sábado, 1 de julho de 2017

As Estrelas Fixas, por Marcos Monteiro

Este assunto está entre os últimos capítulos do livro, mas não porque seja pouco importante.

O que acontece é que não precisamos nos referir a elas para montar nosso teatro astrológico, embora elas sejam tanto pano de fundo quanto luzes, direcionadas para pontos específicos do palco.

Elas não interagem com os planetas – não ficam nem dignificadas, nem debilitadas, nem afligidas, nem assistidas. Elas ajudam ou atrapalham quem passa por elas, não porque tenham uma intenção particular, mas apenas porque continuam, sem parar, a manifestar a própria natureza.

As estrelas são o que são.

Além disso, elas são assuntos para um livro inteiro, ou mais de um. Aqui, o máximo que posso fazer é escrever uma introdução muito breve a este assunto.

As estrelas fixas são chamadas assim em comparação com os planetas, que são as estrelas móveis (vários textos antigos chamam os planetas de estrelas, ou tratam todos os astros como estrelas). Elas não são, na verdade, fixas. Elas se movimentam, embora muito lentamente – astronomicamente, esse é o famoso fenômeno chamado de “precessão dos equinócios”. Elas também se movem umas em relação às outras, nem sempre à mesma taxa – esse é o movimento que aparece na tevê quando algum programa menciona que o formato das constelações mudou.

O modelo cosmológico tradicional é um pouco mais complicado que o que eu apresentei aqui. Minha intenção foi facilitar o entendimento de como o céu astrológico funciona.

De forma resumida, os antigos viam o cosmos como esferas concêntricas; a terra é a penúltima esfera (a última, abaixo de nós, é o Inferno, que quer dizer isso mesmo, inferior).

As sete primeiras esferas depois de nós são as dos planetas, a seguinte é a das estrelas (a outra é a das “torres zodiacais”). Isso quer dizer que elas fazem parte do “pano de fundo” da ação dos planetas.

É por isso que não há menção a aspectos ou qualquer tipo de interação entre elas e os planetas, que são influenciados quando passam perto delas (ou seja, quando estão em conjunção bem próxima, um, dois ou no máximo três graus). Elas também são importantes se estiverem exatamente sobre a cúspide de uma casa.

Elas estão, do ponto de vista da essência, num nível superior ao dos planetas (e inferior ao dos signos), mas, como os planetas são sete, e elas inúmeras, é mais fácil explicá-las usando as naturezas dos planetas – quase todas as listas sobre estrelas fixas associam-nas a um, dois ou, excepcionalmente, três planetas.

Além disso, os planetas podem ser vistos, como discutimos anteriormente, como as sete divisões fundamentais dos seres concretos, as sete cores que compõem a luz divina. Vamos ver qual (ou quais) dessas cores é mais importante em cada estrela.

A importância de uma dada estrela deriva de alguns fatores. Em primeiro lugar, magnitude – ser visível; em segundo lugar, proximidade da eclíptica – ser visível perto do palco no qual as ações celestes acontecem; em terceiro lugar, o simbolismo – fazer sentido.

As estrelas são agrupadas em conjuntos mais ou menos próximos no céu, chamados de constelações.

A melhor definição para constelação é família. Elas reúnem estrelas com propriedades afins, ou pelo menos com explicações simbólicas (ou míticas, que facilitam a memorização das estrelas) parecidas. Os mitos associados às constelações nos ensinam que tipo de família estamos vendo.

A explicação científica para a origem das constelações é francamente idiota. Nenhum ser humano minimamente inteligente olharia para a constelação de Leão e pensaria “olha, parece um Leão”, ou para Órion e pensaria “ei, mas é muito parecido com um guerreiro com um cinto legal e uma tocha erguida”. Exceto por alguns poucos exemplos (Escorpião parece vagamente com um escorpião em posição de ataque, por exemplo), as constelações não são desenhos esquemáticos que lembram seus nomes.

Os nomes das constelações, como eu disse, são mitos, que explicam e facilitam a identificação da natureza de cada uma das constelações. É fácil explicar as estrelas de Leão (Regulus, o coração; Zozma, as costas) referindo-se ao simbolismo relacionado a este animal.

Evitamos os mitos nos signos porque sua significação é mais completa e menos distorcida quando nos atemos à sua natureza real – o modo de expressão e o elemento. No entanto, para as constelações zodiacais, pensar nos mitos pode facilitar a identificação do caráter de cada estrela, que são partes não aleatórias das imagens associadas.

A importância das estrelas fixas em astrologia aumenta conforme se sobe o nível. Em horária e eletiva, o risco de usá-las é muito maior que o risco de ignorá-las; são bastante importantes em astrologia natal e são de suma importância em astrologia mundana.

Exemplos de estrelas

Há uma enormidade de estrelas visíveis; por volta de cem delas têm alguma significação astrológica; algumas poucas dezenas são realmente importantes.

Vou mencionar um conjunto ainda menor, que serve como início de um estudo que foge ao propósito deste livro e que depende da intenção do leitor.

Essas são as mais comuns; é claro que esta lista é subjetiva, mas acredito que a grande maioria dos astrólogos concordaria com grande parte dela.

Eu menciono a posição aproximada delas no ano em que escrevo, 2014.


As guardiãs

São as estrelas que um dia já estiveram no início dos signos cardinais, marcando o início das estações. Hoje em dia, nenhuma delas está em signo cardinal, nem nos signos fixos seguintes, todas elas estão em signos mutáveis.

