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domingo, 2 de abril de 2017

Os Trânsitos de Plutão, por Puiggros

Cada astro tem múltiplas facetas e as combinações entre planetas - por aspecto, progressão ou trânsito - são inumeráveis. Se a isso acrescentamos sua posição por signo e por casa, as variáveis são infinitas. Essa multiplicidade de possibilidades permite que cada indivíduo tenha um tema singularizado, ao mesmo tempo em que inviabiliza as fórmulas ou receitas muito gerais e concretas que, embora em si mesmas possam ser corretas, não podem ser aplicadas indiscriminadamente a todos os casos. A arte e a ciência do astrólogo são os elementos que, através de uma leitura da totalidade do mapa astral, têm condições de discernir as influências em jogo e suas possíveis manifestações.

Todos nós apreciamos as referências concretas, as verdades matemáticas; no entanto, seríamos muito ingênuos se pensássemos que trabalhar com elementos tão sutis quanto as forças planetárias constitui uma tarefa fácil. Ser um bom astrólogo ou um bom mago demanda muito trabalho, e qualquer pessoa deve munir-se de prudência antes de atrever-se a sugerir - para não dizer predizer - algo aos outros. Que o capítulo anterior sirva como introdução a este, que não opomos resistência a abandonar nossos velhos padrões de comportamento, que tanta segurança aparente nos proporcionam; no entanto, Plutão exige que passemos pelo processo de regeneração. Não é suficiente aproximar-se dele.

De modo geral, os trânsitos de Plutão estão relacionados com algum tipo de morte e de destruição do velho, do inútil, a fim de que possa florescer o novo; e, se uma pessoa tem medo da morte, é certo que sentirá medo dos trânsitos de Plutão.

Apegamo-nos ao velho, já que nossa educação e nossos preconceitos culturais nos fazem sentir verdadeiro terror diante do "caos", diante de situações ou sentimentos para os quais não dispomos de uma resposta preparada, diante de qualquer coisa que seja diferente do que já conhecemos e controlamos de modo relativo; por outro lado, também é certo que o homem está mais aberto e mais disposto para o novo quando desorientado, confuso e quando não consegue compreender, pelo menos em sua totalidade, o que está ocorrendo. Sempre nasce alguma coisa do caos, de nossa natureza "bárbara", comumente contraposta à nossa imagem civilizada e por esta reprimida. Essa é a ação de um trânsito de Plutão: despojar-nos de nossa carapaça civilizada para que, do mais profundo de nossa essência, seja desvelada a realidade que somos, qualquer que seja essa realidade. Trazer à luz - ou seja, tomar consciência do que somos - é o passo prévio do procedimento de reorientação, de regeneração e de renascimento. Trata-se da oportunidade oferecida por Plutão. Aproveitá-la ou menosprezá-la é uma opção que depende inteiramente de nós. Nesse trânsito, podemos alcançar a liberdade, inclusive em relação a nós mesmos; em outras palavras, podemos atingir uma liberdade total.

Devemos estar permanentemente atentos, pois a ação de Plutão, em sua maior parte, está oculta; não é por acaso que o mito o apresenta portando um manto que o torna invisível. As implicações desse trânsito para a totalidade de nosso ser e os prolongamentos no tempo - é bom lembrar a lentidão e a duração no tempo do efeito desse planeta -, assim como a profundidade e a sutileza de sua ação, tornam muito difícil o estabelecimento do significado correto de sua influência. Somente a perspectiva concedida pelo tempo nos auxiliará a descobrir um sentido nas mudanças que, sem dúvida alguma, são produzidas em nossas vidas por um trânsito de Plutão. Este último atua sempre em níveis profundos, em nossas regiões obscuras; assim, seu significado nunca é óbvio, e os fenômenos aparentes raramente permitem julgá-lo de forma adequada. Além disso, sua ação visa separar, libertar, o perdurável do transitório, seja a alma do corpo - através do processo da morte -, seja o eu real, individual, de todas as estruturas de comportamento que compõem a personalidade social. Trata-se sempre de um processo de tomada de consciência, seja qual for o nível em que venha a ocorrer. No entanto, o trânsito de Plutão sempre é dual, opera com dois elementos (a sombra 'e a luz, o velho e o novo, a morte e a vida), e é absolutamente drástico (ou branco ou preto) ; como esse trânsito representa o final de um processo, ou a pessoa se liberta ou não o faz; sendo o resultado totalmente irreversível.

A morte e a destruição, física ou psicológica, constituem o resultado da falta de adaptação a circunstâncias e exigências novas; contudo, se for considerada de um ponto de vista elevado, a morte é o confinamento da energia na forma, do espírito na matéria, é a semente sob a Terra, que, no momento certo, rompe a casca - aquilo que deixou de ser útil - e engendra uma nova vida. Plutão, a semente, desce até a nossa própria obscuridade para, na . ocasião adequada - após destruir nossas bases e defesas, nossas cascas -, florescer e encontrar a luz.

Entretanto, essas crises plutonianas não são transcendentes, a menos que Urano e Netuno tenham preparado previamente o caminho. É muito importante que a pessoa reconheça a inevitabilidade da mudança plutoniana - mudança que se encontra na própria estrutura das coisas e diante da qual não lia escapatória - e entenda que ela é necessária no atual estágio evolutivo pessoal.

Cada astro tem múltiplas facetas e as combinações entre planetas - por aspecto, progressão ou trânsito - são inumeráveis. Se a isso acrescentamos sua posição por signo e por casa, as variáveis são infinitas. Essa multiplicidade de possibilidades permite que cada indivíduo tenha um tema singularizado, ao mesmo tempo em que inviabiliza as fórmulas ou receitas muito gerais e concretas que, embora em si mesmas possam ser corretas, não podem ser aplicadas indiscriminadamente a todos os casos. A arte e a ciência do astrólogo são os elementos que, através de uma leitura da totalidade do mapa astral, têm condições de discernir as influências em jogo e suas possíveis manifestações.

Todos nós apreciamos as referências concretas, as verdades matemáticas; no entanto, seríamos muito ingênuos se pensássemos que trabalhar com elementos tão sutis quanto as forças planetárias constitui uma tarefa fácil. Ser um bom astrólogo ou um bom mago demanda muito trabalho, e qualquer pessoa deve munir-se de prudência antes de atrever-se a sugerir - para não dizer predizer - algo aos outros. Que o capítulo anterior sirva como introdução a este, que não opomos resistência a abandonar nossos velhos padrões de comportamento, que tanta segurança aparente nos proporcionam; no entanto, Plutão exige que passemos pelo processo de regeneração. Não é suficiente aproximar-se dele.

De modo geral, os trânsitos de Plutão estão relacionados com algum tipo de morte e de destruição do velho, do inútil, a fim de que possa florescer o novo; e, se uma pessoa tem medo da morte, é certo que sentirá medo dos trânsitos de Plutão.

Apegamo-nos ao velho, já que nossa educação e nossos preconceitos culturais nos fazem sentir verdadeiro terror diante do "caos", diante de situações ou sentimentos para os quais não dispomos de uma resposta preparada, diante de qualquer coisa que seja diferente do que já conhecemos e controlamos de modo relativo; por outro lado, também é certo que o homem está mais aberto e mais disposto para o novo quando desorientado, confuso e quando não consegue compreender, pelo menos em sua totalidade, o que está ocorrendo. Sempre nasce alguma coisa do caos, de nossa natureza "bárbara", comumente contraposta à nossa imagem civilizada e por esta reprimida. Essa é a ação de um trânsito de Plutão: despojar-nos de nossa carapaça civilizada para que, do mais profundo de nossa essência, seja desvelada a realidade que somos, qualquer que seja essa realidade. Trazer à luz - ou seja, tomar consciência do que somos - é o passo prévio do procedimento de reorientação, de regeneração e de renascimento. Trata-se da oportunidade oferecida por Plutão. Aproveitá-la ou menosprezá-la é uma opção que depende inteiramente de nós. Nesse trânsito, podemos alcançar a liberdade, inclusive em relação a nós mesmos; em outras palavras, podemos atingir uma liberdade total.

Devemos estar permanentemente atentos, pois a ação de Plutão, em sua maior parte, está oculta; não é por acaso que o mito o apresenta portando um manto que o torna invisível. As implicações desse trânsito para a totalidade de nosso ser e os prolongamentos no tempo - é bom lembrar a lentidão e a duração no tempo do efeito desse planeta -, assim como a profundidade e a sutileza de sua ação, tornam muito difícil o estabelecimento do significado correto de sua influência. Somente a perspectiva concedida pelo tempo nos auxiliará a descobrir um sentido nas mudanças que, sem dúvida alguma, são produzidas em nossas vidas por um trânsito de Plutão. Este último atua sempre em níveis profundos, em nossas regiões obscuras; assim, seu significado nunca é óbvio, e os fenômenos aparentes raramente permitem julgá-lo de forma adequada. Além disso, sua ação visa separar, libertar, o perdurável do transitório, seja a alma do corpo - através do processo da morte -, seja o eu real, individual, de todas as estruturas de comportamento que compõem a personalidade social. Trata-se sempre de um processo de tomada de consciência, seja qual for o nível em que venha a ocorrer. No entanto, o trânsito de Plutão sempre é dual, opera com dois elementos (a sombra 'e a luz, o velho e o novo, a morte e a vida), e é absolutamente drástico (ou branco ou preto) ; como esse trânsito representa o final de um processo, ou a pessoa se liberta ou não o faz; sendo o resultado totalmente irreversível.

A morte e a destruição, física ou psicológica, constituem o resultado da falta de adaptação a circunstâncias e exigências novas; contudo, se for considerada de um ponto de vista elevado, a morte é o confinamento da energia na forma, do espírito na matéria, é a semente sob a Terra, que, no momento certo, rompe a casca - aquilo que deixou de ser útil - e engendra uma nova vida. Plutão, a semente, desce até a nossa própria obscuridade para, na . ocasião adequada - após destruir nossas bases e defesas, nossas cascas -, florescer e encontrar a luz.

Entretanto, essas crises plutonianas não são transcendentes, a menos que Urano e Netuno tenham preparado previamente o caminho. É muito importante que a pessoa reconheça a inevitabilidade da mudança plutoniana - mudança que se encontra na própria estrutura das coisas e diante da qual não lia escapatória - e entenda que ela é necessária no atual estágio evolutivo pessoal.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Aspectos Plutão — Netuno, por Puiggros

Existe uma relação muito profunda entre esses dois planetas. Produzem-se neles circunstâncias e situações muito significativas, que não encontramos nos outros.

Essa situação única nas revoluções planetárias acontece todas as vezes em que Plutão se aproxima do signo de Escorpião; e, se levarmos em conta que Vênus, o planeta da relação, aquele que tudo une, está exaltado em Peixes, regido por Netuno e em exílio em Escorpião, poderemos começar a intuir algo da transcendência desse contato, dessa união, que se produz a cada período de aproximadamente 250 anos, quando as órbitas se encontram.

Peixes, o último signo do zodíaco, nos liga, numa nova volta da espiral, a Áries, o primeiro signo, a primeira energia, que necessita ainda ser caracterizada. Escorpião também é um signo de mudança, de morte e ressurreição, e vincula um nível ao outro. Vida e morte, princípio e fim estão sempre estreitamente unidos.

Netuno representa os ideais mais elevados, a inspiração mais sutil ou um estado de graça ao qual se pode aspirar, ao passo que Plutão significa o poder, toda a força acumulada ao longo do tempo e de alguma maneira concentrada como semente no mais profundo do inconsciente.

Para dar um grande salto, é necessário muito "impulso"; para atingir os ideais de Netuno, é necessária a força de Plutão. Enquanto este último cruza um signo, Netuno percorre dois, um positivo e outro negativo. Isso também pode nos levar a pensar numa distribuição da energia, na manifestação dual, nas duas faces da moeda dessa energia capaz de nos transportar da pura potencialidade ao mais elevado estado de realização. Devemos observar igualmente que esses planetas são muito lentos e que os aspectos que produzem entre si no desenvolvimento de seus ciclos afetam toda a humanidade, desvelando o inconsciente coletivo, repolarizando os ideais dessa humanidade de acordo com novas diretrizes e alterando fatores profundamente enraizados na natureza humana.

Netuno simboliza a dissolução e Plutão, a possibilidade de transcender; nesse processo, Vênus — a capacidade de amar — tem uma grande participação. Netuno — a oitava superior de Vênus — e Plutão — a oitava superior de Marte — reproduzem, num nível mais elevado, as relações que estes dois planetas exercem no plano pessoal.

No mapa astral de cada indivíduo, os aspectos entre Netuno e Plutão representam, em função de seu movimento lento, uma influência de longa duração, de manifestações e resultados pouco menos que permanentes, e assinalam igualmente situações e acontecimentos decisivos, pontos de fatalidade, de crise duradoura ou o início de um novo capítulo da vida.

Netuno é a capacidade de imaginar, de sonhar e de produzir mundos ideais; ele prefere flutuar a pisar em terra firme, aventurar-se pelo desconhecido à segurança do habitual e, em naturezas evoluídas, se manifesta sob a forma de elevada compreensão e espiritualidade.

A expressão criativa da relação entre esses dois astros estimula o fervor a certos ideais, assim como a capacidade para inspirar e guiar outras pessoas. Excelente em tudo aquilo que diz respeito ao intangível: religião, psiquismo, arte etc. Dotado de percepção clara e de uma intuição bastante desenvolvida, eleva qualquer característica a um nível artístico e possui uma habilidade natural para sentir, experimentar e manejar o abstrato. Trata-se do sonhador capaz de transportar seu sonho para a realidade, do visionário que também age.

