sexta-feira, 23 de junho de 2017

O Movimento dos Planetas no Zodíaco, por Helena Avelar e Luis Ribeiro

O movimento dos planetas no Zodíaco segue o sentido dos signos. Assim, os planetas deslocam-se do signo de Carneiro para o de Touro, depois para Gémeos, etc.

Movimento dos Planetas nos Signos

No seu percurso normal o planeta vai aumentando o número de graus dentro de um signo até sair dele, transitando para o signo seguinte.

Exemplo: Movimento da Lua
Mercúrio e Vênus, ao contrário dos restantes planetas, nunca se afastam muito do Sol. Isto acontece porque (do ponto de vista heliocêntrico) as suas órbitas são interiores à da Terra. Assim, para um observador terrestre Mercúrio, cuja órbita é a mais próxima do Sol, nunca se afasta mais de 28° (um signo de distância) da posição zodiacal do Sol. Vénus, que possui uma órbita um pouco mais ampla, nunca se afasta mais de 48° (dois signos de distância). Este afastamento máximo é denominado elongação.

Afastamento Máximo de Mercúrio e Vênus do Sol, projetado no Zodíaco.

No seu percurso, Mercúrio e Vênus fazem duas conjunções ao Sol: uma quando passam do lado oposto ao da Terra (designada conjunção superior) e outra quando passam entre a Terra e o Sol (conjunção inferior). Na conjunção superior, o planeta está "do outro lado" do Sol, movendo-se portanto "acima" do Sol (daí o termo superior), enquanto na inferior passa entre a Terra e o Sol, estando portanto "abaixo" deste.

Num mapa astrológico, a conjunção inferior distingue-se por corresponder sempre ao movimento retrógrado do planeta.

Conjunções inferior e superior de Vênus


A velocidade

A progressão dos planetas ao longo dos signos dá-se a diferentes velocidades. O astro mais rápido, a Lua, movimenta-se em média cerca de 13º por dia, avançando cerca de 1° a cada duas horas e percorre um signo completo em cerca de dois dias e meio. Saturno, o mais lento dos planetas tradicionais, avança em média 2' por dia e demora cerca de dois anos e meio a atravessar um signo. Estas diferentes velocidades estão representadas no modelo das esferas planetárias através da ordem caldaica — Saturno, Júpiter, Marte, Sol, Vénus, Mercúrio, Lua.

Ordem Caldaica e a Velocidade dos Planetas
Tabela das Velocidades Médias dos Planetas
Cada planeta tem então um ciclo específico que é medido pelo tempo que demora a dar uma volta completa ao Zodíaco. A Lua demora cerca de 27 dias e meio a retornar ao mesmo ponto do Zodíaco; Mercúrio, Vénus e o Sol cerca de 1 ano (pois nunca estão muito afastados), Marte cerca de 2, Júpiter 12 e Saturno aproximadamente 29 anos.

No entanto, ao longo do seu percurso a velocidade aparente do planeta varia, devido à proximidade ou afastamento do planeta em relação à Terra. A tabela acima apresenta as velocidades médias diárias dos planetas.

Embora o Sol, Vénus e Mercúrio tenham velocidades médias idênticas, Mercúrio alcança uma velocidade máxima de pouco mais de 2°10' por dia. Vénus fica atrás com um máximo de 1°16' e o Sol de 1°01'.


Nota: a velocidade diária aparente da Lua oscila entre 11°41' e 15°23'; o Sol oscila entre um mínimo de 57'10" e um máximo de 1°01'10". Para os restantes planetas os máximos de andamento diário são aproximadamente 47' para Marte, 14' para Júpiter e 07' para Saturno.


Caso o andamento diário do planeta seja inferior à média apresentada na tabela, diz-se que o planeta está lento, acima da média diz-se que o planeta está rápido.

Considera-se que um planeta veloz tem uma ação mais rápida e mais efetiva, e que um planeta lento tem uma atuação mais demorada.


A retrogradação

Como já referimos, o movimento aparente de um planeta faz-se normalmente segundo a ordem dos signos zodiacais (Carneiro, Touro, Gêmeos, etc.). Este é denominado movimento direto.

No entanto, em determinados momentos do seu percurso celeste, o planeta abranda a sua velocidade até, aparentemente, parar, e em seguida inverte o movimento passando a deslocar-se no sentido contrário à ordem dos signos. Este fenômeno é denominado retrogradação e ocorre periodicamente durante o ciclo zodiacal do planeta.