Regulus – o coração do Leão (Cor Leonis). Está em 0° de Virgem. Uma das estrelas mais fortes e brilhantes do céu, uma das estrelas reais (falo sobre elas abaixo). Da natureza de Marte e Júpiter. “O coração” sempre quer dizer, quando falamos de estrelas, “o núcleo” – ela é o “superleão”; reúne as características da constelação. Então, concede honrarias, dignidade, exaltação, poder – mas nem sempre felicidade; não é uma estrela calma, nem garante um futuro livre de tribulações.

Antares – “Outro Ares”, ou seja, outro Marte. O Coração do Escorpião (Cor Scorpionis), está em 9° de Sagitário. O “superescorpião”. Violência, conflito, guerra, morte, mas também fim de ciclo, mudança. Também da natureza de Marte e Júpiter; também é uma estrela real.

Aldebaran – “O olho do Touro” (Oculus Tauri). Apesar de não ser o coração, ela também é o “supertouro”: ela significa o inicio, a entrada da alma na matéria. Está ligada, portanto, aos inícios dos ciclos; funciona em conjunto com Antares e está oposta a ela, em 9° de Gêmeos. É da natureza de Marte, mas, sendo o olho esquerdo do Touro, tem uma conexão clara com o significado da Lua (os olhos são atribuídos aos luminares. Nos machos, o direito é do Sol, o esquerdo da Lua, invertendo-se para as fêmeas); a Lua significa a alma, e também a fome – pela matéria, pela vida. Também é uma estrela real.

Fomalhaut – A boca do peixe, em 04º de Peixes. Da natureza de Vênus e Mercúrio. A única das guardiãs que não é estrela real. Fomalhaut promete reinado, mas não deste mundo. Está ligada ao solstício de inverno – o nascimento de Cristo – e à história de Jonas (a boca do peixe evoca o animal que devorou o profeta), portanto, ao renascimento. Ela é extremamente poderosa, só não eleva ao trono. Atenção: ela não é parte da constelação de Peixes, mas pertence à constelação “Pisces Australis”, ou Peixe do Sul, ou Grande Peixe, o que engole a água de Aquário.


Estrelas reais

Além das três primeiras guardiãs, ainda há outras estrelas. Elas são chamadas de “reais” porque são indicativas de ascensão ao trono em natividades de prováveis reis e rainhas.

Lucida Lancis – Alpha Librae,15º de Escorpião. O prato do sul da balança (de onde vem seu outro nome, Zuben Algenubi, a Garra do Sul – a constelação de Libra já foi a constelação das Garras do Escorpião). Está exatamente sobre a eclíptica. Sendo o “prato de baixo”, em latitude zero, significa, obviamente, elevação. Da natureza de Saturno e Marte.

Spica – 23º de Libra, o “Espigão [de trigo] da Virgem”. A estrela mais feliz do zodíaco. Ela normalmente concede felicidade, embora menos sucesso que Regulus. Ela é o presente da Virgem, é o que ela tem na mão oferecendo para baixo, para a terra, estando associada portanto às bênçãos e à proteção de Nossa Senhora. Da natureza de Vênus e Marte.

Pollux – 23º de Câncer. Um dos irmãos da constelação de Gêmeos, Pollux é o gêmeo imortal. Da natureza de Marte.


Outras estrelas importantes

Castor – 20º de Câncer, o gêmeo mortal, irmão de Pollux. Da natureza de Mercúrio.

Sirius – 23º de Câncer. A boca do Cão maior, o Sol do Sol. Extremamente brilhante, mas afastada da eclíptica. É uma estrela feroz, mas que pode ser benéfica e protetora. Da natureza de Júpiter e Marte.

Procyon – 26º Câncer – o Cão menor. Muito da sua significação deriva da comparação com o grande cão: ela é mais rápida, mais agressiva, mas bem menos forte. Da natureza de Mercúrio e Marte.

Caput Algol – 26º Touro. A cabeça da medusa, a estrela mais perigosa do Zodíaco. Funciona como uma espada, pode ser usada contra ou a favor do nativo, mas nunca é calma, nem pacífica. Um dos seus significados é perda da cabeça, literal ou figurada. Da natureza de Saturno e Júpiter.

Alcyone – 29º de Touro – também não é das mais benéficas. É a estrela principal das Plêiades (“As Irmãs que Choram”); fere os olhos e causa arrependimento. Da natureza de Marte e da Lua.

Vindemiatrix – 10º de Libra. Também conhecida com Vindemiator, é o(a) coletor(a) de uvas. Outra estrela perigosa, está associada com divórcio, separação, auto-sabotamento (ferir a si mesmo e aos outros), exceder as próprias capacidades. É a ponta da asa do norte, ou do braço do norte, da Virgem. Da natureza de Saturno e Mercúrio.

Altair – 1º de Aquário. A águia. Elevação espiritual. Da natureza de Marte e Júpiter.

Vega ou Lira – 15º de Capricórnio. Inspiração, ensino. Da natureza de Vênus e Mercúrio.

Beta Librae – 19º de Escorpião. O prato do norte da constelação de Libra. Conhecida também como Zuben Eschamali, a Garra do Norte. Da natureza de Júpiter e Mercúrio.

Há outras estrelas importantes e há muitas outras que podem ter alguma importância determinada em algum contexto especial, mas a lista já está grande o suficiente.

Uma última nota sobre constelações: já deve ter ficado claro para o leitor que signos e constelações não são a mesma coisa. As constelações que ficam perto da eclíptica – as constelações zodiacais – levam o mesmo nome que os signos onde estavam, mais ou menos, quando foram nomeadas.



Marcos Monteiro, Introdução à Astrologia Ocidental, Edição do Autor, 2013.

O livro pode ser adquirido aqui:
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