segunda-feira, 3 de julho de 2017

Casas Derivadas, por Clélia Romano

Usando de bom senso e moderação, podemos arguir sobre um segundo significado de cada casa, ou o que esperar dela, tomando cada casa como Ascendente da matéria investigada e julgando as casas seguintes da maneira usual. Tal técnica é sobreposta à técnica radical e o significado primário de cada casa não deve ser esquecido.

Darei alguns exemplos a seguir. Se o assunto for:

Filhos:

A Casa 2 representa os filhos do governador, ou juiz, ou chefe, porque é a quinta casa a partir da Casa 10.

A Casa 3 representa os filhos dos amigos, a Casa 7 os filhos dos irmãos, a Casa 9 os filhos dos filhos, ou seja netos, a Casa 11 os filhos do parceiro, os enteados, a Casa 12 a morte dos filhos.

Finanças:

A Casa 4 representa as posses dos irmãos, a Casa 5 as posses do pai ou mãe, ou o dinheiro dos imóveis, a Casa 6 representa o dinheiro dos filhos, a Casa 7, as posses dos empregados, a Casa 8, as posses dos parceiros ou inimigos declarados, a Casa 11, as posses advindas do exercício profissional ou as posses do chefe ou da mãe, a Casa 12 as posses dos amigos.

Doenças:

A Casa 3 representa as doenças do chefe, a Casa 4 as doenças dos amigos, a Casa 8, as doenças dos irmãos, a Casa 10 as doenças dos filhos, a Casa 11, as doenças dos empregados, a Casa 12 as doenças do parceiro.

E assim por diante, à medida que se queira esclarecimentos sobre um assunto, busca-se a casa correspondente. Se quisermos saber sobre a morte de um vizinho, usaremos a casa oito a partir da terceira, que no caso seria a 11, a mesma casa que responderia sobre a morte dos irmãos.

Tal procedimento é muito usado em astrologia horária quando o cliente, ou querente, pergunta sobre o assunto de outrem com quem mantém uma relação determinada, mas em astrologia natal lança também luz sobre assuntos que por vezes passaram despercebidos.



Clélia Romano, in Fundamentos da Astrologia Tradicional, Edição do Autor, 2011.

O livro pode ser adquirido aqui: http://www.astrologiahumana.com/

sábado, 1 de julho de 2017

Ensinando o uso que pode ser feito do discurso anterior sobre os doze signos, por William Lilly

(Nota: discurso anterior que o título se refere.)

Se alguém perguntar ao artista qual o temperamento, qualidade ou estatura da pessoa inquirida, observar o signo da casa pela qual ele é significado, o signo em que se encontra o regente dessa casa e em que está a Lua, misturar um com o outro e julgar pelo maior número de testemunhos; pois se o signo que ascende ou descende for aéreo, humano, e o regente desse signo ou a Lua estiver em qualquer signo da mesma triplicidade ou natureza, pode-se julgar que o corpo será belo e que o temperamento da pessoa será sociável ou muito cortês, etc.

Se a pergunta disser respeito a uma doença e Áries estiver na cúspide do ascendente ou descendendo na seis, pode-se julgar que a pessoa terá algo na sua doença da natureza de Áries, mas o que é terá de ser deduzido a partir da concordância dos outros significadores.

Se um camponês ou cidadão perdeu qualquer animal ou qualquer objeto físico na sua casa, observe-se em que signo se encontra o significador da coisa; se estiver em Áries, e se se tratar de um animal tresmalhado, ou semelhante, veja-se que tipo de lugares são indicados por esse signo, e ele que vá lá procurar, levando em consideração o quadrante do céu significado pelo signo; se for um bem imóvel, que não se possa deslocar sem ser transportado por alguém, que procure nas áreas da sua casa significadas por Áries.

Se alguém perguntar acerca de viagens, se tal país, cidade ou reino será para si salutar ou próspero, ver na figura em que signo está o regente do ascendente, se o significador estiver afortunado em Áries, ou se Júpiter ou Vênus lá estiverem colocados, poderá viajar com segurança ou permanecer naquelas cidades ou países representados pelo signo de Áries, os quais podem ser facilmente consultados no catálogo acima mencionado. Os países sujeitos ao signo em que se encontram as infortunas são sempre desafortunados, a não ser que elas próprias sejam significadoras; aqui há que recordar que um fidalgo geralmente pergunta se gozará de saúde e viverá alegremente em tal ou tal país ou cidade, enquanto o mercador quer apenas saber de negócio e do aumento do seu capital comercial; portanto, na figura de um mercador, deve-se considerar o país ou cidade sujeitos ao signo da segunda casa, ou onde se encontram a Parte da Fortuna ou o regente da segunda, e qual está mais fortificado, sendo lá que deverá negociar.


William Lilly, in Astrologia Cristã.

O livro, em seu primeiro tomo, pode ser adquirido aqui:
https://www.amazon.com.br/Astrologia-Crist%C3%A3-Livro-B%C3%A1sica-ebook/dp/B014VL3VP4/ref=sr_1_fkmr0_1?s=digital-text&ie=UTF8&qid=1497124732&sr=1-1-fkmr0&keywords=William+Lilly%2C+in+Astrologia+Crist%C3%A3

Outras Dinâmicas entre Planetas, por Clélia Romano

Ainda dentro das relações entre planetas, dado o movimento constante deles nos céus, podem ocorrer inúmeras variáveis de encontros, desencontros e impedimentos para sua colaboração efetiva.

Chamarei atenção agora para um fato semelhante à recepção. mas que funciona simplesmente pelo contato: trata-se da comissão de disposição e transferência de virtude "pelo corpo".

Quando um planeta faz aspecto com outro, desde que nenhum se interponha primeiro entre eles, o planeta A passa sua virtude (se a tiver) para o planeta B. O segundo planeta fica portador da virtude que possuir mais aquela que lhe foi transmitida pelo primeiro planeta.

Então vejamos: a Lua está a 6° de Câncer, Vênus está 8° de Câncer e Saturno a 9° de Libra. A Lua passa sua virtude a Vênus (note que ela possui virtude, pois está em seu domicílio) "através de seu corpo" e a transmite a Vênus.

Vênus que já tinha triplicidade e face neste signo e grau agora tem também a força de regência.

A ideia de transmissão de virtude vem desde Paulus de Alexandria, autor Helenístico. Ele dizia que se um planeta cadente e sem forças, recebesse um aspecto de Júpiter, por exemplo, ele poderia ser ativado e tornado útil, funcionando como se estivesse num ângulo ele mesmo.

A seguir abordarei uma série de fatores dinâmicos que ocorrem entre planetas, além da transmissão de virtude.

