segunda-feira, 22 de maio de 2017

A subdivisão da Ciência das Natividades, por Ptolomeu

Após esse prefácio, qualquer um que quiser, apenas por uma questão de organização, tentar subdividir o campo da ciência genetlialógica, encontraria que, de todas as previsões naturais e possíveis, uma divisão é dedicada apenas aos eventos anteriores ao nascimento, como a descrição dos pais; outra lida com eventos anteriores e posteriores ao nascimento, como a descrição dos irmãos e das irmãs; outra, com eventos no próprio momento do nascimento, um assunto que não é tão unitário e simples; e, finalmente, a que trata dos assuntos pós-natais, que é, da mesma forma, mais complexa no seu desenvolvimento teórico. Entre os assuntos investigáveis contemporâneos ao nascimento estão o do sexo, sobre os gêmeos, sobre monstros e sobre crianças que não sobrevivem. Entre os que lidam com eventos posteriores ao nascimento está a descrição da duração da vida, porque essa questão não está relacionada às crianças que não vingam; em segundo lugar, a forma do corpo e as doenças corporais e os ferimentos; em seguida, a qualidade da mente e as doenças mentais; em seguida, a fortuna, tanto em questões de posses quanto de dignidade; então, descrições da qualidade da ação; em seguida, o casamento e a geração de filhos, e as associações, acordos e amigos; em seguida, as viagens, e finalmente a qualidade de morte, o que é potencialmente similar à investigação sobre a duração da vida, mas, por ordem, deve ser posta no fim de todos esses assuntos. Iremos esboçar cada um desses assuntos de forma breve, explicando, como dissemos antes, junto com as forças eficientes em si, o procedimento de investigação; com relação aos disparates com a qual muitas pessoas desperdiçam o seu trabalho e dos quais nenhum relato decente pode ser feito, iremos nos abster, preferindo as causas naturais primárias. Tudo o que, no entanto, admitir previsão, iremos investigar, não por meio de Lotes e números dos quais não se pode dar uma explicação razoável, mas somente por meio da ciência dos aspectos das estrelas aos locais com os quais elas têm familiaridades, em termos gerais, no entanto, que são aplicáveis a absolutamente todos os casos, para podermos evitar a repetição que envolve a discussão dos casos particulares.

Em primeiro lugar, devemos examinar o local do zodíaco que seja pertinente à questão da genitura que esteja sob investigação; por exemplo, o meio-céu, para a investigação sobre a ação, ou o local do Sol para a questão sobre o pai; então, devemos observar aqueles planetas que tenham uma relação de regência no local em questão dos cinco modos ditos acima; caso um planeta seja o senhor de todos esses modos, devemos apontá-lo como o regente da previsão; se forem dois, ou três, devemos escolher o que tiver mais direitos. Em seguida, para determinar a qualidade da previsão, devemos considerar as naturezas dos planetas regentes em si e dos signos nos quais os planetas estão, e dos locais a eles familiares. Para sabermos a magnitude do evento, devemos examinar a sua força e observar se eles estão ativamente situados tanto no cosmo quanto na natividade, ou não; pois eles são mais eficazes quando, com relação ao cosmo, estão na sua própria região ou em alguma região familiar, e, da mesma forma, quando estão ascendendo e aumentando seus números; e, com relação à natividade, se eles estiverem passando pelos ângulos ou signos que ascendem após eles, especialmente os principais, ou seja, os signos ascendente e culminante. Eles são mais fracos, com relação ao universo, quando estão em locais pertencentes a outros ou não relacionados com eles mesmos, e quando estão ocidentais ou retrocedendo seu curso; e, com relação à natividade, quando estão declinando dos ângulos. Para o momento do evento previsto em geral, devemos observar se eles estão orientais ou ocidentais com relação ao Sol e ao ascendente; os quadrantes que os precedem e os que lhes são diametralmente opostos são orientais, e os outros, que seguem, são ocidentais. Também devemos observar se eles estão nos ângulos ou nos signos sucedentes, porque se eles estiverem orientais ou nos ângulos, são mais eficazes no começo; se estiverem ocidentais ou nos signos sucedentes, eles demoram mais a agir.



Do Tetrabiblos, Livro 2.