sexta-feira, 28 de julho de 2017

Técnicas Preditivas - Revolução Solar, por Clélia Romano

Visão Geral

A ideia que apresentarei neste livro parte da Revolução Solar e a compara à carta natal e a partir dela então são agregadas Profecções, Firdárias, Direções Primárias e Trânsitos. Percebi que somente desta forma as diversas técnicas afluem para um ponto comum.

Tenho feito uso desse tipo de método e ele tem se revelado de grande precisão. Antes de apresentá-lo, vamos aos introitos:

A Revolução Solar é o momento em que o Sol chega ao mesmo grau e minuto do Sol da carta natal. Para este momento é montada uma carta que nos guiará nas previsões do ano.

Parto do princípio que o leitor esteja familiarizado com o conteúdo tradicional e seja capaz de fazer uma delineação profunda, conforme ensinam os livros clássicos, em grande parte traduzidos para o inglês, ou então com o conteúdo de meus primeiros livros, especialmente o segundo, "Astrologia Tradicional Na Prática".

Se não forem capazes de fazer a delineação de cada tópico natal não poderão fazer uma previsão correta, visto que a previsão depende da delineação natal.

Não tentem pular etapas e não se apressem, sob o risco de errarem toscamente suas previsões.

O que se busca, ou se deve buscar, é a segurança que só o conhecimento e a prática oferecem. A carta está lá, não é preciso deixar-se levar pelo desejo de acertar, que é uma consequência da boa leitura, que por usa vez se baseia em todo cabedal de conhecimento e experiência do astrólogo. A ansiedade e a necessidade de demonstração de conhecimento ou poder atrapalham qualquer astrólogo, iniciante ou veterano. O bom astrólogo é humilde diante da grandiosidade da tarefa astrológica e sabe que pode errar: acertar é bom, mas não precisamos provar conhecimento.

Quantos autores tradicionais iniciaram suas obras provando a validade da astrologia! Não precisamos de provas: as provas ficam por conta dos positivistas, dos que creem que só a razão pode comprovar os fatos. Essas pessoas só se achegam a nós para destruir o que não percebem ainda, ou não ver perceber jamais.

Aos que nos procuram e que estão em busca de uma resposta e de orientação, espera-se, no entanto, que tenhamos nos dedicado com afinco ao estudo da Arte para estar à altura do que nos pedem.

Robert Zoller, meu professor dizia: "Leiam a carta, simplesmente." Passo a passo, unindo vogais e consoantes, como o fizemos quando aprendemos a ler, desta vez uniremos regentes, casas, signos e aspectos e diremos em voz alta o que lá está escrito.

Muitas vezes também ocorre do cliente não aceitar a delineação porque não é o que desejaria ouvir. A astrologia tradicional não incensa o ego de ninguém e só afirma algo depois de possuir dados suficientes apontando naquela direção. Nem sempre traz boas notícias e o que às vezes ocorre é que o simples mensageiro, no caso o astrólogo, acabe levando as pancadas.

O tempo muitas vezes traz esses clientes de volta.

No mister astrológico o tempo e a experiência contam muito, assim como a dedicação e o estudo. São eles que nos fornecem a segurança que necessitamos e é nesta seara, mantendo outros parâmetros iguais, que os mais velhos sabem mais que os jovens, pois a astrologia é estudo para uma vida. Uma previsão deve ser feita com paciência e cuidado, sem pressa, pois a matéria é árdua e maliciosa. Se o cliente lhe perguntar porque dissemos isto ou aquilo, nada impede que lhe expliquemos, mesmo que não entendam perfeitamente, para que saibam que estão lidando com um ser pensante e não com um adivinho, um inventor de histórias aleatórias, um visionário ou um aventureiro.

Feita esta introdução, voltemos a nosso assunto.

Como disse anteriormente, iniciaremos com a Revolução Solar e a carta de nascimento.

Morin de Villefranche, famoso astrólogo que viveu na França pouco antes de William Lilly na Inglaterra foi um excelente estudioso das Revoluções Solares, que doravante serão representadas pela sigla RS. A leitura de seu livro 23 da série Astrologia Galica, é altamente recomendável e está vertido para o português pela Biblioteca Sadalsuud.

Ele diz que nada na RS pode ser entendido sem referência à carta natal, que é a raiz de tudo que pode advir ao nativo.

Uma carta natal pobre e com poucas chances de sucesso na área afetiva, por exemplo, não poderá ser revertida pela RS, que tem apenas o poder de mitigar tais problemas em certo ano. Por outro lado, uma carta natal fértil e exuberante sentirá pouco os efeitos de uma RS difícil.