Entre as dinâmicas temos:

1 - A translação de luz ocorre quando um planeta mais leve se aplicou a um planeta e em seguida vai aplicar-se a outro: neste caso a luz do segundo será transferida para o terceiro. Isso só pode  ocorrer se houver recepção. Digamos que a Lua está a 6° de Câncer, Vênus está 8° de Câncer e Saturno a 20° de Libra. A Lua faz um aspecto com Vênus e a seguir com Saturno. Como Vênus recebe Saturno por domicílio, a qualidade de Vênus, é transferida para Saturno: os dois significadores ficam unidos, mesmo que não estivessem unidos em aspecto.

2 - A coleção de luz ocorre quando dois planetas que estão inconjuntos faz
em aspecto a um terceiro mais lento que coleta, reúne a luz dos dois promovendo sua união.

3 - O retorno de virtude. Suponha que Saturno esteja retrógrado a 25° de Libra no Ascendente e Júpiter esteja no Meio Céu em Câncer a 25°.

Júpiter é o mais leve, portanto ele se aplica a Saturno. Saturno está retrógrado e por isso não pode obter a virtude de exaltação que Júpiter tem em Câncer. Ele a devolve então, fazendo o retorno da virtude a Júpiter que sai aprimorado com as qualidades de exaltação de Saturno em Libra. Júpiter que já era forte fica duplamente forte.

Os desencontros e perdas entre planetas são em maior número:

1 - Impedimento ou proibição: por vezes um planeta mais ligeiro vai se aplicar a outro mais lento e um terceiro planeta se interpõe entre os dois.

2 - Refranação: O planeta A que buscava aspecto com o planeta B desiste e entra em retrogradação,

3 - Contrariedade: o planeta A que ia aspectar o planeta B é impedido de fazê-lo porque outro, o planeta C, entrou em retrogradação e aspectou B primeiro.

4 - Frustração: o planeta A tenta o aspecto com B, mas B muda de signo e completa o aspecto com o planeta C (o planeta A fica "frustrado").

5 - Corte da luz: o planeta A ia fazer aspecto com B e a seguir com C, eventualmente fazendo urna translação de luz entre eles, mas C se torna retrógrado e atinge B primeiro. Este aspecto não impede o aspecto do significador A para os outros dois, mas impede a translação de luz de A para C por isso o aspecto é denominado corte da luz.

Concluindo, o importante não é gravar os nomes corretos, mas ter em mente o significado e as potenciais possibilidades de encontro ou empecilho ao encontro entre planetas.

Além disso, ter a tabela de efemérides à mão é imprescindível. sem a qual as vezes não conseguiremos saber o que ocorrerá proximamente aos planetas, o que significa que não conheceremos os sinais do futuro.

O leitor deve estar atento a esses aspectos e relações.

Em astrologia horária tais vicissitudes entre os planetas nos ajudam a prever um desenvolvimento favorável ou não, e na astrologia natal esses aspectos podem auxiliar ou prejudicar um planeta.

Em astrologia natal deveriam ser mais utilizadas, visto que tais dinâmicas nos dirão sobre o que ocorrerá ao nativo conforme o mapa natal progrida em suas direções.

Por exemplo, digamos que em um mapa natal a Lua esteja em Câncer a aplicar-se por um trígono a Vênus em Peixes. Imaginemos que a Lua esteja a 10° de Câncer e Vênus a 16° de Peixes. Haverá urna recepção mútua por triplicidade e um aspecto de trígono. Mas, vamos supor que Saturno esteja a 11° de Capricórnio.

Como a Lua é mais rápida que Vênus ela é quem vai se aplicar a Saturno primeiro, pois é sempre o planeta mais rápido que se aplica ao mais lento. Ocorre que Saturno não recebe a Lua e nem a Lua recebe Saturno. A Lua tem seu detrimento em Capricórnio e Saturno tem seu detrimento em Câncer.

Se o leitor estivesse interpretando uma carta horária essa situação seria desastrosa caso a Lua e Vênus fossem os significadores da matéria, que seria sumariamente negada.

Mas na astrologia natal essa dinâmica também é importante: corno a carta progride, podemos imaginar que a Lua vá se defrontar logo de início com Saturno.

As coisas seriam mais fáceis para o nativo se a Lua fosse se aplicar a Vênus e tal situação planetária pode representar a diferença entre uma infância feliz ou difícil.


Clélia Romano, in Fundamentos da Astrologia Tradicional, Edição do Autor, 2011.

O livro pode ser adquirido aqui: http://www.astrologiahumana.com/

As Estrelas Fixas, por Marcos Monteiro

Este assunto está entre os últimos capítulos do livro, mas não porque seja pouco importante.

O que acontece é que não precisamos nos referir a elas para montar nosso teatro astrológico, embora elas sejam tanto pano de fundo quanto luzes, direcionadas para pontos específicos do palco.

Elas não interagem com os planetas – não ficam nem dignificadas, nem debilitadas, nem afligidas, nem assistidas. Elas ajudam ou atrapalham quem passa por elas, não porque tenham uma intenção particular, mas apenas porque continuam, sem parar, a manifestar a própria natureza.

As estrelas são o que são.

Além disso, elas são assuntos para um livro inteiro, ou mais de um. Aqui, o máximo que posso fazer é escrever uma introdução muito breve a este assunto.

As estrelas fixas são chamadas assim em comparação com os planetas, que são as estrelas móveis (vários textos antigos chamam os planetas de estrelas, ou tratam todos os astros como estrelas). Elas não são, na verdade, fixas. Elas se movimentam, embora muito lentamente – astronomicamente, esse é o famoso fenômeno chamado de “precessão dos equinócios”. Elas também se movem umas em relação às outras, nem sempre à mesma taxa – esse é o movimento que aparece na tevê quando algum programa menciona que o formato das constelações mudou.

O modelo cosmológico tradicional é um pouco mais complicado que o que eu apresentei aqui. Minha intenção foi facilitar o entendimento de como o céu astrológico funciona.

De forma resumida, os antigos viam o cosmos como esferas concêntricas; a terra é a penúltima esfera (a última, abaixo de nós, é o Inferno, que quer dizer isso mesmo, inferior).

As sete primeiras esferas depois de nós são as dos planetas, a seguinte é a das estrelas (a outra é a das “torres zodiacais”). Isso quer dizer que elas fazem parte do “pano de fundo” da ação dos planetas.

É por isso que não há menção a aspectos ou qualquer tipo de interação entre elas e os planetas, que são influenciados quando passam perto delas (ou seja, quando estão em conjunção bem próxima, um, dois ou no máximo três graus). Elas também são importantes se estiverem exatamente sobre a cúspide de uma casa.