Amante da justiça, o indivíduo é um libertador que luta contra tudo aquilo que desumaniza, degrada ou oprime o homem; esse ideal de justiça é manifestado em todos os domínios em que age.

Romântico e sonhador, ele pode, na melhor das hipóteses, transformar a fantasia em arte e a sensibilidade em compaixão.

Em sentido contrário, sua sensibilidade e sua fantasia se tornam intoxicantes e o indivíduo é capaz de fanatizar-se por qualquer coisa; dessa forma, passa a confundir seus sonhos com a realidade, vive numa ilusão constante; irresponsável e volúvel, apresenta uma forte tendência a mergulhar em si mesmo, a desaparecer do "mundo", a eliminar sua parte mais "real" e a viver numa espécie de vida dupla, dentro de um sonho.

Capaz de grandes sacrifícios, o indivíduo mostra paixão pela pompa e pelo cerimonioso, tendência ao martírio, à purificação interior, ao autocastigo, à autodisciplina e também à autopiedade.

Caso expresse a sua pior parte, tende a ser astucioso, decepcionante, falso, malicioso, portador de absurdas ideias utópicas, de escassa moral e exagerado; nesse caso, pode ocorrer também que facilmente sucumba às drogas, narcóticos e venenos, ou que comercie com eles, podendo ainda manifestar tendências criminais e inclinação para o suicídio.

De modo geral, o indivíduo mostra interesse — e tem aptidões para tal assunto — pelo sobrenatural, podendo chegar a ser mago, clarividente e médium, que luta pela liberdade do homem. Ou, pelo contrário, pode transformar-se em praticante da magia negra. De qualquer modo, nunca sendo compreendido pelos outros, tende a sentir-se só ou abandonado.

Aspectos Plutão — Urano, por Puiggros

Urano separa e Plutão destrói. Seria possível imaginar que, juntas, estas duas características não poderiam oferecer nada de bom; no entanto, não ocorre dessa maneira. A separação uraniana tem o objetivo de diferenciar, de ver com clareza uma situação, de tomar consciência da própria opinião. Em outras palavras, Urano separa para individualizar, enquanto Plutão vincula o velho com o novo e destrói o obsoleto para que algo novo possa surgir. E, vista em profundidade, sua ação consiste em unir num novo nível; para que isso ocorra, Plutão deve primeiramente destruir. Ambos os planetas, à sua maneira, são construtores. Urano individualiza e Plutão outorga consciência, inclusive consciência social.

Esse aspecto incrementa a autoconsciência. Voluntarioso, determinado e resistente, esse indivíduo tem na mudança seu conceito-chave. A centelha intuitiva uraniana torna-o apto a distinguir novas e melhores soluções para qualquer tipo de problema, assim como a maneira de consegui-lo; dotado de talento técnico e inventivo, volta imediatamente seu interesse — uma vez conseguido o que deseja — para outro objetivo e mais uma vez persiste até atingi-lo. A orientação individualista de sua vida e o radicalismo nas mudanças de estruturas lhe conferem uma postura e às vezes uma ação revolucionárias.

Um inquebrantável desejo de independência e de liberdade conduz esse indivíduo a ser diferente dos outros, a desenvolver seu próprio caminho e a não seguir a massa. Inconformista, criativo, inquieto e impulsivo, tem novas e progressistas ideias, bem como soluções originais para os problemas; trata-se de um reformador da sociedade. Compreende e respeita o princípio da fraternidade e entende o amor como um conceito universal que une os homens em causas comuns.

Esse aspecto favorece os estudos científicos, a interesse pela metafísica, e certas capacidades de clarividência.

Guiando-se pelo fazer e deixar fazer, esse indivíduo tem uma vida muito variada e excitante, mantém-se à margem da corrente geral e precisa estar livre porque está aprendendo a manejar a liberdade. Não se ajusta à norma e, se participa, o faz em atividades marginais.

Os aspectos conflituosos indicam problemas de identidade, de relação, de inserção em seu próprio grupo. Muito impulsivo, tende às explosões de caráter, às atitudes de raiva, aos ódios, ao fanatismo, à excentricidade, a um sentido exagerado do pessoal e a manifestações antissociais. Pode mostrar-se precipitado, violento, rude, rebelde, licencioso, pervertido, crítico e aguerrido.

Problemas no sistema nervoso, paralisia, acidentes repentinos, tendência ao suicídio e morte súbita.



Aspectos Plutão — Saturno, por Puiggros

O indivíduo que apresenta esse aspecto se questiona de modo completo e profundo e aparece envolto numa aura de seriedade.

Manifestando sentido do dever e sendo capaz de assumir as maiores responsabilidades, o indivíduo é um trabalhador perseverante, autodisciplinado e paciente, que concebe, planeja e obtém o que deseja, ainda que isso demore anos.

Tenaz, metódico e persistente, busca a perfeição, valoriza muito os detalhes e repudia o superficial.

Integridade, honestidade e bom senso, métodos claros e ações justas são qualidades desse aspecto, que muitas vezes é encontrado naqueles que cuidam dos recursos dos outros, particularmente banqueiros. Essas pessoas quase sempre chegam a posições de autoridade, através do trabalho lento e da disciplina. É possível confiar neles.

Passam períodos de -sua vida marcados por uma extrema autodisciplina e, algumas vezes, pela autonegação. Pode ocorrer também uma exclusão, voluntária ou não, de todas as comodidades modernas, assim como um retorno a uma maneira mais natural de viver. Capacidade de abnegação e de resignação, que levam facilmente o indivíduo a um estado de ascetismo. Estóico e taciturno, acumula poder por meio do silêncio. Trata-se do filósofo, daquele que pensa com sobriedade, do pesquisador científico, daquele que tem um profundo conhecimento do ser.

Dotado de uma calma e de uma paciência inacreditáveis, o indivíduo sabe, de modo instintivo, que qualquer coisa que tenha valor e que seja duradoura é construída devagar e cuidadosamente.

Os aspectos desarmônicos entre essas duas energias indicam uma situação de obrigatoriedade, de dever. A pressão e a necessidade de Saturno, unidas à intensidade, ao poder de regeneração de Plutão, impelem o indivíduo a defrontar-se com seus problemas e a livrar-se deles. Está aprendendo lições de responsabilidade e de paciência através de um trabalho duro.

Esse aspecto, que inclui tal tipo de provas, nunca é encontrado em horóscopos de pessoas fracas.

Ambição pessoal, desejo de poder e de autoridade, moral rígida e pouco liberal são manifestações dessa relação planetária. O mau uso de tal força pode manifestar-se sob a forma de egoísmo, sadismo, impaciência, contradição, brutalidade, traição, falsidade, fraude, violência, extorsão, ciúme, luxúria, sexualidade exacerbada, tendências criminosas, magia negra e vampirismo.

Inclinação ao suicídio.

Aspectos Plutão — Júpiter, por Puiggros

Boa disposição, otimismo, oportunidades e facilidades para obter tudo o que torna a vida agradável.

Alegria de viver, entusiasmo, emoções exuberantes, exageros e um intenso desejo de liberdade.

Esse aspecto pode manifestar-se como algum tipo de "proteção" vinda do exterior ou então indica que o indivíduo sabe proteger-se.

A abundância jupiteriana tende a transcender a esfera do comum, chegando a extremos inacreditáveis, ou, pelo contrário, pode ser ultrapassada pelo contato de Plutão.

Sentido de honra, dignidade, orgulho, ambição, humor (às vezes ferino), muitos e variados interesses e, entre estes, algum tipo de esporte ou exercício físico. Tendências ao cerimonioso.

Percepção precisa e um julgamento adequado, quase instantâneo. Sabedoria.

Trata-se de um aspecto revitalizador, rejuvenescedor e regenerador.

Capacidade para superar os obstáculos, tanto pessoais como externos. Tal coisa, aliada à sua vitalidade e ao seu carisma, leva frequentemente o indivíduo a ser eleito líder do grupo a que pertence.

Pode mostrar qualidades de uma elevada evolução espiritual. Sua tendência a buscar as causas que subjazem às aparências projeta-o para além das crenças aceitas pela religião organizada.

Apresentando um insaciável desejo de compreender, o indivíduo é um incansável perseguidor da verdade e se interessa pela filosofia, pela metafísica e por tudo o que se oculta por trás dos fatos da vida.

Provavelmente teve acesso a uma educação esmerada, bem como a oportunidade de ler muitos livros e de viajar para lugares suscetíveis de ampliar sua aprendizagem.

É possível que se sinta atraído pelos diferentes iogas e sistemas de meditação enquanto veículos que o auxiliem a conseguir o autodomínio através de sua própria regeneração.

Sua sensibilidade e habilidade investigadora, assim como sua ambição espiritual e o desejo de ensinar e de chefiar o grupo, transformam-no, de modo quase matemático, num líder espiritual e, na realidade, esse aspecto é encontrado na maioria deles.

Quase sempre alegre, otimista e generoso, costuma apresentar grande discernimento acerca dos negócios e é geralmente acompanhado pelo êxito financeiro, em particular com bons aspectos de Vênus.

As más relações entre esses dois planetas podem implicar exagero, prodigalidade, sensualidade, arrogância, fanatismo, extravagância e voracidade.

Tendência a confundir sua própria lei com "A lei", a impressionar as outras pessoas com a "importância" de suas ideias filosóficas e de seus conceitos religiosos e a erigir-se em líder, professor ou guru. Grandes ideias que, na maioria das vezes, não chega a concretizar. A opinião sobre si mesmo oscila do excesso de confiança à dúvida mais angustiosa, do ideal mais elevado ao mais primitivo de seus instintos animais.

Mentira, corrupção, autoritarismo, verbosidade, megalomania, duplicidade. Esse aspecto é frequentemente encontrado nos especuladores, apostadores, psicólogos, astrólogos, ocultistas, médiuns, advogados e juízes.


Aspectos Plutão — Marte, por Puiggros

Esse aspecto, como o de Vênus, está ligado à sexualidade, mas, enquanto este apresenta um erotismo agradável e amoroso — já que envolve a expressão de ambos —, o marciano exerce a expressão de poder de um sobre o outro, procedimento que, em certa medida, se assemelha a um rapto. Envolve o conceito de sobrevivência, o sentido que o homem dá à sua capacidade de autodeterminação. A confiança — ou a ausência dela — em si mesmo, na própria força.

A energia representada por Marte se manifesta na extroversão; o indivíduo procura satisfazer seus desejos e impulsos em seu ambiente material mais próximo. Marte é a energia que usamos no mundo e Plutão simboliza a energia que utilizamos para trabalhar no inframundo, isto é, em nossa estrutura psíquica mais profunda. Ambos estão, por assim dizer, mais envolvidos com a Terra e com o inferno que com o céu.

Desse modo, é fácil compreender que existe um profundo medo das urgências primitivas simbolizadas pelos aspectos entre esses dois planetas. Contudo, essas forças primitivas possuem em si mesmas um grande cabedal de sabedoria acerca da fertilidade e da sobrevivência, tanto biológica como psíquica.

A violência e a paixão de Marte — Plutão assustam o homem civilizado; há uma conexão entre o erótico e o sangrento, a excitação sexual e a brutalidade, e não é fácil nem cômodo confrontar-se com isso. Esse indivíduo intelectualizado sente uma aversão por suas raízes, por seus desejos mais corpóreos, e tende a enterrar esses impulsos no mais fundo de si mesmo; em outras palavras, ele os reprime.

Esta rejeição de sua parte mais primitiva desemboca frequentemente numa sensação de impotência, castração e falta de poder. Tal aspecto representa a mais dinâmica e intensa combinação de energia que pode ser encontrada no tema natal e tende a expressar-se da maneira mais radical possível.

A pessoa que possui essa imensa quantidade de energia aprecia chegar ao fundo das coisas. A presença de uma vontade poderosa, de coragem e de sentido da autodeterminação lhe permite superar todos os obstáculos com que se depara em seu caminho. Capacidade para tomar decisões e rapidez de resposta em casos de emergência.

De modo frequente, a vontade de dominar e o amor pelo poder se fazem acompanhar por certa crueldade. Tende-se a entender a força como a capacidade de conseguir o que se deseja; a parte mais animalizada da pessoa é muito forte. Por tudo isso, a própria escala de valores é muito importante, já que guia e controla a expressão do poder.

De maneira geral, esse indivíduo não se ajusta às regras da sociedade, pouco importando que use a energia de forma positiva ou negativa, que seja um destruidor ou um reformador. Ambos compartilham o descontentamento com o status quo.

Mas, se está integrado na sociedade e tem interesse em participar ativamente de seu desenvolvimento, o indivíduo está apto a canalizar essas energias, a tomar as decisões oportunas e a realizar as ações pertinentes, que muitas pessoas desejam mas que poucas podem levar a cabo.

Sua grande capacidade de autodisciplina lhe permite dedicar toda a sua força de vontade na transformação de si mesmo e dos outros. Neste caso, o aspecto regenerativo de Plutão age sobre a natureza de desejos de Marte.

Pelo contrário, se esse poder não é manejado com extremo cuidado, o indivíduo se torna prepotente e sente um compulsivo desejo de "ganhar" a qualquer preço, desejo esse que o obriga a justificar para si próprio todas as suas atitudes e condutas. Rege-se pela lei do mais forte e menospreza qualquer código moral ou ético. Deseja impor sempre a sua vontade, a sua força, e fazer o que bem entende; entretanto, como é impelido por forças compulsivas, por impulsos racionais descontrolados, poucas vezes sabe o que verdadeiramente deseja.

