segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Os Ciclos de Saturno - o ciclo genérico (por Alexander Ruperti)



Na vida de todos, ocorrem simultaneamente dois ciclos distintos de Saturno. : o ciclo genérico e o ciclo individual. A experiência comum a todos os seres humanos, a experiência da idade, é simbolizada pelo trânsito de Saturno sobre a sua posição natal (o ciclo genérico). Descontando as variações devidas ao movimento retrógrado, o período sideral de Saturno é de aproximadamente 2912 anos. Deste modo, numa existência com um tempo de vida de noventa anos, Saturno transitará três vezes por todo o mapa do nascimento. Cada um desses trânsitos é um ciclo completo de Saturno, que começa na posição que ocupava no nascimento e termina com o seu retorno. Estes três ciclos indicam pontos decisivos no desenvolvimento gradual do destino e do caráter e correspondem, respectivamente, ao PASSADO, PRESENTE e FUTURO.

O PRIMEIRO CICLO - SATURNO, O PASSADO. Este ciclo começa por ocasião do nascimento e termina quando a pessoa chega ao seu 30° aniversário. Aqui Saturno é expresso em função do passado coletivo, isto é, da hereditariedade e do ambiente no qual o indivíduo nasceu e para fora do qual ele deve emergir a fim de dar realidade ao potencial que trouxe no nascimento. Eventualmente, devem ser rompidas as limitações de Saturno, primeiro experimentada sob a forma de imagem-pai/imagem-autoridade e, mais tarde, como as restrições da família e das tradições sociais. Se não são rompidas durante este ciclo, serão transportadas para o ciclo seguinte e se manifestarão de maneira ainda mais negativa. Toda criança começa a vida como um ser totalmente dependente, incapaz até mesmo da mais elementar afirmação da sua própria volição. A medida que Saturno, transitando, afasta-se da sua posição natal, a criança vai se tomando progressivamente mais independente e mais capacitada para se separar do seu condicionamento do nascimento e, deste modo, vai tendo uma outra visão dos seus pais, da sua dependência e de todos os padrões familiares. Durante o primeiro ciclo, esta separação frequentemente toma a forma de rebelião; e, embora muito deplorado por todos os pais, este é um passo importante no processo de desenvolvimento no sentido da individualidade.

A Quadratura Crescente. A primeira "crise" ocorre por volta dos 7-8 anos de idade, quando Saturno entra em quadratura com a sua posição natal. Segundo Rudhyar, tais quadraturas frequentemente assumem o caráter de um aspecto crítico de Marte. Nesta quadratura crescente, existe a primeira tentativa de enfatizar o "Eu" contra as pressões da família e do ambiente. Diz-se, então, que a criança alcançou a "idade da razão" e já não é mais sensível ao "porque eu disse que é assim... " Pela primeira vez, ela questiona a autoridade, quase divina, dos pais e dos professores. Começará a expressar o desejo de escolher suas próprias roupas e também os alimentos que quer comer. Se uma hora certa de ir para a cama foi anteriormente imposta à força, ela muitas vezes fará disto um caso, no qual tentará afirmar a sua própria volição. Esta pode ser uma época de grande conflito, uma vez que a criança procura, cada vez mais, meios de se auto-afirmar. Quer se colocar acima da classe dos que são censurados, quer ser uma figura de autoridade. Percebendo que tem Uma vantagem sobre os que são menores, começa a dar ordens aos colegas de escola e aos irmãos mais jovens e, se não tem um irmão ou uma irmã menor, poderá pedir ou até mesmo exigir um.

Com Saturno (as limitações da sociedade), um dos sustos experimentados nesta idade é ser apanhado roubando. Antes desta idade, se acaso uma criança pegou alguma coisa, foi porque não podia diferenciar entre a propriedade alheia e o que era seu. Por volta dos sete anos, porém, o conceito de propriedade já está claramente definido e a criança sabe que é errado tirar aquilo que pertence a alguma outra pessoa. O que ela está fazendo é testar a autoridade da sociedade. Eventualmente, a criança será apanhada e deve ser adequadamente repreendida. As lições da primeira quadratura de Saturno serão passadas para diante, na forma de um comportamento adulto anti-social, se não forem aprendidas nessa ocasião. O pai deve compreender, porém, que, numa criança de sete anos, elas são simplesmente lições que precisam ser aprendidas como parte do processo natural de crescimento.