Elas estão, do ponto de vista da essência, num nível superior ao dos planetas (e inferior ao dos signos), mas, como os planetas são sete, e elas inúmeras, é mais fácil explicá-las usando as naturezas dos planetas – quase todas as listas sobre estrelas fixas associam-nas a um, dois ou, excepcionalmente, três planetas.

Além disso, os planetas podem ser vistos, como discutimos anteriormente, como as sete divisões fundamentais dos seres concretos, as sete cores que compõem a luz divina. Vamos ver qual (ou quais) dessas cores é mais importante em cada estrela.

A importância de uma dada estrela deriva de alguns fatores. Em primeiro lugar, magnitude – ser visível; em segundo lugar, proximidade da eclíptica – ser visível perto do palco no qual as ações celestes acontecem; em terceiro lugar, o simbolismo – fazer sentido.

As estrelas são agrupadas em conjuntos mais ou menos próximos no céu, chamados de constelações.

A melhor definição para constelação é família. Elas reúnem estrelas com propriedades afins, ou pelo menos com explicações simbólicas (ou míticas, que facilitam a memorização das estrelas) parecidas. Os mitos associados às constelações nos ensinam que tipo de família estamos vendo.

A explicação científica para a origem das constelações é francamente idiota. Nenhum ser humano minimamente inteligente olharia para a constelação de Leão e pensaria “olha, parece um Leão”, ou para Órion e pensaria “ei, mas é muito parecido com um guerreiro com um cinto legal e uma tocha erguida”. Exceto por alguns poucos exemplos (Escorpião parece vagamente com um escorpião em posição de ataque, por exemplo), as constelações não são desenhos esquemáticos que lembram seus nomes.

Os nomes das constelações, como eu disse, são mitos, que explicam e facilitam a identificação da natureza de cada uma das constelações. É fácil explicar as estrelas de Leão (Regulus, o coração; Zozma, as costas) referindo-se ao simbolismo relacionado a este animal.

Evitamos os mitos nos signos porque sua significação é mais completa e menos distorcida quando nos atemos à sua natureza real – o modo de expressão e o elemento. No entanto, para as constelações zodiacais, pensar nos mitos pode facilitar a identificação do caráter de cada estrela, que são partes não aleatórias das imagens associadas.

A importância das estrelas fixas em astrologia aumenta conforme se sobe o nível. Em horária e eletiva, o risco de usá-las é muito maior que o risco de ignorá-las; são bastante importantes em astrologia natal e são de suma importância em astrologia mundana.

Exemplos de estrelas

Há uma enormidade de estrelas visíveis; por volta de cem delas têm alguma significação astrológica; algumas poucas dezenas são realmente importantes.

Vou mencionar um conjunto ainda menor, que serve como início de um estudo que foge ao propósito deste livro e que depende da intenção do leitor.

Essas são as mais comuns; é claro que esta lista é subjetiva, mas acredito que a grande maioria dos astrólogos concordaria com grande parte dela.

Eu menciono a posição aproximada delas no ano em que escrevo, 2014.


As guardiãs

São as estrelas que um dia já estiveram no início dos signos cardinais, marcando o início das estações. Hoje em dia, nenhuma delas está em signo cardinal, nem nos signos fixos seguintes, todas elas estão em signos mutáveis.

Regulus – o coração do Leão (Cor Leonis). Está em 0° de Virgem. Uma das estrelas mais fortes e brilhantes do céu, uma das estrelas reais (falo sobre elas abaixo). Da natureza de Marte e Júpiter. “O coração” sempre quer dizer, quando falamos de estrelas, “o núcleo” – ela é o “superleão”; reúne as características da constelação. Então, concede honrarias, dignidade, exaltação, poder – mas nem sempre felicidade; não é uma estrela calma, nem garante um futuro livre de tribulações.

Antares – “Outro Ares”, ou seja, outro Marte. O Coração do Escorpião (Cor Scorpionis), está em 9° de Sagitário. O “superescorpião”. Violência, conflito, guerra, morte, mas também fim de ciclo, mudança. Também da natureza de Marte e Júpiter; também é uma estrela real.

Aldebaran – “O olho do Touro” (Oculus Tauri). Apesar de não ser o coração, ela também é o “supertouro”: ela significa o inicio, a entrada da alma na matéria. Está ligada, portanto, aos inícios dos ciclos; funciona em conjunto com Antares e está oposta a ela, em 9° de Gêmeos. É da natureza de Marte, mas, sendo o olho esquerdo do Touro, tem uma conexão clara com o significado da Lua (os olhos são atribuídos aos luminares. Nos machos, o direito é do Sol, o esquerdo da Lua, invertendo-se para as fêmeas); a Lua significa a alma, e também a fome – pela matéria, pela vida. Também é uma estrela real.

Fomalhaut – A boca do peixe, em 04º de Peixes. Da natureza de Vênus e Mercúrio. A única das guardiãs que não é estrela real. Fomalhaut promete reinado, mas não deste mundo. Está ligada ao solstício de inverno – o nascimento de Cristo – e à história de Jonas (a boca do peixe evoca o animal que devorou o profeta), portanto, ao renascimento. Ela é extremamente poderosa, só não eleva ao trono. Atenção: ela não é parte da constelação de Peixes, mas pertence à constelação “Pisces Australis”, ou Peixe do Sul, ou Grande Peixe, o que engole a água de Aquário.


Estrelas reais

Além das três primeiras guardiãs, ainda há outras estrelas. Elas são chamadas de “reais” porque são indicativas de ascensão ao trono em natividades de prováveis reis e rainhas.

Lucida Lancis – Alpha Librae,15º de Escorpião. O prato do sul da balança (de onde vem seu outro nome, Zuben Algenubi, a Garra do Sul – a constelação de Libra já foi a constelação das Garras do Escorpião). Está exatamente sobre a eclíptica. Sendo o “prato de baixo”, em latitude zero, significa, obviamente, elevação. Da natureza de Saturno e Marte.

Spica – 23º de Libra, o “Espigão [de trigo] da Virgem”. A estrela mais feliz do zodíaco. Ela normalmente concede felicidade, embora menos sucesso que Regulus. Ela é o presente da Virgem, é o que ela tem na mão oferecendo para baixo, para a terra, estando associada portanto às bênçãos e à proteção de Nossa Senhora. Da natureza de Vênus e Marte.

Pollux – 23º de Câncer. Um dos irmãos da constelação de Gêmeos, Pollux é o gêmeo imortal. Da natureza de Marte.


Outras estrelas importantes

Castor – 20º de Câncer, o gêmeo mortal, irmão de Pollux. Da natureza de Mercúrio.

