segunda-feira, 26 de junho de 2017

As Casas e suas Significações, por Marcos Monteiro

Já falei dos agentes astrológicos, os planetas, de como eles interagem uns com os outros, os aspectos, e sobre a natureza do pano de funo sobre o qual eles atuam, o Zodíaco.

Vou tratar, agora, dos assuntos com relação aos quais eles agem; a origem do papel que cada ator recebe.

Já vimos o que são as casas (chamadas também de casas mundanas em oposição às casas celestes, os signos) e o princípio que norteia as divisões dos quadrantes. No apêndice, eu explico brevemente como se encontram os ângulos.

A divisão de cada quadrante varia de sistema para sistema. Não vamos entrar no cálculo dessa divisão.

De qualquer forma, os dois sistemas mais comuns, Placidus e Regiomontanus, apresentam muito pouca diferença na maior parte do território brasileiro.
Vamos ver o que cada casa significa. Grande parte dos assuntos pode ser derivado do simbolismo básico, mas alguns são mais difíceis de perceber, enquanto o raciocínio de outros se perdeu ao longo dos tempos.

Antes de entrar em cada uma delas, preciso explicar algumas generalidades.

As casas, na maior parte das vezes, como vimos no capítulo seis, não têm o mesmo tamanho quando medidas em graus da eclíptica. Isso não é uma distorção nem um problema; a sua divisão leva em consideração outros referenciais de medida, porque a eclíptica, do ponto de vista do observador, é torta. Com relação ao movimento celeste geral, o zodíaco está inclinado, e as casas traduzem, de alguma forma, essa diferença.

Além disso: elas não são equivalentes; algumas têm primazia sobre as outras.


Ângulos ou Casas cardinais

Os ângulos, ou casas cardinais, são os pontos mais fortes. São as casas mais óbvias, determinam os quadrantes; fixam, por assim dizer, o céu à terra conforme o observador.

Assim, eles significam, de uma forma geral, duas coisas aparentemente contraditórias.

Por um lado, elas são as casas mais fixas. São as mais estáveis; então, significam permanência.

Por outro lado, são as mais reais, e as mais evidentes. Então, significam mais oportunidade de agir. Se algo tem oportunidade de agir, e quer agir, age mais rápido – assim, elas significam velocidade.

Isso tem algumas aplicações interessantes (em astrologia horária, por exemplo na determinação de quando as coisas acontecem), mas a confusão é só aparente. O que acontece é que oportunidade de agir é algo importante para agentes conscientes. Uma pessoa, quando quer algo e pode fazer esse algo, o fará, normalmente, mais rápido; mas coisas (o clima, uma carta, uma doença) não querem nem deixam de querer nada, então não aproveitam a oportunidade para agir mais rápido.


Casas cadentes e sucedentes

Nós contamos as casas na ordem anti-horária, da mesma forma que os signos; mas o movimento aparente primário do céu é horário.

Assim, chamamos “cadentes” as casas para as quais as coisas vão, quando saem dos ângulos, segundo o movimento primário, porque parecem estar caindo deles. Ou seja, a casa cadente adjacente à casa um é a XII, não a II.

As casas que sobraram, as que não são nem cardinais nem cadentes, são as sucedentes. São as casas que, na ordem dos signos, sucedem aos ângulos. Para ficar no mesmo exemplo, a casa II é sucedente porque, no sentido anti-horário, ela sucede à I.

Essa é uma vantagem visual do mapa quadrado; ele enfatiza essa centralidade dos ângulos Eles são as ligações estruturais entre o céu e a terra naquele momento. As outras casas “caem” por um lado ou seguem a ordem normal por outro.


Derivando as casas

Cada uma das casas significa alguns assuntos. Uns são delas por elas serem o que são; outros são assuntos delas por sua relação com as outras casas.

Explico. Entre outras coisas, como vamos ver logo abaixo, a casa um pode significar a pessoa. A casa dois significa as posses móveis da pessoa.

A casa quatro significa o pai da pessoa. Não há uma casa cujo significado intrínseco (na terminologia astrológica, radical) signifique “dinheiro do pai”. Mas, se considerarmos a casa quatro como a casa um do pai, a casa seguinte, a cinco, é a casa dois da quatro. Então, pode significar as posses móveis de quem for significado pela casa anterior – o dinheiro do pai.

Isso se chama derivar uma casa; o significado obtido desta forma é chamado significado derivado.

Isso garante que todo assunto da vida possa ser atribuído a uma das doze casas do céu.

Duas notas técnicas, antes de entrarmos nos detalhes dos assuntos.

1) O início da casa, é chamado de cúspide. Dizemos que o planeta que rege o signo que está na cúspide de uma casa rege a casa. Ele é a corporificação do assunto.

2) Há um espaço antes da cúspide, normalmente de cinco graus (que pode ser considerado um pouco maior ou menor dependendo do tamanho da casa), que é considerado como se já pertencesse à casa. É como se fosse o jardim da frente, ou a varanda, da casa. Ainda não estamos dentro da propriedade, mas já não estamos na rua nem na casa do vizinho. Este espaço tem, necessariamente, que estar no mesmo signo que a cúspide.

