domingo, 26 de fevereiro de 2017

Eclipses - Significado Astrológico, por Cristina Figueiredo

Do latim ékleipsis – ação de abandonar, desaparecimento – a palavra por si só sugere uma situação de supressão ou negação. Este é o ponto primordial de observação no Mapa Astrológico ao analisarmos a atuação de um eclipse. A casa do mapa onde “cai” o astro ocultado, obscurecido, ficará debilitada e sem luz, até que o próximo eclipse chame outra casa à reclusão. Mas será exatamente a penumbra ou a escuridão que permitirá uma nova visão sobre aquele tema e favorecerá um aprofundamento verdadeiro e consistente sobre o assunto. A ausência de luz exige uma observação menos objetiva e invoca as forças inconscientes a se libertarem com mais eficácia e intensidade.

Se o astro eclipsado for o Sol, a pessoa terá que fazer contato interno com sua própria identidade e vontade, reconhecendo os motivos ocultos que a impedem de fazê-lo externamente. Ela será movida por seu lado emocional poderoso, e na maioria das vezes incontrolável, que se encharca da força lunar exibida e evidenciada. A lua se interpõe entre a Terra e o Sol, liberando o poder oculto da emoção e das necessidades vitais. A intromissão da Lua no processo consciente da existência revela e incomoda. Como lidar com o não-palpável e inacessível poder do inconsciente? O eixo atingido pela força da ocultação solar sentirá as conseqüências do enfraquecimento da razão. O coração estará na sombra. A casa onde a Lua exuberante aparece mostrará suas “garras” instintivas e revelará o potencial transformador do contato com a dor. No lado oposto, a casa do Sol eclipsado sentirá dificuldade de se expressar pela razão e de se tornar real.

No caso do eclipse lunar, a força submersa no mundo disforme da água fica ainda mais represada pela ostentação solar de poder e vontade. O astro que já está orbitando em torno, dependendo, fica subjugado e apagado, como se não existisse. Imagine o perigo de viver sem a emoção, sem alimentação e sem passado! A pressão interna causada pela dificuldade de clareza e objetividade castra o domínio das ações e da razão. A casa astrológica atingida pela Lua apagada ficará sob pressão e com uma demanda subjetiva enorme. O contato com a realidade fica muito mais difícil, deixando o indivíduo à margem naquela área. A casa oposta, onde o Sol se vangloria por se impor à noite, torna-se foco de prepotência e domínio, pelo uso imponderado da razão, e desequilibrada pelo enfraquecimento da emoção.

Nos dois casos, eclipse solar ou lunar, a força feminina se sobressai pelo aspecto sombrio. Trata se da necessidade de fazer contato com a dor para conhecer a real dimensão dela. Saber que ela existe ajuda a administrá-la e a dosar cuidadosamente o remédio que a cura.

Observando a casa astrológica em que a roda da fortuna do eclipse atua, compreendemos mais claramente o fator resultante do obscurecimento solar ou lunar no Mapa Natal. Sabendo que a roda da fortuna mostra como o equilíbrio entre razão e emoção do indivíduo o conduz à felicidade, podemos encontrar a chave para conviver com os efeitos do eclipse. No mapa do eclipse ela estará necessariamente na linha do horizonte. Isso nos ensina que, se o eclipse for do Sol, o modo de solucionar a dor do eixo ativado será pessoal e intransferível. Se o eclipse for lunar, o caminho de ação será através dos relacionamentos e associações. A casa aonde ela atua no Mapa Natal revelará as condições de conviver afortunadamente com a área eclipsada, onde da escuridão se poderá fazer a luz. Fiat Lux!

Texto extraído daqui: http://www.considerar.com.br/eclipses.html