Sirius – 23º de Câncer. A boca do Cão maior, o Sol do Sol. Extremamente brilhante, mas afastada da eclíptica. É uma estrela feroz, mas que pode ser benéfica e protetora. Da natureza de Júpiter e Marte.

Procyon – 26º Câncer – o Cão menor. Muito da sua significação deriva da comparação com o grande cão: ela é mais rápida, mais agressiva, mas bem menos forte. Da natureza de Mercúrio e Marte.

Caput Algol – 26º Touro. A cabeça da medusa, a estrela mais perigosa do Zodíaco. Funciona como uma espada, pode ser usada contra ou a favor do nativo, mas nunca é calma, nem pacífica. Um dos seus significados é perda da cabeça, literal ou figurada. Da natureza de Saturno e Júpiter.

Alcyone – 29º de Touro – também não é das mais benéficas. É a estrela principal das Plêiades (“As Irmãs que Choram”); fere os olhos e causa arrependimento. Da natureza de Marte e da Lua.

Vindemiatrix – 10º de Libra. Também conhecida com Vindemiator, é o(a) coletor(a) de uvas. Outra estrela perigosa, está associada com divórcio, separação, auto-sabotamento (ferir a si mesmo e aos outros), exceder as próprias capacidades. É a ponta da asa do norte, ou do braço do norte, da Virgem. Da natureza de Saturno e Mercúrio.

Altair – 1º de Aquário. A águia. Elevação espiritual. Da natureza de Marte e Júpiter.

Vega ou Lira – 15º de Capricórnio. Inspiração, ensino. Da natureza de Vênus e Mercúrio.

Beta Librae – 19º de Escorpião. O prato do norte da constelação de Libra. Conhecida também como Zuben Eschamali, a Garra do Norte. Da natureza de Júpiter e Mercúrio.

Há outras estrelas importantes e há muitas outras que podem ter alguma importância determinada em algum contexto especial, mas a lista já está grande o suficiente.

Uma última nota sobre constelações: já deve ter ficado claro para o leitor que signos e constelações não são a mesma coisa. As constelações que ficam perto da eclíptica – as constelações zodiacais – levam o mesmo nome que os signos onde estavam, mais ou menos, quando foram nomeadas.



Marcos Monteiro, Introdução à Astrologia Ocidental, Edição do Autor, 2013.

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sexta-feira, 30 de junho de 2017

O Sistema de Dignidades e Debilidades Essenciais, por Helena Avelar e Luís Ribeiro

Já vimos como os planetas expressam as suas naturezas e como essa expressão é "colorida" pelas características do signo em que se encontram. Vamos agora desenvolver esse conceito.

Quando colocados num mesmo signo, os planetas apresentam uma tonalidade comum, que lhes é conferida pelo próprio signo. Contudo, no mesmo signo, alguns planetas têm maior facilidade em expressar-se que outros. Tudo depende do nível de "conforto" que o planeta desfruta naquele posicionamento zodiacal.

Assim, existem áreas do Zodíaco em que a expressão de um planeta é naturalmente forte e estável, enquanto noutras o mesmo planeta apresenta dificuldades. Estas áreas são definidas pela própria ordem natural do Zodíaco e das esferas celestes.

Quando um planeta se encontra num segmento do Zodíaco no qual a sua natureza é reforçada diz-se que está dignificado; quando se encontra numa área em que a sua expressão é dificultada diz-se debilitado.

Estes estados de dignidade e debilidade são denominados essenciais, pois reforçam ou dificultam a manifestação da essência dos planetas.

Quando dignificado o planeta adquire mais status no horóscopo e torna-se, em maior ou menor medida, senhor das suas ações. Quando debilitado o planeta perde poder e fica condicionado pelos restantes planetas.

No sistema de dignidades essenciais existem cinco estados de dignidade e dois de debilidade, que estudaremos em seguida.


As Dignidades Maiores

As principais dignidades são o trono (ou regência) e a exaltação. Quando um planeta tem estes níveis de dignidade adquire poder e a sua expressão torna-se mais marcante. Em oposição a estas dignidades, existem as debilidades de exílio e queda. Se um planeta tiver este nível de debilidade a sua expressão torna-se fraca e irregular.

Pela sua importância e pelo poder que conferem ao planeta, estas dignidades (e as correspondentes debilidades) são designadas maiores, fundamentais ou completas.


O trono ou regência

A dignidade mais importante é de trono ou regência.

Cada signo tem um planeta regente, que atua como rei e senhor daquele "território".

O regente é a chave através da qual as características do signo se expressam. Assim, para além das qualidades primitivas, dos elementos, dos modos e gêneros, os signos são também caracterizados pelo seu planeta regente.

Como já vimos, os signos regidos por Saturno têm uma expressão estruturada e austera, devido à natureza do seu regente; os signos regidos por Júpiter partilham uma atitude entusiasta e fluida; os de Marte têm uma ação bélica e assertiva; o signo regido pelo Sol é irradiante; os de Vénus expressam-se de forma harmoniosa e suave; os de Mercúrio são multifacetados, e o signo da Lua tem uma expressão variável e flutuante.

Quando o planeta regente está no próprio signo que rege, diz-se que está dignificado. Tal como um rei no seu trono, expressa a sua natureza no seu melhor, de forma estável e produtiva. Por exemplo, se Vênus estiver posicionada num dos seus signos de regência, Touro ou Balança, a sua expressão será suave e agradável, seja no aspecto sensorial e prático da Terra (Touro) ou no aspecto social e comunicativo do Ar (Balança).

Importante: Nos textos antigos, o signo que o planeta rege é também denominado "a casa do planeta", estabelecendo uma equivalência entre os termos trono e casa. Nos autores clássicos são frequentes as referências à "casa da Lua", o signo de Caranguejo, ou à "casa de Saturno", o signo de Capricórnio ou de Aquário.

Para evitar a confusão entre as casas dos signos (no sentido de trono) e as Casas astrológicas, não utilizaremos esta terminologia nesta obra. Sempre que falarmos em Casas, referir-nos-emos às Casas astrológicas. O leitor deverá, contudo, estar ciente desta terminologia quando consultar os autores tradicionais.


Como se atribuem as regências

A atribuição de regências baseia-se na combinação de dois fatores distintos: as características sazonais de cada signo e a ordem dos planetas nas esferas celestes (ordem caldaica). Vejamos, então, como estes dois factores interagem.

Como já referimos, o Zodíaco tem como base as quatro estações do ano.

Os signos de Caranguejo e Leão marcam o auge do Verão. Como correspondem às épocas mais luminosas, têm como regentes os luminares: o Sol e a Lua. O Sol — o luminar masculino e senhor do dia — rege Leão, um signo masculino e diurno, enquanto a Lua — o luminar feminino e senhora da noite — rege Caranguejo, um signo feminino e noturno.