Ou seja, se a cúspide estiver a 3º de Touro, essa “folga” anterior só vai até o grau zero, sem entrar em Áries.


As Casas, uma por uma 


CASA I – o ascendente

É uma casa cardinal. As casas cardinais, também chamadas de ângulos, significam direções do espaço: a casa um significa o leste.

Como é o ângulo em que o céu e a terra se encontram no nascimento, significa a coisa analisada, porque, afinal, tudo neste mundo é fruto de uma união entre a terra (a matéria) e o céu (a forma, a essência).

Em astrologia natal, é a pessoa, o nativo. Em astrologia horária, é o querente, quem faz a pergunta. Em mapas de países, é o povo.

O nativo é representado, num certo sentido, pelo mapa natal inteiro.

Em outro nível, no entanto, a casa um e seu regente significam o nativo; mais especificamente, seu corpo (mais especificamente ainda, sua cabeça), enquanto o resto do mapa são suas circunstâncias, as coisas e as pessoas que ele encontra na vida.

Em mapas de eventos esportivos, é o favorito. Em mapas de astrometeorologia, é o local, é o “aqui”.

Vamos ver que há outra casa que pode significar terrenos, casas, etc. Mas “meu lar”, quando não há a necessidade de fazer a diferenciação entre mim e minha casa, também é a casa I.

De forma mais geral, é o “aqui”, mesmo quando não é meu lar.

Ela também é o “navio em que navego”, ou o “eu estendido” – “nós”, em perguntas sobre um grupo do qual a pessoa pertença, tomados em conjunto; o time pelo qual a pessoa torce, também (como podemos ver pelos gritos dos torcedores, “ganhamos”, “vocês perderam de nós”, etc).

O navio, aqui, pode ser também o carro. Vamos ver na casa seguinte, carros nunca são casa III. Como bens móveis, são assunto da casa II. Como transportadores da pessoa, são casa I.

Em eletivas, significa a pessoa que começa o empreendimento e o próprio empreendimento.

Em casas, ou qualquer ambiente bem determinado, ela significa a porta de entrada, ou o quarto do dono da casa (ou do morador que fez a pergunta, no caso de uma pergunta horária).

Como significa a pessoa, significa o “comando” na pessoa – a cabeça.

A casa I também significa o nome, seja do nativo, do querente, ou da empresa.

Existe uma dignidade acidental dos planetas chamada “júbilo”.
Provavelmente, mais um resquício de outra astrologia que foi incorporada com a nossa. Cada planeta tem uma casa em que se sente mais feliz, em que desempenha sua atividade de forma mais natural.

Mercúrio tem seu júbilo na casa I. Mercúrio é o mensageiro dos deuses, o “psicopompo”, a ponte entre o Céu e a Terra, ficando muito feliz na junção entre os mundos. Também é a razão, que fica muito feliz na cabeça.

O co-significador da casa I, segundo alguns autores, é Saturno.

Saturno é o planeta das limitações, da matéria, do peso, das prisões. É isso que a alma sente, subitamente presa neste aglomerado de matéria pesada que chamamos de corpo.

A Lua, ao contrário, não está confortável na I.

A Lua significa a alma, nada feliz ao conhecer a prisão onde vai passar uma vida inteira; ela também significa as emoções, a parte da alma que não se sente bem com a frieza dos cálculos de Mercúrio.

Isso evoca dois pares de opostos. Eu já falei da Lua-Saturno quando expliquei as dignidades.

Lua-Mercúrio também são opostos. A Lua simboliza as emoções, a imaginação livre, os desejos, o “coração” (no sentido romântico, o lugar do afeto; o coração como fonte de vida é o Sol); Mercúrio é a “cabeça” (a razão. A cabeça como comando é, mais uma vez, o Sol). Um não está muito bem onde o outro está feliz; o ascendente é um exemplo.

Ela divide com a casa X a posição de casa mais forte; dependendo da situação, uma ou a outra prevalece.

É fácil ver a importância das duas casas se pusermos o Sol nelas. No ascendente, ele está criando o dia, nascendo, expulsando as trevas. No meio-céu, está dominado o mundo, no topo do céu.


CASA II

É uma casa sucedente.

As casas adjacentes (sucedentes e cadentes) tanto ao ascendente quando ao descendente (a casa oposta ao ascendente) têm conotações desagradáveis, menos esta.

As significações maléficas vêm de as casas não observarem o ascendente (veja os capítulos sobre aspectos; o conceito é análogo); elas não têm conexão com a junção Céu-Terra que deu origem ao nativo, à pergunta, à coisa, enfim, à situação significada pelo mapa.

A II é a única exceção (ou, pelo menos, a única exceção parcial).

Isso se dá porque ela é, no movimento secundário (o movimento correto, o humilde, que vai na ordem dos signos e desce antes de subir), ela é a casa seguinte ao do ascendente. Então, enquanto as coisas estiverem em ordem – ou seja, enquanto a casa dois servir ao ascendente – ela é boa. Ou, pelo menos, não é necessariamente ruim.

