sábado, 13 de maio de 2017

Divisão de Casas, por Clélia Romano


Há muita discordância quanto ao sistema de casas a ser usado: há prós e contras em cada um deles.

Alguns tipos de divisão levam em consideração a representação visual do céu onde nasce o indivíduo, enquanto outros levam mais em conta o zodíaco, isto é o caminho do Sol trazendo o dia, o meio-dia, o poente.

O que parece ser adjacente a toda a polêmica sobre a divisão de casas talvez tenha como resposta o fato de que o signo tem uma origem diferente das casas. Os signos advieram das constelações, algo mais objetivo e visual, já as casas não.

Inicialmente, há cerca de 4000 anos na Babilônia, o homem levava em consideração apenas os pontos cardeais: ele observava os astros que culminavam e que ascendiam ou que descendiam, assim como qualquer coisa diferente que vissem nos céus. A demarcação da posição dos astros possivelmente tinha algum significado, se nos lembrarmos dos "augúrios" feitos através de vísceras de animais ou do vôo dos pássaros para uma direção ou outra, interpretados corno boa ou má sorte. Deduz-se que a relativa posição de planetas na abóbada celeste teria tido um significado também.

O importante a levar em consideração é que as Casas partiram de uma perspectiva diferente dos céus do que os signos. Digamos que a experiência humana em relação ao movimento primário, isto é, o caminho do Sol criando o dia e a noite, era muito mais sensível e perceptível que a longitude dos astros caminhando pelo zodíaco.

A sistemática para demarcar as Casas é um assunto controverso. Vamos rever através de gráficos a posição da Terra e da eclíptica, para que possamos explanar a respeito dos diversos métodos de divisão.

A figura a seguir dá uma ideia da inclinação da Terra, do passo do dia, a eclíptica e a diferença de perspectiva em relação ao horizonte.


Pois bem, no hemisfério Norte, se olharmos em direção ao Sul notamos que as estrelas se erguem a Leste, culminam no meridiano Sul e se põem a Oeste.

O observador não pode ver o que está abaixo da linha da eclíptica, portanto ele não vê o Leste verdadeiro, ele vê um ponto em direção a Leste por onde o Sol se ergue no horizonte. A esse ponto deu-se o nome Ascendente (observe a figura). O meridiano Sul é o ponto onde a eclíptica corta o Meridiano, correspondendo ao MC, a seguir o Descendente ou ponto Oeste e o Nadir, o ponto mais ao Norte e invisível.

No Hemisfério Sul o fenômeno é idêntico, porém o observador olha para Norte e observará que o meridiano corta a eclíptica a Norte, onde é o MC.

Repare que a 0° de Aries e a 0° de Libra a linha da eclíptica e a linha do paralelo do Equador se superpõe: neste momento há urna coincidência do Ascendente com o leste verdadeiro.


Clélia Romano, in Fundamentos da Astrologia Tradicional, Edição do Autor, 2011, p. 80-1. http://www.astrologiahumana.com/