Na melhor das hipóteses, manifesta uma grande compreensão do que significam a luta e a violência. Plutão empresta consciência à força bruta de Marte e, em caso de luta e agressão, essa força é inteligente e velada.

Autoconfiança, ambição, capacidade de trabalho, constância e uma energia quase ilimitada lhe permitem conseguir o que deseja. Esse personagem nunca se rende. Persistência. Com outros fatores favoráveis, longevidade.

Exige demasiado de si mesmo. Quando atinge um objetivo, o indivíduo estabelece para si outro mais longínquo, já que precisa superar constantemente suas próprias conquistas, fator que gera nele uma grande tensão interna e um alto nível de frustração, caso não consiga seu propósito tão rapidamente quanto esperava. Esse indivíduo cria, de modo contínuo, suas próprias frustrações.

Tendência a usar a força e táticas de guerrilha para atingir seus objetivos. Obsessão de vencer. Desgaste inútil de energia. Atitude antissocial. Afligido por Saturno, tendências sádicas. Impaciência, cólera. Em alguns casos, indica pouca vitalidade física. É também símbolo de morte violenta.

Aspectos Plutão — Vênus, por Puigross

A pessoa que apresenta esse aspecto sente a iniludível necessidade de manter relações de caráter íntimo, de experimentar algum tipo de satisfação emocional.

Sua proximidade e implicação em relação a todas as manifestações do emocional são intensas, e o desejo de aprofundar-se ao máximo na relação afetiva se torna urgente e às vezes compulsivo. Necessidade de desvelar os mistérios do sexo, do amor, de transgredir as convenções existentes nesse domínio e de exercer, impor, todo o seu poder emocional e sexual. Possui magnetismo, carisma e atração.

Se esses dois planetas permutam suas energias de forma harmoniosa, o amor flui livremente, da ternura à paixão. Inspirado, profundo, pleno e rico, o êxtase amoroso pode ser a chave da transformação do indivíduo.

Em sua expressão mais elevada, esse aspecto simboliza o amor universal, o princípio que transcende todas as barreiras, quer sejam étnicas, raciais, culturais ou sociais.

A graça e a gentileza de Vênus, bem como sua capacidade criativa, se contrapõem à força criadora e à habilidade para a adaptação aos propósitos secretos de Plutão. A capacidade de amar se conjuga com a sexualidade. Não há dúvida de que esse aspecto pode mostrar o lado mais belo do amor, mas também é certo que nunca é simples, persistindo sempre um sentimento de fatalidade diante do qual não se admitem comportamentos ingênuos. Grande fascínio pessoal, erotismo intenso, sensibilidade, hedonismo e desejo de manifestar-se através da harmonia, do afeto e da fruição de prazer.

Pode proporcionar grandes dotes criativos nas diferentes manifestações da arte. Amor pelo belo e por tudo o que torna a vida agradável. Vênus oferece certa proteção nas circunstâncias difíceis provocadas por Plutão.

As relações construídas sobre a utilização adequada desse aspecto se baseiam na igualdade e na aceitação dos valores de cada um e são suficientemente fortes para durar por toda a vida. Quando ama, o indivíduo adora o ser amado, é fiel e leal e não complica sua vida com trivialidades e amores passageiros.

Se outros aspectos não o impedem, possui uma personalidade harmoniosa, sociável, relacionando-se com todos de modo indiferenciado. Busca a bondade e a beleza nos outros e se identifica com seus problemas, procurando dar-lhes uma solução. Vênus rege tanto as relações como o conforto material, tanto a casa sete como a casa dois, e é comum dizer-se que existe um forte vínculo entre o amor e o dinheiro: "Quanto mais uma pessoa ama, mais abundância tem em todos os níveis".

A relação entre esses dois planetas se reveste de muitas aparências e nem todas são harmoniosas: algumas são francamente desagradáveis e até trágicas. Entre outras coisas, ostenta a merecida fama de romper casamentos.

Orgulhoso, apaixonado, pouco leal, a intensidade de sua paixão acarreta, de modo paralelo, fortes doses de rancor, vingança, traição e a revelação do potencial que o próprio indivíduo possui para destruir aquilo que mais ama.

Propensão para triângulos amorosos, os quais provocam em seus participantes um sofrimento considerável.

Forte poder para procriar; possessivo e ciumento, o indivíduo mostra uma paixão obsessiva. A autoindulgência e o amor pelo prazer podem levá-lo facilmente para a trilha da depravação. De modo frequente, esse aspecto se manifesta sob a forma de problemas sexuais, físicos ou psíquicos. Geralmente há uma incompatibilidade nas relações; também é comum a inclinação à homossexualidade e à bissexualidade. Até mesmo pessoas cuja conduta é inteiramente heterossexual experimentam uma sensação de atração-repulsão em relação a um dos dois sexos, uma dualidade muito típica de Plutão. Favorece a propensão para a luxúria, cobiça, ansiedade, avareza e voracidade no comportamento e, em outra ordem de coisas, estimula o comércio sexual. Desenganos na vida emocional e, caso não se modifique a característica do aspecto, sérios problemas nas relações amorosas e rupturas que, com Plutão, perduram para sempre.

Outra das características de Plutão, a morte, às vezes se concretiza na perda do ser amado, que ocorre quando dele mais se necessita.

Plutão nos priva daquilo que mais desejamos ou necessitamos, amputa algo pessoal, elimina nossas muletas e nos obriga a andar.

Plutão representa uma parte tão vital do indivíduo que este não pode fugir, não pode escapar a ela, tampouco reprimi-la; só lhe resta a alternativa de enfrentar a experiência plutoniana a partir de seu próprio nível, entendê-la como uma fase necessária do processo de desenvolvimento da própria pessoa.

Emocionalmente insaciável, tem múltiplas aventuras eróticas e mostra tendência para a ninfomania. Trata-se do aspecto dos símbolos sexuais.

A relação Vênus — Plutão simboliza as provas e a oportunidade para reorientar e refinar a natureza amorosa e dos relacionamentos. E a vida proporciona ao indivíduo as situações nas quais ele tem possibilidade de praticar essa arte. Esse indivíduo está aprendendo a ser gentil, não para conseguir objetivos pessoais, mas porque isso torna a vida mais agradável para todos.

Está transformando seus valores nessa área e refinando o sentido que para ele têm os conceitos de "prazer", "felicidade" e "amor". Enquanto esses valores não são regenerados, o indivíduo tem urna vida emocional insatisfatória e uma grande dificuldade em experimentar a sensação de amar e ser amado.

No caso específico da oposição, inverte-se a situação: os outros, seus companheiros, apresentam o problema mencionado, e o indivíduo sofre os seus efeitos.

Aspectos Plutão-Mercúrio, por Puiggros

Na essência de Plutão, está a ânsia de saber, de desvelar o oculto, e Mercúrio é o instrumento que permite a relação, a conexão do interior com o exterior, favorecendo a comunicação. Quando essas duas forças trabalham em conjunto, uma parte oculta do conhecimento aflora na superfície e pode ser comunicada e compartilhada.

Esse aspecto tende a proporcionar uma mentalidade ágil, lógica, racional e argumentativa, sensível e intensa, embora, ao mesmo tempo, secreta e pouco confidente. Poder de concentração, de observação e de aprofundamento; nada escapa ao olhar plutoniano.

Capta com facilidade qualquer situação e é mentalmente muito rápido para modificar seu ponto de vista, caso tal coisa seja exigida pelo aparecimento de um fato novo ou imprevisto. Plutão o torna apto a obter de forma direta — sem precisar percorrer todo o "processo" do pensamento — o resultado final.

Falar é uma atividade que pode agradar-lhe ou não e, embora sempre tenha algo a dizer acerca de qualquer assunto, prefere fazê-lo sobre temas profundos e de interesse universal; pode também optar por permanecer em silêncio.

A habilidade para expor suas ideias e seu poder de sugestão parecem tão lógicos que as outras pessoas aceitam as suas opiniões — que naturalmente têm substância e peso — de forma subconsciente, sem averiguar se correspondem ou não à exposição que delas faz o indivíduo. Na verdade, essa aceitação é causada pelo poder que permanece subjacente às palavras. O indivíduo expressa a ideia com tanta força e convicção que leva os outros a pensar que deve ser necessariamente válida e significativa em si mesma.

Esse indivíduo pode produzir determinada sugestão hipnótica, não obrigatoriamente de forma consciente, por meio dos gestos de suas mãos e de suas expressões faciais. Mentalmente agressivo, tem capacidade para utilizar essas habilidades para dominar a mente dos outros, através de uma sutil manipulação.

Quando o aspecto é conflituoso, o indivíduo sente uma forte tensão mental. A contínua necessidade de transcender os resultados já obtidos e de atingir graus mais elevados cria nele uma sutil e constante insatisfação. Essa tensão pode chegar a exercer tal dominação que sua mente se dispersa em múltiplas direções, perde o rigor e não aceita nenhum tipo de autocensura. Passando por constantes mudanças de projetos e sofrendo de uma falta de adaptabilidade, o indivíduo se torna impaciente com as pessoas perceptivamente lentas e não considera as ideias dos outros.

Dogmático e obstinado, a obsessão por suas ideias o conduz facilmente ao fanatismo. Pode manifestar espírito de contradição,. curiosidades doentias, críticas e sátira, malícia, insolência, impudicícia, tendência à ofensa e sadismo mental.

Muito aflito, tende a indicar perturbações mentais mais ou menos graves e até mesmo uma inibição da expressão verbal.

Aspectos Plutão — Lua, por Puiggros



Grande sensibilidade e extremismo emocional são características típicas desses aspectos, especialmente em signos de Água. As oscilações emocionais são uma constante.

A Lua simboliza aquilo que uma pessoa sente acerca de si mesma e, em combinação com Plutão, pode expressar uma forte insatisfação e a necessidade de remodelar-se continuamente para melhorar a própria imagem.

A face destrutiva de Plutão obriga o indivíduo a eliminar hábitos e padrões de comportamento; as atividades rotineiras se tornam insuportáveis e a inércia do conhecido, estéril e decepcionante.

Tormentos sentimentais e períodos em que a inclinação a destruir a própria imagem é tão forte que pode chegar, em casos muito aflitos, a estimular a tendência ao suicídio. As pessoas que apresentam esse aspecto no mínimo "pensaram" nessa possibilidade.

Esses tormentos internos, de grande intensidade, excedem em muito as perturbações habituais.

Não obstante — e muito embora possam deixar marcas profundas —, essas ocorrências lunares costumam ter pouca duração. Tal coisa, unida à tendência plutoniana de descobrir aquilo que transcende os fatos, de investigar os mistérios ocultos por trás de qualquer atitude, desenvolve a capacidade de controlar essas situações, excetuando-se os momentos culminantes da crise. Muitas vezes, essa pessoa adota uma aparência de frieza, tendendo à estabilidade, ao controle e à compostura; no entanto, isso não passa de uma estratégia de sobrevivência — estratégia muito conhecida por esse tipo de pessoa, já que Plutão a capacita a ressurgir das mais tremendas crises emocionais. Padrões herdados de seus pais e do ambiente de sua primeira infância a condicionam fortemente, mas, ao mesmo tempo, ela manifesta o profundo desejo, e possui a capacidade, de. romper com esses esquemas familiares e tradicionais.

Capacidade de esforço e autodisciplina. Quando estabelece um objetivo para si, o indivíduo se entrega de forma total; sua dedicação e sua vontade são inquebrantáveis. Embora seja, às vezes, intermitente e oscile de acordo com a situação da Lua, sabe claramente o que quer e não há qualquer coisa exterior a ele que possa modificar seus sentimentos ou seu propósito.

O segredo acerca de sua intimidade e um elevado sentido do privado transformam-no num ser difícil de entender.

Em certas ocasiões, Plutão representa a mãe (por sua relação com as entranhas da Terra) e, em aspecto com a Lua — o símbolo materno por excelência —, essa qualidade se enfatiza, se manifesta como uma espécie de complexo materno, como certa tendência a nutrir, desenvolvendo o papel de mãe de família, seja em organizações, grupos de pessoas ou escolas, seja na qualidade de Madre Superiora de um convento.

Em temas femininos, esse aspecto pode impelir a ter muitos filhos, como prova evidente do "poder" de gerar. De qualquer maneira, a figura de Mãe, quer se trate de uma mãe real ou simbólica, tem uma grande importância. A relação Plutão — Lua simboliza de modo perfeito o arquétipo de mãe terrível que é encontrado em várias tradições, como, por exemplo, a deusa hindu Kali. O poder de, por um lado, nutrir os seus filhos e, por outro, devorá-los constitui uma imagem muito significativa. Trata-se do poder de dar e de tirar a vida.

O impulso de "proteger" os outros pode transformar esse indivíduo num ser dominador. Possui habilidade tanto para auxiliar como para aproveitar-se, nas situações problemáticas, das outras pessoas.

Pode desenvolver uma sensibilidade extrema e despertar suas faculdades psíquicas. Exposto a essas influências, o indivíduo pode apresentar tendência à mediunidade, sonhos proféticos e premonições. Muita curiosidade, imaginação e interesse em relação a tudo o que representa poder de modificação e regeneração. De modo geral, não hesita em aplicar todas essas habilidades aos assuntos diários e em estimular suas relações pessoais.

