias, ou mesmo horas, igual ao número de graus entre o prorrogador e o raio mais próximo dos planetas maléficos, em proporção à grandeza da aflição e à força dos planetas regendo a causa.

Se, no entanto, os raios dos planetas maléficos caírem antes dos luminares, e os dos benéficos depois, a criança que for exposta será adotada e viverá. Mais uma vez, se os planetas maléficos sobrepujarem os benéficos que fizerem um aspecto sobre a genitura, eles viverão em aflição e servidão; mas se os planetas benéficos os sobrepujarem, eles viverão, mas como filhos supostos de outros pais; e se um dos planetas benéficos estiver ascendendo ou se aplicando à Lua, enquanto um dos planetas maléficos estiver se pondo, eles serão criados por seus próprios pais. E os mesmos métodos de julgamento serão utilizados também em casos de nascimentos múltiplos. Se um dos planetas que, dois a dois ou em grupos maiores, fizerem um aspecto com a genitura estiver no poente, a criança nascerá semi-morta, ou um mero pedaço de carne, e imperfeita. Mas e se os planetas maléficos os sobrepujarem, a criança nascida sob essa influência não será criada ou não sobreviverá.


Do Tetrabiblos, de Ptolomeu

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Sobre Monstros, por Ptolomeu

O assunto dos Monstros não é estranho à investigação presente, pois, em primeiro lugar, nesses casos os luminares estão o mais longe possível do horóscopo, ou não estão relacionados de nenhuma forma com ele, e os ângulos estão separados pelos planetas maléficos.

Sempre, então, que uma disposição assim for observada, já que elas frequentemente ocorrem em natividades humildes e sem sorte, mesmo que não sejam genituras de monstros, deve-se olhar imediatamente para a última Lua nova ou cheia precedente, e para o senhor dessa Lua e dos luminares do nascimento. Porque, se os locais do nascimento, da Lua, e do horóscopo, todos ou sua maioria, não estiverem relacionados com o local da sizígia anterior, a criança provavelmente será monstruosa. Se os luminares forem encontrados em signos de quatro patas ou com formas de animais, e os dois planetas maléficos estiverem angulares, a criança nem pertencerá à raça humana; se nenhum benéfico for testemunha dos luminares, mas o planetas maléficos o forem, ele será completamente bestial, um animal de natureza selvagem e nociva; mas se Júpiter ou Vénus forem testemunhas, ele será um dos tipos de animal que são considerados sagrados, como por exemplo cães, gatos, e coisas assim; se Mercúrio for testemunha, um dos que forem úteis ao homem, como pássaros, porcos, bois, touros e animais parecidos. Se os luminares forem encontrados em signos de forma humana, mas os outros planetas estiverem dispostos do mesmo modo, o que nascerá será, na verdade, da raça humana, ou participará, pelo menos, na natureza humana, mas será monstruoso e inclassificável no caráter qualitativo, e as suas qualidades neste caso, também, serão observadas a partir da forma dos signos nos quais os planetas maléficos que separam os luminares ou os ângulos estejam. Agora, se neste caso nenhum dos planetas benéficos for testemunha de qualquer dos lugares mencionados, a prole será inteiramente irracional e, no sentido verdadeiro da palavra, inclassificável; mas, se Júpiter ou Vénus for testemunha, o tipo de monstro será honrado e gracioso, como é o costume com os hermafroditas ou os assim chamados harpocratíacos, ou outros. Se Mercúrio for testemunha, junto com o exposto acima, essa disposição produz profetas que também ganham dinheiro dessa forma; mas, quando Mercúrio está sozinho, ele os torna sem dentes e surdos e mudos, embora espertos e astuciosos.


Do Tetrabiblos, de Ptolomeu

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Sobre os Gêmeos, por Ptolomeu

Da mesma forma, com relação ao nascimento de dois ou mais, é apropriado observar os mesmos lugares mencionados antes, ou seja, os dois luminares e o horóscopo.

Para um evento desses é adequado observar a combinação que ocorre quando dois ou três dos lugares estiverem em signos bicorpóreos, e particularmente quando isso também acontecer com os planetas que os regerem, ou quando alguns estiverem em signos bicorpóreos, e alguns estiverem dispostos em pares ou em grupos maiores. Quando ambos os locais dominantes estiverem em signos bicorpóreos e a maior parte dos planetas estiver configurada da mesma forma, então acontece que até mesmo mais de dois são concebidos, uma vez que o número é conjeturado a partir da estrela que causa a propriedade relacionada ao número. enquanto o sexo se vê a partir dos aspectos que os planetas fazem com relação ao Sol e à Lua e ao horóscopo para a produção de homens ou mulheres, de acordo com os modos indicados acima.

No entanto, sempre que este arranjo entre os planetas não apresentar os luminares no ângulo do horóscopo, mas no meio-céu, as mães com esse tipo de genitura normalmente conceberão gêmeos ou até mesmo mais; em particular, eles significam nascimentos múltiplos, de três homens, como na genitura de Reis, quando Saturno, Júpiter e Marte estiverem em signos bicorpóreos e fizerem o mesmo aspecto com os locais mencionados; de três mulheres, como na genitura das Graças, quando Vénus e a Lua, com Mercúrio feminino, estiverem arranjados da mesma forma; de dois homens e uma mulher, como na genitura dos Dióscuros, quando Saturno, Júpiter e Vênus estiverem ordenados dessa forma, e de duas mulheres e um homem, como na genitura de Deméter e Coré, quando Vênus, a Lua e Marte estiverem ordenados dessa forma. Nesses casos, normalmente acontece que os filhos não se desenvolvem totalmente e nascem com certas marcas corporais e, mais uma vez, os locais governados podem gerar determinadas marcas incomuns e surpreendentes devidas à manifestação divina, por assim dizer, desses prodígios.


Do Tetrabiblos, de Ptolomeu

terça-feira, 25 de julho de 2017

Se o Nativo é Homem ou Mulher, por Ptolomeu

Agora que o tópico dos irmãos foi levado aos nossos olhos de modo apropriado e natural, o próximo passo é iniciara discussão de assuntos diretamente relacionados ao nascimento, e em primeiro lugar tratar da investigação do sexo do nativo.

Isso não é determinado por nenhuma teoria baseada em algum fator isolado, mas depende da posição dos dois luminares, do horóscopo e das estrelas que tiverem alguma relação com eles, em particular com sua disposição no momento da concepção, mas de forma geral também no momento do nascimento.

A situação inteira deve ser observada; se os três locais mencionados acima e os planetas que os regem forem todos ou em sua maioria masculinos, homens serão produzidos, se forem femininos, mulheres serão produzidas, e nessa base a decisão dever ser tomada: devemos, no entanto, distinguir os planetas masculinos e femininos do modo proposto na série tabulada no começo desta compilação, da natureza dos signos nos quais eles estejam, e da natureza dos próprios planetas, e além disso, a partir da sua posição com relação ao universo, uma vez que eles se tornam masculinos quando estão no leste e femininos no oeste; e, além disso, da sua relação com o Sol, pois, mais uma vez, quando eles ascendem de manhã eles são masculinos, e são femininos quando ascendem ao entardecer. Por meio de todos esses critérios deve-se conjeturar qual planeta exerce o controle preponderante sobre o sexo.


Tetrabiblos, Ptolomeu.


sexta-feira, 21 de julho de 2017

Sobre os Irmãos e Irmãs, por Ptolomeu

Com relação aos irmãos, se aqui, também, se examinar apenas o assunto geral e não se ultrapassar os limites da possibilidade dessa investigação sobre o número exato e outros detalhes, é mais natural considerar, quando a questão é apenas dos irmãos de sangue, o signo culminante e o local da mãe, ou seja, onde está Vênus de dia e a Lua de noite; pois, nesse signo e no seguinte está o local das crianças da mãe, que deve ser o mesmo que o local dos irmãos do nativo.

