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sábado, 29 de julho de 2017

Os Filhos na Astrologia Medieval, por Paulo Alexandre Silva

Século XXI ano de 2005, controle da natalidade difundido em diversas partes do mundo através de métodos contraceptivos, fertilização in vitro aplicada amplamente gerando crianças saudáveis e realizando o sonho de muitas famílias, terapias diversas visando tanto a concepção como a contracepção. Dentro desta realidade o que a Astrologia Medieval nos pode oferecer, através da interpretação do mapa natal, em relação à previsão da existência ou não de filhos na vida de um indivíduo?

Os astrólogos medievais utilizavam diversos elementos para avaliar se o mapa indicava ou não a existência de filhos [Não são considerados filhos adoptados ou enteados] e, através da análise desses elementos, realizavam o julgamento correspondente. Observamos na literatura referências gerais a “uma grande quantidade de filhos”, “muitos filhos”, “pequena quantidade de filhos” e “nenhum filho”, de forma que este parece ter sido, e ainda é, o objectivo principal destas interpretações.

Ao aplicarmos estas técnicas medievais devemos ainda ter em mente as diferenças sócio-culturais actuais. Sociedades, grupos, culturas, povos, países, ou mesmo regiões diferentes dentro de um mesmo país com grande extensão territorial, interpretam termos genéricos como os acima de formas diferentes. A tendência nos grandes centros nas últimas décadas tem sido a progressiva diminuição no número de filhos. O que na época medieval era considerado um pequeno número de filhos pode ser um grande número nos dias actuais para determinadas famílias.

Os Significadores

Para os antigos mestres medievais, os filhos são avaliados pela existência de planetas ou de determinadas Partes Árabes em locais específicos da Natividade, as casas 1, 11, 10, 7 e 5. Alguns autores adicionam a casa 4 às mencionadas anteriormente. Todos os planetas participam como significadores. Júpiter, Vénus e Lua propiciam filhos. Marte Saturno e Sol dificultam a existência de filhos ou indicam um pequeno número deles. Mercúrio varia de acordo com a relação que possui com outros significadores. Além dos planetas, devem ser analisados outros pontos como a Parte da Fortuna  (pars fortunae), a Parte dos Filhos (pars filiorum), seus regentes, o regente da triplicidade de Júpiter e o regente da casa 5.

Os signos nos quais encontramos os significadores devem ser interpretados de acordo com sua classificação em: muito férteis (Caranguejo, Escorpião e Peixes), moderadamente férteis (Touro, Balança, Sagitário e Aquário), pouco férteis (Carneiro e Capricórnio) e estéreis (Gémeos, Leão e Virgem), já que podem modificar as qualidades intrínsecas dos significadores. Júpiter, que é essencialmente um planeta significador de filhos, se posicionado num signo estéril passa a ser um impedimento. Saturno, um planeta que dificulta os filhos, se posicionado num signo muito fértil, em casas adequadas e bem aspectado pelos seus regentes ou por outros significadores pode possibilitar filhos.

Significadores dignificados, principalmente Júpiter e Vénus, em signos férteis, em casas que indicam a existência de filhos, bem aspectados por benéficos e livres de impedimentos propiciam muitos filhos. Significadores em detrimento ou queda, impedidos ou aflitos por maléficos, diminuem a quantidade de filhos.

(Ver exemplos)

Conclusão

Embora muitos séculos nos separem da vida e dos costumes da época medieval, as obras dos antigos mestres oferecem um material rico e abrangente para este género específico de interpretações. Ao contrário do que possa parecer, a adição de significadores aos tradicionalmente usados nos dias actuais, como casa 5 e seu regente, em lugar de dificultar a análise, amplia e refina a interpretação. A cautela mostrada pelos astrólogos medievais, que utilizavam termos genéricos nos seus julgamentos, deve também nortear nossos passos. As profundas modificações nas áreas da concepção e da contracepção nos dias actuais fazem com que seja prudente não quantificarmos os filhos muito rigidamente. Da mesma forma, ao nos depararmos com mapas, como o de Wallis Simpson, de indivíduos jovens em idade fértil e manifestando desejo de gerar filhos, será mais conveniente efectuarmos uma interpretação de “muito poucos” ao invés de ceifar suas esperanças com o julgamento de “nenhum filho”.  É a aplicação prática dos ensinamentos de Lilly que nos orienta a associar “Art with discretion”.