Agora, alguns pontos básicos precisam ser elucidados. São questões sobre as quais meditei muito. Uma delas é que, no presente estágio de meu conhecimento, parece-me mais útil usar signos completos [inteiros]. Isto significa que casas e signos serão vistos de maneira unívoca. Por exemplo, se Ascendente cair a 16 graus de Touro, de zero a 30 de Touro será considerada a primeira casa. Todo e qualquer planeta que estiver em Touro será considerado como pertencendo a esta primeira casa. Assim, se Vênus estiver a 28°de Gêmeos e a cúspide da Casa 3 estiver a 1º de Gêmeos, considero Vênus como pertencendo à Casa 3, mesmo que a Casa 4 esteja a 1º de Câncer.

Morin não segue este método: ele usou as Tabuas Alfonsinas, que como Regiomontanus, Campanus, Alchabitius e mesmo Placidus, fornecem casas interceptadas. Isto causa o problema de que muitas vezes, dependendo da latitude da carta natal ou época do ano, temos que lidar com dois regentes e até mesmo três para delinear a mesma casa. Ora, como o circulo tem sempre 360 graus, vão ficar faltando graus em outra parte. Um paralelo compreensível é costurar uma saia com um tecido esférico. Se a mesma pender para trás faltará pano na frente.

Lendo Morin vemos o quanto pode ser confuso e inconsistente analisar um tópico usando mais de um ou até mais de dois regentes, verificar a posição de cada um e a de seus dispositores, além dos aspectos que fazem e das casas que regem, por sua vez. É a típica ocasião em que testemunhos são contraditórios ou que qualquer coisa pode ser verdade.

Os autores medievais usavam quadrantes, mas a maioria dos astrólogos tradicionais hoje em dia busca o consenso de usar signos completos [inteiros].

Parto do principio, já exposto em meu primeiro livro, Os Fundamentos da Astrologia Tradicional, que a definição de afinidade entre signos e casas é a relação de um ângulo de 90º, de 60º e 120º, além da conjunção, que não é verdadeiramente um aspecto e sim uma aderência, e da oposição, que também entra numa categoria especial, representando o máximo afastamento entre dois pontos ou signos, e que é uma mudança de curso para nova aproximação.

Desta forma, a relação do Ascendente com a Casa 7 é sempre a de uma oposição e com os demais ângulos, de uma quadratura. A Casa 11 fará um sextil com o Ascendente e suportará a Casa 10, sendo em princípio em si mesma uma casa afortunada para o nativo. Agora vejam este exemplo:


Quem não é partidário do uso de signos completos vai considerar Marte na Casa 11 e Saturno na Casa 5. No entanto, Aquário é a Casa 12 quando o Ascendente é Peixes. Além disso, a Casa 11 e a Casa 5 se opõe: se Marte estivesse na Casa 11 se oporia a Saturno, mas na verdade eles estão em signos inconjuntos, a menos que se use aspectos menores, não tradicionais. Em terceiro lugar, Saturno não faz trígono com o Ascendente (Leão e Peixes estão inconjuntos) como seria esperado de um planeta na Casa 5, mas o faz com o Meio Céu, como é esperado de um planeta na Casa 6. Da mesma forma, Marte não faz sextil ao Ascendente, o que seria uma marca de Casa 11.

Se transformarmos essa carta em signos completos teremos um panorama muito mais claro.


Aqui vemos que o acúmulo de planetas ocorre na Casa 11, todos em oposição a Saturno, o que revela um caso típico de doença incurável, como efetivamente ocorreu ao nativo.

Outro ponto importante que adotarei como princípio na Revolução Solar é que não me basearei na posição sideral do Sol em relação ao Sol do nascimento. Não vejo razão para trabalhar com a precessão dos equinócios a fim de descobrir quando o Sol sideral estará conjunto ao radical. Afinal usamos o zodíaco tropical e misturar as duas coisas é incoerente, inconsistente e confuso.

Além disso, não realoco a Revolução Solar, como alguns o fazem, mas a calculo para o local de nascimento. A RS se refere intimamente ao mapa radical, a raiz, e por causa disso, não importa se o nativo passa o aniversário distante do local de nascimento. Da mesma forma, mesmo que o nativo more em outra cidade, o que vale é a carta do local onde nasceu.

Senão vejamos: o nativo nasceu com Saturno na Casa 4, mas se passar o aniversário em outro país, seus pais deixarão de ser figuras saturninas? Claro que não. E impossível mudar sua predileção por determinado tipo de trabalho, a personalidade, o tipo de pais que o nativo tem, seus familiares, simplesmente se houver mudança de país ou de cidade.

O que nos ocorre não tem uma causa física tal como um raio magnético que atua sobre nós. Não são raios físicos que partem dos planetas em determinada obliquidade que permitem que uma ou outra configuração nos descreva, a ponto de refazer nossa vida à medida em que nosso corpo se move de um local para outro.