Assim, um planeta diz-se retrógrado quando o seu movimento aparente na abóbada celeste é contrário ao dos signos zodiacais (Gêmeos, Touro, Carneiro, etc.).

Esta inversão aparente do movimento ocorre quando a Terra ultrapassa os planetas mais lentos e exteriores à sua órbita. Um fenômeno análogo ocorre quando um carro ultrapassa outro a deslocar-se na mesma direção mas a uma velocidade menor. Os passageiros do carro mais rápido têm a ilusão que o carro mais lento está andando para trás.

Exemplo: Retrogradação de Marte

No caso dos planetas interiores à órbita terrestre, Mercúrio e Vênus, a retrogradação aparente ocorre quando estes astros (movendo-se na sua órbita em volta do Sol) se aproximam da Terra, passando entre esta e o Sol (ver figura abaixo).

A retrogradação é um fenômeno aparente, causado pela mudança de perspectiva do observador, à medida que a própria Terra se movimenta ao redor do Sol. Na realidade, um planeta nunca pára o seu movimento de translação ao redor do Sol; é um fenômeno puramente geocêntrico.

Exemplo: Retrogradação de Vênus

Numa tabela ou num horóscopo um planeta retrógrado é indicado pelo um "R" traçado colocado junto do planeta:


O Sol e a Lua nunca apresentam movimento retrógrado. No caso do Sol, é a Terra que orbita em seu redor, pelo que o movimento aparente é contínuo. A Lua tem a sua órbita diretamente ao redor da Terra, o que impossibilita qualquer fenômeno de retrogradação aparente.


Efeitos de um planeta retrógrado

O movimento direto é aquele que o planeta assume normalmente no seu curso e é considerado normal, pois não interfere na expressão do planeta.

O movimento retrógrado, por fazer o planeta aparentar "andar para trás" é considerado uma interferência no seu desempenho. Assim, um planeta retrógrado é considerado debilitado pois a sua expressão está dificultada. As suas atuações são descontínuas e dadas a mudanças súbitas. Podem significar retrocesso, demoras e cancelamento de planos.


As estações

A mudança de direção não ocorre bruscamente — o planeta desacelera gradualmente, até chegar ao ponto de parecer totalmente imóvel. Começa então a mover-se lentamente na direção oposta, acelerando até atingir a sua velocidade normal.

Ao ponto de parada chamamos estação, e a um planeta que aparente estar parado chamamos estacionário.

Na passagem de direto a retrógrado e de novo a direto, o planeta faz duas estações. A primeira estação ocorre quando o planeta, em movimento direto, diminui progressivamente a sua velocidade até estacionar, para depois assumir o movimento retrógrado aparente. A segunda estação ocorre quando, estando em movimento retrógrado, o planeta desacelera, estaciona e depois retoma o movimento direto.

Em termos práticos, considera-se que um planeta na primeira estação está mais debilitado do que um planeta na segunda estação, pois após nesta última o planeta reassume o movimento direto (considerado normal).

As Estações de Movimento dos Planetas

A latitude dos planetas

Como foi referido no início deste capítulo, a posição celeste dos planetas nem sempre coincide exatamente com a da eclíptica. Com a excepção do Sol, que "desenha" a eclíptica com o seu percurso aparente, a Lua e os planetas podem estar posicionados um pouco acima ou abaixo desta.

Isto acontece devido à existência de desfasamentos entre a órbita da Terra e a dos outros planetas. Este desfasamento é expresso noutra coordenada celeste, a latitude. Quando um planeta está "acima" da eclíptica, ou seja, na parte Norte, diz-se ter latitude norte; quando se localiza "abaixo", na parte Sul, diz-se ter latitude sul.

A Latitude dos Planetas
A latitude é também expressa em graus e minutos de arco, e oscila entre os 0° e os 90°. Em termos práticos, é representada por um número de graus e minutos e a indicação N se a latitude for norte e S, se for sul. Por exemplo, 5°N23' indicaria um planeta com uma latitude norte de 5 graus e 23 minutos.

O Zodíaco é definido como uma faixa de 16° (8° acima e 8° abaixo da eclíptica — a linha central), de forma a acomodar as variações de latitude que os planetas apresentam ao longo do tempo.