A Oposição. A crise que ocorre na puberdade, ou imediatamente após (aos 15 anos, aproximadamente), corresponde à oposição de Saturno, em trânsito, dirigida à sua posição natal. Todo este período é caracterizado por drásticas oscilações entre a infância e a idade adulta. Num minuto o indivíduo é demasiadamente jovem e no minuto seguinte ele é velho demais. Conforme o indivíduo (que está emergindo) faz suas primeiras tentativas de voar por conta própria, descobre que ser gente grande não é, de modo algum, aquilo que pensou que fosse. Com a liberdade vem a responsabilidade, e, quanto maior a liberdade, maior a responsabilidade. Embora os problemas da sexualidade e os relacionamentos de acasalamento pareçam ser predominantes durante este período, eles são apenas uma parte da crise. A mente também está desenvolvendo suas faculdades objetivas e é usada como um meio de avaliação crítica. Este é o verdadeiro ponto crítico da adolescência - não simplesmente uma percepção do sexo e dos relacionamentos sociais -, mas, muito mais profundamente, o confronto e a avaliação objetiva da família, de todas as figuras de autoridade e da própria sociedade. Na nossa sociedade, isto inclui o povo e o governo.

Na sua tentativa de separar-se das críticas dos pais e da família, o adolescente frequentemente adota uma atitude de rebelião declarada. Os coitados dos pais não sabem fazer NADA certo. Ele põe objeção a tudo, desde a comida que come até os seus valores morais básicos. O grupo de adolescentes iguais a ele substitui os pais, os professores e, às vezes, as leis da sociedade como autoridade suprema. Ele adota uma "mentalidade de sitiado", do tipo "nós contra eles", e o objetivo foral deste período é a popularidade entre os seus iguais. Com um fervor quase religioso, aderirá aos códigos deles, que regem o comportamento e a maneira de vestir. Este é um passo natural para a independência total, mas o ego continuará a não se desenvolver num sentido criativo enquanto ele rifo puder se mover além desta dependência da aprovação do grupo. A fuga à responsabilidade é outro fenômeno natural desta idade. Normalmente, isso aparece como uma fuga das tarefas dentro do lar, mas, às vezes, assume um aspecto mais drástico e, potencialmente, mais prejudicial - o casamento prematuro. A maioria dos casamentos realizados prematuramente, durante este ciclo, estão fadados ao fracasso, uma vez que o seu propósito não é estabelecer um relacionamento, mas a fuga do lar e da censura paterna e materna. Prematuramente desligado do grupo dos seus iguais, pelo fato de ter escolhido uma única companhia, o indivíduo pode sentir-se como se o próprio chão tivesse sido retirado de sob seus pés. Com frequência, a reação é fugir do casamento, e assim mais uma vez ele se vê "fugindo de casa".

Se Saturno (as leis da sociedade) não caiu pesadamente sobre ele quando roubou o primeiro pedaço de chiclete por volta dos sete anos de idade, então o adolescente poderá testar novamente o sistema, com novos furtos. Desta vez, ele poderá agir com a cooperação do seu grupo de pares. Cada vez que ele consegue fazer isso impunemente, o objeto passa a ser maior ou mais valioso. Até onde ele pode ir? Mais cedo ou mais tarde, Saturno o alcançará. Durante todo este período, deve ser lembrado que o adolescente precisa de alguma autoridade estabelecida contra a qual se rebelar. Se nenhuma disciplina lhe foi imposta, então ele irá tão longe quanto for necessário, apenas para encontrar uma válvula de escape. Os pais que dão aos seus filhos uma liberdade total no falar e no agir não estão fazendo nenhum favor aos seus rebentos, não importa o que alguns livros possam dizer. Este é o verdadeiro significado de "estragar uma criança".