Paulo Alexandre da silva
http://www.astrologiamedieval.com/Filhos.htm

O Uso das Casas Derivadas na Astrologia Tradicional, por Paulo Alexandre Silva

O uso das casas derivadas apesar de se usarem em outros ramos da astrologia é na astrologia horária que o seu uso é mais frequente, isto para não dizer indispensável!!!


  1. Qual a mãe que nunca fez uma consulta horária a respeito do filho?
  2. Qual a mulher que nunca fez uma consulta horária a respeito das finanças do marido?
  3. Qual a mulher que nunca fez uma consulta horária a respeito das suas sócias ou parcerias?

A derivação de casas é uma técnica relativamente simples, contudo os mais incautos devem tomar cuidado na escolha das casas que representam o assunto a ser perguntado, pois os significadores, os regentes das casas derivadas, mal escolhidos, representam uma resposta errada. Este cuidado na escolha das casas e significadores não é exclusivo para a derivação das casas, mas sim para toda a astrologia horária.

Alguns exemplos de casas derivadas:
  
  • As finanças do meu marido: a casa II da VII, a casa VIII radical.
  • Os irmãos dos meus empregados: a casa III da VI, a casa VIII radical.
  • As finanças do meu pai: a casa II da IV, a casa V radical.
  • O meu neto: a casa V da V, a casa IX radical.
  • A minha tia materna: a casa III da X, a casa XII radical.
  • Os inimigos secretos do meu chefe: a casa XII da X, a casa IX radical.
  • A Rainha de Inglaterra: a casa X da IX, a casa VI radical (caso viva em Portugal - a rainha de um país estrangeiro. Se vivesse na Inglaterra seria a própria casa X radical, a rainha do seu país).
  • O irmão da minha esposa: a casa III da VII, a casa IX radical.
  • O meu avô paterno: a casa IV da IV, a casa VII radical.
  • O patrão do meu marido: a casa X da VII, a casa IV radical.
  • Os amigos do meu marido: a casa XI da VII, a casa V radical.
  • O gato do meu vizinho: a casa VI da III, a casa VIII radical.
  • O namorado da amiga da minha mãe: a amiga da minha mãe é a casa XI da X, a casa VIII radical, o namorado da amiga da minha mãe é a casa VII da VIII, a casa II radical.
  • O cavalo de estimação da minha filha (animal de grande porte): a casa XII da V, a casa IV radical.
  • A viagem longa da minha irmã: a casa IX da III, a casa XI radical.
  • O relógio comprado (posse móvel) do meu pai: a casa II da IV, a casa V radical.
Aqui ficam alguns exemplos de derivação de casas, muitos outros podiam ser aqui colocados, mas penso que compreendendo os exemplos acima, a dinâmica da derivação de casas torna-se um exercício de relativa facilidade na prática.



quarta-feira, 26 de julho de 2017

O Uso das Triplicidades na Astrologia Tradicional, por Paulo Alexandre Silva

O motivo que me leva a escrever este esclarecimento sobre o uso das Triplicidades na Astrologia Tradicional deve-se ao fato de que muitos dos estudantes fazem um uso incorreto da aplicação dos regentes das Triplicidades na Astrologia Natal e em outros ramos da Astrologia.

Antes de prosseguir nesta tentativa de esclarecer o uso das Triplicidades ou ‘Trigons’ vou mencionar as suas características.
“Uma vez ordenado o círculo Zodiacal por diferença e por propriedade, nós achamos dois grupos – um grupo diurno e um nocturno, do Sol e da Lua respectivamente…” (“The Anthology” by Vettius Valens)

Sobre a primeira Triplicidade, Carneiro – Leão – Sagitário
“Carneiro, Leão, e Sagitário compõem a primeira triplicidade. Carneiro é um signo ígneo, quente e seco, e assim há um signo quente e seco. Leão, igualmente, é um signo quente e seco, e assim há dois signos quentes e secos. E Sagitário é um signo quente e seco, e deste modo os signos quentes e secos são triplicados. Assim há três signos que concordam em uma natureza. Esta triplicidade é chamada quente e seca porque cada um dos três signos é ígneo, quente, seco, masculino, oriental, diurno, colérico, e amargo em relação ao gosto. E esta triplicidade é chamada oriental; os seus regentes são de dia o Sol, e de noite Júpiter, Saturno compartilha [no domínio] tanto de dia como de noite.” (“The Anthology” by Vettius Valens)


Sobre a segunda Triplicidade, Touro – Virgem – Capricórnio
“Touro, Virgem, e Capricórnio compõem a segunda triplicidade porque cada um destes signos é térreo, frio e seco, feminino, nocturno, melancólico, do Sul, e intenso ou picante com respeito ao gosto. E esta triplicidade é chamada do Sul. Os seus regentes são de dia Vénus, a Lua à noite, e Marte que compartilha [no domínio] tanto de dia como de noite.” (“The Anthology” by Vettius Valens)