A astrologia e os sucessos astrológicos baseiam-se na simpatia e não na causalidade: esse raciocínio causal foi o grande pecado de Ptolomeu. Mas justo por esse fato tornou a ele a astrologia mais aceitável, menos mística e mais adaptada à sociedade que o seguiu durante séculos.

Portanto, a carta natal tem privilégio sobre a Revolução Solar e o que Morin evidenciou de forma inconteste é que qualquer planeta natal carrega seu sentido e tópico para a RS.

Portanto, a RS deve ser feita para o local do nascimento do nativo, mesmo que ele tenha nascido no Japão e viva no Brasil desde bebê, e passe certo aniversário no Havaí. Calculamos a RS dele sempre para o Japão.


Maiores Especificidades

Vamos estudar como fazer previsões gerais para determinado ano. Embora neste livro sejamos bastante minuciosos ainda assim há autores que o são ainda mais, calculando todos os lotes e fazendo a RS de todos eles em comparação com a carta natal.

Não aconselhamos muita minúcia para não corrermos o risco de confundir o cliente mostrando fatos importantes misturados com fatos corriqueiros e dando a todos o mesmo peso. Tampouco, devemos ser tão exigentes a ponto de elaborar um calendário em que haverão acontecimentos para todos o dias do ano.

Embora este livro entre no detalhe, na pratica com um cliente devemos nos ater somente ao que for mais significativo.

Quando montarem a RS em primeiro lugar observem-na como um todo, verificando a posição dos maléficos, se estão no mesmo signo ou se os benéficos ocupam um signo só: esta é uma informação importante.

Observe o leitor se há algum padrão repetitivo na RS, na mesma casa ou signo que na natividade.

Por exemplo, se algum planeta retorna ao seu estado natal isto é importante. Só não levaremos em tanta conta Mercúrio porque ele estará sempre muito perto do Sol e o próprio Sol, porque é a posição dele que determinará a carta da RS.

Tenham sempre em mente que os ângulos são os pontos mais ativos da carta, os mais importantes. Devemos montar um protocolo para analisar os ângulos da RS e mais tarde vamos analisar os ângulos natais e sua correlação com a RS. Este ultimo estudo é fundamental.

Os ângulos refletem os fatos mais importantes da vida do nativo: a própria pessoa, o Ascendente, os parceiros, seus atos na sociedade e sua moradia e família.

Trarei, a titulo de exemplo da técnica que vamos seguir, a analise parcial do que sucedia na RS da Princesa Diana no ano de seu casamento com o Príncipe Charles.

Acima temos a carta natal e abaixo a RS.



Em primeiro lugar devemos fazer a delineação da carta natal, o que no caso será feito com brevidade com ênfase nos ângulos.

O Ascendente natal é Sagitário, um signo de fogo cuja motivação primária é a liberdade de ação. Seu regente, Júpiter, aponta para o interesse na Casa 3, os irmãos e aqueles que fazem parte de uma irmandade mais simbólica que a de sangue, mas Júpiter está cadente e retrógrado. Mesmo assim é o único planeta que faz aspecto com o Ascendente e é o principal regente do Ascendente.

Quanto aos regentes de triplicidade do Ascendente temos Sol, na Casa 8, Saturno, domiciliado na Casa 2, ambos sem aspecto com o Ascendente e Júpiter novamente. O regente do termo está na Casa 8, sem aspecto com o Ascendente.

A Casa 4, a família e a moradia, outro ângulo da carta, está em Peixes, também regido por Júpiter. Vênus, regente de exaltação de Peixes está na Casa 6, uma casa cadente ligada a empregados e doenças. Os regentes da triplicidade de água, são Marte, Vênus e Lua. Dos três, Marte está muito forte por posição e rege a Casa 5 e a Casa 12. Lua está na Casa 3 onde tem sua alegria.

A Casa 7 tem como regente Mercúrio, que encontra-se na Casa 8, retrógrado e combusto. As relações íntimas relacionam-se com os bens e o dinheiro que as apoiam. Mas isso não é vivido de forma confortável, pois a Casa 8 é uma casa triste, vinculada a angustias, perdas e morte. Os regentes da triplicidade são Mercúrio, Saturno e Júpiter. Saturno está na Casa 2.

A Casa 10 está em Virgem, também regida por Mercúrio, cujo sentido já vimos, mas como Marte está nesta casa ele modifica o sentido dela, ligando-a a Escorpião, a Casa 12, o que mostra que as mazelas, dor e segredos são vividos publicamente. Marte rege também Áries, a Casa 5, os filhos, um boa casa, e a princesa teve dois meninos, talvez porque Áries seja um signo masculino e seu regente esteja em signo duplo.