A Quadratura Minguante. Enquanto a crise da quadratura crescente (entre 7-8 anos de idade) é essencialmente de ação, a crise correspondente à quadratura minguante, aos 21-22 anos de idade, é essencialmente cerebral, é uma "crise na consciência". Este é o período em que os laços de dependência aos pais podem finalmente ser rompidos. O indivíduo é reconhecido como um adulto pela sociedade, com todos os privilégios e responsabilidades consequentes. Ele pode beber, votar, casar e assinar contratos sem permissão dos pais; se infringir a lei, irá para a cadeia. Com frequência, nesta época, ele já terá completado a sua educação ou o seu aprendizado, e estará pronto para se dedicar a uma carreira e prover o seu próprio sustento. Agora é o momento em que ele pode sair para o mundo sem fugir de casa. O vínculo pais-família, que foi diminuindo desde os sete anos de idade, não deverá ser uma preocupação importante nesta época. O problema agora é que o indivíduo deve, finalmente, separar-se do grupo dos seus pares e ficar sozinho. Há uma forte percepção de que a "individualidade" é mental, antes que física. Neste período, a pessoa poderá preferir a solidão, isolando=se do grupo. Esta pode ser uma época altamente analítica, com muita energia gasta em questões filosóficas.

A separação do passado também deverá incluir o rompimento dos laços de velhas atitudes. Tão logo se tenha libertado da sua dependência aos pais e aos seus iguais, o indivíduo está pronto para estabelecer um relacionamento de pessoa para pessoa e tomar o seu lugar no esquema social. Para romper com o grupo dos seus pares, ele não tem que se tornar, necessariamente, um eremita, pois a única liberdade verdadeira está na mente. Se o indivíduo ainda carrega uma necessidade de dependência, casará com alguém que funcione como mãe ou como pai, não importa a idade que ele tenha, e nunca será capaz de estabelecer um relacionamento verdadeiramente adulto. Se não pode se separar do grupo dos seus iguais, jamais estabelecerá amizades verdadeiras e estará sempre "fazendo o que os outros fazem".

O SEGUNDO CICLO - SATURNO, o PRESENTE. O novo ciclo começa justamente antes do 30° aniversário, quando Saturno volta para a sua posição natal. Frequentemente, este é um ano de opção, que deter mina a direção da vida, o tipo de associados que o indivíduo valoriza e a profissão ou atividade no mundo dos negócios que ele adota. O segundo ciclo é uma antítese do primeiro - é o ciclo de produtividade potencial. Durante todo este ciclo, à medida que a pessoa luta para ganhar a vida e produzir alguma coisa de valor dentro da comunidade, Saturno se manifesta principalmente como feitor. O indivíduo é obrigado a agir de acordo com um princípio, exercendo uma função ou um papel definido na sociedade, da maneira mais significativa possível. Aqui, Saturno é a força que sujeita e equilibra o presente através da rotina compulsiva da existência.

O desenvolvimento pessoal através do segundo ciclo é, portanto, completamente dependente do desenvolvimento e do grau de maturidade alcançado durante o primeiro ciclo. Se, no final do primeiro ciclo, a pessoa emergiu como um indivíduo criativo, preparado e capaz de usar todo o seu potencial, então o segundo ciclo será de produtividade e criatividade sempre crescentes. Por outro lado, se a pessoa não emergiu do primeiro ciclo como um indivíduo total e completo, se continua limitada pelas censuras da sociedade, pelas exigências do grupo dos seus pares ou por uma dependência aos pais e à família, então, o segundo ciclo tem a possibilidade de ser uma repetição deformada ou invertida do primeiro. Isto não quer dizer que a pessoa está fadada a uma existência inexpressiva se os desafios de Saturno não são plenamente enfrentados antes do 30° aniversário; quer dizer, apenas, que, aos 45 anos de idade, ela ainda estará resolvendo conflitos que deveria ter resolvido quando tinha quinze. Sempre há uma outra chance, mas, na segunda vez que ela se manifesta, os padrões estão mais profundamente entrincheirados e sua solução torna-se mais difícil.

