terça-feira, 1 de agosto de 2017

Para saber se a coisa inquirida será levada à perfeição, ou não, por William Lilly

Os antigos ensinaram-nos que há quatro métodos ou formas para descobrir se uma questão ou coisa inquirida será realizada ou não.

Conjunção — Primeiro, por conjunção; portanto, quando se verifica que o regente do ascendente e o regente da casa que significa a coisa demandada, se aplicam a uma conjunção, e na primeira casa, ou em qualquer ângulo, e os significadores se encontram sem proibição ou refranação antes de chegarem a uma perfeita conjunção, pode-se então julgar que a coisa perguntada se realizará sem qualquer tipo de impedimento, mais cedo ainda se os significadores estiverem rápidos de movimento, e essencial ou acidentalmente fortes; mas se esta conjunção dos significadores ocorrer numa casa sucedente, realizar-se-á mas não tão cedo; se em casas cadentes, com infinita perda de tempo, alguma dificuldade e muito esforço.

Sextil ou trígono — As coisas também se realizarão quando os principais significadores se aplicam por sextil ou trígono, a partir de boas casas e de posições em que estão essencialmente dignificados e não encontram nenhum aspecto malévolo interferente antes de chegarem ao perfeito sextil ou trígono; ou seja, ao sextil ou trígono partil.

Quadratura e oposição — As coisas também são levadas à perfeição quando os significadores se aplicam por quadratura, desde que cada planeta tenha dignidade nos graus em que se encontra, e se aplique a partir de casas apropriadas e boas, caso contrário, não. Por vezes, acontece que um assunto se realiza quando os significadores se aplicavam por quadratura, mas isso só acontece quando houver recepção mútua por casa, e a partir de casas benéficas, e a Lua se separar do significador da coisa demandada e se aplicar seguidamente ao regente do ascendente; eu raramente vi qualquer coisa ser levada à perfeição pelo método da oposição, tendo sido melhor para o querente que a coisa se tivesse desfeito; pois se a pergunta dissesse respeito a casamento, as partes raramente concordavam, mantendo uma disputa constante, queixando-se cada um pela sua má escolha, atribuindo a culpa à ganância dos seus pais, não o tendo eles desejado; e se a pergunta fosse sobre dote ou dinheiro, é verdade que o querente recuperaria o seu dinheiro ou o dote prometido, mas custava-lhe mais consegui-lo por processo legal do que o valor da dívida, etc., e assim vi acontecer em muitas outras coisas, etc.

Translação — As coisas são levadas à perfeição por translação de luz e de natureza, desta forma:

Quando os significadores do querente e do quesito se separam de uma conjunção, sextil ou trígono um ao outro, e qualquer planeta se separa de um dos significadores, pelo qual é recebido por domicílio, triplicidade ou termo, e depois este planeta se aplica ao outro significador por conjunção ou aspecto, antes de conjuntar ou fazer aspecto com qualquer outro planeta, então translada a força, influência e virtude do primeiro significador para o outro, e então este planeta interventor (ou aquele homem ou mulher por ele significado) levará o assunto mencionado à perfeição.

Considerar de que casa é regente o planeta que se interpõe ou que translada a natureza e a luz dos dois planetas, e descrever a pessoa, e dizer ao querente que tal pessoa beneficiará o assunto, etc., viz. se for regente da dois, uma boa verba efetivará o assunto; se for o regente da terceira, um familiar ou vizinho; e desta forma com o resto das casas, sobre as quais mais será dito nos julgamentos seguintes.

Coleção — Os assuntos também são levados à perfeição quando os dois principais significadores não se aspectam, mas ambos lançam os seus vários aspectos a um planeta mais pesado do que eles, e ambos o recebem em algumas das suas dignidades essenciais; será então esse planeta que assim coleta ambas as luzes quem levará a coisa demandada à perfeição, o que na arte significa apenas isto: que uma pessoa algo interessada em ambas as partes, descrita e significada por aquele planeta, realizará, efetivará e concluirá a coisa que de outra forma não poderia ser levada à perfeição. Assim, verifica-se muitas vezes que duas pessoas se desentendem e, por si sós, não encontram nenhuma maneira de chegar a acordo quando, subitamente, um vizinho, ou um amigo acidentalmente reconcilia todas as diferenças, a contento de ambas as partes. E isto é chamado coleção.