Saturno — o planeta mais distante e escuro — rege os dois signos de Inverno, Capricórnio e Aquário. É-lhe atribuída a regência dos signos correspondentes à época do ano em que há menos luz e em que as condições de vida são mais difíceis. Por ser um símbolo de escassez, Saturno fica no esquema de regência oposto aos luminares, símbolos de abundância e vida.

Os restantes planetas são distribuídos pelos signos de acordo com a sua posição nas esferas celestes, ou seja, segundo a ordem caldaica.

Júpiter — planeta que se segue a Saturno na ordem das esferas — rege os dois signos adjacentes, Sagitário e Peixes. Marte rege os dois signos seguintes, Carneiro e Escorpião. Vênus rege Touro e Balança, e Mercúrio rege Gêmeos e Virgem.

Ao contrário do que geralmente se afirma, as regências não são atribuídas com base em afinidades entre planetas e signos.

Note-se que neste esquema Vênus e Mercúrio mantêm em relação aos luminares a mesma amplitude de afastamento que têm em relação ao Sol.

Como Mercúrio não se afasta do Sol mais que um signo, é-lhe atribuída a regência dos signos adjacentes aos dos luminares. Vénus rege os signos seguintes, pois o seu afastamento máximo do Sol não ultrapassa dois signos.

Tronos ou regências planetárias
Podemos então observar que o esquema de regências transporta para o Zodíaco a perfeição das esferas celestes.

A perfeita distribuição dos regentes planetários gera várias ordens de simetria e relação entre os planetas, que são essenciais para a compreensão das próprias fundações da Astrologia. Divide o Zodíaco em signos lunares (de Aquário a Caranguejo) e signos solares (de Leão a Capricórnio).

Signos solares e signos lunares
Também atribui a cada planeta uma regência diurna, num signo masculino, e uma regência noturna, num signo feminino. Assim, cada planeta tem uma expressão extrovertida (diurna, masculina) e uma expressão introvertida (noturna, feminina). Por exemplo, Vénus tem a sua regência noturna em Touro, signo feminino e noturno, e a sua regência diurna em Balança, um signo masculino e diurno.

Os luminares não apresentam esta duplicidade, pois são eles que definem o próprio conceito de dia e noite; além disso podem ser considerados um par.

Regentes diurnos e noturnos

Júbilo por signo

Nalgumas regências a natureza do planeta é temperada pela natureza do próprio signo; quando isto acontece, diz-se que o planeta está em júbilo.

Júpiter, em planeta masculino e diurno, tem o seu júbilo em Sagitário, signo igualmente masculino e diurno. Vênus, feminino e noturno, tem júbilo em Touro, que partilha a mesma natureza. Mercúrio, que é essencialmente Seco, tem júbilo no signo Frio e Seco de Virgem.

Esta ação moderadora tanto se manifesta por reforço (casos anteriores), como por contraposição (caso dos planetas maléficos).

Marte, que é noturno, torna-se mais construtivo em Escorpião, também noturno, mas cujas qualidades de Frio e Úmido temperam a natureza excessivamente Quente e Seca do planeta. Saturno, sendo diurno, fica mais equilibrado no signo diurno de Aquário, onde a sua natureza excessivamente Fria e Seca é temperada pelas qualidades Quente e Úmido do signo.

Nota: o júbilo por signo não deve ser confundido com o júbilo por Casa, que será abordado mais adiante.

Signos de júbilo dos planetas


Exílio ou detrimento

Quando o planeta está no signo oposto ao da sua regência diz-se que está em exílio ou detrimento. Este é o estado oposto ao trono. Nesta situação a expressão do planeta encontra-se debilitada. A sua atuação torna-se insegura e pouco direta. Como tem dificuldade em expressar-se, a sua natureza é enfraquecida e distorcida. Quando em exílio, as qualidades naturais dos planetas transformam-se nos defeitos correspondentes (que nada mais são afinal que uma deturpação das qualidades).

Assim, a seriedade e cautela de Saturno transformam-se em melancolia e avareza; a generosidade e otimismo de Júpiter tornam-se esbanjamento e descuido; a ousadia e assertividade de Marte manifestam-se como covardia e agressividade; a natural autoridade do Sol torna-se arrogante; a sensualidade e sociabilidade de Vênus pendem para a luxúria e a leviandade; a curiosidade e engenho de Mercúrio expressam-se como intriga e trapaça; a adaptabilidade da Lua resvala para a inércia e preguiça.

Se o planeta em exílio representar um objecto, sugere algo em mau estado, pouco valioso e possivelmente estragado.

Alguns autores utilizam para esta debilidade as designações de desterro ou inveja.

Exílios dos planetas


Exaltação

Os regentes de cada signo podem ter em alguns casos um planeta segundo-em-comando, que com eles partilha as funções de governação do "reino". A este segundo estado de dignidade é dado o nome de exaltação. O termo exaltação vem do latim exalto e significa pôr ao alto, elevar, honrar. Podemos comparar a exaltação ao cargo de primeiro-ministro: é um dignitário com muitas honras e poder, mas cuja atuação continua a depender da aprovação do rei.

Um planeta exaltado encontra-se num estado de grande força. Podemos até considerar que expressa a sua natureza com uma intensidade maior do que no estado de trono. No entanto, a expressão de um planeta exaltado é mais inconstante, passando por altos e baixos.

Cada planeta tem a sua exaltação apenas num signo.

Exaltações dos planetas

Numa interpretação astrológica considera-se que um planeta exaltado indica simultaneamente valor e exuberância. Se o planeta representar um indivíduo, sugere alguém respeitado e bem-intencionado mas com tendência ao exagero e até à arrogância. Um objecto representado por um planeta exaltado estará em bom estado, mas poderá parecer mais valioso do que na realidade é.

Alguns autores utilizam para esta dignidade a designação de honra.


Queda

À exaltação corresponde uma debilidade denominada queda, que ocorre no signo oposto.

Tal como na situação de exílio, um planeta em queda tem dificuldade em expressar a sua natureza. Na queda essa dificuldade é caracterizada por instabilidade na expressão. O planeta torna-se "trapalhão", a sua ação é desadequada, fora de contexto.

Alguns autores utilizam para esta debilidade as designações de depressão ou vergonha.

Quedas dos planetas

Como se atribuem as exaltações e quedas dos planetas

Mais uma vez, a explicação das posições de exaltação tem como base um pensamento "agrícola", baseado na dinâmica da natureza. A exaltação está ligada ao nível de fertilidade do planeta e à sua afinidade com uma determinada estação do ano.

