sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Duração da Vida, Ptolomeu

A consideração sobre a duração da vida é a mais importante das investigações sobre os eventos após o nascimento, pois, como dizem os antigos, é ridículo fazer previsões particulares a alguém que, pela constituição dos anos de sua vida, jamais chegará ao momento dos eventos previstos. Essa doutrina não é assunto simples, nem está isolado dos outros, mas é derivada, de forma complexa, do domínio dos locais de maior autoridade. O método mais agradável para nós e, além disso, em harmonia com a natureza, é o seguinte. Ele depende inteiramente da determinação dos locais prorrogadores e das estrelas que alimentam a prorrogação, e da determinação dos locais ou estrelas destrutivas. Cada um desses é determinado da maneira seguinte:

Em primeiro lugar, devemos considerar os locais prorrogadores nos quais, de qualquer forma, o planeta deve estar para receber o domínio da prorrogação; ou seja, a décima-segunda parte do zodíaco ao redor do horóscopo, de 5° acima do horizonte real até os 25° que restam, que estão ascendendo logo após o horizonte; a parte em sextil destro a esses trinta graus, chamada de Casa do Bom Daimon; a parte em quartil, o meio-céu; a parte em trígono, chamada de Casa de Deus; e a parte oposta, o Ocidente. Entre estes, devem ser preferidos, com relação ao poder de domínio, em primeiro lugar os que estiverem no meio-céu, em seguida os do oriente, então os que estão no signo sucedente ao meio-céu, em seguida os no ocidente, então os do signo ascendendo antes do meio do céu; pois toda a região abaixo da Terra deve, como seria razoável supor, devem ser desconsiderada, exceto aquelas partes que, no próprio signo ascendente, estão subindo para a luz. Da parte acima da Terra não se deve considerar tanto o signo disjunto do ascendente, nem o que ascendeu antes dele, chamado de a Casa do Mau Daimon, porque ele fere a emanação à Terra das estrelas que nele estão, e ele também está declinando, e a exalação espessa e enevoada da umidade da Terra cria uma turbidez e uma, por assim dizer, obscuridade tão forte que as estrelas não aparecem com as suas cores ou magnitudes verdadeiras.

Após isso, mais uma vez, devemos tomar como prorrogadoras as quatro regiões de maior autoridade, ou seja, o Sol, a Lua, o Horóscopo, a Parte da Fortuna, bem como os regentes destes locais.

Sempre calcule a Parte da Fortuna como quantidade, em graus, tanto à noite como de dia, da distância da Lua ao Sol, e estenda a mesma quantidade do Horóscopo adiante na ordem dos signos seguintes, de modo que, quaisquer que sejam as relações e os aspectos que o Sol tenha com o horóscopo, a Lua também tenha com que a Parte da Fortuna, e que ela seja como um horóscopo lunar.

Desses todos, de dia daremos o primeiro lugar ao Sol, se ele estiver em locais prorrogativos; se não, à Lua; e se a Lua também não estiver em um desses locais, ao planeta que tiver mais relações de domínio com o Sol, com a conjunção precedente, e com o Horóscopo; ou seja, quando, dos cinco métodos de domínio existentes, ele tiver pelo menos três, ou mais; mas se isso não ocorrer, finalmente, daremos preferência ao horóscopo.

À noite, prefira primeiro a Lua, em seguida o Sol, então os planetas com o maior número de relações de domínio com a Lua, com a Lua Cheia precedente, e com a Parte da Fortuna; por último, se a sizígia anterior tiver sido uma Lua Nova, o horóscopo, mas se tiver sido uma Lua Cheia, a Parte da Fortuna.

Se ambos os luminares, ou o regente do próprio séquito, estiverem nos locais prorrogadores, devemos considerar o luminar que estiver no local de maior autoridade. Devemos, também, preferir o planeta regente de ambos os luminares somente quando ele ocupar uma posição de maior autoridade e tiver uma relação de domínio de ambos os séquitos Quando o prorrogador foi determinado, devemos, além disso, adotar dois métodos de prorrogação. Um, na ordem dos signos sucedentes, deve ser utilizado somente no caso do que é chamado de a projeção dos raios, quando o prorrogador estiver no oriente, ou seja, entre o meio-céu e o horóscopo. Não se deve utilizá-lo apenas, mas também o que segue a ordem dos signos precedentes, na assim proporção horária. quando o prorrogador estiver em locais que declinem do meio-céu.