Se, portanto, os planetas benéficos estiverem em aspecto com esse local, devemos prever uma abundância de irmãos, baseando a nossa conjectura no número de planetas e se eles forem signos de forma simples ou bicorpórea. No entanto, se os planetas maléficos os sobrepujarem ou estiverem em oposição a eles, haverá uma escassez de irmãos, especialmente se o Sol estiver entre eles. Se a oposição for nos ângulos, especialmente no horóscopo, no caso de Saturno estar no ascendente, eles serão os primogênitos ou os primeiros a vingar; no caso de Marte, há um pequeno número de irmãos por causa da morte dos outros. Se os planetas que indicam os irmãos estiverem em uma posição mundana favorável, devemos acreditar que os irmãos significados serão elegantes e distintos; se o contrário for o caso, humildes e inconspícuos. Se, entretanto, os planetas maléficos sobrepujarem os que indicam os irmãos, ou ascenderem após eles, os irmãos também terão vida curta; e os planetas masculinos no sentido mundano indicam homens, e o planetas femininos mulheres; mais uma vez, os mais ao leste serão os primeiros e os mais ao oeste nascerão mais tarde. Além disso, se os planetas que indicam irmãos estiverem em um aspecto harmonioso com o planeta que rege o local dos irmãos, eles serão amistosos, e também viverão juntos, se fizerem um aspecto harmonioso com a Parte da Fortuna; mas se estiverem em signos disjuntos ou em oposição, produzirão irmãos briguentos, ciumentos e, na maioria dos casos, intrigantes. Finalmente, caso alguém se interesse em investigar mais detalhadamente, com relação aos indivíduos, é possível, mais uma vez, considerar o planeta que significa os irmãos como o horóscopo e lidar com o resto como uma natividade.



 Tetrabiblos, Ptolomeu.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Sobre os Pais, por Ptolomeu

O modo de investigação, ao qual se deve aderir durante todo o tempo, é exposto anteriormente. Devemos, então, começar, seguindo a ordem já estabelecida, com a descrição dos pais, que vem primeiro.

O Sol e Saturno são, por natureza, associados à pessoa do pai e a Lua e Vênus à da mãe e, da forma como eles estiverem dispostos uns em relação aos outros e às outras estrelas, devemos julgar que está a questão dos pais. A pergunta sobre sua fortuna e riqueza deve ser investigada por meio da doriforia dos luminares; quando eles estiverem cercados por planetas benéficos e por planetas do seu próprio séquito, no mesmo signo ou no signo seguinte, as circunstâncias dos pais serão bastante brilhantes, principalmente se as estrelas da manhã servirem o Sol e as do entardecer servirem a Lua e os próprios luminares estiverem em locais favoráveis, do modo já descrito. Além disso, se Saturno e Vênus, da mesma forma, estiverem no oriente e nas suas faces, ou nos ângulos, devemos considerar esse fato uma previsão de felicidade conspícua, de acordo com o que é próprio e justo para cada pai. Por outro lado, se os luminares estiverem sozinhos e sem planetas assistentes, isso indica uma posição inferior e obscuridade para os pais, principalmente se Vênus ou Saturno não estiverem em posição favorável. Se, no entanto, eles tiverem assistentes, mas não planetas do mesmo séquito, como quando Marte ascende logo após o Sol, ou Saturno após a Lua, ou quando eles forem servidos por planetas benéficos em posição desfavorável ou que não sejam do mesmo séquito, devemos entender que uma situação moderada e sorte cambiante devam ser previstas para eles. Se a Parte da Fortuna, que explicaremos mais tarde, estiver de acordo, na natividade, com os planetas que, em uma posição favorável, assistem o Sol ou a Lua, as crianças receberão o patrimônio intacto; se, no entanto, ela estiver em desacordo ou em oposição, e não houver planeta servidor, ou se os planetas servidores foram maléficos, o patrimônio dos pais será inútil para os filhos, ou mesmo prejudicial.

Com relação à duração maior ou menor de sua vida, deve-se investigar a partir das outras configurações. No caso do pai, se Júpiter ou Vénus estiver em qualquer aspecto com o Sol e com Saturno, ou se o próprio Saturno estiver em um aspecto harmonioso com o Sol, seja em conjunção, sextil ou trígono, ambos estando com força, devemos conjeturar uma vida longa para o pai; se eles forem fracos, no entanto, a significação não é a mesma, embora isso não indique uma vida curta. Se, no entanto, esta condição não estiver presente, mas Marte estiver elevado com relação ao Sol ou Saturno, ou ascender logo após eles, ou quando, mais uma vez, Saturno não estiver em harmonia com o Sol, mas estiver em quartil ou em oposição, se eles estiverem declinando dos ângulos, os pais simplesmente serão fracos, mas se eles estiverem nos ângulos ou ascendendo após eles, eles terão vida curta ou serão passíveis de acidentes; de vida curta, quando estiverem sobre os dois primeiros ângulos, o oriente e o meio do céu, ou nos signos sucedentes, e passíveis de acidentes ou doenças quando estiverem nos outros dois ângulos, o ocidente e o meio do céu inferior, ou nos seus signos sucedentes. Marte, com relação ao Sol do modo descrito, destrói o pai de forma súbita ou causa danos à sua visão; se ele estiver relacionado a Saturno, o pai está em perigo de morte ou de tremores e febre ou de lesões por corte ou cauterização. O próprio Saturno em um aspecto desfavorável com o Sol traz a morte do pai por doença e enfermidades causadas pelo acúmulo de humores.

No caso da mãe, se Júpiter estiver em qualquer aspecto com a Lua e com Vênus, ou se a própria Vênus estiver em harmonia com a Lua, em sextil, trígono ou conjunção, quando elas estiverem com força, a mãe terá vida longa. Se, no entanto, Marte estiver relacionado com a Lua ou com Vênus, ascendendo após ela ou em quartil ou em oposição, ou se Saturno, da mesma forma, observar a própria Lua, quando estiverem diminuindo ou decaindo, mais uma vez a ameaça é apenas de infortúnio ou doença; mas se eles estiverem ascendendo ou angulares, a mãe terá vida curta ou será passível de dano. De forma parecida, ela terá vida curta quando eles estiverem nos ângulos do leste ou nos signos que ascendem após eles, e será passível de dano se eles estiverem nos ângulos do oeste. Quando Marte, desta forma, observa a Lua crescente, traz morte súbita e dano à vista para as mães; mas se a Lua estiver minguante, traz morte por aborto ou coisas semelhantes, e danos por cortes e cauterização. Se ele observar Vênus, causa morte por febre, enfermidades misteriosas e obscuras, e ataques súbitos de doença. Saturno observando a Lua causa morte e enfermidades, quando a Lua estiver oriental, por tremores e febre; quando ela estiver ocidental, por úlceras uterinas e câncer. Devemos levar em consideração, também, com relação aos tipos particulares de danos físicos, doenças, ou mortes, as características especiais dos signos nos quais os planetas que produzem a causa estão, os quais teremos ocasião mais apropriada para discutir na própria natividade e, além disso, devemos observar, de dia, em particular ao Sol e a Vênus, e de noite, Saturno e a Lua.

De resto, ao realizar essas investigações em particular, seria apropriado e consistente considerar o local do séquito paterno ou materno como um ascendente e investigar os tópicos restantes como se este novo mapa fosse a natividade dos próprios pais, seguindo o procedimento para a investigação das classificações gerais, tanto práticas quanto casuais, cujos títulos serão dados a seguir. No entanto, tanto aqui quanto em qualquer outro lugar é bom lembrar o modo de mistura dos planetas e, caso aconteça que os planetas que regem os locais sob investigação não sejam de um mesmo tipo, mas sejam diferentes, ou tenham efeitos opostos, devemos tentar descobrir os que têm mais direitos sobre o lugar e os modos nos quais eles se superam em força em um caso particular, para a regência dos eventos previstos. Isso é para que possamos, ou nos guiar em nossa investigação pelas naturezas desses planetas, ou, se os direitos de mais de um planeta forem de igual peso, quando os regentes estiverem juntos, possamos calcular de forma bem-sucedida o resultado combinado da mistura das suas diferentes naturezas; mas quando eles estiverem separados, devemos dar a cada um deles, por sua vez, no tempo adequado, os eventos que pertencem a cada um, primeiro para o mais oriental entre eles e então para o mais ocidental. Um planeta deve, desde o começo, ter familiaridade com o local no qual a investigação é feita, para exercer algum efeito nela, e, em geral, se esse não for o caso, um planeta que não tiver nenhuma parcela no início não pode exercer grande influência; no momento da ocorrência do evento, no entanto, a dominância original não é mais a causa, mas a distância do planeta que domina, de qualquer forma, a partir do Sol e dos ângulos do universo.


