quinta-feira, 23 de junho de 2016

A Filosofia dos Signos, por Catherine Aubier

O senso filosófico está tradicionalmente ligado à casa IX. Isso implica a posição harmoniosa de Mercúrio (faculdades intelectuais), Júpiter (visão de conjunto, gosto pela ordem e por sistemas coerentes) e de Saturno (lucidez, concentração, aprofundamento). Um dominante lunar acrescentará uma imaginação criadora; Netuno trará a intuição e a inspiração.

Os signos podem estar associados a opções ou mesmo a escolas filosóficas, isto é, às principais atitudes e inclinações do espírito, ao se interrogar sobre a significação final da realidade, suas causas primeiras e seus fins derradeiros (mas nota-se no Tema de numerosos filósofos um dominante do signo de Libra).

Aos olhos de Aries, o mundo aparece essencialmente como energia e como ação. A esse respeito, Aries será sem dúvida mais religioso do que filósofo, mais intuitivo do que racional, buscando as origens da vida em uma energia criadora primordial e transcendente: é o cajado ardente de Moisés, ou o fogo inicial (agni) da mitologia bramânica.

Signo fundamentalmente dionisíaco e pragmático, Touro é bem pouco voltado às indagações abstratas. Sua necessidade de apropriação e de fruição o leva a um materialismo relativamente primário. Evitando tudo o que pode "complicar" a existência, é pouco inclinado à angústia metafísica. E o panteísmo que lhe corresponde melhor, sem dúvida.

A flexibilidade e a agilidade intelectual de Gêmeos conduzem-no espontaneamente a jogar com as noções mais abstratas e com os paradoxos mais insólitos. Sempre numa posição de distanciamento, quase até de desdobramento, e olhando a si mesmo ocupado a se olhar, será facilmente seduzido pelos jogos de um idealismo absoluto (no sentido filosófico do termo), confinando-se ao puro e simples solipsismo: a realidade inteira é concebida como uma projeção de seu próprio psiquismo.

Para Câncer, o elemento afetivo prevalece sobre os fatores intelectuais. A filosofia de Câncer passa antes de tudo pelo coração e assemelha-se, assim, muito mais a uma mística. O papel preponderante das origens, da infância e do mundo materno impele Câncer a buscar a imagem da grande mãe cósmica que engendra, consola e liberta. Chega-se ao culto da mãe divina, comum a todas as grandes tradições religiosas, da Shakti hindu à Virgem cristã. A busca filosófica de Câncer será menos cartesiana do que simbólica e analógica. Leão é essencialmente voluntarista e prometéico. Sua principal preocupação será a transformação do universo pelo homem. Suas noções-chave: a evolução e o progresso. Sua motivação fundamental: a conquista do real. Esse movimento implica uma forma de filosofia muito mais voltada para a ciência do que para a metafísica. Se Deus é levado em conta, é quase como rival, permanente desafio a nossa capacidade de transcendência. E o típico espírito nietzschiano e luciferiano. E geralmente agnóstico.

Fundamentalmente racionalista, Virgem esforça-se em dividir o mundo em conceitos e categorias inteligíveis, o que inspira uma visão científica da realidade. Preocupado sobretudo com a lógica formal, com linguística, com semântica, com dialética, este signo é pouco inclinado aos grandes impulsos metafísicos — está mais preocupado em estabelecer limites e compartimentos do que em sondar o inefável.

Na busca do equilíbrio, Libra tende espontaneamente a diferentes formas de dualismo: o yin e o yang da filosofia chinesa ou o deus bom e o deus mau da gnose maniqueísta. Mas a busca de perfeição e de reconciliação própria de Libra exclui o caráter violento e dramaticamente oposto dos dois princípios tal como se manifestam, por exemplo, através do pensamento cátaro.

Escorpião é o signo do hiperindividualismo e da universal metamorfose percebida através do sexo e da morte, Eros ou Tanatos. Este conjunto assemelha-se bastante aos conceitos e aos valores do existencialismo, para o qual a existência precede os sentidos, e que fundamenta todo o seu sistema moral sobre uma afirmação do indivíduo. Há também em Escorpião um sentido de forças obscuras e escondidas que pode inspirar-lhe uma visão mágica, xamânica do universo.

Em sua necessidade de expansão e de exploração apaixonada do desconhecido, Sagitário é irresistivelmente atraído pelo além, pelo invisível, pelos universos a "n" dimensões, em que a lógica prática não tem mais sentido. Filosoficamente, esta tendência o leva a todos os sistemas espiritualistas que propõem uma infinidade de domínios sutis a percorrer. Tal postura conduz frequentemente ao ocultismo ou à parapsicologia.

O rigor e a austeridade de Capricórnio o inclinam à meditação, ao isolamento, à busca da realidade interior mais fundamental, despojada do habitual murmúrio emocional e mental. Essa disposição combina bem com as mais severas asceses, com a vida monástica, inteiramente devotada ao trabalho sobre si mesmo em vista de descobrir o ser essencial presente sob as aparências.

O universalismo de Aquário corresponde muito bem ao idealismo platônico e à concepção de uma realidade fenomenológica fundamentada sobre as ideias puras, que transcendem todas as aplicações da realidade individual.

Signo místico por excelência, Peixes aspira a uma dissolução do ego e de toda manifestação no oceano da realidade divina. Essa postura assemelha-se às grandes inspirações não-dualistas comuns a todas as correntes espirituais — hinduísmo, budismo, cristianismo, islamismo, etc.