Com frequência, esse indivíduo rompe os vínculos que o ligam ao lar e à família — e especialmente à mãe —, com a finalidade de encontrar sua própria identidade.

Capacidade para aceitar as mudanças que a vida lhe proporciona e para usá-las em seu próprio benefício.

O indivíduo costuma estar atento, acumula saber e o guarda. A capacidade de intuir e a facilidade de separar o joio do trigo, aliadas a uma forte subjetividade, levam-no a tender para o oportunismo e para o controle e domínio das situações, seja mediante sedução, fascínio pessoal, seja através de uma persistente persuasão. Genialidade para adaptar-se às variações de humor ou às oscilações emocionais de uma determinada situação, tornando o indivíduo um estrategista rápido e intuitivo. Essa relação Lua—Plutão é definitivamente donjuanesca e tem a seu alcance a possibilidade de uma vida social ampla e profunda. No entanto, se trabalha com o mais elevado de si mesmo — e isso costuma ocorrer numa segunda etapa da vida —, o indivíduo se torna desprendido e impessoal, visando auxiliar os outros, ou seja, ser um canal por onde fluam forças úteis para todos.

O mau uso desses aspectos pode conduzir a situações de forte irracionalidade e falta de controle.

O indivíduo deverá aprender importantes ensinamentos no que diz respeito às relações humanas, uma vez que geralmente se encontra em situações ou atividades nas quais precisa lidar com o público. Em contrapartida, esse aspecto define também o tipo de pessoa que se isola, que se autoimpõe uma solidão que limita as suas oportunidades.

O uso excessivo de suas emoções, em lugar de seu intelecto, conduz o indivíduo a oscilações constantes.

Muito aflitos, esses dois planetas se reprimem mutuamente, entravando tanto a emotividade como a sensualidade e a capacidade de criar. Tornam-se estéreis em vários níveis ou, pelo contrário, se descontrolam em atitudes e em atividades impulsivas e desmedidas, que também conduzem, por meio da dissipação inútil das forças, à esterilidade.

No caso da oposição, um tende a absorver o outro ou a ser absorvido por ele. De qualquer forma, é destruído o sentido de identidade distinta.

No aspecto físico, podem ter problemas nos órgãos do aparelho reprodutor. Em alguns casos, de tipo hereditário.

Aspectos Plutão — Sol, por Puiggros


Em todos os aspectos entre esses dois planetas, encontra-se implicado o princípio de poder, que se faz sentir no plano pessoal e que se manifesta das maneiras mais variadas. Todos os símbolos de autoridade, particularmente o do pai, entram nessa relação.

O uso controlado desse poder desenvolve a autoconfiança, fator que confere ao indivíduo valor e força interior; ele tem capacidade de liderança e geralmente assume essa responsabilidade. Seguro de suas metas, esse indivíduo sabe o que quer e busca seu objetivo com convicção, talvez de forma indireta e pouco manifesta, mas com uma sutil agressividade.

As opiniões dos outros e os acontecimentos ou circunstâncias externas o afetam pouco, ou nada, em termos de sua realidade mais íntima.

Sereno e imperturbável, sua calma interna prevalece em qualquer circunstância.

Não se modifica facilmente e, caso sofra uma forte pressão, na maioria das vezes simplesmente se imobiliza.

Apresenta instinto de lutador e seu forte desejo de progresso se conjuga com uma apreciável habilidade para eliminar antigos padrões de comportamento passíveis de retardar esse progresso.

Deseja o poder e a autoridade, mas também o reconhecimento de seus contemporâneos.

Dotado não somente de magnetismo pessoal, intuição e habilidade criativa, como também de ambição, determinação, espírito aventureiro e paixão pelo perigo, esse indivíduo manifesta a urgente necessidade de remodelar-se, de regenerar-se. Está em constante processo de transformação pessoal. Dirige-se, na maioria das vezes de forma inconsciente, para um objetivo que, embora nada tenha de claro, fatalmente o atrai de modo obsessivo.

Vontade poderosa, sentimentos intensos e um halo de segredo no que se refere às suas motivações e a seus desejos, os quais, caso não tenha feito um profundo exame de si mesmo, o indivíduo não sabe definir.

O misterioso o atrai e ele experimenta curiosas conexões e "coincidências" com pessoas e circunstâncias; ainda que não revelem uma explicação racional aparente, essas conexões e coincidências são captadas e de certa maneira compreendidas pelo indivíduo, já que se amoldam perfeitamente a seu padrão de comportamento.

Passa periodicamente por fortes crises de identidade, que se manifestam em mudanças radicais do conceito que faz de si mesmo e da forma como age. Essa pessoa se vê forçada a fazer essas mudanças, intui que deve efetuá-las ou, pelo menos, sente a necessidade imperiosa de levá-las a efeito; em contrapartida, as pessoas que a rodeiam são incapazes até mesmo de tecer conjecturas acerca de alguma das razões ocultas dessas modificações, fato que provoca situações de grande tensão, quando não de ruptura absoluta.

Com o aspecto Plutão — Sol, essa pessoa se encontra basicamente voltada para sua própria transformação e para a expressão adequada do princípio de poder; ela está aprendendo que o poder real sempre provém do interior e que as táticas autoritárias e dominadoras não são, de modo geral, as mais apropriadas.

Deve compreender que a autoridade que busca conseguir depende do autodomínio e não do domínio sobre os outros.

Mal expressa, essa energia torna o indivíduo arrogante e rude, desprovido de qualquer tipo de consideração para com os outros. O excesso de autoconfiança o conduz ao egocentrismo e ao egoísmo, criando nele a tendência ao histrionismo, ao exibicionismo e ao perfeccionismo. Temperamento violento, arrogância, irritabilidade e sobrestimação de suas forças.

Contudo, é possível que tais manifestações não passem de uma fachada que oculta um profundo complexo de inferioridade.

Em outra ordem de coisas, se o aspecto é conflituoso, especialmente a quadratura, essa pessoa apresenta grandes dificuldades e problemas em relação à figura do pai, coisa que, no caso de temas femininos, se estende também aos outros homens.

Pai autoritário e rude. Falta de comunicação e de amor, sentimento de ver-se privado dessa figura de autoridade, ressentimento e separação psicológica, quando não a própria perda física do pai. Isso gera cicatrizes psicológicas profundas, que dificultam muito o estabelecimento de uma clara identidade pessoal.

No caso da oposição, há uma tendência a projetar esse problema nas relações com o companheiro e/ou a manifestar-se de forma tirânica e despótica, possessiva e dominadora. Ou, pelo contrário, a pessoa sofre todas essas manifestações da parte do companheiro. De qualquer modo, esse aspecto é absorvente e um dos dois —ou ambos — se consome em favor do outro. Desilusões e congestões emocionais. Possessividade, ciúme e solicitações excessivas e pouco racionais, frequentemente inconscientes, dirigidas às pessoas a quem o indivíduo está intimamente ligado.

O antídoto para essa situação parece ser o progresso pessoal e a prática da objetividade e da generosidade.

Os Aspectos de Plutão, por Puiggros

Os aspectos de Plutão constituem um dos fatores menos previsíveis do tema astrológico; isso ocorre em função da dificuldade de saber em que nível de profundidade está agindo e que manifestação pode ter. Nem todos os elementos importantes se revelam no plano físico, havendo mudanças profundas e transcendentes que se passam em níveis muito internos. No que se refere a isso, Plutão se manifesta como um especialista.

Outra coisa que ocorre com todos os planetas lentos — e Plutão é o mais lento deles — é o fato de a clássica diferenciação entre aspectos bons e maus, harmônicos e desarmônicos, positivos ou negativos, ou como se queira denominá-los, diluir-se até quase desaparecer. Por sua lentidão, são planetas geracionais e os aspectos entre eles são comuns a muitas pessoas. Por essa razão, é possível supor que oferecem os parâmetros energéticos adequados à evolução coletiva de todo esse setor geracional, ou seja, que esses aspectos são os adequados. Por conseguinte, em si mesmos, eles não são nem bons nem maus, mas simplesmente os aspectos necessários a essa estrutura evolutiva.

As modificações ocorrem no nível da abordagem que cada indivíduo faz dessa energia. E isso depende tanto da situação e dos aspectos de seus planetas pessoais — os rápidos — como da filosofia com que esse indivíduo encara a vida.

Se aceitamos que os aspectos são parâmetros energéticos, isto é, padrões de comportamento, e que não estão situados dessa maneira por pura casualidade — a astrologia não admite a casualidade —, é fácil deduzir que a posição em que se encontram tem uma causa e um propósito. E, como parece lógico, é possível pensar também que o parâmetro planetário com o qual nascemos se relaciona com aquilo que somos. Esse é o ponto até onde chegamos. Desse ponto de vista, os aspectos nos ajudariam a descobrir esses hábitos de conduta —tanto os que apreciamos como os que repudiamos —e, por conseguinte, nos facilitariam a compreensão de quais hábitos devemos modificar e de quais precisamos incrementar, a fim de adequar-nos ao propósito implícito no mapa astral. Entendido dessa forma, nenhum aspecto é mau; eles simplesmente mostram o que somos, mas depende de nós conhecer-nos a nós mesmos e, a partir desse momento, dirigirmos nossa vida na direção adequada ao nosso objetivo.

A mudança consiste em deixar de entender os aspectos planetários como condicionamentos pouco menos que insuperáveis e passar a considerá-los como guia e oportunidade. Em mudanças dessa natureza, situa-se a maior ou menor liberdade do indivíduo.

Plutão é o planeta da regeneração e seus aspectos, especialmente o Sol e a Lua, nos mostram como flui e como podemos usar essa energia. Pode parecer fácil ou difícil — depende do fato de os aspectos serem harmônicos ou não —, mas, se uma pessoa os aceita e compreende como parte integrante de sua experiência, pode fazer as modificações e as adequações pertinentes e necessárias para seu desenvolvimento mais rápido e, por conseguinte, acelerar o processo de aproximação do estado no qual o indivíduo pode considerar-se "acima das estrelas".

Plutão aumenta o grau de consciência e seus aspectos, particularmente com os planetas pessoais, assinalam a parte da própria pessoa — simbolizada pelo planeta aspectado — em que esse fenômeno se realiza e onde deve efetuar-se esse renascimento. A casa em que esse planeta se situa mostra a área da vida em que se produz a ação. A dificuldade consiste no fato de que a pressão de Plutão movimenta molas internas e a pessoa geralmente não percebe essa influência. Ela se sente impelida a introduzir mudanças em sua vida ou em seu ambiente, às vezes sem conhecer a causa desse desejo, e tal coisa provoca nela transtornos mais ou menos compulsivos. A pessoa deverá procurar identificar esses impulsos por meio de um honesto exame de si mesma.

Um trígono ou um sextil não indicam que a energia flui de modo harmônico; indicam apenas que flui com facilidade, e, se uma pessoa não tomou anteriormente a precaução de retocar, refinar ou purificar essa energia, ocorre-lhe de manifestar facilmente sua pior parte.

Um "bom aspecto" nem sempre é bom. Acontece também que os aspectos de Plutão nos relacionam com o inframundo, com o subconsciente e, em função de sua categoria de planeta geracional, com o inconsciente coletivo. Como consequência, defrontamo-nos com uma série de fantasmas e de "tabus", que são nossos apenas de forma parcial e, se não estivermos atentos — caso não tenhamos exercitado um certo controle sobre nossas emoções e motivações —, poderemos pagar o preço de nos sentir culpados de algo que não nos diz respeito. Em casos exagerados, é possível até mesmo que o indivíduo se sinta culpado do "pecado" que nossos primeiros pais cometeram há tanto tempo atrás. O medo e o sentimento de culpa nos aproximam perigosamente da paranoia.

Nesses casos, nada pior que a tendência a reprimir tudo isso, que evidentemente nos desagrada. A missão de Plutão é trazer à luz aquilo que está oculto, para poder vê-lo com clareza e para efetuar as mudanças pertinentes.

Transformação é a palavra-chave e aquilo que já temos — nem mais, nem menos — é o que se submete à transformação.

Dois planetas em aspecto estão "trabalhando" juntos e, quando tem Plutão como companheiro, o indivíduo se vê diante de algo irrevogável, iniludível, que deve ser conhecido e de alguma forma solucionado.

Essa característica de inevitabilidade nos vincula, em certa medida, ao destino. Isso é mais claro em aspectos poderosos como a conjunção e a oposição e, em menor grau, a quadratura, acentuando-se na proporção do fechamento do orbe do aspecto e tornando-se especialmente notório quando os planetas estão perto dos ângulos.

Algo é eliminado para que em seu lugar possa desenvolver-se uma possibilidade nova e mais atualizada. Esse é o lado positivo do aspecto destrutivo de Plutão. Um indivíduo que apresente esse planeta muito poderoso em seu mapa natal pode assumir a carga de redimir alguma coisa para a sociedade. Dessa maneira, a fatalidade coletiva se introduz na vida dessa pessoa e exige dela sacrifício e esforço. Plutão vincula-a pessoalmente à miríade de interações dos outros, torna-a participe do ordenamento cósmico e, em troca, pede-lhe que veja o mundo com olhos diferentes e que faça com satisfação o que deve fazer.

Os aspectos de Plutão com os outros planetas, arrolados em seguida, não pretendem absolutamente esgotar as por definição inesgotáveis interpretações que deles podem ser feitas; pretendem somente assinalar uma relação dos efeitos mais óbvios e conhecidos de um planeta tão inescrutável como é Plutão.