Do Tetrabiblos, de Ptolomeu

segunda-feira, 22 de maio de 2017

A subdivisão da Ciência das Natividades, por Ptolomeu

Após esse prefácio, qualquer um que quiser, apenas por uma questão de organização, tentar subdividir o campo da ciência genetlialógica, encontraria que, de todas as previsões naturais e possíveis, uma divisão é dedicada apenas aos eventos anteriores ao nascimento, como a descrição dos pais; outra lida com eventos anteriores e posteriores ao nascimento, como a descrição dos irmãos e das irmãs; outra, com eventos no próprio momento do nascimento, um assunto que não é tão unitário e simples; e, finalmente, a que trata dos assuntos pós-natais, que é, da mesma forma, mais complexa no seu desenvolvimento teórico. Entre os assuntos investigáveis contemporâneos ao nascimento estão o do sexo, sobre os gêmeos, sobre monstros e sobre crianças que não sobrevivem. Entre os que lidam com eventos posteriores ao nascimento está a descrição da duração da vida, porque essa questão não está relacionada às crianças que não vingam; em segundo lugar, a forma do corpo e as doenças corporais e os ferimentos; em seguida, a qualidade da mente e as doenças mentais; em seguida, a fortuna, tanto em questões de posses quanto de dignidade; então, descrições da qualidade da ação; em seguida, o casamento e a geração de filhos, e as associações, acordos e amigos; em seguida, as viagens, e finalmente a qualidade de morte, o que é potencialmente similar à investigação sobre a duração da vida, mas, por ordem, deve ser posta no fim de todos esses assuntos. Iremos esboçar cada um desses assuntos de forma breve, explicando, como dissemos antes, junto com as forças eficientes em si, o procedimento de investigação; com relação aos disparates com a qual muitas pessoas desperdiçam o seu trabalho e dos quais nenhum relato decente pode ser feito, iremos nos abster, preferindo as causas naturais primárias. Tudo o que, no entanto, admitir previsão, iremos investigar, não por meio de Lotes e números dos quais não se pode dar uma explicação razoável, mas somente por meio da ciência dos aspectos das estrelas aos locais com os quais elas têm familiaridades, em termos gerais, no entanto, que são aplicáveis a absolutamente todos os casos, para podermos evitar a repetição que envolve a discussão dos casos particulares.

Em primeiro lugar, devemos examinar o local do zodíaco que seja pertinente à questão da genitura que esteja sob investigação; por exemplo, o meio-céu, para a investigação sobre a ação, ou o local do Sol para a questão sobre o pai; então, devemos observar aqueles planetas que tenham uma relação de regência no local em questão dos cinco modos ditos acima; caso um planeta seja o senhor de todos esses modos, devemos apontá-lo como o regente da previsão; se forem dois, ou três, devemos escolher o que tiver mais direitos. Em seguida, para determinar a qualidade da previsão, devemos considerar as naturezas dos planetas regentes em si e dos signos nos quais os planetas estão, e dos locais a eles familiares. Para sabermos a magnitude do evento, devemos examinar a sua força e observar se eles estão ativamente situados tanto no cosmo quanto na natividade, ou não; pois eles são mais eficazes quando, com relação ao cosmo, estão na sua própria região ou em alguma região familiar, e, da mesma forma, quando estão ascendendo e aumentando seus números; e, com relação à natividade, se eles estiverem passando pelos ângulos ou signos que ascendem após eles, especialmente os principais, ou seja, os signos ascendente e culminante. Eles são mais fracos, com relação ao universo, quando estão em locais pertencentes a outros ou não relacionados com eles mesmos, e quando estão ocidentais ou retrocedendo seu curso; e, com relação à natividade, quando estão declinando dos ângulos. Para o momento do evento previsto em geral, devemos observar se eles estão orientais ou ocidentais com relação ao Sol e ao ascendente; os quadrantes que os precedem e os que lhes são diametralmente opostos são orientais, e os outros, que seguem, são ocidentais. Também devemos observar se eles estão nos ângulos ou nos signos sucedentes, porque se eles estiverem orientais ou nos ângulos, são mais eficazes no começo; se estiverem ocidentais ou nos signos sucedentes, eles demoram mais a agir.



Do Tetrabiblos, Livro 2.

Sobre o Grau do Ponto Horoscópico [Ascendente], por Ptolomeu

Com relação ao primeiro e mais importante fato, ou seja, a fração da hora do nascimento, uma dificuldade normalmente surge; pois, em geral, somente a observação através de astrolábios horoscópicos no momento do nascimento pode, para observadores científicos, dar o minuto exato, enquanto que praticamente todos os outros instrumentos horoscópicos com os quais a maioria dos praticantes mais cuidadosos contam são, com frequência, passíveis de erro; os instrumentos solares, pela mudança ocasional de suas posições ou da inclinação de seu ponteiro; os relógios de água, por paradas e irregularidades no fluxo, por diferentes causas e por mero acaso.

Seria, então, necessário, que em primeiro lugar se desse um relato de como se pode, por raciocínio natural e consistente, descobrir o grau do zodíaco que esteja ascendendo, dado o grau da hora conhecida mais próxima do evento, o que se descobre pelo método das ascensões.

Devemos, então, tomar a sizígia mais recente anterior ao nascimento, seja ela uma Lua Nova ou Cheia; e, da mesma forma, tendo determinado precisamente o grau dos luminares, caso a Lua seja Nova, ou o grau do luminar que estiver acima da Terra, caso a Lua seja Cheia, observar quais estrelas o regem no momento do nascimento.

Em geral, o modo do domínio é considerado como caindo em uma destas cinco formas: triplicidade, domicílio, exaltação, termo e fase ou aspecto; ou seja, se o ponto zodiacal em questão está relacionado em um, ou diversos, ou todos os modos, com a estrela que seja a regente.

Se, então, descobrimos que uma estrela é familiar com o grau em todos ou na maioria destes aspectos, qualquer grau, determinado por observação precisa, que esta estrela esteja ocupando no signo pelo qual esteja passando, devemos julgar que o grau correspondente está ascendendo no momento da natividade no signo que esteja mais próximo, pelo método das ascensões. Mas se descobrirmos dois ou mais co-regentes, devemos utilizar o número de graus apresentado por qualquer um deles que esteja, no momento do nascimento, passando pelo grau que esteja mais perto do que esteja ascendendo, de acordo com o método de ascensões. No entanto, se dois ou mais estiverem próximos no número de graus, devemos seguir aquele que for mais proximamente relacionado com os centros e o séqüito. Se, no entanto, a distância do grau ocupado pelo regente até o grau do horóscopo geral for maior do que sua distância até o meio-céu correspondente, devemos utilizar o mesmo número para constituir o nível médio e portanto estabelecer os outros ângulos.


Do Tetrabiblos, Livro 2.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Sobre as Familiaridades entre os Países e as Triplicidades e Estrelas, por Ptolomeu

Das quatro formações triangulares reconhecidas no zodíaco, como demonstramos acima, a que consiste de Aries, Leão e Sagitário é do Noroeste, e dominada principalmente por Júpiter devido ao vento norte, mas Marte se junta a esta regência por causa do vento sudoeste. Aquela que é composta de Touro, Virgem e Capricórnio é do Sudeste, e, novamente, é governada primariamente por Vénus devido ao vento sul, mas em conjunto com Saturno por causa do vento leste. A que consiste em Gêmeos, Libra e Aquário é do Nordeste e é governada primariamente por Saturno, por causa do vento leste, e conjuntamente com Júpiter por causa do vento norte. O triângulo de Câncer, Escorpião e Peixes é do Sudoeste e é governado primariamente, devido ao vento sudoeste, por Marte, que rege conjuntamente com Vénus devido ao vento sul.

Já que as coisas são assim, e uma vez que nosso mundo habitado é divido em quatro quadrantes, igual em número aos triângulos, e é dividido latitudinalmente por nosso Mar, dos Estreitos de Hércules até o Golfo de Isso e os cumes montanhosos adjacentes no Leste, e devido a estes suas porções ao norte e ao sul são separadas; e na longitude pelo Golfo Arábico, o Mar Egeu, o Ponto e o Lago Maeotis, pelos quais as porções ao leste e ao oeste estão separadas, surgem quatro quadrantes, e estes concordam em sua posição com os triângulos. O primeiro quadrante está localizado inteiramente no noroeste do mundo habitado; ele abrange a Gália Celta e damos a ele o nome geral de Europa. Oposto a esta região está o quadrante sudeste, que inclui a Etiópia do leste, que seria denominada a parte sul da Ásia Maior. Mais ainda, o quadrante nordeste do mundo habitado é o que contém a Cítia, que da mesma forma é a parte norte da Ásia Maior; e o quadrante oposto a este e na direção do vento sudeste, o quadrante da Etiópia do oeste, é o que chamamos pelo termo geral de Líbia.