Sobre a terceira Triplicidade, Gémeos – Balança – Aquário 
“Gémeos, Balança, e Aquário compõem a terceira triplicidade porque cada um destes signos é aéreo, quente e húmido, masculino, diurno, sanguíneo, ocidental, e doce com respeito ao gosto. E esta triplicidade é chamada ocidental; seus regentes são de dia Saturno, e Mercúrio de noite, e Júpiter que compartilha [no domínio] tanto de dia como de noite.” (“The Anthology” by Vettius Valens)


Sobre a quarta Triplicidade, Caranguejo – Escorpião – Peixes
“Caranguejo, Escorpião, e Peixes compõem a quarta triplicidade porque cada um destes signos é aquático, frio e húmido, feminino, nocturno, fleumático, e salgado com respeito ao gosto, no entanto alguns dizem insípido. E esta triplicidade é chamada do norte. Seus regentes são de dia Vénus, Marte de noite, e a Lua que compartilha [no domínio] tanto de dia como de noite.” (“The Anthology” by Vettius Valens)
Para a Triplicidade do fogo:
“…seus regentes de dia são o Sol, depois Júpiter, depois Saturno; seus regentes de noite são Júpiter, depois o Sol, depois Saturno.”  (Al – Qabisi (Alcabitius): The Introduction to Astrology)


Para a Triplicidade da terra:

“…seus regentes de dia são Vénus, depois a Lua, depois Marte; de noite, a Lua, depois a Vénus, depois Marte.” (Al – Qabisi (Alcabitius): The Introduction to Astrology)


Para a Triplicidade do ar:
“…seus regentes de dia são Saturno, depois Mercúrio, depois Júpiter; de noite Mercúrio, depois Saturno, depois Júpiter.” (Al – Qabisi (Alcabitius): The Introduction to Astrology)


Para a Triplicidade da água:
“…seus regentes são Vénus, depois Marte, depois a Lua; de noite Marte, depois a Vénus, depois a Lua.” (Al – Qabisi (Alcabitius): The Introduction to Astrology)

Talvez, e esta é uma suposição minha, o uso incorrecto das Triplicidades se tenha enraizado nas nossas ‘crenças’ astrológicas devido (mas não só, obviamente) à enorme influência do grande astrólogo Inglês William Lilly quando no seu “Christian Astrology” escreveu,
“Triplicidade – Se estiver em qualquer dos signos que são atribuídos à sua triplicidade, são lhe dadas três dignidades; mas aqui há de ser-se muito cauteloso; como por exemplo: numa pergunta, natividade, ou semelhante, se se encontrar o Sol em Carneiro, e a pergunta, ou natividade ou o esquema levantado for nocturno, e se se examinar as fortalezas do Sol, ele terá quatro dignidades por estar na sua exaltação, o que acontece em todo o signo; mas não terá nenhuma dignidade por estar na sua triplicidade, pois durante a noite não é o Sol que rege a triplicidade do fogo, mas sim Júpiter, o qual, se tivesse estado no lugar do Sol, e durante a noite, teria recebido três dignidades; fazer assim com todos os planetas em geral, exceptuando Marte que rege a triplicidade da água de noite e de dia.” (“Astrologia Cristã” por William Lilly)

É comum a alguns estudantes de Astrologia Tradicional atribuir unicamente três dignidades ao regente da Triplicidade correspondente ao ‘Sect’ ao qual o nativo pertence, isto é, se o nativo nasceu de noite ou se nasceu de dia.

Um exemplo do que mencionei acima seria encontrar em uma natividade o Sol, Júpiter e Saturno no signo de Sagitário numa natividade nocturna, o que provavelmente sucederia nesta situação é que o estudante de Astrologia iria atribuir as três dignidades única e exclusivamente a Júpiter, uma vez que é Júpiter que rege a Triplicidade nocturna do fogo e não iria atribuir as outras três dignidades a cada um dos restantes regentes, nomeadamente, ao Sol e a Saturno como regente participante da Triplicidade do fogo.