É uma carta em que Mercúrio e Júpiter são importantes porque dividem a regência dos ângulos. No final ambos são dispostos por Saturno, domiciliado na Casa 2.

Saturno é um planeta tradicional e elitista, mostrando uma tradição de dinheiro.

Observem que analisei somente os ângulos da natividade para conseguir ter uma ideia básica da carta.


Análise da Revolução Solar da Nativa

Agora, iremos analisar a RS para o ano do casamento da nativa.

A primeira coisa a analisar é o Ascendente da RS e a que casa natal corresponde.

A segunda e não menos importante é analisar em que casa da RS cai o Ascendente natal.

Vemos que o signo que aponta a Leste na RS é Escorpião. Neste caso, ele representa a Casa 12 natal. O que vai, portanto, surgir neste ano são angustias e inimigos ocultos.

Onde se encontra o Ascendente natal na RS? Exatamente na Casa 2. O aspecto financeiro será importante no ano vindouro. A nativa estará focada em fatos econômicos. O regente do Ascendente, Júpiter, está conjunto a Saturno na Casa 12 da RS, mostrando padecimentos, constrições e segredos. Mas, o que faz Júpiter nesta trama? Ele é um planeta de Casa 3. Logo podemos dizer que as comunicações fazem a nativa padecer.

A seguir, vamos investigar onde se encontra o regente do Ascendente da RS na carta natal, isto é, Marte, e vemos que ele se encontra na Casa 10, uma casa pública, enfatizando as ações.

Podemos ir mais fundo: tomando somente a RS, onde se encontra o regente do Ascendente dela, Marte? Vemos que ele está em Gêmeos na Casa 8. Gêmeos é exatamente o signo da Casa 7, no mapa natal.

Neste caso diremos que a nativa irá se relacionar com assuntos de dinheiro do parceiro e viverá angustias e perdas (Casa 8).

A Casa 7 da RS é Touro, regido por Vênus. Onde está Vênus na carta da RS? Exatamente na Casa 10, unida ao Nodo Norte, mostrando uma aliança venusiana bastante aparente: Vênus é o planeta mais angular da carta da RS. Mas, observem que Vênus na carta natal, embora em signo de regência está em casa maléfica, a dos subordinados, fazendo quadratura com os nodos e com a Lua. O ato maior da princesa neste ano aponta para a insegurança relacionada ao amor.

Na carta natal, o regente da Casa 7 é Mercúrio e agora vemos uma coincidência importante: tanto na carta natal como na RS Mercúrio está na Casa 8, o dinheiro do parceiro. Mercúrio está domiciliado, no signo natal das relações íntimas, gerando angustia.

A Casa 10 da RS é Leão, com Vênus. O Sol é planeta de Casa 8, na natividade, aspecto que já apontamos anteriormente como temores, mas agora ligados ao prestígio significado pelo Sol. Vênus no MC conjunta ao Nodo Norte na RS mostra uma união pública que naquele ano fez de Diana uma espécie de Rainha de Copas.

Tanto Júpiter, regente da Casa 1 e da Casa 4 natal, como Saturno, regente da Casa 4 da RS estão na Casa 12 da RS, unidos. Tais inseguranças e padecimentos, confirmados pelo regente do Ascendente da RS, Marte, na Casa 8, mostram que além do que se soube publicamente e das aparências glamorosas havia interesses financeiros, dor e angustia.

Consultando fontes oficiais na internet li que Diana sabia do interesse de Charles, por Camila, antes do casamento. "Desde o inicio o casamento de Diana e Charles não foi abençoado pela boa sorte. Já durante o noivado Diana teve a sensação que Camila desempenhava um papel muito importante na vida de Charles. Diana abriu um pequeno pacote dirigido a Charles e encontrou uma pulseira de ouro com um pingente de esmalte azul e as inicia F&G. Seria Fred e Gladys um disfarce de Charles e Camila? Diana sofreu horrivelmente de ciúmes. Ela deixou claro a Charles que ele não deveria enviar esse presente a Camila, mas ele o fez. Diana ponderou antes do casamento em não se casar com Charles. Charles ainda levou uma foto dele e Camila na lua de mel. Como Diana deve ter se sentido? Doente de preocupação. Ela sofreu seu primeiro ataque de bulimia". (http://www.princess-diana.com/diana/married.htm)

Isto explicaria uma RS com tanto drama subjazendo a ela.

Portanto, diante da carta de RS deve-se vê-la isoladamente como se fosse a carta de um nativo: mas ter sempre como base a carta natal, a raiz (radix). A RS não se sustenta por si mesma e não cria o que não existe na carta natal.



Capítulo 2
Clélia Romano, in Técnicas Astrológicas Preditivas, Edição do Autor, 2015.

O livro pode ser adquirido aqui: http://www.astrologiahumana.com/