quarta-feira, 29 de junho de 2016

As Casas Astrológicas. Por Helena Avelar e Luís Ribeiro

As Casas astrológicas são doze divisões do círculo que representa o mapa natal. A sua determinação faz-se começando por calcular o Ascendente e o Meio-do-Céu, os dois eixos principais do mapa. O primeiro horizontal e o outro vertical. O Ascendente vai ser o início da 1ª casa.

Depois de determinadas as Casas, podemos então começar a recolher alguma informação delas. Eis as suas características:

A 1ª Casa mostra de que modo a pessoa "vê" o mundo, e como "é vista" pelos outros, como age naturalmente nas situações mais imediatas. Mostra também que tipo físico a pessoa poderá ter. Está associada ao signo de Carneiro

A 2ª Casa, elucida-nos sobre o tipo de valores básicos que a pessoa tem relativamente às "posses materiais" e ao seu "valor próprio", "O que é que eu valho?", "O que é que eu valorizo?", "Quais são os meus recursos?". Está associada ao signo de Touro.

A 3ª Casa, indica-nos como a pessoa apreende e comunica no quotidiano, como raciocina na aprendizagem e descreve o mundo onde vive. É a casa da aprendizagem, da comunicação e das pequenas viagens. Está associada ao signo de Gêmeos.

A 4ª Casa, mostra-nos como é o ambiente familiar. Que tipo de relação a pessoa tem com a família, com as suas "raízes". De que modo fomos ou somos "alimentados" por ela. Está associada ao signo de Caranguejo.

A 5ª Casa, informa-nos que tipo de individualidade a pessoa tem. O que é sozinha, fora da família. Que tipo de criatividade lhe é característica. como lida com os "romances" e com os "divertimentos". É também a casa dos filhos. Está associada ao signo de Leão.

A 6ª Casa diz-nos como a pessoa produz (ou pode produzir) no mundo do trabalho. É através desse trabalho que ela põe a funcionar o seu potencial criativo de uma forma produtiva e ao mesmo tempo o vai aprimorando. Também nos dá informações sobre eventuais doenças "psico.somáticas". Está associada ao signo de Virgem.

A 7ª Casa, fala-nos sobre o modo como a pessoa se comporta nos relacionamentos a dois, incluindo, como é obvio, o casamento. Que gênero de pessoas atrai para se relacionar, para partilhar e trocar afeto. Está associada ao signo de Balança.

A 8ª Casa, indica-nos o tipo de valores que se tem nos relacionamentos a dois ou nas associações. "O que é que a relação vale?", "Quais são os recurso da relação?". É também a Casa das grandes transformações, da regeneração, da morte, das heranças. Está associada ao signo de Escorpião.
 
A 9ª Casa está relacionada com o ensino "superior", desde o acadêmico ao transpessoal. É também uma indicadora das "grandes viagens", das crenças e de tudo o que indique expansão de horizontes. Está associada ao signo de Sagitário.

A 10ª Casa indica-nos o modo como funcionamos em sociedade, o tipo de "carreira profissional" que escolhemos, enfim, como nos expressamos socialmente e com que responsabilidade. Está associada ao signo de Capricórnio.

A 11ª Casas diz-nos que tipo de ideais grupais têm a haver conosco, com que tipo de amigos nos identificamos e gostamos de colaborar para um projeto comum que vise o bem estar de todos. É portanto a Casa dos ideais, das aspirações. Está associada ao signo de Aquário.
 
A 12ª Casas, é a que nos revela o nosso mais profundo mundo interior, o modo como procuramos ligar-nos à nossa Alma. Também é indicadora das prisões e isolamento e possíveis doenças. Está associada ao signo de Peixes.

A casa é uma área de expressão onde as energias planetárias e zodiacais vão ser expressadas. Num mapa astrológico ou horóscopo, cada casa vai conter um signo que a vai qualificar e poderá também conter ou não planetas.

As Casas Astrológicas - O que são?

As Casas Astrológicas são divisões da esfera celeste, projetadas a partir de um dado local na Terra.

Surgem do cruzamento entre os dois eixos principais: um horizontal Ascendente/Descendente) e outro vertical (Meio-do-Céu/Fundo-do-Céu). Estes eixos correspondem a projeções dos quatro pontos cardeais.

O Ascendente, ou Oriente, corresponde ao Nascente. Por oposição, o Descendente ou Ocidente corresponde ao Poente.

O Meio-do-Céu ou Sul e o Fundo-do-Céu corresponde ao Norte.

Como se determinam?

Esses quatro pontos - ou ângulos - marcam o início dos quadrantes. O Ascendente dá início ao primeiro quadrante, o Fundo-do-Céu ao segundo, o Descendente ao terceiro e o Meio-do-Céu ao quarto. Em cada um destes quadrantes vão surgir três casas, originando um total de doze.
Existem vários sistemas de casas: alguns são baseados no tempo, outros no local. Todos implicam cálculos matemáticos complexos.

