segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Escorpião no Ascendente e Touro no Descendente, por Howard Sasportas



No oitavo trabalho de Hércules, o herói tem que achar e destruir a Hidra, um monstro de nove cabeças que vive numa caverna no fundo de um pântano tenebroso. Primeiro ele tenta matar a besta enquanto ela ainda está na água, mas toda vez que lhe corta uma cabeça aparecem mais três em seu lugar. Finalmente Hércules lembra dos conselhos de seu mestre: "Nós nos elevamos ajoelhando-nos, conquistamos nos rendendo e ganhamos, desistindo." Hércules então ajoelhou no pântano e levantou a Hidra por uma de suas cabeças tirando-a da água para o ar. Afastada da água, a Hidra imediatamente começa a perder seu poder e sua agressividade. Hércules corta todas as cabeças mas aí aparece uma décima, na forma de uma jóia preciosa que ele enterra debaixo de uma rocha.

Essa história liga-se estritamente com a dinâmica de Escorpião ascendente. De alguma maneira, quem tem Escorpião ascendente tem de confrontar e combater o que é obscuro, tabu, oculto ou destrutivo. Alguns enxergarão a besta externamente e lutarão com o que é obscuro e maligno "lá fora". O doutor Tom Dooley, humanista dedicado a eliminar o sofrimento no mundo, tinha Escorpião ascendente e Plutão, seu regente, na 8ª Casa. Para outros, a Hidra se esconde no fundo de suas próprias psiques, simbolizando emoções destruidoras tais como ciúme, inveja, avareza, luxúria ou ânsia de poder. Sigmund Freud, com Sol em Touro e Escorpião ascendente, via a Hidra no id — o lado primário, primitivo e instintivo da nossa natureza.

Hércules teve sucesso ao destruir a Hidra tirando-a do pântano e levantando-a no ar. Da mesma maneira, Escorpião ascendente precisa levar para a luz da consciência aquilo que é o obscuro e oculto dentro de si. Se a energia de Escorpião é reprimida, ela fervilha por baixo, envenenando a psique e produzindo um mau cheiro que impregna a atmosfera entre as pessoas. No entanto, quando a força total dessas emoções é liberada de forma desregrada, seu poder de destruição pode não ser suportado.

Existe uma terceira alternativa: em vez de reprimir o lado Escorpião da natureza, ou soltá-lo integralmente, é possível reconhecer os sentimentos envolvidos e depois transformá-los ou canalizá-los de maneira mais construtiva. Como a jóia que aparece quando a Hidra é destruída, os complexos negativos podem ser transformados em algo precioso. Muitos artistas produziram seus melhores trabalhos reestruturando suas paixões, iras ou desacertos em alternativas criativas. Goethe, o grande escritor alemão que tentou Fausto com o demônio, tinha Escorpião ascendente.

A cobra muda de pele quando, crescida, a pressão interior torna a pele velha pequena demais. O vulcânico Escorpião ascendente acumula a pressão interior até ocorrer uma explosão liberante e renovadora. Seja por livre escolha ou por coerção, este signo no Ascendente derruba e remove velhas formas e estruturas, de modo que as novas possam ser edificadas. Gandhi, Lênin, Mussolini, Stálin e Margaret Thatcher, todos nasceram com este ascendente.

Existe uma profundidade no Escorpião ascendente que compele os que têm este posicionamento a ocultar as origens de uma estratégia para tentar camuflar sentidos e motivações. Nada é tomado pelo seu valor aparente. Como a mulher do Barba Azul, existem portas que seria melhor deixar fechadas. Por si só o Escorpião ascendente infere Touro no Descendente. Enquanto Escorpião tem de desafiar, atacar, destruir e modificar, Touro é paciente, estável, terra-a-terra e conservador. Touro está equipado para resistir às investidas de um Escorpião ascendente e replicar com muita calma: "Querido, não esqueça que o jantar é às oito." Os que têm Escorpião ascendente sentem a necessidade de desenvolver estas qualidades taurinas nos relacionamentos como forma de equilibrar os excessos e extremos de seus fortes e turbulentos impulsos passionais.

O mais óbvio sinal físico de Escorpião ascendente manifesta-se sob a forma de um intenso e penetrante olhar por baixo de sobrancelhas que chamam a atenção.

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Extraído do livro As Doze Casas, de Howard Sasportas.

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