A latitude de cada planeta varia entre um máximo e um mínimo de afastamento. Dos planetas tradicionais, Vénus é o que apresenta uma maior variação de latitude, pois, o seu máximo chega quase aos 9°.

Latitudes Máxima e Mínima dos Planetas


Ao contrário da longitude zodiacal, a latitude dos planetas não vem representada diretamente no horóscopo. É geralmente colocada em tabelas anexas.

Na prática a latitude não é utilizada no corpo principal do sistema interpretativo, apenas se aplica pontualmente na interpretação, quando se faz estudos mais específicos dos planetas (por exemplo, como auxiliar na descrição física).

Regra geral, considera-se que quanto mais próximo um planeta está da eclíptica mais fortes e estáveis são considerados os seus efeitos. Tradicionalmente, um planeta com latitude norte é preferido a um com latitude sul, pois para um observador no hemisfério norte tem maior visibilidade (passa mais alto no céu e mantém-se mais tempo acima do horizonte). No entanto, como dissemos anteriormente, a aplicação destas regras é muito secundária, sendo ofuscada por elementos interpretativos de maior importância.


Os ciclos dos planetas

O movimento dos planetas no Zodíaco é de natureza cíclica, pois cada planeta repete o seu movimento aparente ao redor da Terra em períodos regulares de tempo. Estes ciclos são importantes para compreender a dinâmica do planeta, assim como parte do seu simbolismo.
Os planetas têm dois ciclos ou períodos principais: um ciclo zodiacal, também denominado sideral, e o um ciclo sinódico.


Ciclo zodiacal ou sideral

É o período de tempo no qual um planeta completa uma volta ao redor da Terra, ou seja, uma volta ao Zodíaco. A duração do ciclo zodiacal depende da velocidade do planeta.

Tabela dos Ciclos Zodiacais dos Planetas


Ciclo sinódico

Corresponde ao período de tempo que leva um planeta a retomar o mesmo ponto em relação ao Sol. Em termos práticos, consiste no período entre duas conjunções sucessivas de um planeta ao Sol.

A diferença entre este ciclo e o anterior reside no fato de contabilizar, para além da velocidade dos planetas, a velocidade do Sol.

No caso dos planetas mais rápidos que o Sol, quando o planeta retorna ao mesmo ponto do Zodíaco, o Sol já se movimentou e é necessário que o planeta percorra mais um tanto para o alcançar. Quanto aos planetas mais lentos, é o próprio Sol que os alcança.

Tabela dos Ciclos Sinódicos dos Planetas


O auge dos planetas

Este é um conceito tradicional, que surge no contexto do modelo das esferas e não tem aplicação direta ao modelo astronômico heliocêntrico. E frequentemente mencionado por autores tradicionais, razão pela qual decidimos inclui-lo, embora a sua importância na interpretação astrológica seja extremamente reduzida.

Durante o seu percurso ao redor do Sol os planetas podem estar mais próximos ou mais afastados da Terra. A fase de maior afastamento é designada auge. Quando um planeta se aproxima deste ponto, diz-se que "ascende para o seu auge" e considera-se que está favorecido; quando se afasta, diz-se que "descende do seu auge" e considera-se desfavorecido.

Num mapa astrológico, podemos determinar esta situação observando a conjunção dos planetas com o Sol.

Os planetas superiores (Saturno, Júpiter e Marte) atingem o seu auge perto da conjunção ao Sol; diz-se que ascendem para o auge quando o Sol se aproxima deles e que descendem quando o Sol deles se afasta.

Os planetas inferiores (Vénus e Mercúrio) estão no seu auge por alturas da conjunção superior ao Sol (ou seja, em movimento direto), encontrando-se mais afastados do seu auge quando fazem a conjunção inferior (em movimento retrógrado).

A Lua estará perto do seu auge quando a sua velocidade é menor, e afastada quando está mais rápida.

Podemos equiparar o auge ao apogeu e o ponto oposto ao perigeu. Embora estes conceitos sejam geralmente aplicados à Lua, na perspectiva geocêntrica podem ser aplicados aos restantes planetas.





Extraído de: Helena Avelar e Luis Ribeiro, in Tratado das Esferas. Editora Pergaminho. Cascais, Portugal, 2007.

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