Assim que o novo ciclo de Saturno começa, o indivíduo se vê diante de novas situações e novas limitações que condicionam e definem o seu destino. (o padrão da sua consciência e do seu caráter) para os próximos trinta anos. Esta é uma ocasião psicologicamente crítica, uma vez que a pessoa tem uma percepção aguda de que alguma coisa terminou, porém mal percebe o que espera daí para a frente. Há uma tendência de avaliar o ciclo passado, não em função do seu valor como uma experiência de aprendizagem, que é o que ele se destina a ser, mas em função de produtividade, que é o que se supõe que o seguinte ciclo de 30 anos seja. Por ocasião da quadratura minguante (21 anos de idade) muitas pessoas estabelecem metas relacionadas com o seu 30° aniversário. "Se eu não tiver conseguido lá pelos trinta..." é uma frase frequentemente repetida entre pessoas na faixa dos vinte anos. A implicação tácita é que o indivíduo desistirá se não tiver alcançado as metas da sua vida por volta dessa idade. O que ele fará com o resto da sua vida, se "conseguir", não é considerado. Felizmente, desde que a maioria das pessoas não "consegue" por volta dos trinta anos, elas ainda têm diante de si um ciclo inteiro de Saturno para chegar lá, para crescer, para ativar e realizar o seu potencial criativo. O retorno de Saturno, em trânsito, para a sua posição natal, oferece uma oportunidade para a reavaliação dos sonhos e das metas da juventude, à luz da maturidade. Muitas vezes, as ambições que tinham parecido significativas aos vinte e cinco anos de idade, parecem absolutamente superficiais aos trinta anos. Esta é uma ocasião para o indivíduo parar e examinar sua vida com muita atenção, antes de dar o mergulho.

A Quadratura Crescente. A crise acional neste segundo ciclo de. Saturno, paralela à crise da infância aos 7-8 anos de idade, ocorre nas proximidades do 36° ano. Nesta ocasião o indivíduo deverá estar bem adiantado na estrada da maturidade, e suas reações básicas à vida deverão ser claramente evidentes. Aqui, a questão fundamental é se essas reações tomam-se ou não auto-evidentes. Antes de ser capaz de usar todo o seu poder, o indivíduo deve, finalmente, separar a individualidade daquilo que a sociedade disse que ele, ou ela, deveria ser. Este é um período no qual ele vai cavar para descobrir suas próprias raízes, para encontrar o seu próprio alicerce. O senso do "Eu" é forte, mas a que lugar pertence este "Eu"? Assim sendo, durante todo este período o indivíduo poderá experimentar uma forte sensação de isolamento. Liberando finalmente o passado, ele poderá sentir que as estacas de apoio foram chutadas de sob seus pés. Neste sentido, só experimentará a verdadeira liberdade quando reconhecer que foi ele mesmo que desligou a tomada, aceitando, deste modo, toda a responsabilidade por sua própria vida. Nesta época, há uma aguda percepção de espaços vazios, e o indivíduo poderá tentar preenchê-los com pessoas ou então com bens materiais. A compreensão de que esse espaço é uma precondição necessária ao desenvolvimento,

pode vir com dificuldade. Contudo, até que ela venha, a pessoa se transformará num consumidor, abarrotando com propriedades os cantos vazios da sua vida. O desejo imperioso de possuir propriedades nesta época é uma expressão do desejo de estabelecer uma base permanente. É uma manifestação exterior de que o alicerce está sendo levantado interiormente. Ambas as quadraturas deste ciclo, crescente e minguante, partilham, de acordo com Rudhyar, das características de Júpiter. Sendo o polo oposto de Saturno, Júpiter é capaz de lhe compensar as restrições através de recompensas financeiras e sucesso social.

A percepção da idade, que aparece primeiro por ocasião da conjunção, começa a ser uma questão definida. Numa sociedade orientada para os jovens, de repente o indivíduo acha que está sendo julgado "velho demais". Muitas oportunidades de emprego estão fechadas para candidatos com mais de trinta e cinco anos e, embora ele possa estar no apogeu da sua condição física, há uma crescente percepção de que o corpo já não poderá mais aguentar o castigo, como aguentava antes, e saltar de volta tão disposto como antes. Seus contemporâneos sempre permanecem com a mesma idade que ele, todavia, ele vê seus filhos e seus pais ficarem mais velhos praticamente diante dos seus olhos. Desenvolve-se uma percepção de que, se ainda existe diferenças não solucionadas entre a pessoa e seus pais, será preciso solucioná-las logo. Seus pais já não são imortais, como pareciam ser quando ela estava com sete anos; e se ela não perder o pai ou a mãe nesta época, experimentará a morte de seus contemporâneos. O tempo vai ficando curto. O indivíduo sabe que já não tem mais uma eternidade para endireitar as coisas entre si mesmo e seus pais.