O Sol tem exaltação no Carneiro, pois quando entra neste signo inicia-se a Primavera, os dias tornam-se maiores e o calor aumenta. Além disso, a sua natureza Quente e Seca é idêntica à de Carneiro e à de Marte, seu regente. A sua queda dá-se em Balança, signo que marca a diminuição de luz e a entrada do Outono.

A Lua exalta-se no Touro, signo feminino e primaveril, adjacente ao Carneiro, signo de exaltação do Sol. Qual rainha dos céus, fica posicionada ao lado do seu rei. Além disso, se o Sol estivesse em Carneiro, a Lua ao sair dos seus raios seria visível pela primeira vez em Touro. Escorpião, oposto a Touro, é o signo da sua queda.

Saturno tem a sua exaltação em Balança, signo oposto à exaltação do Sol, mantendo assim em relação ao astro-rei a mesma posição que tem nas regências. A Balança marca o início do Outono, estação em que o frio começa a aumentar e os dias a diminuir; torna-se assim o signo ideal para a exaltação do planeta mais Frio, Saturno. Pela mesma ordem de ideias, a sua queda é em Carneiro, o primeiro signo da Primavera.

Júpiter, planeta da fertilidade e abundância, tem a sua exaltação em Caranguejo, signo do Verão e do amadurecimento das colheitas. A sua queda dá-se em Capricórnio.

Marte tem a sua exaltação em Capricórnio onde o seu calor extremo fica temperado pela frieza do Inverno. A sua queda ocorre em Caranguejo.

Vénus, planeta feminino e Úmido, exalta-se em Peixes, signo de umidade, que prepara a fertilidade da Primavera. A sua queda dá-se em Virgem, signo em que marca a passagem para o Outono e o domínio do Seco.

Mercúrio, de natureza Seca, tem exaltação em Virgem, signo Frio e Seco (do qual também é regente), e queda em Peixes, signo Frio e Úmido.


Os graus de exaltação

Os autores da tradição assinalam também graus específicos para a exaltação dos planetas. Assim, o Sol teria a sua exaltação no grau 19 de Carneiro, a Lua no grau 3 de Touro, Júpiter no grau 15 de Caranguejo, Mercúrio no grau 15 de Virgem, Saturno no grau 21 de Balança, Marte no grau 28 de Capricórnio e Vénus no grau 27 de Peixes. A queda ocorre no mesmo grau do signo oposto.

Em termos práticos, a exaltação é considerada em toda a extensão do signo. Estes graus parecem indicar apenas os pontos de maior força. Alguns investigadores pensam tratar-se de posicionamentos simbólicos ou o que resta de um sistema de posicionamentos astronômicos de grande importância para os antigos.


Dignidades Secundárias

O trono, a exaltação, o exílio e a queda são as dignidades e debilidades fundamentais (também chamadas "completas") do sistema astrológico. É possível fazer a interpretação básica de um horóscopo contando apenas com estes quatro fatores de pesagem.

No entanto, o sistema de debilidades é mais complexo. Para além da regência e exaltação existem ainda mais três níveis de dignidade: a triplicidade, o termo e a face. Estas dignidades adicionais para além de terem aplicações técnicas específicas permitem uma melhor avaliação do potencial de expressão de cada planeta nos vários graus do Zodíaco. Utilizando o sistema completo podemos compreender como, em determinados horóscopos, planetas aparentemente debilitados conseguem ter uma expressão mais coerente com a sua natureza.

Refira-se ainda que, ao contrário do trono e da exaltação, as triplicidades, termos e faces não têm uma debilidade complementar. Por esse motivo são também designadas por dignidades incompletas.


Triplicidades

As triplicidades são dignidades atribuídas de acordo com o elemento de cada signo. A cada elemento são atribuídos três planetas: um chamado diurno, outro noturno e ainda um terceiro, chamado participante ou comum. Estes três planetas são comuns aos signos do mesmo elemento.

O elemento Fogo tem como triplicidade diurna o Sol; a sua triplicidade noturna é Júpiter e Saturno é a triplicidade participante.

O Ar tem Saturno como triplicidade diurna, Mercúrio como triplicidade noturna e Júpiter como participante.

No elemento Terra a triplicidade diurna é Vênus, a noturna a Lua e o participante é Marte.

A Água tem também Vênus como triplicidade diurna, mas Marte é a triplicidade noturna e a Lua é participante.

Como se pode constatar, a atribuição das triplicidades a cada elemento segue a facção dos planetas: aos elementos diurnos são atribuídos planetas diurnos, e aos noturnos planetas noturnos.

Tabela das triplicidades
Na prática, um planeta em triplicidade está literalmente "em família" pois encontra-se num elemento da sua facção. Não está no seu reino (como na regência), nem é primeiro-ministro (como na exaltação), mas faz parte da "família real" e goza, portanto, de algum poder. Também se considera que um planeta em triplicidade está "entre amigos".

Alguns autores afirmam que num mapa diurno a triplicidade diurna será mais forte, e que a noturna terá maior impacto num mapa noturno. A triplicidade participante terá sempre uma força moderada. De qualquer modo, um planeta posicionado num signo em que possua triplicidade está em estado de dignidade, independentemente do mapa ser noturno ou diurno.

Os regentes das triplicidades são geralmente considerados em sequência, recebendo a denominação de primeira, segunda e terceira triplicidade. Esta sequência depende se o mapa é diurno ou noturno (recordamos que nos mapas diurnos o Sol está acima do horizonte, estando abaixo deste nos noturnos). Nos diurnos, dá-se precedência à triplicidade diurna, seguida da noturna e da participante; nos noturnos, a precedência vai para a triplicidade noturna, seguindo-se a diurna e a participante.

Sequência diurna:

Triplicidades: sequência diurna
Sequência noturna:

Triplicidades: sequência noturna

Em técnicas muito particulares de interpretação, as triplicidades indicam sequências temporais. É nestes casos que as sequências diurnas e noturnas se tornam mais relevantes, pois a ordem dos planetas é determinante.


Variações na atribuição das triplicidades

O conjunto de triplicidades que apresentamos neste livro é o mais comum e aceite entre os autores tradicionais. Tem atualmente a designação de "Triplicidades de Dorotheus", não porque este autor as tenha criado, mas por ser a fonte mais antiga que as referencia.

Na Renascença deu-se uma grande reformulação da teoria astrológica, tendo por base os ensinamentos ptolemaicos. Em consequência, as triplicidades "de Dorotheus" foram gradualmente substituídas por versões baseadas no texto de Ptolomeu. Este autor altera os planetas participantes em Fogo, substituindo Saturno por Marte, e em Terra, substituindo Marte por Saturno. Ptolomeu altera também as triplicidades da Água, atribuindo a sequência: Vénus, Lua, Marte.