Não os separo em aspectos bons e maus; tampouco especifico, com exceção de casos particulares, o tipo de aspecto, conjunção, trígono etc., mas procuro mostrar as duas faces dessa energia.

O uso construtivo ou destrutivo dessa energia não depende tanto do aspecto em si quanto da abordagem, feita por cada pessoa, da totalidade da experiência plutoniana. E, para isso, é preciso fazer uma análise da complexa totalidade do tema astral do indivíduo.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Nodo Norte en Leo, Nodo Sur en Acuario, por Puiggros

El signo de Leo simboliza a los reyes —en el plano material— y a los iniciados —en el plano espiritual—.

Esta afirmación no es nada gratuita y la principal razón de que esto sea así radica en que el Sol es el regente de este signo en sus tres niveles de expresión: el de la personalidad, el del alma, y el del espíritu. O dicho de manera técnica, el Sol es el regente de Leo tanto en Astrologia Ortodoxa, como en Astrologia Esotérica o como en la Jerárquica.

Hasta donde estas divisiones son válidas, y cómo se manifiesta el Sol en cada uno de estos niveles, es un tema complejo pero de imprescindible estudio para los investigadores de los mundos de las causas.

El Sol es el centro de su propio sistema, al que da vida, luz y calor, y alrededor del cual giran los distintos planetas que muestran, cada uno según su peculiaridad y grado de evolución, la gloria del creador del sistema al que pertenecen.

Leo y el Sol tienen mucho que ver con el corazón. El Sol es el centro del sistema y el corazón es el centro del ser humano.

El corazón y el amor —se sabe de siempre— son dos conceptos indisolubles, siempre han estado unidos.

Para entender lo que Leo significa no se puede olvidar en ningún momento la relación Sol-Centro-Corazón-Amor. Meditando sobre esta secuencia se hallará mucha luz sobre este signo.

El concepto o la fase evolutiva que se entiende por Leo es una analogia del Sol, el Logos creador de nuestro sistema, sea cual sea el nivel donde esta analogia se exprese.

Es decir, Leo es un creador por naturaleza, un ser individualizado que contiene en sí mismo todas las potencias del Todo Absoluto, el Hijo con todas las características de su Padre en los cielos.

Desde este punto de vista se puede afirmar que Leo es la culminación del proceso de individualización, en este caso de involución, puesto que en esta etapa el pensamiento puro se concreta.

El signo de Leo simboliza la relación Padre-Hijo, de la misma manera que Cáncer representa la relación Madre-Hijo.

Esta relación Padre-Hijo es de naturaleza positiva, —creadora—, y de la misma manera que el Hombre Celestial, el Logos Solar envia el rayo de Luz Primordial (su creativo Fohat) sobre el laberinto de la caótica materia (y por esta acción ésta se ordena en grados mostrando en su variedad la potencia creadora que le da vida), el hombre desde su corazón conquista su naturaleza inferior.

Leo se reconoce a sí mismo como un creador, está en sintonia directa con el corazón del universo, esto le da seguridad y confianza, sólo sigue a su Dios interno, y todos sus vehículos de expresión le obedecen.

El corazón del hombre siempre tiene acceso a la Luz Divina, a la Fuente de la Vida, aunque no siempre lo puede manifestar, pero bajo la influencia de la fase de Leo todas sus instancias obedecen a los impulsos del corazón.

Por esto se dice que Leo es un creador.

Del Nodo Norte en Leo se podría decir que es como un nino — Leo rige a los ninos — que ha de aprender a manifestarse.

En anteriores signos ha obtenido muchas y variadas experiencias, ha asimilado muchas cosas, pero la densidad de la materia de estos signos no permitian su expresión, o bien este ser no estaba aún lo suficientemente individualizado.

Leo es el segundo signo de la cuadruplicidad fija, y también el segundo signo de la trilogia del fuego.

Lograr que coexista lo fijo y estable con la expansividad y luminosidad del elemento fuego es como conseguir la unión de la potencia solar y la condición humana.

Lo más sutil con lo más denso.

Ordinariamente el hombre intenta esta fusión por medio de la disciplina —ésta es una de las palabras clave del signo—, pero más adelante, a medida que avanza en la integración de estos dos principios, se da cuenta de que lo único que puede conseguir esta unión de forma real es el amor.

Ahora en Leo tiene bastante libertad para manifestar de manera creativa todo lo previamente aprendido. No olviden que Leo rige el corazón, y este órgano está relacionado con el chakra cardíaco, el centro de síntesis, el más incluyente de todos los chakras. Por todo esto es fácil deducir que lo que solemos llamar un acto creativo, podriamos perfectamente denominarlo un acto de amor.

Y ésta es la principal lección que debe aprender una persona con el Nodo Norte en Leo.

Ha de aprender a amar.

Más especificamente ha de decidirse a involucrarse personal-mente en un acto de amor.

Demasiadas veces prefiere descansar en todo lo que significa su Nodo Sur en Acuario, y evade la responsabilidad de desarrollar el propio caudal creativo.

Prefiere idealizar a los demás, al grupo, y asumir la utopia acuariana, lo cual le permite permanecer en los niveles mentales —recuerden que Acuario es un signo de aire— y esquivar el confrontamiento con los demás desde un punto de vista emotivo.

Dicho de otra manera, a veces no oye los dictados de su corazón porque está ocupado con problemas intelectuales, lo que significa una eva.sión para la persona con esta situación nodal.

Antes de que su alma pueda nacer a la conciencia del grupo, ha de conseguir el estado de autoconsciencia, porque este logro es el propósito de este signo en todos los niveles: personal, planeta-rio, solar o cósmico.

Leo es siempre Leo, en cualquiera que sea el nivel que se quiera interpretar.

El Sol rige sobre todo su sistema, asume la responsabilidad de ser el «Astro Rey», y a través de un acto de amor (luz y calor) establece la ley y el orden o, si se puede decir así: la justicia gravitacional dentro del sistema solar, expresando de esta manera el poder de irradiación de toda entidad autoconsciente.

Todos los pares de opuestos se deben fusionar, todas las dualidades han de alcanzar la unidad para posteriormente, junto a otra unidad conceptual, lograr otra fusión de mayor ámbito y calidad.

Esta secuencia uno-dos, uno-dos, no tiene fin.

En el eje nodal Leo-Acuario se manejan dos conceptos claves, autoconsciencia y consciencia de grupo (que no tiene nada que ver con la conciencia de la masa, ésta se halla indiferenciada mientras que el grupo lo constituyen unidades individualizadas).

Equilibrar o fusionar los significados de ambos Nodos parece un contrasentido, siempre es así de paradójico, pero si se analiza en profundidad se verá perfectamente lógico, y se apreciará la belleza y armonía de la propuesta.

Sólo cuando una persona es autoconsciente de sí misma, es autoconsciente del lugar o función que ocupa en un organismo mayor.

Su conciencia es la conciencia de éste..., que a su vez es la conciencia de otro aún mayor.

Si una persona llegase a ser realmente autoconsciente de si misma, seria automáticamente también autoconsciente del Todo Absoluto.

Aqui cobra sentido la frase: «El hombre está hecho a imagen y semejanza del Creador».

Pero como hay muchos grados de autoconsciencia de uno mismo, la captación del Todo (y el papel o función de cada uno en este total) también es gradual.

La persona con el Nodo Norte en Leo, que sólo se preocupa de su autoconocimiento, se equivoca; y también va errada la que disuelve su individualidad en la colectividad.

La conciencia individual crece paralela a la conciencia grupal. Éste es el mensaje de este eje nodal.


Puiggros, Los Nodos de la Luna, Arbor Editorial, Barcelona, Catalunha, Espanha, 1987, pp. 69-73.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Do mito de Plutão, Ceres e Prosérpina, por Puiggros

Pelo que se sabe, o significado original dos planetas não difere do caráter dos deuses dos quais tomam o nome. Dessa forma, portanto, a mitologia pode oferecer indicações úteis para a compreensão da astrologia, ainda que somente a prática contínua do estudo refine a intuição para discernir a correta interpretação do mito aplicável a cada situação.

A Plutão (Hades) , filho de Saturno (Cronos) , deus do tempo, e de Ops (Réia), deusa da Terra, coube a pior parte na repartição do mundo efetuada com os irmãos quando seu pai foi destronado. Júpiter (Zeus) , o mais poderoso, ficou com o reino dos céus, Netuno (Poseidon), com as águas - e especialmente o mar - e a Plutão, por ser o mais jovem dos três, foi concedido o reino dos infernos.

Esse vasto império é rodeado por dois rios, o Aqueronte e o Estige, que as almas dos mortos devem atravessar para chegar à morada de Plutão.

O velho Caronte, o barqueiro, rechaça os mortos insepultos (é relativamente recente o hábito de enterrar os cadáveres, já que antes eram deixados sobre a terra para alimento dos animais; daí deriva a regência de Plutão /Escorpião sobre as sepulturas) e todos aqueles que não podem pagar o preço da passagem (daí decorre o antigo. costume de colocar uma moeda na boca do defunto) . Em sua barca, transporta os demais para o outro lado e os entrega a Mercúrio (Hermes) , o mensageiro dos deuses, que os conduz para o tribunal, composto por três juízes, Minos, Eaco e Radamanto, que, em nome de Plutão, ministram a justiça. "Pagar um preço" antes de passar pela "justiça de Plutão" são dois conceitos bem-conhecidos por todos aqueles que estudam o planeta ou que experimentaram seus trânsitos.

Uma vez julgados, alguns vão para os Campos Elíseos, o céu, enquanto outros são dirigidos para o Tártaro, o inferno, uma cidade fortificada, guardada por um tríplice muro de ferro e rodeada por um rio de fogo chamado Flégeton; este último é custodiado pelas três fúrias infernais, Alecto, Megera e Tisífone, que não dormem nem de dia nem de noite.

Como se isso não bastasse, Plutão tem como guardião de seu reino o cão Cérbero, um cachorro de três cabeças que não deixa sair nenhuma pessoa que ali entra.

De modo geral, Plutão é representado com sobrancelhas espessas, olhos avermelhados e expressão ameaçadora, com uma forquilha de duas pontas em sua mão direita e uma chave que fecha mas não abre na esquerda. Sua coroa é de ébano, simbolizando provavelmente a obscuridade de seu reino; outras vezes, no entanto, cobre-se com um manto que o torna invisível, outra de suas características, sentado em um trono de enxofre, com o cão Cérbero a seus pés e com as três fúrias a seu lado. É também representado num carro -de três rodas puxado por três cavalos negros (quatro, segundo Ovídio), chamados Meteo, Abastro e Nuvio. As vezes, a seu lado está Prosérpina (Perséfone), segurando um narciso. Em outras, ela se encontra sobre um carro, semelhante ao de Plutão, simbolizando, neste caso, Hecate, que preside à magia e aos encantamentos.,

Plutão, denominado Júpiter das regiões inferiores ou das profundezas da Terra, significa rico e é o deus ativo no interior da Terra. Entende-se por isso a força vital da Terra, a fecundação ou o elemento terra em si mesmo. É também chamado, em latim, Dis, rico, ou Dispater, pai rico. Orcus, outro de seus nomes, significa tragador ou recebedor, uma qualidade da Terra. Foi denominado Februo, que, em grego, significa purgar, purificar que é também uma qualidade da Terra.

Em função da dureza de seu caráter, de sua feiúra e da obscuridade de seu reino, todas as deusas fugiam de Plutão e o recusavam como marido. Cansado dessa situação, ele subiu no carro de três cavalos e foi visitar a ilha da Sicília, dirigindo-se ao monte Érix. Vênus (Afrodite), a deusa do amor, percebeu sua presença e pediu a Cupido (Eros) que, com suas flechas, ferisse o coração de Plutão. Prosérpina, filha de Ceres.(Deméter) e Júpiter - e que, segundo Ovídio, significa as sementes ou messes, a lua e a rainha dos infernos -, encontrava-se no lago Pergusa, próximo do Etna, com margens cobertas de flores e primavera eterna. Entretinha-se colhendo flores e misturando os lilases com as violetas. Quando Plutão a viu, enamorou-se dela e a raptou, apesar de seus protestos e dos gritos de socorro que dirigia a suas companheiras e a sua mãe. Dirigindo a todo galope seus cavalos negros - aos quais, para animar, chamava pelos nomes -, Plutão e Prosérpina atravessaram grandes lagos, dentre os quais os Pálicos, que exalavam um intenso odor de enxofre. Ao chegarem à fonte Aretusa, uma das mais belas ninfas, chamada Cianes, que vivia numa fonte, deteve Plutão, estendendo seus braços por todas as partes. Este último, ao ver que não podia passar, encheu-se de ira e deu um terrível golpe com seu cetro, abrindo a terra e entrando com seu carro até os infernos. Cianes, despeitada com o desprezo que Plutão manifestara por suas águas sagradas, condoeu-se tanto que não cessou de derramar lágrimas até transformar-se completamente em água. Quando Ceres tomou conhecimento dessa desventura, procurou incessantemente sua filha Prosérpina, percorrendo mares e terra. Vasculhou montanhas, cavernas e bosques e, depois de visitar toda a Terra sem encontrar qualquer vestígio, retornou à Sicília. Em sua peregrinação, encontrou a ninfa Cianes transformada em água e, embora não pudesse falar, esta última lhe mostrou o véu de Prosérpina que flutuava sobre as águas da fonte. Ceres compreendeu que o raptor de sua filha havia passado por aquele lugar. Pouco depois, soube pela ninfa Aretusa, que corria por cima e por baixo da Terra, que Prosérpina estava no inferno e era a mulher de Plutão. Ao ouvir tal coisa, Ceres sentiu a morte penetra-Ia, vestiu-se de luto e se fechou por algum tempo numa caverna. Subiu depois num carro puxado por dois dragões e, atravessando a imensidão do espaço, apresentou-se diante de Júpiter com o rosto banhado em lágrimas e os cabelos revoltos, e lhe pediu justiça. Júpiter procurou acalma-la dizendo-lhe que Plutão tinha as mesmas brilhantes qualidades dos demais deuses e que não era nenhuma afronta tê-lo por genro. Diante da insistência de Ceres, consentiu que Prosérpina fosse devolvida à sua mãe, desde que não houvesse comido nada a partir do momento em que entrara no inferno, pois "tal era a decisão do destino". Mas Prosérpina, certa feita em que passeava pelos jardins do palácio, havia visto uma formosa romã, da qual comera sete sementes. Seu retorno à Terra era impossível. Contudo, à força de rogos, Ceres conseguiu que' Júpiter ordenasse que sua filha morasse seis meses com o marido e seis meses com a mãe. Essa decisão devolveu a calma a Ceres.