Novamente, de cada um dos quadrantes mencionados acima, suas partes que estão localizadas mais próximas do centro do mundo habitado são dispostas de uma forma contrária em relação aos quadrantes que as circundam, da mesma forma que estes últimos estão em comparação com o mundo inteiro; e, uma vez que o quadrante europeu está todo no noroeste do mundo, as suas partes perto do centro, que estão alinhadas ao ângulo oposto, obviamente estão situadas na região sudeste do quadrante. O mesmo é verdade para todos os outros quadrantes, de forma que cada um deles está relacionado a dois triângulos situados em oposição a eles, pois, enquanto as outras partes estão em harmonia com a inclinação geral do quadrante, as porções no centro do mundo têm familiaridade com a inclinação oposta, e, mais ainda, sobre as estrelas que governam em seus próprios triângulos, em todos os outros domicílios elas governam sozinhas, mas nas partes próximas ao centro, da mesma forma estão com o grupo, e além disso, Mercúrio, porque ele está no meio do caminho entre os dois séquitos e é comum a ambos.

Sob este arranjo, o restante do primeiro quadrante, ou seja, o quadrante europeu, situado no noroeste do mundo habitado, é similar ao triângulo noroeste, Áries, Leão e Sagitário, e é governado, como se deveria esperar, pelos senhores do triângulo, Júpiter e Marte, ocidentais. Em termos de nações inteiras, estas partes consistem da Bretanha, da Gália Transalpina, Alemanha, Bastárnia,ltália, Gália Cisalpina, Apúlia, Sicília, Tirrênia, Céltica e Espanha. Como se poderia esperar, é a característica geral destas nações, em razão da predominância dos triângulos e das estrelas que se juntam em seu governo, serem independentes, amantes da liberdade, com apreço pelas armas, industriosos, muito guerreiros, com qualidades de liderança, higiênicos e magnânimos. No entanto, por causa do aspecto ocidental de Júpiter e Marte, e além disso, porque as primeiras partes do triângulo mencionado acima são masculinas e as últimas femininas, eles não têm paixão por mulheres e desprezam os prazeres do amor, mas estão mais satisfeitos com e possuem maior desejo em relação a homens. E eles não consideram o ato como uma desgraça para a honra, nem, na verdade, se tornam afeminados ou moles por causa desta tendência, porque sua disposição não é pervertida, mas eles retêm em suas almas a hombridade, a utilidade, boa fé, amor do companheirismo e benevolência. Destes mesmos países, a Bretanha, a Gália Transalpina, a Alemanha e a Bastárnia são mais familiares com Áries e Marte. Assim, na maior parte dos casos, seus habitantes são mais ferozes, mais teimosos e bestiais. No entanto, a Itália, Apúlia, a Gália Cisalpina e a Sicília são mais familiares com Leão e com o Sol; portanto, estes povos são mais destros, soberanos, benevolentes e cooperativos. A Tirrênia, a Céltica e a Espanha são sujeitas a Sagitário e Júpiter, de onde vêm sua independência, simplicidade e amor por limpeza. As partes deste quadrante que estão situadas ao redor do centro do mundo habitado, Trácia, Macedõnia, Ilíria, Hélade, Acaia, Creta, e da mesma forma as Cíclades, e as regiões da costa da Ásia Menor e Chipre, que estão na porção sudeste do quadrante inteiro, têm, além do explicado acima, familiaridade com o triângulo do sudeste, Touro, Virgem e Capricórnio, e seus co-regentes, Vênus, Saturno e Mercúrio. Em consequência, os habitantes destes países são de um modo conforme com estes planetas no corpo e na alma e são de uma constituição mais combinada. Eles também possuem qualidades de liderança e são nobres e independentes, por causa de Marte; eles são amantes da liberdade e se auto-governam, são democráticos e feitores de leis, devido a Júpiter; amantes de música e do estudo, com apreço pelas competições e higiene, devido a Vênus; sociais, amigáveis em contato com o estrangeiro, amantes da justiça, com apreço pelas letras e muito eficientes na eloquência, por causa de Mercúrio, e são particularmente viciados em demonstrações de mistérios, por causa do aspecto ocidental de Vênus. Mais uma vez, parte a parte, os deste grupo que vivem nas Cíclades e nas costas da Ásia Menor e do Chipre são mais estreitamente familiares a Touro e Vênus; por estas razões eles são, no geral, luxuriosos, limpos e atentos ao próprio corpo. Os habitantes da Hélade, da Acaia e de Creta, no entanto, têm familiaridade com Virgem e Mercúrio, e são, portanto, melhores no raciocínio e amigos do estudo, e exercitam a alma, preferentemente ao corpo. Os macedônios, trácios e ilirianos têm familiaridade com Capricórnio e Saturno, de modo que embora eles sejam perdulários, não têm uma natureza mole, nem são sociáveis em suas instituições.

Sobre o segundo quadrante, que abrange a Índia, a Ariana, a Gedrósia, a Párcia, a Média, a Pérsia, a Babilônia, a Mesopotãmia e a Assíria, que estão situadas no sudeste do mundo habitado, são, como poderíamos supor, familiares ao triângulo sudeste, Touro, Virgem e Capricórnio, e são governadas por Vênus e Saturno em aspectos orientais. Portanto, veremos que as naturezas de seus habitantes estão em conformidade com os temperamentos governados por estes regentes; pois eles reverenciam a estrela de Vênus sob o nome de Isis, e a de Saturno pelo nome de Mithras Helios. A maior parte deles, também, prediz eventos futuros, e entre eles existe a prática de consagrar os órgãos genitais, por causa do aspecto das estrelas acima mencionadas, que por natureza é generativo. Além disso, eles são ardentes, concupiscentes e inclinados aos prazeres do amor; através da influência de Vênus eles são dançarinos, saltadores e amantes do adorno, e através da influência de Saturno, amantes da vida luxuosa. Eles realizam suas relações com as mulheres de forma aberta e não em segredo, por causa do aspecto oriental de Vênus, mas consideram detestável este tipo de relação com machos. Por estas razões muitos deles geram crianças com suas próprias mães, e eles fazem o que o peito lhes manda, em virtude do nascer matinal dos planetas e por causa da primazia do coração, que é próximo do poder do Sol. Em relação ao resto, são geralmente luxuosos e efeminados no modo de se vestir, de se adornar e em todos os hábitos relativos ao corpo, por causa de Vênus. Em suas almas e por sua predileção eles são magnânimos, nobres e afeitos à guerra, devido às familiaridades com Saturno oriental. Parte por parte, mais uma vez, Párcia, Média e Pérsia são mais estreitamente familiares com Touro e Vênus, portanto seus habitantes utilizam roupas bordadas, que cobrem todo o corpo exceto o peito e são de uma maneira geral luxuosos e limpos. Babilônia, Mesopotâmia e Assíria são familiares a Virgem e Mercúrio, e, portanto, o estudo da matemática e a observação dos cinco planetas são traços especiais destes povos. Índia, Ariana e Gedrósia possuem familiaridade com Capricórnio e Saturno; portanto, os habitantes destes países são feios, sujos e bestiais. As partes restantes do quadrante, situadas próximas do centro do mundo habitado, Idumeia, Síria Coelê, Judeia, Fenícia, Caldeia, Orquínia e Arábia Feliz, que estão situadas para o noroeste do quadrante inteiro, têm uma familiaridade adicional com o triângulo do noroeste, Aries, Leão e Sagitário e, além disso, possuem como co-regentes Júpiter, Marte e Mercúrio. Portanto, estes povos são, em comparação com os outros, mais hábeis no comércio e nas trocas; eles são mais inescrupulosos, covardes desprezíveis, traidores, servis e em geral inconstantes, devido ao aspecto das estrelas mencionadas. Destes, novamente os habitantes da Síria Coelê, da Idumeia e da Judeia são mais estreitamente familiares com Aries e Marte, e portanto estes povos são em geral ousados, sem Deus e armadores de esquemas. Os fenícios, caldeus e orquínios têm familiaridade com Leão e o Sol, de modo que eles são mais simples, mais afáveis, viciados em astrologia e acima de todos os outros homens adoradores do Sol. Os habitantes da Arábia Félix são familiares a Sagitário e Júpiter; isso explica a fertilidade do país, de acordo com seu nome, e sua variedade de temperos, e a graça de seus habitantes e seu livre espírito na vida diária, no comércio e nos negócios.