Esta pode ser uma época especialmente crítica para uma mulher, desde que os trinta e seis anos marcam o começo do último quartel dos seus anos férteis. Até mesmo para uma mulher que tem vários filhos, vem a percepção de que, se ela vai ter outro filho, será melhor que seja agora. Para uma mulher sem filhos, esta questão pode ser uma fonte de grande melancolia. No passado, ela poderia ter achado que tinha tempo de sobra para pensar em filhos mais tarde, mas aos 36 anos de idade o tempo está acabando. Será interessante observar a geração nascida depois da II Guerra Mundial e que agora está chegando ao ponto de retorno do seu Saturno. Um número excepcionalmente grande dessas pessoas preferiu não ter filhos, por uma razão ou por outra. Quando estas mulheres alcançaram os seus trinta e cinco anos, pode ter havido uma outra explosão de bebês, não muito diferente da explosão que as produziu.

A Oposição. Na época da oposição (44-45 anos de idade) ocorre uma crise de reavaliação. É uma avaliação de tudo o que a pessoa construiu como indivíduo, desde os vinte e um anos de idade. Aqui, a tônica deve ser a OBJETIVIDADE. A avaliação deve ser feita antes de acordo com os valores pessoais do indivíduo do que de acordo com as expectativas da família, do grupo de pares ou da sociedade, para que então possa encontrar um significado verdadeiro na sua existência. Embora sendo um período de crise, se ele tem uma compreensão clara e objetiva do propósito da sua vida, seu poder criativo pode emergir plenamente. Esta pode ser uma experiência de verdadeira iluminação - o portão de entrada para o período mais criativo e produtivo do indivíduo - entre 44-59 anos de idade. Se são encontrados problemas nesta ocasião, se poderá ter a certeza de que a raiz da perturbação reside no fato de que a pessoa permaneceu imatura, interiormente incerta e frustrada em alguma direção importante. A percepção disto poderá levar a pessoa a tentar e a começar de novo antes que fique tarde demais, a experimentar aos 45 anos aquilo que não conseguiu experimentar no passado, na ocasião .certa. Se a fenda entre o ideal e a realidade é muito grande, então o senso de frustração, de fracasso e de impotência poderá forçá-la a desistir da luta para alcançar a individualização, e eventualmente ela se resignará a uma existência pessoalmente insignificante, de acordo com a norma coletiva.

Os problemas da segunda oposição podem ser estreitamente paralelos àqueles experimentados aos 15 anos de idade, durante a primeira oposição. Tomam a ocorrer problemas na área da sexualidade e dos relacionamentos de acasalamento, e desta vez são problemas provocados pelas mudanças hormonais que acompanham a menopausa. Uma mulher está se aproximando do foral dos seus anos férteis, enquanto um homem vê a sua potência sexual muito diminuída. Ambos sentem a sua desejabilidade física declinar. Os sinais de envelhecimento são claramente visíveis; e, de acordo com os valores coletivos de uma sociedade orientada para os jovens, esta é uma tragédia que deve ser evitada a qualquer custo. As taxas para ser um membro da "geração Pepsi" são cada vez mais altas - centenas de milhões de dólares gastos em cirurgia plástica, tinturas para o cabelo, vitaminas, tratamento com hormônios, redução do peso, e mais uma infinidade de produtos e serviços que prometem a juventude eterna. O custo emocional nem mesmo pode ser calculado. Para muitos, isto é um poço sem fundo, de frustração e raiva, e a morte se toma uma assustadora realidade à medida que o indivíduo persegue a sua juventude perdida. Pela primeira vez, o nativo vê seus contemporâneos morrendo das chamadas "causas naturais".