Está clara a analogia do mito com o ritual agrícola da semeadura, o período no qual a semente está sob a Terra, "até que, seis meses mais tarde, retorna para sua mãe". Estudando detalhadamente o mito, é possível deduzir todas e cada uma das fases desse processo de semeadura e de colheita. Entretanto, não é o céu que copia a Terra; é esta que copia aquele.

Em outras palavras, o mito é um esquema arquetípico de determinadas forças que operam analogamente nos diversos níveis de realidade e que são, portanto, aplicáveis ao homem.

Plutão é a força da vida, a seiva que nutre. Essa seiva está sujeita aos ciclos da Lua (Prosérpina) e, em tal história, estão envolvidos Ceres, a Terra, e Júpiter, o Céu; ela é, de certa forma, uma explicação de como funciona o processo de geração da vida, da alternância vida-morte e da impossibilidade de existir uma sem a outra.

É significativo o fato de que, em 1930, quando é descoberto, Plutão se encontre situado entre duas estrelas, Castor e Pólux. A mitologia diz que Castor, sujeito à mortalidade, morreu numa batalha nas proximidades do monte Taigeto. Pólux, que o amava muito, pediu a Júpiter que devolvesse a vida a Castor ou que o privasse - a ele, Pólux - de sua imortalidade. Júpiter não pôde atendê-lo de modo completo, mas consentiu que, durante todo o tempo que Castor vivesse sobre a Terra, pudesse Pólux habitar nas moradas dos mortos. Assim, viviam e morriam alternadamente.


Extraído do livro:
Plutão. Autor: Puiggros. Editora Pensamento. Esgotado.

Os Trânsitos de Plutão, por Puiggros

Cada astro tem múltiplas facetas e as combinações entre planetas - por aspecto, progressão ou trânsito - são inumeráveis. Se a isso acrescentamos sua posição por signo e por casa, as variáveis são infinitas. Essa multiplicidade de possibilidades permite que cada indivíduo tenha um tema singularizado, ao mesmo tempo em que inviabiliza as fórmulas ou receitas muito gerais e concretas que, embora em si mesmas possam ser corretas, não podem ser aplicadas indiscriminadamente a todos os casos. A arte e a ciência do astrólogo são os elementos que, através de uma leitura da totalidade do mapa astral, têm condições de discernir as influências em jogo e suas possíveis manifestações.

Todos nós apreciamos as referências concretas, as verdades matemáticas; no entanto, seríamos muito ingênuos se pensássemos que trabalhar com elementos tão sutis quanto as forças planetárias constitui uma tarefa fácil. Ser um bom astrólogo ou um bom mago demanda muito trabalho, e qualquer pessoa deve munir-se de prudência antes de atrever-se a sugerir - para não dizer predizer - algo aos outros. Que o capítulo anterior sirva como introdução a este, que não opomos resistência a abandonar nossos velhos padrões de comportamento, que tanta segurança aparente nos proporcionam; no entanto, Plutão exige que passemos pelo processo de regeneração. Não é suficiente aproximar-se dele.

De modo geral, os trânsitos de Plutão estão relacionados com algum tipo de morte e de destruição do velho, do inútil, a fim de que possa florescer o novo; e, se uma pessoa tem medo da morte, é certo que sentirá medo dos trânsitos de Plutão.

Apegamo-nos ao velho, já que nossa educação e nossos preconceitos culturais nos fazem sentir verdadeiro terror diante do "caos", diante de situações ou sentimentos para os quais não dispomos de uma resposta preparada, diante de qualquer coisa que seja diferente do que já conhecemos e controlamos de modo relativo; por outro lado, também é certo que o homem está mais aberto e mais disposto para o novo quando desorientado, confuso e quando não consegue compreender, pelo menos em sua totalidade, o que está ocorrendo. Sempre nasce alguma coisa do caos, de nossa natureza "bárbara", comumente contraposta à nossa imagem civilizada e por esta reprimida. Essa é a ação de um trânsito de Plutão: despojar-nos de nossa carapaça civilizada para que, do mais profundo de nossa essência, seja desvelada a realidade que somos, qualquer que seja essa realidade. Trazer à luz - ou seja, tomar consciência do que somos - é o passo prévio do procedimento de reorientação, de regeneração e de renascimento. Trata-se da oportunidade oferecida por Plutão. Aproveitá-la ou menosprezá-la é uma opção que depende inteiramente de nós. Nesse trânsito, podemos alcançar a liberdade, inclusive em relação a nós mesmos; em outras palavras, podemos atingir uma liberdade total.

Devemos estar permanentemente atentos, pois a ação de Plutão, em sua maior parte, está oculta; não é por acaso que o mito o apresenta portando um manto que o torna invisível. As implicações desse trânsito para a totalidade de nosso ser e os prolongamentos no tempo - é bom lembrar a lentidão e a duração no tempo do efeito desse planeta -, assim como a profundidade e a sutileza de sua ação, tornam muito difícil o estabelecimento do significado correto de sua influência. Somente a perspectiva concedida pelo tempo nos auxiliará a descobrir um sentido nas mudanças que, sem dúvida alguma, são produzidas em nossas vidas por um trânsito de Plutão. Este último atua sempre em níveis profundos, em nossas regiões obscuras; assim, seu significado nunca é óbvio, e os fenômenos aparentes raramente permitem julgá-lo de forma adequada. Além disso, sua ação visa separar, libertar, o perdurável do transitório, seja a alma do corpo - através do processo da morte -, seja o eu real, individual, de todas as estruturas de comportamento que compõem a personalidade social. Trata-se sempre de um processo de tomada de consciência, seja qual for o nível em que venha a ocorrer. No entanto, o trânsito de Plutão sempre é dual, opera com dois elementos (a sombra 'e a luz, o velho e o novo, a morte e a vida), e é absolutamente drástico (ou branco ou preto) ; como esse trânsito representa o final de um processo, ou a pessoa se liberta ou não o faz; sendo o resultado totalmente irreversível.

A morte e a destruição, física ou psicológica, constituem o resultado da falta de adaptação a circunstâncias e exigências novas; contudo, se for considerada de um ponto de vista elevado, a morte é o confinamento da energia na forma, do espírito na matéria, é a semente sob a Terra, que, no momento certo, rompe a casca - aquilo que deixou de ser útil - e engendra uma nova vida. Plutão, a semente, desce até a nossa própria obscuridade para, na . ocasião adequada - após destruir nossas bases e defesas, nossas cascas -, florescer e encontrar a luz.

Entretanto, essas crises plutonianas não são transcendentes, a menos que Urano e Netuno tenham preparado previamente o caminho. É muito importante que a pessoa reconheça a inevitabilidade da mudança plutoniana - mudança que se encontra na própria estrutura das coisas e diante da qual não lia escapatória - e entenda que ela é necessária no atual estágio evolutivo pessoal.


Plutão - Sol

A conjunção Plutão - Sol é um dos mais importantes - senão o anais importante - trânsitos que podem ocorrer na vida de um indivíduo. Proporciona um vigor inusitado, que capacita a varrer literalmente todos os obstáculos, geralmente velhos hábitos, que se opõem ao livre fluir dessa energia, transformada em propósito e vontade firmes. Por conseguinte, trata-se de uma época de grandes mudanças; abre-se um novo caminho, uma nova ordem de coisas, e se produz uma completa reorientação da vida, capaz de levar à iluminação mediante um processo de regeneração. As decisões tomadas nesse momento podem ser decisivas para o resto da vida. A própria pessoa se converte no artífice de seu futuro, mas não convém esquecer que Plutão é um planeta transcendente e que suas energias não são facilmente utilizáveis para propósitos egoístas ou banais. O indivíduo é o canal dessa força e não seu proprietário. O segredo consiste em usar essa energia para o próprio progresso e não para dominar os outros. Com esse trânsito, a pessoa pode ser levada a acreditar que descobriu a verdade, mas, na melhor das hipóteses, descobriu apenas a "sua verdade" e não deve cair na tentação de querer impô-la aos outros, embora pense que é "para o seu bem". Por outro lado, é conveniente que o próprio indivíduo provoque, de modo consciente, as mudanças, não permitindo que estas últimas o façam por si mesmas, Ja que, dessa forma, podem ser demasiadamente drásticas. A pessoa deve encarar aquelas partes de si mesma que talvez não lhe agradem, mas que existem; isso faz parte do processo de autoconhecimento, de verificação da unidade essencial que constitui um indivíduo e da utilização adequada desse conhecimento. Isso produz poder e é possível que se deva assumir algum tipo de autoridade sobre os outros, uma responsabilidade que deve ser manejada com sutileza.

Para a pessoa voltada ao progresso espiritual, esse é o momento-chave, no qual pode eliminar os obstáculos que impediram seu avanço.

Por outro lado - e em sentido contrário -, a quadratura, assim como as casas e signos que envolve, assinala o tipo de "ensinamento" que devemos aprender, o que devemos modificar e a área em que essas mudanças se produzem. Na oposição, experimentamos tal coisa através dos outros. Nesses casos, o trânsito de Plutão é realmente condicionador. Trata-se de uma prova que testa a força, a energia e o conhecimento da própria pessoa. Isso se manifesta de diferentes formas e acarreta todo tipo de crise, estimulando a ambição pessoal e regelando o pior de cada um. Autodestrutivo e destruidor daqueles que o rodeiam, o eu se manifesta com muita força e repudia qualquer espécie de disciplina, até mesmo a própria, e, por conseguinte, qualquer tipo de autoridade. Esse trânsito é perigoso porque, ao mesmo tempo em que vê tudo contra si, a pessoa se sente com forças para destruir qualquer tipo de obstáculo ou oposição. A única coisa frutífera a fazer nesse momento é procurar saber o que se é e aquilo de que se necessita para reconhecer-se como indivíduo.

É inútil tentar evitar as energias de Plutão, pois, de qualquer maneira, estas deverão manifestar-se.

A pessoa certamente entrará em conflito com os outros; trata-se de um período difícil para as relações - tanto as íntimas como as mais cotidianas -, já que é muito fácil ser envolvida em lutas pelo poder, especialmente com pessoas que detenham algum tipo de autoridade.

Pode causar graves problemas de saúde e, em casos muito aflitos, a morte física.


Plutão - Lua

A Lua só ilumina à noite e, simbolicamente, esta última representa o inconsciente do homem, a parte obscura de cada um de nós que, de modo geral, desconhecemos, mas que indiscutivelmente afeta nossa estabilidade e condiciona nossa manifestação consciente, o propósito e a vontade que simbolizam a nossa parte solar.

Representa também o passado, a infância, o atávico e, por conseguinte, os padrões de conduta assimilados e herdados nesses períodos. O luminar de nossa noite particular - a oportunidade de conhecer a nossa parte oculta - é representado pela Lua. Dessa maneira, entende-se por que o trânsito de Plutão, o doador de consciência, é a grande ocasião para conhecer, reorientar e reconstruir a base, os alicerces de nosso edifício pessoal.

Esse trânsito é tremendamente poderoso, ativando diferentes áreas, facetas e complexos de nossa personalidade que permaneciam adormecidos desde a nossa infância. Nossa racionalidade nunca se defrontara com eles, seja por desconhecimento ou por havê-los reprimido, e eis que agora surgem com toda sua força. Encontramo-nos diante de situações e sentimentos crus, urgentes e intensos, que evocam em nós, em lugar de atos próprios de um adulto racional, respostas infantis compulsivas.

É uma época de grandes mudanças emocionais na vida do indivíduo, mudanças essas que afetam seu ambiente mais imediato, mais pessoal - a casa, a família e, em particular, a mãe. Além de intensificar o desejo de encontrar as próprias raízes, provoca a manifestação do lado receptivo, feminino, da pessoa, assim como a necessidade de experimentar longos momentos de intimidade. O indivíduo pode expandir seus conhecimentos acerca de aspectos de sua personalidade que normalmente estão ocultos e, dessa forma, compreender os motivos reais de muitos de seus atos e estados de espírito. Trata-se de um excelente trânsito para descobrir o próprio potencial, bem como a própria filosofia de crescimento e de progresso. Pode ser conflituoso pela intensidade de sentimentos que provoca, mas constitui a preparação necessária para uma nova etapa de desenvolvimento.