A casa doze, por outro lado, que é adjacente no sentido contrário, é a casa seguinte no movimento primário, o incorreto, o movimento do orgulho, de subir sem descer primeiro. É provavelmente a casa mais maléfica do Céu, e significa justamente o pecado, que nasce do orgulho. O orgulho, pecado associado ao Sol (e o pecado, na visão cristã, que fez Lúcifer cair), é justamente se pôr no lugar do Sol da vida, de Deus.

É a casa dos recursos materiais da casa I, é o que a sustenta.

Ela significa as finanças do nativo ou do querente, seus bens móveis e inanimados (definição de móvel: que o querente consegue mudar de lugar; definição de inanimado: não vivo), os recursos do estado, as testemunhas e o advogado (no tribunal), o ajudante no duelo.

Como sustenta a casa I, é a casa do pescoço, que sustenta a cabeça. Significa, além do pescoço, a garganta e o início da garganta, a boca, mesmo que anatomicamente ela fique na cabeça (que é significada pela casa I). É não só por onde a comida e a bebida entram, mas elas mesmas quando ingeridas – é a casa da matéria, não só a que enche os bolsos, mas a que enche os estômagos.

NOTA: Há uma correspondência óbvia entre os signos e as casas, quando dividimos o corpo humano. Isso NÃO deve ser extrapolado para os demais significados. Essa correspondência se dá pelo seguinte: primeiro, dividimos uma coisa (o corpo humano) por doze (signos). Depois, vamos dividir a mesma coisa por doze (casas) de novo. Os pedaços, a menos que façamos uma divisão bem esquisita, vão ser mais ou menos iguais. O leitor vai perceber que há muitas diferenças entre as significações das casas e dos signos em geral.

Os bens móveis incluem todas as formas de dinheiro ou valor pecuniário (ações, ouro, jóias, dinheiro em papel, cheques). Carros, motos, barcos, aviões (quando não são o “navio em que navegamos”) pertencem a esta casa (e não à casa III).

O co-significador da casa é Júpiter, que é o planeta da riqueza, da abundância, que aqui tem um sentido material.

Como significa nossas posses, tem um óbvio sentido positivo – e apresenta um óbvio problema. Ela é somente o segundo passo, não o final da viagem. Alguns textos antigos davam também a essa casa uma significação negativa, e é daí que ela vem, da tentação que ela representa.

Na casa, ela significa a cozinha (local da comida), a despensa. Por derivação, “o quarto seguinte”, a depender do contexto.


CASA III

A próxima casa é uma casa cadente. Ela “cai” do ângulo do sul, a casa dos pais – ela significa nossos irmãos, tanto sensu stricto quanto sensu lato: nossos primos e nossos parentes da mesma geração.

Também significa nossos vizinhos, os que estão “perto do nosso terreno” (a casa IV) e que acabam sendo, pelo menos no tipo de cidade e de vizinhança que existiam no mundo em que a astrologia foi codificada, nossa “família prática”, ou família estendida. Numa emergência (ou mesmo quando o açúcar acaba), a gente recorre ao vizinho, não ao nosso primo que mora na Rússia.

Além disso, os vizinhos e os familiares têm outra particularidade interessante: são as pessoas com que topamos ao longo da jornada diária da vida, mas que não escolhemos. Os colegas de escola, por terem as mesmas características (iguais hierarquicamente, convívio frequente, não escolhemos) também podem ser significados por essa casa (ou pela casa das “pessoas em geral”, que vamos ver mais tarde).

Continuando a divisão do corpo, ele rege as mãos (incluindo os dedos), os braços e os ombros.

Um significado conexo ao das mãos é o da comunicação. Embora a língua e a cabeça estejam na primeira casa, é na terceira que analisamos a comunicação do nativo, os modos mais básicos de se relacionar com o mundo (e os meios de comunicação existentes – telefonemas, cartas, e-mails, etc).

As habilidades intelectuais mais básicas (ler, escrever, falar) também são relacionadas a essa casa, bem como o ensino básico, a escola primária.

A capacidade de dirigir (e em alguns casos pilotar e navegar) não é básica, mas está relacionada à lida diária, à – em mais de um sentido – condução do dia a dia, e portanto também é significada por esta casa.

A casa III também significa as viagens curtas. A divisão entre “curtas” e “longas” não tem a ver com a distância, mas com o propósito. Para quem nunca saiu da cidade natal, uma ida até a praia é uma “viagem longa”. Para um executivo internacional, a conexão diária São Paulo – Nova Iorque é uma viagem curta. Se trata dos deslocamentos diários básicos, dos movimentos simples do dia a dia.

Os caminhos em si, além dos deslocamentos diários, são significados aqui.

Esta é a casa da lida diária.

Por extensão, o atracadouro ou pier, o local de carga e descarga, de entrada e saída de passageiros (não a garagem), o heliporto. Corredores, locais de correio ou conexão de alguma forma.