Nesta ocasião, ele amiúde sofre a perda de um dos pais. Por outro lado, também poderá ver uma inversão da situação da adolescência quando assume a responsabilidade por um dos pais que já não pode cuidar de si mesmo. Se ainda há um complexo relacionado com um dos pais, ele geralmente será transferido para o relacionamento do nativo com o seu patrão, com a firma onde trabalha ou com seu parceiro, ou parceira, no casamento. Todavia, as avenidas da rebelião são limitadas. Normalmente, aos quarenta e cinco anos a pessoa é velha demais para mudar de ocupação; portanto, o divórcio torna-se uma alternativa viável. De fato, nesta ocasião o divórcio é visto como uma solução para muitos problemas, se agora o casamento é que é julgado responsável por todos os problemas cuja responsabilidade atribuíra a seus pais quando era um adolescente. Um novo cônjuge reafirmará a sua desejabilidade, regenerará o seu estilo de vida vazio, revitalizará a sua carreira que vai bambeando. Assim como muitos adolescentes fogem de casa para casar, muitos dos chamados adultos estão fazendo a mesma coisa. Eles estão, literalmente, fugindo. Nesta época, as desaparições do tipo Peter Pan não são incomuns.

A Quadratura Minguante. A crise na consciência, que ocorre aos cinquenta e dois anos de idade (com a quadratura minguante), é paralela à crise experimentada aos 22-23 anos. Mais uma vez o indivíduo se vê diante da necessidade de se privar dos seus padrões estabelecidos de comportamento, sentimento e pensamento. Neste, ponto médio dos seus anos criativos e produtivos, ele é intimado a arriscar a sorte e tentar alguma coisa nova. Quando aceita este desafio, o caráter jupiteriano da quadratura toma-se mais evidente. A vida se expande num sentido social à medida que o indivíduo tenta ampliar os seus horizontes. Durante este período, muitas pessoas voltam para a escola e descobrem que novos interesses começam a se abrir para elas. Pode ser encontrada uma satisfação pessoal na expressão criativa - pintura, música, fotografia e jardinagem, para mencionar apenas umas poucas. Também há um impulso de sair para o mundo e dar uma contribuição para outras pessoas. Livres das responsabilidades financeiras para com seus filhos, muitas pessoas usam isto como uma oportunidade para viajar - para ter as férias sonhadas, que elas sempre planejaram mas nunca julgaram que fosse realmente possível ter.

Estes são os anos de lucros máximos. Infelizmente, nessa época, o indivíduo também percebe que subiu o mais alto que podia na escala hierárquica e, para alguém que está numa posição de nível inferior, parece que não resta mais nada senão esperar passivamente pela aposentadoria. Neste caso, ele pode ser dominado por um sentimento de derrota e a própria vida pode se tomar vazia e fútil. Para outros, porém, esta poderá ser a época de uma importante mudança no trabalho. Arriscando a sorte e tentando alguma coisa nova, a pessoa pode expandir extraordinariamente o seu potencial criativo. Contudo, para isto ela primeiro deve se libertar do obstáculo das lembranças dos fracassos passados, especialmente aqueles ligados às experiências que ocorreram na oposição (44-45 anos de idade). Se ele se entregou a um comportamento juvenil por volta dos quarenta e cinco anos, então esta quadratura assinala o momento em que o gaiteiro quer ser pago. Se a saúde foi maltratada, então poderão surgir problemas nessa área. Tais problemas poderão ser suficientemente graves para exigir uma aposentadoria forçada, mas geralmente eles são apenas um aviso de que o indivíduo deve mudar o seu estilo de vida. O corpo já não é capaz de absorver o castigo sem mostrar efeitos desfavoráveis.

Por volta dessa época, as "crianças" já são adultos por direito e devem ser reconhecidas como tais. Isto exige uma reavaliação do relacionamento entre pai e filho. O indivíduo deve, finalmente, dar liberdade a seus filhos e aceitar uma posição de influência zero. A recompensa por isto pode ser a condição de avô, um relacionamento livre de responsabilidades, no qual ele pode, amorosamente, satisfazer as vontades dos netos sem a necessidade de disciplinar. Para muitos esta é a maior de todas as recompensas jupiterianas. Contudo, o pai que abandonou seus filhos aos 44-45 anos de idade poderá agora descobrir que seus filhos não querem nada com ele. Muitas vezes esses filhos expressam tal vingança impedindo que os netos se aproximem dele. Assim como o laço de dependência paterna muitas vezes é rompido violentamente pela morte por ocasião da conjunção, nesta época o vínculo do grupo dos seus contemporâneos também começa a dissolver-se pela morte. A compreensão de que no fim de tudo se está sozinho, de que não se pode depender dos pais, dos filhos, do cônjuge, dos amigos ou da carreira, para dar significado e satisfação criativa à vida, levará algumas pessoas ao desespero, enquanto levará outras para o pináculo do seu potencial individual.