Por fim, as coisas são por vezes levadas à perfeição pela ocupação das casas pelos planetas , viz. quando o significador da coisa demandada está casualmente colocado no ascendente; assim, se alguém perguntar se obterá tal lugar ou dignidade, se nesse momento o regente da dez estiver colocado no ascendente, ele obterá o benefício, posto, lugar ou honra desejada. Esta regra dos antigos não se verifica, nem é consentânea com a razão exceto, admitem eles, quando além desta ocupação de casa, a Lua transfere a luz do significador da coisa desejada para o regente do ascendente; pois observa-se claramente que a aplicação dos significadores mostra inclinação das partes, mas a separação geralmente privação; ou seja, em termos mais simples, quando se vê os principais significadores do querente e da coisa ou pessoa inquirida, separados, há nesse momento poucas esperanças da efetivação ou perfeição do que é desejado (não obstante esta ocupação de casas), mas se houver aplicação, as partes parecem estar afim, e o assunto é ainda mantido de pé, havendo grande probabilidade da sua perfeição, ou que as coisas cheguem a um acordo no futuro.

Em todas as perguntas, deve-se geralmente observar o método seguinte:

Tal como o ascendente representa a pessoa do querente, e a segunda o seu patrimônio, a terceira os seus familiares, a quarta o seu pai, a quinta os seus filhos, a sexta os seus criados ou doenças, a sétima a sua mulher, a oito a forma da sua morte, a nove a sua religião ou viagens, a dez o seu apreço ou honra, a onze os seus amigos, a doze os seus inimigos secretos.

Também se deve compreender que quando alguém pergunta sobre uma mulher, ou qualquer pessoa significada pela sétima casa e pelo seu regente, que então a 7ª casa será o ascendente dela e significará a pessoa dela, a casa oito significará o patrimônio dela e será a sua segunda, a casa nove significará os irmãos e familiares dela, a dez representará o pai dela, a onze os seus filhos, ou se terá capacidade de ter filhos, a doze a sua doença e criados, a primeira casa o seu apaixonado, a segunda casa a sua morte, a terceira a sua viagem, a quarta a sua mãe, a quinta os seus amigos, a sexta os seus desgostos e sofrimentos, e os seus inimigos ocultos.

Se a pergunta for acerca de um eclesiástico, de um padre ou de um irmão da mulher ou apaixonada, a casa nove representará qualquer deles, mas a casa dez será significadora dos seus bens, a casa onze dos seus irmãos, e assim por diante; e, deste modo, em todos os tipos de perguntas, a casa significadora da pessoa inquirida será o seu ascendente ou primeira casa, a seguinte a sua segunda casa, e assim prosseguindo em tomo dos céus, ou das doze casas.

Se uma pergunta for feita acerca de um rei, a dez é a sua primeira casa, a onze a sua segunda, e assim por diante; mas nas natividades, o ascendente significa sempre a pessoa que nasceu, quer seja rei ou pedinte. Desde que a matéria anterior tenha sido bem compreendida, pode-se proceder ao julgamento; não é que seja necessário que se tenha tudo o que foi escrito exatamente na memória, mas que se consiga saber quando se está errado, e quando não; quando se pode julgar uma pergunta e quando não; deveria também ter-vos ensinado a calcular a Parte da Fortuna, mas fá-lo-ei no primeiro exemplo, pois o uso da Parte da Fortuna é variado, mas raramente entendido corretamente por qualquer autor que eu tenha conhecido. Note-se, contudo, que se um rei fizer uma pergunta astrológica, o ascendente é para ele, como o é para qualquer pessoa mais humilde; e seguem-se todas as casas por ordem, como para qualquer pessoa vulgar, pois os reis são terrenos e apenas humanos; e aproxima-se a hora, etc., quando...