terça-feira, 12 de julho de 2016

O Zodíaco como o Ciclo do Indivíduo Planetário, por Dane Rudhyar



Até agora consideramos os signos zodiacais principalmente a partir da concepção de serem uma série de energias cósmicas projetadas, por assim dizer, pelo Macrocosmo (as Doze Hierarquias) sobre o microscomo; em outras palavras, como uma série de operações formativas, ou fases de construção desse microcosmo. Esta é a visão equatorial-coletiva. Mas também podemos pensar o zodíaco como o ciclo de casas do Indivíduo planetário Que "mora no pólo norte", e para Quem um ano é um dia, com seis meses de luz do Sol (Aries a Libra) e seis meses de escuridão (Libra a Aries), ao menos em termos teóricos. Nessa abordagem, o zodíaco é interpretado em termos de consciência mais que em termos de energia.

Uma interpretação-consciência desse tipo é muito valiosa, pois coloca os signos do zodíaco em relação com as casas, e assim se mostra uma interpenetração de significados que nos auxilia a entender muito das afirmações tradicionais confusas quanto ao significado de signos e casas. Além disso, desenvolve-se inn tipo de fórmula algébrica que pode ser facilmente demonstrada como sendo a subestrutura por debaixo de todas as interpretações dramáticas e mitológicas do zodíaco conhecidas por estudantes de astrologia e ocultismo. A mais notável dessas interpretações indubitavelmente é a do livro The Zodiac, de Sampson. Alice Bailey deu uma outra interpretação tradicional quando relatou, numa série de palestras, a história dos Doze Trabalhos de Hércules. Hércules é o Sol e seus Doze Trabalhos são as doze operações cósmicas do zodíaco vistas de um ponto de vista regenerador mais que formativo.

Em trabalhos astrológicos comuns, os signos do zodíaco são representados como os fatores básicos de significado, e as casas modelam seus significados a partir deles. Mas, em nossa opinião, encontramos no padrão de doze partes do mostrador de casas uma fórmula básica de desdobramento individual, e é este padrão - um padrão puramente abstrato — que estabelece a série mais universal de significados.

Este, é claro, é um padrão puramente numerológico lidando com o significado dos números de um a doze inclusive, mas os números recebem significado por serem, por assim dizer, projetados geometricamente. Esta projeção é a roda ou o mostrador de casas. Assim, Aries adquire significado por ser uma projeção orgânico-equatorial do número um; Touro, do número dois etc. até Peixes, como número doze. O eixo 1-6 representa o dualismo de self e do não-self, de "eu" e do "tu". O eixo 4-7 representa o dualismo da experiência: subjetiva e objetiva .— ou de comportamento privado e público. Esperamos que o quadro que se segue ajude a esclarecer o assunto. Ele deveria ser estudado em associação com a tabela de significados das casas da p. 171. Manuais astrológicos modernos, como os escritos por Alan Leo, C. E. O. Carter, A. G. Libra, Parker etc., estão cheios de referências adicionais valiosas quanto ao significado dos signos do zodíaco, isoladamente e em grupos. Como Carter escreve:

A tarefa de interpretar o texto zodiacal tem sido tentada por muitos escritores, cada um abordando o trabalho a partir de sua própria concepção. Está distante de meus desejos sequer tentar divergir tacitamente de suas conclusões ou procurar superar qualquer coisa que tenha sido escrita antes. Os conteúdos do circulo de Sabedoria Zodiacal são inexauríveis e apresentam os mais variados aspectos da integralidade da Verdade.
The Zodic and the Soul, p. 14.

A última sentença desta citação nos fornece a chave para muita coisa que poderia ser desenvolvida extensamente, especialmente o termo conteúdos. O zodíaco representa, dissemos, o elemento de "substancia". Mas dos conteúdos de vida de qualquer entidade viva. As casas nos revelam o modo pelo qual esses conteúdos estão distribuídos numa forma de existência ou destino. Os planetas são pontos focais e símbolos de todas as atividades vitais. Os graus nos fornecem a chave para o significado criativo inerente de todas as atividades e todas as focalizações.