Dorotheus de Sídon em seu livro “Carmen Astrologicum” também escreveu,
“…Quanto às triplicidades: Carneiro, Leão e Sagitário são uma triplicidade; Touro, Virgem e Capricórnio são uma triplicidade; Gémeos, Balança e Aquário são uma triplicidade; e Caranguejo, Escorpião e Peixes são uma triplicidade. Conhecer os regentes das triplicidades dos signos: os regentes da triplicidade de Carneiro de dia são o Sol, depois Júpiter, depois Saturno, de noite Júpiter, depois o Sol, depois Saturno; os regentes da triplicidade de Touro de dia são Vénus, depois a Lua, depois Marte, de noite a Lua, depois Vénus, depois Marte … os regentes da triplicidade de Gémeos de dia são Saturno, depois Mercúrio, depois Júpiter, de noite Mercúrio, depois Saturno, depois Júpiter; os regentes da triplicidade de Caranguejo de dia são Vénus, depois Marte, depois a Lua, de noite Marte, depois Vénus, depois a Lua. Afirmo que tudo o que é decidido ou indicado o é pelos regentes das triplicidades, e quanto a tudo o que são aflições e angústias que atingem as gentes do mundo e a totalidade dos homens, são os regentes das triplicidades quem o decide…” 

Podemos concluir que de todos os textos mencionados acima, nenhum, à excepção do de William Lilly nos fornece instruções para atribuir dignidades única e exclusivamente ao regente da triplicidade que esteja unicamente a reger o ‘Sect’ da natividade. Devido a um maior acesso aos ensinamentos de outros astrólogos da antiguidade, hoje, em Astrologia Tradicional atribui-se três dignidades a cada um dos regentes da Triplicidade, seja a natividade diurna ou nocturna.

Relembrando o exemplo acima, Sol, Júpiter e Saturno receberiam 3 dignidades cada por estarem na Triplicidade do fogo.

Os regentes das Triplicidades não se aplicam somente aos signos mas também às casas.

Os regentes das triplicidades também agem como significadores e fornecem-nos um útil manancial de ajuda para delinear uma natividade.


As Casas e as Triplicidades (Al – Qabisi (Alcabitius): The Introduction to Astrology)

Casa 1 – "O primeiro regente da triplicidade do ‘Sect’ indica a vida e a natureza do nativo, os seus prazeres e desejos, o que gosta e desgosta, e o que ele obtém de bom e de mau no início da sua vida."

Casa 1 – "O segundo regente da triplicidade do ‘Sect’ indica vida, corpo, força e o meio da vida."

Casa 1 – "O regente da triplicidade participante indica o que os primeiros dois regentes do lugar significam e o fim da vida perto da morte."


Casa 2 – "O primeiro regente da triplicidade do ‘Sect’ concede bens no início da vida."

Casa 2 – "O segundo regente da triplicidade do ‘Sect’ concede bens no meio da vida."

Casa 2 – "O regente da triplicidade participante concede bens no fim da vida."


Casa 3 – "O primeiro regente da triplicidade do ‘Sect’ significa os irmãos mais velhos."

Casa 3 – "O segundo regente da triplicidade do ‘Sect’ significa os irmãos do meio."

Casa 3 – "O regente da triplicidade participante significa os irmãos mais novos, e as suas condições estão de acordo com a posição dos regentes."


Casa 4 – "O primeiro regente da triplicidade do ‘Sect’ significa os pais."

Casa 4 – "O segundo regente da triplicidade do ‘Sect’ significa países e terras."

Casa 4 – "O regente da triplicidade participante significa o final das coisas e prisões."


Casa 5 – "O primeiro regente da triplicidade do ‘Sect’ significa crianças e vida."

Casa 5 – "O segundo regente da triplicidade do ‘Sect’ significa prazeres."

Casa 5 – "O regente da triplicidade participante significa mensageiros."


Casa 6 – "O primeiro regente da triplicidade do ‘Sect’ significa doenças e a recuperação das aflições."

Casa 6 – "O segundo regente da triplicidade do ‘Sect’ significa escravos brancos e negros."

Casa 6 – "O regente da triplicidade participante significa o que se recebe dos escravos, a sua importância e as suas acções."


Casa 7 – "O primeiro regente da triplicidade do ‘Sect’ significa esposas."

Casa 7 – "O segundo regente da triplicidade do ‘Sect’ significa controvérsias."

Casa 7 – "O regente da triplicidade participante significa a entrada em negócios (contratos)."


Casa 8 – "O primeiro regente da triplicidade do ‘Sect’ significa morte."

Casa 8 – "O segundo regente da triplicidade do ‘Sect’ significa coisas antigas."

Casa 8 – "O regente da triplicidade participante significa heranças."


Casa 9 – "O primeiro regente da triplicidade do ‘Sect’ significa viagens e os seus objectivos."