Uma das variantes mais divulgadas atualmente é da escola inglesa, da qual são representantes conhecidos autores como William Lilly. Esta linha usa apenas as triplicidades diurnas nos mapas diurnos e as noturnas nos mapas noturnos. As sequências são iguais às de Dorotheus, mas o planeta participante é abandonado. A única excepção ocorre no elemento Água, em que Marte (regente noturno da Água para Dorotheus) é considerado simultaneamente regente de triplicidades diurna e noturna.



Termos

Os termos são divisões dos signos em cinco partes desiguais. A cada parte (ou termo) é atribuída a regência de um dos cinco planetas tradicionais: Júpiter, Vénus, Mercúrio, Marte e Saturno. A Lua e o Sol não regem termos.

A maior peculiaridade dos termos é a sua irregularidade. Cada divisão incorpora partes desiguais do mesmo signo e cada signo é dividido de forma diferente; além disso, também a sequência dos regentes difere de signo para signo, ou seja, não há dois signos iguais no que diz respeito aos termos. Por exemplo, no signo de Carneiro a primeira divisão tem 6°; a segunda, 6°; a terceira, 8°; e a quarta e a quinta, 5°. No signo seguinte, Touro, as divisões têm respectivamente, 8°, 6°, 8°, 5° e 3°.

Também a sequência de planetas é completamente diferente nestes dois signos. No Carneiro o primeiro termo é de Júpiter, o segundo de Vénus, o terceiro de Mercúrio, o quarto de Marte e o último de Saturno. Quanto ao Touro, a sequência dos regentes dos termos é a seguinte: Vénus, Júpiter, Mercúrio, Saturno e Marte.

A razão destas atribuições perdeu-se no tempo. Os autores mais antigos, nomeadamente Ptolomeu, sugerem que a distribuição dos planetas depende do nível de dignidade que cada um tem no signo, dando prioridade ora à regência, ora à exaltação, ora à triplicidade. Marte e Saturno, por serem maléficos, tendem a reger os dois últimos termos, enquanto os benéficos, Júpiter e Vênus, são preferencialmente colocados nos termos iniciais.

Os termos mais utilizado pelos autores são os "termos egípcios". São estes os que adotamos ao longo do livro e que utilizamos na nossa prática astrológica. Esta sequência aparece nos autores mais antigos e mantém-se coerente ao longo dos milênios.

Tabela dos termos egípcios
Podemos comparar o termo de um planeta ao seu "feudo" dentro do signo. Um planeta no seu próprio termo está no seu território privado, mesmo que o signo onde se encontra não lhe seja particularmente favorável. Pode, portanto, agir de acordo com as suas próprias regras (literalmente, "nos seus termos").

O termo tem também algum efeito sobre a qualidade de expressão dos planetas. Por exemplo, um planeta num termo de Saturno terá uma expressão mais ponderada e reservada, enquanto um planeta num termo de Júpiter terá uma expressão mais jovial.

Alguns autores utilizam para esta dignidade as designações de limites, fronteiras ou fins.


Variações na atribuição dos termos

Existem outras variantes dos termos que também vale a pena referenciar. A mais importante é a tabela dos termos ptolemaicos. Esta versão dos termos é sugerida e adotada por Ptolomeu na sua obra Tetrabiblos. É também mencionada nas fontes medievais, mas o seu uso parece ter sido muito pontual. Durante a Renascença a obra de Ptolomeu começou a impor-se como fonte e a sua tabela popularizou-se. No entanto, foram apresentadas várias versões dos termos de Ptolomeu, com variações significativas (muitas das quais são meros erros de cópia). Na atualidade estão em uso duas versões destas tabelas, que podem ser consultadas no Anexo 3 — Dignidades Menores, Graus Zodiacais e Tabelas Adicionais.

Ptolomeu referencia ainda uma terceira tabela, que denomina de Termos Caldeus, mas que não está representada em mais nenhuma obra da época. Não são conhecidos exemplos da sua utilização.


Faces

As faces ou decanatos são divisões regulares de 10° cada; como um signo tem 30°, há três faces em cada signo.

A cada face é atribuído um planeta regente, segundo a ordem caldaica. À primeira face de Carneiro atribui-se a regência de Marte, o planeta regente de Carneiro; seguem-se, ainda neste signo, as faces do Sol e a de Vénus. O planeta seguinte na ordem caldaica, Mercúrio, é atribuído à primeira face de Touro; seguindo-se a Lua e Saturno. Júpiter, o planeta seguinte na sequência, é atribuído à primeira face de Gémeos, seguindo-se Marte e o Sol. A ordem caldaica mantém-se ao longo de todo o Zodíaco.

As faces

As faces são dignidades relativamente mais fracas, pois apenas reforçam ligeiramente a natureza do planeta. Para além de fazer parte do sistema de pesagem de dignidades e debilidades essenciais (como veremos adiante), são aplicadas em sistemas interpretativos específicos, nos quais servem para particularizar "diferenças comportamentais" dentro dos signos. Nesta perspectiva são utilizadas na interpretação detalhada do Ascendente e do Sol.


Variações na atribuição das faces

No que diz respeito à tradição astrológica ocidental, não se conhecem variações na atribuição dos planetas às faces. Contudo, está atualmente muito divulgada no Ocidente uma variante baseada no sistema astrológico hindu de decanatos, que é muito diferente das faces ocidentais.

No sistema hindu, a distribuição dos planetas tem por base os elementos e as regências dos signos. O primeiro decanato de um signo é atribuído ao regente do próprio signo, o segundo ao regente do signo seguinte do mesmo elemento e o terceiro ao regente do outro signo do mesmo elemento.

Por exemplo, para o signo de Capricórnio, o primeiro decanato corresponde a Saturno (regente do próprio Capricórnio), o segundo a Vênus  (regente de Touro, o signo de Terra seguinte) e o terceiro a Mercúrio (regente de Virgem, o restante signo de Terra).

Apesar de interessante, este sistema faz parte de outra tradição e não deve ser misturado com o sistema da tradição ocidental. A sua inserção na Astrologia ocidental é consequência da grande moda de "importações orientais" do final do século XIX e foi feita por autores que desconheciam as regras fundamentais da Astrologia.

Por vezes são referenciados na literatura astrológica outros sistemas de decanatos, baseados em misturas ou derivações do tradicional e do hindu, mas cuja validade e origem é questionável, pelo que não serão abordados na obra.


Existem outros tipos de dignidade que surgem de divisões ainda menores do Zodíaco ou da atribuição de qualidades a determinados graus. Como estas dignidades não têm uma aplicação tão generalizada, não as discutiremos neste capítulo. Alguns destes sistemas serão referidos no Anexo 3 — Dignidades Menores, Graus Zodiacais e Tabelas Adicionais.