NOTA: Esta casa significa os vizinhos. No entanto, locais (incluindo quartos, apartamentos, terrenos, ou casas) adjacentes podem ser significados pela casa dois derivada (a “casa seguinte”). Esta é a casa dos vizinhos, não necessariamente a casa vizinha.

O co-significador da casa é Marte, a energia por trás das atividades diárias. É o motor que nos leva a esses deslocamentos cotidianos necessários. Em doenças de falta de energia, a primeira coisa que fica prejudicada é a capacidade de lidar com as tarefas básicas.

A Lua tem seu júbilo nesta casa. Essa casa sugere movimento, a Lua é o astro mais rápido do céu, o único que muda de forma. Além disso, ela significa a alma, estando muito feliz em oposição ao júbilo do Sol, na casa nove. Por último, a Lua é o planeta relacionado às tarefas do lar, àquela infinidade de pequenos atos que fazemos para manter a casa funcionando.

É uma casa cadente; indiferente, nem maléfica nem benéfica, sem muita força.


CASA IV – O fundo do céu

Chegamos no ângulo seguinte: o ângulo do norte.

A casa IV é o fundo do mapa, seu ponto mais baixo.

O seu significado mais básico são as raízes do nativo, ou do objeto.

Ela significa tesouros escondidos ou enterrados, terrenos, casas, prédios, fazendas (embora “minha casa”, literalmente, seja a casa I, porque o dono da casa I, seu regente, sou eu), em questões sobre compra ou venda de propriedade, sua qualidade; minas e cavernas. O porão ou os fundamentos. No tribunal, o veredicto, em campeonatos, o desafiante (por estar oposta à casa dez, o campeão); o inimigo do rei.

Ela tem um significado de “fim das coisas”, porque o fim das coisas é o pó da terra. Não significa a morte, no entanto.

Como significa as nossas raízes, significa nossos antepassados, nossos pais em geral e nosso pai em particular. Ela não significa a mãe (somente como membro de “antepassados” ou “pais”), nem “o mais importante dos responsáveis”, mas o pai. Também significa nossa terra natal, tanto o país quanto a cultura.

Numa casa, além da fundação e do porão, significa o salão informal (por ser oposta à dez, como veremos mais tarde); o quarto dos avós.

Embora seja o ângulo com menos força para agir (isso só é relevante se for necessário comparar os ângulos entre si), seu significado é bastante benéfico, se o contexto não indicar o contrário. Ele é o ponto mais baixo do mapa, é o fundo do céu. Qualquer movimento dali é ascendente, todos os caminhos são para cima.

O planeta co-significador da casa é o Sol, o planeta do Pai celeste e do pai terrestre.

Ela significa o peito e os pulmões.


CASA V

Mais uma casa sucedente. A Casa V é a casa da diversão.

Seu assunto mais comum é o esporte venéreo, o sexo. Um erro comum é atribuir os amantes a essa casa – isso só faria sentido se tivéssemos o mapa natal de Jocasta (como vamos ver pelo outro significado desta casa).

A Casa VII é a casa dos cônjuges, para a vida toda, mas também dos namorados, noivos, amantes, flertes fugazes, saídas de uma noite e programas de meia hora.

A astrologia considera, independentemente dos preconceitos dos astrólogos e dos clientes, que tanto a esposa quanto a prostituta são pessoas.

Então, pessoas são casa VII, o prazer que temos com elas são casa V.

Aí também investigamos a conseqüência lógica das atividades mencionadas, pois a casa V também é a casa dos filhos e da gravidez.

Ela nunca, de forma alguma, significa as mulheres grávidas.

A mulher grávida ainda é uma mulher (se for a querente/nativa, é casa I. Se for a companheira/etc do querente/nativo, é casa VII). O filho é representado pela casa V (embora um planeta na casa da mulher também possa significar o filho).

Os esportes de uma forma geral, não só os praticados na cama, são representados aqui, bem como os prazeres não sexuais. A casa V também significa os bares, as tavernas, as danceterias, os restaurantes, as lanchonetes, (locais de diversão), as academias (locais de esporte). Pode significar festas, piqueniques, mostras, uma ida ao cinema ou ao teatro, etc.

Um último significado importante é o dos embaixadores. Esse significado tem a ver com o planeta co-significador da casa, Vênus, com o fato que o embaixador sempre mostra a parte boa, alegre, do seu país e com a associação de Vênus na quinta casa com o Espírito Santo.

O carteiro não é significado pela casa V, mas pela III. O embaixador tem liberdade para agir, o carteiro, ou os mensageiros de forma geral, só podem entregar a mensagem.

Dentro das casas, ela significa o quarto das crianças ou o salão de jogos.

Ela significa o coração, o fígado, o estômago, as costas e as laterais do tronco. É (por causa do coração, mas principalmente, do fígado) uma das casas mais importantes em astrologia médica.