O superficial deixa de gerar satisfação, a compreensão mental não é suficiente, o indivíduo precisa sentir em profundidade e saber que sua intuição caminha de modo conjunto com seu raciocínio lógico.

Esse trânsito ajuda o homem, talvez através do conhecimento de uma mulher, a perceber o seu lado receptivo e a modificar o seu conceito do feminino. Numa mulher, incrementa a feminilidade; ao mesmo tempo, leva-a a reformular a ideia que tem de seu papel feminino na vida.

Em contrapartida, quando uma pessoa não pode ou não deseja introduzir as mudanças necessárias, esse trânsito produz uma grande instabilidade nas emoções; constantes oscilações nos estados de espírito; o indivíduo sente uma necessidade compulsiva de mudança, de movimento, muito embora não tenha uma direção definida nem um objetivo concreto.

Grande sensibilidade e tendência à depressão, que levam o indivíduo a ofender-se diante da menor insinuação. Enfatiza a natureza sensual e a tendência - situada acima de qualquer consideração - a satisfazer os próprios desejos. No nível psicológico, reaparecem padrões de conduta que se tornaram inadequados ao momento presente, memórias do passado que devem ser modificadas ou reorientadas. É totalmente inútil ignorá-las; é preciso compreendê-las e integrá-las no atual programa de "adulto", a fim de que sua pressão se detenha e não prejudique a correta percepção dos fatos. É muito fácil, durante esse trânsito, sucumbir a qualquer tipo de obsessão. As raízes do problema estão dentro da própria pessoa e não devem, portanto, ser buscadas no exterior. A oposição marca um período de confrontos emocionais extremos com os outros, especialmente com o cônjuge. Lutas destrutivas, táticas subversivas, manipulações de todos os tipos, ciúme ou complexos de culpa. Relações possessivas que tendem a explosões com profundas consequências psicológicas. No que se refere à saúde física, pode haver congestões no plexo solar e problemas digestivos.


Plutão - Mercúrio

A função de Mercúrio no tema natal esta bastante definida. Ele é, como costuma-se chamá-lo, o mensageiro dos deuses, aquele que relaciona uma coisa com a outra e todas com todas; em seu significado mais profundo, e consciência. l. M. Hickey descreve-o como "o pensador que transcende o mecanismo do cérebro" e, acerca do trânsito de Plutão, diz que "outorga o poder de conexão com a Mente Universal".

Na verdade, está claro o fato de que o trânsito de Plutão por Mercúrio impele o indivíduo a chegar ao fundo de qualquer coisa que desperte o seu interesse, a descobrir a verdade que transcende a aparência, ao mesmo tempo que direciona a mente para o desnudamento do sentido último da vida. Durante esse período, a percepção está muito atilada e a pessoa pode entender as coisas com uma clareza muito maior, aprender e tirar proveito desse conhecimento. Trata-se de um bom trânsito para qualquer tipo de pesquisa e muitas vezes surge um insuspeitado interesse pela metafísica e pelo estudo das leis cósmicas, interesse que, na maioria dos casos, provoca mudanças profundas nas ideias e nas opiniões do indivíduo.

Uma nova compreensão da vida, assim como o poder de influir sobre os outros por meio do próprio ponto de vista, incrementam certa necessidade de expressar-se, de comunicar aos demais aquilo que se descobriu. Essa pessoa não admite respostas superficiais e, de modo lento, vai se aprofundando nas próprias ideias. É uma época para aprender e também para ensinar, caso a pessoa seja suficientemente flexível para evitar, por exemplo, ideias fantásticas ou obsessivas.

Em sentido contrário, a má utilização da energia plutoniana intensifica o lado desonesto de Mercúrio. Superficialidade forçada, decorrente do fato de o indivíduo não desejar, ou não se atrever a, considerar de maneira profunda sua própria reorientação. Tendência ao engano, à crítica sarcástica e maliciosa, a enredar a situação e a aproveitar-se das circunstâncias. O indivíduo pode mostrar-se fanaticamente convicto de sua verdade e tentar impô-la aos outros. Pode ter percebido que o conhecimento é poder, mas, caso não o maneje com extremo cuidado, talvez dê lugar a trágicas consequências. Crises nervosas e esgotamento mental costumam acompanhar esse trânsito, na hipótese de a pessoa ultrapassar sua própria capacidade de trabalho. A obsessão por uma ideia, ainda que esta seja totalmente válida, não traz a paz, pelo menos antes que se chegue ao fundo dela.


Plutão - Vênus

Vênus representa o amor, a capacidade de coesão, a união de dois ou mais elementos. Produz-se, por assim dizer, uma espécie de afinidade química. Esse trânsito pode nos levar a conhecer o que realmente é o amor, libertando-nos do sentimento de posse, com o qual, de modo frequente, o confundimos. Durante esse período, o indivíduo entende o amor, não como uma parte da existência diária, mas como uma experiência transcendente, capaz de modificar por completo sua vida.

Esse trânsito produz um profundo efeito sobre as relações e a vida sexual do indivíduo. Este último sente um grande fascínio por outra pessoa e se envolve totalmente nessa relação, que nem sempre é satisfatória, uma vez que esse trânsito evidencia esquemas de, comportamento que, desconhecidos até aquele momento, desempenham um importante papel na atração sentida pelo indivíduo. Isso desemboca muitas vezes em situações compulsivas e não muito racionais, visto que se deseja basicamente uma relação intensa, que pode ou não ser harmoniosa, mas que, de qualquer maneira; é profundamente significativa e importante na experiência vital do indivíduo.

Se, durante esse trânsito, tem início uma relação amorosa - coisa bastante frequente -, essa relação se fundamenta em bases tão profundas que é quase certo haver algum aspecto Cármico, algum tipo de compensação ou retribuição que deve ser satisfeito e que muitas vezes não se mostra nada fácil.

As relações já existentes também se intensificam durante esse trânsito, tornando-se menos rotineiras; a necessidade de gratificação, transcendência e profundidade psicológica é maior e mais urgente que nos outros períodos. As bases dessa relação podem sofrer mudanças consideráveis, bem como encontrar novas facetas criativas que têm o poder de transformar a relação e a vida dessa pessoa. Em contrapartida, esse trânsito pode pôr fim a uma união que deixou de ser satisfatória ou que não preenche os requisitos mínimos para enfrentar a nova perspectiva oferecida por Plutão.

Esse trânsito se caracteriza por proporcionar uma grande sensibilidade em relação aos outros, além de uma atitude imparcial no que diz respeito à própria pessoa. De modo geral, reorienta, por bem ou por mal, as relações emocionais entre as pessoas. Essa energia pode ser sublimada, surgindo, durante esse período, uma habilidade criativa desconhecida, uma atividade artística capaz de satisfazer a sensibilidade e o sentido da fruição, incrementados por esse trânsito. De modo oposto, pode degenerar num sensualismo exagerado, a tal ponto que a pessoa só se interesse em satisfazer as sensações físicas, à margem de qualquer desenvolvimento da consciência e de qualquer crescimento como ser humano. Como Vênus rege Touro, o polo oposto a Escorpião, é preciso escolher entre autoindulgência e autodomínio.

O uso descontrolado ou incorreto da energia desse trânsito intensifica, de maneira simultânea, a parte sexual de Plutão e a sensual de Vênus. E, se esses planetas estão muito aflitos no tema natal, pode gerar todo tipo de exageros, excentricidades e aberrações, assim como o comércio desses atos. Esse aspecto é encontrado em temas de prostituição de qualquer espécie.

Introduz na vida da pessoa tanto a necessidade como a oportunidade de transformar completamente as relações. Em função disso, costuma produzir rupturas, geralmente rápidas e bruscas. No entanto, se uma pessoa aprende a lição de não confundir o amor com a emoção, e possível evitá-las, ou então levá-las á efeito sem ressentimento nem cólera. Em ambos os casos, essa pessoa aumentou seu conhecimento e não voltará a passar por essa experiência. Sabe que o amor é antes um princípio que uma emoção.

Em outra ordem de coisas, se Vênus está aflito no tema, será melhor evitar as especulações financeiras. Na esfera da saúde, é possível detectar pouca resistência às infecções; as partes do corpo mais propensas a elas são a garganta, os rins e os órgãos do aparelho reprodutor. Na medida do possível, convém não abusar de doces e pastéis ou de qualquer outra indulgência culinária.

Alguns astrólogos esotéricos afirmam que esse trânsito pode significar para o discípulo que se encontre no caminho de regresso "a noite obscura da alma"; sustentam também que, uma vez superado, ele proporciona uma extraordinária percepção e desenvolve um grande poder de criação.


Plutão - Marte

A força expressa em ação. Esse trânsito envolve uma tremenda energia física. Nesse período, o indivíduo se sente capaz de obter tudo o que deseja; trata-se da época de superar todos os obstáculos e de triunfar em qualquer área da vida que desperte o seu interesse. Existe uma forte necessidade de usar essa grande quantidade de energia e é difícil - e geralmente nocivo - acumulá-la.

Com este trânsito, é possível realizar grandes coisas; tudo o que requer esforço torna-se agora mais fácil, uma vez que o estado de espírito específico o leva a tomar essa aparência. Este indivíduo esbanja estímulo, força e capacidade para trabalhar com afinco e essa é precisamente a melhor coisa que ele pode fazer com a presente energia. Não convém, de forma alguma, armazená-la. Seja como for, é preciso libertá-la.

Plutão é o planeta da transformação e Marte oferece a energia necessária para levá-la a efeito.

Marte também representa a capacidade de sobrevivência do ego, da personalidade, e Plutão desempenha essa mesma função em relação ao espírito. Este trânsito enfatiza a identidade individual, o eu separado dos outros. O perigo reside no fato de que, no processo de expansão do eu, o indivíduo procura dominar as outras pessoas, ação à qual estas últimas evidentemente resistem. Assim sendo, o indivíduo percebe essa energia como um obstáculo que se opõe a seu desenvolvimento. É possível evitar tal coisa estimulando os outros e a eles se unindo na consecução dos ideais, sejam estes de ordem física, emocional ou mental.

O uso adequado da presente energia vitaliza e regenera a saúde. Em contrapartida, a utilização incorreta esgota as forças no decorrer da longa luta. Dito de outra maneira, é necessário usar a energia, mas não abusar dela.

Este trânsito impõe a iniciativa sobre a reflexão e isso assinala um período difícil. Caso se aja sem um mínimo de controle, a parte negativa de Plutão se soma à parte negativa de Marte e o resultado é explosivo. Nossa parte mais animal tende a transbordar. A ação bruta, desprovida de matizes, os julgamentos apressados e a pressão dessa energia prestes a estourar abrem caminho para que a cólera e a violência sejam os meios usados para dar saída a essa força.

Como antídoto, deveriam ser utilizados, mais do que nunca, o discernimento de Júpiter, o irmão celeste de Plutão, e a benevolência de Vênus, o polo complementar de Marte.

Enquanto o efeito do trânsito perdurar, intensificam=se a tendência antissocial, as atividades subversivas de todos os tipos e, em casos muito extremos, de grande conflito no tema natal, a possibilidade de rapto, violação sexual e morte. É um aspecto frequente entre assassinos e assassinados.

A mescla de energias envolvidas pelos aspectos entre esses dois planetas é demasiado poderosa para ser retida; por essa razão, e preferível liberá-la antes que nos prejudique. É necessário expressar essa força, e tal coisa pode ser feita de modo construtivo ou destrutivo. Bem utilizada, é uma oportunidade que merece ser aproveitada.


Plutão - Júpiter

A entrada de Plutão em aspecto com Júpiter, o grande benéfico, dificilmente pode ser muito ruim, revelando-se, pelo contrário, extraordinariamente útil e afortunada. A pessoa experimenta uma sensação de otimismo, vitalidade, positivismo e esperança, e esse estado de espírito propicia o êxito em qualquer empreendimento a que ela se dedique.

Trata-se de uma excelente ocasião para incrementar as faculdades pessoais mais elevadas; podem-se atingir níveis superiores de consciência, uma ampliação da capacidade de discernir e, caso a pessoa esteja voltada para a trilha espiritual, ajuda de fontes extraordinariamente elevadas e, de modo geral, pouco acessíveis.

Júpiter mantém relação com a fé e com o espírito e, durante esse trânsito, os ideais são mais elevados que de costume. O indivíduo se sente atraído pelos grandes sistemas de pensamento que procuram explicar a sociedade ou o universo como um todo. Tende a compartilhar as ideias que lhe foram úteis, que ampliaram sua visão, e é fácil ocorrer, nesse período, que ele se erija em professor, em mestre. Quanto mais divulga os conhecimentos e intuições a que chegou, mais profundos estes se tornam. Júpiter rege tanto o ensino como o estudo e este último se transforma em prazer e em paixão, especialmente o estudo das diversas filosofias relacionadas com o universal. Plutão, o planeta da regeneração, induz também ao estudo de qualquer forma de cura, particularmente as pouco ortodoxas, da cura pela fé ao mais complexo sistema de fórmulas alquímicas; por outro lado, não se deve esquecer a faceta drástica de Plutão, que prefere a amputação preventiva, caso a considere necessária.

