quinta-feira, 1 de junho de 2017

Dignidades essenciais: Triplicidades, por Marcos Monteiro

Não há uma escala suave e regular entre os tipos de dignidade. A triplicidade é uma dignidade muito mais fraca que domicílio e exaltação.

Os signos, como vimos no capítulo sobre eles, formam trios que partilham o mesmo elemento.

Cada um desses signos é chamado de triplicidade.

Então, a triplicidade do fogo é composta pelos signos de Aries, Leão e Sagitário.

A triplicidade do ar são os signos de Gêmeos, Libra e Aquário. A triplicidade da água são Câncer, Escorpião e Peixes.

A triplicidade da terra são os signos de Touro, Virgem e Capricórnio.

Há duas tabelas de regentes da triplicidade, uma com dois regentes (um diurno e outro noturno), outra com três regentes (um diurno, um noturno e outro participante).

Alguns autores sustentam que o sistema de três regentes é mais antigo que o regente de duas triplicidades (que seria uma degeneração), o que parece não se sustentar. Ptolomeu e Paulo de Alexandria já mencionavam o sistema de dois regentes; o que pode ter acontecido é que ambos os sistemas conviviam, cada um sendo usado num tipo diferente de aplicações, como muitos autores ainda hoje fazem.

Na minha experiência, o sistema de dois regentes funciona bem e parece mais conforme aos princípios básicos da arte; de qualquer forma, ele parece ter sido mais usado durante a maior parte da astrologia ocidental, então vai ser o que vou explicar com mais detalhes.


A triplicidade do fogo é regida pelo Sol de dia e por Júpiter de noite. A triplicidade do ar é regida por Saturno de dia e por Mercúrio de noite. A triplicidade da terra é regida por Vênus de dia e pela Lua de noite. A triplicidade da água é regida por Marte de dia e de noite.

Uma relação entre as faculdades da alma que os planetas simbolizam e como cada elemento se manifesta pode tornar essa tabela menos estranha ao leitor.

O fogo é ação, atividade. A ação vem da vontade (Sol); Júpiter (o intelecto passivo, o entendimento sem esforço das coisas) é o que a alimenta.

O ar é o pensamento, que surge do interesse em inteligir (Saturno, o intelecto agente) e é alimentado pela estimativa, pela capacidade de cálculo, de classificação (Mercúrio)

A terra é a manutenção do mundo físico, é a materialidade, a permanência. Ela, propriamente, não age, mas suporta, mantém — coisa que só fazemos quando gostamos (Vênus, o apetite concupiscível) e só gostamos do que absorvemos, do que temos, ao menos em alguma medida, na alma (a Lua é o sentido comum, a "fantasia" no sentido grego, a capacidade da alma que absorve os dados brutos do exterior e os organiza na memória e para a imaginação e as outras faculdades).

A água simboliza os desejos, que seguimos usando o apetite irascível, Marte.

Essa relação sublinha outra: a cólera (fogo) e a fleuma (água) são dois modos opostos de impulsionar a ação, enquanto o ar e a terra são dois modos opostos de reagir ao mundo externo.

Eu usava um esquema para me ajudar a memorizar a tabela, quando comecei a estudar as dignidades.

Ele não é explicativo, é apenas um arranjo para facilitar a lembrança das relações, mas pode ser útil ao leitor:

Triplicidades ativas (quentes): 

Regente diurno do fogo: planeta que tem duas dignidades maiores no elemento, o Sol (domicílio em Leão, exaltação em Aries).

O regente noturno do fogo é o regente do domicilio do signo restante (Sagitário), Júpiter; o regente noturno do ar é o regente do domicílio do signo restante (Gêmeos), Mercúrio.

Triplicidades passivas (frias): 

Não há nenhum planeta com duas dignidades maiores na terra, então usamos o regente do primeiro signo como regente diurno, Vênus. Os regentes de domicílio dos outros signos (Mercúrio, Virgem, e Saturno, Capricórnio) já foram usados, então como regente noturno vou usar o planeta com exaltação no primeiro signo, a Lua.

Sobrou Marte e a triplicidade da água.

Esse esquema tem outra vantagem: por ser trabalhoso, nos lembra que é preciso decorar os regentes.

A significação da dignidade de triplicidade é bastante bem entendida quando pensamos que o planeta está no próprio elemento. Ele está à vontade, bem, mas sem poder para fazer muita coisa.
As dignidades são cumulativas, porque não são simplesmente a mesma coisa com variações de intensidade, mas são coisas diferentes.



Ler mais aqui:  Marcos Monteiro, Introdução à Astrologia Ocidental, Edição do Autor, 2013.