O TERCEIRO CICLO - SATURNO, O FUTURO. Justamente antes do 60° aniversário, Saturno retoma à sua posição natal pela segunda vez e inicia-se o ciclo final da vida. Aqui Saturno tenta reunir o significado essencial da vida numa forma de consciência, ou símbolo-semente, que pode garantir a imortalidade. A crise psicológica que ocorre nesta ocasião é igual à crise que ocorre no período do primeiro retomo de Saturno. Mais uma vez, o indivíduo tem a percepção aguda de que alguma coisa terminou; neste caso, porém, trata-se da percepção de que a sua juventude se foi, de que a sua vitalidade está diminuindo e seus anos produtivos estão se aproximando do. fim. Parece que não resta outra coisa senão esperar pacientemente pela morte. O verdadeiro desafio desta época é ver que ainda há um outro ciclo de vida que está apenas começando.

Na Antiguidade, a idade de sessenta anos era considerada a idade da filosofia, da sabedoria, porque somente através da sabedoria é possível integrar significativamente a contribuição individual com as verdadeiras necessidades da raça. Rudhyar assinalou que uma mente criativa - um artista, um cientista, um homem de estado, um escritor - normalmente não deixa sua marca sobre sua época antes de alcançar os sessenta. anos de idade. As obras que ele realizou durante o seu segundo ciclo de Saturno imprimem-se sobre a geração nascida na época em que elas foram produzidas. Esta impressão é a base da imortalidade sócio-cultural possível para a mente criativa. É a prova da síntese bem-sucedida entre o propósito individual e as necessidades coletivas da raça. Esta é a meta em cujo sentido a pessoa criativa deveria trabalhar depois da oposição de Saturno, aos 44-45 anos. Em tais casos, Saturno simboliza a semente, e o seu terceiro ciclo refere-se à coleta da colheita da vida. A semente, que será legada para ás gerações futuras para que a plantem e colham, é uma imortalidade do indivíduo. A tragédia da sociedade contemporânea é que o final da vida não é encarado como uma idade da sabedoria. Não se espera que os cidadãos mais idosos desempenhem um papel criativo e por isso mesmo é dificílimo dar um significado positivo ao terceiro ciclo de Saturno. Se há tão poucos líderes espirituais no mundo contemporâneo é porque a nossa sociedade não exige, realmente, uma liderança espiritual. As pessoas depositaram sua fé na produção e na tecnologia, e deste modo temos grandes produtores e técnicos eminentes, produtos do segundo ciclo de Saturno. A consciência coletiva está grudada no segundo ciclo, e assim permanecerá enquanto o culto da juventude for glorificado e somente a produtividade for adorada. Tentando prolongar o período de produtividade e evitar a realidade da idade, também nós estamos evitando a sabedoria. Talvez temamos, inconscientemente, procurar a sabedoria que a idade pode trazer porque, se fôssemos sábios, poderíamos ter que mudar algumas das nossas ideias, muito acariciadas, concernentes à produtividade.

O medo da idade não pode ser atribuído unicamente à falta de reverência da sociedade pela sabedoria e pela força dos seus cidadãos mais velhos. É, mais profundamente, um medo da morte. Enquanto o indivíduo sentir que a sociedade espera que ele continue produzindo, ou que saia do caminho e deixe espaço para as gerações mais jovens, esta atitude negativa para com o envelhecimento persistirá. Se, através do conhecimento do significado dos três ciclos de Saturno, um maior número de pessoas tentar crescer em sabedoria e, deste modo, agir mais sabiamente nos seus relacionamentos humanos e na compreensão dos problemas da vida, então é possível que sua luz eventualmente seja reconhecida. A sociedade, então, aos poucos aprenderá a confiar aos cidadãos mais velhos algumas das funções que agora estão sendo inadequadamente exercidas por mentes mais jovens, ainda possuídas pela febre da produtividade e governadas por egos ambiciosos. Favorecendo o futuro espiritual da humanidade, o indivíduo também está favorecendo o seu próprio futuro, e esse futuro se estende além da crise de desenvolvimento que chamamos morte.