sábado, 20 de maio de 2017

Os Orbes dos Aspectos, por Clélia Romano

Os aspectos são relações entre planetas, sendo que o mais rápido faz aspecto ao mais lento.

Há também aspectos dos planetas com pontos da carta.

A partir do momento que os árabes tomaram contato com a astrologia Helenística modificaram alguns conceitos para que se amoldassem à sua experiência. Os árabes priorizaram a técnica e a mensuração objetiva mais que a qualitativa.

Como a astrologia Medieval teve forte influência árabe, os graus precisos entre aspectos passaram a ter importância capital.

Quanto mais exato o aspecto mais forte ele é considerado. Da mesma forma, são considerados mais intensos os aspectos aplicativos que os separativos. Isso significa que se o planeta A estiver se aproximando de um trígono ao planeta B por dois graus isto é mais forte do que quando ele estiver se distanciando deste mesmo planeta por dois graus.

Ao aspecto exato chama-se partil e ao aspecto já se distanciando da perfeição, mas ainda dentro do orbe, chama-se platic.

Orbe é o grau de influência dos raios de um planeta de acordo principalmente com sua importância astrológica.

Há certa discrepância entre os orbes: aqui serão dados os orbes aceitos por Al Biruni, Sahal e Bonatti.

Saturno tem orbe de 18°, 9° antes e 9° após.
Júpiter tem orbe de 18°, 9° antes e 9° após.
Marte tem orbe de 16°, 8° antes e 8° após.
Sol tem orbe de 30°, 15° antes e 15° após.
Vênus tem orbe de 14°, 7° antes e 7° após.
Mercúrio tem orbe de 14°, 7° antes e 7° após.
Lua tem orbe de 24°, 12° antes e 12° após.

Portanto, dentro destes orbes os aspectos são considerados como existentes.

Exemplificando: Vênus, se estiver a 13° de Aries tem um orbe que vai de 6° a 20° e faz aspecto de oposição a Libra dentro desses graus, de trígono a Leão e Sagitário, dentro dos mesmos graus, de quadratura a Câncer e Capricórnio, dentro dos mesmos graus e sextil a Gêmeos e Aquário dentro dos mesmo graus.

Se o aspecto se der a 13° exatos de qualquer desses signos o aspecto é considerado partil.

É importante notar que um planeta com um orbe muito grande, como o Sol ou a Lua podem atingir com seus raios outro planeta com orbe menor, por exemplo, Marte. Dependendo do grau de cada um é possível que o Sol toque Marte com seu orbe e Marte não consiga atingir o Sol. Isto tomaria o aspecto menos característico.

A partir do século XVIII alguns autores começaram a defender a ideia de moities que seria a soma dos orbes dos dois planetas e sua divisão por dois. O resultado seria a média de graus para serem considerados em aspecto.

Por exemplo, o orbe do raio de Vênus é 7° e o da Lua é 12°. A soma é 19°, que dividido por 2 (daí o nome moities) daria como resultado 9°30'. Neste caso Vênus e Lua estariam em aspecto em qualquer grau que distasse até 9°30'.

Esta abordagem não é tradicional e transforma a astrologia numa questão de números. A Lua, como no exemplo, é um luminar, e seu alcance será sempre maior que o de Vênus, sendo que a recíproca não é verdadeira. Na prática, se a Lua atinge Vênus com seus raios, mesmo que Vênus não atinja a Lua, obviamente existe uma relação entre os dois planetas.

A Astrologia é uma ciência hermética e não é um grau a mais ou a menos que vai mudar o rumo da delineação da carta do nativo, quando frequentemente temos muitos testemunhos numa mesma direção.

William Lilly quando fala sobre os orbes trata o assunto com certa flexibilidade, como podemos ver a seguir: "Uma vez uso um, outras o outro, conforme minha memória melhor recorda, e isso sem erro".



Clélia Romano, in Fundamentos da Astrologia Tradicional, Edição do Autor, 2011, p. 100-2. http://www.astrologiahumana.com/