sábado, 13 de maio de 2017

Os vários sistemas de Divisão de Casas, por Clélia Romano

Tendo como base o que foi explicado vou descrever alguns sistemas mais usados de divisão do circulo.

O primeiro sistema de casas que existiu foi whole signs, isto é signos completos. Conhecendo-se o grau do Ascendente fazia-se ao signo a primeira casa, que ia de zero a 30° do mesmo signo. A segunda casa seria o segundo signo e assim por diante até chegar a Casa 12. Isto ocorreu na época helenística, em torno do ano zero de nossa era.

Existem dezenas de divisões de casas, mas algumas não têm validade astronômica e outras não têm validade astrológica.

Um sistema muito antigo e que levou o nome de Porfirius talvez tenha sido o primeiro sistema após o sistema de signos completos. Tratava-se de, encontrando o ASC e o MC, dividir o semicírculo em 3, que seriam as cúspides das casas. O mesmo seria feito entre o MC e o Descendente.

Não é encontrado em Ptolomeu nada que nos indique que ele usou uma divisão de casas ou outra. Mas Placidus de Tito (século XVII) diz ter se baseado no sistema de Ptolomeu quando criou ou recriou o popular sistema denominado Placidus.

É verdade que Ptolomeu fazia prognósticos baseados no tempo ascensional dos signos para saber quando um planeta significador iria chegar a um promissor. Portanto seguia um método baseado no tempo de ascensão dos signos e provavelmente fazia uma correspondência deles sobre a eclíptica. E esta é justamente a base que caracteriza o sistema de Placidus: descoberto o Ascendente e o Meio Céu, as casas entre um e outro são divididas de acordo com o tempo levado pelo ponto do Ascendente para chegar ao Meio Céu. Tendo em mãos o fator tempo, ele é transformado em graus eclípticos, isto é, zodiacais.

Da mesma forma é calculado o tempo que leva para que o ponto no MC atinja a Casa 7, e tal quantidade é então dividida e projetada em graus sobre a eclíptica.

Sendo um sistema de quadrantes, a 5ª e 6ª casas são opostas e caem no mesmo grau que a 12ª e a 11ª. Da mesma forma, a 2ª e a 3ª Casas se contrapõem com exatidão à 8ª e à 9ª Casas.

AlQãbisi, Alchabitius ou Alcabitius, o famoso astrólogo árabe, adotava um método semelhante, no século XII. Não se sabe se AlQãbisi foi um predecessor ou precursor de Placidus de Tito.

Outros sistemas de divisão rejeitam dividir as casas pelo Zodíaco ou eclíptica. Dão importância aos planetas que estão para levantar ou ascender e a outros que estão escondidos ou se pondo no local de nascimento. Johannes Campanus foi um matemático proeminente do século XIII que popularizou este método que leva seu nome. No entanto, ele foi usado por Al Biruni que o chamava sistema de Hermes, no século XI.

Tal método rejeita a divisão da eclíptica em favor do Primeiro Vertical, o grande círculo que corta os pontos Leste e Oeste do horizonte e passa pelo zênite e nadir, fazendo ângulo com o meridiano do observador. Isto era dividido em 12 setores iguais que correspondiam à interseção com a eclíptica, fornecendo as cúspides.

Muitos dizem que Campanus, abandonando a eclíptica que é o caminho do Sol, desvirtuou o sentido astrológico, mas parece que o maior inconveniente do método é aceitar distorções absurdas em altas latitudes, tais como o MC vir a cair abaixo da Terra.

Johan Muller of Konigsberg, matemático do século XV (também conhecido como Regiomontanus), lançou um método parecido ao de Campanus: também utiliza o grande circulo e não a eclíptica como referência. No entanto, diferentemente de Campanus, baseia-se na divisão igual do Equador Celeste, que é uma projeção do Equador terrestre, e não no Primeiro Vertical.

Na verdade, qualquer sistema de casas é inadequado para regiões de extrema latitude, como as regiões polares, e as distorções são enormes.

Bem, diante disso tudo, qual sistema usar?

A astrologia Helenística trabalhava com o sistema de casas/signos completos. Se acompanharmos os inúmeros exemplos de delineação dados por Vettius Valens em sua já citada Antologia, com conclusões e explicações coerentes partindo de pontos que consideraríamos aproximados, vemos que o excesso de cálculo nem sempre é o mais importante.

Muitos astrólogos tradicionais modernos estão usando signos completos, sendo as cúspides consideradas apenas como o local de mais força dentro do signo, exatamente corno faziam os helenísticos. Isto significa que as cúspides dão o peso quantitativo (força), mas a delineação é feita pelo signo completo, ou whole sign.

No entanto, por mais que se defenda o uso de signos completos, algumas delineações só fazem sentido se usarmos a divisão de casas. Tenho tido sucesso usando Alchabitius, não muito diferente de Plácidus.

As cartas analisadas neste livro seguem a divisão através do método de Alchabitius.


Clélia Romano, in Fundamentos da Astrologia Tradicional, Edição do Autor, 2011, p. 81-4. http://www.astrologiahumana.com/