quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Peixes, por Sementovski-Kurilo



Peixes geralmente é indeciso e medroso. A debilidade de seu caráter é indubitavelmente seu aspecto mais negativo. Sonhador, dotado de uma imaginação transbordante, fantástica, Peixes é ainda mais utópico que Aquário, e tanto o é que suas utopias não têm nenhuma relação com a realidade da vida; não faz projetos de descobrimentos e construções, nem planos de melhoramentos quiméricos para a melhoria da condição humana, nem projetos com possibilidades reais conectadas a fatos ou fenômenos científicos ou sociais (como se pode observar em Aquário); a utopias de Peixes se referem a coisas que estão longe de ser práticas; são aventuras no reino dos ideais sublimes ou das aspirações românticas. Peixes tem algo de Dom Quixote. De fato está continuamente animado pelas mais exaltada esperança e, obrigado a viver em um ambiente feio e árido, se consome na nostalgia de um mundo de beleza e harmonia. Extremamente sensível e facilmente impressionável, é o primeiro entre os amantes e criadores da arte, insuperáveis sobretudo na música (Bach, Handel, Chopin, Caruso).

Além disso, Peixes está fortemente inclinado a uma profunda e sincera religiosidade, ou mesmo ao misticismo ou ao ocultismo: Peixes com muita frequência apresenta grande mediunidade. A natureza receptiva e passiva, a disposição em ajudar as outras pessoas, para socorrer (inclusive com sacrifício próprio), a compaixão e a humildade, fazem de Peixes o signo dominante frequentemente encontrado em temas natais de enfermeiros, monges, sacerdotes e freiras, etc.

Em Peixes é singular o lado material de sua existência. Ainda que estando privado de um verdadeiro sentido de realidade, completamente estranho ao desejo de possuir bens ou de acumular riquezas, Peixes sempre consegue de uma maneira ou de outra assegurar ao menos o mínimo necessário para a existência. Na vida profissional mostra uma consciência exemplar e um sentido muito desenvolvido da responsabilidade. No caso de assumir um encargo ou propor-se a concluir um trabalho, pode-se estar seguro de que resolverá a sua tarefa com a máxima habilidade e precisão. Desta maneira Peixes converte-se num bom juiz, excelente funcionário do Estado; e se não está preparado para uma ocupação em estreito contato com a técnica, tem sem dúvida melhor predisposição para qualquer emprego em empresas que tenham relação com a literatura, o jornalismo, as editoras e livrarias. Peixes encontra-se a gosto em posições de trabalho independente ou dirigente, pois em tais posições encontra a oportunidade para por à prova com melhor êxito sua capacidade e faculdade de inteligência. Ali Peixes pode jactar-se de maior "maturidade e sabedoria" com relação a qualquer outro tipo dominante, é sempre bem visto seja como empregado, ou como colaborador, ou como conselheiro.

Nos indivíduos pouco evoluídos e com fortes aflições no Mapa Natal, a mesma capacidade e faculdade que aparece como virtude, sofre uma total transformação segundo à lei da ambivalência psíquica: em vez de servir aos outros, os exploram; antes de sublimes ideais, se perdem nas exigências do mais baixo materialismo. Da "sabedoria", ainda nesses casos, nada mais resta senão a astúcia. Ainda no mais rudimentar representante de Peixes, aparece sua natureza original, sendo - ao seu modo - generoso e compassivo; quer dizer, será sempre muito magnânimo com os eventuais cúmplices, gastando sem contar o dinheiro ganho por meios ilícitos e, apresentando-se a oportunidade, não deixará de prestar socorro a quem se encontra em dificuldades.

O quadro da vida sentimental de Peixes é muito complexo. Fortemente sensual (de certo modo se envergonha de reconhecê-lo e mais ainda de exibir suas paixões), tende a reprimir e a superar seus instintos. Neste sentido Peixes pode considerar-se, como muitos estudiosos afirmam, como o signo mais ascético, imortalizado nas figuras dos grandes santos medievais. Em geral o Peixes mais evoluído encontra satisfação em suas aspirações afetivas e o quase exclusivo conteúdo espiritual da própria existência sentimental em uniões de caráter platônico, realizadas de forma sublime. Nos indivíduos menos evoluídos, faltando-lhes a vontade e com frequência o domínio sobre si mesmos, a brandura de seu caráter junto com a irresistível luxúria, levam a todo o gênero de aberrações na vida sexual; muitos se abandonam à mais desenfreada libertinagem. É bom assinalar que estes indivíduos sem vontade própria, débeis, sentem prazer em torturar psíquica ou fisicamente às pessoas de sua própria estima: o sadismo e o masoquismo são formas de perversão sexual frequentes.

Conforme se pode observar entre os indivíduos evoluídos e pouco evoluídos de Peixes existe uma diferença caracterizada nas duas partes por sua tendência ao extremismo. Facilmente se exaltam e se entusiasmam; em tais momentos a realidade, que geralmente ignoram, aparece como uma fonte fértil donde as coisas aparecem infatigáveis e brotando inesgotavelmente; o otimismo máximo os animam. Porém é uma chama enganosa, que recém acesa torna a apagar-se; e nas decepções que lhes acometem, a melancolia se apodera desses seres arrojando-lhes de um só golpe o mais negro pessimismo. Essas oscilações psíquicas podem verificar-se inclusive de hora em hora, de modo que a existência de Peixes é como um levantar e cair: poderia observar-se que caminham sobre ondas que se derrubam uma sobre as outras. É isto que faz tão difícil a convivência de Peixes com outras pessoas e faz parecer problemática a solidez do matrimônio. Ademais, Peixes é facilmente excitável, e em tais ocasiões se torna insuportável como Câncer nas mesmas circunstâncias.

Peixes, conforme sua natureza sonhadora, gosta de longas viagens; longínquos e desconhecidos países são metas que o atraem.

Entre as tendências patológicas de Peixes, observam-se: o reumatismo, a obesidade, a diabete, as enfermidades da pele, a debilidade ou lesões dos membros inferiores.



Fonte: Sementovski-Kurilo: Astrologia - Tratado Teorico e Pratico
Tradução: Claudio Fagundes