terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

William Lilly – Os Aspectos (por Paulo Alexandre Silva, DMA)




Os Aspectos

No texto abaixo encontra-se um excerto do Capítulo XIX do livro do Século XVII “Christian Astrology”, do grande mestre Inglês de astrologia horária – William Lilly. Este texto dá-nos a conhecer a base para o conhecimento dos pontos mais importantes sobre os aspectos na astrologia tradicional.

Muito fica por escrever sobre os aspectos e as suas dinâmicas, mas em futuros artigos irei aprofundar este tema, que cada vez mais, com as novas traduções que estão a ser publicadas, outras compreensões e dinâmicas estão a surgir para gáudio dos estudantes desta Arte.


William Lilly – Os Aspectos

Os mais fortes raios, configurações ou aspectos são apenas estes: o sextil, quadratura, trígono, oposição; costumamos chamar à conjunção, um aspecto, mas muito impropriamente.

Um aspecto sextil é a distância de um planeta a outro pela sexta parte do zodíaco ou círculo; pois seis vezes sessenta graus perfaz 360 graus; encontrarão este aspecto por vezes chamado de aspecto sexangular ou hexágono.

Um aspecto quadratura, ou quadrangular, ou tetragonal, é a distância de dois pontos, ou dois planetas pela quarta parte do círculo, pois quatro vezes noventa contêm trezentos e sessenta graus.

O trígono consiste em 120 graus, ou uma terça parte do círculo, pois três vezes cento e vinte graus faz o círculo inteiro, ou 360 graus. É chamado um aspecto triangular, ou trigonal, e se por vezes encontrar a palavra trigonocrator, ela quer dizer um planeta regendo ou tendo domínio em tal triplicidade ou triângulo; pois três signos fazem um triângulo ou triplicidade.

Uma oposição ou radiação diametral é quando dois planetas estão igualmente distantes 180 graus, ou metade do círculo, um do outro.

Uma conjunção, coito, sínodo ou congresso (pois alguns usam todas estas palavras) é quando dois planetas estão no mesmo grau e minuto de um signo.

Deve entender que entre estes aspectos, a quadratura é um sinal de inimizade imperfeita; e que a oposição é um aspecto ou indicação de perfeito ódio; o que deve ser entendido desta forma: Uma pergunta é apresentada, se duas pessoas em desacordo podem ser reconciliadas? Admitamos que encontro os dois significadores, representando os dois adversários, em aspecto de quadratura; posso então julgar, porque o aspecto é de ódio imperfeito, que o assunto ainda não está perdido, e que pode haver esperanças de reconciliação entre eles, desde que os outros significadores ou planetas ajudem um pouco. Mas se encontrar os principais significadores em oposição, é então impossível por natureza esperar que haja paz entre eles até que o processo tenha terminado, se for um processo legal; ou até que tenham lutado, se for um desafio.

Os aspectos de sextil e de trígono são indicações de amor, união e amizade; mas o trígono é mais forte, (viz.) se os dois significadores estiverem em sextil ou trígono, sem dúvida que a paz pode ser facilmente concluída.

Conjunções são boas ou más, conforme os planetas em conjunção são amigos ou inimigos entre si.

Existe também o aspecto partil e plático. O aspecto partil é quando dois planetas estão exactamente a tantos graus um do outro que fazem um aspecto perfeito: como se Vénus estiver a nove graus de Carneiro e Júpiter a nove graus de Leão, isto é um trígono partil; assim como o Sol a um grau de Touro e a Lua a um grau de Caranguejo fazem um sextil partil, e isto é um forte sinal ou indicação para a realização de qualquer coisa, ou que o assunto está praticamente concluído quando o aspecto é tão partil, e tem significado positivo; e é igualmente um sinal de mal eminente, quando há ameaça de infortúnio.

Um aspecto plático é aquele que admite as orbes ou raios de dois planetas que significam qualquer assunto: como se Vénus estiver no décimo grau de Touro e Saturno a dezoito graus de Virgem, aqui Vénus faz um trígono plático a Saturno ou encontra-se num trígono plático a Saturno, porque ela está dentro da moiety das orbes de ambos; pois a moiety dos raios ou orbe de Saturno é cinco, e de Vénus é quatro, e a distância entre eles e o seu aspecto perfeito é de oito graus; e aqui insiro novamente a tabela da extensão das suas orbes, conforme verifiquei pelos melhores autores e pela minha própria experiência:


A aplicação dos planetas dá-se de três maneiras diferentes: primeiro, quando um planeta mais rápido se aplica a um mais lento e pesado, estando ambos directos; como Marte a dez graus de Carneiro, Mercúrio a cinco: aqui Mercúrio aplica-se a uma conjunção com Marte.