Casa 9 – "O segundo regente da triplicidade do ‘Sect’ significa religião e práticas religiosas, a eminência que se obtém nelas e a forma que a eminência toma."

Casa 9 – "O regente da triplicidade participante é significador de ciência, visões, estrelas (astrologia) e presságios e verdade e falsidade nisto."


Casa 10 – "O primeiro regente da triplicidade do ‘Sect’ significa governadores, honra e altos níveis."

Casa 10 – "O segundo regente da triplicidade do ‘Sect’ significa fama e bravura (no acima mencionado)."

Casa 10 – "O regente da triplicidade participante significa estabilidade e continuidade."


Casa 11 – "O primeiro regente da triplicidade do ‘Sect’ significa esperança."

Casa 11 – "O segundo regente da triplicidade do ‘Sect’ significa amigos."

Casa 11 – "O regente da triplicidade participante significa a utilidade dos amigos."


Casa 12 – "O primeiro regente da triplicidade do ‘Sect’ significa inimigos."

Casa 12 – "O segundo regente da triplicidade do ‘Sect’ significa desgraça."

Casa 12 – "O regente da triplicidade participante significa montaria e animais domésticos."


Espero que a apresentação deste estudo venha elucidar e ajudar os estudantes desta Arte que tem por nome Astrologia Tradicional.


Extraído de: http://www.astrologiamedieval.com/Triplicidades.htm#_ftn1

segunda-feira, 29 de maio de 2017

O Cálculo do Temperamento, por Paulo Silva

A apresentação deste estudo não tem como finalidade uma abordagem teórica do Temperamento ou mesmo uma apresentação histórica do desenvolvimento da teoria dos Quatro Humores, que mais tarde veio a gerar a do Temperamento, o que me levaria às Qualidades e aos Elementos e a traçar a rota desde muito antes de Empédocles passando então por Hipócrates, Aristóteles, Galeno até chegar a fontes bem mais recentes. A finalidade a que me proponho é a de uma apresentação técnica do cálculo do Temperamento seguindo a fórmula apresentada por Robert Zoller [1]. Gostaria de salientar que a minha escolha por esta forma de cálculo em detrimento de outras, como as de, Ptolomeu, Montulmo, Schoener, Garcaeus, Lilly ou Coley se deve à simplicidade da mesma e à sua exactidão.
 
Temperamento – s.m. (Do Lat. Temperamentum ‘combinação’). Carácter de um indivíduo que corresponde ao conjunto dos seus traços psicológicos e que o distingue dos outros, condicionando-lhe a constituição física, o comportamento e as emoções. [2]
Os quatro tipos de Temperamento são conhecidos como - Colérico (Bílis Amarela), Melancólico (Bílis Negra), Fleumático (Fleuma) e Sanguíneo (Sangue).
 
Como foi mencionado acima, “Temperamentum = Combinação”, pois cada um dos quatro Temperamentos é composto pela combinação das quatro Qualidades primitivas, ou seja:

Colérico – Quente e Seco
Melancólico – Frio e Seco
Fleumático – Frio e Húmido
Sanguíneo – Quente e Húmido
 
Por sua vez as Qualidades Primitivas dão lugar aos Quatro Elementos, ou seja:
 
Quente e Seco – Fogo
Frio e Seco – Terra
Frio e Húmido – Água
Quente e Húmido – Ar

O Cálculo
 
Os significadores que participam na fórmula de cálculo do Temperamento são os seguintes:
 
1. O Signo Ascendente
2. O Almuten do Ascendente
3. Os Planetas que fazem aspecto ao Ascendente
 
Afim de calcular o Temperamento é necessário:
 
1. Conhecer as Qualidades Primitivas dos Planetas e dos Signos
2. Calcular o Almuten ascendentis
 
Qualidades Primitivas dos PlanetasQualidades Primitivas dos Signos
Saturno – Frio e SecoCarneiro – Quente e Seco
Júpiter – Quente e HúmidoTouro – Frio e Seco
Marte – Quente e SecoGémeos – Quente e Húmido
Sol – Quente e SecoCaranguejo – Frio e Húmido
Vénus – Quente e Húmida [3]Leão – Quente e Seco
Mercúrio – Quente e Seco [4]Virgem – Frio e Seco
Lua – Fria e HúmidaBalança – Quente e Húmido
Escorpião – Frio e Húmido
Sagitário – Quente e Seco
Capricórnio – Frio e Seco
Aquário – Quente e Húmido
Peixes – Frio e Húmido


O Cálculo do Almuten ascendentis: 

Para calcular o Almuten ascendentis vou tomar como exemplo a natividade apresentada para este estudo. O Ascendente desta natividade encontra-se a 11º e 11' de Sagitário, que é o grau que se torna imprescindível para achar o  Almuten ascendentis.
 