Como eu disse acima, o planeta co-significador da casa é Vênus, que também tem seu júbilo aqui. Vênus é o pequeno benéfico, o planeta das diversões sensíveis, das coisas doces e agradáveis. A sua associação com a pomba e o fato de que a casa V faz um trígono com a casa I sugerem também, como eu disse acima, uma associação entre Vênus nesta casa e o Espírito Santo.


CASA VI

Essa casa cadente e maléfica é fonte de muitos mal-entendidos.

É comum ouvirmos que ela é a casa da saúde. Completamente errado.

A casa da saúde, de forma geral, é a casa I, a casa do corpo, da pessoa.

A casa VI é a casa das doenças. Dos problemas deste mundo mau, que nos afligem sem que tenhamos culpa. Em astrologia médica, as coisas são mais complicadas que isso (o mapa inteiro é a pessoa e suas doenças), mas o regente e a casa VI têm esse significado no mapa natal e em horárias não médicas – por exemplo, se eu pergunto se vou chegar a tempo para um encontro e o planeta que impede a chegada é o regente da casa VI “não, porque você vai ficar doente”.

Os infortúnios com que o mundo nos brinda não se encerram nas doenças.

Acidentes também são assuntos desta casa.

Essa casa não tem só significados ruins.

Enquanto a casa II é a casa dos bens móveis e inanimados, a IV é a casa dos bens imóveis e inanimados, a casa VI é a casa dos bens móveis e animados: os servos e os animais pequenos.

Numa sociedade escravagista, os escravos estariam localizados aqui, também. Os “servos”, aqui, são tanto os empregados domésticos como quaisquer empregados contratados para prestar serviço (encanadores, eletricistas, pedreiros, carpinteiros, mecânicos, etc) e os subordinados / encarregados nas empresas – são as pessoas que, em tese, ao menos, devem obediência ao nativo / querente.

Outro mal-entendido nesta casa é que ela significaria o trabalho da pessoa, o que não faz sentido nenhum.

O argumento básico dessa alegação é que o serviço, antigamente, era mais parecido com a escravidão.

O problema é que essa casa não é a casa da escravidão, mas dos escravos – não são as coisas que oprimem de cima, mas que incomodam de baixo (suas doenças, seus animais de estimação que adoecem, fazem cocô na sala e pedem atenção constante, o pedreiro que não quer trabalhar mas quer dinheiro, o assistente que quer seu cargo, etc).

Além disso, a astrologia natal era coisa de reis e aristocratas. Os nativos estavam, por assim dizer, no topo da cadeia alimentar, não eram servos nem estavam oprimidos por atividades degradantes de forma nenhuma.

Enfim, em mapas mundanos, eles mostram, além dos servos do palácio, os habitantes dos campos e os fazendeiros.

Os animais significados por esta casa são descritos como “do tamanho de um bode ou menores” por alguns autores, ou “que podem ser domados” por outros.

O importante é a última definição, embora a primeira seja bastante prática. Um cachorro é seu animal de estimação num sentido em que um boi, por mais manso que seja, não é. É bom lembrar que essa divisão é específica.

Um pônei não pertence a esta casa (mas à casa XII), um dogue alemão sim.

Em astrologia médica ela significa os intestinos, as entranhas e a barriga. Dentro da casa, o quarto de empregadas, a área de serviço, o canil.

Por último, mais uma confusão. Os locatários são mencionados em alguns textos antigos como pertencentes a esta casa. Não são mais. Não foi a astrologia que mudou, mas sim a situação do aluguel. Hoje em dia, é o contrato entre duas pessoas livres, sem que uma seja subordinada à outra (casa I – casa VII).
Antigamente, o locatário vivia nas terras do senhorio, que lhe era superior e a quem ele devia obrigações e serviço.

O co-significador dessa casa é Mercúrio, que portava o caduceu e já foi identificado com Asclépio, tendo significação óbvia em assuntos de doenças.
Além disso, ele é o regente natural dos servos – e (tanto como Hermes quanto como Loki, dois deuses de características mercuriais) o causador de problemas e infortúnios.

Marte tem seu júbilo nesta casa. O pequeno maléfico está bastante feliz, causando problemas, ferindo pessoas, mas também usando a espada para consertar o mal do mundo. Por outro lado, Marte é o regente natural de cirurgias.


CASA VII – o descedente

Chegamos ao ângulo do oeste, a terceira casa cardinal.

É a primeira casa que vamos investigar que é oposta a outra que já falamos.

Por ser oposta à casa um, “eu”, ela é a casa do “outro”. Assim, ela é a casa mais cheia do céu.

Ela significa os cônjuges, os namorados, os amantes, os noivos, os pretendentes – mesmo se a pessoa for apenas um candidato ao papel, ou uma possibilidade (em perguntas horárias do tipo “Fulano me ama?”, Fulano é casa VII, por exemplo).

Significa também os parceiros, não só no sentido amoroso – os parceiros comerciais, os sócios, os co-celebrantes de algum contrato. Os parceiros comerciais nem sempre têm o nosso interesse em mente, como os bancos, também significados por esta casa, deixam claro.

