quinta-feira, 1 de junho de 2017

Dignidades essenciais: Exaltação, por Marcos Monteiro

A outra dignidade forte é chamada de exaltação.

Todo planeta tem apenas um signo no qual está exaltado; assim, há cinco signos que não são a exaltação de planeta nenhum.

A impressão que os textos antigos passam é que a exaltação era algo análogo ao domicílio em alguma outra tradição astrológica que foi absorvido.

Vários textos antigos dizem que ela é menos forte que o domicílio, mas isso é preciosismo. Normalmente, o domicilio pode ser considerado como mais forte, mas a diferença é sempre pequena; eles se distinguem, na verdade, pelo tipo de dignidade.

Enquanto o domicílio torna o planeta nobre como se fosse um rei no próprio castelo, a exaltação pode ser comparada a um hóspede de honra. Ela é forte, o planeta está num signo que lhe permite exercer bem suas qualidades, mas ele parece mais nobre, mais forte, mais perfeito do que, na verdade, é. A significação mais comum da exaltação é o exagero das qualidades. É como no caso do hóspede: nós o tratamos como um ser perfeito, esquecendo que ele também tem seus defeitos.

Nem sempre é muito clara a relação entre o signo e o planeta exaltado nele, mas ela sempre existe.


O Sol é exaltado no signo de início da primavera, quando o gelo derrete e tudo começa a florir e se movimentar no hemisfério norte. O Sol é benéfico à vida, ele realmente está mais forte, e tudo está mudando por causa dele, mas a reação da natureza à sua presença parece desproporcial à sua força real. Ele não está absurdamente mais forte do que estava um mês antes, mas a natureza se comporta como se ele fosse mágico. O mundo vivo parece cantar "Here Comes the Sun", dos Beatles, na primavera.

Além disso, Aries é o primeiro signo do ano astrológico, é a novidade do fogo. O Sol é a fagulha divina que inicia o movimento de tudo, e é muito bem vista aqui.

No signo oposto do Zodíaco, Libra, o signo da diplomacia e da balança, do equilíbrio, a organização, a temperança, o chão firme, a estabilidade são coisas extremamente bem vindas.
Mais que isso, embora os dias sejam exatamente iguais às noites, embora o frio não seja tão rigoroso, tudo funciona em função do gelo, da noite, da "morte da natureza" no hemisfério norte. A partir daqui, a noite só aumenta, o dia só diminui, a natureza se esconde. Saturno parece dominar de forma desproporcional ao seu poder real.

Mercúrio é exaltado no próprio domicílio noturno, Virgem. A ideia é que aqui, Mercúrio é o super-Mercúrio, porque Virgem é o signo do cálculo, da divisão, da repetição, das coisas calculadas e refeitas à perfeição, das engrenagens milimetricamente ajustadas. O planeta das trocas e do agir pequeno é muito bem vindo aqui, o que não acontece no seu signo oposto.

Em Peixes, a bela Vênus é exaltada. No signo das águas de março fechando o verão ("é promessa de vida no meu coração") no hemisfério sul, no signo em que a natureza se movimenta de amor e agitação pela explosão de vida da primavera, o planeta da união e da inspiração está exaltada: aqui ela não é só o amor, mas a musa inspiradora, o amor que vem do alto.

Como eu falei no capítulo anterior, há algumas oposições interessantes entre os significados dos planetas. As exaltações ressaltam algumas delas.

O Senhor da Vida (Sol) e o Senhor da Morte (Saturno) são uma oposição óbvia e que se repete no domicílio e na exaltação.

Vênus e Mercúrio repetem o que todos sabemos, que o amor e o cálculo não combinam, é como levar a planilha de contas do casal para um jantar romântico, ou estragar uma noite de amor contando quantas espinhas o/a amado/a tem e dividindo pela quantidade de unhas encravadas.

Marte e Júpiter representam tipos de ação opostos. Marte em Capricórnio é o herói no signo mais obviamente relacionado com o exército (Capricórnio, signo cardinal da terra, a unidade fria e seca, a organização do movimento, a resistência ativa). E o pôster da lenda nos quarteis e locais de recrutação, o herói cujas qualidades — resistência, impulso, determinação, coragem, destemor — inspiram.

Júpiter em Câncer são as bênçãos do alto no seio da família, é o Papai Noel visitando as crianças na manhã de natal. Júpiter é abundância, magnanimidade, excesso: no signo íntimo, dos desejos infantis. Essas qualidades são bastante apreciadas.

Touro, o signo do conforto e da fruição, do repouso, é um lugar entusiasmadamente acolhedor para o planeta que significa a mãe, a maternidade, e também a fome, os desejos básicos.



Ler mais aqui: Marcos Monteiro, Introdução à Astrologia Ocidental, Edição do Autor, 2013.