Sendo assim, os graus destrutivos na prorrogação que segue a ordem dos signos precedentes são somente o grau do horizonte oeste, porque ele faz com que o Senhor da Vida desapareça; e os graus dos planetas que assim se aproximam ou testemunham simplesmente tiram ou adicionam anos à soma dos que estiverem até uma distância do poente do prorrogador, e eles não destroem porque eles não se movem na direção do local prorrogar, mas ele se move na sua direção. As estrelas benéficas adicionam e as maléficas subtraem. Mercúrio, mais uma vez, será incluído no grupo com o qual ele fizer aspecto. O número da adição ou da subtração é calculada por meio da localização em graus em cada caso. O número completo de anos é o mesmo que o número de períodos horários de cada grau, horas do dia quando é de dia e horas da noite quando é de noite; isso deve ser nosso cálculo quando eles estiverem no oriente, e a subtração deve ser feita em proporção ao seu afastamento desse lugar, até quando, no seu poente, ele se torna zero.

Na prorrogação na ordem dos signos sucedentes, no entanto, os locais dos planetas maléficos, Saturno e Marte, são destrutivos, se estiverem se aproximando de forma corpórea, ou projetarem seus raios de qualquer lugar que seja, em quartil ou oposição, e às vezes, também, em sextil, de um signo que observe, que seja obediente, ou que tenha o mesmo poder [com relação ao signo do prorrogador]; o signo que estiver em quartil com o signo prorrogador na ordem dos signos seguintes também é destrutivo. Às vezes, também, entre os signos de ascensão longa, o aspecto de sextil é destrutivo, quando estiver afligido, e entre os signos de ascensão curta o trígono é destrutivo. Quando a Lua é o prorrogador, o local do Sol também é destrutivo. Em uma prorrogação deste tipo, as aproximações dos planetas servem tanto para destruir quanto para preservar, uma vez que eles estão na direção do local prorrogativo. No entanto, não se deve pensar que esses locais sempre, inevitavelmente, são destrutivos, mas somente quando eles estão afligidos, pois eles são impedidos de destruir quando estão no termo de um planeta benéfico ou quando um dos planetas benéficos projeta seus raios em quartil, trígono ou oposição, tanto no próprio grau destrutivo quanto nas partes que o seguem, no caso de Júpiter até 12, e no de Vénus, a menos de 8: isso também ocorre quando o prorrogador e o planeta que se aproxima estiverem corporalmente presentes mas a latitude de ambos não for a mesma.

Quando existirem dois ou mais em cada lado, assistindo ou, ao contrário, destruindo, devemos considerar qual deles prevalece, pelo número dos que cooperam e por sua força; pelo número, quando um grupo for bem mais numeroso do que o outro, e com relação à força, quando alguns dos planetas assistentes ou destrutivos estiverem nos seus próprios lugares, e alguns não estiverem, e, em especial, quando alguns estiverem ascendendo e outros se pondo. Em geral, não devemos admitir qualquer planeta, tanto para destruir quanto para ajudar, que esteja sob os raios do Sol, exceto que, quando a Lua for o prorrogador, o local do Sol por si só é destrutivo, quando ele for modificado pela presença de um planeta maléfico e não for melhorado por nenhum dos planetas benéficos.

No entanto, o número de anos, determinado pelas distâncias entre o local prorrogativo e o planeta destrutivo, não deve ser determinado de forma simples ou leviana, de acordo com as tradições usuais, pois os momentos de ascensão de cada grau, exceto quando o próprio horizonte leste for o prorrogador, ou algum dos planetas que estiver ascendendo estiver nessa região for o prorrogador. Apenas um método está disponível para quem considerar este assunto de uma forma natural - calcular após quantos períodos equinociais o local do corpo seguinte ou do seu aspecto irá chegar ao local do precedente no momento real do nascimento, porque os períodos equinociais passam de forma uniforme pelo horizonte e pelo meio-céu, ambos os quais estão relacionados com as proporções das distâncias espaciais e, como é razoável, cada um dos períodos tem o valor de um ano solar. Sempre que o prorrogador e o local precedente estiverem de fato no horizonte leste, devemos considerar os momentos de ascensão dos graus até o local de encontro; após este número de períodos equinociais o planeta destrutivo chega ao local do prorrogador, ou seja, ao horizonte leste. Mas, quando ele estiver na verdade no meio-céu, devemos considerar as ascensões da esfera reta nas quais o segmento, em cada caso, passa pelo meio-céu; e, quando ele estiver no horizonte oeste, o número no qual cada um dos graus do intervalo descende, ou seja, o número no qual os diretamente opostos a eles ascendem.

Se o local precedente, no entanto, não estiver nesses três limites mas nos intervalos entre eles, neste caso os tempos das ascensões, descensões ou culminações mencionadas acima não levarão os locais seguintes aos locais dos precedentes, mas os períodos serão diferentes.

