sábado, 21 de maio de 2016

Revolução Solar: O SIGNIFICADO DA ORIENTAÇÃO DO MEIO-DO-CÉU ANUAL, por Alexandre Volguini

A desigualdade das Casas do horóscopo é um dos principais fatores que dão a um tema astrológico toda a sua individualidade, sendo lamentável que a maioria dos astrólogos se contentem em marcar essas Casas de maneira aproximada, com a diferença de alguns graus. A desigualdade das Casas é a chave mestra da interpretação das Revoluções Solares, já que uma Casa anual pode englobar duas e até mesmo três (sob certas latitudes) Casas natais e vice-versa, e já que cada uma dessas sobreposições tem uma significação específica.

No capítulo anterior, examinamos os índices fornecidos pela orientação do Ascendente anual em relação ao tema natal. Mas a presença do Ascendente anual na X Casa natal, por exemplo, não significa que a II anual se colocará sempre na XI natal: ela pode cair na X ou na XII e, em cada caso, sua significação será diferente.

Convém refutar aqui as afirmações de certos manuais astrológicos que afirmam que, todos os anos, o Meio-do-Céu avança 90°, com 5 ou 6o de aproximação. A diferença entre o Meio-do-Céu de duas Revoluções Solares sucessivas para uma pessoa que permanece no mesmo lugar pode ser, em alguns casos, de 72°, fato que contradiz aquela afirmação. Por último, para uma pessoa que se desloca para muito longe (como, por exemplo, da Europa para a América, ocorrência comum em nossos dias), o Meio-do-Céu pode "recuar" e não "avançar", em relação à Revolução Solar do ano precedente.

Como a importância do Meio-do-Céu está muito próxima da do Ascendente (a tal ponto que a história da astrologia nos mostra vários, astrólogos da Antiguidade hesitando, sem saber qual desses dois ângulos preferir), convém estudar a sobreposição do Meio-do-Céu imediatamente depois da sobreposição do Ascendente. Estes dois ângulos dão, por assim dizer, "o tom" do ano. Sua orientação pode ser comparada ao "bombo" de uma orquestra, que, com o seu som, cobre o de todos os demais instrumentos. As indicações fornecidas pela presença do Meio-do-Céu nas doze Casas natais podem ser resumidas da seguinte maneira:

O Meio-do-Céu situado na I Casa natal aponta geralmente uma indicação muito boa, que permite ao sujeito agir por si mesmo, à vontade, sobre o destino, bem como orientá-lo no sentido desejado. Tal sobreposição pressagia sempre uma ação pessoal que, de uma maneira ou de outra, será útil no futuro; com ela, as oportunidades são grandes. Essa posição é frequentemente encontrada nos anos em que o sujeito decide a sua carreira ou começa um empreendimento que orienta a sua existência para uma nova direção. Observemos que a diferença entre essa sobreposição e a do Ascendente anual na X Casa natal consiste no seguinte: no segundo caso, o sujeito deverá agir pessoalmente, buscar os meios e as ocasiões, gerar as circunstâncias, ao passo que, se o Meio-do-Céu se encontra na I Casa natal, a sorte o favorecerá mais, ele encontrará ajuda, fundos, proteções etc; em uma palavra, as coisas virão a ele de uma maneira ou de outra. Em suma, trata-se geralmente de um ótimo índice, melhor que o do Ascendente anual na X Casa natal.

É bom lembrar que a Revolução Solar de H. P. Blavatsky correspondente à fundação da Sociedade Teosófica tem esta orientação do Meio-do-Céu.

O Meio-do-Céu anual na II Casa natal prenuncia um ano bem ou mal retribuído, seguindo as boas ou más disposições dessas duas Casas. É o índice de que as finanças desempenham um papel muito importante e devem ser analisadas de modo atento, ainda que a II Casa não contenha nenhum planeta.

O Meio-do-Céu anual na III Casa natal prenuncia uma posição que exige muitos deslocamentos ou que está ligada aos escritos. Se a Revolução Solar é benéfica, essa sobreposição pode conduzir à melhoria da posição social como consequência de uma pequena viagem de negócios ou do recebimento, através de carta, de uma proposta importante. Nos temas femininos e nos temas das pessoas sem profissão, essa orientação marca geralmente a situação de dependência em relação ao meio ambiente.