Alguns astrólogos utilizam diferentes sistemas de casas para diferentes tipos de Astrologia.
A contagem das casas faz-se no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio, a partir do Ascendente. Cada marcador de separação tem a denominação de cúspide.
 
Casas e signos

Vamos encontrar uma notável semelhança entre os signos e as casas. Ao primeiro signo corresponde simbolicamente a primeira casa, ao segundo signo a segunda casa, e assim por diante.

Contudo, há que ter sempre presente que existe uma importante diferença: os signos são os temas ou arquétipos principais do mapa, enquanto as casas representam áreas de vida.
Podemos afirmar que os signos são causais: dão energia, originam, determinam qualidades. As casas, por seu turno, são receptáculos e áreas de expressão das energias dos signos (Nesta perspectiva, os planetas seriam mediadores da expressão de energia).

Voltando à comparação do mapa natal com uma peça de teatro, podemos considerar os signos como os temas ou "papéis" dessa peça e os planetas como os atores que representam esses papéis. Nessa comparação, as casas astrológicas seriam os diversos cenários ou palcos onde a peça se vai desenrolar.

Numa outra perspectiva, podemos também interpretar as casas como marcadores de tempos específicos de vida. Assim, o Ascendente corresponderia ao momento do nascimento, a Casa X à maturidade e ao culminar da carreira, etc.

Os Hemisférios

Tal como acontece com os signos do Zodíaco, podemos agrupar as casas astrológicas de diversas formas: por hemisférios, quadrantes, elementos, modos ou polaridades.
A forma mais simples é o agrupamento por hemisférios
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Os hemisférios surgem, como já vimos, a partir dos ângulos principais do mapa (Ascendente, Descendente, Meio-do-Céu e Fundo-do-Céu).

Se dividirmos o mapa pelo eixo Ascendente/Descendente (a linha do horizonte) surgem dois hemisférios.

Abaixo do horizonte vemos o Hemisfério Noturno, que contém as casas I, II, III, IV, V e VI. Representa a área de vivência pessoal, auto-centrada, noturna ou "invisível" da vida. Quando este hemisfério está acentuado no mapa natal, o indivíduo tende a ser reservado, introvertido e a viver no seu mundo interior. Pode ser tímido e egocentrado.

Acima do horizonte fica o Hemisfério Diurno, que contém as casas VII, VIII, IX, X, XII e XII. Simboliza as áreas sociais, diurnas, "visíveis" e do domínio público. Se estiver muito acentuado num mapa natal, representa extroversão, sociabilidade, capacidade de comunicar e gosto pelas "luzes da ribalta". Quando em exagero, pode indicar falta de bases e pouca interiorização.

Também o eixo Meio-do-Céu/Fundo-do-Céu, que divide o mapa de alto a baixo, gera dois hemisférios, que vão repartir as casas de forma diferente.

O Hemisfério Oriental, situado do lado do Ascendente, contém as casas X, XI, XII, I, II e III. Indica áreas de vida na qual o indivíduo se expressa a age por impulso pessoal, automotivado. Quando este hemisfério está acentuado, o indivíduo tem bastante iniciativa, é assertivo, capaz de se impor e depende pouco da opinião alheia. Se exagerar, corre o risco de tornar-se egoísta.

O Hemisfério Ocidental, do lado do Descendente, contém as casas IV, V, VI, VII, VIII, e IX. Representa áreas de vida que dependem de factores exteriores ao indivíduo. Quem tem esta área acentuada tende a agir em função dos outros, procurando uma resposta, uma motivação ou uma referência exterior. Nalguns casos, pode ser dependente dos outros.

Os Quadrantes

Da interação entre os eixos Ascendente/Descendente e Meio do Céu/Fundo do Céu surgem os quatro quadrantes. Estes são, afinal, especificações dos próprios hemisférios.

O Primeiro Quadrante contém as casas I, II e III.
Diz respeito à definição pessoal e autoconsciência.
Faz as perguntas: o que eu sou? o que tenho / o que valho? como comunico / como defino o mundo?
Neste quadrante estão representadas as áreas básicas da vida, onde vamos criar as condições para o posterior desenvolvimento e expressão da personalidade.
Quando está muito acentuado, o indivíduo tende a focalizar a sua atenção na autoafirmação e autodescoberta.

O Segundo Quadrante contém as casas IV, V e VI.
Refere-se à expressão pessoal.
Interroga-se: de onde venho? quem sou? qual a minha utilidade?
Neste quadrante está subjacente a consolidação e aperfeiçoamento da personalidade.
Se estiver forte num mapa, revela uma personalidade que se experimenta e põe à prova, tendo em vista a autoexpressão e o aperfeiçoamento.

O Terceiro Quadrante contém as casas VII, VIII e IX.
Relaciona-se com a definição social.
Aqui as perguntas são: com quem e como me relaciono? qual a minha capacidade de partilhar? que significado dou ao mundo?
Aqui temos uma autoconsciência social, na qual o indivíduo aprende a estruturar-se e a agir em interação direta com os seus semelhantes.
Se estiver muito acentuado indica uma grande capacidade de relacionamentos, quer a nível social, quer em áreas de emoção e intimidade.