Um local é equivalente e similar ao outros se tiver a mesma posição na mesma direção com referência tanto ao horizonte quanto ao meridiano. Isso é quase completamente verdade considerando os que estão sobre um dos semicírculos descritos através das seções do meridiano e do horizonte, cada um dos quais, na mesma posição, perfaz a mesma hora temporal. Mesmo se ele, caso a revolução esteja sobre os arcos mencionados acima, atingir a mesma posição com relação tanto ao meridiano quanto ao horizonte, mas fizer os períodos de passagem do zodíaco de forma desigual com relação a um deles, do mesmo modo, nas posições das outras distâncias, ele fará as suas passagens de forma desigual com relação ao primeiro. Devemos, portanto, adotar apenas um método, pelo qual, se o local precedente ocupar o oriente, o meio-céu, o ocidente, ou qualquer outra posição, o número proporcional de períodos equinociais que levam o local seguinte a ele poderá ser determinado. Após termos descoberto o grau culminante do zodíaco e, além disso, o grau do local precedente e do subsequente, em primeiro lugar devemos investigara posição do precedente, quantas horas ordinárias ele está distante do meridiano, contando as ascensões que ocorrem, de forma apropriada, até o grau exato do meio-céu, seja acima ou abaixo da Terra, na esfera reta, e as dividindo pela quantidade de períodos horários do grau precedente, diurno se estiver acima da Terra e noturno se estiver abaixo. No entanto, uma vez que as seções do zodíaco que estejam um número igual de horas ordinárias distante do meridiano se localizam acima do mesmo semicírculo, dos mencionados acima, também será necessário encontrar após quantos períodos equinociais a seção subsequente estará distante do mesmo meridiano pelo mesmo número de horas ordinárias que o precedente. Quando tivermos determinado isso, devemos investigar quantas horas equinociais na sua posição original o grau do subsequente estava distante do grau no meio-céu, mais uma vez, por meio de ascensões da esfera reta, e quantas quando ele percorreu o mesmo número de horas ordinárias que o precedente, multiplicando esses pelo número de períodos horários do grau do subsequente Se, mais uma vez, a comparação das horas ordinárias estiver relacionada com o meio-céu acima da Terra, elas serão multiplicadas pelo número de horas diurnas, mas se estiver relacionada com o meio-céu abaixo da Terra, pelo número de horas noturnas. Tomando os resultados das diferenças das duas distâncias, devemos ter o número de anos para os quais a investigação foi feita.

Para tornar isso mais claro, suponhamos que o local precedente esteja no início de Áries, por exemplo, e o subsequente no começo de Gêmeos, na latitude onde o dia mais longo dura quatorze horas, e a magnitude horária do início de Gêmeos seja aproximadamente 17 períodos equinociais. Vamos pressupor que o início de Áries esteja ascendendo, de modo que o início de Capricórnio esteja no meio-céu, e o início de Gêmeos esteja distante do meio-céu 148 períodos equinociais. Agora, uma vez que o início de Áries está cinco horas ordinárias distante do meio-céu diurno, multiplicando isso pelos 17 períodos equinociais, que são os períodos de magnitude horária no início de Gêmeos, uma vez que a distância de 148 vezes está relacionada com o meio-céu acima da Terra, deveremos ter, para esse intervalo, também 102 vezes.

Assim, após 46 vezes, que é a diferença, o local subsequente irá passar à posição do precedente. Essa são quase exatamente os períodos equinociais da ascensão de Áries e Touro, já que pressupomos que o signo prorrogador é o Horóscopo.

Da mesma forma, esteja o início de Áries no meio-céu, de modo que na sua posição original o início de Gêmeos esteja 58 períodos equinociais distante do meio-céu. Portanto, uma vez que na sua segunda posição, o início de Gêmeos deve estar no Meio-céu, devemos ter, para essa diferença de distâncias, precisamente essa quantidade de 58 períodos, nos quais, mais uma vez, porque o signo prorrogativo está no meio-céu, Áries e Touro passam pelo meridiano.

Da mesma forma, esteja o início de Áries se pondo, de forma que o início de Câncer esteja no meio-céu e o início de Gêmeos esteja distante do meio-céu na direção do signo precedente por 32 períodos equinociais. Mais uma vez, se o início de Áries estiver seis horas ordinárias distantes do meridiano na direção do ocidente, se multiplicarmos isso por 17 teremos 102 períodos, que será a distância do início de Gêmeos até o meridiano no qual ele se põe. Na sua posição inicial ele também estava distante do mesmo ponto 32 vezes; portanto, ele se moveu para o ocidente em 70 vezes a diferença; no mesmo período, Áries e Touro descenderam e os signos opostos, Libra e Escorpião, ascenderam.