O Meio-do-Céu na IV Casa natal implica sempre as questões relativas às terras, aos pais ou ainda ao lar. Com frequência, trata-se do índice da concretização de um empreendimento de longa duração. Como a IV é a Casa do final das coisas, essa orientação marca muitas vezes o ano da aposentadoria. Afligida, essa orientação ameaça com a perda da situação, sobretudo se os dois Meio-do-Céu, natal e anual, se encontram em oposição (a 8 ou 9o de aproximação).

O Meio-do-Céu na V Casa natal é geralmente um bom presságio, que pode significar uma posição relacionada com as artes ou com os esportes, um êxito por parte das, ou para as, crianças, ou ainda noivados úteis para a situação (sobretudo nos temas femininos). Da mesma forma, entre as mulheres, essa posição marca frequentemente o ano em que a atividade incessante e principal é dedicada à criança. Algumas vezes, é indício de uma vida muito mundana. Nos temas dos estudantes, essa orientação relaciona-se com os exames. Mas, se a Revolução Solar está afligida, existe o perigo da destruição de todas as esperanças do nativo (por causa da oposição do Meio-do-Céu à XI Casa natal).

O Meio-do-Céu na VI Casa natal é um indício de posição subordinada aos outros ou dependente dos outros. Se a Revolução Solar pressagia uma doença, trata-se de indício da repercussão da má saúde sobre a posição do sujeito. Se essa orientação é reforçada pela presença de Saturno no Meio-do-Céu, mostra o sujeito mais ou menos escravo de seus negócios, já que estes últimos restringem seu livre-arbítrio e sua liberdade de ação, opondo-se à realização da maioria de seus desejos.

O Meio-do-Céu na VII Casa natal, bem-disposta, esta sobreposição pode significar uma mudança de situação através do casamento, de uma associação ou de um contrato de negócios. Maldisposta, pode provocar as mudanças advindas de divórcio, de uma ruptura de associação ou ainda de um processo. Nos temas femininos, marca frequentemente a dependência da mulher diante das mudanças que se produzirão nos negócios do marido.

O Meio-do-Céu na VIII Casa natal, bem-disposta, esta sobreposição permite anunciar uma entrada de dinheiro, algumas vezes uma herança ou um ajuste de contas favorável. Maldisposta, leva a temer um falecimento que terá repercussão sobre os negócios, ou aborrecimentos em função de dívidas ou de obrigações financeiras. A questão "das dívidas" desempenha quase sempre um papel bastante importante no decorrer do ano marcado por essa sobreposição.

O Meio-do-Céu na IX Casa natal indica que a posição do sujeito exigirá uma viagem ou que ele influenciará a sua situação. Algumas vezes, essa configuração prenuncia a importância dos negócios do nativo referentes ao estrangeiro ou um êxito proveniente do exterior. Encontrei essa posição do Meio-do-Céu no momento da nomeação de uma pessoa como cônsul, nos temas de escritores no momento da tradução de suas obras para línguas estrangeiras, assim como nos numerosos detidos, em 1940-1944, pelas autoridades de ocupação (neste último caso, essa posição do Meio-do-Céu era geralmente "reforçada" pela presença do Ascendente na XII Casa natal e por fortes dissonâncias planetárias).

Se o Meio-do-Céu da Revolução Solar coincide com a sua posição natal, trata-se, em geral, de uma boa indicação no que diz respeito a profissão, ocupação, fama ou fortuna. Como dissemos acima, a conjunção dos ângulos marca um ano mais ou menos importante.

O Meio-do-Céu na XI Casa natal indica uma situação dependente, pelo menos em parte, dos amigos e das relações. Em geral, trata-se de um indício muito bom da realização de seus projetos e aspirações no decorrer do ano. Algumas vezes, essa configuração leva a viver e a trabalhar mais no futuro que no presente, bem como a sacrificar o imediato por uma causa longínqua.

Por último, o Meio-do-Céu na XII Casa natal prenuncia geralmente um ano de grandes provações na, ou pela, situação social, o perigo de difamação, de escândalo ou de dificuldades para encontrar ou manter um emprego. Os maléficos ou os maus aspectos recebidos pela cúspide desta Casa agravam essas significações. Se o número das boas e das más configurações é quase igual, só é possível interpretar esta sobreposição como indício de que o sujeito está descontente com a sua sorte.