Sobre o terceiro quadrante, que inclui a parte norte da Ásia menor, as outras partes, incluindo a Hircânia, a Armênia, a Matiana, a Bactriana, a Caspéria, a Sérica, a Seuromática, a Oxiana, a Sogdiana e as regiões no nordeste do mundo habitado, são familiares com o triângulo nordeste, Gêmeos, Libra e Aquário, e são, como poderia se esperar, governadas por Saturno e Júpiter err aspecto oriental. Portanto, os habitantes destas terras adoram a Júpiter e Saturno, possuem muitas riquezas e ouro e são limpos e decentes em seu viver, educados e adeptos dos assuntos de religião, justos e liberais em suas maneiras, magnânimos e nobres de alma, odiadores do mal, passionais e prontos para morrer por seus amigos por uma causa santa e justa. Eles são dignos e puros em suas relações sexuais, pródigos no vestir, graciosos e magnânimos; estas coisas em geral são causadas por Saturno e Júpiter em aspectos do leste. Dessas nações, novamente, Hircânia, Armênia e Matiana são mais estreitamente familiares com Gêmeos e Mercúrio; e, portanto, são mais facilmente movidos e inclinados à trapaça. Bactriana, Casperia e Sérica são mais afins a Libra e Vênus, de modo que seus povos são ricos e seguidores das Musas, e mais luxuosos. As regiões de Sauromática, Oxiana e Sogdiana são familiares a Aquário e Saturno; estas nações são, portanto, menos gentis, estéreis e bestiais. As regiões remanescentes deste quadrante, que se localizam perto do centro do mundo habitado, Bitínia, Frigia, Cólquica, Síria, Comagenê, Capadócia, Lídia, Lícia, Cilicia e Panfília, uma vez que estão situadas no sudeste do quadrante, têm, além disso, familiaridade com o quadrante sudoeste, Câncer, Escorpião e Peixes, e seus co-regentes são Marte, Vênus e Mercúrio; portanto, aqueles que vivem nesses países geralmente adoram Vênus, como mãe dos deuses, a chamando por vários nomes, e Marte e Adônis, para quem eles também dão outros nomes, e eles celebram em sua honra certos mistérios acompanhados por lamentações. Eles são em alto grau depravados, servis, trabalhadores trapaceiros, podem ser encontrados em expedições mercenárias, pilhando e fazendo cativos, escravizando seu próprio povo e realizando guerras destrutivas. Devido à junção de Marte e Vênus no oriente, uma vez que Marte está exaltado em Capricórnio, um signo do triângulo de Vênus, e Vênus em Peixes, um signo do triângulo de Marte, surge que suas mulheres demonstram completa boa vontade em relação a seus maridos; elas são apaixonadas, cuidam da casa, diligentes, prestativas e em todos os aspectos trabalhadoras e obedientes. Destes povos, novamente, aqueles que vivem em Bitínia, Frigia e Cólquica são mais estreitamente familiares a Câncer e à Lua; portanto, os homens são geralmente cuidadosos e obedientes, e a maior parte das mulheres, devido à influência do aspecto oriental e masculino da Lua, são viris, comandantes e afeitas à guerra, como as Amazonas, que desprezam o comércio com os homens, amam as armas e desde a infância tornam masculinas todas as suas características femininas, ao cortar seus seios direitos por necessidades militares e deixando estas partes nuas na linha de batalha, para mostrarem a ausência de feminilidade em suas naturezas. Os povos da Síria, Comagenê e Capadócia são familiares a Escorpião e Marte; portanto, muita ousadia, engodo, traição e labor são encontrados entre eles. Os povos da Lídia, Cilicia e Panfília são familiares com Peixes e Júpiter, e portanto são mais saudáveis, comerciais, livres socialmente e confiáveis em seu acordos.

Sobre o quadrante restante, que inclui o que é chamado pelo nome comum de Líbia, as outras regiões, incluindo a Numídia, Cartago, África, Fazânia, Nasamonite, Garamântica, Mauritânia, Getúlia, Metagonite e as regiões situadas no sudeste do mundo habitado estão relacionadas, devido à sua familiaridade, com o triângulo sudoeste, Câncer, Escorpião e Peixes, e são, portanto, regidos por Marte e Vênus em seu aspecto ocidental. Por esta razão, a maior parte de seus habitantes, por causa da junção mencionada acima destes planetas, é governada por um homem e sua esposa, que são irmão e irmã, o homem governante dos homens e a mulher das mulheres, e uma sucessão desta forma é mantida. Eles são extremamente ardentes e dispostos ao comércio com mulheres, de forma que mesmo seus casamentos são feitos através de abduções violentas, e frequentemente seus reis aproveitam o jus primae noctis [direito da primeira noite] com as noivas, e entre alguns deles as mulheres são comuns a todos os homens. Eles são afeitos a se embelezarem, e se adornarem com adereços femininos, devido à influência de Vênus; pela influência de Marte, no entanto, eles são viris de espírito, trapaceiros, mágicos, impostores, enganadores e despreocupados. Desses povos, novamente, os habitantes da Numídia, de Cartago e da África são mais estreitamente familiares a Câncer e à Lua. Eles são, portanto, sociais, comerciantes e vivem em grande abundância. Os que habitam Metagonite, Mauritânia e Getúlia são familiares a Escorpião e Marte; eles são, portanto, mais agressivos e amantes da guerra, comedores de carne, muito descuidados e despreocupados com a vida a tal grau que não poupam nem uns aos outros. Aqueles que vivem na Fazânia, em Nasamonite e em Garamântica são familiares a Peixes e Júpiter, e, portanto, são livres e simples em suas características, com vontade de trabalhar, inteligentes, limpos e independentes, de uma forma geral, e são adoradores de Júpiter pelo nome de Amon. As partes restantes do quadrante, que estão situadas perto do centro do mundo habitado, Cirenaica, Marmárica, Egito, Tebas, o Oásis, Troglodítica, Arábia e a Etiópia Meridiana, que se voltam para o nordeste do quadrante inteiro, têm uma familiaridade adicional com o triângulo nordeste, Gêmeos, Libra e Aquário, e, portanto, possuem como co-regentes Saturno e Júpiter e, além desses, Mercúrio. Portanto, aqueles que vivem nestes países, porque todos eles em comum, por assim dizer, estão sujeitos à regência ocidental dos cinco planetas, são
adoradores dos deuses, supersticiosos, dados a cerimônias religiosas e afeitos à lamentação; eles enterram seus mortos, os pondo fora do alcance da visão, por causa do aspecto ocidental dos planetas; e eles praticam todos os tipos de usos, costumes e ritos a serviço de todos os tipos de deuses. Quando comandados eles são humildes, tímidos, penosos e suportam longos sofrimentos; quando lideram, são corajosos e magnânimos; são, no entanto, polígamos e poliândricos e dados à luxúria, casando-se até mesmo com suas próprias irmãs, e os homens são potentes na geração, as mulheres, na concepção, e até sua terra é fértil. Além disso, muitos dos homens são doentes e afeminados de alma, e mesmo alguns desprezam os órgãos de geração, devido à influência do aspecto dos planetas malignos em combinação com Vênus ocidental. Destes povos, os habitantes de Cirenaica e Marmárica, e particularmente do Baixo Egito, são mais estreitamente relacionados com Gêmeos e Mercúrio; por causa disto eles são ponderados, inteligentes e têm facilidades em todas as coisas, especialmente na busca da sabedoria e na religião; eles são mágicos, realizam ritos de mistérios secretos e são em geral versados em matemática. Aqueles que vivem em Tebas, no Oásis e na Troglodítica, são familiares a Libra e Vênus, portanto são mais ardentes e vivazes de natureza e vivem na abundância. Os povos da Arábia, Azãnia e Etiópia Meridional são familiares a Aquário e Saturno, e por essa razão são comedores de carne, de peixe e nômades, vivendo uma vida dura e bestial.

Essa foi a nossa exposição breve das familiaridades dos planetas e dos signos do zodíaco com as diversas nações e das características gerais desses últimos. Também exporemos, para uso imediato, uma lista das diversas nações que estão em familiaridade, em cada signo, de acordo com o que já foi dito acima sobre eles. Assim:

Aries: Bretanha, Gália, Germânia, Bastárnia; no centro, Síria Coelê, Palestina, Idumeia, Judeia.