Vamos pressupor, agora, que o início de Áries não esteja em nenhum dos ângulos, mas distante, por exemplo, três horas ordinárias do meridiano na direção dos signos precedentes, de forma que o 18° grau de Touro esteja no meio-céu, e na sua primeira posição o início de Gêmeos esteja 13 períodos equinociais distante do meio-céu acima da Terra na ordem dos signos seguintes. Se, mais uma vez, multiplicarmos 17 períodos equinociais pelas três horas, o início de Gêmeos estará, na sua segunda posição, distante do meio-céu na direção dos signos líderes 51 períodos equinociais, e ele fará, ao todo, 64 vezes. Mas ele fez 46 vezes pelo mesmo procedimento quando o local prorrogativo estava ascendendo, 58 quando ele estava no meio-céu e 70 quando ele estava se pondo. Portanto, o número de períodos equinociais na posição entre o meio-céu e o ocidente é diferente dos outros, sendo 64, e essa diferença é proporcional ao excesso de três horas, uma vez que isso equivaleu a 12 períodos equinociais no caso dos outros quadrantes no centro, mas 6 períodos equinociais no caso da distância de três horas. Da mesma forma, em todos os casos que a proporção aproximada for observada, será possível usar o método dessa forma mais simples. Mais uma vez, quando o grau precedente estiver ascendendo, devemos empregar as ascensões até o subsequente; se ele estiver no meio-céu, os graus da esfera reta; e se estiver se pondo, as descensões. No entanto, quando ele estiver entre esses pontos, por exemplo no intervalo de Áries mencionado acima, devemos em primeiro lugar tomar os períodos equinociais correspondentes a cada um dos ângulos em torno, e encontraremos, uma vez que se pressupôs que o início de Áries estava além do meio-céu acima da Terra, entre o meio-céu e o ocidente, que os períodos equinociais até o primeiro grau de Gêmeos do meio-céu distam 58, e do ocidente, 70. Vamos determinar, agora, como foi proposto acima, quantas horas ordinárias a seção precedente está distante dos dois ângulos, e qual a fração que eles podem ter das seis horas ordinárias do quadrante; essa fração da diferença entre as duas somas devemos adicionar ou subtrair do ângulo com o qual a comparação é feita. Por exemplo, uma vez que a diferença entre os valores mencionados acima, 70 e 58, seja 12 períodos, e pressupondo que o local precedente esteja distante um número igual de horas ordinárias, três, de cada um dos ângulos, ou seja, metade das seis horas, então, também tomando metade dos 12 períodos equinociais e ou adicionando eles aos 58 ou subtraindo dos 70, devemos encontrar que o resultado é 64 vezes. Se ele estivesse, no entanto, distante duas horas ordinárias de qualquer um dos ângulos, que são um terço das seis horas, mais uma vez devemos tomar um terço dos 12 períodos de excesso, ou seja, 4, e assumindo que a remoção de duas horas foi a partir do meio-céu, teremos adicionado isso aos 58 períodos, mas se ele tiver sido medido do ocidente, teremos subtraído eles de 70.

O método de determinar a quantidade de intervalos temporais deve ser, deste modo, ser seguido de forma consistente. Para o restante, devemos determinarem cada um dos casos acima em que eles estejam se aproximando ou se pondo, na ordem dos que ascendem mais rápido, os que são destrutivos, climatéricos ou transicionais, de acordo com o que acontece com o encontro, se ele é assistido ou afligido, da forma como já expusemos, e por meio da significação particular das previsões feitas a partir dos ingressos temporais do encontro. Quando ao mesmo tempo os locais são afligidos e os trânsitos das estrelas com relação ao ingresso dos anos de vida aflige os locais de governo, devemos entender que a morte é com certeza significada; se um deles é benéfico, crises grandes e perigosas; se ambos são benéficos, apenas lentidão, danos, ou desastres transitórios. Nesses assuntos a qualidade especial é determinada pela familiaridade dos locais ocorrentes com as circunstâncias da natividade. Algumas vezes, quando se tem dúvidas de qual deve receber o poder destrutivo, não há nada evitando que calculemos os eventos de cada um e então, os seguirmos, ao prever o futuro, os eventos que concordam mais com os eventos passados, ou os observando todos, como tendo força igual, determinando, do mesmo modo que o anterior, a questão dos seus graus.


Do Tetrabiblos, de Ptolomeu