Como é a casa que faz oposição à casa I, significa as pessoas que se opõem ao seu regente, seus inimigos declarados. É importante a gente lembrar que é a natureza do ataque do inimigo que o classifica em declarado ou oculto. Um ladrão, mesmo que você não saiba quem é, pertence à casa VII, o roubo é um ato bastante claro de inimizade. O feitiço (ou, falando de forma moderna, a “dominação psíquica”) é assunto da casa XII, dos inimigos ocultos, mesmo que seja feita pelo famoso Dr. Fulano Maluco. É sempre bom lembrar que, nos vilarejos medievais, todo mundo sabia quem era a bruxa, mas a bruxaria continuava sendo assunto da casa XII.

Os candidatos à mesma vaga que a pessoa significada, os adversários no tribunal, os oponentes numa luta ou numa disputa esportiva, no xadrez ou no pôquer, o dono da casa de apostas (seu adversário na aposta), o time rival (“eles”, em “nós ou eles”).

Em mapas de eventos esportivos, ela significa os azarões.

Em mapas mundanos, os inimigos da cidade ou país.

A casa sete também significa qualquer pessoa que não seja melhor descrita por outra casa (ou seja, não seja irmão, pai, filho, servo, professor, chefe, amigo ou inimigo oculto da pessoa significada pela casa um, por exemplo).

Como significa pessoas em geral, significa também o respeitável público: os clientes, existentes ou em potencial.

Profissionais em ação, como um médico em uma situação médica determinada, ou um astrólogo em uma investigação astrológica, pertencem a esta casa porque, neste caso, são os “parceiros” da pessoa – são quem está ajudando a pessoa a tratar desse problema concreto. Astrólogos, médicos, advogados, por si mesmos, são assunto de outra casa, a IX.

O veterinário também é nosso parceiro no tratamento do nosso bichinho de estimação e é significado por esta casa. Ele não é o parceiro do bichinho, não é o bichinho que resolveu se tratar.

Os colegas de trabalho são normalmente significados por esta casa (“pessoas comuns” ou, dependendo do trabalho, “adversários declarados”), bem como os colegas de universidade, enquanto os colegas de escola, por não termos escolha nenhuma sobre eles, podem ser significados pela casa três.

Em astrologia médica, a casa VII significa o sistema reprodutor e o sistema urinário, bem como a parte inferior das costas.

Na casa, ela significa o quarto do cônjuge, se este for diferente da da pessoa que pergunta, ou as suas dependências, ou a parte oposta à porta de entrada. Dentro de um quarto, o local oposto à porta.

A co-significadora desta casa é a Lua. Ela é a significadora natural das pessoas comuns, do povo, e das esposas e mães. Além disso, o Sol nasce no ascendente; a Lua enche ao se opor ao Sol.


CASA VIII

Casa sucedente.

Outra casa que dá margens a alguns desentendimentos.

Esta é a casa da morte. Morte física, fim da vida, corpo sendo enterrado, alma indo para onde deve ir, ou – segundo a fé do leitor – lugar nenhum.

Não é “experiência transformadora”, “liberação”, “evolução espiritual”, ou “ascensão”. Qualquer que seja a crença do astrólogo sobre o que acontece após a morte, não pode modificar a existência dela.

A morte é parte inescapável e importante da vida, não faz sentido ela sumir do mapa.

Essa casa não está ligada, de forma nenhuma, de jeito nenhum, em nenhuma circunstância, com o sexo. É engraçado que seja eu, católico, que tenha que explicar isso, mas sexo é fundamentalmente bom, normalmente bastante agradável e o comum é que pessoas não morram no final.

A associação com a morte faz com que essa casa também esteja ligada com heranças, com dinheiro de mortos de forma geral. No entanto, quando vamos investigar a herança de uma pessoa determinada, temos que olhar a casa das posses da pessoa, viva ou não, não a casa oito.

Sendo uma das piores casas do céu, a oitava significa também medo e angústia – os planetas não estão (a menos que o contexto sugira outra coisa) felizes ali. É uma casa sucedente – ou seja, não está caindo de ângulo nenhum - mas bastante ruim, quase tanto quanto a XII e tão ruim ou pior que a VI, que são cadentes.

Um significado derivado importante desta casa, não necessariamente ruim, é o dinheiro. Sendo a casa dois a partir da sete, ela é o dinheiro, ou as posses móveis, dos outros, do cônjuge, do parceiro comercial, do inimigo declarado, dos clientes.

Sendo a casa oposta à dois, é a casa por onde a comida sai – ela representa, em astrologia médica, o sistema excretor e o ânus.

Nas casas, os banheiros e os toaletes, por onde a comida sai e onde a sujeira é removida.

Seguindo a ordem caldaica dos planetas, temos Saturno de novo como co-significador.

Saturno é, na mitologia greco-romana, o deus das portas; ele está ligado aos limites, às fronteiras, ao fim. Ele rege a porta de entrada na vida, a casa um, e sua porta de saída.


CASA IX 

Casa cadente.

Vimos a casa III, a das viagens curtas e da comunicação básica.