Cálculo do Almuten ascendentis para a Natividade do Exemplo

SaturnoJúpiterMarteSolVénusMercúrioLua
ASC - 11º Sagitário 11'
Domicílio (5)5
Exaltação (4)-------
Triplicidade (3)333
Termo (2)2
Face (1)1
Total31031

Consulte a tabela de Dignidades utilizada na elaboração da tabela acima


Mapa de Exemplo

Uma vez que já está apresentada a fórmula do Cálculo do Temperamento, as Qualidades Primitivas dos Signos e dos Planetas e já se procedeu ao cálculo do Almuten ascendentis, vou então apresentar como se calcula o Temperamento.


Os Significadores para o Cálculo do Temperamento são os seguintes:
 
1.O Signo Ascendente: Sagitário
 
2.O Almuten do Ascendente: Júpiter
 
3.Os Planetas que fazem aspecto ao Ascendente:
 
3.1O Mercúrio faz um aspecto de Sextil ao Ascendente, contudo, Mercúrio faz um Trígono a Marte, logo, devido a este aspecto torna-se um Planeta - Quente e Seco
 
3.2O Marte faz um aspecto de Oposição ao Ascendente
 
3.3O Sol faz um aspecto de Quadratura ao Ascendente

Tabela dos Significadores para Cálculo do Temperamento
 
SignificadoresQuenteFrioHúmidoSeco
ASC - 11º Sagitário 11'11
Almuten do ASC - Júpiter 23º Carneiro 51'11
Mercúrio - 09º Balança 01'11
Marte - 13º Gémeos 09'11
Sol - 13º Virgem 20'11
Total
5014

Como se pode verificar na tabela acima temos uma grande predominância das Qualidades Primitivas, Quente (5) e Seco (4), o que dá ao nativo um Temperamento Colérico.


Nem em todas as Natividades se encontra um Temperamento tão 'definido', pois em muitas Natividades pode-se encontrar uma mistura de dois Temperamentos.

Palavras-Chave para cada tipo de Temperamento

Colérico: Vontade forte, Ambição, Irascível, Fisicamente bem definidos, Robustos, Brigão, Vingativo, Inoportuno, Arrogante, Ousado, Imprudente,  Engenhoso, Sedutor, Tirano, Optimista, Inesgotável, Agressivo, Afirmativo, Gosto por comandar, Impaciente, Odeia detalhes, Exige demasiado e dá demasiado, Extremista, Gosto por reconhecimento público, Muito inquieto, Excessivo, Brincalhão, Mordaz, Nervoso e Astuto.
 
Sanguíneo: Sociável, Amigável, Não se mantêm no mesmo sítio por muito tempo, Fisicamente bem proporcionados, Alegre, Generoso, Dedicado, Afável, Pacificadores, Honesto, Modesto, Religioso, Superficial, Distraído, Optimista, Fiel, Liberal, Cortês, Misericordioso e Confiável.
 
Melancólico: Detalhado, Ponderado, Lógico, Tendências depressivas, Fisicamente magro, Estatura média, Prudente, Lentos a resolver assuntos, Fraudulento, Teimoso, Invejoso, Duvidoso, Triste, Temeroso, Insubordinado, Inexorável, Ambicioso, Taciturno, Anti-social, Analítico, Pessimista, Conhecedor, Estudioso, Desconfiado e Solitário.
 
Fleumático: Emoção controlada, mas de sentimentos fortes, Fisicamente cheios e baixos, Cobardes, Indolentes, Dedicado, Inconstante, Linguarudo, Maçador, Preguiçoso, Contemplativo, Reservado, Tímido, Resignado, Lento, Profundo estudioso, Caseiro, Hesitante, Invejoso, Mesquinho, Egocêntricos, Envergonhados, Ganancioso e Sóbrios.



[1] Para um profundo estudo do Temperamento sugiro o curso avançado de Astrologia Medieval - para mais informações visite - Robert Zoller - Medieval Astrology
[2] Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, Academia das Ciências de Lisboa - © Academia das Ciências de Lisboa e Editorial Verbo, 2001
[3] Seguindo a fórmula de Robert Zoller para o Cálculo do Temperamento vou usar Quente e Húmido para Vénus ao invés de Fria e Húmida

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

William Lilly – Os Aspectos (por Paulo Alexandre Silva, DMA)




Os Aspectos

No texto abaixo encontra-se um excerto do Capítulo XIX do livro do Século XVII “Christian Astrology”, do grande mestre Inglês de astrologia horária – William Lilly. Este texto dá-nos a conhecer a base para o conhecimento dos pontos mais importantes sobre os aspectos na astrologia tradicional.