Em segundo lugar, quando ambos os planetas estão retrógrados, como Mercúrio a dez graus de Carneiro e Marte a nove de Carneiro; não ficando Mercúrio directo até que tenha feito uma conjunção com Marte: esta é uma má aplicação e uma indicação de perfeição súbita ou de rompimento do assunto, de acordo com a significação dos dois planetas.

Em terceiro lugar, quando um planeta está directo, e em menos graus, e um planeta retrógrado estando em mais graus do signo, como Marte estando directo a 15 graus de Carneiro e Mercúrio retrógrado a 17 graus de Carneiro; esta é uma má aplicação, e mostra uma atmosfera de grande mudança; numa pergunta, uma súbita alteração; mas eu explico a aplicação mais especificamente como se segue:

É quando dois planetas se estão a aproximar por conjunção ou por aspecto, viz. a um sextil, trígono, quadratura ou oposição; onde deve entender que os planetas superiores não se aplicam aos inferiores (a não ser que estejam retrógrados), mas sempre o mais leve ao mais pesado; como se Saturno estiver a 10 graus de Carneiro e Marte estiver no sétimo grau de Carneiro, aqui Marte tendo menos graus e sendo um planeta mais leve do que Saturno, aplica-se à sua conjunção; se Marte estivesse no sétimo grau de Gémeos, aplicar-se-ia então por um aspecto de sextil a Saturno; se Marte estivesse no sétimo grau de Caranguejo, aplicar-se-ia por uma quadratura a Saturno; se estivesse no sétimo grau de Leão, aplicar-se-ia por um trígono a Saturno; se Marte estivesse no sétimo grau de Balança, aplicar-se-ia por uma oposição a Saturno, e o aspecto exacto ocorreria quando ele chegasse ao mesmo grau e minuto em que Saturno se encontrasse.

A separação é, em primeiro lugar, quando dois planetas estão separados por apenas seis minutos de distância um do outro; como se Saturno estiver a 10 graus e 25 minutos de Carneiro e Júpiter a 10 graus e 25 minutos de Carneiro: agora, nestes graus e minutos, eles estão em perfeita conjunção; mas quando Júpiter chegar a 10 graus e 31 minutos ou 32 minutos de Carneiro, dir-se-á que ele se está a separar de Saturno; contudo, porque a Saturno é-lhe atribuído um raio de 9 graus e a Júpiter é-lhe atribuído o mesmo número, não se pode dizer que Júpiter esteja totalmente separado ou livre dos raios de Saturno até que se tenha distanciado 9 graus completos em Carneiro, ou esteja a uma distância dele de 9 graus completos, pois a metade da orbe de Júpiter é 4 graus e 30 minutos e a metade da orbe de Saturno é 4 graus e 30 minutos, que somados perfazem 9 graus completos; pois a cada planeta que se aplica é dada a metade das suas próprias orbes e a metade das orbes do planeta do qual se separa. Como se o Sol e a Lua estiverem em qualquer aspecto, a Lua estará separada do Sol quando estiver a uma distância do Sol de 7 graus 30 minutos, viz. metade das orbes do Sol, e 6 graus, a moiety das suas próprias orbes; totalizando 13 graus 30 minutos.

O conhecimento exacto disto é variado e excelente: pois admitamos que dois planetas significadores de casamento no momento da pergunta, estavam recentemente separados por apenas alguns minutos; julgaria então que apenas alguns dias antes teria existido uma grande probabilidade de realização do casamento, mas que agora pendia suspenso, parecendo haver algum desgosto ou ruptura nele; e à medida que os significadores se separam mais, também mais o assunto e o afecto das pessoas se aliena e muda, e de acordo com o número de graus que o planeta mais rápido necessite antes de se poder considerar completamente separado do mais pesado, assim serão tantas semanas, dias, meses ou anos antes que os dois amantes desistam totalmente ou considerem o assunto completamente rompido.


Signos que não se aspectam.

Estes são chamados signos inconjuntos, ou aqueles que, se um planeta lá estiver, não poderá fazer qualquer aspecto a outro no signo inferior; assim, um em Carneiro não poderá fazer aspecto a outro em Touro ou Escorpião, ou um em Touro a um em Carneiro, Gémeos, Balança ou Sagitário, e desta forma se deve entender o resto.



Tradução livre do Capítulo XIX do livro “Christian Astrology” de William Lilly, por Paulo Alexandre Silva, DMA.

Extraído de: http://www.astrologiamedieval.com/blog/?p=257