Esta é a casa oposta a ela; a casa das viagens longas e do ensino superior, dois aspectos da mesma viagem que interessa – a viagem na direção de Deus.

O sentido primário da casa é a viagem final, a peregrinação maior, o que acontece depois da morte.

É a casa da religião, dos templos (casas de religião), das viagens longas (releia o que disse sobre viagens “longas” e “curtas” quando expliquei a casa três). Um feriado na cidade do lado é casa IX, a reunião semanal no outro lado do mundo é casa III), do estudo superior (qualquer coisa além do ensino mais básico – ler, escrever, as quatro operações fundamentais), universidades (casas de estudo superior) e, por extensão, das pessoas instruídas – médicos, professores, escritores, astrólogos, médicos, advogados.

Não podemos confundir as situações. O advogado é casa nove em si, como por exemplo na pergunta horária “esse advogado é bom?”. Como seu parceiro numa situação concreta, é casa VII. No tribunal, é seu segundo, seu preposto, é casa II. O mesmo vale para os outros. Numa situação concreta, num tratamento de uma doença, o médico é casa VII. Numa pergunta “o médico vem aqui amanhã?”, ele é casa IX.

A casa IX pode ser considerada como o assunto de que a casa III fala; ou a casa III é a expressão terrena, mundana, da casa IX.

Ela também significa sonhos (no sentido literal, aquilo que acontece quando dormimos).

Seguindo a ordem dos planetas, a casa é co-significada por Júpiter, o planeta dos religiosos. Ele também é o júbilo do Sol, o planeta de Deus – e a imagem do Sol na nove sendo refletido pela Lua na três explica muito da dinâmica dessas casas, do Espírito sendo refletido na alma, que é o motor da comunicação.

Dentro da casa, o estúdio, a biblioteca (locais de estudo), a capela, o oratório, a sala de meditação (locais de religião).

Em astrologia médica, ela significa as ancas e os quadris, até as coxas.

É uma casa benéfica, mas, por ser cadente, os planetas nela não têm muita força para agir – ao menos, em comparação com os ângulos.


CASA X – o meio do céu

Na ordem das casas, a última cardinal. O ângulo do sul, o topo do mundo, a parte mais alta do céu; o Medium Coeli.

As significações mais claras são devidas a esta posição no mapa.

Ela significa reis, juízes, patrões, senhores, pessoas em posição de autoridade, quem tem poder sobre o querente/nativo, em questões de compra/venda de terrenos, o preço deles; em questões de campeonato, o campeão.

O significado é sempre de quem está no trono, seja o trono do juiz, do rei, do chefe de repartição ou do preso mais forte dentro da cela.

Em questões médicas, é o tratamento da doença.

É a casa oposta à quatro e, portanto, significa a mãe.

Sendo o ponto mais alto do mapa, também significa magistério, profissão, honra pública – o agir no mundo, o pequeno pedaço da realidade no qual nós somos o rei. O casamento antigamente era algo relacionado à casa X (ascender socialmente, ser casado era mais nobre que ser solteiro), antes de virar assunto de casa VII.

É uma das casas que concede maior oportunidade de ação para os planetas, é uma casa bastante benéfica, mas ela também tem um ponto bastante negativo associado.

Ela é o ponto mais alto do mapa. De lá, só há uma saída, para baixo. Então, ela (principalmente sua cúspide) carrega esse significado de “fim da subida”.
Em astrologia médica, significa os joelhos.

Dentro da casa, o escritório, o salão formal, o sótão.

O seu co-significador é Marte, novamente, a energia necessária. Se na casa III é a energia para as atividades básicas, na X é para desempenhar nosso papel no mundo, defender nosso pequeno império.


CASA XI

Casa sucedente.

Se a casa V é a dos prazeres, das coisas agradáveis que vem do mesmo nível que nós (e, às vezes, de baixo), a casa XI é o bem que vem do alto. É a casa dos amigos, das bênçãos do alto, dos desejos e esperanças.

Amigo, aqui, não é contato de Facebook, parceiro ocasional de boteco, ou colega de faculdade.

Amigos são os canais pelos quais as bênçãos do céu caem sobre nós; é por isso que a literatura, religiosa ou não, é unânime em dizer que são poucos, raros e preciosos. É quem nos empresta dinheiro quando estamos mal, quem se arrisca por nós e quem pega em armas para nos defender, não quem divide uma cerveja gelada, ou dá “curtir” numa foto bonita.

Ou seja, é quem se dispõe a perder algo por nós, e por quem nós nos dispomos a perder algo, de forma livre. Não estamos ligados a eles nem por parentesco, nem contrato.

Enquanto os sonhos (aquilo que vem até nós quando dormimos) são assunto da casa IX, as esperanças, os desejos, os sonhos no sentido de “Eu tenho um sonho” do Martin Luther King, são daqui.

Esta é a casa a ser investigada em caso de loteria (“dinheiro do céu”).

Seu significado derivado mais importante é ser a casa dois da dez. Ela significa, desta forma, o salário (“dinheiro do patrão”, ou “dinheiro do emprego”) e vistos e autorizações (“presentes do rei”).