Muito fica por escrever sobre os aspectos e as suas dinâmicas, mas em futuros artigos irei aprofundar este tema, que cada vez mais, com as novas traduções que estão a ser publicadas, outras compreensões e dinâmicas estão a surgir para gáudio dos estudantes desta Arte.


William Lilly – Os Aspectos

Os mais fortes raios, configurações ou aspectos são apenas estes: o sextil, quadratura, trígono, oposição; costumamos chamar à conjunção, um aspecto, mas muito impropriamente.

Um aspecto sextil é a distância de um planeta a outro pela sexta parte do zodíaco ou círculo; pois seis vezes sessenta graus perfaz 360 graus; encontrarão este aspecto por vezes chamado de aspecto sexangular ou hexágono.

Um aspecto quadratura, ou quadrangular, ou tetragonal, é a distância de dois pontos, ou dois planetas pela quarta parte do círculo, pois quatro vezes noventa contêm trezentos e sessenta graus.

O trígono consiste em 120 graus, ou uma terça parte do círculo, pois três vezes cento e vinte graus faz o círculo inteiro, ou 360 graus. É chamado um aspecto triangular, ou trigonal, e se por vezes encontrar a palavra trigonocrator, ela quer dizer um planeta regendo ou tendo domínio em tal triplicidade ou triângulo; pois três signos fazem um triângulo ou triplicidade.

Uma oposição ou radiação diametral é quando dois planetas estão igualmente distantes 180 graus, ou metade do círculo, um do outro.

Uma conjunção, coito, sínodo ou congresso (pois alguns usam todas estas palavras) é quando dois planetas estão no mesmo grau e minuto de um signo.

Deve entender que entre estes aspectos, a quadratura é um sinal de inimizade imperfeita; e que a oposição é um aspecto ou indicação de perfeito ódio; o que deve ser entendido desta forma: Uma pergunta é apresentada, se duas pessoas em desacordo podem ser reconciliadas? Admitamos que encontro os dois significadores, representando os dois adversários, em aspecto de quadratura; posso então julgar, porque o aspecto é de ódio imperfeito, que o assunto ainda não está perdido, e que pode haver esperanças de reconciliação entre eles, desde que os outros significadores ou planetas ajudem um pouco. Mas se encontrar os principais significadores em oposição, é então impossível por natureza esperar que haja paz entre eles até que o processo tenha terminado, se for um processo legal; ou até que tenham lutado, se for um desafio.

Os aspectos de sextil e de trígono são indicações de amor, união e amizade; mas o trígono é mais forte, (viz.) se os dois significadores estiverem em sextil ou trígono, sem dúvida que a paz pode ser facilmente concluída.

Conjunções são boas ou más, conforme os planetas em conjunção são amigos ou inimigos entre si.

Existe também o aspecto partil e plático. O aspecto partil é quando dois planetas estão exactamente a tantos graus um do outro que fazem um aspecto perfeito: como se Vénus estiver a nove graus de Carneiro e Júpiter a nove graus de Leão, isto é um trígono partil; assim como o Sol a um grau de Touro e a Lua a um grau de Caranguejo fazem um sextil partil, e isto é um forte sinal ou indicação para a realização de qualquer coisa, ou que o assunto está praticamente concluído quando o aspecto é tão partil, e tem significado positivo; e é igualmente um sinal de mal eminente, quando há ameaça de infortúnio.

Um aspecto plático é aquele que admite as orbes ou raios de dois planetas que significam qualquer assunto: como se Vénus estiver no décimo grau de Touro e Saturno a dezoito graus de Virgem, aqui Vénus faz um trígono plático a Saturno ou encontra-se num trígono plático a Saturno, porque ela está dentro da moiety das orbes de ambos; pois a moiety dos raios ou orbe de Saturno é cinco, e de Vénus é quatro, e a distância entre eles e o seu aspecto perfeito é de oito graus; e aqui insiro novamente a tabela da extensão das suas orbes, conforme verifiquei pelos melhores autores e pela minha própria experiência:


A aplicação dos planetas dá-se de três maneiras diferentes: primeiro, quando um planeta mais rápido se aplica a um mais lento e pesado, estando ambos directos; como Marte a dez graus de Carneiro, Mercúrio a cinco: aqui Mercúrio aplica-se a uma conjunção com Marte.