Touro: Párcia, Média, Pérsia; no centro, as Cíclades, Chipre, a região costal da Ásia Menor.

Gêmeos: Hircânia, Armênia, Matiana; no centro, Cirenaica, Marmárica, Egito Menor.

Câncer: Numídia, Cartago, África; no centro, Bitínia, Frigia, Cólquica.

Leão: Itália, Gália Cisalpina, Sicília, Apúlia; no centro, Fenícia, Caldeia, Orquênia.

Virgem: Mesopotãmia, Babilônia, Assíria; no centro, Hélas, Acaia, Creta.

Libra: Bactriana, Caspéria, Sérica; no centro, Tebas, Oásis, Troglodítica.

Escorpião: Metagonite, Mauritânia, Getúlia; no centro, Síria, Comagenê, Capadócia.

Sagitário: Tirrênia, Céltica, Espanha; no centro, Arábia Félix.

Capricórnio: Índia, Ariana, Gedrósia; no centro, Trácia, Macedõnia, Ilíria.

Aquário: Sauromática, Oxiana, Sogdiana; no centro, Arábia, Azãnia, Etiópia Meridional

Peixes: Fazânia, Nasamonite, Garamântica; no centro, Lídia, Cilicia, Panfília.

Agora que o assunto estudado foi apresentado, é razoável adicionar a esta seção esta consideração posterior — que cada uma das estrelas fixas tem familiaridade com os países com os quais as partes do zodíaco que têm a mesma inclinação que elas (com relação ao círculo feito através de seus polos) exercem simpatia. Além disso, no caso de cidades metropolitanas, as regiões do zodíaco que são as mais simpáticas são as através das quais o Sol ou a Lua passaram (para os centros, especialmente o horóscopo), em sua fundação, como em uma natividade. No entanto, em casos em que o momento exato da fundação não pode ser descoberto, as regiões simpáticas são as que caem no meio do céu das natividades daqueles que tinham o poder ou eram os reis daquela época.


do Tetrabiblos, Ptolomeu.

Sobre as Características dos Habitantes dos Climas Gerais, por Ptolomeu

A demarcação de características nacionais é estabelecida, em parte, por paralelos e ângulos inteiros, através de sua posição relativa à eclíptica e ao Sol, pois, enquanto a região na qual habitamos é uma das regiões do norte, as pessoas que vivem sob os paralelos mais ao sul, ou seja, aqueles que vivem entre o equador e o trópico de verão, uma vez que eles têm o Sol sobre suas cabeças e são queimados por ele, possuem pele negra e cabelos grossos e como a lã, são contraídos na forma e encolhidos na estatura, de natureza sanguínea, e, quanto aos hábitos, são em sua maior parte selvagens, porque seus lares são continuamente oprimidos pelo calor; nós os chamamos pelo nome geral de Etíopes. Não apenas eles estão nesta condição, mas observamos também que o seu clima e os animais e plantas da sua região claramente fornecem evidência deste cozimento pelo Sol.

Aqueles que vivem sob os paralelos mais ao norte, aqueles, quero dizer, que tem as Ursas sobre suas cabeças, uma vez que estão muito afastados do zodíaco e do calor do Sol, são portanto resfriados; no entanto, porque eles possuem uma quantidade maior de umidade, que é mais nutritiva e não está, neste lugar, exaurida pelo calor, eles possuem a compleição branca, com os cabelos lisos, são altos e bem-nutridos, e de certa forma frios por natureza; eles também são selvagens em seus hábitos, porque seus locais de morada são continuamente frios. A característica invernal de seu clima, o tamanho de suas plantas, e a ferocidade de seus animais estão de acordo com essas qualidades. Nós os chamamos, também, por um nome geral, Citas.

Os habitantes da região entre o trópico de verão e as Ursas, no entanto, uma vez que o Sol não está nem diretamente sobre suas cabeças nem muito distante em seus trânsitos diurnos, partilham da temperatura moderada do ar, que varia, com certeza, mas não apresenta mudanças violentas do calor para o frio. Eles estão, portanto, em posição mediana na cor, possuem estatura moderada, são moderados por natureza, vivem bastante unidos, e são civilizados nos seus hábitos. Os mais ao sul entre eles são mais astutos e inventivos, e melhores versados nas coisas divinas porque seu zênite está mais perto do zodíaco e dos planetas que se movem sobre ele. Através desta afinidade os homens mesmos são caracterizados por uma atividade da alma que é sagaz, investigativa, e em conformidade com a investigação das ciências especificamente chamadas de matemáticas. Ainda a respeito deles, o grupo oriental é mais masculino, vigoroso e franco em todas as coisas, porque se poderia presumir razoavelmente que o oriente partilha da natureza do Sol. Esta região, portanto, é diurna, masculina, e destra, mesmo quando observamos que entre os animais também suas partes destras são mais conformes à força e ao vigor. Aqueles ao oeste são mais femininos, de alma mais mole, e dados a segredos, porque esta região, mais uma vez, é lunar porque é sempre no oeste que a Lua emerge e faz sua aparição após a conjunção. Por esta razão, o clima parece noturno, feminino, e, em contraste com o oriente, canhoto.

Agora, em cada uma destas regiões gerais, certas condições especiais de caráter e costumes naturalmente aparecem, assim como, no caso do clima, mesmo dentro de regiões que são consideradas quentes, frias, ou temperadas, algumas localidades e países possuem peculiaridades especiais de excesso ou deficiência em razão de sua situação, altitude, localização baixa ou proximidade. Desta forma, assim como alguns povos são mais inclinados à criação de cavalos porque seu país é constituído de planícies, ou às atividades marinhas porque vivem perto do mar, ou à civilização por causa da riqueza de seu solo, do mesmo modo se descobriria traços especiais surgindo da familiaridade natural dos seus climas particulares com as estrelas nos signos do zodíaco. Esses traços, também, seriam encontrados de forma geral, mas não em todos os indivíduos. Devemos, então, tratar brevemente do assunto, na medida em que seja útil para o propósito das investigações particulares.

do Tetrabiblos, Ptolomeu.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Sobre as Aplicações e Separações e os outros Poderes, por Ptolomeu

Em geral, aqueles que precedem são considerados como “se aplicando” a aqueles que se seguem, e aqueles que se seguem como “se separando” daqueles que precedem, quando o intervalo entre eles não é grande. Considera-se que uma relação como essa exista tanto se ocorrer uma conjunção corporal quanto se ocorrer um dos aspectos tradicionais, exceto que em relação às aplicações e separações corporais dos astros celestes é útil, também, observar suas latitudes, de modo que apenas aquelas passagens que forem do mesmo lado da eclíptica possam ser aceitas. No caso das aplicações e separações por aspecto, no entanto, essa prática é supérflua, porque todos os raios sempre caem de qualquer direção e convergem da mesma forma para o mesmo ponto, ou seja, para o centro da Terra. De tudo isto, então, é fácil ver que a qualidade de cada uma das estrelas deve ser examinada com relação tanto às suas próprias características quanto com relação aos signos que as incluem, ou do mesmo modo com relação à característica de seus aspectos com o sol e com os ângulos, da forma como explicamos. Seus poderes devem ser determinados, em primeiro lugar, do fato de que eles estejam orientais e aumentando seu próprio movimento – pois eles estão então mais poderosos – ou ocidentais e diminuindo em velocidade, pois então sua energia é menor. Em segundo lugar, deve ser determinada da sua posição relativa ao horizonte; pois elas estão mais poderosas quando estão no meio do céu ou se aproximando dele, e depois quando eles estão exatamente no horizonte ou no local sucedente, seu poder é maior quando eles estão no oriente, e menor quando eles culminam abaixo da terra ou estão em algum outro aspecto ao oriente; se eles não fizerem nenhum aspecto com o oriente, eles estão totalmente sem poder.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Sobre as Faces, Carruagens e Assemelhados, por Ptolomeu

