quinta-feira, 13 de julho de 2017

A Classificação das Casas, por Helena Avelar e Luis Ribeiro

Até aqui foram apresentados ao leitor os elementos celestes da Astrologia: os planetas e os signos. As casas astrológicas, que serão estudadas neste capítulo, constituem a componente “terrestre” da Astrologia.

As casas surgem através da divisão do céu em doze partes. Esta divisão varia de acordo com o local para onde é feito o cálculo do mapa, o que faz das Casas o fator mais individual do horóscopo. Sem elas não existe mapa astrológico e apenas se podem fazer interpretações genéricas.

As Casas astrológicas têm como base dois referenciais: o horizonte e o meridiano.

O horizonte define que os astros estão visíveis (acima do horizonte) ou ocultos (abaixo do horizonte). No céu os pontos Este e Oeste do horizonte são fundamentais pois no primeiro os astros erguem-se nos céus (Este) e no segundo têm o seu ocaso (Oeste). Assim, o ponto Este define o Ascendente, pois neste ponto os astros levantam-se (ascendem) no céu. Em oposição, o ponto Oeste define o Descendente, onde os astros descem e se põem.


O horizonte: nascimento e ocaso

O meridiano representa o ponto onde os astros culminam, onde alcançam o ponto niais alto do céu na sua trajetória de nascente (ascendente) a poente (descendente). Neste meridiano há dois pontos: o Meio -do-Céu (MC), onde os astros têm a sua culminação acima do horizonte e o ponto oposto, o Fundo-do-Céu (FC), o ponto mais baixo. O Meio -do-céu e o Fundo-do-céu formam o eixo vertical de um horóscopo.

O meridiano: o Meio-do-Céu e o Fundo-do-Céu

Assim, os astros nascem sempre a Este, culminam no meridiano e descem até Oeste. Fazem idêntico percurso no hemisfério inferior, voltando a erguer-se no Ascendente cerca de 24 horas depois.

Este ciclo, em que todo o céu parece dar uma volta completa em 24 horas, é uma consequência natural do movimento de rotação da Terra. Por ser tão evidente, é denominado movimento primário.

O movimento primário

Os hemisférios

O Ascendente e o Descendente formam o eixo horizontal de um horóscopo e dividem a esfera celeste em dois hemisférios. A parte que fica acima do horizonte tem a designação de hemisfério superior a que fica abaixo do horizonte designa-se hemisfério inferior.

Hemisférios superior e inferior

Regra geral, os astros localizados acima do horizonte referem-se a coisas públicas, visíveis, expressas num ambiente social, enquanto os situados abaixo do horizonte representam coisas de teor mais privado e menos visível.

O céu também pode ser dividido em dois hemisférios pelo eixo formado pelo MC e FC. Neste caso, obtemos o hemisfério oriental ou Ascendente, localizado a Este, do lado do Ascendente, e o hemisfério ocidental ou Descendente, localizado a Oeste, do lado do Descendente.

Hemisférios oriental e ocidental

Os quadrantes

A partir destes dois eixos o céu é dividido em quatro quadrantes. Os quadrantes são numerados seguindo o movimento primário (na direção dos ponteiros do relógio) e têm as seguintes características:

Primeiro quadrante: vai do Ascendente ao MC; é denominado Oriental ou Vernal; é masculino, Quente e Úmido e tem um temperamento Sanguíneo. Simboliza a infância.

Segundo quadrante: vai do MC ao Descendente; é denominado Meridional ou Estival; é feminino, Quente e Seco e tem um temperamento Colérico. Simboliza a juventude.

Terceiro quadrante: vai do Descendente ao FC; é denominado Ocidental ou Outonal; é masculino, Frio e Seco e tem um temperamento Melancólico. Simboliza a maturidade.

Quarto quadrante: vai do FC ao Ascendente; é denominado Setentrional ou Invernal; é feminino, Frio e Úmido e tem um temperamento Fleumático. Simboliza a velhice.

Os quatro quadrantes

Importante: Esta divisão é completamente diferente das divisões propostas pelas correntes astrológicas contemporâneas (pós-século XIX). A classificação tradicional, que apresentamos, tem por base o movimento diário dos planetas nas Casas, ao passo que a abordagem atual (que omitimos por já se encontrar largamente explicada em diversos manuais) tem como base a numeração das Casas.

As doze Casas

Cada quadrante é dividido em três áreas diferentes, indicando o princípio, meio e fim do ciclo de ascensão dos astros. Obtêm-se assim doze divisões, conhecidas como Casas astrológicas. Cada Casa representa uma área de vida específica, onde os signos e planetas atuam.

As doze Casas

As doze Casas são numeradas por ordem de ascensão, ou seja, no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio. Assim, logo abaixo do horizonte fica a Casa I, o primeiro lugar a ascender, a seguir a Casa II, o segundo lugar a ascender, e assim sucessivamente.

Esta numeração confunde os estudantes, que numa primeira fase tendem a concluir que o movimento dos planetas nas Casas deve seguir a numeração das mesmas (da I para a II, etc.). Embora pareça lógica, esta conclusão não corresponde à verdade no que diz respeito às Casas. No seu movimento diário, os planetas passam da Casa II para a Casa I, onde cruzam o Ascendente, seguindo depois para as Casas XII, XI, X, etc.