Em segundo lugar, quando ambos os planetas estão retrógrados, como Mercúrio a dez graus de Carneiro e Marte a nove de Carneiro; não ficando Mercúrio directo até que tenha feito uma conjunção com Marte: esta é uma má aplicação e uma indicação de perfeição súbita ou de rompimento do assunto, de acordo com a significação dos dois planetas.

Em terceiro lugar, quando um planeta está directo, e em menos graus, e um planeta retrógrado estando em mais graus do signo, como Marte estando directo a 15 graus de Carneiro e Mercúrio retrógrado a 17 graus de Carneiro; esta é uma má aplicação, e mostra uma atmosfera de grande mudança; numa pergunta, uma súbita alteração; mas eu explico a aplicação mais especificamente como se segue:

É quando dois planetas se estão a aproximar por conjunção ou por aspecto, viz. a um sextil, trígono, quadratura ou oposição; onde deve entender que os planetas superiores não se aplicam aos inferiores (a não ser que estejam retrógrados), mas sempre o mais leve ao mais pesado; como se Saturno estiver a 10 graus de Carneiro e Marte estiver no sétimo grau de Carneiro, aqui Marte tendo menos graus e sendo um planeta mais leve do que Saturno, aplica-se à sua conjunção; se Marte estivesse no sétimo grau de Gémeos, aplicar-se-ia então por um aspecto de sextil a Saturno; se Marte estivesse no sétimo grau de Caranguejo, aplicar-se-ia por uma quadratura a Saturno; se estivesse no sétimo grau de Leão, aplicar-se-ia por um trígono a Saturno; se Marte estivesse no sétimo grau de Balança, aplicar-se-ia por uma oposição a Saturno, e o aspecto exacto ocorreria quando ele chegasse ao mesmo grau e minuto em que Saturno se encontrasse.

A separação é, em primeiro lugar, quando dois planetas estão separados por apenas seis minutos de distância um do outro; como se Saturno estiver a 10 graus e 25 minutos de Carneiro e Júpiter a 10 graus e 25 minutos de Carneiro: agora, nestes graus e minutos, eles estão em perfeita conjunção; mas quando Júpiter chegar a 10 graus e 31 minutos ou 32 minutos de Carneiro, dir-se-á que ele se está a separar de Saturno; contudo, porque a Saturno é-lhe atribuído um raio de 9 graus e a Júpiter é-lhe atribuído o mesmo número, não se pode dizer que Júpiter esteja totalmente separado ou livre dos raios de Saturno até que se tenha distanciado 9 graus completos em Carneiro, ou esteja a uma distância dele de 9 graus completos, pois a metade da orbe de Júpiter é 4 graus e 30 minutos e a metade da orbe de Saturno é 4 graus e 30 minutos, que somados perfazem 9 graus completos; pois a cada planeta que se aplica é dada a metade das suas próprias orbes e a metade das orbes do planeta do qual se separa. Como se o Sol e a Lua estiverem em qualquer aspecto, a Lua estará separada do Sol quando estiver a uma distância do Sol de 7 graus 30 minutos, viz. metade das orbes do Sol, e 6 graus, a moiety das suas próprias orbes; totalizando 13 graus 30 minutos.

O conhecimento exacto disto é variado e excelente: pois admitamos que dois planetas significadores de casamento no momento da pergunta, estavam recentemente separados por apenas alguns minutos; julgaria então que apenas alguns dias antes teria existido uma grande probabilidade de realização do casamento, mas que agora pendia suspenso, parecendo haver algum desgosto ou ruptura nele; e à medida que os significadores se separam mais, também mais o assunto e o afecto das pessoas se aliena e muda, e de acordo com o número de graus que o planeta mais rápido necessite antes de se poder considerar completamente separado do mais pesado, assim serão tantas semanas, dias, meses ou anos antes que os dois amantes desistam totalmente ou considerem o assunto completamente rompido.


Signos que não se aspectam.

Estes são chamados signos inconjuntos, ou aqueles que, se um planeta lá estiver, não poderá fazer qualquer aspecto a outro no signo inferior; assim, um em Carneiro não poderá fazer aspecto a outro em Touro ou Escorpião, ou um em Touro a um em Carneiro, Gémeos, Balança ou Sagitário, e desta forma se deve entender o resto.



Tradução livre do Capítulo XIX do livro “Christian Astrology” de William Lilly, por Paulo Alexandre Silva, DMA.

Extraído de: http://www.astrologiamedieval.com/blog/?p=257