A Revolução Solar de Eduardo VIII que corresponde à sua abdicação tinha essa orientação do Meio-do-Céu.

Essa configuração só é favorável para médicos, enfermeiras e para todas as pessoas cuja profissão corresponda ao domínio da XII Casa e, mesmo assim, é indispensável ter um bom planeta no Meio-do-Céu ou toda uma série de bons aspectos.

Observemos, para concluir, que é necessário atribuir ao Ascendente e ao Meio-do-Céu da Revolução Solar uma órbita de 5o, de maneira que, caso um desses ângulos se situe no fim de uma Casa natal, devem ser tomadas, em geral, as significações das duas Casas. É o caso da Revolução Solar de H. P. Blavatsky do dia 11 de agosto de 1847, que se encontra acima. O Meio-do-Céu anual desse mapa situa-se a 5o da cúspide da IX Casa natal e, tanto quanto é possível julgar pelas biografias (que estão, .evidentemente, sujeitas a lacunas), a mudança de posição pela viagem deve ser colocada acima de todas as outras interpretações possíveis.

Essa Revolução Solar corresponde ao ano do casamento, que teve lugar no dia 7 de julho de 1848, e são abundantes as configurações características. Observemos que Júpiter, regente da VII Casa anual, se encontra em conjunção com o Ascendente natal, em trígono no Meio-do-Céu natal e com Saturno anual (que regia a Casa do matrimônio no tema natal), e em quadratura com Urano, regente do Meio-do-Céu dessa Revolução Solar. Esta última configuração corresponde à ruptura do casamento imediatamente após a cerimônia, já que H. P. Blavatsky só o concretizou com a finalidade de romper os laços de família. Essa ruptura é marcada não somente pelo trígono de Urano com o Sol na IV Casa, mas também pela oposição da Lua a Netuno; esta última configuração torna-se mais clara se se recorda que a Lua é regente do Ascendente de natividade e que Netuno ocupava, no momento do nascimento, a VII Casa, a do casamento. Na Revolução Solar, a Lua está situada na IV Casa, que é a parte do céu que denota o lar e a família, enquanto Netuno se coloca na X Casa - a da ação pessoal e da posição social.

Como o Ascendente anual se situa na XII Casa natal, tratava-se certamente de um "ano de provações" para H. P. Blavatsky e Netuno, no Meio-do-Céu — assim como o Ascendente em Gêmeos e a retrogradação de Mercúrio —, predispunha-a a muitas hesitações e dúvidas antes de tomar uma decisão tão grave para uma jovem de dezessete anos.

Ao interpretar as Revoluções Solares, é necessário atribuir também uma grande importância ao planeta que ocupa o Meio-do-Céu, pois esse planeta encarna frequentemente o acontecimento em curso. Ele deveria ser julgado principalmente de acordo com a Casa natal. Um astro no Ascendente pode indicar uma tendência psicológica e até mesmo uma veleidade, mas esse mesmo astro no Meio-do-Céu denota a plena ação e, portanto, o acontecimento. Assim, por exemplo, Urano estava na V Casa no momento do nascimento e se encontra culminante numa Revolução Solar - gravidez inesperada ou aborrecimentos advindos das crianças; Marte, da VII Casa natal, passa ao Meio-do-Céu anual — ruptura de uma associação; Vênus da VIII Casa natal em conjunção com a cúspide da X Casa anual - ganhos na loteria etc. É inútil dizer que todos esses significados são constatados muitas vezes, e não uma única, mas, evidentemente, em cada caso particular é preciso buscar as configurações que os reforçam e os   confirmam. Assim, num dos  temas que tinham Urano  culminante, citado por nós, Vênus anual, regente da V Casa natal, se sobrepunha, na Revolução Solar, ao Ascendente natal; em um outro, o regente da V Casa anual estava na I Casa da Revolução Solar, em conjunção com o regente da mesma Casa natal, e assim por diante.

Tal como na interpretação do tema natal, devemos sempre chegar a uma síntese de todos os fatores, mas o ponto de partida e a linha geral dessa síntese são fornecidos pela orientação dos ângulos anuais em relação às Casas natais.