Ela significa, também, a nora, esposa do filho.

Em astrologia médica, ela significa as canelas (a parte da perna entre os joelhos e os pés).

Ela é co-significada pelo Sol e é o júbilo de Júpiter, fazendo um paralelo bastante interessante com a casa IX. Lá é a verdade do alto (casa X), o movimento ascendente na direção de Deus; aqui, são as bênçãos, a graça, o que cai do céu na nossa direção.


CASA XII

A última casa cadente.

Aqui chegamos no fim das casas – e no seu membro mais infame. Morin reserva os piores termos da sua descrição para ela, que era chamada de Malum Daemon.

Pode ser um consolo, ou uma fonte de mais temores, o fato de que esta casa seja considerada pior do que a casa da morte.

O fato é que ela reúne algumas das piores significações, e é considerada a casa mais restritiva do céu – planetas nela têm menos força para agir do que em qualquer outra casa.

Isso deriva de ela ser a casa cadente do ascendente. Além de estar caindo da casa mais importante do céu e de não fazer nenhum aspecto com ela, a XII representa a tentação do orgulho – a tentação de subir, em vez de fazer o movimento correto, menos difícil e menos brilhante, de descida.

Os antigos pais da Igreja diziam que o orgulho é a raiz dos vícios; e os vícios,
o pecado, o autossabotamento, os males que provocamos a nós mesmos, são significados por esta casa.

Enquanto a casa VI é a casa dos males do mundo, pelos quais não temos culpa,
o culpado pelos males da XII é o nosso maior inimigo oculto, “eu”.

Por extensão, ela é a casa dos outros inimigos ocultos, daqueles que atacam sem que a pessoa consiga ver – as bruxas, os ataques psíquicos, o domínio mental, e formas mais corriqueiras e menos fantásticas de ataques, como a difamação, a fofoca, a carta anônima ao chefe, o telefonema sem identificação à mulher.

Por isso, é a casa dos inimigos ocultos – ela não faz aspecto com o ascendente. A casa VII é oposta à I, o ascendente a vê muito bem, enquanto a XII está grudada ao lado, fora do campo de visão.

Ela é a casa das prisões, dos confinamentos, das restrições da vida, por espelhar aquela prisão primeira que o auto-sabotamento nos encarcera, a prisão do pecado e do vício.

Os dois significados não são excludentes de forma alguma; grande parte dos habitantes das prisões está lá por ter se entregue às próprias tentações, enquanto mais de um deles aprendeu alguns vícios novos na sua estadia forçada.

Ela não significa hospitais, que não são locais de confinamento, mas de tratamento (casa VI).

Sendo oposta à casa VI, também significa os animais maiores que um bode, ou animais que não podem ser domados. Um cavalo nunca obedece ao seu dono com tanta devoção quanto um cachorro, nem é tão íntimo. Especialmente, principalmente, um animal de casa XII é sempre perigoso. Ser chifrado, pisoteado, arrastado, etc, são sempre riscos, mesmo para os animais “domésticos”.

Os grandes animais (cavalos, bois, camelos, elefantes) ecoam o princípio por trás da casa XII e de seus males: os desejos. São como o mar, que nunca é completamente pacificado, nem sem riscos.

Vênus é a co-significadora desta casa. Se na casa V tínhamos a parte mais agradável de Vênus, aqui temos as conseqüências desagradáveis de a tornar mestra das nossas ações. Aqui é o lugar das diversões auto-destrutivas.

O júbilo de Saturno é na XII.

Primeiro, junto com o júbilo de Marte, ela faz um corte (diabólico, no sentido mais profundo da palavra, de “diabolos”, o que separa) no mapa, quadrando o eixo III-IX (do júbilo da Lua e do Sol). São as duas fontes de infortúnio (o mal externo e o mal interno) cortando nossa comunicação com Deus. A que nos afasta do caminho dele pelo desespero (VI) e a que nos afasta pelo descontrole (XII).

Além disso, Saturno é o planeta das privações, da limitação – portanto, das prisões e dessa grande prisão para a alma, que é o pecado. Por outro lado, as qualidades saturninas são as necessárias para escapar dos vícios.

Em astrologia médica, a XII rege os pés, o fim das casas rege o fim do corpo.
Na casa, ela significa o estábulo e, por extensão, a garagem. O quarto em que guardamos as tranqueiras.

Os problemas mentais – vistos, ao mesmo tempo como problemas ocultos (doenças que não se vê nem se percebe fisicamente) e como autossabotamento (problemas causados pela própria mente) – são significados por esta casa. É daqui que vem a conexão da casa doze e da psicologia, são os males desta casa que psicólogo trata.

É importante ter bastante segurança ao identificar um determinado assunto em uma das doze casas; este é um dos maiores motivos de erro na astrologia. Se olharmos a casa errada, estamos procurando uma coisa no lugar em que ela não está; qualquer acerto seria fortuito.



Marcos Monteiro, Introdução à Astrologia Ocidental, Edição do Autor, 2013.

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