terça-feira, 28 de junho de 2016

O Individual, o Coletivo, o Criativo e o Processo Cíclico, por Dane Rudhyar

No final do capítulo anterior referimo-nos ao I Ching da antiga China e à sua "fórmula de mutação" baseada na inter-relação das duas polaridades cósmicas, yang e yin. Como já mencionamos, tal fórmula é de interesse especial para nós, pois teve obviamente origens astrológicas. Além disso é uma expressão característica de uma filosofia do tempo, tal como a postulamos num capítulo anterior como base necessária para qualquer pensamento astrológico coerente e válido. A astrologia perde o significado filosófico a não ser que se baseie numa profunda compreensão dos ciclos e da potência criativa de cada momento — especialmente aqueles "momentos-semente", assim chamados por se tornarem pontos de partida de ciclos. A  "fórmula de mutação' do I Ching é uma fórmula cíclica, que se propõe a determinar simbolicamente a estrutura universal e essencial de todos os ciclos, ainda mais, do Ciclo ou da ciclicidade. Como todos os processos vitais são cíclicos — em essência, se não na aparência externa — tal fórmula se transforma na lei básica de todos os processos de vida. Atinge-se assim uma verdadeira síntese universal de ser e vir-a-ser — uma síntese provavelmente maior e mais absoluta, em sua aplicabilidade simbólica, que aquela contemplada por Einstein em sua "teoria dos campos unificados", reduzindo todos os fenômenos naturais a uma lei simples.

A fórmula chinesa não é única na história do pensamento humano. Veremos aqui que a antiga civilização hindu também concebeu uma síntese universal de conhecimento, que podia ser expressa em termos de uma fórmula cíclica definindo o processo vital universal cujos polos são: ser e vir-a-. ser. E nós afirmamos que uma nova civilização, agora em lenta formação, também desenvolverá uma fórmula desse tipo numa nova base de análise de vida e num novo nível de funcionamento mental.

A discussão desses assuntos obviamente vai muito além do escopo deste livro, mesmo assim, vemo-nos obrigados a delineá-los sucintamente, pois os valores nos quais a nova fórmula do ciclo se baseia são — a nosso ver — os próprios fatores dos quais dependerá nossa classificação e. interpretação de elementos astrológicos. O antigo dualismo chinês de polaridades cósmicas não é suficiente para interpretar nossa abordagem moderna do ser e vir-a-ser.

Como já foi dito, a humanidade está estabelecendo sua consciência, lentamente, mas de modo constante, num novo nível mental, e daí contempla o processo vital universal de um outro ponto de partida. Portanto, precisam ser determinados novos valores que no entanto não neguem os antigos valores chineses ou hindus, mas que os complementem e suplementem — valores ocidentais, que presumivelmente florescerão no continente americano, a sede de uma civilização em surgimento.

Ao delinear a nova fórmula cíclica, deveremos apenas expor ideias, sem discuti-las com relação a outras concepções tradicionais. Nosso objetivo não é escrever um tratado filosófico, mas meramente estabelecer uma base filosófica para a astrologia. A nova filosofia do Tempo, ou do Ciclo, ainda está por ser escrita. O que se segue será mera sugestão de sua existência e simples esboço daqueles dentre seus aspectos que se referem mais especialmente à psicologia e à astrologia.


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Extraído do livro Astrologia da Personalidade, de Dane Rudhyar.

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