terça-feira, 21 de junho de 2016

Escorpião, por Catherine Aubier

Elemento: Água fixa (pântanos, águas estagnadas, líquidos em decomposição, fermentações, venenos mortais e salvadores); parte do corpo: sexo, ânus, órgãos genitais (fase anal); época da vida: maturidade; estação do ano: meio do outono, no hemisfério norte; casa correspondente: casa VIII; signo complementar e oposto: Touro; planeta regente: Plutão; ciclo natural: o fruto cai e se decompõe em vista da ressurreição futura; função zodiacal: eliminação, excreção, sexo, morte e renascimento.

SIMBOLISMO

O signo afirma-se através de uma dupla simbologia: noturno, o animal é antes de tudo mortalmente venenoso, é um matador sorrateiro que pica de emboscada os imprudentes que têm a infelicidade de tocá-lo; diurno, torna-se sinônimo de sacrifício e abnegação, pois, segundo a lenda, os filhotes do escorpião alimentam-se das entranhas de sua mãe. Deus da caça para os maias, é, para os dogons, patrono e protetor dos cirurgiões. Os egípcios fizeram dele o deus tutelar dos curandeiros e dos bruxos.

No zodíaco, o Escorpião representa uma fase de decomposição, de fermentação, de morte e ressurreição, igualmente simbolizada pelo duplo emblema da serpente e da águia. Constantemente dividido entre o apelo de Deus e as fascinações de Satã, numa dialética de criação-destruição, redenção-danação, Escorpião aspira menos ao bem viver do que ao viver mais, assumindo a intensidade de sua angústia existencial, reivindicando os estragos de suas pulsões convulsivas. O dardo envenenado do signo não é somente uma arma impiedosa. É igualmente uma ferramenta que permite vasculhar a realidade em toda a densidade, a fim de ir sempre mais profundamente em direção ao âmago do mistério.

PSICOLOGIA

Com Escorpião, os semitons e as hesitações de Libra são varridos. As cores do outono tendem ao marrom e ao preto, as folhas caem e os frutos, muito maduros, se desprendem. Entramos em um domínio de desagregação e dissolução fecunda. É a era das grandes metamorfoses — morte e renascimento. É uma porta para as profundezas do ser e os mistérios de além-túmulo. Escorpião mata para não morrer e morre para poder ressuscitar. Essa morte, de que está investido, nada tem de aniquilamento. É um conhecimento intuitivo dos segredos extremos. Toda intensidade criadora se mede em termos de transformação, ou mesmo em termos de transmutação: morte do velho homem e nascimento do homem novo.

Escorpião está associado à casa VIII, setor das crises e das destruições. Esse signo é antes de tudo voluntarioso e apaixonado. Tal eixo de instinto transbordante exprime-se através de uma irresistível tensão da sexualidade, cujo rompimento pode tornar-se doação de si e abnegação.

Escorpião é essencialmente um produtor e um transformador de energias. Seu poder erótico é uma ardente necessidade de penetrar no âmago das coisas, no centro mais tenebroso e mais escondido da realidade.

Toda pressão social, todo freio, toda intervenção de uma vontade exterior lhe são insuportáveis; ele os sente como se fossem um atentado contra seu ser mais íntimo. Admitindo somente sua própria lei, não tolera nenhuma autoridade, exceto quando alimenta por seus superiores uma estima real. Em permanente rebelião, Escorpião é um individualista visceral. Ansioso, hipersensível, atravessa frequentemente períodos de angústia, e sua necessidade aguda de "modificar as coisas" leva-o a comportamentos destrutivos.

Tendo geralmente necessidade de se opor para se definir, julga, analisa, decide, com atrações brutais, repulsas imediatas, guiado pela intuição e uma perspicácia inata mais que por um senso de análise.

Escorpião se sente e se afirma na diferença, e esse instinto de diferenciação transforma-se facilmente em agressividade ou em marginalidade. Essa certeza ansiosa de ser diferente leva-o a experimentar frequentemente um doloroso sentimento de exclusão.

Fascinante, hermético, o olhar de Escorpião penetra o defeito das couraças e arranca os segredos mais bem guardados.

Ele só reconhece os grandes combates da existência; acontece que, em certos casos, vacila, em seguida a um bloqueio: o signo então o confina na inibição e na autocensura, levando-o a adotar um comportamento bastante próprio daquele de Virgem.

Muito sensível às situações de bloqueio, tem facilmente a impressão de girar em círculos e se fecha em comportamento, marcados pela culpa, a repressão e a autopunição.

Diferenças em função dos dominantes planetários (principalmente pela influência angular preponderante de um astro):

Sol em Escorpião: é hiperindependente, pronto a tudo para preservar sua individualidade.

Lua em Escorpião: é perseguido por sonhos obsessivos em que a magia se mescla à morte e à sexualidade. Daí uma natureza sombria, atormentada, violenta, às vezes mórbida.

Mercúrio em Escorpião: é dotado de uma intensa e incansável curiosidade. Uma força o leva a desvendar os segredos mais bem guardados; tem um comportamento inquieto e facilmente inquisitório.

Vênus em Escorpião: deseja, antes de tudo, agradar e fascinar. No plano afetivo, não suporta de jeito nenhum a dependência.

Saturno em Escorpião: inibe os impulsos eróticos e agressivos do signo; daí um excepcional sangue-frio e um controle exacerbado dos instintos, que pode se transformar em verdadeira ascese.

Urano em Escorpião: as paixões culminam em um individualismo feroz, em uma revolta selvagem, violenta. Toda energia visa a criar uma renovação.

Netuno em Escorpião: o nativo é irresistivelmente atraído pelo fantástico, pelo paranormal e pelo esotérico.

Um dominante de Plutão só faz ampliar os valores do signo.