Tais são, então, as afinidades naturais das estrelas e dos signos do zodíaco. Dizem que os planetas estão em sua “própria face” quando um planeta individual mantém com a Lua ou o Sol o mesmo aspecto que o seu domicílio mantém com os seus domicílios; por exemplo, quando Vênus está em sextil com os luminares, desde que ela esteja ocidental ao Sol e oriental à Lua, de acordo com o arranjo natural de seus domicílios. Considera-se que eles estejam em sua própria “carruagem” e “trono” e coisas similares quando acontece que eles tenham familiaridade em dois ou mais modos com os lugares nos quais se encontram; pois então a efetividade do seu poder aumenta bastante devido à similaridade e à cooperação das propriedades familiares dos signos que os contêm. Considera-se que eles se “regozijem” quando, mesmo que os signos que os contenham não possuam familiaridades com as estrelas em si, no entanto eles as possuem com estrelas do mesmo séquito; desta forma, a simpatia surge menos diretamente. Eles compartilham, no entanto, da similaridade da mesma forma; assim como, ao contrário, quando eles se encontram em regiões estranhas pertencentes ao séquito oposto, uma grande parte de seus próprios poderes é paralisada, porque o temperamento que surge da dissimilaridade dos signos produz uma natureza diferente e adulterada.

terça-feira, 25 de abril de 2017

(Os Termos) Sobre os Lugares e os Graus, por Ptolomeu

Alguns ainda realizaram divisões mais finas de regência do que essas, utilizando os termos “lugares” e “graus”. Definindo “lugar” como a décima segunda parte de um signo, ou 2 1/2°, deram o domínio sobre eles aos signos, na ordem. Outros seguem outras ordens ilógicas; e novamente deram a cada “grau” a partir do começo a cada um dos planetas de cada signo de acordo com a ordem caldeia de termos. Iremos omitir esses assuntos, já que foram apresentados a seu favor argumentos apenas plausíveis e não naturais, mas ao contrário, sem fundamentos. Não devemos ignorar o assunto seguinte, no entanto, sobre o qual vale a pena permanecer um certo tempo, que é o fato de ser razoável que consideremos os inícios dos signos também a partir dos equinócios e solstícios, em parte porque os escritores deixaram este ponto bem claro, e em parte porque, a partir de nossas demonstrações anteriores, observamos que suas naturezas, poderes e familiaridades têm sua causa nos pontos iniciais dos solstícios e dos equinócios, e de nenhuma outra fonte. Pois, se outros pontos iniciais são presumidos, não seremos mais compelidos a utilizar as naturezas dos signos para prognósticos, ou, se as utilizarmos, estaremos errados, uma vez que os espaços do zodíaco que conferem os poderes aos planetas os passariam a outros e se tornariam, então, alienados.

(Os Termos) De Acordo com os Caldeus, por Ptolomeu

O método caldeu envolve uma sequência, simples, com certeza, e mais plausível, embora não tão auto-suficiente em relação ao governo das triplicidades e à disposição da quantidade, de forma que, ao contrário, ela fosse facilmente inteligível mesmo sem um diagrama. Pois na primeira triplicidade, Áries, Leão e Sagitário, que tem neste caso as mesmas divisões por signos que no sistema dos egípcios, o senhor da  triplicidade, Júpiter, é o primeiro a receber termos, e então o senhor do próximo triângulo, Vênus, e então o senhor do triângulo de Gêmeos, Saturno, e Mercúrio, e finalmente o senhor da triplicidade restante, Marte. Na segunda triplicidade, Touro, Virgem e Capricórnio, que novamente tem a mesma divisão por signos, Vênus vem primeiro, então Saturno, e então Mercúrio, após esses, Marte, e finalmente, Júpiter. Esse arranjo de uma forma geral é observado também nas duas triplicidades restantes. Sobre os dois senhores da mesma triplicidade, no entanto, Saturno e Mercúrio, de dia é Saturno que toma o primeiro lugar na ordem de posse, e à noite, Mercúrio. O número designado a cada um também é uma questão simples, pois para que o número de termos de cada planeta seja sempre menor em um grau do que o precedente, para corresponder com a ordem descendente no qual o primeiro lugar é decidido, eles sempre dão 8° ao primeiro, 7° ao segundo, 6° ao terceiro, 5° ao quarto e 4° ao último; assim se completam os 30° de um signo. A soma do número de graus assim dados a Saturno é de 78 durante o dia e 66 à noite, a Júpiter 72, a Marte 69, a Vênus 75, a Mercúrio 66 durante o dia e 78 à noite; o total é de 360 graus.

Pois bem, desses termos aqueles que são constituídos pelo método egípcio são, como dissemos, mais dignos de crédito, tanto devido à forma na qual eles foram coletados pelos escritores egípcios que os julgaram dignos de registro devido à sua utilidade, quanto por causa de na maior parte do tempo os graus desses termos terem sido consistentes com as natividades que foram registradas por eles como exemplos. Como estes mesmos escritores, no entanto, não explicam em nenhum lugar a disposição de seus números, sua incapacidade de concordar em uma explicação do sistema pode bem se tornar objeto de suspeita e alvo de críticas. Recentemente, no entanto, chegou até nós um manuscrito antigo, muito danificado, que contém uma explicação natural e consistente de sua ordem e número, e ao mesmo tempo percebemos que os graus relatados nas natividades acima mencionadas e os números dados nas somas concordaram com a tabulação dos antigos. O livro era muito alongado em suas expressões, muito excessivo em suas demonstrações, e seu estado danificado o tornou difícil de ler, de modo que eu mal pude fazer uma ideia de seu propósito geral; e isso apesar da ajuda fornecida pelas tabulações dos termos, melhor preservadas porque estavam localizadas no fim do livro. Com relação ao seu arranjo dentro de cada signo, as exaltações, as triplicidades e os domicílios foram levados em consideração. Pois, de maneira geral, a estrela que tiver duas regências deste tipo no mesmo signo é posta em primeiro lugar, mesmo que ela seja maléfica. Entretanto, onde quer que esta condição não exista, os planetas maléficos são sempre postos por último, e os senhores da exaltação em primeiro, os senhores da triplicidade em seguida, e então os do domicílio, seguindo a ordem dos signos. E, novamente, em ordem, aqueles que têm duas senhorias têm preferência sobre os que têm apenas uma no mesmo signo. Uma vez que não se dá termos para os luminares, no entanto, Câncer e Leão, os domicílios do Sol e da Lua, são dados aos planetas maléficos porque eles foram privados de sua parte na ordem, Câncer a Marte e Leão a Saturno; nestes a ordem apropriada a eles é preservada. Com relação ao número dos termos, quando não há nenhuma estrela com duas prerrogativas, nem no signo mesmo nem nos que o seguem dentro do quadrante, são concedidos a cada um dos benéficos, ou seja, Júpiter e Vênus, 7º, aos maléficos, Saturno e Marte, 5º cada e a Mercúrio, que é comum 6º, de forma que o total perfaz 30º. Entretanto, uma vez que alguns sempre têm duas prerrogativas, pois Vênus sozinha se torna a regente da triplicidade de Touro, já que a Lua não participa nos termos, é dado a cada um dos planetas nesta condição, seja no mesmo signo ou nos signos seguintes no mesmo quadrante, um grau extra; esses foram marcados com pontos; os graus, no entanto, adicionados por causa da prerrogativa dupla são retirados dos outros, que têm somente uma, e de forma geral, de Saturno e de Júpiter porque eles têm o movimento mais lento.

Esses termos estão da seguinte forma:

Termos de acordo com Ptolomeu:

Áries : Júpiter = 6; Vênus = 8; Mercúrio = 7; Marte = 5; Saturno = 4;
Touro : Vênus = 8; Mercúrio = 7; Júpiter = 7; Saturno = 2; Marte = 6;
Gêmeos : Mercúrio = 7; Júpiter = 6; Vênus = 7; Marte = 6; Saturno = 4;
Câncer : Marte = 6; Júpiter = 7; Mercúrio = 7; Vênus = 7; Saturno = 3;
Leão : Júpiter = 6; Mercúrio = 7; Saturno = 6; Vênus = 6; Marte = 5;
Virgem : Mercúrio = 7; Vênus = 6; Júpiter = ; Saturno = 6; Marte = 6;
Libra : Saturno = 6; Vênus = 5; Mercúrio = 5; Júpiter = 8; Marte = 6;
Escorpião : Marte = 6; Vênus = 7 ; Júpiter = 8; Mercúrio = 6; Saturno = 3;
Sagitário : Júpiter = 8; Vênus = 6; Mercúrio = 5; Saturno = 6; Marte= 5;
Capricórnio : Vênus = 6; Mercúrio = 6; Júpiter = 7; Saturno = 6; Marte = 5;
Aquário : Saturno = 6; Mercúrio = 6; Vênus = 8; Júpiter = 5; Marte = 5;
Peixes : Vênus = 8; Júpiter = 6; Mercúrio = 6; Marte = 5; Saturno = 5.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Sobre a disposição dos Termos, por Ptolomeu

Com relação aos termos, dois sistemas principais estão mais em circulação; o primeiro é egípcio, o qual está baseado primeiramente no governo dos domicílios, e o segundo é caldeu, que se baseia no governo das triplicidades.