Helena Avelar e Luis Ribeiro, in Tratado das Esferas. Editora Pergaminho. Cascais, Portugal, 2007.

Pode ser adquirido em nova edição aqui: https://www.facebook.com/prismaedicoes/

Planetas e Outros Corpos, por Benjamin Dykes

No trabalho sobre natalidades, muitos tradicionalistas hoje se apegam aos sete planetas antigos e seus significados, e quase nunca reconhecem pontos como o Vertex ou a Lua Negra (Lilith). Mas alguns também usam planetas externos e até mesmo asteroides. Da minha própria observação, parece que meus amigos que usam planetas externos e asteroides  fazem isso porque os aprenderam ao estudar astrologia moderna e ainda os acharam úteis. Mas também encontrei um tema comum: quase todos os tradicionalistas mantêm regentes tradicionais e tratam planetas externos e asteroides apenas como corpos secundários ou para amplificar os detalhes - não como coisas primárias a serem consideradas. Em termos de regras, então, Júpiter ainda governa Pisces, Saturno ainda governa Aquário, e Marte ainda governa Escorpião. E, ao olhar para um mapa, muitos tradicionalistas apenas prestarão atenção a um planeta externo ou a um asteroide, se isso ocorrer em algum grau de outro planeta ou ponto que seja importante. Então, por exemplo, se Urano está em seu 11º natal, mas está longe da cúspide ou de qualquer planeta antigo, muitas vezes é ignorado. Mas se o senhor do Ascendente (o planeta que governa o signo ascendente) está em um quadratura muito próxima com algum planeta exterior ou diretamente em um asteroide chave, esse outro corpo pode ser importante para questões da 1ª casa ou do caráter do nativo ou propósito da vida. Nesse sentido, os planetas externos e asteroides são algo menos do que um planeta verdadeiro, mas algo mais do que uma estrela fixa.

Eu direi mais sobre regências e dignidades no Capítulo 8, mas aqui está um esquema de Abú Ma'shar que eu acho interessante:

Relação dos planetas com a sociedade (Abū Ma'shar)
Este esquema é uma espécie de visão social dos planetas. Os planetas superiores (superiores) significam desenvolvimentos a longo prazo e eventos de época, enquanto os planetas inferiores (mais baixos) significam mais a curto prazo. Além disso, cada planeta do grupo superior se correlaciona e precisa de um do grupo inferior, de modo a torná-lo "real" e prático. Então Saturno e Vênus significam fundamentos e começos: Saturno estabelece sistemas políticos e dinastias, enquanto Vênus indica costumes e relações entre as pessoas. Júpiter significa os sistemas de direito e moral que trazem as idéias básicas de um sistema político ou religião, enquanto Mercúrio os codifica e preserva através da escrita (ele também indica "medição" literal ou figurativa no sentido de entender e explicar e explicar o que as naturezas verdadeiras e completas das coisas são). Marte e a Lua indicam mudanças, mudanças e a quebra do que aconteceu antes: Marte através da guerra, a Lua através da mudança diária e das viagens. No meio do meio está o Sol, que significa governantes agindo em nome e por causa das coisas mais elevadas, e que tomam uma decisão sobre as coisas mais baixas.

Note-se que Saturno desempenha especialmente o papel de influências geracionais ou mesmo de época: em vez de usar planetas externos para rastrear tendências entre gerações, os astrólogos tradicionais usaram a teoria persa da história astrológica que mencionei no Capítulo 1. A ideia principal é esta: se rastrearmos as conjunções Saturno-Júpiter ao longo do tempo, veremos que eles tendem a se agrupar no mesmo elemento por cerca de 240 anos: acerca de cada 20 anos, Saturno e Júpiter se juntam em um signo de um determinado elemento (digamos, um signo de fogo) e depois se juntarão, 20 anos depois, em outro signo do mesmo elemento; 20 anos depois, o mesmo. Após algumas centenas de anos, sua conjunção de repente mudará para o próximo elemento (neste caso, os signos de terra), com numerosas conjunções ao longo desse elemento, até que mudem de novo. A primeira conjunção de uma série elementar é chamada de "conjunção da mudança" e marca mudanças na história mundial e nas religiões. Ao rastrear as conjunções estreitas a cada 20 anos (e aplicar outras técnicas de predição), obtemos mais informações sobre mudanças geracionais e mudanças políticas. Isso não quer dizer que os planetas externos não podem mostrar coisas semelhantes. Mas a astrologia tradicional tem uma teoria pré-fabricada e um conjunto de técnicas para isso, que merecem ser vistas.

Essa maneira alternativa de olhar a mudança geracional me leva a outro ponto: na astrologia tradicional, todos os planetas também são planetas pessoais. Cada planeta tem associações com algum aspecto da alma (Vênus para o amor, a Lua para o corpo e emoções associadas) ou pessoas em nossas vidas (Saturno para um parente masculino mais velho, a Lua para a mãe), mesmo que certos planetas sejam especialmente usados quando se olha para a psicologia pessoal de alguém (Mercúrio e Lua). Não se agrupa necessariamente os planetas como sendo planetas pessoais ou impessoais (ou geracionais).

Na verdade, acho que a maioria dos astrólogos modernos também trabalham dessa maneira. Mas notei um hábito intrigante entre os astrólogos modernos: embora os planetas externos sejam chamados de impessoais ou geracionais, muitas vezes são as primeiras coisas que as pessoas modernas observam em um mapa de nascimento e são usadas para explicar todos os tipos de características pessoais da vida E detalhes de eventos - até mesmo os trânsitos muito duradouros de planetas externos são frequentemente usados ​​para explicar praticamente tudo. Muitas pessoas deixam que os planetas externos monopolizem o mapa, de modo que algo que normalmente possa ser atribuído a Júpiter (digamos, espiritualidade) ou violência (Saturno, Marte) seja dado a Neptuno, Urano e Plutão, deixando os antigos planetas com muito menos para fazer.

Atualmente, não utilizo planetas externos, mas não há motivos para que você não tente tratar os externos e os asteroides de forma diferente: tente notá-los apenas quando eles estão a cerca de um grau de um ângulo ou planeta antigo e se forçam a fazer algo além dos planetas antigos. Você pode se surpreender ao descobrir que raramente precisa de planetas externos, e quando você os usa dessa forma restrita, eles serão mais interessantes e úteis para você.



Capítulo 6
Benjamin Dykes, in Traditional Astrology for Today - An Introduction, Cazimi Press, Minneapolis, Minessota, EUA, 2011. Tradução de Claudio Fagundes.

O livro está à venda aqui:
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