Generosidade, integridade pessoal e honorabilidade, as quais, durante esse trânsito, podem ser reconhecidas pelos outros sob a forma de prêmios, títulos e homenagens. Uma parcela de glória que pode ser conseguida, mas que não deveria constituir o principal motivo das ações; caso contrário, manifesta-se o lado negativo de Plutão e este último se volta contra o próprio indivíduo. A clássica expansividade de Júpiter, intensificada pela pressão interna de Plutão, tende a exceder-se a si mesma. Descomedimento e falta de controle, desejo de ser importante (social e economicamente), de acumular poder, de organizar e controlar tudo e, em alguns casos, de explorar os outros sob uma fachada de honorabilidade. Delírios de grandeza, de onipotência, arrogância e autossuficiência. Inclinações messiânicas, crises, perda de reputação, gastos excessivos e, de maneira geral, excessos de todos os tipos.

O excesso de autoconfiança pode ser traduzido pela atitude do indivíduo que acredita possuir a verdade, pelo sentimento de que as próprias ideias ou as próprias ações são mais importantes que os atos das outras pessoas. Por outro lado, pode levar o indivíduo a envolver-se com alguma seita ou com algum grupo que não aceitam alternativas para o seu dogma. Essa atitude tende a acarretar problemas legais. O segredo reside em preservar o sentido da proporção. Discernir a justa medida implica, durante esse trânsito, compreensão e sabedoria.


Plutão - Saturno

Saturno é o construtor por excelência; rege não somente os ossos - a estrutura do nosso corpo -, mas também a pele, nosso limite. A medida que vamos crescendo, e através das experiências saturninas, edificamos a estrutura de nossa personalidade. Essa estrutura logo se transforma no ponto de apoio, no bastão que dá segurança; ao mesmo tempo, entretanto, construímos nossa armadura, nosso cárcere particular.

Plutão é o planeta da transformação, da regeneração inelutável, e, quando transita em aspecto com Saturno - a resistência à mudança, o símbolo do sólido, do cristalizado -,. assinala um período de forte tensão, de modificações que só têm lugar através de um esforço contínuo. Esse trânsito aumenta a persistência, a tenacidade, a paciência e sobretudo a responsabilidade do indivíduo; para isso, cria as circunstâncias ambientais e as condições psicológicas necessárias, isto é, o terreno onde tais características possam florescer.

Plutão elimina, para regenerar, todas as partes de nossa estrutura básica que já não são úteis para o nosso progresso, podendo suprimir tudo aquilo que nos liga ao passado -. relações, ideias, posses, dinheiro, estilo de vida - e deixar-nos apenas com o mínimo essencial. Procura ensinar-nos que todas essas coisas não constituem nosso ser fundamental; é preciso aprender a ficar só consigo mesmo e, no princípio, isso tende a gerar desorientação, melancolia, depressão e impaciência.

As mudanças podem ser bruscas, mas o processo é lento, gradual e profundo, e o indivíduo aprende a guiar-se utilizando apenas o essencial, substituindo a velha estrutura por outra menos aparente, porém mais sólida, mais sutil e, evidentemente, mais duradoura e adequada às necessidades evolutivas do presente.

Plutão desvela as falhas de nossa estrutura, mostra qualquer tipo de fraqueza oculta no subconsciente, atinge o ponto fraco. Por assim dizer, coloca o dedo na ferida. Justamente nos momentos em que nossa resistência se mostra mais vulnerável, quando nos sentimos mais fatigados, ele testa a habilidade. pouco comum, de aceitar a responsabilidade implicada pela consideração de nossas fraquezas menos conhecidas. Essa situação é necessária e, nesse trânsito, a força de Plutão intensifica nossa responsabilidade, paciência e persistência no esforço; este último pode nos conduzir, de uma forma lenta mas poderosa, à recompensa da própria integração, da integração de nossas duas faces. Uma vez conseguida essa totalidade, existe a possibilidade de integrá-la em outra realidade ainda maior. Não nos esqueçamos de que Plutão é um planeta transpessoal e de que está intimamente ligado ao inconsciente coletivo.

Um bom antídoto para a tendência depressiva e autodestrutiva característica da dificuldade desse trânsito pode advir de a pessoa conservar certa dose de humor e não considerar-se a si mesma de forma demasiadamente séria.


Plutão - Urano

Embora os efeitos das energias desses dois planetas sejam sentidos na esfera do pessoal, as causas não se originam no particular, mas no geral. Todos os planetas situados adiante de Saturno se relacionam com o coletivo, com o destino da humanidade como um todo e não com o do indivíduo isolado, ainda que nossa participação no processo possa ser singular e que este nos afete profundamente no plano individual. Urano e Plutão representam duas forças muito profundas dentro do uni verso, e aprender o funcionamento deste último constitui uma boa forma de utilizá-las. Ninguém pode prever com exatidão o que fará Urano, mas, aconteça o que acontecer, sucederá de modo imprevisível e repentino, modificando totalmente a situação.

A energia de Plutão é invisível; trabalha nas profundezas, purificando e redimindo a consciência, e seus efeitos são permanentes. A combinação dessas duas forças pode ser simbolizada como uma revolução criativa. Plutão empresta profundidade à capacidade de mudança de Urano. Tudo isso se manifesta sob a forma de mudança, geralmente mudança na coletividade. Em função da lentidão desses planetas, seus aspectos são geracionais; o indivíduo pode representar uma parte ativa nesses aspectos, caso tenha Urano forte no tema ou simplesmente reaja a essa pressão ambiental. No plano pessoal, essas duas energias são sentidas como um forte desejo de liberdade, e aqueles que estão atentos rapidamente percebem que a liberdade só vigora quando a pessoa não se preocupa com a possibilidade de ser ou ou não livre, renunciando à sua própria vontade e permitindo que, através de si, atue a vontade do universo, a lei ou a ordem do cosmos. Os vislumbres de intuição opõem-se a qualquer dogma ou ortodoxia, a inspiração revela a verdade àqueles que estão preparados e tal coisa gera um processo de transformação profunda. Originalidade e genialidade, aumento de poder nos níveis internos de consciência, desenvolvimento da visão espiritual e da intuição. Intensificação da vitalidade física. Essas mudanças, cujas origens, na maioria das vezes, devem ser buscadas em anos passados, separam claramente esse período do anterior; trata-se de um afastamento em relação ao passado, de um enfoque no futuro, e o indivíduo sente uma excitação pelo novo, pelo oculto e pelo científico.

Favorece o estudo de tudo aquilo que, no momento, aparece como revolucionário, dos computadores à ciência espacial, passando pela astrologia.

Durante esse período, o indivíduo transcende as meras aparências, aprofunda-se em dimensões insuspeitadas, enriquece sua vida com esses conhecimentos e tem a oportunidade de conseguir algo extraordinário, afastado das perspectivas habituais. A pessoa tende a sentir-se nova e livre.

Em contrapartida, também pode ocorrer que o indivíduo passe por poucas mudanças em sua vida pessoal. Contudo, se for esse o caso, tudo aquilo que o rodeia sofre grandes transformações. Para essa pessoa, a prova consiste em adaptar-se a essas mudanças. A resistência e a rigidez só pioram a situação e, caso mantenha a mesma atitude que antes, empenhando-se em permanecer inalterável, o indivíduo pode sofrer bastante. Quanto mais flexível ele for, melhor caminhará todo o processo. Ir contra a corrente transforma uma pessoa em vítima de si própria e, estando Urano envolvido, é impossível preparar-se.

Outro perigo consiste em modificar - pelo simples gosto da mudança e sem qualquer discernimento - tudo o que é velho, todas as antigas condições, sem levar em consideração que muitas delas permanecem úteis e perfeitamente válidas. Tal coisa torna o indivíduo errático, desprovido de bases sólidas e caprichoso, determinado a fazer apenas aquilo que aprecia, sem considerar qualquer outro critério. Se o tema está aflito, ele pode erigir-se em lei e usar a violência para conseguir o que deseja. Plutão representa persuasão em sua oitava elevada mas também coação em sua faceta negativa.

É conveniente recordar que se obtêm mais resultados com mel que com vinagre.


Plutão - Netuno

Enquanto Plutão é uma força motriz, um poder que tudo move, Netuno simboliza a capacidade de fabular, de imaginar. Num nível muito elevado, Netuno dá forma ao impulso inicial de Plutão. Na alternância um-dois, ativo-passivo, eles representam o primeiro par, a primeira relação ying-yang, o princípio do primeiro ciclo.

O trânsito de Plutão por Netuno marca uma fase desse primeiro ciclo e age em níveis muito profundos do inconsciente coletivo. Em cada um dos indivíduos que compõem as gerações com o mesmo aspecto, manifesta-se de uma maneira muito sutil, quase imperceptível, transformando, sem que a pessoa sequer perceba, os valores, ideais, objetivos e concepções do mundo. É possível que um indivíduo constate, durante esses trânsitos, que os fundamentos de vida que possuía deixaram de interessar-lhe; percebendo que viveu, até o momento, numa ilusão, pode sentir-se desorientado, mas o que se passa com ele está ocorrendo com toda a sua geração. Não se encontra sozinho e é importante ter isso em mente, já que a solução para o seu problema pode advir mais facilmente do contato com as pessoas da mesma idade que da abordagem individual. A um problema global corresponde uma solução global. Embora isso seja certo, se um indivíduo deseja comparar sua perspectiva de vida com outras concepções distintas, deve procurar pessoas mais velhas ou mais jovens, uma vez que as de sua geração o compreenderão de um ponto de vista idêntico ao seu.

Trata-se de um bom momento para concretizar um ideal de anos precedentes e, caso seja utilizado de maneira elevada, esse trânsito produz uma inextinguível energia espiritual. É a época de encontrar companheiros que trilhem o mesmo caminho espiritual e de avançar em companhia daqueles que se encontram espiritualmente despertos. Através da prática da meditação é possível sensibilizar, durante esse período, os mundos internos e colocar em atividade a glândula pineal. Ainda que tenha uma visão materialista do mundo, o indivíduo se sente inclinado, nessa época, a procurar uma explicação mais profunda dos fenômenos da vida, a transcender de alguma forma a superficialidade em que habitualmente nos movemos e a explorar dimensões que ultrapassem o aparente.

Num sentido completamente oposto, esse trânsito pode levar a pessoa à mais profunda degradação. Nesse caso, o indivíduo se vê diante da idealização que construiu do mundo, e não diante de sua realidade; desse modo, vê-se obrigado a conhecer os próprios fantasmas - e nada há que seja mais netuniano que um fantasma - e, muitas vezes, tal coisa se traduz numa forma ou outra de escapismo, da intensificação da atividade onírica ao consumo de várias espécies de álcool e de drogas. O indivíduo pode igualmente perder-se - outro conceito tipicamente netuniano - em numerosas abstrações. O caráter se torna instável, flutuando entre a hipersensibilidade e a tolice, e o sentido dos valores se deforma. Delírios, loucuras e complexos de perseguição são frequentes.

É imprescindível discernir entre o que é e o que aparenta ser.


Plutão - Plutão

Os aspectos por trânsito de Plutão sobre o Plutão radical são etapas dentro de um mesmo processo criativo de evolução e sua manifestação depende muito dos aspectos e das situações do Plutão natal. Ocorre como se, de quando em quando, fosse recordado a um indivíduo o seu programa. São momentos adequados para que se aprofundem os próprios objetivos e, caso a pessoa esteja na linha que lhe corresponde, podem ser períodos de grande estabilidade e reafirmação dentro do processo.

Ocorre o mesmo no caso específico da quadratura, mas com a particularidade de que todos os elementos acumulados durante o ciclo - elementos que devem ser reformulados, porque deixaram de ser úteis - se tornam evidentes. E ainda que não o deseje, o indivíduo é obrigado a eliminá-los, sejam eles hábitos, situações criadas ou relações. Trata-se de uma ocasião para tomar consciência do destino particular no âmbito do destino geral.

Plutão é tão lento que, na média de vida atual da humanidade, só chega a realizar um trânsito importante, a quadratura, a partir dos sessenta anos. E, no caso de vidas longas, o trígono, realizado entre os oitenta. e os noventa anos.


Os trânsitos de Plutão nas casas

Plutão é extremamente lento e seus trânsitos por uma casa se manifestam durante muito tempo e das finais variadas maneiras, dependendo dos aspectos com outros planetas; estes últimos têm, em relação a Plutão, a função simultânea de redutores de seu tremendo potencial e de canais de expressão.

Não teria sentido dedicar várias páginas a esses trânsitos, em primeiro lugar porque seria uma repetição do que foi exposto em Plutão nas casas e, em segundo lugar, porque, quando este último se manifesta através dos aspectos com outros planetas, é preciso combinar as características de ambos, assim como a significação das duas casas nas quais esse trânsito se manifesta.

Caso se leve isso em consideração, não é difícil deduzir os possíveis efeitos de Plutão.

Na verdade, ocorre frequentemente - e vale a pena recordá-lo - que as casas assinalam as circunstâncias e situações nas quais o indivíduo se vê envolvido. E, por regra geral, Plutão em trânsito age mais sobre essas circunstâncias que diretamente sobre o indivíduo, muito embora este último sinta, de maneira inevitável, as consequências das mudanças ocorridas no ambiente.

Evidentemente, os trânsitos mais poderosos são aqueles que envolvem casas cardeais (um, quatro, sete e dez); no entanto, mesmo nesses casos, o indivíduo pode passar muito tempo sem sentir mudança alguma na esfera do pessoal, sem perceber o que ocorre ou sem saber que tal coisa se deve ao trânsito de Plutão, uma vez que, como já foi dito, este último só age diretamente em casos muito especiais e em pessoas altamente evoluídas - pessoas que possam captar a elevada voltagem do planeta sem ser automaticamente destruídas.

Nas outras pessoas, os trânsitos de Plutão devem ser interpretados através dos aspectos com os planetas mais pessoais.