sábado, 13 de maio de 2017

Mercúrio, por Marcos Monteiro

Mercúrio completa sua volta pelo Zodíaco em mais ou menos um ano, assim como o Sol, mas de forma diferente. Ele nunca se afasta mais de um signo do astro-rei (seu afastamento máximo é de 28 graus); antes de chegar a esta distância, ele diminui sua velocidade, pára e reverte o movimento, acelerando até se afastar em mais ou menos a mesma distância no sentido contrário e fazer a mesma coisa.

Por causa disso, é um dos planetas mais difíceis de perceber, o Sol o ofusca grande parte do tempo. Seu brilho é claro.

Ele é fugaz; aparece logo antes do Sol e desaparece quando o dia nasce, ou aparece um pouco depois que o Sol se pôs, para se pôr em seguida. Ele é faiscante, como se estivesse sempre em movimento; só aparece perto do horizonte e no crepúsculo. Tudo isso o fez ser identificado à dualidade, à multiplicidade, à comunicação, à articulação.

Depois da Lua, é o planeta que mais passa pelo Sol. Ao contrário dela, no entanto, ele não vai diminuindo, até sumir de um lado e aparecer do outro. Ele faísca de um lado, some, brilha do outro. Ele foi associado aos deuses e entidades que fazem a comunicação entre este mundo e o outro mundo, como Hermes e seu correspondente romano, Mercúrio. Não como mediador entre os outros planetas e a terra, como a Lua, mas como ponte entre a matéria e o espírito, entre o Sol e o não-Sol. Entre o Céu e a Terra é o planeta do horizonte.

Mercúrio simboliza a razão, aquele movimento faiscante e rápido que classifica as coisas, mas não consegue, por si só, guiar a ação — coisa feita pelo Intelecto, pelo Sol. Ele simboliza também a comunicação, a troca de informações básicas, o comércio.

Ao contrário do que se poderia pensar à primeira vista, ele é frio e seco. Mercúrio não se conecta de verdade, não tem umidade nenhuma. Ele troca, compra e vende, pergunta e responde. Pense no mordomo, figura mercurial por excelência — ele parece não se mover, mas faz tudo acontecer e cair no lugar certo.

O metal associado ao Mercúrio é, logicamente, o mercúrio, o único metal liquido à temperatura ambiente. É o metal que "lava" os outros, se misturando, mas sem se unir.

Animais relacionados a Mercúrio são os que lembram de alguma forma o ser humano, seja "falando" ou "rindo" (hiena, papagaio, melro), seja construindo coisas (joão-de-barro, castor, aranha).

Os alimentos relacionados a mercúrio são os que vêm em grande quantidade, como grãos, que tenham muitos sabores (pizza, comidas agridoce, tutti-fruti, etc) ou que pareçam com o cérebro (nozes).

Plantas relacionadas a Mercúrio, além das anteriores, são todas as plantas multicoloridas, as relacionadas com rituais religiosos, com o cérebro, as de folhas pequenas com várias cores.

Como ele é o planeta da comunicação, ele é melancólico (frio e seco) por natureza, mas sanguíneo por analogia.

Ele está sempre ligado à dualidade, a multiplicidade, e, portanto, não é nem masculino, nem feminino, nem diurno, nem noturno, nem maléfico, nem benéfico. É estéril — inconsequente demais para a fecundação e nutrição.

Ele significa os servos (por sua utilidade), os palhaços, os bobos-da-corte, os porta-vozes, os substitutos, os dublês. Está associado à inconsequência da juventude. Hermes era o deus dos ladrões, de quem não tem firmeza moral para evitar a tentação de pegar o que está à mão: Mercúrio é amoral como a razão.

Ele significa mudanças no tempo em geral, ventos, que são um tipo de mudança no tempo, gases (ventos dentro da barriga) e terremotos (ventos no ventre da terra).

Ele está associado à arte liberal da lógica, à virtude da fé (a virtude mais próxima do Sol, que aparece subitamente, mas que também é a mais fugaz, some fácil) e ao pecado da inveja. Da mesma forma que a preguiça é a falha do planeta mais rápido, a inveja — que é um erro de avaliação — é o pecado do planeta das classificações.

Marcos Monteiro, in Introdução à Astrologia Ocidental, Edição do Autor, 2013, p. 109-10.