O Quarto Quadrante contém as casas X, XI e XII.
Tem a ver com a expressão social.
Pergunta-se: qual o meu lugar na sociedade? como interajo no colectivo? qual o meu propósito último?
Neste quadrante a expressão é de teor colectivo. Aqui, a ação do indivíduo tem como base a sua identidade social; a sua criatividade e capacidade construtiva é expressa num contexto colectivo.
Quando está muito forte num mapa, revela uma personalidade que se expressa principalmente através de propósitos criativos sociais

As Casas e os Elementos

Tal como acontece com os signos, as casas astrológicas podem ser agrupadas por elemento e por modo.

À semelhança dos signos, os elementos vão indicar campos de experiência:

Casas de Fogo - Casas I, V, IX
Palavra-Chave: Identidade/Vitalidade
São por vezes designadas a Trindade da Vida. Estão relacionadas com a expressão de identidade, a vitalidade geral do indivíduo.
Muitos planetas em casas de Fogo mostra uma expressão ativa, forte, enérgica, positiva e, por vezes, inspirada. O indivíduo tem muita vitalidade e usa-a para expressar a sua identidade, de formas diretas e criativas.
Uma excessiva ênfase nas casas de Fogo pode indicar demasiada necessidade de expressão exterior do ego, em detrimento da interiorização e da vida interior.

Casas de Terra - Casas II, VI, X
Palavra-Chave: Concreto/Material
Chamadas Trindade da Riqueza / do Poder Objectivo. Relacionam-se com a valorização, realização prática e recursos concretos.
Muita energia em casas de Terra mostra uma marcada capacidade de trabalho e realização concreta. O indivíduo tem determinação e estabilidade: um "construtor" por natureza.
Excesso de energia nestas casas indicam que a prioridade está na expressão material (posses, trabalho, carreira), deixando para segundo plano.

Casas de Ar - Casas III, VII, XI
Palavra-Chave: Social/Intelectual
Alguns autores chamam-lhes a Trindade da Relação / da Comunicação. Têm a ver com a comunicação, o mundo das ideias e os relacionamentos.
Quando há muitos planetas em casas de Ar, há uma tendência natural para os relacionamentos. O indivíduo tende a ser um forte comunicador, e campo da comunicação e dá grande importância às suas ideias e conceitos.
Uma ênfase exagerada nas casas de Ar pode indicar um risco de "desligamento" geral a personalidade e tendência a refugiar-se no mundo das ideias.

Casas de Água - Casas IV, VIII, XII
Palavra-Chave: Emocional/Alma
Trindade da Alma / do Poder Subjectivo.
Estão associadas à vida interior, ao sentir, à "gestação" interna da personalidade e à transformação de memórias emocionais. Ligam-se também ao conceito de karma.
Quando as energias do mapa estão concentradas em casas de Água, há uma atração natural para a vida recolhida e interiorizada. O indivíduo tende a ser reservado, sensível para proteger a sua própria sensibilidade.
Excesso de planetas em casas de Água indicam uma grande permeabilidade aos outros e ao meio ambiente, que pode, em determinadas circunstâncias, fugir do controlo consciente do indivíduo.

As Casas e os Modos

Tal como acontece com os signos, a classificação por modos também se aplica às casas. Existem, contudo, algumas diferenças, como veremos a seguir.


ANGULAR - Casas I, IV, VII, X.
Palavra-Chave: Ação
Estão ligadas aos 4 ângulos do mapa: Asc. (I), Desc. (VII), MC (X) e FC (IV).
Marcam o início de cada um dos quadrantes do mapa natal.
São casas de Ser, de expressão de energia.
Estão ligadas ao Presente, à forma.
Os planetas que se encontrem nestas casas vão ter importância destacada na expressão da personalidade.

SUCEDENTE - Casas II, V, VIII, XI.
Palavra-Chave: Segurança
As casas que sucedem às angulares são denominadas casas sucedentes. Ficam no meio de cada um dos quadrantes do mapa.
São casas de Usar, de consolidação de energia, relacionam-se com a concretização de atividades.
Os planetas aqui situados serão postos ao serviço da concretização de objetivos.
Estão ligadas ao Futuro, à atividade.

CADENTE - Casas II, V, VIII, XI.
Palavra-Chave: Aprendizagem / Experiência
As casas seguintes receberam a designação de casas cadentes, porque completam aquela parte do círculo e parecem "cair" para o ângulo seguinte. São as casas situadas depois das sucedentes e antes das angulares.
São casas de Entender e de Transformar, têm a ver com a movimentação de energia.
Estão ligadas ao Passado, à substância.

Quando há planetas nestes sectores, serão aplicados na procura do entendimento e síntese.
Compreendemos, assim, que a classificação das casas - angulares, sucedentes e cadentes - vai ter correspondência com os modos Cardinal, Fixo e Mutável, que se aplicam aos signos.