Existe, portanto, uma diferença entre o movimento dos planetas no Zodíaco (no sentido anti-horário) e o movimento nas Casas (no sentido horário).

Para compreender esta aparente inconsistência é necessário recordar que as Casas são “fatias do céu” traçadas a partir do horizonte e do meridiano local. Trata-se, portanto, de um referencial estático, que não se move em relação ao horizonte (a Casa I está sempre a Este, a X sempre no alto, etc.). O que se movimenta é o Zodíaco (juntamente com os planetas) seguindo o movimento primário de Este para Oeste e dando a volta às doze Casas em 24 horas.

Os movimentos primário e secundário

Cada Casa tem o seu começo num grau do Zodíaco, denominado cúspide. Num horóscopo, as cúspides mais notórias são o Ascendente (cúspide da Casa I), o MC (cúspide da Casa X), o Descendente (cúspide da Casa VII) e o FC (cúspide da Casa IV). As restantes cúspides, calculadas a partir destes pontos, são denominadas cúspides intermédias.

A cúspide é o ponto de maior expressão da Casa; a sua posição no Zodíaco determina as qualidades da Casa. Por exemplo, a cúspide da Casa XI em Carneiro determina para essa área de vida (amigos, aliados, etc.) as qualidades desse signo (dinâmica, impetuosidade, etc.).

Embora sejam divisões iguais do céu (30°), quando são projetadas no Zodíaco as Casas sofrem alguma distorção; desta forma, um mapa pode apresentar Casas com diferentes tamanhos. Esta diferença depende do local da Terra para onde o mapa é calculado, dos graus do Zodíaco que ascendem e culminam nesse momento, e do tipo de divisão matemática utilizada nesse cálculo.

Note-se que o tamanho da Casa não tem necessariamente implicações na sua importância; a sua relevância depende dos planetas nela posicionados.


A classificação das Casas

Angularidade

Tal como os planetas e os signos, as Casas astrológicas podem ser classificadas de várias formas. A classificação mais importante é a de angularidade, que as divide em três tipos: angulares, sucedentes e cadentes.

Denominam-se angulares as Casas I, X, VII e IV, cuja cúspide corresponde a um dos quatro ângulos principais (respectivamente o Ascendente, MC, Descendente e FC).

Planetas posicionados nestas casas têm uma expressão muito forte.

Casas angulares

As Casas sucedentes, assim denominadas porque sucedem as angulares, são a II (que segue a I), a XI (que segue a X), a VIII (que segue a VII) e a V (que segue a IV).

Planetas situados em casas sucedentes têm um nível de expressão mediano.

Casas sucedentes

As Casas cadentes são assim chamadas porque os planetas nela posicionados “caem” do ângulo; são elas a XII (que é cadente a partir do Ascendente), a IX (cadente da X), a VI (cadente da VII) e a III (cadente da IV).

Planetas localizados nestas Casas têm pouco poder de expressão.

Casas cadentes

A angularidade está diretamente relacionada com o movimento diário dos planetas. Assim o poder de expressão de um planeta vai aumentando à medida que se aproxima do ângulo; passado este ponto alto, o planeta “cai” do ângulo para uma Casa cadente e perde (esgota) a sua força; começa a recuperá-la gradualmente quando passa para a Casa sucedente contígua, voltando à sua expressão máxima na Casa angular seguinte.

Note-se que num mapa os planetas estão parados numa posição específica. Este conceito de movimento serve apenas para explicar o porquê das diversas classificações das Casas.

A força relativa das Casas

Para além destes níveis de força, mais genéricos, podemos ainda estabelecer o nível relativo de força das Casas entre si. As mais fortes são, evidentemente, as quatro angulares. Destas, a Casa I é a mais poderosa, seguindo-se a X, a VII e a IV Nas Casas sucedentes, a mais forte é a XI, seguida da V, da II e da VIII. Nas cadentes, a mais forte é a IX, seguida pela III, a VI e finalmente a XII.

Existem, contudo, excepções: embora as Casas cadentes sejam por regra mais fracas que as sucedentes, as Casas IX e III (apesar de cadentes) têm maior expressão que as Casas II e VIII (que são sucedentes). Esta situação excepcional prende-se com a relação entre as Casas e o Ascendente, que explicaremos mais adiante.

Assim a sequência de poder das Casas é a seguinte: I (a mais forte), X, VII, IV, XI, V, IX, III, II, VIII, VI, XII (a mais fraca).

Embora largamente aceite, esta sequência pode apresentar variações, em geral associadas a métodos de interpretação muito específicos.


Gênero

Outra forma de classificar as Casas diz respeito ao gênero: são consideradas masculinas as Casas de numeração ímpar (I, III, V, VII, IX e XI), e femininas as de numeração par (II, I\( VI, VIII, X, XII). Esta classificação é pouco relevante em termos práticos.




Helena Avelar e Luis Ribeiro, in Tratado das Esferas. Editora Pergaminho. Cascais, Portugal, 2007.

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