Pois bem, o sistema egípcio dos temos comumente aceitos não preserva de forma alguma a consistência nem da ordem nem da quantidade individual, pois, em primeiro lugar, na questão da ordem, eles às vezes deram o primeiro lugar para os senhores dos domicílios e às vezes para os senhores das triplicidades, e às vezes ainda para os senhores das exaltações. Por exemplo, se é verdade que eles seguiram os domicílios, porque eles deram precedência a Saturno, por exemplo, em Libra, e não a Vênus, e porque a Júpiter em Áries, e não a Marte? E se eles seguiram as triplicidades, porque deram a Mercúrio, e não a Vênus, o primeiro lugar em Capricórnio? Ou caso tenham seguido as exaltações, porque dar a Marte, e não a Júpiter, a precedência em Câncer; e se eles observaram os planetas que tem o maior número dessas qualificações, porque deram o primeiro lugar em Aquário em Mercúrio, que tem apenas a sua triplicidade ali, e não a Saturno, pois ele é tanto o domicílio quanto a triplicidade deste planeta? Ou porque eles deram o primeiro lugar a Mercúrio em Capricórnio, acima de tudo, uma vez que ele não tem nenhuma relação de governo com este signo? É possível encontrar o mesmo tipo de coisas no resto do sistema.

Em segundo lugar, o numero de termos manifestamente não possui consistência, porque o número derivado de cada planeta a partir da adição de seus termos em todos os signos, de acordo com o que eles dizem que os planetas determinam anos de vida, não fornece nenhum argumento adequado ou aceitável. No entanto, mesmo se confiarmos no número derivado desta soma, de acordo com essa simples proposição dos egípcios, descobriríamos que a soma seria a mesma, mesmo que as quantidades, signo a signo, frequentemente mudem de várias formas. E em relação à afirmação espúria e sofista sobre eles que alguns tentam fazer, ou seja, que o número de vezes dados a cada planeta individual pelo esquema de ascensões em todos os climas se soma a essa mesma quantia, ela é falsa, pois, em primeiro lugar, eles seguem o método comum, baseado em aumentos regularmente maiores nas ascensões, o que não está nem perto da verdade. De acordo com este esquema, os signos Virgem e Libra, no paralelo que corta o Baixo Egito, ascenderiam, cada um, em 38 e 1/3 unidades de tempo, e Leão e Escorpião, cada um, em 35, embora esteja demonstrado pelas tabelas que esses signos ascendem em mais de 35 e Vigem e Libra em menos. Além do mais, aqueles que tentaram estabelecer esta teoria nem mesmo parecem seguir o número comumente aceito de termos, e são compelidos a realizar diversas falsas afirmações, e ele até mesmo utilizaram a parte não inteira das frações em uma tentativa de salvar sua hipótese, que, como dissemos, nem é em si mesma verdadeira.

No entanto, os termos mais geralmente aceitos sob a autoridade da tradição antiga são dados da seguinte forma:

Termos de Acordo com os Egípcios.

Áries: Júpiter = 6; Vênus = 6; Mercúrio = 8; Marte = 5; Saturno = 5;
Touro: Vênus = 8; Mercúrio = 6; Júpiter = 8; Saturno = 5; Marte = 3;
Gêmeos: Mercúrio = 6; Júpiter = 6; Vênus =5; Marte = 7; Saturno = 6;
Câncer: Marte = 7; Vênus = 6; Mercúrio = 6; Júpiter = 7; Saturno = 4;
Leão: Júpiter = 6; Vênus = 5; Saturno = 7; Mercúrio = 6; Marte = 6;
Virgem: Mercúrio = 7; Vênus = 10; Júpiter = 4; Marte = 7; Saturno = 2;
Libra: Saturno = 6; Mercúrio =8; Júpiter = 7; Vênus = 7; Marte = 2;
Escorpião: Marte = 7; Vênus = 4; Mercúrio = 8; Júpiter = 5; Saturno = 6;
Sagitário : Júpiter = 12; Vênus = 5; Mercúrio = 4; Saturno = 5; Marte = 4;
Capricórnio : Mercúrio = 7; Júpiter = 7; Vênus = 8; Saturno = 4; Marte = 4;
Aquário : Mercúrio = 7; Vênus = 6; Júpiter = 7; Marte = 5; Saturno = 5;
Peixes : Vênus = 12; Júpiter = 4; Mercúrio = 3; Marte = 9; Saturno = 2;.

domingo, 23 de abril de 2017

Sobre os Signos Disjuntos, por Ptolomeu

Signos "disjuntos" e "estranhos” são os nomes aplicados para aquelas divisões do zodíaco que não têm quaisquer das familiaridades mencionadas acima uns com os outros. Esses são os signos que não pertencem nem à classe dos signos Comandantes ou Obedientes, nem à classe dos que se observam ou que têm o mesmo poder, e além disso eles estão completamente desprovidos dos quatro aspectos mencionados acima, oposição, trígono, quartil e sextil, e estão um ou cinco signos distantes um do outro, pois aqueles que estão um signo distantes uns dos outros são como se tivessem aversão uns aos outros, e, embora sejam dois, estão ligados ao ângulo de um, e aqueles que estão cinco signos distantes uns dos outros dividem o círculo inteiro em partes diferentes, enquanto que os outros aspectos perfazem uma divisão equitativa do perímetro.

Sobre os Signos que se Observam e sobre os Signos de Mesmo Poder, por Ptolomeu

Mais uma vez, dizem que as partes que estão igualmente afastadas do mesmo signo tropical, qualquer que seja, têm o mesmo poder, porque quando o Sol entra em qualquer um deles, os dias são iguais aos dias e as noites às noites, e as durações das suas próprias horas são iguais. Eles também são considerados como “observando” uns aos outros tanto pelas razões apresentadas quanto pelo fato de que o par ascende pela mesma parte do horizonte e se põe na mesma parte.

Sobre Os Signos Comandantes e Obedientes, por Ptolomeu

Da mesma forma, os nomes “comandantes” e “obedientes” se aplicam às divisões do zodíaco que se dispõem em distâncias iguais do mesmo signo equinocial, qualquer que seja, porque eles ascendem em um período igual de tempo e estão em paralelos iguais. Destes, os que estão no hemisfério de verão são chamados de “comandantes”, enquanto os que estão no hemisfério de inverno, “obedientes”, porque o sol faz o dia mais longo que a noite quando ele está no hemisfério de verão, e mais curto no inverno.

Sobre os Aspectos dos Signos, por Ptolomeu

Das partes do zodíaco, as que são mais familiares umas com as outras são as que estão em aspecto. Estes são os que estão em oposição, que compreende dois ângulos retos, seis signos, e 180 graus; os que estão em trígono, que compreende um ângulo reto e um terço, quatro signos, e 120 graus; os que se diz que estão em quartil, compreendendo um ângulo reto, três signos, e 90 graus, e finalmente os que ocupam a posição de sextil, que compreende dois terços de um ângulo reto, dois signos e 60 graus.

Iremos aprender, do que se segue, porque apenas estes intervalos foram levados em consideração. A explicação da oposição é imediatamente óbvia, porque ela faz com que os signos estejam em uma linha reta. Mas se tomarmos as duas frações e os dois super particulares mais importantes em música, e se as frações um meio e um terço forem aplicadas à oposição, compostas de dois ângulos retos, o meio faz o quartil e o terço o sextil e o trígono. Dos super particulares, se o sesquialter e o serquitertian forem aplicados ao intervalo de quartil de um ângulo reto, que se posiciona entre eles, o sesquialter produz a proporção do quartil para o sextil e o sesquitertian a proporção do trígono para o quartil. Destes aspectos, o trígono e o sextil são chamados de harmônicos porque eles são compostos de signos do mesmo tipo, tanto completamente de signos femininos ou completamente de signos masculinos; enquanto o quartil e a oposição são inarmônicos porque são compostos de signos de tipos opostos.